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Estúdio Câmara | Existe vida além do diagnóstico? Câncer, resiliência e psico-oncologia
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Estúdio Câmara | Existe vida além do diagnóstico? Câncer, resiliência e psico-oncologia

54 views Publicado 04/05/2026 HD · 1:04:28
Resumo editorial

O Estúdio Câmara desta segunda-feira mergulha em um tema que toca milhares de famílias em Campinas, a vida que pulsa após o diagnóstico de câncer e de outras doenças graves. O programa apresenta dados do Instituto Nacional do Câncer, que projeta cerca de 700 mil novos casos por ano no Brasil entre 2023 e 2025, e foca a conversa não na patologia em si, mas na resiliência, na saúde mental e na reinvenção que o diagnóstico costuma impor. As convidadas, ligadas à psico-oncologia e a histórias pessoais de superação, debatem como o paciente é obrigado a uma revisão imediata de rotinas e prioridades, como a família precisa se reorganizar e como o sistema de saúde campineiro acolhe ou falha nessas trajetórias. O programa também atualiza a pauta da Câmara, com a primeira parte da 25ª Reunião Ordinária dedicada às homenagens ao Dia da Vitória e ao projeto de lei que institui a Semana da Força Expedicionária Brasileira em Campinas.

Descrição do vídeo

🩺 Estúdio Câmara: Existe Vida Além do Diagnóstico? Neste episódio emocionante e inspirador, transmitido ao vivo pela TV Câmara Campinas em 4 de maio de 2026, mergulhamos no tema do câncer e da vida após o diagnóstico, focando na resiliência, na saúde mental e na reinvenção pessoal. Com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos anuais entre 2026 e 2028, destacando a importância de histórias reais que transformam o desafio em superação. Nossas convidadas trazem testemunhos e orientações valiosas: Letícia Guedes, paciente oncológica com carcinoma inflamatório de mama, compartilha sua jornada: do diagnóstico inicial com mastite, passando pela quimioterapia agressiva, pelo casamento durante o tratamento e pela lua de mel, até os planos de praia e sushi pós-quimio. Ela enfatiza a importância de se permitir sentir, sorrir apesar da dor e preservar a identidade de "mulher" além da "paciente". Ana Luiza Nobile Cassiani, psicóloga clínica especializada em psico-oncologia no Centro de Oncologia Campinas (COC), explica o papel da psicologia na jornada do paciente. Fala sobre reconhecimento integral (físico, emocional, espiritual), validação de emoções, rede de apoio, presença silenciosa de amigos e planejamento pós-tratamento, combatendo estigmas e promovendo ressignificação. Principais Reflexões do Episódio: O diagnóstico como ponto de virada, não final: Incerteza inicial pior que a certeza, mas leva a autoconhecimento e força interna. Resiliência no dia a dia: Manter rotina profissional adaptada, momentos de prazer (maquiagem, dates, viagens) e equilíbrio entre "paciente" e "mulher". Apoio essencial: Presença sem palavras, abraços, ajuda prática (supermercado, companhia) e psico-oncologia para lidar com medo de recidiva. Mensagem central: Cuide do corpo, mas cure a alma com afeto. Sorrir ativa o cérebro positivamente, mesmo nos dias ruins. Ideal para pacientes, familiares, profissionais de saúde e quem busca inspiração sobre câncer de mama, psico-oncologia, resiliência emocional, saúde mental no tratamento oncológico, superação de diagnósticos graves e vida pós-quimioterapia. O Brasil enfrenta 518 mil casos anuais (excluindo pele não melanoma), e histórias como a de Letícia provam: sim, há vida além do diagnóstico! 💬 O que achou? Compartilhe sua experiência nos comentários! Deixe seu like 👍, inscreva-se no canal e ative o sininho 🔔 para mais conteúdos sobre saúde, Câmara de Campinas e notícias locais. Sua interação impulsiona histórias transformadoras! 📲 Acompanhe a TV Câmara Campinas nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas

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[música] Olá, [música] muito bom dia para você que tá aí acompanhando a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando estúdio Câmara no ar ao vivo hoje, segunda-feira, dia 4 de maio. Vamos falar sobre um tema que, embora difícil, é um território comum que precisamos eh desbravar. a gente fala do câncer e de outras doenças que têm um diagnóstico [música] que acaba muitas vezes nos limitando. Nosso olhar hoje não se detém na na patologia, mas eh no diagnóstico. Nosso foco aqui hoje é a vida que pulsa teimosa e resiliente, apesar [música] da doença. Como alguém se reinventa quando o chão parece ceder? De que forma o diagnóstico [música] obriga a uma revisão imediata de rotinas e principalmente de prioridades? No fim das contas, a pergunta que nos guia é essencial. [música] Existe vida além do resultado do diagnóstico? Estamos aqui para descobrir que o diagnóstico pode ser um ponto de virada, [música] mas nunca o ponto final da história de alguém. Participe com a gente, mande a sua mensagem, a sua experiência, compartilhe conosco. As nossas convidadas já estão aqui no estúdio e daqui a pouquinho nós vamos apresentá-las. Eh, existe vida além do [música] diagnóstico? Qual que é a sua opinião? Você tem alguém que teve um diagnóstico na sua família e que a partir dele essa pessoa retirou uma força que nem ela sabia que existia e começou a viver intensamente? Conte pra gente, converse conosco. Vamos lá, 1997829377. [música] Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações e e daqui a pouquinho nós vamos apresentar as nossas convidadas [música] para vocês. Vamos lá. A Câmara de Campinas realiza hoje, durante a primeira parte [música] da 25ª reunião ordinária, uma homenagem ao dia da vitória, celebrado em 8 de maio. [música] A iniciativa é do vereador Luiz Rossini. A data marca a rendição incondicional da Alemanha nazista em 1945 e o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. [música] Durante a reunião será apresentado o projeto de lei 80 eh 8626 [música] de autoria do vereador que institui a semana da força Expedicionária Brasileira a ser realizada anualmente entre os dias 2 e 8 de maio, com inclusão no calendário oficial do município. [música] A reunião tem início às 5 da tarde no plenário José Maria Matozinho, com entrada pela Avenida Engenheiro Roberto M, número 66, bairro Ponte Preta. E também contará com a transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas e pelas redes sociais também no YouTube. E logo depois acontece então a 25ª reunião ordinária com início [música] às 18 horas. São 15 projetos incluídos na ordem do dia. Entre eles está o projeto que institui o programa Campinas de Mãos Dadas contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes, de autoria do vereador Roberto Alves, que visa reforçar ações de prevenção, combate e conscientização sobre a violência sexual infanto juvenil. [música] A iniciativa está alinhada ao Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei 14.432 432 de 2022 com intensificação das atividades no mês de maio. A sessão começa às 6 da tarde no plenário da Câmara, transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara e também no canal do YouTube da TV Câmara Campinas. [música] A pauta também inclui ainda projetos em regime de urgência, como concessão de honrarias, denominação de vias e propostas do executivo sobre áreas [música] públicas. Você é convidado especial para participar. Será tudo transmitido ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas. Previsão do tempo. Semana começando, segunda-feira. Ô gente, que friozinho foi esse, hein? É, a gente não percebe, mas a gente tá no outono, né? Tínhamos aí alguns dias com muito calor, agora parece que o outono começou a dar as suas caras. Hoje temos sol com algumas nuvens, não chove, mas a mínima foi de 16. A máxima, de acordo com a previsão, não ultrapassa aos 27. graus. Muito bem, vamos ao tema de hoje. Existe vida além do diagnóstico? O Brasil, gente, deve registrar cerca de 781.000 novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Segundo estimativa aí do Instituto Nacional do Câncer, o órgão ligado ao Ministério da Saúde, o número representa um aumento de quase 11% em relação ao triênio anterior e soma mais de 2,3 milhões de diagnósticos no período. Mesmo ao excluir os casos de câncer de pele, não melanoma, ainda são cerca de 518.000 novos registros anuais. Entre os tipos mais frequentes estão o câncer de pele não melanoma, seguindo pelo de mama entre mulheres e próstata entre homens. Por trás desses números está o impacto que vai além das estatísticas. O diagnóstico rompe rotinas, impõe incertezas e muitas vezes instala o silêncio dentro das famílias, não como ausência de sentimento, mas como uma forma de proteção diante do medo. É nesse contexto que surge o desafio silencioso. Como transformar esse silêncio em reconstrução? Hoje a gente vai falar sobre a vida além do diagnóstico. Vamos apresentar então as nossas convidadas. Eu recebo aqui Letícia Guedes. Ela enfrentou um carcinoma inflamatório de mama e hoje é símbolo de ressignificação. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua participação, pela sua presença. Bom dia, Rú. Obrigada. A gente que agradece você aqui. E conosco também Ana Luía Nobili Cane, Noble Ciani, a psicóloga clínica. Ela é especializada em psicooncologia no Centro de Oncologia Campinas. Seja muito bem-vinda, doutora. Bom dia. Rúbia. Obrigada o estúdio, né, por essa esse convite e pela oportunidade de estar falando aí, né, sobre essa importância e esse cuidado. Muito bem. Vamos falar de cuidados, vamos falar do diagnóstico, aquele [limpando a garganta] documento que trava você e sua família e que aí você, a primeira impressão é: "E agora, né, para onde que eu vou? O que que eu vou fazer?" A gente vai conversar com a Letícia e e tentar entender. Letícia, você recebeu o diagnóstico, né? eh, de um câncer num tipo raro e agressivo. O diagnóstico médico costuma chegar eh muito antes da nossa capacidade emocional de processar essa notícia. O que passou pela sua cabeça naquele exato momento em que a palavra eh câncer foi dita? Como foi receber o seu diagnóstico? Eu acredito que de certo modo eu esperasse que isso fosse acontecer, porque a minha avó faleceu com o mesmo câncer. Uhum. Então eu lembro que eu tava enfrentando a mastite. Então já fazia assim dois meses que eu passava por médicos e todos diziam: "Olha, você tem mastite. No começo como a bacteriana, depois como uma que seria crônica". E aí chegou a hora que um médico virou para mim e falou: "Eu vou investigar a crônica, mas daqui a um mês você volta, porque talvez você tenha câncer". E eu lembro que no primeiro momento eu só olhei para ele, sorri, falei: "Tá bom, obrigada". Au! Saí da sala, fui para outra sala e para marcar essa consulta que seria depois de um mês. E a hora que eu vi o meu noivo na parte de fora foi quando eu senti: "Uau, aí eu chorei". Mas foi muito rápido. Acho que no começo eu não me permitia sentir. Então eu ficava assim: "Não, tá tudo bem". Aí eu cheguei em casa, falei com a minha mãe: "Não, uh, tá tudo bem". Mas eh no primeiro momento teve toda essa incerteza, né, de o que que eu vou fazer agora. E aí uns dias depois, demorou assim cerca de uns 5 dias, eu consegui passar pela Unicamp, que graças a Deus é um lugar maravilhoso. E lá o diagnóstico saiu e foi ali que eu realmente entendi que a minha vida ia mudar. E foi quando eu permiti sentir tudo que eu tinha para sentir mesmo. E foi uma mudança gigantesca, né? Porque eu passei de uma pessoa que fazia tudo e comia de tudo e queria viver o máximo possível. para uma pessoa que já não sabia mais se ia viver o máximo possível. E aí foi ali que eu me redescobri, que eu descobri que realmente tinha muita coisa para viver ainda. Olha só, né, gente? É algo que me chama atenção aqui que você diz é o médico disse para você, talvez você tenha câncer. Essa esse talvez essa essa coisa que tipo, não não tenho diagnóstico ainda, mas já foi dito para você. Eu imagino que tenha causado mais e eh algo assim mais forte. A incerteza, a incerteza te deu alguma sensação um pouco mais forte do que a certeza de repente? Com certeza. Eu lembro que eu falava isso muito pras pessoas desde do desde a mastite, porque todos os médicos falavam: "Ai, é mastite". Mas eu sentia que tinha alguma coisa errada, né? Eu já tinha visto outras pessoas com esse diagnóstico antes que desenvolvia com com antibiótico e eu não desenvolvia, eu tinha piora, então eu sabia que tinha algo errado e os médicos ficavam assim, ai não é. Aí até que uma médica me pediu desculpa. Eu lembro dela ter virado para mim e falado: "Ai, desculpa, é que a sua idade a gente realmente nunca vai pensar que é uma coisa grave". E naquele dia eu falei: "Tem coisa errada aí". Então essa incerteza foi pior do que o diagnóstico. O diagnóstico eu falei, eu lembro que eu falava pras enfermeiras, tá tudo bem, saindo daqui, eu só quero comer meu arroz carreteiro e aí eu vou est pronta para começar o tratamento, porque teve que ser tudo muito rápido por ser um câncer muito agressivo, né? Muito bem. Olha só, né? Agora a gente pergunta pra Ana Luís, a nossa psicóloga. Esse diagnóstico traz uma nova identidade que deve ser forçada pela dor, né? Imagino, a psicooncologia, ela vai além do apoio emocional. Então, Ana, eh existe uma comprovação científica de que ah como o equilíbrio mental influencia na resposta física e na imunidade do paciente durante o tratamento, qual que é a importância desse equilíbrio emocional, de um autoconhecimento e da ajuda da psicologia oncológica? como a Letícia mesmo disse, né, o quanto é importante o paciente se reconhecer, né, a pessoa se reconhecer, porque aí diante de de uma ameaça, de uma incerteza, né, de todas essas mudanças que a gente sabe que vai ocorrer, vai ocorrer diante de um tratamento, vai ocorrer diante de uma incerteza, né, como ela mesmo disse, né, o quanto demorou aí para um diagnóstico e tudo isso acontecendo, né, é procurar o que de fato, né, e aí o quanto é importante o psicooncologista, né, estar presente desde o início aí desse procurar, né, desde o começo onde tá se falando sobre o que que eu tenho, eu tô sentindo isso, né? Olha só, ela mesmo disse que assim, né, ela foi identificando alguma coisa diferente nela, né? E aí o quanto a gente se reconhece como um todo, né? Um ser integral, né? Então, reconhece seu corpo, se reconhece emocionalmente, se reconhece espiritualmente, socialmente, né? Olha só, eh, eu vou, eu sou, eu quero sair, né? que que vai ser depois, né, diante do desse diagnóstico, diante desse tratamento. Então, essa forma como a gente se relaciona com tudo que a gente tá sentindo diz muito sobre a gente, né? Então, a figura do psicooncologista desde o início, né, da da jornada aí que a gente chama muito, né, da jornada do paciente, né, tá acompanhada pelos familiares, tá acompanhada pelo noivo, tá acompanhada pel uma rede de apoio, né? Isso também é sempre muito significativo. Muito bem. Agora, a Letícia, ela no auge do tratamento, ela tomou uma decisão que rompeu a lógica da espera pela cura, né? E ela decidiu se casar. É isso mesmo. Em tratamento oncológico, a Letícia decidiu se casar. Agora, por que que você sentiu eh que sua vida não podia esperar o fim da quimioterapia para celebrar esse momento, para celebrar a vida, celebrar um sonho mesmo diante do diagnóstico e do tratamento, que a gente sabe que é de forma agressiva para muitas mulheres. É, na verdade nós até pensamos em adiantar o casamento. O meu casamento já tava marcado quando nós quando eu recebi o diagnóstico. E eu lembro que uma coisa que me impactou muito foi pensar sobre o meu noivo. Então nós tivemos uma conversa muito sincera de você quer adiar, você quer adiantar, o que nós vamos fazer? Porque se for para adiar, pelo menos você vive isso como noivo, que é diferente de viver como esposo, né? parte do tratamento. Mas se for adiantar, nós vivemos desde o primeiro momento da quimioterapia e se for manter a data, a gente vai entrar no meio da quimioterapia. Eu fui pra minha Lodmel, voltei. Assim, eu tinha dois dias de Lodm porque eu tinha aqui aoterapia no dia seguinte, então foi tudo muito rápido. Mas foi importante tomar essa decisão porque eu acredito que talvez se eu não tivesse feito tudo isso, eu ia me sentir mais impotente, porque era o sentimento que eu mais tinha. Eu comecei com a quematerapia vermelha, que é conhecida como sendo terrível, né? E nessa fase eu tive, eu tinha a imunidade muito baixa. Uhum. E o meu câncer não regredia, então eu tive que tomar com período de tempo bem menor. Sim. Então eu fiquei muito doente, eu não fazia as coisas, as pessoas tinham que cozinhar para mim, limpar a casa para mim. E eu que sempre fui uma pessoa que vivia fazendo tudo sozinha. Eu morei no exterior, eu fiz tudo sozinha. Era muito difícil de aceitar isso, né? Então, foi um momento em que o casamento fez com que eu me sentisse mais, eu me sentisse real e sentisse que não, tá tudo bem, eu ainda tô aqui, eu só estou passando por uma fase. Graças a Deus eu tenho essa ajuda toda, mas eh é foi extremamente importante para mim. Poxa, que interessante, Ana Luía, você vê, né, eh, diante de toda essa, eh, esse desafio, ela decide se casar para poder se sentir mais. Ela realmente arrancou uma força, né, e algo que fez sentido para ela e que de repente deu o conforto que ela precisava nesse momento. Sim. quanto é importante, né, se se conhecer e diante das situações se reconhecer, né, se reconhecer assim, nessa conversa com o noivo, qual qual é a decisão, né, que o que que vamos tomar de decisão, porque a jornada do tratamento é uma jornada de incertezas, é uma jornada de que muda, né, de fato, a rotina, muda os hábitos, né, morei fora, fazia tudo e agora não consigo mais cozinhar, né, fazer coisas básicas do dia a dia. E o quanto olhar para situação e pensar no contexto, né, e pensar e e conseguir identificar quais são os recursos que eu tenho, né, e é o noivo que vai se tornar marido, é a família, são os amigos, como é que eu vou eh administrar essa minha nova rotina, como é que eu vou administrar essa rotina de ir pra quimioterapia, fica lá, né, a gente sabe que é um tempo, né, além de ser a vermelha, que a que tem mais efeitos colaterais, é claro que modifica de paciente para paciente, né? né? Porque isso é muito individual, mas assim tem toda essa essa nova rotina, né, de ir para para pro pra clínica, de ir pro centro de infusão, eh, a cada 15 dias, a cada 21. Então, o quanto muda a rotina, né? A rotina que às vezes o que a gente chama muito na na psicologia do mundo presumido, né? Segunda-feira, né? Eu sei que eu vou fazer, mas não, agora segunda-feira é o dia de eu ir pra quimioterapia. E o que que a gente vai ter de efeitos colaterais, né? Porque os efeitos colaterais eles são ali, né, eh, contados de uma forma muito ampla. Você pode ter isso, isso, isso, isso, mas não necessariamente, né? E aí quem quem vai ser as pessoas que vão estar do meu lado, né? Como é que eu me reconheço, né? O que que eu tô sentindo nesse momento? O que que eu faço quando eu sinto isso? O que que eu faço quando eu sinto aquilo? Como é que eu respeito o meu corpo? Como é que eu observo o meu corpo reagindo a tudo isso, né? Então, quando ela toma essas decisões, é olhar agora para provo novo contexto ali de vida. E quais são as pessoas que eu quero, né, eh, que que estejam ali do meu lado e como que eu vou reconhecer essas pessoas. Então, muito interessante e muito significativo quando ela senta com o noivo e fala: "O que, como que a gente vai querer fazer daqui pra frente, né? Não que seja uma receita de bolo, pelo contrário, isso é muito individual de cada pessoa, de cada ser humano, né? Mas aí que vem o apoio da psiconcologia para para pra pessoa conseguir identificar quais são as necessidades dela, né? E poder viver de uma forma mais eh gostosa, prazerosa e muito parecida com a que ela não digo que parecida, né? Mas assim, adaptativa diante da realidade que que era dela antes, né? Exato. E e Letícia, como é que foi para você eh preservar, né, a Letícia mulher e não deixar que a Letícia paciente ocupasse todo o espaço da sua rotina, da sua autoimagem, porque aí a gente pode falar que são duas Letícias, né? A Letícia que vai paraa quimioterapia, a Letícia que sabe que está passando ah por um momento desafiador, mas a Letícia mulher que se casou, que realizou o sonho, que foi pra lua de mel e que tem uma vida dois agora, como que foi para você ah distinguir essas duas pessoas, né, a Letícia paciente e a Letícia Mulher? Eu acredito que eu estou ainda no processo. Tem sido um processo longo e eu digo porque eh eu sempre tive, essa é uma das coisas que eu mais falo sobre que eu sempre tive o costume de usar salto e hoje eu não posso mais usar, mas não não que eu não posso, mas realmente não dá, dá muita dor no pé, meu pé fica extremamente inchado, então não é mais confortável. E para mim esse era o meu símbolo de mulher, era isso que me fazia mais feminina, isso que traria a certeza de que eu era uma mulher no mundo. E aí eu passei a entender que na verdade não era isso. Então na minha lua de mel, eu esperava que eu fosse me vestir assim, né, num resort, tava toda feliz, que eu fosse fazer as coisas mais exuberantes possíveis. E eu estava confortável, me sentindo como mulher. E aí hoje eu vivo uma vida que, lógico, os sintomas estão ali. Então eu sei que de segunda a terça eu vivo uma vida comum. Uhum. Me ma maqueio, me arrumo. Na quarta-feira maqueia também. No dia que der para maquiar estamos ali. Não é a coisa que eu mais gosto de fazer. E eu aprendi isso também, que eu não precisava estar maquiada o tempo todo, porque eu tinha esse antes do câncer, eu não me maquiava o tempo todo, mas depois eu eu pensava que não, eu tenho que estar o tempo todo maquiada para as pessoas me olharem e pensarem que eu estou bem. E não é assim. Eu aprendi hoje que não é assim e tá tudo bem. E aí vem quarta-feira, o dia da quimioterapia, vem quinta, sexta, sábado acaba. sábado são começa os dias difíceis, mas é uma rotina que eu me adaptei e aí eu passei a entender também que está tudo bem eu estar cansada, está tudo bem eu ser paciente nos dias que eu preciso ser, mas eu também preciso sair num date de vez em quando com meu marido. Nós fomos pra Serra Negra e foi lindo e é esses momentos que me fazem me sentir mais mulher, mais presente como eu mesma. Olha isso, né? Que que exemplo, né, de de sabedoria, de autoconhecimento, porque tem uma pressão social para que o paciente ele sempre seja aquele guerreiro sorridente, né, o tempo todo, né? E aí, eh, como eh a gente precisa validar a tristeza também, né, Ana Luía, porque faz parte do processo. Isso é um auto um auto reconhecimento, né? Isso que a a Letícia acabou de trazer pra gente é algo que deve ser eh observado com muita atenção, né? Esse entendimento e a validação de que hoje não estou bem, me permito estar cansada e me permito sentir. Sim, com certeza. não só, né, do paciente, mas de todos à sua volta, né, o quanto quando a Letícia fala assim, né, tem os sintomas da quimioterapia, né, tem os enjoos, tem os malstartes, mas quando eu reconheço que eu tô sentindo e eu consigo até dizer pro outro, né, dizer pro noivo, dizer pro marido, né, eh, e mas que também tem momentos, né, esse esse ajuste, né, esse essa forma de que tem vai ter dias que estão mais difíceis. vai dias que eu eu posso, né, fazer algumas coisas. O mais importante de tudo isso e e a psicocologia ajuda muito nesse sentido é se reconhecer, né, e se permitir, porque vai ter alguns momentos que a gente só precisa se permitir, né, e tem outros momentos que a gente precisa sim, do marido, da família, do amigo, né? E não é com ajuda, qualquer ajuda, né? É como ajuda às vezes da mais simples assim, eu não tô conseguindo no supermercado hoje, né? Então eu preciso que alguém vá no supermercado, mas do marido eu preciso só que ele fique do meu lado, né? Porque às vezes ele também não consegue identificar qual é a necessidade, né? E não é uma necessidade em si, né? Às vezes é uma presença, né? Então quando eh o paciente se reconhece, se reconhece nas suas limitações, nas suas vontades, nas suas necessidades, né? Letícia deu exemplo aí, né? Fui pra lua de mel, né? Mas tem os dias que eu tô ali, né? com os efeitos colaterais da quimioterapia, mas tem os dias que eu também posso fazer um passeio, né? Tem os dias que eu tô me sentindo mais triste, eu tô me sentindo mais introspectiva, né? E aí aquele dia que a gente vai olhar, né, para todas as as as reações, não só do nosso organismo, mas de tudo à nossa volta, né? Sempre lembrando como eh um ser integral, né? que nós temos sentimentos, nós temos emoções, nós precisamos do outro, né? Então, eh, a psicooncologia, ela sempre olha pro pro indivíduo como um ser integral, né? Então, é, eh, na saúde física, na saúde emocional, na saúde sexual, né? Porque o quanto tem sim, né? Ela falou muito da maquiagem, né? o quanto eh não só para o paciente, mas para todas as a a a volta do paciente, o quanto a gente tem um estigma, né? Parece que tem algumas características que são muito relevantes e significativas da do tratamento oncológico, né? Então, quando eu coloco uma maquiagem, quando eu coloco um salto, né? O quanto o que o que isso faz eu me sentir? Como como isso faz eu me sentir, né? O que que isso tá me ajudando, né? Será que é aquele dia que eu tô me sentindo com a autoestima mais baixa, que eu tô tendo menos apoio, né, que eu não tô conseguindo sair muito, ver minhas amigas, socializar, né? Será que eu tô aí com a minha saúde espiritual, né? Então aí eu coloco um salto, aquilo me ajuda. Então esse essa é uma das funções aí da psicooncologia tá ajudando em todas as fases do tratamento o paciente, né? Porque quando eu me reconheço que, ah, hoje eu não colocar maquiagem, tá tudo bem, né? Mas o quanto tem dia que eu vou precisar da maquiagem para ela me ajudar ainda mais, né, na minha autoestima, na minha identidade e no meu processo, né? Porque é exatamente isso. Quanto o tratamento é um processo. Uhum. Exatamente, né? É um processo. E processo esse que você está nele ainda? eh, como que está o seu tratamento e qual que é a sua expectativa, né? Porque a gente precisa, você teve um diagnóstico, você está passando pelo processo e daqui a pouco esse processo vai finalizar. E aí, como é que vai ser o planejamento? Você já fez o planejamento da sua vida pós tratamento, né? Porque aí não vai mais ter a quarta, quinta, sexta, o sábado e o domingo daquele jeito que você ah tem vivido nos últimos dias. né? Aí vai ser a semana toda, né? Eh, é bem melhor. E aí tem o planejamento pós tratamento também. Então, gostaria que você falasse pra gente como é que está o seu tratamento e qual que é a sua expectativa do planejamento pós- tratamento da Letícia. Nós estamos vivendo no mais um, menos um. Uhum. Faltam s semanas pra quimioterapia acabar e depois disso tem cirurgia e depois tem radioterapia. Mas nós estamos focados na quimioterapia e eu acho que o o principal para mim é voltar a ter uma semana completa em casa. Sim. E parece besteira, né? A gente pensar: "Ai, mas ficar em casa? Eu queria ficar em casa". Tem quartas-feiras que eu queria só ficar na minha cama deitadinha e não passar o dia inteiro esperando pela minha quimioterapia e fazendo quimioterapia, que também leva leva ali um bom tempo. E o nosso plano principal é poder viajar por mais de dois dias. Au! [risadas] Porque hoje em dia é isso, a gente tem que estar de volta num tempo e eu também não posso me expor a certos lugares eh com muita gente e eu queria muito ir na praia. Então nós estamos assim, quando acabar o tratamento eu vou comer sushi, porque no momento eu não posso [risadas] e vamos à praia. Esses são os nossos planos assim pro futuro. Mas claro, sem pensar na semana, eh, eu tenho uma chefe assim, um trabalho maravilhoso. Uhum. uma pessoa incrível que me deu a oportunidade de ter todas as minhas quarta-feiras off e off porque Sim, fora. E e eu trabalho bem menos, ela diminuiu muito minha carga horária, então eu quero voltar a trabalhar um pouquinho a mais ou estar lá no escritório os dias que eles precisam de mim também. E isso é uma coisa boba, né? Mas que eu sinto falta. Sinto falta de estar com eles nas quartas-feiras e realmente ser a supervisora que eles precisam. Qual que é a sua função hoje? Hoje eu trabalho com imigração. Então a minha chefe, ela ela é uma advogada americana, ela mora nos Estados Unidos e a minha empresa inteira é focada lá. Então hoje eu faço todos os processos e supervisiono os assistentes que trabalham com a gente regularmente. Então são pessoas que fazem, vamos dizer que você vai paraos Estados Unidos amanhã. Sim, nós fazemos todas a toda a papelada para você conseguir ir até lá e também caso você seja preso pela imigração com o que vem acontecendo ultimamente, é nós que fazemos todo o processo de corte para te retirar da cadeia, por assim dizer. Mulher, olha só, né? Nossa psicóloga aqui vai falar pra gente de todo esse planejamento e e dessa da importância também de manter uma rotina profissional, né? Porque você veja, ela quer passear, ela quer ir paraa praia, ela tá mantendo a rotina profissional dela, começando lá na incerteza de você pode ter aí depois a certeza do diagnóstico, aí depois o casamento, né, e a adaptação de vida. E essa mulher que a gente tá vendo aqui, né, que está aceitando o seu momento, está eh trabalhando no seu processo, tem um sorrisão maravilhoso, mas se permite não sorrir também, que ela não tem que ficar mostrando para todo mundo que ela é guerreira o tempo todo. Quer dizer, a capa dela botou lá no armário e tá vivendo uma vida de uma forma que se a gente para para analisar o diagnóstico, será que trouxe pra Letícia um pouco mais de vamos lá, sabe? Não é o fim, o diagnóstico é só um papel e você tem possibilidades infinitas para continuar seguindo o quanto aí, né, o exemplo da Letícia faz muito a gente pensar e olhar, né, como a Letícia se reconhece. né? Como ela se reconhecia antes, enquanto mulher, enquanto noiva, que aí virou esposa, né? Enquanto profissional, enquanto mulher, né? O quanto a gente eh num numa pessoa a gente carrega aí diversos eh cargos, funções, personagens, né? Então, a partir do momento que vem veio o diagnóstico e ela já se reconhecendo, né? Sabendo ali o que que ela quer, o que que ela pode, o que que ela tem vontade, né? diante de do diagnóstico que sim, né? E muitas vezes é um um ainda tem muito estigma e é uma diagnóstico, um diagnóstico que ameaça a vida, né? O que vai ser da minha vida daqui para frente, né? Diante do diagnóstico do tratamento. Olha só, né? Ela consegue já ir planejar uma, ela quer planejar uma viagem de dois dias e o quanto parece que dois dias é tão pequeno, né? Eh, mas diante deste momento do tratamento, dois dias é um é um é um é um tempo longo, né? Então, quando ela se reconhece, quando ela consegue identificar, né, quais são as suas vontades, quais são seus desejos, suas necessidades, né, eh, e pode fazer essa troca, né, essa troca com a chefe que tá aí disponibilizando que o quanto importante também, né, o trabalho, né, e ter essa essas essas adaptações no trabalho, o quanto é importante continuar tendo e poder ter uma perspectiva de futuro, né? Eh, e esse futuro que às vezes ele é amanhã só ou ele é daqui algumas horas, né? Que a quimioterapia é isso, o quanto ela fica lá algumas horas. E dessas algumas horas, o que que de fato ela tá fazendo? Como é que ela tá eh eh usando do tempo dela? Porque a gente fala muito de tempo, né? Eh, só que como que a gente tá usando o nosso tempo que não é cronológico, que não é esse do relógio, né? Que não é esse da segunda-feira, da terça, do sábado, né? da segunda, da sexta-feira, né? na sexta-feira parece que a gente tem aí até uma motivação diferente. Então, quando ela consegue e quando ela tem já essa identificação do que é importante para ela, né, do que é é eh significativo para ela, isso muda, né, muda diante do processo do tratamento, dos do enfrentamento aí do tratamento, como ela mesmo disse, ela tá na químo, mas aí tem a próxima etapa que é que é a cirurgia, depois a próxima etapa que a que é a radioterapia, né? Então, eh, a gente tem um projeto na clínica que chama integralmente, né, que são práticas integrativas, né? E essas práticas integrativas, elas servem para ajudar cada vez mais o paciente, os familiares identificar as necessidades e identificar as necessidades como é que eu me reconheço, como é que tá minha respiração, como é que tá meu sono, como é que tá minha atividade física, né? Como é que tá minha alimentação. Então, o quanto é importante também a gente ter durante todo o tratamento uma equipe multidisciplinar. que olhe para tudo isso, né? E o papel do psicooncologista é exatamente isso, não só fazer com que o paciente, os familiares e os acompanhantes também olhe para isso, mas que também faça o paciente identificar tudo isso, né? Porque às vezes é isso, eu tenho hábitos de de, né, de de eu tenho hábitos, eu tenho rotina de trabalhar, de estudar, de ir pra academia e vai ter a quarta-feira ou sábado que ela tá se sentindo muito mal, que ela não vai, né, pra academia, que ela não vai trabalhar, né? E aí, como é que eu me percebo? Como é que eu me sinto, né? Que eu não vou passar maquiagem e tudo bem, né? Porque o quanto também às vezes eu preciso passar maquiagem para que a maquiagem não mostre o que eu tô sentindo, né? Eu tenho uma paciente que ela fala muito assim, né? Ela tá sempre muito elegante, muito bem vestida, né? E ela sempre fala assim, hoje ela já melhorou, ela já não tá falando mais com tanta frequência, mas ela sempre falava assim: "É, eu tô muito bem arrumada por fora, porque só eu sei o que tá aqui por dentro". né? Então, para ela se arrumar, né? Está elegante, está arrumada, era uma forma da qual ela encontrava para se fortalecer, né? Não era para esconder o que ela tava sentindo, mas o quanto às vezes a gente precisa de outros recursos, né, para se identificar, para se fortalecer, para viver, para sentir, né, o quanto é importante a gente se permitir sentir o que a gente tá sentindo, né? É porque às vezes a gente tenta dar uma camuflada, a gente tenta esconder um pouquinho, principalmente as mulheres que t aí inúmeros papéis, inúmeras responsabilidades, né? Não menosprezando as dos homens, claro, né? Eh, porque a gente também tem câncer no homem, né? Mas o quanto diante das responsabilidades e diante dos afazeres do dia a dia, a gente não a gente parece que vai se perdendo um pouco da nossa própria identificação. O que que dói, né? O que que me faz me sentir triste? O que que me dá felicidade? E aí, às vezes é nesse momento que eu não tô conseguindo pôr uma maquiagem, que eu não tô mais conseguindo pôr um salto, que eu tenho que lembrar disso. Eu tenho que resgatar o que me faz feliz, né? O que me dá prazer, né? O que me dá sentido nessa nessa vida que às vezes recomeçou, que às vezes só tomou um novo rumo ou um novo caminho, né? Eh, mas como é que eu vou ressignificar tudo isso, né? E dá um novo um novo sentido, mas um novo sentido que faça sentido. Perfeito, né? Ressignificar. Essa é a palavra. E nessa ressignificação é preciso ter uma um equilíbrio emocional, né? E por isso a a psicologia oncológica. Agora, Letícia, você teve eh eh apoio de psicólogos, como que tem sido isso para você e como que você avalia a sua saúde mental hoje? Eh, não tive pro A Unicamp tem um um diria, um projeto que tem psicólogos, mas eu sou a paciente mais nova, né? Então, algumas coisas são mais usadas, os recursos são mais usados para quem tem mais prioridade, né? Então tem pessoas lá de 90 anos, pessoas que estão acamadas, então elas vão sempre estar nesse lugar. E eu acredito que é muito importante, já passei por terapia por muitos anos e acho que também é muito importante a parte espiritual. Acho que a a Ana Luía chegou a comentar também. É algo que além da família, além do do marido, eh além de das pessoas mais próximas, eh a igreja em si, aquele a comunidade em si, é algo que tem me feito, tá estar melhor mentalmente. Um acolhimento, né? é um acolhimento gigantesco. São pessoas assim que eh o tempo todo me perguntam como estou e às vezes nem precisam perguntar, mas só de estarem ali, estarem sempre em oração ou eh algum dia que eu estou cantando, eles vêm e falam, né, que eh eh o o fato de eu estar ali, porque às vezes eu fico me perguntando o que eu o que eu venho agregando no mundo, o que eu trago a mais, né? Porque a gente olha e pensa: "Poxa, eu tô doente, eu sofro, eu o que que eu trago pro mundo?" E aí eu lembro que num domingo eu tava cantando e eu desci, no que eu desci, uma pessoa falou para mim, a pastora falou para mim: "Olha, eh, ver você vivendo é algo gigantesco pra gente, é como se fosse a gente ter mais esperança porque te ver vivendo, vê que você não parou, não estagnou e não ficou ali." E é muito fácil estagnar. Eu acho que essa parte onde o mental entra. É muito fácil ficar, querer ficar na cama e passar os dias ali e assim e tá tudo bem ficar na cama. Mas até que ponto ficar na cama e sofrer vai me fazer crescer nessa durante todo esse processo? Até que ponto vai ser importante para mim ficar ali? Ou será que eu só tô ali porque é o confortável? E é extremamente confortável ficar quietinho em casa, deitadinho com o marido, assistindo um filme ou uma série todos os dias? é confortável demais, mas o confortável às vezes não é o que eu preciso. Eu acredito que se eu ficasse extremamente confortável neste lugar, eu não ia ter a resiliência ou até a força de vontade para conseguir ficar durante o tratamento. Eu converso muito com as enfermeiras e elas sempre falam que o sorriso no rosto, a gente pensa que não, mas o sorriso no rosto é sim algo que ajuda nos sintomas da da quimioterapia, ajuda a gente a passar por eles, porque tem dias difíceis e se você se entrega a eles, infelizmente a dor vai consumir o seu corpo. Uau! É vida além do diagnóstico, né? A gente tá aqui com a Letícia, que é uma paciente oncológica, que está trazendo um pouquinho da sua experiência de vida, né, e mostrando pra gente que sim, que existe vida além do diagnóstico. com a gente também a psico eh psicóloga oncológica, né, Ana Luía, que traz eh a importância de você ter aí um um autoconhecimento, de você se perceber, de você eh passar por esse processo com uma autoaceitação, né, para que você possa lá na frente você entender eh o por que você passou por isso, como você passou por isso e a resiliência que é o sentido, eh, acredito, de todo esse processo. A gente tá falando aqui da questão do câncer, mas existem outros diagnósticos também, né, eh, Ana Luía, que acabam deixando a pessoa no chão, né? Eu acho que todo diagnóstico eh eh que vem eh com uma doença, ele desequilibra, né? Desequilibra a pessoa, a família. E a partir desse diagnóstico, é, a gente tem que montar aí um um planejamento eh de uma vida aliada a ele, não é? Sim, com certeza, né? O quanto a gente um diagnóstico eh ele desorganiza a gente e a gente tem aí eh características e quer funcionar numa organização, né? A gente quer organizar o ambiente, a gente quer organizar a casa, a gente quer organizar a rotina, né? E o diagnóstico ele re ele desorganiza isso, né? E quais são os recursos que a gente pode buscar, que a gente pode propor, que a gente pode esperar, né, eh, para essa organização, né? Como é que a gente ajusta isso que desajustou, né, biologicamente, fisicamente, emocionalmente, né, funcionalmente, né, Letícia mesmo falou aí da rotina dela, né, dos planos dela, das vontades delas, das necessidades, dos desejos, né, da das coisas mais habituais, né, eh, de praia, né, que seja por mais de dois dias, né, só que o quanto em algum momento a gente já pensou ir pra praia É só um dia. Exatamente, né? Só que aí quando tem aí um diagnóstico que ele modifica, né? Ele ele ele exige aí uma reestruturação, né? É de um sorriso, né, Letícia? O Panto parece que sorri em alguns momentos é tão fácil e é tão simples, né? Em outros parece que a gente precisa aí de uma força, né? Para isso acontecer, né? Eh, e aí quando ela falou do sorriso, me lembra muito assim, como é que a gente tá no nosso dia a dia, né? A gente tá sorrindo independente da situação, a gente, como que a gente acorda? Como é que a gente tá no nosso dia a dia, como é que é depois da o nosso horário pós almoço, né? Como é que a gente lida com as dificuldades do dia a dia com o trânsito, né? Com horário, com mudanças, com temperatura, né? Eh, o quanto a gente tá indo vindo aí de dias muito quentes e agora esses dias já tá, né, um pouquinho mais fresco, né? Então assim, como é que a gente lida com as adversidades da vida, né? E se eu reconheço como é que eu lido, eu vou ter recursos, né, mais eh estruturados para quando, né, as ameaças, as intercorrências do dia a dia vier, né? Então é sempre importante esse reconhecimento e lembrar que sim, né, enquanto paciente oncológico, enquanto outros pacientes, não, né, não só o paciente oncológico, dos direitos, né, dos direitos e também dos deveres. Eu gosto sempre de dizer que assim, o paciente ele não pode ficar passivo sim, né, ao seu diagnóstico e aos profissionais, né, é reconhecer, claro que, né, é buscar informações corretas, fidedignas, é conversar também. com seu médico e com os profissionais do qual tá ali, né, eh, no seu tratamento, né, para que isso também seja assim, porque, eh, às vezes dá para ajustar, né, dá para ir mais dias paraa praia, dependendo do protocolo da quimioterapia, né? Dá para eh curtir um final de semana, né? Dá para mudar uma terça-feira, né? Dá para mudar uma quarta, né? que faz a química quarta, né? Às vezes é possível, né? Mas só é possível se a gente reconhecer, né? E a gente vai reconhecer com isso tudo que, né? A gente falou aqui hoje da da reconhecer no sentido físico, emocional, espiritual, social, né? Eh, e sempre busca ajuda, né, de um psicooncologista neste momento. Muito bem. Agora 8:54. Olha só, né? que conversa pra gente iniciar a semana, né? Como é que você tá vivendo? Como é que você acordou hoje? Você já sorriu hoje, né? O simples ato de sorrir já leva ao seu cérebro uma um entendimento de que você está bem, que você está se sentindo bem, que você está sorrindo. Isso proporciona a você eh um uma energia boa e você consegue passar pelas as adversidades. Então, de repente tá no trânsito, ao invés de ficar bravo, dá um sorrisão, lembra de algo que te faz feliz. A vida passa tão rápido e a gente tá aqui eh vivendo todos na incerteza, né? Porque a gente não sabe como será o amanhã. E que tal a gente fazer hoje? A gente sorrir hoje, a gente agradecer hoje? É, gente, é bom demais estar aqui e é bom demais poder ter esse espaço de trocas de experiência, de conhecimento para nos orientar também, né? Às vezes você vê o exemplo da da Letícia e você acaba se identificando com ela, né, com o exemplo de vida dela. Vamos lá, né? A gente consegue, a gente pode. Dê um sorriso. Produção, avisando aqui. Temos perguntas, então vamos ver quem é que tá conosco. Vamos ver o que que o pessoal tá falando em casa. Agora 8:56. Estamos ao vivo. TV Câmara Campinas. Ah, olha lá, Helena Costa do Jardim Aurélia. A história da Letícia é emocionante. Que mulher forte, guerreira. Para quem acabou de receber o diagnóstico, qual conselho você daria para enfrentar o medo inicial, Letícia? Eu daria o conselho de se permitir. Eu sei que é um momento difícil. Eu não, eu toda vez que eu tento lembrar da dor que eu senti quando o médico falou que talvez, talvez eu tivesse, talvez, eu não consigo sentir do da mesma maneira, mas eu tenho vontade de chorar e mas eu diria para que você se permita e se permite em todos os aspectos. Se você tiver vontade de comer uma coisa, coma, porque muito provavelmente durante a quimioterapia as vontades vão passar. Se você tiver com vontade de chorar, chore. Se você quiser sorrir, sorria. E uma das coisas que eu mais tive a experiência foi a culpa. Eu muitas vezes me senti culpada de estar triste com o meu diagnóstico, porque tem pessoas passando por diagnósticos piores. Na minha cabeça era assim. E por isso que eu digo que o mais importante é se permitir. Se permita se sentir triste, porque o seu diagnóstico pode ser menor na sua cabeça que outras pessoas, mas ele continua sendo um diagnóstico. Seja ele de autismo, seja ele de câncer, seja ele do que for. É um diagnóstico, é uma coisa que vai alterar sua vida, como a Dra. Ana Luía falou, é uma coisa que vai mudar tudo ao seu redor. Então se permita sentir todas as emoções possíveis. É isso, se permitir, né? 8:57, mais uma pergunta pra gente, por favor, produção. Vamos lá, Letícia e a nossa psicóloga Ana Luía. Fernanda Lima do Jardim Aurélia. Muitas pessoas se afastam de quem está doente por não saberem como agir. O que realmente ajuda no dia a dia de um paciente oncológico em termos de amizade e companhia? Vamos lá, Ana Luía. Na psicologia, o que que você pode eh como você pode responder a Fernanda? As pessoas se afastam, Fernanda, porque elas acham que existe uma uma resposta certa, uma atitude certa, eh um cuidar certo, uma amizade, né? Nossa, eh como é que é ser amiga de alguém que tá passando por um tratamento, né? Como se tivesse uma resposta específica. Como é que ser amiga de uma pessoa que vem, de uma de uma amiga que vem pedindo um conselho? Como é que é ser amiga de uma pessoa que vem pedindo uma opinião? Como é que você é amiga, ser amiga de uma pessoa que só quer sair, só quer ir no cinema. Uhum. Né? Então assim, assim como a gente age naturalmente diante da da do contexto de amizade do dia a dia, né? Porque amiga é para isso, é para falar a verdade, é para rir, é para chorar, é para criticar, né? A gente também deve agir assim com uma amiga que tá, né? Uma amiga, um amigo, um familiar que tá passando por um tratamento oncológico, né? Da maneira mais verdadeira possível, né? Só que é lembrar que nem toda ajuda é uma ajuda, né? Às vezes a gente quer ajudar a pessoa a não sofrer, mas como é que a gente tira o sofrimento do outro, né? E às vezes a gente não precisa ajudar a não sofrer, a gente só precisa ajudar est no presente. A gente só precisa ajudar faz aquele bolo que vocês sempre comeram juntas, né? Eh, assiste aquele filme que vocês assistiam sempre ou que vocês deram muita risada, né? É, respeito o silêncio, né? O silêncio também é muito importante, mas o silêncio ele só deixa de ser desconfortável quando a gente sabe o que que é esse silêncio. E aí pra gente saber como é esse silêncio, o que é esse silêncio, a gente precisa conversar, a gente precisa do diálogo, né? A gente precisa das conversas sinceras e verdadeiras que a gente sempre teve na amizade. Por isso que a a amizade foi estabelecida, né? Pode ver as pessoas que você deixou de conversar, você deixou de ser amigo ou por, né? aí alguma coisa da vida ou porque vocês deixaram de de se ver, né, de se ver hoje e o quanto a gente pode usar aí dos recursos tecnológicos para se ver todos os dias, né? Quantos grupos no WhatsApp ou quantas pessoas no WhatsApp a gente só pode dar bom dia, né? Até por conta desse recurso, né? Eh, [limpando a garganta] e às vezes não só como amiga, como pessoa, não tem grupos que a gente manda bom dia e que parece que é uma coisa eh meio que obrigatória, [risadas] né? Vamos deixar um pouco dessas formalidades e vamos ser sinceros. Eu acho que essa é a melhor maneira aí para tá acompanhando eh um paciente, um amigo, um familiar, né? É a presença, né? A presença. E quando a gente fala em silêncio, às vezes também me corrija se eu estiver errada, Letícia, o silêncio, né? Eh, eh, a amizade, o silêncio também faz parte da amizade, né? estar perto, sem dizer nada, só sentindo. Isso faz uma grande diferença também, porque às vezes a pessoa não sabe nem o que dizer, né? E você também não quer ouvir, você só quer o conforto. É mais ou menos assim, não é? É exatamente isso. Eu acredito que quando as minhas melhores amigas assim são pessoas que eu posso passar horas no mesmo ambiente sem falar nada. às vezes cada uma focada na sua nas suas coisas ou hã assistindo algum específico, mas ter esse silêncio, esse momento em que não, eu não preciso preencher o vazio do silêncio para que nós sejamos amigos. Isso. E e isso é muito importante, porque às vezes, sinceramente, a gente não quer ouvir nada. Isso. Nós não queremos ouvir um você consegue ou ai mas nossa, que bonito que você tá passando ou quão difícil é ou ai mas eu já passei por algo. Nós não queremos ouvir nada disso. Às vezes tudo que nós queremos é só a sua presença. Às vezes um abraço. Eu tenho muito isso de de só tá perto das pessoas, mesmo que seja para eu estar calada, porque eu não tenho mais a mesma interação que eu teria antes. ou eu estou com dor ou eu tô com tomei algum remédio que me deixou mais lenta, mas eu quero estar ao redor dessas pessoas. E graças a Deus eu tenho pessoas assim incríveis que respeitam isso, entendem que eu não vou ficar ali conversando o tempo todo, mas eu estou com vocês e assim nós vamos. E tem pessoas que não, que talvez até no medo de não estar fazendo o suficiente, querem falar mais ou se expressar mais ou e acaba saindo dessa amizade que era tão bonita antes, justamente por ter esses momentos de silêncio. Silêncio e presença, né? Isso é conforto, é aquele quentinho do coração. Ô, gente, o 92, olha só, dava pra gente conversar bem mais, mas a gente precisa encerrar. Eu agradeço imensamente a participação da Letícia, a participação da nossa psicóloga Ana Luía. E o que a gente aprende hoje é que o tratamento, né, cura o corpo, mas o suporte emocional e o afeto curam a alma, né? Então é sobre, acho que a gente deixa, [limpando a garganta] desculpe, a gente deixa aqui para você é que a presença, a presença, o conforto, o abraço é algo que faz todo sentido, não só na vida de quem está eh vivendo um diagnóstico, acho que na vida de todos nós. Então, se você puder hoje, fique junto, se faça presente, mesmo sem dizer uma palavra. Eu quero agradecer, agradecer Ana Luía pela presença, pela fala, pela troca. Muito obrigada, muito obrigada por estar conosco aqui. Eu que agradeço pelo convite, pela oportunidade. Precisarem, fica com as ordens, né? Eh, e eu acho que é exatamente isso. Às vezes a gente tá eh não se fixar tanto nesse presente, só na presença. A gente tem formas, tem gestos de estar presente. Muito bem. Formas e gestos de estar presente. Olha só, a produção tá me avisando aqui que a gente ganhou mais alguns minutos porque tem mais umas perguntas. Então eu Vamos lá, tiramos a consideração final e a gente volta para as perguntas. Obrigada. Vamos lá então. É que o pessoal tá participando, a gente responde mais duas perguntas, então vamos lá. Pode colocar na tela, produção. Vamos ver quem é que tá conosco. Obrigada a você que tá acompanhando o nosso estúdio Câmara de hoje. Olha só, a Silvana Ramos do Jardim Nova Europa. Desejo muita força pra Letícia que mostrou ser uma mulher muito forte. Quero aplaud aplaudir essa mulher tão forte. Sua garra emociona e prova que a vida além do diagnóstico. Olha aí, Letícia, parabéns pela coragem. A Silvana Ramos do Jardim Nova Europa. Uau! Moramos pertinho. [risadas] Legal. Ai, que legal. Eu fico muito feliz. Eu acho que às vezes a gente não reconhece, sabe? É muito difícil reconhecer bravura ou fortaleza quando você chora à noite porque tá com dor. E esse tipo de mensagem realmente aquece o coração, porque é um reconhecimento a mais de que as coisas estão indo. Nós estamos chegando lá. É isso mesmo. Agora 95. Pode colocar mais uma pra gente, produção, por favor. Pode colocar. Vamos lá. Vamos até o quê? 98 por aí. Júliana Rocha Barão Geraldo. Continuar trabalhando ou estudando durante o tratamento oncológico é algo recomendado para manter a cabeça ocupada ou o ideal é focar 100% apenas na recuperação, Ana Luía? O ideal é você fazer, Juliana, o que é importante para você, significativo para você. Às vezes, sim, você precisa fazer um pouco de pausa ali entre o trabalho e o estudo, né? Eh, porque o tratamento vai exigir um pouco mais, mas o quanto às vezes também é importante você manter, né? Não, não é o o importante, o significativo, o que vai contribuir para você e pro seu tratamento é fazer o que você se sente bem, né? É se permitir o que você se permite, né? É claro que a gente tem aí inúmeras situações, né? A Letícia que é um exemplo, que tem uma boa chefe, né? É claro que a gente tá falando de algumas leis já pro paciente oncológico que permite algumas coisas acontecerem, mas o mais importante, Juliana, é você reconhecer quais são as suas necessidades e como é que você quer eh desenvolvê-las ao longo e a durante todo o tratamento, durante todo o período e principalmente pós- tratamento, né? Eh, o quanto também retomar algumas atividades e algumas funções pós tratamento também é significativa e às vezes não, né? Às vezes durante o processo de tratamento e de adoecimento, você vai reconhecer que algumas coisas não fazem mais sentido, né? Eh, então só se observa e vê que às vezes você vai tá podendo lá na sua quimioterapia, tá estudando, tá lendo alguma coisa, né? Tá trabalhando, né? E vai ter dias que você não quer tá na sua quimioterapia, nem estudando, nem trabalhando. Pelo contrário, você quer tá dormindo, você quer tá lendo, eh, vendo um um filme, vendo um vídeo, né, ou simplesmente não fazendo nada e tudo bem. É aquilo que faz sentido, né? Aquilo que faz sentido para você. É assim, não é, Tícia? É isso mesmo. Eu eu sempre leio muito esperando, né? Mas tem dias que eu só quero olhar as pessoas passarem ou dormir realmente, porque tem um antialérgico ali que dá um soninho e nós dormimos mesmo. Então é isso exatamente que a doutora falou. Muito bem. 98. A última. Então vamos lá. A última pergunta ou então depoimento, né? Ou até eh vamos ver se alguém tá falando aí com a Letícia também, né? Que bom que você tá com a gente aqui nessa manhã de segunda-feira, começando a semana com esse programa. eh, bem informativo, né, que que traz aí a questão o tema Existe Vida além do diagnóstico. Vamos lá, Vanessa Teixeira do Jardim Chapadão. Depois que a pior fase do tratamento termina, a visão sobre o futuro e sobre as prioridades da vida costuma mudar muito em relação ao que era antes. Vamos lá, Ana Luía. Vanessa, não necessariamente, né? O que o que acontece é que pós tratamento é como se assim que que eu que que o que que eu faço agora, né? Para onde eu vou? O que que eu só porque em alguns momentos durante o tratamento algumas coisas talvez vão vão deixando de acontecer, né? Como a Letícia mesmo disse, uma viagem, uma comida, um momento de mais socialização, né? Eh, e aí quando o tratamento acaba, né, eh, como é que eu vou retomar tudo isso, né? E aí é voltar para que para você mesma, né? E às vezes a ajuda do psicooncologista é exatamente para isso, né? Para ver assim, algumas coisas talvez você queira retomar, outras coisas vão ter ter um outro sentido, um outro significado, né? algumas coisas vão ser modificadas, sim, porque às vezes tem, né, aí algumas sequelas do tratamento, né, mas é se reconhecer e lembrar que talvez eh o tempo, não o tempo cronológico, né, mas o seu tempo é diferente, né? eh, retomar para algumas atividades, retomar para alguns hábitos, para algumas situações, às vezes ela vai exigir um pouquinho mais ou um pouquinho menos e vai da forma como você vai lidar com tudo isso, né? Como você vai reconhecer tudo isso, que vai eh ajudar você retomar algumas coisas ou também identificar que você não quer mais, né? Eh, ao longo aí da minha vida profissional, muitos pacientes após o o o tratamento conseguiram identificar que algumas coisas não faziam mais sentido, né, e passaram a viver sem aquilo que era da rotina, era do hábito ou até de pessoas, né? Ó, eh, a Letícia é um exemplo que se casou, né? Mas muitas pessoas ao ao longo do final do tratamento ou no final do tratamento, né, numa fase só de acompanhamento, tem sim, a gente tem sim, né, a questão do medo de uma recidiva. Isso é muito significativo. Por isso, sim, né, o acompanhamento do psicooncologista, ele não vai só no início do tratamento ou só durante o tratamento. Ele também é um acompanhamento pós tratamento, né, em todas as fases do tratamento. E o pós-tratamento também é uma fase do tratamento, né, para você identificando e ajustando, né, e e se redescobrindo que algumas coisas talvez você deixou de fazer ou deixou de lado por por ser aquele momento, né? E aí num momento você também vai conseguir ali eh olhar, observar e e reconhecer se é isso mesmo que você deseja. falas da nossa psicóloga Ana Luía. Agora 9:11 a gente, agora sim a gente vai encerrar, precisamos entregar. Então, mais uma vez, Ana Luía, obrigada pela sua participação, pela sua presença aqui, tá bom? Muito obrigada mesmo. E a gente agradece você, né, por se disponibilizar, de vir até aqui, de contar sua história, eh, e de trazer pra gente algo muito importante, a gente se perceber e valorizar todos os dias, né, com esse sorrisão que você tem aí no seu rosto, faz a gente parar para analisar quanto tempo que você não sorri, né, e a importância desse sorriso. Muito obrigada. Muito obrigada pela sua participação, pela sua entrega, pela sua presença. Deixa uma mensagem pro pessoal que tá assistindo você agora. Eu agradeço também pela participação e agradeço pelo espaço, porque eu sei que é uma coisa que vem desolando muita gente e só de poder falar e entregar algo a mais na vida das pessoas, eu fico extremamente feliz. Ah, feliz fica a gente aqui de poder contar com vocês, de poder contar com você que tá aí do outro lado, fechando o nosso programa. desta manhã de segunda-feira e agradecendo mais uma vez as nossas convidadas e você pela companhia. Amanhã tem estúdio Câmara a partir das 8 da manhã e a gente muda o tom para falar de convivência. Olha só, gente, amanhã o tema é etiqueta e comportamento nas academias. Nossa, [música] olha, imagina que você que tá em casa agora falou o quê? É sério, não vou perder esse programa. Gente, que expectativa! Porque a gente vai falar, né? O monopólio de aparelhos, o celular, né? Olha, sem contar higiene, barulhos excessivos. Eu não sei de onde vem aqueles barulhos, eu não sei por isso tudo, as filmagens, né, pra rede social que transformaram a academia em um set de cinema, né? Tá todo mundo gravando, todo mundo, gente, que tá acontecendo ignorando aí a privacidade aleia. Você sabe que eu tava vendo alguns eh posts de academias falando assim: "Se você quer academia só para você, compra uma, né? Porque a academia de todos, todo mundo paga aqui, então todo mundo precisa ter o bom senso, [música] gente. Precisa ter harmonia no treino. Poxa vida, hein? Vamos dividir aparelho, né? Amanhã a gente vai falar sobre isso. Tem certeza que muita gente vai estar assistindo e vai se identificar. Então não perca Estúdio Câmara amanhã a partir das 8 da manhã. Um ótimo dia para você, uma semana linda. Vamos lá, né? Sorria, dê um sorriso nesse rosto aí, porque um sorriso [música] pode mudar e mudar muito a energia do seu dia. Daqui a pouquinho e tem a ÍRA chegando com informações direto da Central IA. Ao meio-dia tem Câmara Notícia. Às 18 horas nós temos e reunião ordinária, tudo transmitido ao vivo [música] aqui pela TV Câmara Campinas, tá certo? Um grande abraço para você, uma semana linda e até amanhã, se Deus quiser. Ciao [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]
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