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Olá, muito bom dia. Dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando estúdio Câmara no ar hoje, quarta-feira. Tudo bem por aí? Por aqui tudo ótimo. E hoje é dia 1eiro de abril, é o dia conhecido como dia da mentira. Mas hoje a gente vai além da brincadeira, vamos falar sobre mentira. Porque mentir, omitir, exagerar faz parte do cotidiano. E o que parece pequeno pode revelar muito sobre o nosso comportamento, sobre a nossa saúde mental e até sobre o funcionamento do nosso cérebro. Dados mostram que a mentira é mais comum do que a gente imagina, porém também é mais concentrada, né? Um um estudo publicado em uma revista científica aponta que apenas 5,3% das pessoas são responsáveis por metade das mentiras contáveis, né? Você conta uma mentira e se você e você se responsabiliza pelas consequências dessa mentira. E esse estudo também traz cerca de 60% das pessoas afirmam não mentir em um período de 24 horas. Ou seja, mentir não é igual para todo mundo. E quando vira um hábito, aí sim pode ter consequências sérias. Então, a gente fala hoje sobre a mentira. Eh, a gente a gente mente. Você mente? Qual foi a última mentira que você contou? Você já mentiu hoje, né? Então, vamos conversar sobre a mentira. Você de repente tem alguma dúvida, tem é uma experiência que aconteceu com você por conta da mentira? Conta pra gente. Quer contar, mas tem que contar a verdade, hein? Vamos lá. 19978293776. WhatsApp tá na tela. Os nossos convidados já estão aqui no estúdio. Vamos conversar sobre a mentira. O que acontece na nossa mente, no nosso cérebro, quando ele se esforça para criar algo que não existe. É isso. Dá um cansaço tremendo, sabia? De acordo com especialistas, o nosso cérebro tem que se esforçar e muito para contar uma mentira. Então, vamos falar sobre isso. Mas antes vamos eh trazer informações do legislativo para você. Porque a comissão de meio ambiente da Câmara de Campinas vai realizar uma reunião extraordinária hoje às 2 da tarde no plenário da Câmara. O encontro terá como destaque a palestra micro e macragem pluvial nas cidades, que aborda desafios da drenagem urbana, legislação e planejamento a longo prazo. O palestrante é o engenheiro Sérgio Palazo. Segundo o presidente da comissão Luiz Yabico, o objetivo dessa reunião é discutir soluções para problemas de drenagem em Campinas com foco na integração das redes antigas às novas tecnologias. A reunião é aberta ao público, pode ser acompanhada presencialmente ou pela TV Câmara Campinas ou também pelo YouTube da TV Câmara Campinas, tá bom? É só você acessar. E hoje às 18 horas tem início então a 17ª reunião ordinária que acontece no plenário da Câmara. Essa reunião deve votar em primeiro turno o projeto de lei 410 de 2025, de autoria do vereador Herbert Ganém, que prevê a reserva de vagas para pessoas com deficiência em cursos de qualificação profissional oferecidos pelo município. A proposta estabelece que as vagas sejam proporcionais ao número de pessoas com deficiência na cidade com base em dados do IBGE, além de prever isenção de taxa de inscrição e direito de acompanhante especializado. Ao todo, são 14 itens que estão na pauta dos trabalhos da reunião de hoje. A sessão é aberta ao público com possibilidade de acompanhamento presencial também. É só você ir até o plenário da Câmara, tá? E você pode assistir aqui também pela TV Câmara Campinas ou pelo canal do YouTube da TV Câmara Campinas. Previsão do tempo para hoje. Vamos lá. De amanheceu fresquinho. Estamos no outono, né? E ontem teve uma chuva no final, quer dizer, no início da noite. Hoje nós temos aí 18:28, né? Eh, pancadas de chuva, temos sol entre nuvens e pancadas de chuva a qualquer hora do dia, principalmente à tarde. Tá bom, gente? Agora sim, tudo certo. Vamos apresentar os nossos convidados. Vamos falar do nosso tema central. Hoje a gente fala sobre um comportamento humano universal, mas pouco discutido como profundidade, né? A mentira. O que que é mentir? Será de fato, né? Qual que é a diferença entre omitir, exagerar e enganar? Será que tem diferença? E quando isso deixa de ser socialmente aceitável e passa a ser um problema de saúde? Bom, para essa conversa a gente recebe a psicanalista Iara, ela tá aqui com a gente já. Seja muito bem-vinda. Vai explicar pra gente um pouquinho como é que funciona o nosso comportamento mediante a mentira. Iara, seja bem-vinda. Bom dia. Bom dia, Rúbia. Muito obrigado pelo convite. Um prazer estar aqui. Bom dia, telespectadores. Muito bem. Para completar, gente, a nossa dupla de hoje aqui do estúdio Câmara, a gente recebe o neuropsicólogo Daniel Salvador, que vai explicar pra gente o que que acontece no nosso cérebrinho quando a gente precisa inventar alguma coisa. O cérebro cansa porque tem que montar uma história que não existe. É a famosa mentira. Bom dia, seja bem-vindo. Bom dia, obrigado pelo convite. Acho que vai ser uma conversa muito boa, muito boa, muito proveitosa, muito informativa. Porque mentir, mentira, as pessoas fazem isso por diversos motivos. Olha só, se a gente parar para analisar, na infância, a mentira pode ser usada para conseguir algo em troca, por exemplo, quando a criança eh promete que vai se comportar para ganhar um brinquedo, né? né? Já parou para pensar e daí ela não se comporta, mas ela faz de conta que tá se comportando. A mãe pergunta: "Você se comportou?" "Sim, me comportei". Porque ela quer ganhar esse brinquedo? É uma pequena mentirinha. Ela, essa mentira também serve para facilitar adequação a um grupo, por exemplo, né? Quando o jovem diz gostar de uma banda que de repente ele não gosta e essa banda tá em alta e ele fala: "Não, eu gosto, eu conheço", mas ele nem conhece. Mas ele tá fazendo isso para se enturmar, para ter o pertencimento do grupo. Então eu trouxe eh para vocês esse cenário paraa gente entender que a mentira ela começa desde pequenininho. A gente começa com pequenas mentirinhas. Agora eu pergunto pra Iara pra gente poder começar a permear nesse campo mais profissional do negócio. O que que é a mentira no ponto de vista da psicologia? Iara. Bom, Rúbia, a mentira ela muitas vezes é encarada como um problema moral. Uhum. Mas a psicanálise ela vê como um fenômeno psíquico, né? Muitas vezes a mentira ela está ali para cumprir uma função. Uhum. Né? A gente poderia, para simplificar, organizar a mentira como um três principais funções que ela sustenta, né? Primeiro, proteger a imagem. Às vezes não é sobre enganar o outro, mas mais sobre estar bem com aquilo que se é ou não estar suportando algo que viria à tona, que ele mostraria para outra pessoa como uma questão de uma uma baixa autoestima. Então, nesse nesse caso, a mentira serviria como uma função de proteger a imagem. A segunda função da mentira seria evitar um conflito ou a perda do amor. Nesse caso, a mentira não é agressiva, mas ela é mais evitativa. É quem nunca disse um sim quando quer dizer um não ou falou e não, pode deixar, não vai ser problema, eu resolvo fez algo que não queria fazer para não causar desconforto no outro ou evitar um conflito. E aí a pessoa acaba cedendo, mas essas mentiras evitativas elas vão se acumulando em uma hora elas transbordam e voltam de uma outra maneira, né? E a terceira função da mentira pra gente assim organizar simplificando em três funções, seria sustentar uma fantasia. Então não é tanto sobre mentir para o outro, mas mentir para si mesmo, né? Às vezes a pessoa quer tanto acreditar numa realidade que ela acaba fazendo algo em cima de uma fantasia que só existe ali na vontade dela. Eu vou dar um exemplo simples e cotidiano, um caso simples, depois a gente aumenta para quando vira uma situação patológica, né? Quem nunca comprou algo com dinheiro que não tinha e sobre um um objeto que não precisava. E aí vem aquele pensamento mágico, ai vai entrar um dinheiro? Não, depois eu dou um jeito, eu parcelo, vou conseguir. É uma solução mágica, né? É uma vontade de que aquilo fosse uma realidade. É, não deixa de ser uma mentira. Ainda assim dentro de um certo nível de de controle. É uma mentira cotidiana. Agora, quando a mentira passa a ser patológica, né? Quando a gente acredita naquela mentira e passa a operar a partir dela, em todos os sentidos, ela ela começa a invadir a vida. você tem uma realidade alternativa que você quer acreditar e você tenta que ela caiba na realidade que ela que não que não a comporta, vamos dizer assim, né? Aí ela começa a atrapalhar as relações porque ela é baseada em fatos, em fantasias que não se sustentam na vida real. Então seria isso que a gente poderia simplificar em três funções principais. Muito bem, Ara. E era pontuando aí eh situações, né, que a gente pode entender eh sobre a mentira do cotidiano, né? Mas na neurociência, mentira é considerado um processo cognitivo complexo. Pesquisas da Universidade de Harvard indicam a ativação do córtex pré-frontal. Vamos lá, Daniel. O que que acontece no cérebro quando a pessoa decide mentir? Como que a gente é, como que a gente forma a história? Como que a gente forma a mentira no nosso cérebro? Exige eh muito esforço cerebral para isso? É sim, para mentir gastar uma energia bem alta, né? O nosso cérebro é o órgão que mais gasta energia em todo o funcionamento do nosso corpo. E para mentir, eu vou precisar de algumas funções desse cérebro que são fundamentais, né? Então vamos lá. Eh, para mentir, eu vou precisar prestar atenção no que eu estou falando, eh, prestar atenção no que está acontecendo, inclusive prestar atenção na reação do ouvinte, né? Eh, eu preciso também ativar a minha memória, né? Eu preciso lembrar de alguns fatos, experiências vividas, né? Eh, e saber, né, inclusive a que ponto eu estava contando antes para saber como eu vou continuar contando a história, né? Eu preciso também de uma função que é chamada controle inibitório. O controle inibitório é uma função do nosso cérebro responsável para regular os comportamentos, as emoções e os pensamentos, que a gente chama popularmente de o nosso filtro, né? É ele que ajuda e e a e auxilia o nosso cérebro a não ter um comportamento inadequado, né? Falar algo que não deveria naquele momento e assim por diante, né? Eh, a gente precisa também de outras habilidades como o raciocínio, né, para poder fazer uma história que faça sentido. Então, todas essas funções são ativadas, né, além de outras, é claro, mas paraa gente resumir aqui, eh, são ativadas e utilizadas nesse momento para sustentar uma história no qual não tem a fundamentação real, né? Eu não consigo ter uma lembrança apenas do que de fato aconteceu. Eu preciso criar essa história. E criar algo eh gasta muita energia, é muito difícil. Claro, contar uma uma mentira pequenininha, eh o gasto energético pequeno, mas se for uma uma mentira, uma história complexa que eu preciso sustentar por muito tempo, eh o gasto energético vai ser bem elevado. E aí a gente consegue até identificar que não há sustentação nessa história, porque ao recontar eh toda a o fato, a a narrativa que a pessoa criou por ser um gasto energético difícil, o cérebro vai começar a poupar algumas tarefas. E nessa, né, a habilidade de eh poupar um pouco de energia, acaba faltando alguns elementos que são detalhes ou até eh partes que são fundamentais para sustentar aquela narrativa, né? E é assim, por exemplo, em casos de eh com delegacia, né, polícia lá do jurídico, que acaba vendo se a pessoa consegue sustentar ou não aquela narrativa. E é facilmente ver até na clínica a gente vê muito isso, né, que acontece e pacientes que de nível mais patológico tentam ali, né, na durante o processo clínico, eu eu realizo avaliação neuropsicológica, as pessoas tentam às vezes eh sustentar uma história, como a Iara bem disse aqui, né, por fantasia, para eh não ter às vezes um um diagnóstico, né, que ela não gostaria de enfrentar, enfim, por diversos motivos. tenta sustentar uma história que percebemos que eh não parece se conduzir com a realidade dela. E ao ver numa sessão seguinte ou no outro momento para ela recontar a história, a gente vê que começa a aparecer elementos que são diferentes, começa a aparecer eh eh detalhes que estavam antes presentes, que eram fundamentais paraa história, que não aparecem mais, né? Enfim, porque essas funções cognitivas que eu falei, atenção, memória, raciocínio, entre outras, por ser um gasto energético elevado, começam a fadigar, começam a falhar e aí a história começa a perder tanto a a linha de de raciocínio quanto esses detalhes. Nossa, que interessante, né? Por isso que eh sustentar uma mentira é algo que é delicado, né? Por conta até do nosso cérebro, como o nosso cérebro reage, que que o que é uma mentira? É você criar algo que não existe, mas aí você vai ter que ficar sustentando aquilo, né? Dependendo do tamanho da mentira, né? Eh, você vai ter que sustentar aquilo ali por um bom tempo e você sustentar com todos os detalhes, o cérebro vai falhar uma hora, assim como Daniel trouxe, porque aquilo não é verdade. E você vai ter que repetir aquela história nos mínimos detalhes. Agora, Iara, eh, quando a gente fala mentira, qual que é a diferença entre mentir, omitir, né, e aumentar uma história? aumentar uma história, porque às vezes, vamos colocar aqui um exemplo assim bem simples, né, que a gente conversando na redação com o pessoal ali eh eh da produção também surgiu, né, eh uma pessoa que quer conquistar uma namorada de repente, né, ele vai e e ele fala que ele é dono de uma grande empresa e que ele é o e tal, mas é mentira. Ele fez isso só para conquistar. E de repente ele é um sócio, mas ele não é o dono, então ele aumentou. Então tem diferença entre mentir, omitir e aumentar. Então Rúbia, essa é uma questão que diz respeito a cada um, né? Se ele diz que é CEO e ele é apenas ali, vamos dizer assim, um um sócio minoritário até, nem tão importante assim, vai depender de como aquilo chega para você. Aí vai depender de cada um. Ai não, mas ele é um cara que ele tem tantas qualidades. É, eu acho que aqui faz sentido ele de certa forma ele é o dono também. Então assim, você pode justificar ou você pode: "Nossa, isso daqui não vai dar certo, esse cara ele não se posicionou bem comigo, já vou ficar alerta, não tem muito interesse." Então a maneira que a gente vai lidar com a informação que nos chega é muito pessoal. O que você pode entender como uma mentira inofensiva, a outra pessoa pode entender como um sinal de alerta e a outra pode entender, pode radicalizar. Não, isso daqui foi uma mentira. Ponto final. Então, como a gente recebe a fala do outro aumentando, omitindo ou exagerando, tem muito mais a ver com a gente do que com a mensagem que o outro quis passar, né? Então, é muito pessoal a maneira que a gente reage o que a gente entende como ser uma informação não necessariamente exata. Uhum. Muito bem. E agora as pessoas que não se vem como mentirosas, Daniel, porque a pessoa de repente ela mente, mas aí ela não acredita, ela não é mentirosa. A pessoa fala: "Você tá mentindo, né? Mentir é feio, não faça isso". Mas a pessoa: "Não, mas eu eu não sou, eu não tô mentindo." E ela sabe que ela está mentindo, mas ela não se vê uma pessoa mentirosa, né? O cérebro ele justifica essa mentira para reduzir um desconforto, como que funciona? É, isso é é uma das explicações possíveis, né? Ah, a pessoa pode estar tentando tirar uma uma realidade paralela, né, para um benefício próprio ou para aliviar, né, ou não sofrer alguma consequência posterior. Eh, e existe uma uma habilidade no nosso cérebro, né, chamada que é a percepção social. Uhum. A percepção social é a nossa habilidade em reconhecer no outro, né, na pessoa que está ali interagindo, eh, conversando, seja o que for, eh, essa pessoa tem que ser capaz de reconhecer alguns detalhes, reconhecer a expressão facial, a o movimento de sobrancelha, a o movimento de corpo que a pessoa faz. E isso nos traz interpretações, né, no qual, hum, ela mexeu a sobrancelha enquanto eu estava falando. Eu acho que ela não tá gostando, eu acho que ela tá discordando, ela ficou brava. Isso vai fazendo com que a gente vá se adaptando àquela relação, né? Bom, por que que é importante essa função? Porque na hora da mentira, né, eu estou ativando eh eh essa função e utilizando ela de um nível mais elevado. Se eu tenho essa função com uma habilidade dela bem desenvolvida, né, eu sou muito bom em fazer isso, significa que eu vou conseguir equilibrando e mudando o meu discurso, minha narrativa para sustentar, no caso, a mentira, né? Eh, se eu não sou tão bom assim, eu começo a contar aquela mentira e não percebo a reação da pessoa. E geralmente essas pessoas não são muito boas em mentir. Elas acabam sendo pegas facilmente, né? As pessoas entendem como você falou, mas não é verdade, não é isso. Bom, isso é a percepção social. Há uma outra situação, outra questão, né? É que também está relacionado, que é a autopercepção da pessoa perceber a a sua consciência, os seus sinais, o seu comportamento, né, sua autoanálise. Enfim. Eh, se esses dois conjuntos funcionam muito bem, tem uma grande habilidade, essa pessoa tem mais chance de se sair bem, vamos dizer assim, né? Na questão da mentira. E ela tendo reforços positivos, ou seja, deu certo, eu consegui sustentei uma uma posição, lugar numa realidade paralela que me fez bem, a tendência é esse cérebro receber e respostas positivas e ele sustentar isso ao longo do tempo. E aí ele vai aperfeiçoando a habilidade e pode chegar no nível, como a gente falou, prejudicial, que é, né? eh, prejuízo às pessoas e para a própria pessoa, né? Ela mesmo ter prejuízos por conta disso. Lembrando que eh tá num gasto energético muito elevado. Imagina fazer isso o dia inteiro, todos os dias, né? A tendência esse cérebro depois entrar numa exaustão, porque é muito difícil sustentar esse tipo de de tarefa, né? Claro, estamos falando do nível mais patológico, né? Então, essas habilidades elas são fundamentais pra pessoa, né? e vai determinar o como a pessoa vai se dar bem, mentindo ou não, se dando bem, claro, tô dizendo assim, eh, em sustentar a mentira, né? Porque a mentira ao longo do tempo, sem dúvida nenhuma, trará prejuízos para todos os envolvidos, né? Excelente. Agora, Iara, a questão da da mentira, quando ela se torna uma patologia, como que é o tratamento, como que a gente identifica, né? E a pessoa que ela já tá num num nível que ela precisa de de atendimento clínico, né, que ela precisa de repente de uma terapia, eh ela vai por si só, porque é difícil identificar-se como um mentiroso, né? Então, gostaria que você falasse um pouquinho dessa patologia e de repente a da importância da família, né, da rede de apoio, de fazer com que essa pessoa se autorreconheça e que busque ajuda. Sim. Eh, a gente costuma falar que a diferença entre a normalidade e a patologia é a intensidade daquilo que tá acontecendo, né? Então, as mentirinhas, como a gente colocou aqui cotidianas, algumas mentiras que não têm tanta consequência assim, você vai administrando. Quando você passa a operar a partir de um lugar em que a mentira é onipresente e ela começa a afetar as relações, ela começa a afetar o o você profissionalmente, socialmente, emocionalmente, aí ela traz prejuízos e começa a atrapalhar muito não somente a própria vida, mas como daqueles que convivem e que estão ali ao seu lado ou que precisam eh ter relações profissionais. com você. Enfim, nesse caso, quando ela começa a atrapalhar a vida cotidiana em diferentes frentes, aí ela precisa ser investigada, né? E na clínica a gente não trata a mentira como algo que tem que ser eliminado e sim escutado. Qual que é a função da mentira ali? Por que que ela está naquele lugar, né? Porque muitas vezes a mentira ela é um sinal de que aquele sujeito não consegue ainda dizer de outra forma. Então, o que que a mentira está eh precisando sustentar? O que que não está com sendo conseguido ver, abordar? Que sintoma é esse, né? Porque se o sintoma é eliminado sem entender a função dele ali, ele vai voltar de outra maneira. Por exemplo, uma pessoa que mente muito e de repente ela tem que parar de mentir, aquilo que a mentira servia vai voltar, seja numa compulsão, seja em relacionamentos tóxicos, porque a mentira ela tá ali para proteger de algo. Ela está ali para que a pessoa consiga viver daquela maneira, suprimindo, escondendo algo que ela não está com condições naquele momento de lidar. Então, na clínica, o que que a gente faz? Escuta para entender qual é a verdade que naquele momento o sujeito não está conseguindo encarar, né? E e através disso a gente vai elaborando juntos, né? Construção, em análise para que a pessoa não precise mais mentir, para que ela encontre outras formas de elaborar aquela situação e possa estar ali sem usar esse mecanismo de defesa da mentira. Agora, como que a pessoa vai procurar ajuda? Uhum. quando o sofrimento não tá mais valendo a pena, quando estar naquela posição é insustentável, quando atrapalha o casamento, a vida profissional, os vínculos, as relações, a confiança, quando não dá mais para sustentar a mentira, quando o sofrimento deixa de valer a pena, aí a pessoa procura ajuda. Muito bem. até chegar nessa fase, né, eh, de buscar ajuda, essa pessoa pode ter perdido muitas coisas da vida, né? E aí vem a culpa, vem a frustração e vem um descontrole mental muito grande. Imagino eu, me corrija se estiver errada, né? Porque a gente viu aí situações, vamos colocar eh esse ponto de jogos online, né? né? Nós trouxemos no programa a questão de pessoas que são dependentes, né, da da do jogo e as situações que ocasionaram essa dependência. E é importante a gente salientar que de repente tudo acontece ali no o início pode ser um algo para se distrair, mas aí daqui a pouco precisa inventar uma mentira, porque você tá gastando quanto? Não, eu tô gastando R$ 50, mas não. Quando você vê, a pessoa já investiu o que tinha e já tá, já perdeu aquilo e já e continua. E aí é uma mentina em cima da outra, uma mentina em cima da outra e acaba em um buraco sem fundo. O nosso cérebro, Daniel, ele acostuma com a mentira, porque o nosso cérebro ele se acostuma muito fácil, né? E ele tem uma zona de conforto. Então, se eu tô mentindo, tá dando certo, se tô mentindo, tá dando certo, tô mentindo, tá dando certo. Consequentemente vou me acostumar com a mentira. É isso. Mais ou é mais ou menos assim, né? É, de fato, o nosso cérebro se acostuma, né? E eu costumo dizer assim, se ele é capaz de se acostumar, vamos fazer que que ele se acostume com coisas boas, né, saudáveis, né? Eh, mas sim, ele é capaz de se adaptar, mas para o cérebro ele não tem essa definição, o que é bom, o que é ruim. ele tem algo que deixa ele num equilíbrio, deixa ele com reserva de energia, né? O nosso corpo funciona dessa maneira, né? A questão assim, quando se torna algo que é compulsivo, que que é compulsão, né? É quando eu tenho um comportamento que se repete muitas vezes, eu faço isso muitas vezes. Então, podemos pensar qualquer comportamento. O comportamento é como, por exemplo, a pessoa pessoa que lava a mão várias vezes, né? vai lá no banheiro e lava eh 10 vezes à mão, 15 vezes a mão e enquanto ela não fizer naquela quantidade, ela não se sente tranquila, né? Isso é uma compulsão. E me perguntam muitas vezes assim, qual a diferença de compulsão para obsessão, só pra gente acrescentar aqui, né? A obsessão está relacionada com a o pensamento. Então aquele pensamento que se repete muitas vezes a compulsão ao comportamento, algo que eu faço. Bom, pensando na na mentira, né? Que a mentira ela não é um um transtorno isolado, né? Não, um transtorno mental isoladamente como se fosse o TDH, o transtorno depressivo, o transtorno bipolar, né, o transtorno do espectro autista. Eh, o o o a mentira, ela é um sinomo, um sintoma, né, um sinal, como Aara contou aqui, né, que sinaliza algo que está acontecendo. Pra gente comparar a ser igual a febre. A criança está com febre. Bom, isso não é o diagnóstico, isso é o sinal de que o corpo está falhando, tem algo que não está funcionando da forma adequada. A mentira é a mesma coisa. quando ela se torna de fato algo compulsível, que se repete muitas vezes, né, e nem tem necessidade de fazer isso, ela já não tem mais ganhos, ela não tem motivos para fazer aquilo. Isso começa a entrar num campo patológico, um campo de prejuízos significativos, né? Eh, e geralmente vai ser sinal de alguma coisa, sinal de que eh a pessoa está num sofrimento, uma depressão, ah, ou até pode ser eh uma característica de alguns outros transtornos, como por exemplo, ah, se a pessoa tem um TDH, às vezes a criança ela tem essa questão da mentira, eh, não com a intenção de algo, não como a uma função disso, mas pelo funcionamento neurológico dela, ela tem dificuldade de construir a a a história, de construir uma narrativa. E aí começa a criar elementos que não condizem com a realidade, ela distorce, né? E aí, como Iara falou, assim, ver cada caso, porque é isso para interpretação das pessoas, a professora, por exemplo, pode falar isso, né? Eh, o o Pedrinho lá, ele ele mente muito, ele é muito mentiroso, às vezes não é isso, ele não tem essa intenção de enganar, de ter benefícios com isso. Ele tem dificuldade de reconstruir histórias e as histórias não condizem com a realidade. Podemos interpretar isso? uma mentira. Ele não contou a verdade. Mas se a gente olhar no caso do Pedrinho, na verdade não é isso. Ele tem dificuldade de reconstruir histórias. Ele...então parece que ele cria uma história paralela. É só um um exemplo, né? Uhum. Então, olhar isso em cada um e ver como é que ele vai se manifestar é uma uma situação importante. O outro é aquele, por exemplo, adulto que tem a mentira de uma forma compulsiva. Como você falou, o cérebro ganhou recompensas porque ele se beneficiou disso. E aí esse comportamento ele faz por compulsão. Aqui, como eu falei da pessoa que lava a mão várias vezes, qual é o benefício? A gente pergunta para ela: "Qual é o benefício de lavar as mãos?" Ela falou: "Não sei, mas me acalma lavar 10 vezes as mãos, né?" Eh, e você acha que sua mão tá suja? Não, não está. Mas a sensação que eu tenho é que eu preciso lavar 10 vezes. Então, vai ser a mesma coisa da mentira. Se perguntarmos pra pessoa: "Por que você mente tanto?" Eu falar: "Não sei, mas eu o meu cérebro parece quando eu vejo já estou mentindo, já tô contando histórias que não fazem eh não tem condições com a realidade e prejudica o relacionamento, prejudica o trabalho, prejudica a vida social, né? Eh, e a pessoa já não tem mais aquela intenção positiva daquilo. É um ato que virou uma compulsão, fazer por fazer aquilo. E o tratamento para isso? Daniel, além da terapia, né? Eh, eh, tem algum tratamento que de repente precisa entrar com medicamento para isso ou não chega tanto assim? É, não vai existir um tratamento para mentira ou medicação para a mentira, né? Mas entendendo o contexto da da pessoa, né? Como eu falei, se fosse, por exemplo, um um TDH e ela tá tendo essas distorções da realidade, então não vai ser um tratamento medicamentoso ou psicoterapêutico, seja o que for, para a mentira, mas entendendo o funcionamento dela, os prejuízos que ela tem, quando a gente vai trazendo eh melhor desenvolvimento, correções e tudo mais, a mentira vai se amenizando, né? Eh, se for uma uma pessoa que tá num processo de sofrimento muito elevado, muito grande, né? a gente vai entender que melhorando essas condições de sofrimento, né, de ansiedade, depressão, seja mesmo a obsessão, né, ou a compulsão que a pessoa apresenta, a tendência é essas mentiras diminuírem. Elas não serão eliminadas, porque a mentira ela é ela tem o seu papel social, né? A a gente tava conversando aqui no começo, aí ela falou, né? A gente quem nunca conta uma mentirinha, né? A a mãe pergunta pro pro filho, essa roupa ficou bonita? E o marido, né, fala: "Sim, ficou bonito". Não achei, mas a gente fala para não gerar um constrangimento, para não gerar uma uma um prejuízo naquele momento, acaba contando algo que não necessariamente a opinião ou a verdade para esta pessoa, mas que o impacto, se fosse verdadeiro ali seria muito maior. Trazendo um exemplo pequeno, se a gente amplifica isso pra sociedade, imagina os prejuízos que nós teríamos, né? Então, analisando cada situação, cada eh cada condição da pessoa, a gente vai entendendo qual o prejuízo que de fato ela tem e aí a as mentiras tendem a diminuir. Um exemplo, quero ser rápido aqui num exemplo, né, só para de um caso que que que aconteceu. um um rapaz que ele era formado recentemente em medicina e ele tinha essa compulsão de mentir, né? E tava nessa situação de que não era mais benefícios para ele, né? No começo, talvez sim, ele conseguiu alguns estágios, ele conseguiu alguns benefícios. na época da residência, a formação, né, na especialização dele, percebemos que ele conseguiu alguns ganhos por conta disso, mas depois de formado, ele fazia e contava histórias que não tinha sentido nenhum de benefício para ele, mas eh ele continuava contando isso. E aí lá no no atendimento começou a parecer absurdo, porque ele começou a falar de coisas de que ele tava presente nas situações mais extremas, importantes do país. Então, teve um acidente aéreo e ele ligaram para ele à meia-noite, ele tinha que ir lá porque era ele o único perito que podia fazer isso. E assim, bom, eu tava entendendo que ele era um bom médico, mas não a ponto da, né, da dos órgãos chamarem ele, tudo mais, o único tinha que ser ele, né? E e ele sustentava essa história. Depois falou que ele trabalhava, ele era chamado pela polícia civil para fazer investigações, eh, e também tinha um porte de arma. Aí ele começou a contar uma história que para tirar por AM fez um treinamento, envolveu helicópteros, equipes e vai ficando assim absurdo e qualquer um consegue perceber dar risada porque assim está muito fora da realidade, né? Mas ele sustentava e acreditava naquilo, contava com com muito verdade, né? E a mesma história ele contava que a gente a equipe se conversou, né, com o psiquiatra e com a psicóloga. Então, a história de que ele foi chamado pela eh pela equipe de investigação do do acidente aéreo, ele contou para todos, mas de formas muito diferentes, com interpretações diferentes e com detalhes muito diferentes, o que ficou evidente que era uma era uma mentira e tudo mais, mas o quadro dele, né, ele tinha muito mais um transtorno anterior a isso, né? Era um transtorno de de personalidade, né? eh, no qual a mentira era só um sintoma, um sinalizador. Então, o que que foi para o tratamento de desse desse rapaz? Foram foi tratar as questões. Ele tinha uma depressão muito profunda, né? Então ele precisava erguer o seu ego muito alto, porque a sua realidade era uma uma valorização, uma autoestima muito baixa. Então ele precisava contar uma história muito grande para ele se sentir um pouco mais eh feliz assim e poder viver o seu dia a dia. Então foi tratado também as questões de depressão. Ele tinha uma de histórico de vida familiar, né? É muito difícil, de muito abandono, muita ausência de relações afetivas positivas, né? E isso eh na vida adulta começou a se manifestar de outra forma. Então ela tinha muitas dificuldades de ter relações positivas com as pessoas. Claro, a dificuldade, o desafio desse caso, né, em exemplo, é que foi eh a equipe tava preparada para atendê-lo, mas ele não tinha eh tanta adesão assim aos tratamentos, porque conforme foi entrando em temas mais difíceis, como por exemplo, a relação familiar, a infância, ele fugia um pouco do tratamento, então acabava acontecendo isso. Ele ele ele surgia um pouquinho, voltava e tudo mais. Então, até acho que é importante a gente trazer essas informações paraa pessoa assim dela sustentar algum um processo terapêutico que não é rápido, não é tão simples, né? Leva um tempo, mas a importância de que o benefício vem futuramente. Igual quando a gente fala paraa pessoa, você precisa fazer atividade física e a pessoa vai primeiro dia é ruim, terceiro dia é ruim, mas depois de um tempo que ela acostuma, ela consegue ver os benefícios. A terapia eh os processos de terapêutic são muito semelhantes. Então é importante a gente falar sobre isso para todo mundo também ter ciência. muito importante que e vem de encontro com o que a Iara disse, porque assim, é algo que eh hoje você olha para uma pessoa que mente, você fala assim: "Ah, tá mentindo, né? Eu não acredito nisso. Onde é que já se viu um negócio desse?" Mas o que tem por trás dessa mentira, né, Iara? É algo bem complexo, assim como o Daniel trouxe esse caso. Sim, deixa de ser, né, como eu tinha comentado, um problema moral e passa ter uma função psíquica, né? O que aquela mentira escondendo? que ela está ali muitas vezes a mentira não é sobre enganar o outro, mas proteger a si mesmo. E quando a verdade do sujeito é intolerável, a mentira vem como uma solução. Então, eh, a esses mentirosos patológicos, né, como o Daniel tava falando por trás, tem uma história de vida às vezes bastante eh complicada, cheia de traumas, cheias de uma bagagem emocional, que a mentira foi um mecanismo de defesa que ele encontrou para conseguir tocar a vida, eh, seguir em frente. Então, a gente tem que eh pensar na mentira como a ponta de um iceberg, né? O que que será que ela veio para resolver, para sustentar, né? Qual é a função disso? E aí tem os diferentes graus, as mentirinhas eh cotidianas que o brasileiro é mestre nisso. Ai, tudo bem? Tudo ótimo. E você? Ai, cada dia melhor e e tô linda, filha, né? Como é que a gente falou assim? Nossa, mamãe, você é maravilhosa. Uhum. E mas é isso, a mentira elas ela não é uma coisa simples. E por trás dela há algo que diz muito sobre a história de vida do sujeito que precisa usar aquilo em diferentes níveis de sustentação de si. Perfeito, gente. Como é maravilhoso ter uma visão ampliada, né, das situações. Vocês têm essa visão ampliada e traz pra gente eh uma outra forma de de análise. Isso é muito bom. a gente aprende muito com vocês. Muito obrigada mesmo pela fala dos dois aqui, que traz uma eh a gente eh eh começa a ver de uma forma diferente a partir da visão ampliada dos nossos profissionais que se dispõe a est aqui para nos ensinar, para nos orientar. Isso é bom demais. Olha só, 8:46, viu? passou rapidinho. A gente já tem, é verdade, a gente já tem as perguntas dos telespectadores. Então vamos lá, pode colocar na tela pra gente, produção. Vamos ver o que que o pessoal de casa tá falando de mentira. Vamos lá. A Simone Ribeiro do Jardim Nova Europa. Quem convive com alguém que mente demais, pode desenvolver insegurança ou dificuldade de confiar nas outras pessoas? Vamos lá então. E aí, Ara? Sim, com certeza. Um dos principais problemas que a mentira gera é a quebra do vínculo de confiança, né? Eh, é muito decepcionante a gente ver o outro como não confiável, como não transparente, né? E até indica assim uma questão que a gente nem tem controle sobre aquela pessoa, porque a partir do momento que você opera na confiança, você se entrega, né? você confia, tá ali acreditando, você não precisa ficar elaborando pensamentos eh sobre aquela pessoa. Quando gera desconfiança, quando você convive diariamente ou você cresceu num ambiente em que a mentira permeava as relações, isso sim vai te contaminar e você vai levar esse registro psíquico para as outras relações. Então, a gente chega na clínica, muitas pessoas com dificuldade de confiar mesmo. pessoa num primeiro momento, ela fica ali cheia de reservas. Por quê? Porque ela tem um registro, ela tem um histórico em que as relações que deveriam ser de segurança e confiança eram permeadas por eh situações que envolviam mentira. Isso gera muita insegurança. Então, sim, eh, viver com pessoas que que mentiam muito pode gerar um um estado de permanente alerta e dificuldade de confiar no outro no contexto, em algumas situações. Muito bem. Confiança, né, gente? Confiar é importante a gente poder confiar com quem a gente eh confiar em quem a gente convive, né? Vamos lá. 8:48. Mais uma na tela pra gente, por favor. Produção, eh, a Mariana Costa do Jardim Proça, a mentira pode chegar a um ponto em que a própria pessoa que mentiu passa a acreditar que aquilo é verdade. É acreditar na mentira, Daniel, na própria mentira, né? Sim. Bem comum de acontecer. Eh, ela passa a entender aquilo como nova verdade, né? Ah, vai fazer isso. Por quê? Porque o nosso cérebro vai começar a a olhar aquela narrativa que está sendo apresentada naquele momento, entender que, bom, aquele é o ponto de partida, aquela é a nossa realidade e a partir disso vai criando novos afetos, novas relações com aquela própria história. E como eu falei, se vier a confirmação externa, né, de que aquilo eh deu certo, que aquilo foi positivo, o cérebro regista aquelas informações, aquela aqu lado memória, afeto e raciocínio, eh, como algo verdadeiro. E a pra pessoa, ela começa a contar aquilo de forma real, porque quando ela vai retomar a história, né, na memória e o que ela criou, ela vai ter como referência a sua própria narrativa e não mais o fato real. E aí que entra em divergência, né, em confronto com o que as pessoas vivenciaram, viram, né? Ah, por exemplo, a gente tem muito assim às vezes o caso de de traições. Traições são coisas que causam eh eh por causa de uma mentira, né, muito eh conflito e e e confrontos entre os casais, né? Imagina que uma pessoa patológica pudesse contar uma história que fosse verdadeiro e ela acreditasse naquilo que realmente não teve nenhum uma relação extraconjugal, né? Mas imagina o conflito que teria se pessoa ou outro parceiro ou parceiro falar assim: "Não, mas eu vi, eu tenho os dados reais aqui, né?" né? E por fim, só de que a questão da da só para juntar também na parte da da confiança, né? Eh, o cérebro precisa de confirmações. Não adianta falar, não adianta eu falar assim: "Olha, é verdade, acredita em mim". Uma vez que mentiu e o cérebro ativou seus mecanismos de defesa, isso fica registrado. Então, por mais que eu fale, eu conte uma história que eu não vou mentir mais, eu estou sendo verdadeiro, não adianta. O cérebro precisa de tempo, de confirmações. A confirmação vem a partir do quê? das relações, dos comportamentos, do tempo. Então, por isso que a gente fala: "Te perdoo, me perdoa, perdoo". E às vezes não funciona porque fala: "Eu perdoei, mas eu ainda sinto raiva, eu sinto frustração, decepção, tristeza". É porque eu serve para poder recriar novas eh relações, novos significados disso. Eu precisa de confirmações, tempo, eh, e novas relações para isso. Olha só, é até uma coisa interessante, né? entre o discurso. Muitas vezes a pessoa tem todo um discurso maravilhoso que não se sustenta na ação, né? Ela não cumpre aquilo que falou. Não deixa de ser uma mentira, ainda que a gente não preste atenção nisso, né? Mas entre o discurso e a ação, fique sempre com a ação, porque o discurso, as palavras, a teoria é fácil de falar. A verdade tá na ação, naquilo que se comprova no fato concreto que a pessoa põe em ação. Uau! Olha aí, muito bom. 8:51 mais uma, produção. Dá tempo, dá tempo para mais uma, para cada um, né? Então vamos lá. Pode colocar na tela pra gente. Deixa eu ver quem tá conosco. A Camila Souza do Proça. Às vezes a pessoa mente por medo de decepcionar os outros. Isso pode virar um hábito sem ela perceber? Olha aí, ó. A, isso é um um ponto que você colocou, né, Iara? Sim, Camila. Isso é muito comum. A gente chama, né? É uma das funções da mentira, evitar um conflito e evitar a perda do amor. O que seria isso? É, sabe essa dificuldade que as pessoas têm de dizer um? Isso vai é é sim para tudo e não para si e aquilo vai volumando, né? Então é é o que eu disse como não é uma mentira agressiva, é uma mentira evitativa, né? Com a intenção de não causar desconforto no outro. Isso eh e quando a gente acha que tá causando desconforto no outro, o nosso inconsciente registra assim como um risco de perder o afeto, perder o amor daquela pessoa, né? é um sentimento muito primitivo, assim, é muito involuntário. E aí a gente acaba dizendo sim quando a gente quer dizer não. É, e essas mentiras evitativas, elas têm um alto custo emocional, porque a gente vai acumulando, acumulando, acumulando a famosa falta de eh de construir um limite que as pessoas não possam avançar. É uma mentira, não deixa de ser. Não é uma mentira agressiva, mas ela traz consequências paraa vida da pessoa, sim. E prejudica muito não saber eh não conseguir dizer o não quando se quer. É uma forma de mentir para si, né? Você está aceitando o que o outro te pede e você tá, de certa forma se prejudicando. Olha só, interessante, um ponto bem delicado e que acontece com muitas com muitos de nós, né? Às vezes você diz eh não para você e sim para o outro e aí você acaba mentindo para você. Olha só que que coisa mais impressionante, né? O comportamento humano, como somos. E é importante a gente descobrir e eh tudo isso pra gente poder dar uma alinhada, né? E de repente falar mais não, né? E aí você consegue viver com mais tranquilidade e leveza. 8:54, a última hoje. Vamos lá. Vai para o Daniel. Vamos ver quem tá com a gente. Marcos. Marcos Oliveira de Barão, Geraldo. Bom dia, Marcos. Porque algumas pessoas ficam tão nervosas quando mentem e outras parecem falar com tranquilidade: "Ah, é verdade, né? a reação do corpo. Quando a pessoa mente, sudorese, eh eh fica vermelho e começa a tremer. E tem gente que mente com tanta tranquilidade que você olha, fala assim: "Mas como é que pode você mentir com tantas com tanta tranquilidade, com tanta performance assim? O que que acontece aí? É, são algumas habilidades que algumas pessoas têm, né? Eh, alguns sinais assim quando a gente falava assim antigamente, né? Pensava-se que pessoa que fica a vermelho. Ah, perdão. Opa, não tem problema. Caiu o microfone. Vamos colocar de novo e a gente vai pode ajeitar aí. A gente tá falando aqui. Pode vir para mim, produção, enquanto ele ajeita aí o microfone. Mas é isso, gente. A mentira é algo que está no nosso cotidiano e que se a gente parar para analisar, ela ela acaba trazendo coisas que não são boas, desde a pequenininha até a grandona. Seria bom se não mentísssemos, né? Mas somos humanos. né? E isso pode acontecer. Somos passíveis de erro. Consertou aí, Daniel? Não, sem mentira. Eu derrubei aqui. Ajeitou de novo. Bora que vive assim mesmo. Vamos lá. É que eu tava falando assim, porque tinha antigamente, um tempo atrás pensava-se que podia detectar a mentira a partir de alguns sinais do corpo, né? Como a pessoa ficar com o pescoço avermelhado, né? A sudorese, como você falou, mas não é bem assim. Algumas pessoas à vezes está contando a verdade, né? poder usar como exemplo aqui, estou no num estúdio, na televisão, estou nervoso e começar a ter as reações e não interpretar. Então ele está mentindo, não é isso, né? Então depende muito. E aí sim é o que vem na pergunta, né? a capacidade que a pessoa tem de se autorregular, a capacidade que a pessoa tem de regular seus comportamentos suas emoções. Então, pessoas que tem, como você disse, no córtex pré-frontal, que é essa região aqui da nossa testa, né, paraa gente entender, eh, é uma função que ela tá responsável por regular os comportamentos, as emoções, os nossos impulsos. Há pessoas que têm essa habilidade bem desenvolvida e outras não é tão bem desenvolvida. Para aquelas que não é tão bem desenvolvida, a tendência é ela ficar mais nervosa, a ansiedade vai subir, os níveis de obsessão, que é, né, os pensamentos para si aumentam, então vai ter reação no corpo que é assim, estado de alerta, eu preciso estar atento porque eu estou diante de um perigo. Se eu estou diante de um perigo, vai dar sudorese, o corpo vai se preparar para correr, vai aumentar a pupila, vai dilatar, né, porque eu estou em perigo, o cérebro vai começar a trabalhar de forma mais acelerada, enfim. Então, meu corpo vai emitir sinais. Se eu não tenho essa habilidade bem desenvolvida e tenho que contar uma mentira, esses mecanismos funcionam de forma mais ativa e alguns sinais vão ser emitidos, né? Agora, se eu tenho uma habilidade bem desenvolvida, eu consigo facilidade para isso. E se somar aquilo que eu falei, eu tenho uma boa percepção social, então eu consigo ver cada sinalzinho de de expressão facial que a pessoa faz, o comportamento, eu domino a cena. Eu sei exatamente o que cada um tá pensando e como cada um tá reagindo. Então não tenho que ficar em alerta, não tenho ficar ensinar perigo nenhum. Estou tranquilo. A cena que está dominada e todo mundo tá acreditando no que eu estou falando. É mais ou menos isso que a pessoa vai acontecer. No outro lado, aquela pessoa que não tem essa habilidade, começa a contar mentira, acho que ninguém tá acreditando, vou me dar mal, vou ser pego, né? Então vai ficar mais reativo quanto a isso. É assim que funciona o corpo e a mente, né? Nossa, a gente pode completar Iara, eu quer falar. A gente tá aqui falando desse negócio de mentira. Gente, tem um detalhe que eu queria perguntar para vocês. E olha só, né? A gente vai dar um um eh uma dica para você aí de casa. Quando a pessoa quando a gente mente, quando a gente vai mentir, eh o o olho ele vai para cima para buscar fazer ativar o cérebro, para buscar contextualizar toda aquela história, né? Então, para que lado que a gente olha quando a gente tá querendo produzir uma mentira? Só assim, a também tinha essa história que a pessoa não olha no olho quando está mentindo, né? Eh, não dá para associar a a a isso. Pode acontecer uma pessoa ou outra, mas não é uma regra, né? Geralmente as pessoas fazem isso porque ela tá tentando diminuir os seus estímulos, né? Eh, acontece, é comum de, por exemplo, se eu falar assim pra pessoa: "Olha, eu vou te falar uma lista de compras, eu quero que você memorize isso". Vai. E a pessoa pode, né, não vai fazer seria estranho, mas vamos supor que ela fechasse os olhos. Pode falar que que eu estou fazendo? Estou diminuindo o estilo visual para me concentrar na audição. Então quando eu estou contando uma uma história ou uma mentira, né, lembro que os recursos cognitivos são mais elevados. Então, quando eu posso olhar para um lugar fixo, eu sou diminuindo a minha, o meu estímulo visual para me concentrar exclusivamente na história. Olhar no olho da pessoa gera um gasto porque começa a ativar a percepção, que é ixe, ela aumentou a sobrancelha, ela diminuiu, tal, então outros recursos começam a ser utilizados, então gasto mais energia. Para me concentrar, tiro o foco do olho, olho para um lugar fixo, não tem mais estímulo para o meu cérebro e aí eu consigo me concentrar na história, seja ela verdade ou mentira, nesse nessa nesse momento, não importa. Então, por isso que as pessoas à vezes olham eh olham para cima, né? Eh, quando a gente fala assim do as pessoas autistas, né, que não não tem dificuldade em em olhar fixo no olho das pessoas, é porque isso é uma habilidade que eles têm menos desenvolvidas, então trocar o o olhar na hora de conversar é um gasto para eles mais difícil, né? Eles acabam treinando a fazer isso por para tentar compensar, né? Mas o gasto é muito, muito maior. Então para eles é mais fácil não olhar, trocar o olho, poder dialogar e conversar, diminui a os níveis de atenção e recursos cognitivos. Muito bem, que conversa produtiva, que manhã gostosa a gente falando aqui de mentira e entendendo, aprendendo, trocando informações. Essa troca de conhecimento de vocês aqui é magnífica. Era quero agradecer, deixe suas considerações finais sobre o programa de hoje, sobre o tema de hoje, né? a importância de se trazer isso e de se conversar sobre mentira, que é algo que está presente no nosso cotidiano. Aí era muito bem pontuou às vezes a gente mente para nós mesmos para proteger alguma situação, né? Sim. É, parar de mentir é possível, não acho que a mentira faz parte da vida, né? Eh, a gente precisa entender eh por que essa mentira tá se tornando tão presente, tão necessária e se perguntar qual é a verdade aqui que está difícil encarar e que a mentira aparece como uma solução. Então, o campo é muito mais amplo e nesse dia da mentira, que a gente possa ficar com aquelas mentiras pequenininhas, inofensivas, que deixa a vida aí um pouco mais divertida e que se a mentira começar a crescer, a gente começa a se questionar por que eu tô precisando disso? Investigue, porque vai, com certeza, ter uma qualidade de vida e uma saúde mental mais tranquila e em paz. Maravilhosa. Obrigada pela sua presença mais uma vez. Obrigada, Rúbia. Obrigada telespectadores. Maravilhosa. E você, Daniel, obrigada viu, por trazer pra gente como é que funciona aí o nosso cerebrinho quando a gente tá querendo inventar alguma coisa. E tem que tomar cuidado com esse negócio aí. A gente não precisa mentir e demasiadamente para que a gente tenha algum benefício, né? Nós somos capazes. Eu acho que cada um tem aí a sua dádiva, tem a sua força, tem seu carisma. Usar a persuasão de uma forma que traga benefícios para mim e para você, não para mentir e enganar as pessoas. A gente tem que tomar cuidado com isso, pegar uma mentirinha ali e tal, de repente, tá, mas a mentira que vai trazer algo mais drástico e mais grave, a gente precisa parar e analisar com muita atenção, né? Aí eu acho que o principal ponto é esse, né? Tô mentindo para quem? Acho que esse é o primeiro ponto que a gente tem que começar a pensar, porque muitas vezes tá mentindo para si mesmo. É assim que você quer viver? Então você tem que refletir sobre isso. Obrigada pela sua participação. Obrigado pelo convite e muito feliz de estar aqui. Ah, felizes estamos nós de entender cada vez mais como funciona, né, o nosso cérebro, a nossa mente, comportamento humano. Somos seres humanos passíveis de erro. Aqui a gente fala sem julgamento, né? Eh, pode acontecer de você tá numa situação dessa, se enrolou em uma mentira. Olha, vou falar um negócio para você. Tem como você reverter toda essa situação, né? Procure ajuda. Você não tá sozinho e sempre, né? Busque conversar e conversar, eu acredito que falar a calma. E a partir desse momento, de repente pode ser o primeiro passo para que você saia desse ciclo vicioso, que é a mentira, tá? Aquela mentira que traz realmente aí eh destruição, né? Porque é mentira, ela destrói. A gente fica por aqui agradecendo a sua audiência, a sua companhia. Amanhã nós temos estúdio Câmara ao vivo. Mais uma vez a gente fala sobre um tema delicado e cada vez mais presente na nossa vida. Olha só, a gente eh vai aprender ou vamos entender como nós devemos conversar com as nossas crianças mediante as notícias que a gente tá vendo eh na mídia, na TV, nos meios de comunicação, sobre as guerras e conflitos e esses eventos traumáticos, né, em um mundo com excesso de informações, como é que a gente protege as nossas crianças sem esconder? Porque se a gente esconde, eles vão descobrir. Se a gente não fala, eles vão ver na internet, eles vão ver na televisão. E a gente precisa explicar e minimizar o medo, né? E qual é o papel do adulto nesse processo? Por que que a gente vai trazer eh esse esse material amanhã? Por conta das notícias da guerra, por conta das notícias que que trazem medo para nós adultos, receio, né? o medo de, ah, eu não sei o que vai ser amanhã, você viu eh o pessoal pensando que ia ficar sem combustível, daí já causando eh eh um medo eh generalizado, né? O pessoal achando que ia faltar comida e tal. E aí as crianças, nós somos adultos, a gente fica com receio. E as crianças quando ouvem essas conversas, quando assistem esse tipo de notícia dentro de casa, qual é a reação da sua criança? Você já parou para analisar isso? Você já conversou com o seu filho sobre isso? E é sobre isso que a gente vai conversar amanhã. É sobre como nós devemos abordar as nossas crianças mediante a essas notícias de guerras, catástrofes, conflitos. A gente precisa colher e a gente vai aprender, tá bom? Amanhã a partir das 8 da manhã ao vivo em mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Lembrando, daqui a pouquinho a Íria tá chegando agora 9:05. Aí chega trazendo informações atualizadas para você aqui de Campinas, do Legislativo, Brasil e Mundo. Ao meio-dia nós temos Gabriel Castro com informações do legislativo também. E às 18 horas nós temos reunião ordinária e você pode participar presencialmente no plenário aqui pela TV Câmara Campinas ou pelo canal do YouTube. Lembrando, programa de hoje também já está disponível no canal do YouTube. Aproveita que hoje é dia da mentira e distribui aí pra sua rede de amigos. O programa de hoje, tenho certeza que é muita uma informação muito valiosa. Beijo grande, fique bem e até amanhã, se Deus quiser. Ciao