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Olá, muito bom dia para você. Seja bem-vindo. Estamos chegando estúdio Câmara no ar. Manhã de quarta-feira, estamos ao vivo e estamos no mês 7. É, gente, primeiro de julho. Seja bem-vindo, Júlio, né? E hoje a gente vai conversar aí sobre algo bem interessante que faz parte de mim, de você, enfim, do ser humano. É o fascínio pelo desconhecido. Gente, desde os primeiros registros da humanidade, o céu desperta perguntas que continuam sem respostas definitivas, né? Nós estamos sozinhos no universo, existem outras formas de vida inteligente, o que existe além de que a gente consegue enxergar? Então, hoje a gente vai falar, não é sobre alienígenas ou disco voadores, não. A gente fala do ser humano que tem um fascínio pelos mistérios da mente, por fenômenos inexplicáveis, teorias da conspiração e tudo aquilo que desafia o nosso conhecimento já estabelecido. Mas até que ponto a curiosidade contribui para o nosso conhecimento? E quando essa curiosidade passa a alimentar crenças sem evidência, os mistérios sempre fizeram parte da história da humanidade. Inspiraram religiões, impulsionaram descobertas científicas, motivaram expedições e continuam alimentando filmes, séries, livros e debates. Em uma época em que a informação circula em velocidade recorde, distinguir curiosidade saudável de desinformação se tornou um desafio cada vez maior. E é sobre isso que a gente vai conversar hoje, neste 1eo de julho. Vamos falar sobre eh a nossa vontade de descobrir, né? Então conte pra gente se algum mistério ou fenômeno já despertou a sua curiosidade a ponto de fazer você pesquisar sobre o assunto. Manda sua mensagem pra gente 1997829377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. Daqui a pouquinho vamos apresentar os nossos convidados. O tema de hoje é o fascínio pelo desconhecido. E vamos bora com informações aqui no estúdio Câmara. A Câmara de Campinas realiza amanhã, quinta-feira, dia 2, às 8:30 da manhã, uma oficina de autodefesa feminina do projeto Empodere-se, uma iniciativa do vereador Ailton da Farmácia. A atividade tem como objetivo orientar adolescentes e mulheres sobre prevenção, segurança pessoal, percepção de risco e fortalecimento da autoconfiança. A participação é gratuita e não exige experiência prévia, tá? E também em alguns bairros esse treinamento estará disponível. Então, o calendário completo das oficinas você pode acessar no site da Câmara de Campinas, tá bom? Acessa lá e participe que é muito importante. E hoje à noite, às 7:30 da noite, uma solenidade será realizada no plenário da Câmara para a concessão do diploma de mérito esportivo Sérgio José Salvut ao ex-jogador e treinador Roger Silva. É uma iniciativa do vereador Dr. Ianco. A honraria destaca a trajetória exemplar do atleta no futebol, que foi marcada aí por raízes profundas na cidade de Campinas, conquistas relevantes no cenário nacional e internacional e uma transição consistente para a carreira de treinador. A cerimônia será transmitida pelos canais da TV Câmara Campinas, também pelo YouTube. Você pode participar presencialmente no plenário e acompanhar essa solenidade. Previsão do tempo para hoje, gente. Vamos lá. Que que aconteceu com frio? Ah, não, olha, não acredita muito não, porque eu vou te contar, tá vindo uma frente fria aí que vai ser de arrebentar, viu? É isso mesmo. Como diz aí a nossa produtora, vai ser de arrebentar a frente fria. Mas o que temos para hoje é esse tempo assim, ó, lindo, maravilhoso, céu azul de brigadeiro, o sol brilhando lá fora, mínima 14, máxima 27. Não tá frio, tá gostoso. Abandonamos a coberta essa noite. Então, bora aproveitar esse dia, bora fazer desse primeiro de julho um dia maravilhoso. Então, vamos lá. Tudo isso está em nossas mãos, tá bom? Mínima 14, máxima 27º. Aproveita para lavar as cobertas, para ajeitar tudo aí, porque logo em breve nós vamos falar então de uma frente fria que vem por aí. Mas isso é amanhã, depois e depois. Então, ó, controla a ansiedade, vamos viver o hoje, o aqui e o agora. E falando em aqui agora, vamos ao nosso tema central, é do programa de hoje, é o fascínio pelo desconhecido. Olha só como é interessante. Quando a gente ouve um barulho estranho na madrugada, ou a gente observa uma luz emcomum no céu, ou a gente se depara com algo que a gente não consegue explicar, o nosso cérebro ele entra em ação imediatamente. A gente fica em alerta, né? A nossa mente, ela tenta encontrar um sentido para aquilo que parece fugir da lógica e muitas vezes cria hipóteses antes mesmo de reunir todas as informações. Mas por que será que a gente faz isso? Por que o mistério exerce tanto poder sobre a nossa imaginação? Então, para conversar sobre essas questões, a gente recebe aqui no estúdio Câmara, no nosso estúdio, o sociólogo Davi Carvalho. Seja muito bem-vindo. Bom dia. Obrigada pela sua participação, Davi. Bom dia, Rúbia. Bom dia ao telespectador. Obrigado pelo convite. Maravilha. Temos muito que conversar, hein? junto com Davi, a gente recebe eh pelo Zoom ao vivo, direto de São Paulo, a neuropsicóloga Olga Tessário. Olga, seja bem-vinda. Bom dia, obrigada pela sua participação. Bom dia, muito bom estar aqui. Muito obrigada. Nós que agradecemos. Olha isso, né? Quando a gente fala da do fascínio pelo desconhecido, é só a gente parar para analisar como que nós somos curiosos e tentamos ã entender de repente algo que não tem explicação. Então vou perguntar paraa Olga. Por que que o nosso cérebro muitas vezes prefere construir uma explicação extraordinária como um fantasma, um alienígena, em vez de simplesmente aceitar que não sabe explicar determinado fenômeno ou determinada visão? O que que acontece com a gente que a gente inventa as coisas, eh, diante, claro, de algo que a gente não tem explicação na prática, né? Nós fomos feitos para nos sentirmos seguros. Então, o cérebro funciona da seguinte maneira. Tudo aquilo que pode afetar a sua segurança, você tenta resolver. Então, quando eu vejo um fenômeno que eu não entendo, que eu não conheço, eu vejo isso como uma ameaça, a minha segurança. Então, eu preciso construir uma história para poder explicar o que é isso de forma que eu me sinto segura. Então, pode ser um fantasma, pode ser uma manifestação divina, ou seja, a gente tenta explicar o inexplicável para a própria segurança. Interessante, né? O nosso cérebro é uma máquina maravilhosa e bem complexa. Agora, Davi, eh essa essa tendência humana de buscar explicações pro desconhecido, acabou se transformando também em um produto cultural, né? Sim, porque na sua avaliação como sociólogo, por que que a sociedade consome tantos filmes, séries, livros sobre terror, mistério, eh, ficção? A gente gosta de sentir medo? A gente tem fascínio pelo desconhecido? Olha, Rúbia, eu concordo muito com o que a colega Olga colocou. Eh, não é exatamente que a gente gosta de sentir medo, é a necessidade pela busca de segurança mesmo. Que que acontece? Tem inclusive uma área específica no cérebro que é a chamada amídala cerebral, uma área bem pequena no formato de um aproximadamente de uma eh amêndoa dentro do cérebro que ela é capaz de nos fazer sentir medo. Seria, por assim dizer, o hardware do cérebro. E aí você, como você bem coloca, a questão cultural é a camada posterior. Que que acontece? a gente vive numa sociedade recheada de informações de todo tipo e aí os indivíduos dessa sociedade ficam literalmente perdidos. Uhum. Qual o tipo de informação correta diante de cada fenômeno, né? Então você soma as duas coisas, o fenômeno psicológico e biológico do indivíduo e a camada cultural, fornecendo essa enormidade de informações que torna as pessoas, né, deixa as pessoas confusas sobre o que tá acontecendo de fato. É, e a gente insiste em desvendar aquele mistério, né, do ponto de vista evolutivo, ah, muitas vezes sobrevivia quem suspeitava primeiro do perigo, né? Se um arbusto se mexesse assim e alguém imaginasse que havia um predador ali, fugia e aí aumentava as chances de sobrevivência. É isso. Talvez parte desse mecanismo continue funcionando na gente até hoje, que foi o que vocês trouxeram para nós, né, agora no início do programa. Agora, Olga, eh, tem algo interessante na gente, eu não sei, eu acho que o pessoal de casa também, eu ainda faço isso, fazia muito isso de criança, mas quando criança, quando adolescente, mas hoje eu às vezes ainda me pego eh eh nessa ação, quando a gente vê nas nuvens desenhos, né, rostos, eh eh imagens, ursinho, elefante, né, ou então eh paredes. em paredes também a gente vê eh eh alguns desenhos e a pintura ela tá meia descascada, meia fosca. A gente tem uma visão, né? O que que esse fenômeno eh de de ver coisas revela sobre a forma como o nosso cérebro interpreta esse mundo. Por que que a gente, principalmente nessa questão das nuvens, que eu acho que é um exemplo que todo mundo já passou por essa situação, né, de ver desenhos em nuvens, o que que acontece com a gente? Eh, na verdade nós tentamos explicar o inexplicável, né? Então, tudo nós queremos que passe pela nossa mente de uma maneira que a gente possa entender, compreender, se acalmar e se sentir seguro, porque na verdade a vida inteira nós ficamos: Estou seguro ou inseguro? Estou seguro ou inseguro? Então, quando eu interpreto, por exemplo, uma figura, né, eu vejo um objeto no céu ou uma nuvem, eu tô tentando explicar para mim mesma, né, que eh isso é normal, que isso é simples, que não é nada demais e usar a imaginação, né? Porque na prática, quando você falou que a gente ainda tem, mantém esse mecanismo, sim, nós mantemos esse mecanismo de defesa, né, de luta ou fuga, e é um mecanismo que nos protege. Então, por exemplo, tudo aquilo que eu não sei explicar, eu tento me explicar para me acalmar, né? Aí é que agora eu não me lembro o nome exatamente desse fenômeno. Talvez o o o Davi possa me ajudar nesse sentido, mas é um fenômeno natural do ser humano. Tentar eh colocar nome nas coisas, tentar explicar aquilo que ela tá vendo, tentar ver dentro da mente dela, de acordo com a mente dela, aquilo que ela está vendo, né? Tentar explicar. Então, ou inexplicável ou misterioso, ele nos atrai nesse sentido. Por quê? porque dessa forma eu consigo explicar para mim mesma e para as pessoas à minha volta o que eu o que estou vivenciando, né? E o ser humano, além de tudo, ele é muito curioso. Então, por exemplo, como vou dar um exemplo comum do dia a dia, você passa na rua, houve um acidente de automóvel, batida de carro do outro lado da rua, as pessoas do lado de cá todas passam devagar, todo mundo quer saber o que tá acontecendo. Então isso faz parte da natureza humana. Nós queremos saber o que tá acontecendo. Nós queremos nomear aquilo que a gente não conhece. Para quê? Pra gente se sentir mais segura. Muito bem. Esse fenômeno que você disse, eu dei uma estudadinha para poder conversar com vocês sobre o tema de hoje, porque, né, vocês têm toda informação e eu preciso estudar para poder conversar com vocês. É pareidol. Pareidolia. Exatamente. Exato. Então, eh, é uma pareidolia quando a gente olha pra nuvem e a gente vê um desenho, né? A gente eh tenta decifrar o indecifrável. Agora, Davi, as redes sociais, né, as redes sociais elas ampliaram esse fascínio, porque imagens ambíguas, teoria da da conspiração, conteúdos misteriosos, eles se espalham rapidamente, né? E aí acabam criando aí um efeito uma nada, tá? Todo mundo, se um viu, todo mundo tá vendo. Aí eu gostaria de de eh que você avaliasse pra gente a tecnologia. Ela ampliou a nossa capacidade de compartilhar informação, mas também de compartilhar interpretações, né? Qual que é a sua avaliação da tecnologia com essa esse fenômeno que a gente tenta descobrir as coisas, tem o fascínio pelo desconhecido? Isso tem mesmo eh ampliado, porque nós temos aí um exemplo, né, do caso do rapaz do Mike lá do interior do Paraná, que viu um disco voador, um extraterrestre, sei lá o quê, e daí que todo mundo foi lá e todo mundo queria ver o que que foi aquilo. Sem dúvida, Rúbia. Olha só, no começo da popularização da internet, principalmente agora no começo do século XX para cá, nas últimas décadas, o que aconteceu? Ah, muita gente achava que a internet seria esse elemento de esclarecimento apenas, que ia tornar todas as pessoas mais bem informadas e mais alinhadas com as explicações concretas, reais das coisas. Mas o que aconteceu ao mesmo tempo, não que isso não tenha acontecido, ao mesmo tempo ela serviu de veículo para disseminação de falsas informações. Como você bem mencionou, as teorias conspiratórias e as redes sociais dentro da internet elevaram isso à enésima potência, amplificaram isso enormemente, de forma que a gente ficou com a sensação de que seríamos ilustrados pela internet e redes sociais e aconteceu muito mais a outra coisa, né? Hum. Nós acabamos sendo mais desinformados do que informados, dado um fenômeno muito humano, muito comum, muito inerente à natureza humana, para usar um termo que a colega Olga usou, que é essa curiosidade. Então, as pessoas estão o tempo todo buscando explicações, só que elas se deparam com um mercado vasto de explicações, no qual necessariamente a maior parte dessas explicações não é exatamente a correta. Entendi. Ô Alga, eh, nesse caso, eh, do Mike, né, aquele aquele rapaz, influenciador lá, que ah postou o vídeo falando que estava vendo algo diferente no céu, uma luz, realmente, ele viu uma luz, mas até definiu que era aquela luz, olha, deu pano pra mangue, hein? A a propriedade do Mike foi invadida. Eh, redes, emissoras de TV, né, foram até lá as pessoas querendo ver a mesma luz. e a internet bombardeando informação de que estávamos sendo visitados, né, por uma nave espacial. Qual que é avaliação que a neuropsicologia traz pra gente desse episódio que movimentou a internet e a o dia a dia das pessoas também? Porque um dia depois dele ter postado o vídeo, o tema do dia era a visão que ele teve, não é? Eh, na verdade eu acho que o grande a grande questão é as responder as seguintes perguntas: quem sou e de onde eu vim, para onde eu vou? Né? A gente não tem essas respostas. E outra, né? conforme a ciência avança, eh, nós estamos indo pra lua, nós estamos indo paraa Marte, nós estamos, enfim, adentrando pro universo. E é óbvio que nós queremos saber, será que existem outras vidas ou em algum outro lugar, em outro planeta? Então, todo fenômeno, eh, por exemplo, de luz, de barulho, eh, eh, que você ouve, o que que acontece? Você acha que são os alienígenas chegando, né, que existe vida em outros lugares. Eh, eu não tô nem adentrando na questão da religião, que a religião também tenta explicar de onde eu vou onde eu vou, né? Mas muitas pessoas do ponto de vista científico acreditam que exista vida em outros lugares. Então, todo mundo tá esperando em algum momento esse os alienígenas chegarem na Terra. Então qualquer fenômeno que escapa aquilo que é comum, que é natural, faz com que todo mundo fique apavorado para querer saber, curioso, apavorado, né? E tentar explicar. Por exemplo, os indígenas, né, lá no passado, eles veneravam o sol como um deus, a lua, como uma deus, a chuva, o trovão, né? Por quê? Porque eles não sabiam explicar. Aí na medida que a ciência foi avançando, ela foi trazendo respostas para nos confortar e nos trazer seguranças. Agora, esse fenômeno que esse rapaz viu lá no Paraná, eh, foi uma coisa estranha, uma coisa diferente. Então, óbvio que o ser humano curioso por natureza quer ir até lá, quer saber, quer conhecer. Isso é a coisa mais comum de acontecer em na ser humano, entendeu? É interessantíssimo, né? Existe uma frase conhecida que diz assim, ó: "Ou estamos sozinhos no universo ou não estamos", né? Então, ambas as possibilidades nos deixam assim com uma curiosidade exorbitante. Agora, o Davi eh tem algumas pessoas aí, né, um grupo que esteve lá no Paraná, no local, na fazenda, lá na casa, no sítio do Mike, e participou de toda essa eh essa ação, né, de tentar descobrir o que era aquilo. O que que você traz paraa gente, eh, eh, Davi, de todo esse fato, esse episódio que marcou, né, marcou a rede social, marcou o dia a dia das pessoas e que levou a outros eh episódios que daqui a pouquinho eu vou falar. Quem não lembra de alguém que tava falando na internet que a nave ia descer no jogo do Brasil, no jogo passado, e aí um monte de gente assistindo o jogo e querendo saber da nave. Olha isso. Mas primeiro vamos voltar lá no Mike, Davi, vai lá. Então, olha só, esse fenômeno do Mike foi muito interessante, como eu havia mencionado antes de irmos ao ar para você, Rubê, eu sou ligado a um grupo do portal Universo Racionalista, que com algumas parcerias publicou parte do processo de verificação desse fenômeno. Uhum. E aí o pessoal da divulgação científica foi para lá e verificou que na realidade eram luzes de um estabelecimento rural. Ah, e aí, por um fenômeno de ilusão de ótica, a noite deu a sensação pro rapaz que era uma nave. O som do vento no bambuzal também amplificou essa sensação e aí gerou um fenômeno muito curioso de adesão assim de milhares de pessoas à ideia de que aquilo era real. E um fenômeno posterior, que foi muito curioso também foi a reação das pessoas em relação aos divulgadores de ciência que mostraram que aquilo não era exatamente um objeto não identificado. Uhum. Então, particularmente, eu gosto muito da frase do astrofísico Cegan, que ele dizia o seguinte: eh alegações extraordinárias requerem evidências extraordinárias. Então, se você alega que viu o disco voador ou algo similar a isso, a evidência tem que ser muito forte de que isso é verdadeiro. Um vídeo à noite com sons, talvez não seja o suficiente. Ele precisa ser verificado. Sim. É porque a nossa visão, o nosso cérebro, diante da curiosidade, ele pode, né, nos pregar uma peça, né? você tá vendo, mas não tá enxergando. E de repente pode ser isso que tem acontecido. Eh, no caso lá do Mike. Agora é interessante o que você relatou, Davi. Eu já passo paraa Olga para tentar entender, Olga, na visão da neuropsicologia, a reação das pessoas diante da frustração de que aquilo não era uma nave como esperado, né? E aí, h, as pessoas se frustraram e não acreditaram no que os especialistas estavam dizendo, que era o contrário, né, que era assim um jogo de luzes de um espaço, de uma um sítio, uma fazenda vizinha e que não era uma nave espacial. E as pessoas não gostaram dessa explicação e se sentiram frustradas e foram pra internet. E aí já viu, né, internet, o pessoal fala, fala demais. Agora, o porquê dessa dessa frustração, né? O porquê da não aceitação de que aquilo eh não era o que foi eh imaginado? Bom, na prática todos nós temos as nossas expectativas, os nossos desejos. Então, essas pessoas que foram até lá, elas foram baseadas na crença de que elas iriam ver algo extraordinário, de que elas iriam ver etês, uma nave alienígena, enfim, elas foram nessa expectativa. Então, na prática, o que acontece? Se você vai em busca de ter uma resposta, porque na verdade as pessoas querem uma resposta, existe vida além da Terra, né? Então, esses fenômenos podem suscitar, né, essa dúvida na nossa mente de forma que a gente queira esclarecer. Então, quando as pessoas foram até o local e descobriram que não era nada, é natural que a pessoa fique frustrada. E aí cada pessoa eh sabe lidar com a frustração de uma forma diferente. Então existem pessoas que choram, existem pessoas que ficam revoltadas, existem pessoas que se manifestam de uma forma extremamente agressiva quando elas estão diante de uma frustração. Então é normal quando a sua expectativa é frustrada você ter uma reação. Agora, eh muitas vezes a pessoa não se conforma. Imagina se eu tô em São Paulo, por exemplo, eu tenho que me deslocar até o Paraná. O curso que eu tive, o trabalho que eu tive, as coisas que eu deixei de lado para ir até lá, chegando lá não era nada, né? É natural a pessoa ficar frustrada. Exatamente. Agora, essa esse fascínio, pelo desconhecido que nós temos, e o fascínio é tanto que tem pessoas que chegam a fazer o que a Olga disse, né? a um deslocamento aí de muito tempo que vai ter um um custo, né, elevado só para você buscar algo que você não tem certeza. Então, é o fascínio pelo mistério, o fascínio pelo desconhecido. Ã, isso a gente traz, né, desde lá dos primórdios, isso tende a se ampliar com a tecnologia, né, porque ampliou-se a capacidade de compartilhar informações, de compartilhar interpretações. Tanto é que no jogo do Brasil, no último jogo, no penúltimo, acho que foi, eh tinha tem uma pessoa na internet que costuma divulgar eh vências, sonhos, enfim, e ela diz que sonhou que uma nave espacial ia e abduzir, abduzir, acho que o Rafinha, o Neymar, se eu não me engano. E aí isso tomou conta da internet e pasmem, as pessoas assistiram o jogo, a nave não desceu e aí e aí o que aconteceu? Todo mundo comentando lá depois: "Cadê a nave? Tô aqui para ver a nave". É claro, um tom de brincadeira, mas que no fundo tem aí um sentido de verdade, não é? Ô Davi? Tem. E eu diria até, infelizmente, não é? Porque sem dúvida, como você apontou, tem esse elemento do humor que levou talvez a maioria a a entrar, né, nessa vibe, por assim dizer, em relação a esse evento específico. Mas um contingente um pouco menor acreditou de fato e ficou ali esperando isso. E talvez o que esteja na base desse fenômeno de crenças seja muito similar ao que acontece no caso das teorias conspiratórias. Por exemplo, o pessoal que acredita que a Terra é plana e tal. Quando você acredita em uma ideia um tanto quanto extravagante, o que acontece? Você se sente imediatamente especial, porque você pertence a um grupo seleto de pessoas que acredita naquela tese, naquela perspectiva sobre algo, sobre como tal coisa, tal fenômeno vai funcionar ou vai se desenrolar. Isso dá uma sensação de pertencimento às pessoas. E aí o problema é que isso muitas vezes é terrivelmente amplificado pelas redes sociais. exatamente amplificado. E aí quando a gente fala de situações, né, que acontecem eh lá do outro lado do mundo, como guerras, pandemias, né, ou grandes transformações sociais, Olga, eh essas esses fenômenos que acontecem longe da gente, mais próximo, porque nós temos aí a rede social costuma aumentar o interesse pelo mistério e de repente desencadear uma situação de ansiedade, mesmo a gente sabendo que tá lá longe da gente, o nosso cérebro faz com que a gente sinta que a gente pode estar passando por isso também a qualquer momento. Como é que funciona essa essa essa questão, né, de acontecimentos que estão longe, mas eh através da rede social, através das informações que a gente tem hoje, a gente acaba tendo aquele sentimento de que faz parte também ah do nosso dia a dia, da nossa vida. Sim, na prática, né, nossa mente é maravilhosa. Eh, e é interessante porque o nosso cérebro ele não sabe diferenciar o que eu imagino do que o que é real. Pro meu cérebro é a mesma coisa. Então, por exemplo, se eu achar que tá entrando um ladrão aqui, né, e começar a imaginar a cena, o meu corpo começa a reagir como se o ladrão estivesse aqui agora, né? Então é normal quando você vê uma notícia de algo que tá acontecendo do outro lado do mundo, né? Por exemplo, remoto que nós tivemos agora na col na Venezuela, né? Você sente, nós somos seres humanos sociais, né? Como bem disse o Davi, nós gostamos de pertencer a grupos, nós gostamos de estar com pessoas. Então você sente realmente como se tivesse acontecendo com você e você se coloca no lugar das pessoas que estão sofrendo, né? E a as redes sociais colaboram muito para isso. Por quê? Porque quando você vê algo que está acontecendo com alguém, você se compadece. A compaixão é um sentimento que faz parte da natureza humana. você se compadece, você quer ajudar, você quer, você vivencia dentro da sua mente, mesmo que seja apenas imaginando aquilo que está acontecendo. E você se questiona: "E se eu estivesse na nesse lugar, como eu agiria?" Então, é uma forma também de sobrevivência da do ser humano, né? de você experimentar na imaginação o que tá acontecendo de ruim para quando no futuro, talvez, se você estiver dentro de uma situação semelhante, você saiba como lidar para se proteger e sobreviver. Olha só, né? Ah, vocês falam, ensinam, explicam e a gente fica nessa de luta e fuga, né? É luta e fuga. É, é isso. É luta e ou eu vou lutar ou eu vou fugir, ou então eu vou inventar, né? Eu vou começar a ver coisas para poder trazer para mim uma sensação de de repente de confiança, né, de empoderamento. Gente, o nosso cérebro é é inexplicável. É muito bom falar sobre isso agora nessa nessa questão da das guerras de de situações que acontecem longe da gente, que a gente traz isso para nós, né? A gente tem aí essa eh da a questão da empatia também, mas pode interferir na nossa saúde mental se a gente não tomar um devido cuidado com isso, né, Davi? Sem dúvida, Rúbia. Há inclusive estudos que demonstram que as pessoas mais empáticas tendem a ter a saúde mental mais deteriorada, justamente por essa capacidade que é natural a todo o ser humano, mas em algumas pessoas ela é mais destacada e aí a pessoa acaba se colocando tão fortemente no lugar do outro em situação de infortúnio que isso gera todo tipo de problema derivado, por exemplo, da descarga de cortisol no corpo, das sensações biológicas mesmo de estress, porque um terceiro tá passando. Então há uma conexão forte nesse sentido, sim, de empatia com declínio da saúde mental, em função de eventos muitas vezes muito distantes. Aham. E o evento distante, né, e que a gente acha que vai acontecer com a gente e acende um alerta e fica aí o tempo todo em alerta. Tem gente algo aqui, não consegue nem dormir, né? Você veja, o o terremoto aconteceu na Venezuela, mas alguns estados eh eh do Brasil, né, tiveram aí eh eh uma uma sensação também, né, mas de baixíssima magnitude. E aí levantou o alerta de todo mundo de novo, tentando explicar o inexplicável e achando, achando o achismo, né, achando que isso pode vir a acontecer com a gente ah em qualquer momento. E aí essa pessoa acende o alerta, que que acontece? perde sono, qualquer evento um pouquinho mais eh eh mais forte já fica com medo, já corre para casa, já e isso eh caracteriza o quê? O porquê esse esse medo e o que que isso pode trazer pro nosso dia a dia em relação à nossa saúde mental? Olga, olha, o medo faz parte da vida, né? E de ponto existe um lado positivo do medo, ele nos protege, né? Então ele faz com que a gente evite sofrimentos. Se a gente não sentisse medo, a gente não estaria viva aqui agora, porque a gente queria, gostaria de fazer coisas eh absurdas que poderiam acabar com a nossa vida. Então, existe o lado bom do medo. Então, toda vez que eu sinto medo, ele tá me dizendo: "Cuidado, você pode sofrer. Cuidado, você pode cair diante de uma ameaça, diante de um perigo." E aí a maneira como eu lido com esse medo é que vai fazer a diferença. Então, o que eu vejo é que muitas pessoas se deixam dominar pelo seu medo e acabam eh paralisando as suas vidas, limitando as suas vidas, justamente por conta dos medos que elas sentem. Então veja, o ideal é, eu sinto medo, por exemplo, ah, houve o tremor de terra lá na na o terremoto, OK? Tá, isso é, pode acontecer aqui. Ao invés de eu dar asas à minha imaginação, eu vou buscar elementos concretos que me expliquem se vai haver essa possibilidade ou não. E eu vou procurarir e me defender, né? E não necessariamente me deixar levar. O que acontece é que as pessoas elas se deixam levar por aquilo que elas ouvem. Então, por exemplo, hoje em as redes sociais, né, nós temos aí influenciadores de todos os tipos, informações de todos os tipos. Muitas pessoas não param para avaliar quem está dizendo, por que essa pessoa tá dizendo o que ela tá dizendo, eh o que que essa informação vai afetar na minha vida. Não, muitas vezes a pessoa ouve, acredita e e é uma bobagem, é uma falsa informação, né? É uma fake news. Quantas pessoas se deixam levar pro fake news? é justamente por conta do medo. Elas acreditam que aquela pessoa está falando a verdade e pronto. Até há pouco tempo atrás, quando não havia rede social, eh, e havia só televisão, rádio e televisão, as pessoas acreditavam em todas as notícias que elas ouviam, tanto no rádio na televisão, né? Mas naquela época existia uma ética, vamos dizer assim, dos profissionais que transmitiam as informações hoje em dia com as redes sociais, não. Qualquer pessoa vai à rede social e fala o que quiser. E isso também desperta muito medo. A própria pandemia, né, despertou um medo absurdo nas pessoas, porque era uma doença que ninguém sabia de onde veio, que poderia matar. Eu não sei se como eu me contamino ou não. Então tudo isso gera uma insegurança muito grande no ser humano e ele tenta buscar explicações, né? Então o grande problema, por que que nós nos envolvemos tanto com os mistérios? Porque a gente no fundo quer saber a resposta, quer explicação. É como você falou, foi tanta gente lá pro Paraná para quê? para saber se realmente era um ET, se é realmente era uma nave alienígena ou não. As pessoas querem respostas, mas elas precisam de informações corretas também, né, para aplacar o medo delas. Excelente, né? Importante, né, Davi, a informação correta, né? Porque hoje nós temos aí bastante fake news. E aí quando a gente fala de informação correta, de medo, né, de luta e fuga, o tema de hoje é o fascínio pelo desconhecido. E aí envolve medo, mas também envolve muita curiosidade. Aí o que fica mais exacerbado na gente é o medo ou a curiosidade que vai nos impulsionar, né? Você quer ver um ponto bem interessante? Cemitério à noite, gente, aqui em Campinas nós temos o passeio, né, pela a turma lá do kit assombra. Gente, aquela galera, eu vou te falar, tem que dar parabéns, porque eu tenho medo. Mas quantas pessoas se inscrevem e vão fazer aquele passeio no cemitério à noite? Tá aí o fascínio pelo desconhecido, né? H, de repente seria um uma oportunidade de enfrentar o medo ou então está indo lá para ver se hã encontra algum fantasma, né? E vai que a mente desenha um fantasminha lá e aí você faz o quê? Você corre, você luta. É delicado. E as pessoas vão por quê? Porque realmente tem aí essa curiosidade exacerbada. De onde que vem a nossa curiosidade? Por que essa curiosidade? Porque essa vontade de enfrentar e é o enfrentamento do medo isso de certa forma é sim, Rúbia. Eh, mas nesse caso específico da visita ao cemitério, que eu já fiz, inclusive, é muito interessante, me conta, porque eu tenho medo, eu quero fazer, é super interessante, mas vai variar a experiência pessoal, obviamente, de acordo com o quanto a pessoa acredita que, né, por exemplo, se há almas por ali ainda ou não, pessoas mais céticas tendem a não sentir, né, esse frissol do arrepio um negócio, uma coisa, né, não chegam a ficar arrepiadas. Exatamente. Mas tem um fenômeno psicológico interessante aí por trás que é similar a quando a pessoa assiste um filme de terror. Uhum. Que gera um uma tensão e no momento em que você descobre o o desdobramento após aquela tensão, há uma liberação de dopamina, um neurotransmissor no cérebro que dá uma sensação boa. Aí, ó. E esse é o fenômeno por trás, por exemplo, de por que tanta gente gosta de filme de terror, que eu particularmente não gosto. E também desse fenômeno de visitas a a cemitérios, eh, passa por aí. Então, essa curiosidade tá ligada, na verdade, à sensação de que após você saciar a curiosidade vai resolver o medo e vai te dar uma sensação de prazer. Olha só, gente, interessantíssimo, né? De repente vai que dá para tentar uma visita lá com a turma do Kit Assombra, né? Bem interessante essa atividade e na verdade é algo que você acaba se desafiando, né? Aí e aí tem a questão do desafio, a questão da dopamina e é uma dopamina boa, né? Não é uma dopamina barata, que nem essa que a gente fica aí, ó, rolando no celular, né, Olga? Sim, sim. Eh, na verdade, nós somos seres voltados pro prazer e não pra dor, né? Nós tentamos o tempo todo fugir da dor, fugir do sofrimento. Nós queremos prazer. Então, quando nós eh buscamos as redes sociais ou qualquer coisa que a gente faça, a gente está buscando a liberação dessas substâncias que nos dão a sensação de prazer, como a dopamina e citocina e outros hormônios do bem-estar, né? Agora, eh, muitas vezes a gente tá buscando essa informação no lugar errado e outra, né, visitar um cemitério, por exemplo, é buscar emoção. De repente a vida é tão chata, né? Você levanta todo dia, vai trabalhar, volta, arruma a casa, lava roupa, enfim, aquela rotina, né, aquela música do Chico Guar que todo dia a pessoa faz aquilo tudo igual. Então, muitas vezes as pessoas vão em busca de emoções controladas, né, para que elas possam viver mais essas emoções. É o que a gente vê, por exemplo, nos jogos eletrônicos, né, nas na até nos esportes também, né? As pessoas querem viver essas emoções de uma forma controlada, saírem da sua rotina, mas desde que isso não lhes cause sofrimento. Muito bem. Estamos falando do fascínio pelo desconhecido, o poder da nossa mente, né, de de eh criar, né, eh figuras, histórias e trazer pra gente algo que de repente a gente não consegue nem explicar. é explicar a tentativa da explicação de algo que não se explica, né? É bem complexo. A nossa mente ela é bem complexa e a gente vai aprendendo aqui e hoje falando sobre o fascínio pelo desconhecido. A produção tá me avisando, nós temos algumas perguntas, então para os nossos eh entrevistados. Vamos ver o que que o pessoal de casa eh tá pensando aí e tá falando com a gente. Vamos ver quem que tá conosco. São perguntas bem legais que o pessoal manda, a produção filtra e passa pra gente. A Mariana Lopes do Taquará. Olha só, porque algumas pessoas preferem acreditar em uma teoria misteriosa do que em uma explicação simples, mesmo quando a explicação simples parece fazer mais sentido. Vamos lá, a nossa eh psicóloga, por gentileza. Olha aí. É, na prática o que que acontece? Vai depender de cada um de nós, né? Então eu, por exemplo, eu gosto de respostas práticas simples e objetivas. Existem pessoas que não se conformam. Ah, mas é só isso? Ah, não acredito. Ah, a própria pessoa desconfia, né? Ela acredita de acordo com as crenças dela, aquilo que ela considera eh o correto para ela, uma explicação simples não não convence. Então, ela precisa de uma coisa mais complexa, de uma coisa talvez até meio eh que a a engane inclusive, né? ao invés de ter uma explicação simples. Então eu penso, se você tem dúvida sobre um assunto, quanto mais simples e mais objetiva for a resposta e a explicação, melhor. Agora, a pessoa prefere acreditar numa teoria misteriosa, aí tem a ver, né, com a história de vida dela, eh, como ela foi educada, quais as crenças que a dominam, como ela enxerga o mundo. Então, isso varia de pessoa para pessoa. Não dá para ter uma fórmula simples e dizer por isso, né? Vai depender de cada um. Maravilha. Olga, obrigada por ter respondido a Mariana. Mariana, obrigada pela sua participação, tá? Pode colocar mais uma pergunta. A gente direciona pro Davi agora. Vamos ver quem é que tá com a gente aí. Pode mandar ver, produção. A Patrícia Nogueira do Cambuí. Quando um caso sem explicação viraliza, por que tanta gente sente vontade de participar da discussão mesmo sem ter certeza do que aconteceu? Ah, daí aparecem os professores, aparecem os entendedores, né? Ô Davi, os especialistas do momento. É, é. Aí, Patrícia, eu te diria o seguinte, esse fenômeno tá muito ligado às redes sociais, que é algo muito recente na história humana. Se a gente observar bem, a internet é muito nova em termos históricos, tem só algumas décadas de existência e as redes sociais são ainda mais recentes, principalmente se a gente pensar do ponto de vista da popularização da internet, por exemplo, pros smartphones, que hoje em dia todo mundo praticamente tem em países como o nosso, de renda média ou superior. Bom, nas redes, as pessoas muitas vezes que são tímidas, que são introspectivas, elas se sentem completamente à vontade porque elas não estão ali literalmente presencialmente, né? Elas estão por uma interface. E aí todo mundo se sente à vontade para opinar, mesmo quando essa opinião não seja exatamente correta. Muitas vezes é uma explicação completamente extravagante sobre algo, mas as pessoas se sentem empoderadas e e seguras o suficiente para opinar por questão de casa, né, a partir de uma interface participando. E aí isso vai gerar esse fenômeno coletivo. É verdade. Mas é assim, né, viraliza. Tem gente que tá buscando algo para poder, né, liberar a dopamina, alguma coisa que viralizou, vai lá e começa, né, eh, eh, a falar e, e quanto mais resposta, mais libera dopamina, mais libera adrenalina e isso vai fazendo que com que você continue, continue, quando você vê, você tá lá em uma discussão gigantesca, sem fim. É mais ou menos isso, é o nosso corpo buscando, né, por aquilo que dê prazer. Olha só como é interessante. 8:53, mais duas perguntinhas. A gente já vai paraas considerações finais. Hoje estamos falando do fascínio pelo desconhecido. E vamos lá. Rafael Mendes, do Jardim do Lago. A curiosidade pelo desconhecido pode ser saudável para o cérebro ou pode virar ansiedade quando a pessoa começa a procurar explicação para tudo? Olga, bem interessante a pergunta do Rafael, né? Porque em algum momento pode ser legal, mas depois se a gente não tiver um limite também pode virar uma bola de neve. Isso sim. A curiosidade é que move o ser humano, né? Por isso que nós estamos aqui, que nós temos celular, nós temos toda essa tecnologia por conta da curiosidade do ser humano em querer buscar coisas novas. Então, ela faz parte, é normal e natural. Agora, ela pode gerar ansiedade quando você só foca na curiosidade que você tem. Por exemplo, você quer saber o que que aconteceu, então você vai procurar, você vai eh até o local para ver se foi, se houve um, um avistamento, se houve, digamos, um ET mesmo que desceu na terra aqui, uma nave alienígena, você para a sua vida para saciar essa curiosidade. Então, a curiosidade ela é nato. Nós todos temos, mas como você bem disse, né, Rúbia, é importante você ter um limite. Então, você tem um tempo para saciar sua curiosidade, para pesquisar, para conversar, mas você também não pode deixar a sua vida de lado. Eu conheço pessoas, por exemplo, que abandonam a família, que abandonam os estudos, que abandonam tudo na vida para saciar uma curiosidade de alguma coisa, né? Seja ela qual for, não necessári de qualquer tipo de curiosidade, mas o importante é vá buscar fontes fidedignas, né? Porque se você simplesmente está curioso e quer buscar uma informação e você não busca no local correto, no local correto, o que que vai acontecer? Isso também pode gerar ansiedade, porque pode te trazer uma resposta que você não gostaria de saber também. Exatamente. A importância, né, de você buscar informação correta. A gente tem uma máquina aí, né? A internet a gente sabe que tem informação de tudo quanto é jeito, mas quer saber a informação correta? ou assiste o Estúdio Câmara ou assiste a TV Câmara Campinas, ou então você busca lá por artigos, né, publicados por mestres, doutores, professores, né, psicólogos, eh eh pessoal que trabalha eh eh com com a sociedade e que realmente tem a ciência, gente, que estudaram para poder ensinar, que estudaram para poder explicar. É o que a gente tá fazendo aqui hoje. Olha só, a gente tá falando de fascínio pelo desconhecido, nós falamos do ET, nós falamos da nave, nós falamos dos filmes, né? Falamos de no cemitério à noite, falamos de ah, ver desenhos nas nuvens, mas nós estamos conversando com duas pessoas que têm a ciência, que estudaram sobre isso para poder nos orientar. E aí sim são as informações que realmente a gente pode repassar adiante. Lembrando que o programa já tá no YouTube e você pode repassar também aí paraas pessoas que são curiosas, né? Você é curioso até que ponto, não é? Vamos lá. 8:57, a última perguntinha e aí a gente já vai para as considerações finais. Agradecendo a sua audiência, a sua companhia, você que tá com a gente aqui nessa nesse momento de curiosidade do estúdio Câmara. Marcelo Vieira do Parque Prado. O fascínio por mistérios muda de acordo com a época ou a humanidade sempre troca apenas o tipo de mistério que decide perseguir? E aí me conta, Davi, como que fica esse negócio aí? Marcelo, se tem mais de uma hora para ouvir a resposta. Boa. Bastante complexa a sua pergunta, Marcelo, mas vamos lá. Muda sim, muda ao longo da história. Por isso que é tão importante conhecer a história. Por exemplo, se você voltar lá na Grécia antiga, você vai ver um esforço dos filósofos naturalistas darem explicações mais concretas, mais, por assim dizer, científicas até pros fenômenos que até então eram explicados de forma muito mágica, muito eh mística. Até chegando na Idade Média, parece haver uma certa involução, principalmente no continente europeu, onde essa explicação passa novamente a ser completamente teológica. Teológica aqui no sentido de partir para uma explicação de seres superiores para absolutamente todos os eventos. Então, por exemplo, quando Newton eh nos lega o conhecimento da gravidade, é tão importante isso que hoje em dia ninguém diria que um objeto eh cai por qualquer outro motivo que não seja o fato da Terra, da gravidade do planeta atrair esse objeto. Então você passa depois da Idade Média a disseminar um conhecimento científico, partir ali, principalmente dos séculos X e X, onde esse tipo de mistério vai mudando, porque a ciência vai conseguindo desfazer boa parte do que era considerado misterioso. Então isso vai realmente mudando, mas a gente ainda precisa fazer um esforço muito grande no sentido da educação e da escolarização para transmitir essa perspectiva mais científica, porque ela ainda é minoritária. Olha isso, né? Interessante. Agora imagina se desvendar um mistério. Ai, deve ser bom demais, né? Deve ser um turbilhão de emoções, né? Olga você tem um mistério, você vai atrás daquilo e você consegue desvendar. é dopamina, é adrenalina, é sensação de felicidade. Deve ser muito bom essa eh esse nós somos movidos, né, por essas sensações. E aí por conta disso, a gente busca o desconhecido, porque queremos sensações diferentes. O ser humaninho complicado, hein, gente? É desafiador. Mas olha que bom que nós ainda podemos olhar o céu, investigar os oceanos, né? estudar a mente humana, assim como fazem os nossos profissionais de saúde mental, para compreender aquilo que a gente ainda não consegue explicar. Quem sabe um dia nós tenhamos explicação para o inexplicável. Uau! Olha isso, gente. É bem complexo, viu? Gostei até explicação para o inexplicável. Agora, pontualmente, 9 horas. Eu quero agradecer a participação da Olga, né, direto de São Paulo, participando com a gente, compartilhando conosco o fascínio pelo desconhecido. Olga, deixa uma mensagem pros nossos telespectadores. Eu quero agradecer você. Obrigada demais pela sua participação e pela sua orientação aqui no estúdio Câmara. Eu agradeço e a minha mensagem é: cultive a sua curiosidade, vá atrás de descobrir os mistérios que você quer desvendar. Mas não deixe de viver a sua vida, né? Porque às vezes você é tão movido pela sua curiosidade que você abandona sua vida e os próximos à sua volta. Então vá sempre saciar sua curiosidade, porque no final, né, quando a gente descobre o resultado de um mistério, é muito, muito prazeroso. E nós somos seres de prazer voltados para o prazer e não para a dor. E mais uma vez obrigada pelo convite e eu estou à disposição sempre que vocês precisarem. Ai, maravilhosa. Obrigada a você pela participação. Muito obrigada pela disponibilidade. Pode ter certeza que a nossa produção vai entrar em contato com você mais vezes, viu? assim como nós fizemos com o Davi, que já participou há um tempo atrás com a gente aqui no estúdio Câmara, hoje voltou para compartilhar conosco eh informações sobre isso, o fascínio pelo desconhecido. Muito obrigada pela sua participação, presença. Deixa aí uma mensagem da sociologia pra gente poder nos confortar, pra gente equilibrar aí o nosso fascínio pelo desconhecido. Eu que agradeço o convite, Rúbia. Minha mensagem seria na linha da colega Olga. Eu fiquei contente com a participação hoje aqui, que estávamos alinhados no ponto de vista, né? Você mencionou várias vezes o ponto de que a mente humana é muito muito complexa e é mesmo e o mundo também é. Nós somos seres biopsicosociais. Então, esses três elementos, o biológico, o psicológico e o social, precisam estar presentes nas explicações. Por isso, eu diria ao telespectador o seguinte: desvende seus mistérios, vá atrás de informação. O conhecimento liberta sim, mas verifique a fonte antes, né? O conhecimento liberta, mas é importante verificar as fontes antes de se libertar. É exatamente, porque de repente pode ser que não seja uma libertação, né, mediante a fonte. Então a gente tem que tomar muito cuidado com isso. Mas aqui no estúdio Câmara, não se preocupe, temos fontes maravilhosas. Valeu, produção. É isso aí, gente. Agradecemos então você de casa, os nossos convidados e lembramos que a Íria tá chegando aí, trazendo informações atualizadas aqui da cidade de Campinas, do legislativo, estado de São Paulo, Brasil e Mundo. Ao meio-dia nós temos Câmara Notícia com Gabriel Castro atualizando informações. Também tem o Câmara na Copa, né? Olha só a busca pelo desconhecido. O que será que vai dar Brasil no domingo? Gente, você tá vendo tudo que tá rolando lá na internet? Aquele moço grande, forte, que come carne, proteína e tal. É, então é a busca pelo desconhecido. Tem gente inventando um monte de coisa. Cuidado com fake news, tá bom? E voltando, Câmara na Copa dentro do eh do Câmara Notícia com Gabriel Castro, trazendo informações atualizadas aqui de Campinas, do Legislativo e também da Copa do Mundo. É a programação da TV Câmara Campinas, sempre feita com muita responsabilidade, muito carinho de toda a nossa equipe do grupo Mais, especialmente para você que tá aí do outro lado. Olha, eh, amanhã nós temos Estúdio Câmara novamente, né? já tava esquecendo. Vamos discutir um tema que preocupa famílias, educadores, profissionais da saúde, também do esporte. Olha só que interessante como a gente tá nessa época de Copa do Mundo, né, a gente percebe que a a gente acaba alimentando aquele amor pelo esporte, né? Então nós vamos falar das meninas. É isso mesmo. Por tantas meninas abandonam a prática esportiva durante a adolescência, né? Então a gente vai falar da permanência das meninas na prática esportiva. Então, quais são os fatores que influenciam essa decisão de abandono? Os desafios culturais, familiares, sociais e emocionais que interferem nessa trajetória das meninas mediante o mundo do esporte. E o que pode ser feito para incentivar a permanência delas, né, no esporte? Então vamos conversar amanhã a partir das 8 da manhã ao vivo. O tema é a permanência das meninas no mundo esportivo. Não perca ao vivo 8 da manhã a gente te espera em mais uma edição do Estúdio Câmara. Beijo grande, se cuide e até lá. Ciao. Ciao.