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Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com Estúdio Câmara ao vivo hoje, segunda-feira, dia 30 de março. Como você tá? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. E a gente começa a semana falando de um tema urgente dentro de casa e que agora também virou prioridade na lei. Entrou em vigor no último dia 17 de março a lei 15.211, 111, conhecida como ECA Digital, um marco na proteção de crianças e adolescentes no ambiente online. A nova legislação cria regras mais rígidas para redes sociais e plataformas digitais, como a verificação de idade, controle de tempo eh de uso, proibição de publicidade direcionada à responsabilização das empresas. Porque segundo dados do comitê gestor da internet no Brasil, mais de 90% dos adolescentes brasileiros já estão conectados à internet e quase metade acessa a conteúdos sem qualquer tipo de supervisão. Ou seja, o debate deixou de ser apenas familiar e agora passou também a uma questão de saúde pública e responsabilidade digital. No programa de hoje, a gente vai tentar entender na prática o que muda e como proteger quem a gente ama. Então fique conosco, participe com a gente, mande sua mensagem, o nosso WhatsApp tá à sua disposição, nossa produção Já apóstos. Hoje a gente fala eh dessa nova lei, né? todo mundo que acompanhou essa questão do Felca, depois a a questão da adultização e agora tem essa nova lei, tem o ECA digital, nós estamos aqui com os nossos convidados que vão nos orientar, né, para nos explicar o que que muda a partir dessa nova lei e também a questão psicológica de tudo isso. Então, mande pra gente, converse conosco, 199729377. Nosso WhatsApp tá na tela. Eh, enquanto você vai mandando a sua mensagem, eu vou atualizando algumas informações, já apresentando então os nossos convidados pra gente debater aí o ECA digital. Bom, a Câmara de Campinas realiza hoje uma série de atividades legislativas. Às 2 da tarde, a Comissão de Constituição e Legalidade promove a quarta reunião ordinária do ano com análise de pareceres de 25 projetos. Entre os destaques está o parecer favorável ao substitutivo do projeto de lei 141 de 2025 do vereador Roberto Alves. Esse projeto cria o programa afroempreendedor, que é voltado eh ao incentivo de negócios eh liderados por afroempreendedores. Também estão na pauta temas como saúde mental nas escolas, proteção animal, uso de inteligência artificial na administração pública e medidas de segurança e fiscalização. Na sequência, às 3 da tarde, a Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente da Juventude realiza uma reunião para discutir a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. O debate vai abordar o ECA Digital com um foco na atualização de políticas públicas diante dos desafios das redes sociais, plataformas digitais e também da inteligência artificial, além dos riscos como violência online, exploração e desinformação. Encerrando a agenda da Câmara de Campinas, às 18:6 da tarde acontece a 16ª reunião ordinária no plenário. Tem votação de projetos, entre eles o que trata do plano de cargos, carreiras, vencimentos do CPREVE e o que prorroga o prazo para pedidos de reabilitação de edificações no centro da cidade. Você acompanha tudo que acontece na Câmara de Campinas aqui pela TV Câmara Campinas, também pela o canal da TV Câmara Campinas no YouTube. Você pode participar presencialmente, tá, no plenário, eh, lá na Câmara de Campinas. É só chegar lá, você é muito bem atendidos, portas abertas, você é nosso convidado especial. Tá bom? Agora vamos com a previsão do tempo para hoje. Semana começando, estamos no outono brasileiro e aí nós temos hoje um dia de sol, né? Olha só, sol lindo, céu azul de brigadeiro, dia de sol e nuvens à tarde, mas nada significativo, tá? Mínima 18, máxima 30º. Muito calor. Vamos hidratar e vamos simbora que a semana só está começando. Vamos lá, gente. Vale a pena a gente tocar em um ponto muito importante quando a gente fala dessa nova legislação do ECA digital. O ECA Digital, ele não substitui o Estatuto da Criança e do Adolescente, ele atualiza a proteção para o ambiente virtual, onde hoje a gente sabe que acontecem desde interações sociais até riscos graves, né, como exposição precoce, o vício digital e crimes online. E é nesse cenário que surge a pergunta central do programa hoje. Proteger nossas crianças e adolescentes nesse novo mundo digital. Como a gente faz isso? A responsabilidade é de quem? como a gente deve fazer isso dentro de casa. Então, vamos entender os impactos disso eh na questão psicológica e também nessa questão jurídica. Vamos apresentar os nossos convidados. A gente recebe com muita satisfação a Emily Dias. Ela é psicanalista, vai conversar com a gente sobre o impacto na saúde mental eh das famílias, das crianças e dos adolescentes e a importância desse ECA digital. Então, seja muito bem-vinda, Emily. Muito bom dia para você. Muito bom dia, muito obrigada. É uma honra estar aqui com vocês nessa manhã para est falando sobre um tema tão importante e que eu vejo tanto na clínica, né, é rotineiro, é no dia a dia e proteger e levar essa orientação paraas famílias para que nós possamos ter um futuro maravilhoso aí para essas crianças que estão vindo, para esses adolescentes também. Muito obrigada. a gente que agradece e a gente recebe também com muita satisfação advogado Rodrigo ele já participou com a gente aqui no estúdio Câmara, já participou no ponto de vista, doutor sempre nos orientando, né, doutor, seja muito bem-vindo. Bom dia, obrigada pela sua presença. Bom dia. Eu que agradeço mais uma vez estar aqui com vocês para contribuir, tirar as dúvidas, explicar, acabar com algumas fake news a respeito dessa dessa lei, uma lei muito atual e muito importante aí no desenvolvimento das crianças nesse mundo digital. Excelente. E você que tá em casa, convida o pessoal para assistir. É muito importante paraas famílias, né? Pros cuidadores, os pais, os responsáveis, para que a gente também entenda e aprenda como nós devemos lidar eh dentro de casa, porque tudo começa dentro de casa. E aí às vezes a gente acha que os nossos filhos eles estão bem quando eles estão dentro de casa, quando eles estão no quarto, quando eles estão na sala diante de uma tela. Mas aí está um grande problema e a gente precisa entender paraa gente tomar as atitudes coerentes, né? Então eu pergunto primeiro pro Dr. Rodrigo na sua avaliação, doutora, quais as mudanças legislativas ou regulatórias que são mais urgentes para garantir uma proteção efetiva de crianças e adolescentes no ambiente digital aqui no Brasil? Essa questão do ECA digital, ela realmente veio para poder frear um pouquinho dessa eh essa abertura que a internet tem nos proporcionado e, infelizmente, também proporcionado às nossas crianças e adolescentes que às vezes os pais não conseguem, né, segurar essa turminha diante de tanta informação. Não, sem dúvida nenhuma, né? Eu acho que o ECA digital ele vem eh seguida de uma série de outras normas da legislação brasileira voltada para regular esse mundo digital, né? Eu acho que talvez o ECA, o principal objetivo dele é demonstrar que a internet não é uma terra sem lei também para as crianças. E acho que o mais importante nesse ponto de vista da proteção das crianças é que o ECA Digital que complementa, né, a a o Estatuto da Criança e Adolescente Tradicional lá da década de 90, é no sentido de que quem pode e quem deve agir, antigamente a gente falava que era só eram só os pais, né? Hoje não. Hoje o ECA Digital ele começa a criar outras instituições, outros órgãos que vão poder também atuar de forma mais eficaz na defesa dos interesses dessa criança. Depende de regulamentação, sim, mas já começou um movimento muito importante para formar todo um aparato para proteção das nossas crianças. Muito bom. Agora vamos paraa parte psicológica do assunto. Emily, essa entrega infinita de conteúdo das redes sociais, a gente já sabe, já falamos aqui, impacta o sono, a tensão escolar, os controles eh obrigatórios previstos na lei. Eu gostaria que você explicasse pra gente, né? O ECA digital tá aí, nós temos eh eh a a proteção da criança e do adolescente, aí tem o ECA digital. Vamos lá. Será que esses controles que são obrigatórios estão previstos na lei, eles podem reduzir esse ciclo de dependência? Porque se a gente para para analisar, é um ciclo de dependência que está acontecendo com as crianças e os adolescentes. Mas isso acontece lá dentro de casa, a partir do momento em que nós oferecemos a eles um aparelho, né? Seja um celular, um tablet, enfim, um aparelho que está conectado na internet. Então, qual que é a sua avaliação? A lei mesmo, ela pode reduzir esse ciclo ou a gente precisa de um olhar mais atento? Eh, a lei ela pode ajudar sim, tanto porque chegou, né, nesse caso de se tornar uma lei, né, de se discutir exatamente pelo pelo uso demasiado das telas, né? Então, consegue sim auxiliar, mas cabe também aos pais fazerem esse controle, porque eh nós percebemos, né, uma rotina na casa aí de muitos brasileiros, aonde os pais não estão presentes e suas crianças e adolescentes ficam a mercata digitais e de redes sociais que muitas das vezes eh tem ali muitos conteúdos dos impróprios paraa idade, colocando aí eh muitas questões como o abuso sexual, o abuso virtual, né, o estupro virtual que ocorre, eh a divulgação de dados dessas crianças, né, desses menores. E é um local muito hostil, então o bullying está muito presente. a criança e o adolescente que já chega nessas plataformas, é a uma questão também de rede social, já é um adolescente, já é uma criança mais introvertida, já tem uma dificuldade de interação social. Então isso acaba eh aumentando essa questão e por ser um local muito hostil, esse bullying que já se encontra nos ambientes como escola, no nos ambientes que essa criança, que esse adolescente convive, no nas plataformas digitais, na rede social, ela aumenta muito e não tem um supervisionamento naquele naquele ambiente. Não tem, tem adultos, tem crianças de 8, 9, 10 anos, de 15, 18, pessoas de 30, né? Então é um ambiente, na verdade muito perigoso, né? E que precisa de um olhar atento. Doutor, eh como que vai funcionar o ECA digital, né? eh eh quais assim os principais pontos que o doutor gostaria de de eh nos explicar, de colocar pra gente aqui no seu ponto de vista, que vai assim eh realmente trazer benefício, realmente fazer algum tipo de mudança? Olha, eu acho que o principal benefício do ECA digital e é o que está acontecendo aqui nesse momento, que é uma forma que trazer pra sociedade, ele entra dentro da casa das pessoas, como foi recentemente a Lei Geral de Proteção de Dados, que ninguém antes se importava muito com a questão da proteção dos dados pessoais na internet. O ECA digital ele traz uma discussão para dentro de casa a respeito eh dos perigos da internet, né? Eh, mas na prática acho que a principal mudança que o ECEA digital traz é tirar das costas da família todo o peso que o ECA tradicional da década de 90 colocava. Obviamente que são cenários totalmente diferentes, né? Porque nesses quase 36 anos mudou bastante coisa. Mas o que acontece? Hoje é muito evidente que a obrigação de zelar pela saúde e pela proteção dessas crianças não é só da família, é da família, da sociedade e também das plataformas digitais. Hoje não existe dúvida, né, com ECA Digital, que essas plataformas digitais elas vão ter que trazer mecanismos muito mais concretos para que as crianças sejam protegidas, né? Eu acho que talvez eh o principal eh melhoramento, digamos assim, eh do ECA Digital é esse. Obviamente que ele cria outros órgãos, eles cria outras ferramentas, mas do meu ponto de vista é esse. A família hoje ela é muito, ela deve exercer, obviamente que ela deve exercer sua função fiscalizadora, mas como que uma família vai brigar com Facebook, por exemplo, com o YouTube? É praticamente impossível. Então, acho que essa é a principal eh melhoria da lei. Excelente, né? Até porque a gente percebe que eh o facial, né? Vai ter o reconhecimento facial. Antes não, você para para você ter acesso lá, vamos colocar uma rede social, era só colocar a sua idade, mas aí você pode colocar qualquer idade, não tem como, não tem restrição, né? Você coloca a idade, claro que vai colocar lá a maior de 18 anos e foi, já tá lá, já criou, né, o seu perfil. E agora pelo ECA digital, se eu não me engano, tem eh o reconhecimento facial. Então, a criança ou adolescente, gente, eles são eh eh eles querem saber, eles são super curiosos e tá aí e está acessível, né? Então, vou lá, vou criar uma página, vou colocar que eu tenho 18 anos, mas eu tenho 14, mas eu quero entrar porque meu amigo tem, eu também quero ter. É assim que funciona. Então aí no momento que você vai criar a página, você vai ter que fazer o reconhecimento facial. Automaticamente vai reconhecer que a é uma criança aí que não está eh eh de acordo com as regras para se ter aquele tipo de rede social. Então, acho que isso já é algo assim bem importante e interessante, né, doutor? Não, sem dúvida. essa questão da do reconhecimento facial é até muito legal vocês já tocar nesse ponto, porque nós já podemos aqui verificar a questão da responsabilidade de cada um que atua eh nesse cenário. Uhum. Eh, é bom esclarecer que a questão não é obrigatório reconhecimento facial, o que é obrigatório é que as plataformas consigam categoricamente demonstrar e provar a idade que aquela pessoa que está acessando tem, né? Uma das formas, de fato, é o reconhecimento facial. Eh, o exemplo mais clássico é que a gente sabe, sites de conteúdo adulto, conteúdo pornográfico, bastava você clicar no botão, falar: "Não, eu tenho mais de 18 anos" e as crianças todas acessavam. Agora, o que a gente sabe que acontece muito é que os próprios pais permitem que crianças criem contas falando que tem determinada idade, né? Então é muito comum, por exemplo, ah, meu filho quer ter acesso ao Instagram, por exemplo, e o Instagram já tinha a limitação de 13 anos de idade, agora aumentou. Então, o pai concordava em colocar uma idade maior. Uhum. Hum. Então aí a gente já vê, tudo bem, a plataforma criou uma ferramenta limitadora de acesso, mas se o próprio pai ou a mãe, né, os genitores, enfim, a família não colaborar com essa com essas novas regras, o ECA digital não vai ter a eficácia necessária. Exato. Então eu acho que é extremamente importante, né, para jogos. Existem muitas, muito conteúdo de de jogo de azar nessas plataformas de jogos. É importante sim fazer uma verificação e uma verificação muito eficaz. Só falar que tem 18 anos não adianta nada. Exatamente. Emily, por gentileza, pode completar a questão aí da saúde mental, né? Onde é que entra a saúde mental nisso tudo? A importância de tudo estar alinhado e também eh da gente ter conhecimento, de ter a informação, né? O doutor acaba de dizer aqui que assim a os pais eles precisam ter eh eh a a coerência, né? o entendimento e e entender o mal que isso pode trazer pro filho ao momento que concorda que uma criança eh de uma menor idade possa acessar um conteúdo que não é para ela, não é específico para ela, né? E se não é para ela, é porque não faz bem para ela, né? Mais ou menos isso. Com certeza. Com certeza. Pode colocar a idade lá que é maior, mas não vai fugir das questões emocionais que existem, né? Eh, os vídeos que hoje nós vemos no Instagram, YouTube, né? Vídeos curtos, por exemplo, as crianças, eh, dificilmente crianças atualmente assistem filmes que têm um tempo prolongado. Eles assistem muitos vídeos curtos, né? Porque ali são o que eu chamo de conteúdos dopaminérgicos, né? Porque ali tem um uma recompensa, né? tem ali a dopamina e quando tira a tela, quando cai essa dopamina, vem ali como se fosse uma crise de abstinência. A criança tem uma crise existencial, uma crise emocional, né? Eh, os jogos também t esse mesmo condicionamento do comportamento, aonde tem eh só mais uma partida, mais um ganho. Pera aí, mais um pouquinho. Quando vejas passaram horas, né? Isso não é saudável paraa criança, eh, nem pro adolescente por questões fisiológicas, porque nesse período eh os adolescentes e as crianças estão no auge ali do seu desenvolvimento cerebral, né? tá acontecendo ali muitas sinapses, está acontecendo muita, muitas partes importantes, né, conexões neuronais importantes pro desenvolvimento cognitivo, né, de aprendizado da criança e do adolescente. Então, quando isso é interrompido por essa vasta informação, né, por esses conteúdos dopaminérgicos, né, ou que também colocam na questão do cortisol, né, tudo muito rápido, né, como se a criança tivesse em estresse. Isso vai ter um resultado mais pra frente, que é que nós, na verdade, já estamos percebendo nas crianças, que é uma criança mais agitada, uma criança mais irritada, com baixa tolerância à frustração, mais agressiva também. É impressionante essa baixa tolerância, a frustração, a falta de paciência. Na verdade, a falta de paciência tá em todos nós, né? A gente tá vivendo um mundo muito corrido, a tecnologia avançando e quando você pensa que você domina um assunto, aí já vem outro e já vem outro e quase não dá muito tempo para você estudar uma coisa porque já tem outra nova e aí a gente acaba meio que se perdendo e a prioridade é a informação, a gente precisa entender e o ECA digital vem e é interessante, né, doutor, que os pais possam eh eh abrir todo esse esse material, ler todo esse material, entender todo esse material para que possa colocar em prática Isso referente às empresas, já existe já um um sistema de fiscalização, porque aí como é que vai funcionar, doutor, essa essa questão de fiscalizar, né, e as plataformas? É bem amplo, né? É, de fato, é bem amplo. E a gente tem que entender que o ECA digital ele é um quadro, né? E esse quadro ainda está sendo pintado, né? É uma moldura, né? onde estabelecem regras, mas eh toda essa parte de implementação, a gente diz, né, que nós estamos na fase mais complexa agora de implementação do ECA Digital. Nós sabemos que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados vai ser encarregada de uma série de fiscalizações também como a o comitê gestor da internet no Brasil. Uhum. De fato, também eh estipulou que a Polícia Federal vai ser vai criar um órgão da Polícia Federal eh responsável por receber todas as informações relacionadas a crimes sexuais envolvendo a internet e menores de idade. Eh, então assim, toda essa fiscalização, como vai ser feita essa fiscalização, como vai ser feito essa gestão das empresas, né? Eh, ainda está sendo discutido, né? Eh, como eu disse, já existem empresas que estão se adequando, né? Eu eu tenho filhos, né? Então, eu já vi meus filhos recebendo as fake news falando que não vai ter mais o jogo A, mais o jogo B. Não é isso. É um é um momento que muitas empresas estão se adequando às regras já existentes, que praticamente o que é esse meu programa, esse meu conteúdo, ele está adequado para qual idade? Uhum. Então você já pode ver que muitas crianças falam assim: "Ah, agora eu não tenho mais acesso ao aplicativo A, B, C, D por causa disso, porque empresas já estão começando a fazer essa adequação. A fiscalização vai ser num segundo momento. E na verdade toda a lei é assim. A lei passa por um processo de adaptação e de implementação, né? Mas basicamente é isso. A gente, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, Comitê Gestor da Internet e Polícia Federal são os principais e o Ministério Público, lógico, que sempre faz a garantia dos direitos das crianças adolescentes, vão estar aí fiscalizando essas implementações. Na sua visão jurídica, né, a sua avaliação, eh, esse momento representa um marco? Era preciso isso? Precisa de muito mais? Qual que é o peso disso? Não, sem sombra de dúvida, isso é um marco e isso é extremamente importante, né? Eh, como eu disse, nós estamos caminhando, né, o Brasil está caminhando numa série de leis para regulamentar a internet no Brasil. Nósemos o marco civil da internet, nós tivemos a Lei Geral de Proteção de Dados, nós tivemos também a lei que que antecedeu essa que fala sobre o cyber bullying, extremamente importante. E agora uma lei complementar ao eh Estatuto da Criança e Adolescente para regulamentar essa realidade. As crianças estão, crianças adolescentes estão na internet, né? Agora, se precisa de mais, sem sombra de dúvida precisa de mais. Não tenho dúvida nenhuma que daqui a pouco a gente vai ter que ter o Estatuto do Idoso Digital, que também é outro, eh, são outras pessoas muito suscetíveis a ataques na internet. Eh, a questão da educação digital, ela tem que abranger toda a camada da sociedade. Quando a gente fala para crianças, a educação digital tem que ser uma, para adolescente tem que ser outra, para adultos, porque na verdade nós somos de uma época onde a gente viveu o analógico e o digital. Então, nós temos concepções muito distintas dessas crianças. O que é previa, o que é intimidade, o que que eu posso, o que que eu não posso. Essas crianças já nascem postando fotos na internet. Hum. Então a educação digital ela vai ter que abranger todas essas essas pessoas da sociedade. Então muito mais vai ter que ter sim, sem sombra de dúvida. Atualização constante, né, doutor? Constante. Até para mim que atuo já há tanto tempo com essa parte digital, cada dia, né, eu eu sou pego com uma uma invenção nova. Agora o nosso desafio é a inteligência artificial e toda a repercussão que ela tá causando. Exatamente. Quando a gente fala do ECA digital, acho que é importante a gente pontuar também a questão, né, da inteligência artificial, a importância disso tudo, que a inteligência artificial ela é muito boa, auxilia demais, mas é aquele negócio, né, eh, você usar isso para o seu trabalho, para te ajudar, para otimizar seu tempo. OK. Agora tem gente, claro que tem, sempre terá pessoas que vão utilizar isso, né, pro mal. E no caso das crianças e adolescentes são vítimas que estão vulneráveis em um mundo online que às vezes a gente perde a noção da dimensão, né, Emily? Com certeza. eh a inteligência artificial, indo para esse lado, né, da questão da maldade, aonde pessoas utilizam a inteligência artificial para se colocarem ali imagens de pessoas que não são para ter amizade com essas crianças, com esses adolescentes. Mas também podemos ver um outro lado, é que a maioria das crianças e dos adolescentes já tem uma inteligência artificial como se fossem amigos. É, isso é muito importante a gente falar, porque eh hoje em dia as crianças têm uma dificuldade, os adolescentes também, eh uma dificuldade de se interagirem, de terem amizade, de perguntarem, irem num em um local, olá, tudo bem? Eh, quer brincar comigo? Vamos, né? Não tem essa interação que antes se tinha, né, da pessoa até se apresentar. Isso também aumentou muito após a pandemia, né, nesses últimos c se anos. aumentou muito, né, por conta que, infelizmente, tiveram que ficar em casa e aí também eh houve um maior isolamento social também. Eh, mas uma uma parte muito importante que eu queria dizer que a tela, na verdade, ela tá sendo introduzida nos primeiros momentos de vida. Isso. Eh, antes a mãe eh amamentava o seu bebê e dava uma atenção, né? tinha aquele vínculo e é muito importante esse momento da amamentação, do vínculo mamãe e bebê. Sim. E hoje tá sendo deixado esse olhar, esse vínculo para quando se amamenta para uma tela. Oxe. Então já está havendo isso às vezes numa numa distração. Então a amamentação, que é algo tão importante de vínculo, que ali é onde a criança começa a ter os seus primeiros momentos e sentimentos de amor e se e que isso vai definir algo muito importante, né, no decorrer de sua vida. tá deixando de ser vínculo para ser só alimento, né? Então a gente já percebe um vazio, uma falta de presença até materna nesse nesse momento que é tão importante pra vida de um ser humano. Olha só, interessante. E às vezes é inconsciente, né? É é um movimento natural, se tornou um movimento natural dos nossos dias, dos nossos momentos. E aí você tocando nesse ponto, eh eh até onde nós estamos indo, né? É, é interessante a gente falar sobre isso. Agora, plataformas digitais, gente, eh obrigação, né? A gente precisa entender. O ECA tá aí, o ECA Digital também. É importante essa atualização. Agora o doutor falou da questão do cyber bullying, né? E a Emily também tocou nessa questão do do cyber bullying. Eu gostaria de saber de você, eh, Emily, o cyber bullying tem efeitos diferentes do bullying tradicional? E, eh, quais são as consequências assim e e a diferença de um pro outro na questão eh eh da reação mesmo, né, do psicológico, tá? Eh, eu diria que não tem uma diferença tão grande, porque os dois é traumáticos iguais, tá? Mas eu percebo que na na internet, nessas plataformas digitais, quando, né, realmente quando não há o supervisionamento, agora a gente espera que depois do ECA digital isso melhore, claro, né, mas por não ter um uma supervisão e muit das vezes as crianças se encontrarem sozinhas, os efeitos são mais trágicos, né? a gente já soube a inclusive tanto no exterior quanto no Brasil de casos de suicídio, né? Então isso acaba sendo muito muito forte porque está muito já é um um uma parte da sociedade que é vulnerável, né? tanto a criança, o adolescente, o idoso já são partes da nossa sociedade que são vulneráveis, inclusive mentalmente, porque tá acontecendo ali o amadurecimento do córtex parafrontal, então ali eles não conseguem filtrar esses conteúdos, né? Então isso é muito importante e os efeitos são muito drásticos porque colocam eles em situações que muit das vezes eles não conseguem sair sozinhos. Um deles que é um dos maiores é de casos de abuso sexual. na internet. Uhum. Esse é um do dos que mais tem eh realmente que é muito difícil, né, para pra realidade da família, para para aquele sujeito que está ali, né, nesse momento de vulnerabilidade. É muito difícil e doloroso. É bem amplo o caso, né? E e bem preocupante. Mas que bom que as coisas vão se moldando, né? E aí a gente chegou no ECA digital. Vamos lá, vamos fazer valer a lei agora. Essa lei ela proíbe publicidade direcionada para menores. Vamos lá, doutor. Na prática, o que deve eh desaparecer das telas das crianças? Como é que qual que como é que vai funcionar? Publicidades direcionadas para menores. E aí, como é que funciona isso? Eh, essa é uma parte muito complexa do ECA digital, né? a gente tem que entender como que funciona os bastidores eh dessas redes sociais. Os bastidores são algoritmos, né? E esses algoritmos eles, o que que essas empresas querem? Essas empresas querem que todos nós, não só as crianças, mas todos nós, fiquemos cada vez mais na plataforma. Sim. Então, né, o Facebook não quer que eu saia do Facebook, ele quer que eu faça tudo naquele Facebook. Então, eu posso comprar, posso conversar, posso ver foto, posso fazer tudo. Quando a gente fala de publicidade, né, direcionada à criança, o que que acontece? Eles querem evitar uma coisa que a gente chama de o buraco do coelho numa numa analogia a Alice no País das Maravilhas, né? O que que acontece? Quando você começa a direcionar certas publicidades para as crianças, elas começam a entrar em caminhos da internet que talvez não sejam para elas, né? Então, por exemplo, eh muita publicidade de jogo, quando a gente eh jogos, né? Então, diversos jogos, é muito provável que acabe chegando no momento que vai chegar num jogo de azar, o mais popular aqui no Brasil, tigrinhos, né? A gente conhece. Eh, então o que que eles dão? Eles querem, eles querem parar com essa eh publicidade totalmente direcionada para que seja feito uma publicidade mais ampla de acordo com, como que eu posso dizer, com o contexto geral, não para uma criança. Eh, antigamente era muito comum a gente ver publicidade de brinquedos infantis, então você criava todo um cenário e a criança via tudo aquilo lá e ela ficava totalmente atraída por aquele brinquedo. Daí quando ia ver o brinquedo não era nada daquilo. É normal a gente fazer adequações publicitárias de acordo com a capacidade cognitiva da criança. Então a gente não pode criar publicidade, algoritmos que direcionem a criança para um determinado caminho, né? Eh, é basicamente isso, mas isso é extremamente complexo. Isso é um dos assuntos que depende de regulamentação. Essa regulamentação ainda não tenho certeza se será feito pela Autoridade Nacional ou pela Comissão de Gestão da Internet, mas vai ser feita uma regulamentação dizendo como que vão ser feitas essas publicidades da nas redes sociais. Excelente, né? Porque os algoritmos é algo que nos prende, né, na rede. Agora você imagina as crianças, não é, Emily? crianças e adolescentes eh clicando, clicando, curtindo, curtindo e o algoritmo entregando, entregando. E aí de repente acaba chegando em um ponto que não tem mais volta. Por quê? Porque de repente já tá lá dentro de um jogo, né? Um jogo que não é permitido, um jogo de azar e vai entrando, vai entrando, vai entrando. Faz como daí, né? É algo muito preocupante e que que bom que tá acontecendo e tomara que essa questão dos algoritmos relacionados às crianças dê certo, porque esses vídeos curtos, essa dopamina barata, é o que está levando aí os nossos nossas crianças jovens e adolescentes cada vez mais pro isolamento. Com certeza. E você falando aí, o doutor também falando eh dessa dessa compra de jogos, inclusive falando aqui, né, que eu já vi muito muitos casos, né, aonde a criança foi estourando o cartão do pai e da mãeade. Verdade. Por conta disso. E realmente chegou até as casas de aposta, né? Eh, e aí quando chega nesse ponto, é onde os pais eles despertam e vê, né, o nível que chegou. E aí acaba acontecendo uma uma tirada brusca desse desse dispositivo, né, eletrônico, porque aí não sabe tirar de forma demana, né? Claro que atualmente as crianças já estão com o celular, né? Elas já nascem com o celular. Então não tem como hoje nós tirarmos isso da realidade, diferente das gerações anteriores, né? Mas claro que nós podemos colocar limites e eu acho que isso é algo muito importante, colocar o que eu chamo de zonas sem tela. Uhum. Então, na refeição, a refeição é feita à mesa. Um exemplo, a refeição é feita à mesa, não tem TV ligada, não tem celular, não tem tablet, não tem jogo. nos finais de semana, colocar horas também, né, períodos para que essa criança e adolescente possa utilizar depois disso, procurar alguma outra coisa para fazer, porque além de tudo isso, tem uma coisa muito importante que é o ósse criativo, que as crianças e os adolescentes não estão tendo, né, que é lidar com esse tédio, saber lidar com esse ósseo criativo. Vou até relembrar um pouquinho do desenho do Divertidamente dois, que tem o tédio, que inclusive o Tdio tá onde? No celular, ele tá o tempo todo ali no celular deitado, né? num desenho já mostra isso. Então, se a gente for pegar, dá para perceber esses pequenos sinais e detalhes aí e dá para tirar de uma forma progressiva, de uma forma suave, para trazer também um bem-estar para essa família, para essa criança. É, quando você fala tirar de uma forma progressiva, com tranquilidade, é importante a gente salientar que também nós falamos, né, sobre essa questão do vício, gente. É, ah, é, é uma palavra estranha para falar de uma criança ou um adolescente, vício, né? Mas é uma dependência digital. E se você tira de forma abrupta, essa criança ela vai sofrer, essa criança ela vai ter reações que a gente viu eh naquele jogo Roblox lá, até fizemos um programa falando sobre isso, de algumas reações de crianças que foram expostas na internet. Olha só também, né? As reações sendo expostas na internet pelos pais, né? Os pais mostraram a reação da criança. Qual que é o ponto, entre aspas, bom disso? É que a gente viu que aquilo não é birra, é que nós vimos que aquilo é resultado de uma dependência digital. E isso pode, essas reações podem acontecer agora com a implantação do ECA digital. Por quê? Porque algumas plataformas vão restringir o acesso, né, doutor? E aí a gente tem que ver todos os lados e também a orientação que a gente vai oferecer paraos nossos filhos mediante a essa restrição. Não, sem dúvida. E, e eu faço coro aqui o que a Emily estava falando no seguinte sentido. É engraçado a gente pensar que existe no direito trabalhista, né, fazendo um paralelo aqui, o direito à desconexão do trabalhador, né, que ele não pode ficar conectado o tempo todo, ele tem que ter uma folga do trabalho, é o direito da desconexão. E isso é extremamente importante, né, principalmente paraa criança, né? O que que acontece? Eh, como eu disse, né, eu tenho eu tenho filhos, né? Sim. E às vezes nessa vida corrida, nossa, eu quando eu estou levando meus filhos pra escola, o meu filho adolescente, né, o Eduardo, ele ele quer ficar mexendo no celular. Eu falei assim: "Não, para um pouco, vamos ficar esses 20 minutos, pelo menos, que a gente tá no carro aqui conversando e tudo mais." Eh, é extremamente importante esse esse criativo, né? Agora, eh, a verdade é que a internet é um facilitador de muitas coisas, mas ela não é um substituto pra vida real. É verdade. O que que acontece também é o seguinte, a gente, como foi dito, a gente precisa educar, né? Eh, a gente falou de cyber bullying aqui, eu vou também falar rapidamente uma coisa sobre cyber bullying. Eh, para mim, qual que é a grande diferença do bullying pro cyber bullying? Antigamente, né, eu que sou dos anos 80 e 90, a gente sofria bullying o tempo todo na escola. Só que existia um grande diferencial. Aquele bullying quando que acontecia na escola, quando você ia brincar na rua, ele não ia junto com a rua. pra rua. Hoje o cyber bullying ele acontece de forma sistemática a todo momento. Então, a qualquer momento a criança recebe uma mensagem no WhatsApp, recebe um, então isso é um constante, né, eh eh abuso dessa criança. Então, mais uma vez, por que que é tão importante desconectar? Fica livre daquilo, né? A gente não precisa ficar vendo todos os comentários que são feitos. Eh, né? A gente, a gente sabe, às vezes as crianças querem postar um vídeo no YouTube, para que mostrar o rosto no YouTube? Por quê? Porque a gente não sabe qual vai ser a reação daquelas pessoas de má índole e vai postar um comentário negativo da criança. Então, eh, é absolutamente necessário e saudável para as crianças, né? Eu tô aqui invadindo um pouco a seara da Emily, mas a gente vê isso na prática, né? Eh, nós conhecemos muitas, muitos casos absurdos onde, eh, crianças usam inteligência artificial para pegar o rosto da coleguinha, do coleguinha e colocar num corpo nu e divulgar essas fotos, né? Como que como que eles conseguem fazer isso, né? Como que eles fazem isso? Tira essa criatividade nociva e vai fazer outras coisas, vai fazer outras atividades, né? Desce, né, pro playground do prédio para brincar. Acho que isso é incentivar isso é é o mais importante, né? Essa é a maior preocupação. Agora, com relação ao tempo, eh a gente volta àela obrigação dos pais, né? Eh, existem inúmeras ferramentas, né? Eh, que você pode controlar o tempo que as crianças ficam nos eh nos aparelhos. Uhum. Hoje é muito mais fácil fazer isso através dos celulares. Então, por exemplo, meus filhos, eh, eu brinco com eles, né? você a sorte e o azar de ter um pai que conhece dessas coisas, mas então ele eu permito que eles tenham 3 horas por dia de aparelho. Acabou, acabou. Eles têm que também saber fazer a gestão dessas 3 horas, né? Eh, senão eles vão ficar aquilo lá o tempo todo, né? Então essa é uma das obrigações que o ECA digital não tirou das famílias. Uhum. A família, ela é a primeira combatente dessa dependência digital. Uhum. Obviamente que depois em seguida vem das plataformas. As plataformas não podem criar mecanismos de ficar tanto tempo cativando as crianças. Então, eh, compete, né, a aos pais seguirem a orientação da das áreas da saúde, que sabem muito bem avaliar isso, de quanto tempo é mais indicado para as crianças ficarem utilizando os aplicativos. Excelente o óscio, né? Criativo, né? Vamos passear no zoológico, né? Vamos fazer um acampamento. Vamos, nossa, fazer uma uma comida, vai todo mundo pra cozinha. Cozinha hoje é um lugar tão, um ambiente tão gostoso, né? De reunião da família. Então, de repente, essa essa questão aí do ECA digital, todas essas informações que a gente tá repassando para você aqui, seja importante para de repente a gente retroceder para algo que está fazendo falta, né, na vida das nossas crianças, dos nossos adolescentes, que é viver a vida aqui agora real, né? Sair do digital e vir com os pezinhos no chão, né? Andar descalço, eh, brincar na terra. Quanto tempo? Tem gente, tem criança que não sabe nem o que que é, né? Brincar na terra, fazer um bolinho de terra. Então, né? Meu Deus do céu, eu fui nessa época, né? Então, assim, eh eh faz parte da infância, faz parte. E isso são memórias que que você vai levar pra vida, né? E aí você vai levar pra vida o quê? Se você fica lá o tempo todo, né, no digital, nos algoritmos, que que você vai contar depois quando você crescer? a mãe e o pai precisa ter um olhar, né, eh, mais aguçado para esse adulto, essa criança que vai se tornar um adulto, como é que ele vai ser depois se ele continuar nesse mundo fechado dentro do quarto e na rede social, no mundo digital. Qual que é a perspectiva de vida dessa criança, né? Eh, eh, qual que é a expectativa, o que a gente espera de uma criança assim na sua visão psicológica? a gente pode tá impactando o crescimento desse ser, né? Sim, com certeza. Eh, de todas essas questões, né, que nós falamos aqui, existe um nome para tudo isso chamado burnout digital. Uhum. Que tem estado aí na vida dessas crianças e adolescentes, né? Então, quando existe essa crise existencial, como foi dito da questão do Roblox, quando existe essa crise emocional, essa agressividade, né, todas essas questões fisiológicas, né, que já estão aparecendo no corpo, que já tá se mostrando, tá sendo evidente. Isso já mostra para nós um sinal de alerta de que há uma dependência, há um vício, né? Eh, então isso é muito importante. E esse burnout digital, uma das questões é a falta de interesse pelo mundo real. Exato. Então, se a criança ela tem uma falta de interesse pelo mundo real, ela não vai mais querer, a menina não vai mais querer brincar de boneca, de poli, de Barbie, não vai querer construir o castelo de areia, não vai querer ir lá no zoológico, não vai mais achar isso interessante, né? para eles não é interessante, porque não tem esse condicionamento comportamental que há nos jogos e nas plataformas, que é recompensa lá não vai ter isso, né? Então isso é muito importante, um ponto muito muito eh focal assim na questão que hoje a gente vê nas crianças, nos adolescentes, que é tudo uma recompensa, que é tudo um combinado, né? A gente vê muito isso e antigamente as crianças não eram dessa, não agiam dessa maneira, né? Eh, então, de forma assim neurológica, a gente percebe eh, nas funções executivas, né, em crianças, né, quando tem ali desde o início da vida um um já a rotina com a tela pode até ter até o atraso na fala, né? Então isso é muito importante, a disciplina, a resiliência. Então, dificilmente as crianças vão querer algo que é um pouco mais difícil. funções básicas que hoje a gente vê assim no consultório, né, da da psicanálise, da psicologia, que são algo tão simples. Ah, ligar alguma questão com cor, com tamanhos, as crianças já demonstram uma dificuldade em relação a isso. Então assim, eu acho que o ECA digital ele traz algo muito importante que é estamos, né, essa geração que a geração alfa e posteriormente a Beta, que serão filhos deles, né, são as crianças mais superestimuladas e as menos reguladas emocionalmente. Acho que isso é a principal parte, assim que a gente deve ter uma atenção, né? E cabe também o pai e a mãe sair também dos seus dispositivos eletrônicos, porque a criança ela vê os pais como espelho. Então aquilo que você fizer aí dentro da sua casa, na sua rotina, a tua criança vai te imitar e vai ver você como um exemplo. Então é bom que seja literalmente um bom exemplo para essa criança e para esse adolescente também. Excelente. É isso mesmo. Agora faltando 10 paraas 9. Produção me falando aqui, temos algumas perguntas. Vamos lá, então. Pode colocar na tela pra gente, por gentileza. Nós estamos ao vivo aqui na TV Câmara Campinas, estúdio Câmara, hoje com os nossos convidados falando sobre ECA digital e a participação de você que tá em casa. Muito obrigada. Bom dia, viu? Renata Alves do Flamboian. Muitos pais trabalham o dia todo e não conseguem acompanhar tudo. O que seria um controle possível e realista para famílias que têm rotina corrida? E agora, doutor? Olha, eh, essa é uma realidade muito complexa, muito difícil. Eh, o que que acontece? Hoje existem ferramentas, né? Eh, eu vou citar só uma aqui a título de exemplo. O Android tem uma ferramenta chamado Family Link. E e esse Family Link, ele permite que os pais controlem como a criança está utilizando o celular, por exemplo. Então ele consegue eh estipular a quantidade de horas disponível para aquela criança eh de acesso, quais aplicativos ela tem acesso, quais conteúdos ela tem acesso. Isso já é um início, né? Então, obviamente que eh existem outras ferramentas, se for iPhone, existem ferramentas semelhantes. Então, e o pai consegue controlar isso à distância. Então, vou novamente citar meus filhos aqui como exemplo. Eh, vira e mexe meu filho ou minha filha quer instalar um programa, um aplicativo no celular, eu recebo um aviso de como que ele está querendo eh acessar aquilo lá, se eu permito ou não permito, né? Tem dúvida? se você não conhece, não permite, né? Eh, então é é ainda uma ferramenta muito simples dentro de tudo. É, mas é um começo. Uhum. Eh, o que a gente não consegue ainda de forma legítima e legal é monitorar conversas de WhatsApp. Existem ferramentas que permitem isso, mas essas ferramentas ainda precisam de uma regulamentação pouco mais elaborada, né? Porque você tem que instalar aplicativos que a gente chama de aplicativos espiões. Então é um pouco mais complexo, mas pelo menos um primeiro passo a gente já deu, que é através desses controles parentais, né, que a gente consegue monitorar as atividades das crianças a distância. Exemente. E precisamos fazer, né? São nossos filhos e a gente precisa saber o que essa turminha tá fazendo, já que a gente tem uma vida muito corrida, né? A gente daí as pessoas, algumas pessoas falam assim: "Ah, mas você tem que ficar aí, né? é espionando o tempo todo. É, é cuidado, né, gente? É cuidado porque o mundo, o momento que estamos vivendo, exige esse tipo de cuidado, né? Então, a gente precisa cuidar. 8:53. Pode colocar mais uma, por favor, produção, na tela pra gente. Vamos lá. Rafaela Freitas do Jardim Proença. O excesso de vídeos curtos e estímulos rápidos pode prejudicar a paciência e a capacidade da concentração das crianças no dia a dia? Olha a paciência, as crianças já não têm mais, né, Emily? Eles estão impacientes, né? O mundo que a gente vive é diferente do mundo das telas. E aí eles acham que o tempo das telas é igual ao tempo do mundo real, né? Sim, sim. E pode sim, eh, prejudicar eh o que a gente fala, na verdade, que vai causar aí uma criança mais irritada, com mais falta aí de concentração e falta de atenção. Porque o que que acontece? Eh, esses vídeos curtos e esses estímulos, na verdade, eh, eles têm conteúdo de autoestímulo e isso super estimula o cérebro da criança. Uhum. E do adolescente, que é um cérebro ainda em desenvolvimento, tá? Que está tendo aí questões neurológicas muito importantes de conexão neuronal, podas neuronais. é um momento ali muito importante pro desenvolvimento cognitivo da criança. E quando tem aí esse excesso de informação para nós que somos adultos, podemos perceber que se ficarmos o dia inteiro eh acessado ao celular, essas redes sociais e, enfim, nós ficaremos no final do dia exaustos mentalmente e fisicamente. Imagina pra criança que ainda está se desenvolvendo, que não consegue ter o mesmo filtro que nós, tá? Então isso é uma questão inclusive fisiológica que acontece e realmente acontece sim no dia a dia e e acaba, infelizmente tendo aí algumas comparações com o autismo e com o TDAH. E às vezes não é, né? Tem que ter bastante cuidado nessa questão do diagnóstico, mas realmente é por questão do excesso da tela. Olha isso, né? até alterações de diagnóstico por conta do excesso de telas, né, doutor? É, eh, se eu posso fazer um uma parte aqui, a gente também tem que entender, né, que esses vídeos curtos eles são apresentados através daqueles algoritmos algoritmos que que eu mencionei. Então, e o que que acontece? A criança acaba entrando numa bolha de informação, né? Então, se ela assistir um vídeo da cor azul, o algoritmo vai entender que ela gosta só da cor azul e ela vai e o algoritmo vai ficar mandando vídeos da cor azul em vários cenários. Isso impede muitas vezes que a criança tenha um contraponto, né? Então ela vai ficar sempre se alimentando daquela mesma informação. Isso forma uma bolha, além de ser absolutamente perigoso por causa daquele buraco do do coelho que eu já mencionei aqui, mas também fica induzindo a criança a mesma informação sempre. E isso é extremamente perigoso quando a gente tá com uma, né, o ECA fala, criança e adolescentes são pessoas em desenvolvimento, né? Então tem que desenvolver tendo várias informações e formando a sua própria convicção e não sendo induzida a ter uma certa convicção. Estimular de forma correta, né? É, com certeza. Muito bom, gente. 8:56. Dá tempo ainda para mais uma, produção? Dá tempo? Se der, pode colocar na tela, por favor. A gente encerra 95. A Juliana eh Ferreira do Ponte Preta, como fica o acesso a conteúdos educativos para menores com essas novas restrições? Boa pergunta, doutor. Olha, eh, conteúdo educativo, ele tem também tem que ser voltado para a faixa etária adequada. Uhum. Na verdade, já existe uma regulamentação bastante antiga, né, de como eh são feitas essas regulamentações de faixa etária, né? Então, quando a gente vai no cinema, a gente vê que aquele filme é adequado para determinada idade. Eh, o que que acontece? eh conteúdo educativo vai não vai ser bloqueado, né? Eu acho que o mais perigoso do conteúdo educativo é que esse conteúdo educativo tem algum respaldo técnico. Hoje é muito comum crianças assistirem youtubers Uhum. E verem a quantidade de seguidores que aqueles youtubers têm. Por mais que seja um conteúdo educativo, eles tomam como verdade absoluta. Não vai ser bloqueado nenhum conteúdo educativo. O que vai ser é verificado a eficácia e a rastreabilidade daquelas informações que estão sendo passadas. Volto a dizer, a lei ainda demanda eh fiscalização. Sim. Mas uma fiscalização primeiro é dos próprios pais. Uhum. Ele tem que saber qual é o conteúdo educativo que a criança tá consumindo. Automaticamente não vai ser bloqueado. Essas plataformas de conteúdo e educativo vão ter que se adequar a essa lei, né, para poder garantir o acesso e não serem bloqueadas e sofrem sofrerem as penalidades que a lei impõe. É, já tava na hora já, né, de de adequações, né, porque tava tudo muito aberto e as nossas crianças não merecem isso, né? criança precisa brincar, precisa ser criança, precisa aproveitar a vida, correr na rua como antes, né? Claro que, né? Vamos lá, entre aspas, ela vai sair correndo assim, mas se você mora em um lugar que você pode brincar na rua com seus amigos, que tem uma segurança, né? Vai fazer isso, né? Mãe, pai, estimula, leva no parque, leva fazer um piquenique, gente, um piquenique, né? Ai, que delícia, né, Emily? a importância disso, né, para as nossas crianças e adolescentes que estão aí eh construindo memórias e sendo moldados, né, para um futuro que não tá tão distante assim. Agora, 8:59, a gente vai pro encerramento, as considerações finais, Emily. Eh, gostaria de agradecer mais uma vez a sua participação, sua presença aqui, as informações, a troca com o doutor. Excelente, um conteúdo assim que a gente precisa eh repassar, porque a informação boa é a informação compartilhada. Então, mais uma vez, muito obrigada. Eu que agradeço e espero ter contribuído aí com vocês, com o pessoal aí de casa também, com todas essas informações. Se quiser deixar uma mensagem aí pra mãe, pro pai, pros cuidadores, né, para quem cuida das nossas crianças. Sim, sim. Gostaria de deixar sim que vocês cuidem, né, daquilo que é mais precioso, né, que para uma mãe com certeza são seus filhos, né? E eu sei que existem muitos pais que estão tentando, né? a gente vê e percebe que existem muitos pais que estão tentando também sobre essa questão da educação. Vai conversar muito com que foi falado, né, nessa última pergunta, vai conversar bastante com a questão psicológica, né, que os conteúdos educativos eles estão ali paraa faixa etária, nunca é a mais ou a menos para aquela criança. Isso também tá sendo é algo tranquilo, não tá sendo restringido. E também existem agora uma novidade que são os contraturnos, que são quando a criança não está numa escola integral, tem aí essa possibilidade de colocar no contraturno, que é um local assim que só tem atividades educativas e psicológicas, exatamente para essa estimulação. Então, eh, cada um fazendo a sua parte, com certeza dá certo. Ah, com certeza vai dar certo, sim. a gente vai ver as nossas crianças voltarem, né, a a ser crianças de verdade, né, Dr. Rodrigo, muito obrigada mais uma vez pela sua contribuição, pela sua participação, por nos ensinar, né, e por trazer pra gente essa importante ferramenta que vem para acho que melhorar eh eh a questão familiar e também o convívio das nossas crianças e adolescentes quando a gente fala da da rede social, desse mundo online. Gratidão, viu? Eu que agradeço mais uma vez estar aqui com vocês. Sempre que eu posso falar sobre educação digital é um prazer porque é algo extremamente necessário, né? O o que eu posso dizer, né, nessa nessa conclusão, usando o seu exemplo da praça, né? Antigamente, quando a criança ia pra praça, o pai sempre estava ali de alguma forma, o pai ou a mãe, observando o que que aquela criança estava fazendo na praça. A realidade é que o mundo digital é uma nova praça muito mais ampla, onde o pai também precisa eh estar ali observando, né? Eu acho que os pais tentam, de fato, muito se esforçam. Eh, a correria do dia a dia às vezes impede, mas o pai precisa entender o mundo que o filho está vivendo. Acho que esse é o primeiro passo. Sem isso, o ECA digital não vai ser tão eficaz, né? é uma lei ainda que está sendo implementada. Ainda existem lacunas que precisam ser preenchidas. Existem muitas fake news envolvendo essa essa lei que não condizem com a realidade. Então, estudar essa lei é muito importante. Eh, se eu posso aqui essa lei tá sendo tão objeto de discussão que nós, né, da Comissão de Direito Digital da OAB aqui de Campinas, na próxima, no começo agora de abril, nós vamos também trazer uma discussão, vai est disponível no YouTube de forma gratuita para quem quiser eh se aprofundar um pouco mais nisso, mas eu acho que a palavra principal em todos os cenários é: nós precisamos entender o que essas crianças estão fazendo na internet. e a partir desse momento querer aprender e querer aplicar o as restrições necessárias de acordo com cada com cada criança. A lei por si só, ela não é maligna, ela é benigna paraa proteção das crianças. Ela precisa ser corretamente aplicada. Exatamente. É isso, gente. Agradecendo aos nossos convidados mais uma vez, a você que tá em casa e que troca, né? aqui, troca de conhecimento, compartilhamento de informações. Quero lembrar que esse programa já tá disponível no YouTube. Aproveita e faz o seguinte, compartilha com a sua família, compartilha com seus amigos. Isso é informação e atualização de leis e garantindo pros nossos nossas crianças e adolescentes o direito de serem crianças, né? Então, que você possa compartilhar essa informação, tá bom? A gente vai encerrando por aqui, agradecendo a sua audiência, a sua companhia. mais uma vez os nossos convidados também. Eu quero te convidar para amanhã a partir das 8 da manhã mais uma edição do nosso estúdio Câmara. E olha só, Dr. Rodrigo até tocou nesse ponto e amanhã é tema do nosso programa. Amanhã eh um alerta que tem preocupado especialistas em saúde pública. A gente vai falar da dependência química em idosos, que já é considerada uma epidemia silenciosa. Gente, olha, é dependência química, dependência digital. A gente precisa falar sobre isso, segundo eh os pesquisadores da USP, com o aumento no consumo de álcool, medicamentos controlados e até drogas ilícitas após os 60 anos, tem o isolamento social, tem a solidão, o uso inadequado de remédios, isso tem impulsionado esse cenário da dependência química pelos idosos, né, muitas vezes invisível dentro das famílias, né? E o que está por trás desse crescimento? Então existem estudos que comprovam essa tendência e como que a gente faz para identificar esses sinais? Será que essa dependência ela começa a partir do momento em que esse idoso ele se vê sozinho e ele vai pra internet, ele vai pro celular e ele fica dependente do celular e essa dependência ativa outra dependência que busca outra dependência e a gente cai na dependência do álcool, das drogas. E aí como fica isso tudo? a gente precisa entender o que que está acontecendo. Então, amanhã aqui no estúdio Câmara nós vamos falar da dependência química entre os idosos, né? As pessoas 60 a mais. Então, não perca, a gente conta com a sua participação, com a sua audiência e sua companhia. Olha, a Íria tá chegando aí com informações da Central de Inteligência Artificial da TV Câmara Campinas. Ela atualiza informações aqui de Campinas, eh, estado, Brasil, mundo. Temos ao meiodia também o Câmara Notícia e às 18 horas tem reunião ordinária. Lembrando que a programação da TV Câmara Campinas cobre todos os trabalhos do legislativo. Você fica por dentro assistindo a TV Câmara Campinas. Todos os dias estamos aqui com você, tá bom? Um grande abraço, uma semana linda. Vamos cuidar das nossas crianças. Aproveite, se tiver um tempinho, abre lá o ECA Digital. vai dar uma lida, vai se atualizar com a lei e vamos fazer valer os direitos dos nossos pequenos, que é o nosso futuro, eh, não tão distante que tá chegando aí, a gente precisa dar base para eles, combinado? Beijo grande, gente. Fique bem. Até amanhã. ช