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Olá, [música] muito bom dia para você que tá ligadinho com a gente aqui na TV Câmara Campinas. Seja muito bem-vindo. Estamos chegando com a nossa edição do Estúdio Câmara para fechar a nossa semana com chave de ouro. Hoje, gente, é um dia em [música] que nós vamos parar para analisar e falar do Dia das Mães. É uma data marcada pelo comércio vibrante, pelas [música] mesas fartas, pelas homenagens nas redes sociais, mas para muitos de nós, o silêncio desse dia fala mais alto que as celebrações, né? [música] Então, nesta sexta-feira, o nosso programa propõe uma pausa necessária. A gente vai falar sobre ausência, seja a ausência física de quem já partiu, ausência emocional de uma relação difícil ou a dor da mãe que não pode [música] ser. para nos ajudar a navegar nesse mundo de sentimentos. [música] Nós temos aqui duas profissionais da saúde mental. Daqui a pouquinho nós vamos apresentá-las, [música] mas agora eu quero convidar você para participar conosco. Eh, hoje é sexta-feira e depois de amanhã é o Dia das Mães. Qual a sua [música] avaliação sobre esse dia? Principalmente quando a gente fala de ausência. Você que tem a mãe ausente, você conseguiu superar essa ausência, [música] seja qual motivo for, acredito que toda a ausência nos faz lembrar do luto. E o luto não é só pela morte, o luto é por uma perda, o luto é por uma distância, o luto é por um silêncio. E isso [música] mexe com as nossas emoções. Então nós precisamos nos orientar com profissionais especializados na saúde mental para saber como nós podemos fazer para [música] ter uma vida mais leve e aceitando [música] as nossas emoções e sentindo também. Então conte pra gente. Nosso WhatsApp tá na tela. 1997829377. Nós gostaríamos de ouvir você. E agora sim, vamos apresentar as nossas convidadas para você. Hoje a gente recebe duas psicólogas, Giovana Zaparoli, seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua participação, pela sua presença. Muito obrigada. Tô muito feliz de estar aqui e poder falar sobre esse tema que é tão polêmico. É um tema polêmico, mexe com todas as emoções, com todos os sentimentos, mas nós precisamos falar sobre porque falar cura. A cura começa pela fala e a gente precisa falar. E por isso que nós temos uma dupla magnífica aqui no programa. Mônica Serpentina e seja muito bem-vinda à nossa psicóloga que completa aí a dupla pra gente trabalhar esse assunto. Muito bom dia. Obrigada pela presença. Muito bom dia. Obrigada de estar aqui e falando sobre um tema que quase não se fala. Exato. Como você disse, é estritamente necessário. Exatamente. A gente precisa falar. O dia das mães é vendido, gente, ã, como uma data de alegria obrigatória, né? Ah, dia das mães, tá todo mundo feliz. A gente precisa lidar com essa pressão social de estar feliz, porque nem sempre a gente tá feliz e não estar feliz faz parte da vida e está tudo bem, principalmente quando a pessoa está vivenciando um luto ou uma saudade profunda. Então, a gente começa eh perguntando pra Giovana, eh muito se fala da perda da mãe, mas eh e o inverso? Como acolher uma mulher que perdeu um filho e precisa encarar essa data no calendário? Tá vendo? A gente começa eh de uma forma bem diferente, porque isso também impacta no Dia das Mães, não é? Sim. Eu gosto de pensar muito no na nas terminologias, né? A gente fala de uma mulher que perdeu o marido, ela tem o nome de viúva. Ela a a a o filho que perdeu a mãe tem a nomeação de órfão, mas a mãe que perdeu o filho normalmente não tem uma terminação, terminologia. Terminologia. Sim. Então assim, eh, o quanto é importante a gente não conseguir, eh, a gente vê que é sensível porque a gente não consegue nem dar um nome para esse sofrimento. Verdade. Eh, as mães elas perdem filhos e não existem exmães. Elas vão seguir sendo mães, ainda que o filho não esteja presente. E é uma dor tamanha que muitas vezes é é necessário muito muito trabalho para que ela consiga sobreviver. E a gente não tá falando de elaborar e a gente não tá falando de superar. Porque será que tem como superar a morte de um filho? Uau! Então, eh, eu sempre penso muito nisso quando eu tô nos atendimentos com os meus pacientes, da importância da gente nomear e validar que aquela dor é uma dor real, é uma dor necessária de se passar e que não é um processo que vai se curar, mas é um processo que vai eh vai se estender e você vai aprender a viver com ele. aprender a viver com ele, né? A gente precisa, essas mães, essas mulheres precisam aprender a viver com esse luto, com esse silêncio e com essa perda. E aí se aproximando do dia das mães, né, a gente vê essa pressão social de estar feliz. Mônica, como estar feliz? Ah, a gente pode aceitar não estar feliz e acolher a nossa tristeza. Pode e deve. Uhum. Né? O principal para esse processo de luto se encaminhar de uma maneira mais saudável é a mãe se permitir a seguir. Porque o luto de uma mãe, ela ele tem um agravante do sentimento de culpa. Uhum. Né? Porque a mãe, desde que tá gerando o filho, ela ela ela se vê como sendo a salvadora do filho, a protetora. Então assim, o caminhar do meu filho depende de mim. A partir do momento que esse filho parte, independente de como foi a partida, vem esse sentimento de culpa. Se foi um acidente, não devia ter. E se eu não tivesse dado? Uhum. E se eu não tivesse levado pro hospital? Mas e se eu tivesse levado para hospital? Então essa culpa é intrínseca na mãe. Então primeiro ela precisa se permitir a sorrir, a seguir, porque geralmente elas falam: "Não tem mais sentido. Como que eu vou poder sorrir se eu não dei conta do meu filho estar aqui?" Olha só, gente. Então essa permiss primeiro começa tudo com essa permissão. Uhum. né? Quando ela se abre um pouquinho, aí o processo ele vai se desenrolando. Eh, a gente precisa falar sobre isso porque eh, o Dia das Mães sempre, né, as pessoas falam do comércio que tirando o Natal eh eh o comércio ele explode a venda de de produtos, né, flores, enfim, presente para o Dia das Mães, é alegria, eh, família reunida no domingo, dia das mães, né? Mas eh no caso que a gente tá trazendo aqui no programa hoje, muitas vezes eh essas mães que passam pela perda dos filhos, elas sentem muito, principalmente quando chega essa data. E muitas vezes também o silêncio dos amigos e familiares por medo de tocar nessa ferida acaba isolando ainda mais essa pessoa, né? E agora como faz? Como que como olha só como junta tudo a as pessoas, né? sem não sabem como chegar, como falar, como apoiar, principalmente nessa semana que antecede o dia das mães, isso acaba isolando a pessoa e a a pessoa está com aquela dor bem aflorada. Então, como qual a melhor forma de se abordar ou de se viver, principalmente nessa semana e nesses dias que antecedem o dia das mães? por favor. Eu sempre falo isso com os pacientes, né, com as tanto com os filhos, tanto com as mães, mas da necessidade de validar a o seu sentimento e o sentimento que tá passando naquele momento. Então, eh, se é algo que você deseja comemorar, mesmo apesar de todos os apesares, vamos comemorar. Uhum. Ai, mas eu quero ficar mais quietinha. Vamos ficar mais quietinha. Hum. Eh, com crianças, por exemplo, eu normalmente eh tento dar uma modificada, porque às vezes eh a mãe tem dois filhos e perdeu um e aí tem que comemorar o dia das mães com um dos filhos e ao mesmo tempo ela tá completamente dilacerada porque ela perdeu o outro. Então, eh, muitas vezes a gente tem que ir negociando o que é possível, o que é saudável para aquela família, para aquela pessoa. Às vezes, eh, comemorar o dia das mães de uma maneira diferente do que eles costumavam comemorar. Então, por exemplo, ah, eles saíam almoçar, vão para fazer outro programa diferente do que era feito anteriormente, que isso já costuma dar uma ajudada no sentido de sair daquele padrão de funcionamento do do da família. Uhum. Então, eu tenho, por exemplo, pacientes que todos os dias das mães, dia dos pais, acabam indo viajar ou eh a mãe já entendeu que aquele momento é muito difícil para ela e que vai doer muito, ela já tem ali essa comunicação com o filho e fala que eles vão comemorar outro dia. Quando é um filho que perdeu a mãe, por exemplo, eh, eu gosto muito de trabalhar a questão dos descendentes, então assim, ai, não vamos comemorar o dia das mães, mas vamos comemorar o dia da avó. Sim. ou da figura que ali fora mais presente para aquela para aquela criança. Então, eu acho que é uma construção de um processo que precisa eh ser construído em conjunto. Tem que validar as emoções e os sentimentos daquela pessoa, daquele paciente, porque às vezes tá doendo tanto que ela não vai querer comemorar. Uhum. Por exemplo, eh, recentemente eu fiz um trabalho com uma paciente que eu, a gente criou o dia do autocuidado, inclusive, eh, foi por conta do dia das mães mesmo. E aí ela vai, ao invés de comemorar o Dia das Mães, ela vai fazer um dia de autocuidado. Ah, muito bem. vai ficar mais quietinha no mundinho dela, vai tomar um banho demorado, vai eh tomar um café da manhã, que ela gosta muito. Então, é uma reconstrução e uma mudança de paradigma também, porque não tem como voltar. É, exatamente. Agora, olha só, nós falamos da mãe, né, que perde o filho. Agora, Mônica, eh, a gente precisa falar da ausência das mães vivas. né? Porque a gente falou da mãe, da dor da mãe. Agora os filhos também sofrem, né? Principalmente nesses dias, porque esses dias eles vêm assim recheado de emoções e aí não tem como você não sentir. Nós somos seres humanos, a gente sente emoções. Agora, a ausência de mães vivas, olha só que delicado esse ponto. Relações rompidas ou relações tóxicas, né? Como ressignificar? Eu acho que a palavra é essa, ressignificação, ressignificar esse domingo eh do dia das mães, quando o contato, de repente não traz paz, mas sim os gatilhos quando você de repente deseja falar, mas tem aquele muro, aquela barreira, né, que não te deixa seguir. como faz para lidar com a ausência, com a relação tóxica, que a gente sabe que a mãe, apesar de ter essa toda e esse essa coisa assim, né, mãe um anjo, mãe isso, mãe aquilo, a gente sabe que a realidade não é bem essa. E tem filhos que sofrem a ausência das mães, existem mãe, mães tóxicas, existem mães que abandonam os filhos. E é preciso a gente falar sobre isso, porque do outro lado os filhos estão sofrendo. E aí, como faz? Sem dúvida. Primeiro é lembrar que as mães são seres humanos como todos. Exatamente, né? É que a gente tem realmente aquele, como eu falei anteriormente, da mãe ser aquela protetora, né? Aquele exemplo, mas infelizmente realmente não é sempre que acontece. E esse sofrimento é intenso e no dia a dia, né? Exato. Mas no dia das mães vem aquela coisinha, aquele sentimento de culpa também. Puxa, mas é minha mãe, me faz tão mal, eu não consigo ter um relacionamento sadil, mas é minha mãe. Será que eu não preciso, né? Não sou obrigada a ligar ou a tentar. É o respeito, né? A gente sempre fala do respeito ao seu sentimento. Uhum. Mas também é entender o seu sentimento, porque às vezes também é uma palavra maldita ou mal interpretada lá atrás que daí a gente cresce imaginando uma coisa que na verdade não é. Então o principal é uma conversa. É uma conversa sincera, hum, tanto com você internamente, como talvez, poxa, mas aconteceu aquilo, é isso mesmo, porque às vezes a gente interpreta de maneira errada. Uhum. Mas assim, não, realmente é tóxico, realmente não dá. A convivência é muito difícil. É se respeitar. É, é se respeitar e comemorar de uma outra maneira. sem culpa, né? Sem falar: "Nossa, eu sou um monstro porque eu não quero comemorar com a minha mãe, mas poxa, mas essa minha mãe faz muito mal ou ela me abandonou e não teve uma explicação? [suspirando] Poxa, eu mereço também estar bem comigo mesmo. Estar com ela. É uma autocompaixão. E aí a gente, não sei se a gente, é um termo que a gente pode usar, Giovana, é o luto de uma mãe viva. É isso. Isso existe. Isso existe, isso existe. E isso é mais comum do que a gente imagina. Olha aí, gente. Eh, até completando o que a Mônica trouxe, a, a gente às vezes precisa romper com esse ideal de amor materno infinito e perfeito. Sim. Uhum. Porque não necessariamente é assim que funciona. Uhum. Eh, e é um processo que em terapia é algo complexo de ser trabalhado, justamente pelas questões que a Mônica trouxe, a culpa. Uhum. o o remorço, eh, as dificuldades e aí eu vou, eu faço com a minha mãe, eu converso com ela e aí eu sou maltratado. Isso, principalmente eh na no no meu trabalho, eu trabalho muito com oncologia e muitas vezes eh nesse processo de adoecimento há uma necessidade dessa desse filho ter a mãe ali para cuidar e a mãe às vezes faz muito mais mal do que bem. Então, é um processo doído e é um processo de autopercepção e autocompaixão que é necessário ser construído de pouquinho em pouquinho, porque sim, às vezes você tem uma mãe viva, mas você não tem a a presença daquele afeto. Algo que costuma acontecer normalmente é ter outras figuras que suprem essa função materna. Uhum. Então, eh, às vezes o pai é um paizão e ele consegue suprir essas duas funções. Às vezes tem uma avó, uma tia, uma amiga, eh, alguém que vai suprir essa função de amor e cuidado. Sim, é importante, né, esse ponto, porque é uma rede de apoio, né? é uma rede de apoio. Agora, falando em rede de apoio, a gente precisa também falar sobre a maternidade real, a as mães que sentem a ausência de si mesmas. Sabe aquela mãe que se perdeu na função materna e ela se sente exausta, se sente vazia, ela não tem mais paciência, ela não sabe o que fazer, ela procura rede de apoio, ela não consegue de repente se desligar do filho por um motivo ou outro. a gente pode eh muito bem mensurar aqui as mães eh eh de crianças neurodivergentes, que a gente sabe que é uma uma luta constante, um cuidado que acaba esvaindo toda a energia dessa mãe e ela continua nesse cuidado com essa criança. E a comemoração para essas mães, Mônica, como que você avalia essas mães que se perderam de si mesmas, que estão exaustas, que estão vazias? Como fica? Olha só quão complexo é o dia das mães, gente. Não é só flores, não é só mãe te amo, não é só mãe, vamos almoçar todo mundo junto. A gente precisa parar, pensar, analisar quanta dor tem envolvido, quanto sentimento envolvido aí nessa data. Não é o ruim é esperar só essa data para isso, né? Exatamente. Verdade. Para parar para pensar, né? É verdade. Mas é muito comum porque as mães acabam se perdendo, né? Elas deixam, se esquecem totalmente para viver em função dos filhos. E daí a dificuldade quando, né, voltando quando perdem os filhos de retomar a vida, porque assim, o que que eu faço? Porque minha vida era em prol do filho. Uhum. Né? Mas quando esse filho está vivo e realmente demanda, né, um um atenção muito grande, elas vão se deixando cada vez mais. É difícil até comemorar, né? Porque meu Deus do céu, gente, é um dia como o outro qualquer que eu vou ter aquele trabalho, que eu vou ter aqui, né? E essa rede de apoio, infelizmente, eh, geralmente, né, ela se estende para um curto período, tanto no luto quanto em qualquer problema familiar, dificuldade, né? Porque chega um ponto que as pessoas falam: "Nossa, mas a de novo vai falar isso?" Poxa, mas ainda não acostumou. Esse não acostumou, né? É difícil. Uhum. E mas é a falta de preparo de todos nós mesmo, né? Tanto ou, né? para não falar de luta, não falar de morte ou não falar do do cuidado que cada filho demanda e a necessidade de realmente estar próximo, estar junto, mas não encontrando tão próximo, eh, estar aberta a procurar entidades Uhum. que possam, pelo menos num período, entregar os filhos para terem esse momento de autocuidado, porque é importante se olharem. né? Como a gente sempre fala muito no luto de de se cuidar da máscara do avião, quando a máscara cai, você vai colocar em você primeiro ou no seu filho? Em você, porque se você não estiver respirando, não estiver bem, você não vai cuidar do seu filho. Então, se você só cuida, nossa, eu vou dar para ele e se eu ficar sem ar, eu não vou estar mais aqui e quem que vai cuidar? Então, é importante a mãe estar presente com ela, olhando para ela, porque só olhando para ela, ela vai estar bem e ela estando bem com ela, com todo o entorno, ela vai estar bem para cuidar de todos à volta. É, exatamente. Então, autocuidado é importantíssimo. A gente transborda, né? Mas até chegar a esse ponto da permissão difícil desse autocuidado, geralmente fica doente antes. Olha, é verdade. A gente é tão relutante quando a gente fala da questão materna, né? E e principalmente essas mulheres que vivem nessa condição, né, de crianças neurodivergentes até chegar ao ponto do autocuidado. Pode ser que a saúde mental ela já não esteja mais eh eh com capacidade para ver esse autocuidado como um autocarinho, uma autocompaixão, né? Eh, eh, o luto, gente, ele não é só apenas pela morte. Vale, vale a pena a gente frisar aqui, porque às vezes a gente fala de luto, as pessoas falam assim: "Ah, mas, né, eh, tá vivo, não, não morreu, por que que eu vou sofrer com luto?" O luto é, é, às vezes é até por uma expectativa que não foi atendida, né? Às vezes essa mãe de uma criança neurodivergente, ela projetou algo e aí essa expectativa, a projeção que ela fez, eh, não foi atendida da forma com que estava projetado, mas sim, ela aceitou, ela entendeu e ela busca caminhos, mas ela está esvaída, ela não aguenta mais, mas ela continua ali e ela é mãe e ela sofre também. E aí a gente para para analisar as redes sociais hoje, né? E principalmente nesse período que antecede o dia das mães, as redes sociais trazendo o recorte que cada um deseja que seja visto, né? Porque nem sempre é tudo tão lindo e tão belo como aparenta nas redes. E aí eu pergunto pra Giovana, qual que é o impacto das redes sociais nesse momento em que antecede o Dia das Mães? Porque tem gente mostrando lá que é tudo muito lindo, florido e belo e às vezes não é assim. E tem outras pessoas do outro lado que estão consumindo e o algoritmo vai entregando situações que elas sequer imaginam como seja o viver. Isso impacta também na saúde mental. As questões de redes sociais são sempre muito sensíveis. Uhum. Para uma pessoa que tá passando por um luto, o processo de ver a rede social, principalmente em datas comemorativas, é de lacerador. Uhum. Porque você vai ver ali 1 milhão de propagandas. A semana já começa sendo eh a semana, o mês começou o mês de maio, já começa um monte de campanha de venda, algumas algumas até um pouco agressivas para quem tá passando por um processo tão sensível, eh, a família margarina, né? Aham. de da gente conseguir ver aquela família linda, cheia, mesa cheia. E às vezes eh um processo do autocuidado mesmo é conseguir respeitar a a questão de não estar tão presente nas redes nesse nessas datas. Eh, tudo que é de rede, eu sempre pontuo com pacientes de cuidado, vamos ver se é isso mesmo, porque às vezes tem mães eh enlutadas que fazem o o perfil no Instagram e falam sobre isso, mas não necessariamente o seu processo. Aliás, não existem duas mães emlutadas iguais, não é? Então, eh, muitas vezes nesse processo a pessoa pode, eh, entrar em contato com algo que não é tão acessível quanto ela consegue naquele momento. Então, eh, cada pessoa vai lidar de um jeito e às vezes o jeito que a outra pessoa lidhou foi muito bom e ela não consegue. E aí isso volta a tornar aquela culpa eh para filhos também a mesma coisa. Eh, entrando numa comparação, né? Isso. Entra numa comparação. Mas como que ela tá mostrando isso? Mas como consegue? Faz saber o que que tá atrás dessa foto? Então, essa comparação é complicada. complicada e perigosa. Exatamente. As redes sociais são muito boas em um aspecto. Por exemplo, você pode criar grupos, você pode criar os grupos e e ter pessoas ali afins que você consegue conversar, mas ao mesmo tempo pode haver uma comparação completamente negativa. Exatamente. É, são os cuidados, né, que a gente deve tomar para não despertar gatilhos, né, porque a gente sabe, de repente você tá ali achando que tá tudo equilibrado, tá tudo certo. Chega, essa semana que antecede o Dia das Mães, o coraçãozinho já começa a palpitar, a cabeça já não tá muito legal, você já começa a ficar mais quietinho e aí você se depara com um comercial de família de margarina, aí você vai rolar as redes sociais, tá lá algo que de repente você prospectou pra sua vida, mas você não conseguiu atingir o objetivo e aí o outro tem lá o objetivo atingido, você fala: "Poxa, mas né, por que que ele consegue, eu não consigo?" Então é a questão da comparação, então a gente precisa cuidar muitos com com isso, principalmente, eu acho que todos os dias a gente tem que cuidar, mas ahã como esse Dia das Mães a gente sabe que mexe com as emoções de todos, porque todos somos filhos, né? E então acredito que a gente deva ter um pouquinho mais de cuidado. Você sabe que é importante a gente falar também da questão do Alzheimer, que a gente tem visto muito, né? eh eh muita questão de demência ultimamente e essas famílias que lidam com pessoas que têm, né, eh eh tem o Alzheimer, é algo também que mexe e muito quando a gente fala do Dia das Mães. Mônica, gostaria que você trouxesse um recorte, por favor. É um luto em vida, porque eu estou aqui com a minha mãe, mas ela não é mais minha mãe, né? No e ela não reconhece, né? No sentido de reconhecimento, de trato, né? Então assim, é difícil, é um processo muito dolorido, né? Principalmente paraas pessoas à volta, né? de quem tem Alzheimer. E esse cuidado é muito importante entendendo o processo, né? Então assim, não é porque ela não está me reconhecendo que também eu não vou deixar, né, de comemorar, de poxa vida, ela ainda está aqui, apesar da ausência, apesar de não lembrar de mim em muitos momentos, mas o meu carinho ainda tá tá presente. Então é onde se deve comemorar de uma maneira mais eh mais coerente, mais forte, né? Uma comemoração que realmente vale a pena. Poxa, apesar de estar ausente, ela está presente fisicamente, né? Então é aquele luto de um de um presente ausente, né? Porque o luto é toda forma de adaptação. Então, quando tem uma mudança na vida, como você diz, é luto. Sim. É, então é essa adaptação aos pouquinhos, mas não é fácil. E tem algo muito interessante nesse processo do Alzheimer, que é a inversão de papéis, né? Então, a gente tem eh filhos que acabam passando a ser mãesis ou pais. É. porque a figura materna já não consegue mais eh exercer esse cuidado e muitas vezes tem aquela regressão de inclusive eh se reconhecer numa fase da vida mais infantilizada, né, dali da infância, lembranças da infância e tudo mais. Então, além disso tudo, tem esse esse luto de você não ser mais filho, de nesse momento você está sendo pai ou mãe. É delicadíssimo. E a gente e a gente precisa falar sobre porque, como eu falei lá no início e continuo falando, o dia das mães ele é preenchido por muitas emoções. E essas emoções, eh, [roncando] somos seres humanos, a gente vive as emoções e a gente precisa aprender a sentir as emoções. Qual que é a importância, Mônica, da gente sentir as emoções, nomear as emoções, porque eu não posso, né, eh, tapar o sol com a peneira, como dizia a minha avó, a gente precisa sentir, é importante, não é? principalmente nesse momento. E quantas pessoas inventam um monte de atividades para não sentir, não sentir e e nomear as emoções. A gente acha que é fácil, mas não é nada fácil. Uhum. Né? Porque desde desde pequenos nós não somos acostumados a nomear. Exato, né? Então, geralmente quando acontece alguma coisa com a criança, ela vem chorando, que que, né? Que que você adulto? Então, mas o que que foi? O que que você tá sentindo? Não é, poxa, não chora, não tá doendo. Aham. Né? Não tem motivo de chorar e não pergunta o motivo desse choro. Sim. Então, nós estamos acostumados, nós vamos acostumados, né, na na nossa cultura a não reconhecer. Quando nós somos adultos, né, e nos vemos aí em várias situações, principalmente em terapia, a gente vê muito isso, as pessoas não sabem dizer e o que que é que estão sentindo. E é importante eu saber se é uma tristeza, se é uma raiva, pra gente realmente conseguir aprofundar e ver o motivo disso, da onde vem esse sentimento. Então esse nosso autoolhar está, né, nos analisando, puxa, mas o que que eu tô sentindo agora pra gente poder nos reconhecer e ter aí, né, um melhor enfrentamento diante do que for. Muito bem, pode pontuar. Deixa eu ver. Eu acho, eu acho que é é exatamente isso, né? Eh, como eu falei no início da entrevista, a gente não tem nomes, a gente não trabalha com algo palpável. A nossa cultura é exatamente como a Mônica disse, é uma cultura que não não vai passar, vai passar, vai passar. Até mesmo os comentários que os que as mães escutam quando perdem um filho, por exemplo, já vem desse lugar de não, mas logo você engravida de novo. Nossa, esse é para matar. É, né? É. Ai, foi melhor para ele. Nossa, gente, entende? Eh, são comentários que vê de uma dessensibilização da população com essa questão de de sentir o luto e talvez até mesmo porque o luto ele ele ele dói no outro também, né? Sim. Ele eu eu posso estar enlutada, mas isso respinga em você. E às vezes é uma dor tão difícil que eu não consigo lidar comigo, então como que eu vou lidar com a do outro? Uhum. eh pessoas que não conseguem de fato ali tá presente, não tem suporte. E aí assim, às vezes precisa falar, tenta falar uma vez, tenta falar duas vezes, não acha suporte. Então, eh, da importância de est em um processo com um psicólogo que consiga te acolher, que consiga acolher o o luto ou até mesmo quanto aos grupos. Sim. Eh, é, é, é um processo que precisa ser, a gente precisa falar. Às vezes, eh, para entender um sentimento, a gente precisa usar outras estratégias também. Então, por exemplo, eh, algo que eu uso muito arteterapia. Uhum. Então, por meio da arte, enquanto a gente tá fazendo algo, a gente consegue eh tirar um pouco do sofrimento, colocar o sofrimento eh num papel e ou em uma arte ou em uma pintura. E isso vai sendo elaborado de pouquinho em pouquinho, não sentido de parar de doer, mas no sentido de se entender qual é a dor e conseguir viver com a dor. Isso. Muito bem. Eh, gente, é algo bem delicado. A gente precisa de muito entendimento, um autoconhecimento, paciência, né, para poder seguir eh eh nesse caminho, de repente de conviver com a dor, de entender eh o outro, né, porque é importante que a gente entenda também e conviver com toda essa situação. Você veja, a gente tá falando eh eh estamos aqui trabalhando num programa referente ao Dia das Mães, mas a gente tá indo pela contramão falando de coisas que quase as pessoas não falam. Mas por que não falam? Será que é porque não tem uma escuta? Nesse momento a gente eh falando de escuta, eu pergunto para pra Mônica, porque a escuta ela é muito bem-vinda, né? Ela é muito bem-vinda, principalmente nesses dias que antecedem o dia das mães para as pessoas que sofrem por algum motivo. Agora, a gente precisa estar pronto para termos uma escuta ativa. Mônica, explica pra gente. De repente você vai eh ter a convivência nesse final de semana com alguém que tá passando por uma situação que a gente tá colocando aqui no programa hoje, né? Aí você fala: "Não, olha só, então tá bom, eu vou eu vou ouvir, eu vou acolher". A gente tem que tomar muito cuidado com a nossa escuta, gente, porque ouvir a outra pessoa eh exige um pouquinho de consciência. Eu gostaria que você explicasse pra gente, Mônica, sobre essa escutativa, principalmente nesse momento, eh, que a gente tá chegando aí ao Dia das Mães. É uma escuta presente, né? Eu estou 100% escutando a pessoa que está à minha frente. Eu não tô escutando essa pessoa pensando nos no meu exemplo, pensando no ai, eu faria dessa maneira, né? Porque geralmente quando o outro está contando alguma coisa, a gente já tá pensando: "Nossa, mas no lugar dela eu faria isso?" Nossa, né? é o meu pensamento, é o meu sentimento e não o sentimento da pessoa que está à minha frente. Então é escutar realmente é o estar 100% inteira para outra pessoa, procurando entender o sentimento que essa pessoa está trazendo e acolher isso, né? Quando as pessoas elas, né, na nossa cultura não estamos acostumados a falar de luto, de sofrimento, de perdas, de morte [suspirando] e daí realmente rebate, né, no nosso sentimento. É, puxa, mas o que que eu vou falar? Não precisa falar isso. Você só precisa estar presente, realmente mostrando interesse nessa escuta. Isso não, não tem o que falar. Abraça. Um abraço, gente, do coração. É mais do que tudo que essa pessoa precisa. Exatamente, né, Giovana? Essa escuta ativa, ela eu acho que é muito importante, principalmente nesse momento, né, do dia das mães, porque você vai encontrar alguém que quer de repente falar ou alguém que só quer que você ouça e dê um conforto, um carinho. E a gente precisa aprender a lidar com isso. Acho que estamos aprendendo aos poucos, mas vocês nos ensinando fica um pouquinho mais fácil. Qual que você, o que que você traz pra gente sobre essa questão da escutativa? principalmente quando a gente fala de luto. É, o meu pensamento está muito alinhado com o da Mônica. Eu acho que essa presença é mais importante do que o que vai ser falado. Uhum. E eu penso também em uma questão de muitas vezes a gente não enlutado precisa se policiar muito para não ultrapassar o caminho do outro. [limpando a garganta] Uhum. Eh, talvez até mesmo nesse processo de trabalhar as emoções, entender com com essa pessoa enlutada quais são os limites dela. Às vezes até ajudar ela a aprender, a pedir ajuda da forma a que ela vai ser suprida. Não é uma forma adequada, certo, errado, não é isso, mas de uma forma que ela vai ser suprida. Então, por exemplo, eu preciso falar, eu preciso ser escutada, eu eu não preciso que você me acalme, eu preciso que você me escute. Isso também é um processo difícil no início, porque às vezes a pessoa vai lá e o o ouvinte na angústia de querer suprir esse sofrimento, começa a tentar dar solução, começa a pensar em estratégias que possam facilitar. E às vezes não é isso. Às vezes é só sentar, tomar um café, ficar junto. Às vezes fica junto em silêncio. Uhum. Às vezes é é sobre presença, não é sobre o que você tem que falar, porque muito provavelmente qualquer coisa que você vá falar para um enlutado não vai ser o suficiente. Exato. A pessoa, o enlutado não tá esperando uma resposta. Uhum. Hum. Ele está esperando um acolhimento. Exato. Né? Eu eu trabalho com mães enlutadas. Nós temos um grupo voluntário, né? em Campinas, americana e agora em Valinhas. Maravilhosa. E a gente percebe muito sobre a rede de apoio, né, que você havia comentado e e sobre essa escuta. Então, por exemplo, o o a rede de apoio, que geralmente são os parentes mais próximos, [limpando a garganta] amigos, eles vão até um certo ponto. E muitas dessas mães, elas não podem nem chorar dentro de casa, porque aí o marido, como o homem não pode chorar, tem que ser forte, ele acaba tendo uma reação diferente, né, da mãe e e daí também não sabe lidar com essa dor. Então, muitas eh vão chorar dentro do banheiro. É o único momento que elas conseguem e podem chorar é quando estão tomando banho para ninguém perceber. Uhum. E e às vezes realmente elas escutam umas atrocidades, né, como assim, ah, vai ter outro filho ou quando é gestante e aborta, poxa, mas nem conheceu o filho. Sim. Poxa vida, né? Ai, você é [limpando a garganta] nova, pode ter muitos outros. Então, assim, nós não estamos inventando essas frases. Elas trazem para nós essas frases que elas escutam. Então, né, já está sofrendo e escutar esse tipo de coisa é difícil. Então, elas vão se recolhendo cada vez mais. Sim. Então, por exemplo, a terapia ou esses grupos é um espaço onde elas realmente podem se expressar. Esse grupo de mães funciona muito bem, realmente para dar um fortalecimento e elas trocam Uhum. né? o que cada uma passa [suspirando] é um fortalecimento. Olha, é, gente, e às vezes eh eh a importância de um abraço eh para outra pessoa nesse momento, a gente não tem nem noção do quanto significa, né? Então, é bom ouvir, não falar. Se você não tem certeza que você vai ter uma comunicação assertiva, abrace, acolha, né? É isso. 8:56. Produção, me avisando aqui que nós temos algumas perguntas, então vamos ver quem é que tá conosco. Vamos lá, né? Ver quem que tá com a gente, se tem alguma experiência, de onde fala. Bom dia para você que tá aqui eh com a gente na TV Câmara Campinas, estúdio Câmara ao vivo. Hoje a gente falando sobre o dia das mães de uma forma um pouco diferente com as nossas psicólogas. A Luciana Freitas do Jardim Aurélia. Muitas pessoas optam por sair das redes sociais no domingo, olha aí, ó, para evitar comparações. Como essa atitude de se retirar do mundo digital é uma, essa atitude de se retirar do mundo digital é uma estratégia saudável para a preservação. Vamos lá, já que a gente tocou no assunto, né, Giovana? Sim, com toda certeza. Eh, a gente tem que entender quais são os nossos limites e se isso tá te machucando e se isso tá te fazendo mal, por que que você vai se colocar nessa posição? Já não basta todos os outros sofrimentos. A gente tem que manter mais e mais sofrimentos. Então eu acho que vem muito nesse caminho. Eh, o que é importante para mim nesse nesse dia, é importante que eu consiga colocar uma foto minha com a minha mãe ou uma foto minha com o meu filho e comemorar dessa forma, tudo bem, perfeito. Se pra pessoa tá bem, tá ótimo. Mas em muitos casos a gente sabe que isso é dolorido, sofrido. Eh, e as redes sociais elas podem ser um lugar hostil, sim, pr para muitas pessoas. Então, eu acho que avaliando o caso a caso pode ser sim uma estratégia muito saudável. Muito bem. É isso, gente. 8:58. Mais uma pergunta. A gente direciona agora pra Mônica. Vamos ver quem tá conosco. O Fábio Antunes do Proença. Eh, de que forma amigos e familiares podem oferecer apoio genuíno para uma mulher que perdeu um filho, evitando as frases clichês que acabam machucando ainda mais nessa data? É, nós falamos sobre isso também, Fábio, né? Sim, sim. É aquele apoio que nós conversamos, estar ao lado, estar presente ao lado, percebendo muitas vezes até um prato. Se você se alimentou, nossa, olha aí. você, né, tá precisando de alguma coisa, precisa fazer um mercado, às vezes coisas práticas que ela não tá conseguindo nem dar esse passo. Então, sabe, esse olhar atento de ver realmente como que está a situação dessa mãe, estar aqui do lado, olha, eu tô aqui, tá bom? Uhum. Só, só, só qualquer coisa. Olha, tô aqui. O meu ombro, um abraço, não precisa falar nada, gente. Nada. É a presença, a presença cada vez mais rara, né? E às vezes até mesmo no sentido de eh, tá, eu vou ficar aqui do seu lado. Uhum. E eu a gente vai ficar em silêncio. Sim. Isso é estar ao lado, somente, estar presente. Estar presente. Presente. Bom, o nome já diz, né? É um presente. A presença é um presente. A gente precisa aprender, estar presente. Às vezes não precisamos falar nada. A maioria das vezes, né, a presença é um presente para nós. É isso. Pontualmente 9 horas, pode colocar, a gente consegue responder, acho que mais umas duas ou três e aí a gente já vai paraas considerações finais. O Gustavo Henrique do Jardim Chapadão, o primeiro ano sem a mãe costuma ser o mais difícil de todos. É melhor tentar seguir as tradições antigas ou criar um jeito novo de passar o dia para não sofrer tanto? É o primeiro ano sem a mãe, né? Quando quando bate essa realidade deve ser uma dor imensurável, né? Eu, graças a Deus ainda tenho a minha mãezinha, mas eu não gosto nem de pensar porque aí você começa a fazer as análises, gente, deve ser uma dor imensurável. Ô, Giovana, é isso. Esse ponto que o Gustavo trouxe é muito importante, porque no primeiro ano a gente tá vivenciando tudo novo. Uhum. A gente passa pelo primeiro Natal, pela primeira Páscoa, pelo primeiro dia das mães, pelo primeiro aniversário. Então assim, são muitas datas que vão ali remeter e aí dependendo da cultura da sua família, isso pode ser mais intenso ou menos intenso. Uhum. Sim. E eu acho interessante a ideia de novo, de validar o que aquele aquela pessoa precisa. Às vezes manter a cultura como era ajuda, ajuda de fato, mas às vezes a pessoa precisa mudar porque do jeito que o sofrimento tá, ela não consegue eh seguir da mesma forma, mas sempre validando o o que é necessário para aquele para aquela pessoa. Pode ser que seja interessante fazer algo de diferente, comemorar de algo de um jeito diferente. Eh, vou dar um um exemplo que que eu já presenciei, era um grupo de suporte a emlutados e eles fizeram no Dia das Mães a eles soltaram balões. Ah, que lindo para como o nome da da pessoa que faleceu e tudo mais. Então, eh, às vezes a gente precisa criar estratégias para acessar aquele sofrimento e e se permitir fazer aquilo que você dá conta. A, o principal é isso, o que você consegue. Aí eu não consigo comemorar o dia das mães, tá tudo bem, não comemora. Uhum. Não é porque isso foi colocado no calendário que a gente tem obrigação de fazer e e e se manter dessa forma. Então eu para mim é muito importante que a pessoa consiga ficar uns minutinhos e se escutar, escutar o que ela o que aquela voz interna tá tá te dizendo. Ah, eu quero comemorar. E se quer comemore. Ah, eu não quero comemorar. Não comemore. Ah, eu quero ficar mais sozinho. Tudo bem. Eu quero estar com pessoas. Tudo bem também. A gente tem a liberdade aí, né? Humum. A gente tem o livre arbítrio para poder escolher tudo que faz sentido pra gente e sempre buscando aquilo que vai ser mais confortável dentro de um momento de extrema dor. Não tem uma resposta pronta, né? É muito individual. Cada indivíduo sente de uma maneira, representa de uma maneira se respeitar. Exatamente. Eh, vocês falando aqui me veio eh um um outro cenário, aquela mãe, né, que está distante do filho e que espera que o filho esteja presente eh nessa data e aí o filho não vem e ela acaba se frustrando. Como é que faz? Ai, como a expectativa é difícil, né, gente? lidar com a expectativa, a gente tá sujeito a grandes frustrações, né? Eh, mas no nosso dia, hoje em dia, por exemplo, a videochamada ajuda muito, né? Sim. Então, né? Verdade. A vídeochamada ajuda muito. A gente tem que ter a sensibilidade [risadas] de fazer a videochamada, porque tem gente que é meio desligado que nem a vídeochamada vai fazer. E assim, a empatia conta muito nesse momento, eu acho também, né, dúvida. É. Juntando as duas perguntas, eu acho que eh a frustração vem muitas vezes, mas muitas vezes a gente não consegue comunicar, né? A gente não consegue virar: "Oi, meu filho, eu queria que você tivesse aqui comigo hoje". E aí sem essa fala fica difícil, né? a gente ainda não desenvolveu esse esse dom de adivinhar o que o outro tá querendo e pensando. Exato. Eh, e aí a empatia vem também no processo de entender que o outro tem necessidade e que a gente pode acolher do jeito que a gente consegue. E se às vezes a gente não consegue acolher dessa forma, a gente pode sentir a empatia e dizer: "Eu eu não sei o que te falar". Eu não sei, eu não sei o que você tá sentindo. Eu tô aqui para você, mas eu não sei. Eu sou e a verdade é é o principal. Uhum. E traz a empatia de uma forma muito importante, genuína. Sim, às vezes a empatia é você conseguir tirar todas aquelas cascas de cebola que você usa de proteção, aquelas armaduras, e assumir que você é ser humano e que você também sofre e que você ouvir aquela história difícil. É, gente, Giovana e Mônica, que dupla, né? Que dupla, trazendo pra gente tanta sensibilidade. Vocês fazem a gente lembrar que a vida ela é feita de luz e de sombra também. e que acolher a nossa tristeza é o primeiro passo, de repente paraa nossa cura, né? E a gente precisa eh nos acolher. E se domingo for difícil para você, respeite o seu tempo, né? Se acolha, não tem problema nenhum se retirar um pouco do barulho, né? E e honrar a sua própria história, as suas saudades, sentir, né? de repente eh, nomear e dar valor, validar e e os seus sentimentos. Eu acho que é sobre isso. A gente precisa encerrar agora o nosso programa, mas assim, foi um programa muito educativo. Eu acho que a gente precisa entender que o Dia das Mães não são só flores, não, que tem pessoas que sofrem sim por um motivo ou outro, estão sofrendo e tá tudo bem sentir essa tristeza, nomear esse sofrimento, mas a gente precisa aprender como lidar com essas situações. Eu quero agradecer vocês. Obrigada. Quanto ensinamento, quanto a troca, que programa gostoso, um pouco dolorido, porque falar de sentimento e principalmente nesse momento que antecede o dia das mães é algo que que mexe com as emoções, né? Mas é bom a gente trazer isso à tona paraa gente poder entender. Então, Mônica, obrigada, gratidão por pela sua presença e por tanta entrega no nosso programa hoje. Obrigada a vocês. E como é importante, né, você vê, a gente falou de morte, né, de luto, de sofrimento, né, por uma hora. Mas cada vez que a gente conversa, a gente vai entendendo, vai ficando leve. Sim. Então é isso, é não fugir desses assuntos, porque eles estão aí, né? Exatamente. Todos nós, se não passamos ainda, vamos passar. É pode ser leve. A gente entendendo os nossos sentimentos, sendo verdadeiros conosco, a tendência ser cada vez mais leve. Que bom que e vocês nos ensinam, né, a tentar viver uma vida de forma mais leve. Giovana, obrigada pela sua presença, pela sua entrega, por conversar com a gente, por nos ensinar eh como passar de repente esse momento bem desafiador para muitos, né? Então, gratidão. Muito obrigada. Muito obrigada. E muito obrigada pelo espaço Uhum. De poder falar sobre luto, que é um tema tão necessário, tão polêmico. É um tabu, sim. E a gente tem muita gente para acessar. Então, obrigada pela proposta de poder eh validar o sofrimento dessas mães e desses filhos que precisam tanto nesse momento. É isso, gente. Então, um grande abraço para você. Continue ligado aqui na programação da TV Câmara Campinas. Ao meio-dia nós temos Câmara Notícia com Gabriel Castro. A programação de final de semana da programação, a da TV Câmara Campinas está muito boa, maravilhosa, recheada e bastante entretenimento, viu? É isso mesmo. Nossa produção, nossa equipe trabalhou bastante para trazer para você uma programação de final de semana, ó, nota 10. A ÍRA tá chegando aí com informações da Central IA trazendo atualizações eh aqui da cidade de Campinas, do estado de São Paulo, Brasil e mundo, tem cotação do euro, dólar e muito mais. E na segunda-feira a gente tem estúdio Câmara ao vivo novamente. E olha só, a gente vai mudar o tom da nossa conversa e a gente vai falar de uma paixão que atravessa gerações e que está tomando conta das bancas, das escolas, das casas, das calçadas. O pessoal já tá sentadinho na calçada lá do condomínio trocando figurinha. É, a gente vai falar dessa febre das figurinhas da Copa, né? Por colecionar vicia tanto? Mas será que é um vício bom? Como está o mercado de trocas e quais são as figurinhas mais raras, né? E se você é um colecionador ou se você tem em casa, não perca, porque a gente também vai trazer o que que a psicologia diz sobre esse momento. É um momento de nostalgia, né? Você colecionar figurinhas, ter um álbum de figurinhas. Será que isso ajuda na socialização? Já que nós estamos todos eh tecnológicos, de repente é um momento para você socializar e conversar mais com seus colegas, seus amigos, bater um bafo. Lembra daquele assim que você fazia na escola? Então vamos falar sobre os álbuns de figurinhas, tá bom? Então gente, um excelente final de semana [música] a todos com muita paz, muito acolhimento e até segunda-feira, se Deus quiser. Grande beijo. Tchau tchau. Até lá. [música] [música] [música] [música] [música]