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Olá, [música] [música] muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com Estúdio Câmara. Hoje, dia 24 de abril, sexta-feira, vamos conversar sobre educar. Você já tentou ajudar seu filho na lição de casa e percebeu que não sabe mais por onde começar? A forma como a gente aprendeu na escola muitas vezes já não funciona mais com as nossas crianças, né? É uma geração conectada, imediatista, com acesso a um volume de informações nunca antes visto. E aí surge o conflito dentro de casa, pais [música] frustrados, filhos desmotivados e a sensação de que ensinar ficou mais difícil. Será que o modelo tradicional já não dá conta desse novo perfil de aluno? O perfil mudou? Seria o desafio eh de formar crianças mais autônomas, críticas e protagonistas do próprio aprendizado? Mas afinal, o que os pais precisam reaprender ou precisam aprender a ensinar? Olha, qual que é o limite entre ajudar e atrapalhar? Já pensou nisso? E como é que a gente lida com a tecnologia? sem transformar [música] essa tecnologia em inimiga, né? Nós temos aí eh aliados para nos ajudar a ensinar os nossos filhos e um tempo que é precioso e que não volta mais e que às vezes se a gente para [música] para analisar nós estamos perdendo. Nós vamos falar sobre isso, como ensinar e ajudar os nossos filhos nas lições em casa. Tá bom? Tudo isso muito mais já já para você aqui no nosso estúdio Câmara. Eh, vamos atualizar algumas informações. Enquanto a gente atualiza as informações, você já vai chamando todo mundo aí, vai conversando com o pessoal. Nós estamos também ao vivo no YouTube e aí você pode eh compartilhar esse estúdio Câmara que tem muito a ver com o que você tá vivendo hoje, né, com a sua família e com a conexão entre pais e filhos. Olha, gente, a Câmara de Campinas realiza neste final de semana e também na próxima segunda-feira uma série de atividades abertas ao público com transmissão pela TV Câmara Campinas, tá? Amanhã, [música] amanhã, sábado, às 10 horas, eh, das 10 à 1 da tarde, então das 10 da manhã à 1 da tarde, no plenário José Maria Matozinho, será realizado o evento Vozes que protegem. É uma solenidade especial em homenagem a pessoas que atuam na defesa e proteção dos animais. A iniciativa é do vereador Herbert Ganém e busca reconhecer protetores independentes, voluntários, ativistas, médicos, veterinários e representantes de entidades da causa animal. A programação inclui palestras, apresentações culturais, musicais, [música] além da entrega de certificados aos homenageados, destacando a importância social de quem se dedica ao bem-estar animal, à adoção responsável e ao combate [música] aos maus tratos. A agenda de segunda-feira também eh está bem intensa, tem início às 10 da manhã. Na segunda-feira tem a sétima reunião ordinária da Comissão Especial de Estudos sobre políticas públicas para pessoas com neurodivergências no plenário da [limpando a garganta] Câmara. O encontro vai abordar o tema a medicalização e o capacitismo como barreira à inclusão e ao reconhecimento da diversidade humana, promovendo debates sobre os desafios enfrentados por pessoas com TEA, TDH, TOOD, disnexia e outras neurodivergências. À 1 da tarde será realizada a terceira reunião ordinária da Comissão de Educação, que vai discutir a ausência de monitores para crianças atípicas nas escolas públicas do município, com a participação de representantes da Secretaria Municipal de Educação e Mães de alunos. E na sequência, às 5 da tarde, ocorre a primeira parte da 23ª reunião ordinária por iniciativa da vereadora Fernanda Solto, com o tema saúde em debate, humanização do cuidado e de quem cuida. O debate vai contar com a participação da médica e escritora Mila Nascimento. E encerrando a programação de segunda-feira às 6 da tarde, então realizada a reunião ordinária do legislativo, transmissão aqui pela TV Câmara Campinas, também pelo YouTube da TV Câmara Campinas e aberta para eh você participar presencialmente no plenário da Câmara. Passamos a [música] agenda do sábado e da segunda-feira para você. Agora a gente chega com a previsão do tempo para o nosso final de semana. Nós estamos aí em um clima de outono, né? E aí muitas nuvens o dia todo hoje, aberturas de sol sem chuva. Então nublado, com sol, tem até um céu azul, né, de brigadeiro. Se você olhar lá fora, tem céu azul agora, mas a previsão do tempo também diz que teremos aí eh alguns momentos de dia nublado hoje, sexta-feira. Mínima 17, máxima 28. Sábado, sol com algumas nuvens, não chove. Mínima 15, máxima 30. E domingo também sol com nuvens à tarde. À noite o céu ainda fica com muita nebulosidade, mas não chove. Domingo mínima 16, máxima 30. E para a semana que vem, de acordo com a previsão do tempo, a gente vai ter aí uma queda na temperatura e pode ser que tenhamos chuva. Mas isso é só semana que vem. Vamos viver o hoje. E hoje um dia lindo, céu azul de brigadeiro, algumas nuvens no céu, mas nada que empeça da gente [música] ter um ótimo dia. Gente, vamos lá. A educação mudou e mudou muito. O ensino já foi centrado no professor com conteúdo rígido, alunos em silêncio e aprendendo baseado na repetição. Hoje o cenário é outro. As crianças são chamadas de nativas digitais. Elas crescem com o celular na mão, acesso rápido à informação, estímulos constantes e isso impacta diretamente a forma como elas aprendem com mais dificuldade de foco, mas também com mais autonomia e capacidade de explorar. E aí dentro de casa, como fica? Quem sente isso primeiro são os pais. aquele momento da lição de casa que antes era automático, hoje virou um desafio. A gente precisa entender melhor esse cenário e aprender como lidar com isso, né? E passar momentos agradáveis de ensino com os nossos filhos dentro de casa. Por isso, nós convidamos duas pessoas especiais para nos contar o que que tá acontecendo e também para nos orientar a permear esse caminho com mais tranquilidade e leveza. A gente recebe a Gabriela Diz. Ela é pedagoga e psicopedagoga, especialista em desenvolvimento infantil e educação inclusiva. Muito bom dia, Gabriela. Seja bem-vinda. Obrigada pela sua participação. Bom dia, Rúbia. Obrigada. Muito bem. Para completar o nosso time de hoje, a gente tá falando de ensino. Claro, que a gente tinha que chamar uma profe, é claro. Estamos com a Dora de Fátima Correa. Ela é professora do ensino fundamental, experiência direta em sala de aula. Quando eu vi ela, eu falei: "Olha só, me lembrou das professoras, lembrei das minhas professoras". Seja muito bem-vinda, Dora. Bom dia. Bom dia. Muito obrigada pelo convite. É um prazer estar aqui com você. Prazer é todo nosso. E que bom a gente poder falar, que bom a gente poder eh aprender aqui nesse momento como a gente faz para ter mais conexão com os nossos filhos na hora de ensinar. Bom, eu começo com a Gabriela, né? Ah, os pais estão errados, Gabriela, quando tentam ensinar do jeito que aprenderam. qual que é a sua avaliação eh para esse momento tão especial paraa vida de uma criança que está iniciando, né, essa esse momento de aprendizado? Eu não diria que é errado, né? O que eu observo muito no ambiente de trabalho que os pais me trazem é um descompasso, né? E é isso que eu observo. Eh, se a gente pensar que a educação ela é era antigamente uma educação vertical e que para procurar a informação a gente automaticamente precisava ir pra escola, pra biblioteca ou para perguntar para alguém que tinha mais experiência para orientar a gente naquele momento. Faz sentido, né? Principalmente porque naquele momento a gente tinha um acesso não tão amplo à informação quanto a gente tem agora. Hoje nós temos eh muito acesso à informação, jovens totalmente conectados e crianças também. Então a gente começa a ter ali um descompasso entre a maneira que eu aprendia antes e a maneira que eu aprendi, que eu aprendo agora. Inclusive os aparelhos, se a gente for observar, eles estão cada vez menores para caber na mão, para caber na bolsa, pra gente ter um acesso rápido a essa informação. E aí a gente não tem um conflito entre gerações, né, que é muito fácil a gente ir para esse diálogo de conflito. O que a gente tem são dois pontos, duas gerações em pontos diferentes que não conseguem se comunicar. E o que é mais necessário nesse momento é a construção de uma ponte para que elas possam dialogar com autonomia e com harmonia também, né? Então eu acho muito que esse conflito não vem das gerações, mas vem da necessidade de criar estratégias para que essa geração se conecte. Ai que legal, que gostoso. Traz uma paz ouvir você falar, né? É verdade. Que bom, né? eh que a gente começa a entender o que que acontece, porque às vezes os pais têm uma grande dificuldade de sentar com o filho, de ensinar ou de repente o filho também tem dificuldade de entender o que o pai está tentando passar, né? Então, é realmente um descompasso que tem acontecido. E a gente vai agora pra sala de aula, porque eu pergunto pra nossa profe, né, a Dora, na prática da sala de aula, o que mais mudou no comportamento das crianças em relação eh eh ao ensino, né, hoje e e de antes, se a gente puder fazer um comparativo. Agora é, eu eu sou privilegiada, né, de estar assim a a gerações aí, né, na própria escola em que eu trabalho, eu já vi diversas gerações, né? Tô mais de 20 anos lá. E assim, eh, hoje a criança, como já foi falado, ela traz de casa já os pré-requisitos, né? Ela sabe muito mais do que nós podemos imaginar, né? Ela vem com aquela eh ânsia de nos explicar, de conversar. Então, de fato, o professor deixou de ser o centro da sala de aula e o aluno é o protagonista, o aluno quer conversar, quer saber, né? Porque muitas vezes a gente fala assim: "Ah, o aluno não tem mais interesse". Ele tem interesse, sim. E nós, professores, devemos nos apropriar desse interesse dos alunos, né? E estarmos aí juntos com eles também aprendendo com eles, né? Porque é um desafio a sala de aula hoje em dia, né, com essa dinâmica desses alunos de protagonistas, eles são assim muito sábiis mesmo, eles eles estão ativos, eles às vezes a gente fala assim: "Nossa, que música é essa?" Como assim, professora? Né? Eu sei que é um exemplo muito simples, mas é o dia a dia escolar, né? O silêncio, não. As salas de aula, como você tá falando do tradicional, né? Cadeiras enfileiradas ainda existem, mas tem vários momentos de grupos, de saídas da sala de aula. Essas dinâmicas fazem com que eles consigam colocar para fora tudo o que eles de fato sabem, porque eles sabem muito mais do que nós possamos imaginar, né? Então é isso, é um desafio e nós precisamos eh estar juntos com eles para que eles possam não perder o interesse, né, pela educação, pelo aprendizado, porque o aprendizado hoje tem que ser diferente mesmo, né? Não podemos mais pensar como antigamente. Olha só que legal, né? É um ponto bem importante que não é que a criança de hoje ela não aprende, ela aprende, mas de maneira diferente. É a evolução. A gente passa por por evoluções, né, por crescimento. E aí tem o conflito entre o modelo antigo de ensino e essa nova forma de aprender. Então, ah, se a gente para para analisar, ã, Gabriela, os professores também, ah, além dos pais, tiveram que se reinventar para poder ã levar o ensino para essas crianças que estão em sala de aula hoje, não é? Precisaram se reinventar, mas também eh vivenciar, se permitir viver, né? Antes a gente tinha um modelo que era muito mais voltado paraa autoridade, né, do que para de fato o vínculo. Então hoje a gente entende pela neurociência e pelos estudos que o aprendizado ele se dá pelo vínculo e pela exploração de novos ambientes, de novas falas e da muito da afetividade. Então o professor ele também se reinventa todos os dias para acolher aquele jovem e para aquele jovem se sinta interessado em participar daquele momento de aprendizado, né? Então a gente sai um pouco e eu fui professora por alguns anos antes de ir pra área clínica, [risadas] então eu consigo ali ver, a gente sai muitas vezes desse papel, dessa persona, para ser acolhedor. E isso foi um dos grandes ganhos da educação, que antigamente nós não tínhamos esse olhar tão acolhedor de aprender com o aluno, de falar: "Poxa, isso eu não sei, vamos pesquisar junto". Nós também somos pessoas, nem sempre a gente tem todas as respostas e tá tudo bem. O ato de eu mostrar para ele que eu não tenho todas as respostas, que a gente pode junto construir esse conhecimento, faz ele se sentir pertencente ao processo de aprendizagem. E aí a aprendizagem vem com muito mais coerência e é muito mais significativa. Olha só, né? Enquanto você fala, a Dora que afirma, né? É assim mesmo que acontece em sala de aula. Então, profe, exatamente, né? esse sócio emocional, como nós comentamos anteriormente, as crianças elas chegam mais carentes mesmo pro pelo próprio mundo que nós estamos vivendo, né? esse mundo corrido aí, é tudo pronto, é tudo rápido. Eu falo muito para eles assim, por exemplo, desafio, muitas vezes eles não não aceitam porque eles querem a resposta de imediato. Eu falo, gente, perdeu a graça, vamos lá, eu vou dar um tempinho e vocês vão tentar fazer e depois nós vamos discutir. Aí fico olhando do amigo, não, gente, isso não vale, porque eles querem tudo pronto, né? E eles precisam, né, saber que não vamos procurar pesquisar, como a Gabi falou, eh juntos, né? Hoje nós temos uma troca de experiência, né? E a vivência também, como ela comentou, nossos alunos querem vivenciar, né? Eh, caderno, livro, existe, precisa, é necessário. Nós não podemos esquecer da responsabilidade, né, que eles devem ter. Nós conversamos muito isso em sala de aula, né, de responsabilidade, de tarefas entregues, né, porque o mundo exige isso de nós seres humanos, né, não é tudo obaoba, como muitas vezes eles acabam pensando, né, e acontecendo. Mas o que não diante de todo esse universo que estamos vivendo aí digital, não podemos esquecer de nossas responsabilidades, né? usar agenda assim, porque não, a agenda é um é um uma ferramenta muito importante e é desde pequeno, né? Porque são hábitos que as crianças vão criando e que uma hora você não precisa mais eh cobrar. Então, o mundo digital tá aí, as crianças são nativos digitais, eles são muito espertos, muito rápidos, mas não podemos esquecer das responsabilidades. Exato. Agora, quando você fala em mundo digital, a gente tá aqui falando eh o o tema do programa de hoje é como os pais devem se adaptar para ensinar os filhos, né, que levam a lição eh da escola para casa. Mas já que nós tocamos no ponto digital, eu quero lembrar a questão do celular na escola, que já é proibido. Eu gostaria, já que eu tenha uma professora aqui que tem atividade, né, em sala de aula. Como que foi para você? O que que eh fez diferença? Isso melhorou mais a conexão eh eh dos alunos entre eles, entre a os professores e a escola? Olha, no fundamental, anos iniciais nós já não usávamos celular, né? As crianças não usam, mas os mais velhos sim. E foi bem diferente. Está bem diferente o momento do do dos intervalos. Nós conseguimos observar os alunos conversando, brincando, eh jogando eh jogo de tabuleiro, né? Mesmo ensino médio, fundamental dois, assim, os anos finais. E eu acho assim muito importante, foi muito válido. É claro que não zerou, né? As crianças fazem pesquisas lá dentro, os menores também. Nós temos salas para pesquisas, eles estão eh eh em contato com com os celulares sim, nos momentos adequados, né? Então vamos supor, se eu precisar de uma tarefa que vá usar o celular, eu peço antecipadamente e eles trazem, eles vão usar naquele momento. Mas mudou assim, mudou muito o perfil escolar sem o celular, com as crianças. Isso é interessante, né, Gabriela, porque a essa questão da humanização, da volta da conexão na escola também vai refletir na conexão em casa no momento de fazer a lição e repercute em todos os momentos, né? Quando a gente fala do uso da tecnologia, eh, a gente muito fala-se do nativo digital porque se pressupõe que essa criança, esse adolescente nasceu na tecnologia, mas na verdade ele nasceu no ambiente tecnológico, né? Porque o cérebro se desenvolve da mesma maneira que o nosso se desenvolveu. A diferença é o ambiente. E aí o que que acontece, né, na nossa época, eh, quando a gente queria assistir o nosso programa favorito, como que funcionava? A gente não tinha um controle ali para ligar um stream na TV. Sim, o horário do programa, negociares com a família, porque só tinha uma televisão, na maioria das vezes, se poderia usar a TV naquele momento, né? Tudo isso e ainda quando o programa começava a guardar o comercial, nossa. Então, a gente treinava ali a nossa atenção, a gente treinava a nossa memória, treinava tolerância ao tédio. Então, olha quanta coisa o nosso ambiente com menos estímulo proporcionava. Uhum. Hoje, por já ambiente extremamente tecnológico, e é claro, né, assim, é muito importante que fique claro que não é uma crítica, a tecnologia ela é extremamente necessária e a gente viu muito sobre isso na pandemia, né? Sem ela, talvez a gente não tivesse mantido a conexão com os amigos, com a escola, muitas vezes a sanidade mental, né? ter um ambiente de lazer, mas o a criança e o jovem hoje ele já nasce num ambiente com muitos estímulos e aí ele não consegue trabalhar habilidades que a gente trabalhava naturalmente no cotidiano. Então ele precisa se concentrar para trabalhar essas habilidades e a ajuda dos pais, dos professores e entender que a tecnologia ela é uma ferramenta extremamente útil. Ela vai ser uma ferramenta de aprendizado, ela vai ser uma ferramenta de suporte de organização de rotina com a agenda, com o despertador, uma ferramenta de lazer, mas que cada momento ela precisa estar organizada. Então, para mim, a chave muito grande é entre o ambiente e a expectativa. A gente tem um ambiente muitas vezes de livre demanda tecnológica, que o fica no celular full time, né, o tempo todo e não sabe nem muito bem se agora eu tô usando a tecnologia, tela o celular para estudar, para me divertir, para ficar na rede social. E aí eu tenho a expectativa de que esse jovem tenha uma atenção sustentada, uma memória, uma tolerância ao tédio, que ele não desenvolveu habilidade para isso, ele não aprendeu. Exatamente. E aí quando a gente fala dessa intolerância ao tédio, eh, você de casa pode entender como a falta de paciência, né? É a falta de paciência. Sabe aquela criança que ela ou jovem que ela não tem paciência para esperar um bolo fica pronto? Assar. Beleza, vamos fazer um bolo em casa? Vamos, vamos, vamos fazer a massa, colocar no forno e esperar os 40 minutos ou 45 minutos para assar. E essa criança, ela não tem essa paciência. Já tá pronto, já tá pronto, já tá pronto. Então, não tem paciência de aguardar. E isso também se reflete onde? na hora que os pais sentam com essa criança ou adolescente para ajudar na lição de casa, né? Nós conversamos com algumas pessoas que relataram, gente, a dificuldade de ensinar, a dificuldade de fazer a tarefa junto com o filho, né, Dora? E quando o pai e a mãe eles sentam para ajudar na lição, ah, o que que tá acontecendo? Porque de repente esse momento que deveria ser um momento de conexão gostoso, né, que que é o momento que você está ali com o seu filho, com a sua criança, acaba virando um momento de briga. O que que acontece? Exatamente. Você falou bem, né? Esse momento que deveria ser um momento prazeroso, né? Eu sempre falo nas reuniões de pais que eles dever os pais, né? Sentem com seus filhos. Momentos de lição, seja prazeroso. Converse, pergunte. Isso aqui eu não sei fazer quando a criança for, né, dizer, porque ela fala: "Papai, minha pro não faz assim, né? Eu sei de um jeito diferente." E o pai vai dizer: "Verdade, no meu tempo não era assim". O tempo para falar verdade, o tempo que a gente vive, a época é a mesma, né? nós vamos tentar nos conectar e para poder ajudar esse filho, essa criança da melhor maneira possível e aprender com essa criança também. O que que eu penso, né, e é o que acontece. Com certeza. Eh, todos nós estamos vivendo nesse mundo corrido. Eu não sei o que, atrás do que nós estamos correndo, né? Mas e aí o que acontece à noite, por exemplo, o pai tá cansado, a mãe tá cansada, ele teve alguns problemas no dia a dia e aí ele pega para fazer a lição como uma obrigação. É, eu gostaria de colocar aqui, não de vocês tentarem em casa fazer um exercício não como uma obrigação, mas como um momento de prazer, um momento de estar com o seu filho na qualidade daquele pouco tempo da lição de casa, porque ele não é tão extenso assim, né? Às vezes a criança traz para casa uma pesquisa, não é de um dia paraa noite que ela leva essa pesquisa. Essa pesquisa foi pedida há pelo menos 5 dias, né? E aí a criança falou uma vez, falou duas, não deu tempo, não deu certo. E aí chegou o dia paraa entrega. E aí aquela pesquisa vai ser feita corrida e o aluno vai ficar chateado e não é aquilo que ele esperava. Então assim, eu eu acredito que se nós fizermos um exercício de estarmos com os nossos filhos, né, ou com os nossos sobrinhos, netos, seja lá quem forem que precisem do nosso auxílio, que nós estejamos ali inteiramente para eles e esses conflitos vão ser minimizados, porque é como eu estou que eu vou passar para essa criança. E como que essa criança vai entender essa lição de casa, mesmo que seja diferente a maneira que os pais aprenderam? Se o pai tiver nervoso, se a mãe tiver nervosa, se estiver fazendo com esse tempo tão corrido, né? Então assim, vamos pensar um pouquinho mais sobre isso, que tudo tem um jeitinho, né, mais agradável de se passar e seu filho vai ficar mais satisfeito porque em sala de aula, gente, acreditem, eles passam isso para nós, né? E não é fazer para o filho jamais, porque aí não tá fazendo nem você e nem ele, né? Porque você já sabe aquilo lá e você tá deixando que ele não tenha a autonomia. Vamos explicar como a Gabi comentou aqui, fazer juntos, pesquisar juntos. Olha isso aqui, o papai também não sabe. Vamos pesquisar. Olha, eu posso conversar com a sua professora, pedir mais uns dias e nós vamos entregar isso aqui de acordo, tudo bem para você? E aí vai minimizar esses conflitos, com certeza, né? Mas a gente sabe que é muito difícil. É um exercício para todos nós. Exatamente, né? Bem interessante, porque vai acontecer o conflito. Por quê? Porque a criança vai dizer para o pai, a minha profe não ensina assim, não. Acontece isso. E aí o pai tem que ter uma maturidade emocional, né? Tem que ter uma calma também. E aí o pai já vem, ele já vem o o pai, enfim, o cuidador, ele já vem de um dia estressante. A gente sabe que o nosso dia a dia chega no fim do dia, a gente tá estressado, quem nunca, quem não? A vida é muito corrida. E aí você vai ensinar, você já vai ensinar com pressa. E às vezes você olha pro filho e daí você fala assim: "Poxa vida, mas você tá dizendo que eu não sei, que a professora ensina diferente, então vai aprender lá com a professora". [risadas] É sério isso, né? Então a gente também tem que ter ah tem que parar, tem que respirar e tem que entender que isso é um momento de conexão e que a criança ela tá ali precisando do nosso auxílio, né, Gabi? E esse é um momento excelente para você usar tecnologia. Você está cansado, você está sem tempo muitas vezes, né? mas quer participar com o seu filho. Eu entendo e vejo isso muito em orientação parental, que mesmo quando chega uma queixa, quando a mãe, o pai, o cuidador reclama, ele reclama tentando buscar o melhor. Ninguém faz algo pro filho, eh, porque não quer fazer. A gente sempre faz, até quando erra, a gente erra tentando acertar e se culpa depois, né? Então, esse é o momento excelente pra gente entender a tecnologia, a função dela, né? começou a ensinar ali. Às vezes a gente lembra do conteúdo, mas a gente não tem um aprofundamento daquilo porque já faz tempo, não é uma coisa que a gente usa cotidianamente, aprendeu de uma maneira diferente e tá tudo bem, né? É nesse momento que o filho vai falar: "Ah, mas a minha pro não me ensinou desse jeito". Verdade. Como a sua pro te ensinou? Muitas vezes ele já até sabe a resposta e ele quer muito mais que você faça a lição com ele porque ele quer ficar perto de você porquea você ficou fora o dia inteiro e é o único momento que ele tem a sua atenção só para ele sem você tá fazendo alguma coisa em casa ou organizando as coisas pro dia seguinte. Então às vezes não é nem a questão da dificuldade da lição, mas é a questão da necessidade de afeto. Então mesmo se a pro te ensinou diferente, me explica como ela te ensinou. E se aí sim você perceber que tá acontecendo uma dificuldade, que realmente aquele conteúdo é difícil, poxa, na minha época era diferente, eu não lembro. Vamos pesquisar, pesquisar junto, vamos olhar, né, na internet como que aprende. A gente tem canais hoje com vídeos, canais com jovens explicando para jovens. Então, é nesse momento que a gente vai construir a ponte que a gente falou entre as gerações lá atrás, quando a gente aprende junto, quando a gente descobre junto, né? De repente olha ali na rede social o perfil de alguém que explica aquela matéria, manda pro filho, o filho vai falar: "Olha, olha o que eu vi do jeito que a gente aprendeu, olha, mãe". E manda também automaticamente, de uma maneira natural, a gente tá se conectando. Ai, que delícia, né? E olha só, um ponto interessantíssimo que a Gabriela trouxe, né? Da psicologia, gente, né? Da psicopedagogia. A criança, uma criança impressionante, né? Eh, não é assim. A minha profe não me ensinou assim, né? Mas de repente a criança já até sabe como é, mas ela só quer um momento contigo. Poxa, é forte isso, né, Dora? Muito forte, muito. E é muito valioso esse esse momento, né? Depois que passa a gente fala: "Puxa, por que eu não fiz isso antes, né?" E se vocês observarem, isso é um puxãozinho de orelha aí para todos nós, né? para todos nós. Eh, eh, eu comentei com as crianças, né, Bill Gates, por exemplo, e o Steve Jobs, eles não permitiam que os filhos usassem a tecnologia. Eles que são, né, os os protagonistas de da tecnologia aí, né, eles que trouxeram e eles não permitiam que os filhos usassem. Só em momentos de de lição mesmo, tela jamais. Eles preferiam e foi mesmo feito, né, nós vimos, pudemos ver, participar que eles punham as crianças à mesa, almoçavam juntos, jantavam junto, conversavam sobre o dia, sobre eh os problemas escolares, à noite colocavam, assistiam a um vídeo juntos, enfim, esse momento, família, mais uma vez, vamos dizer, não é fácil, mas não é impossível e vai ficar lá pra frente, para sempre, na memória afetiva do seu filho, da sua filha, né? né? Ele jamais vai esquecer um momento desse em família. E outra coisa que acho que a Gabi eh vai aceitar é essa organização para essa lição de casa. Voltando um pouquinho à lição de casa, um lugar adequado, né, de luz, de arejado, tudo organizadinho, né? A organização, eu sempre cobro, a organização faz com que a criança aprenda melhor, correto? a postura, que maneira essa criança tá sentando para fazer essa lição, onde ela está sentando, não pode ser em cima da mesa de na mesa de jantar, não é, Gabi? Qual horário ela está fazendo essa lição, né? Se é muito tarde da noite, o rendimento dela vai ser muito diferente, né? Pensando que ela entra cedo na escola, 10 horas da noite, qual é a qualidade que ela tem para fazer essa tarefa? Olha só, interessantíssimo a organização, né, do local, porque, ah, vamos fazer tarefa, senta aqui no sofá e a televisão tá ligada e aí tem já e é eh um petisco aqui para dar para, né, dar uma beliscadinha. Isso não, né, profe? O material já vai todo bonito, [risadas] né? Acontece isso. É verdade. Isso acontece com frequência. Você tem visto isso? Como que é para você, professora, quando você recebe a lição, né, que os alunos levam para fazer em casa? O que que você detecta, como que você consegue observar? Não, já aconteceu várias várias vezes, né, de pegar uma apostila, é suja mesmo, com um material sujo mesmo, com alimento, vê-se que ele fez a lição à mesa, né? Eh, e aí em uma das reuniões, aí eu ouvi risadas, né, gente? Daí eu fiz bem assim, eu falei assim: "Isso não é para rir. Isso é muito sério. Uhum. Porque como que como que o aluno, né? Então eu estou lá comendo, escrevendo e o que que eu estou captando, né, dessa desse ensino aí? O que que eu aprendi? O que que eu lembrei da lição? Não vou, eu não captei nada, eu apenas fiz automaticamente, correto? Além da questão que aí a gente vê também o quanto eles estão imersos nessa tecnologia. Hoje a gente trabalha com múltiplas telas. Sim. imiso, eu não posso perder tempo, vamos se dizer assim, comendo para depois fazer a lição. Então, vou fazer os dois juntos, né? É uma corrida, como disse a Dora, não sei para onde, né? Para chegar primeiro não sei para quê, eh, sempre à frente, sempre ansioso, né? E a gente vê isso nos pais, na gente, muitas vezes, nos jovens, nas crianças, viver num mundo imediatista, que tudo precisa ser urgente. E aí se tudo é urgente, eu acho que também deixa de ser urgente, né? Porque aí perde a prioridade do que é necessário agora, do que é necessário depois. Exatamente. E as crianças, elas têm levado as tarefas de casa eh feitas, certinhas ou ainda existe assim uma dificuldade, né? Porque quando a gente fala sobre eh ensinar em casa, a gente precisa também eh ver o que que a escola avalia sobre isso, né? Como que você, Dora, como representante, né, de uma instituição de ensino aqui no programa hoje, qual que é a avaliação que você faz eh eh da devolutiva dessas tarefas? Eh, nós sempre focamos, né, o o dia a dia e a lição de casa. E nós colocamos aos pais que isso é muito importante, porque não sei se felizmente ou infelizmente, eh, parece, não, não estou julgando, sim. Parece que para os pais a lição de casa não tem mais importância para os filhos, né? Esta lição de casa deixou de ser importante, né? Então, tudo bem fazer ou não fazer. E aí vem no que eu havia dito anteriormente, na responsabilidade, não é o fato, é porque eu é o meu trabalho é fazer a lição de casa, então eu preciso ser cobrado, orientado. É assim, ajuda dos pais, como você perguntou, o pai pode muito bem ajudar dizendo para ele no fim da noite, traga a sua lição aqui pro papai dar uma olhadinha. Uhum. Você fez mesmo? Que tal você modificar isso daqui, né? Olha, essa letra não tá muito boa, você pode fazer melhor. Uhum. Né? O que acontece é que, infelizmente não está tendo valor essa lição que vai para casa, um trabalho que vai antecipado. É como se, eu sei, a vida dos pais é muito corrida mesmo. A nossa vida é muito corrida e para eles é insignificante aquela lição. E não é. Porque quando a criança, por exemplo, deixa de levar um trabalho porque ela não teve esse apoio, ela fica muito chateada, entendeu? E ela fica muito envergonhada, né? E ela gostaria de participar como as demais que levaram, né? Então assim, infelizmente ainda hoje muitas crianças ficam sem fazer a lição. E aí o que que acontece? Elas trazem isso de casa que não tem importância. Uhum. Né? Então elas sabem que isso tem um um não é uma punição que eu vou dizer, uma anotação ali, né, que tá pontuado, que não fez a tarefa, que precisa colocar em ordem, mas para ela tem algumas situações que tanto faz, fazer ou não fazer, espelho, né? Então, a tarefa ainda hoje insignificante na gente só que interessante a fala da Dora, porque a criança ela é espelho, né? ela vai refletir todas as ações que ela vê. Então, se em casa a tarefa não tem sentido, não tem importância, na escola, independente, se a profe anotar lá que não fez a tarefa, ah, tá tudo bem. Agora isso vai impactar, porque nós estamos falando de um momento de formação, né? eh formação de opinião, eh entendimento da vida desse ser humaninho que está em construção. Agora, essa questão é dos pais, é importante a gente pontuar aqui, e nós já falamos sobre isso em outros programas, a responsabilidade e a conexão entre pais e escola, né? Porque a escola ela não é responsável pela educação 100% dos nossos filhos. O pai precisa estar aliado com a escola para que juntos a gente possa moldar esse ser humano e trazer para ele eh a educação para ter sentido na vida, não é, Gabriela? Porque muitas vezes alguns pais não é crítica, gente, eu também sou mãe e eu sei como funciona porque a gente vive sim em um mundo frenético, corrido, a gente precisa trabalhar para manter de repente o filho na escola, né? Aí você fala assim: "Então, mas eu já tô trabalhando para poder manter na escola". Então a escola que se vire, porque eu não dou conta de tudo sozinho. Mas pai, mãe, a gente precisa de um tempo sagrado para se aliar a escola e traçar uma maneira eh, como que eu posso dizer assim, uma maneira mais leve e de uma conexão com os nossos filhos. Então, é uma conexão a 13, é pais, educadores, né? Eh, e cuidadores, escola e os filhos, Gabi. É mais ou menos isso. É exatamente isso. O que eu vejo muito, né, assim, os pais eles têm uma vida tarefada, eu também sou mãe, passei por esse momento. É realmente muito desafiador acolher todas as instâncias da nossa vida com a qualidade que nós gostaríamos que elas estivessem. Uhum. Eu acho que o a grande virada de chave, tá? Até quando a Dora fala ali, né, do Bill Gates, ela vem trazendo essas informações. Eh, o que que acontece? A gente cresce, né? A gente não cresceu, mas vivenciou a criação de um mundo tecnológico imediatista. Os jovens já estão acompanhando esse processo. Desde pequeno a gente tem a sensação que a gente precisa entreter aquele ser humano, que ele não pode ter óscio. Então, o tempo todo você quer que ele esteja ativo, seja na escola, seja em casa. Muitas vezes a gente matricula em vários cursos, eu sou a favor. É extremamente importante praticar esporte, né? Até pela liberação de dopamina que a tela tem muito rápido. O esporte já traz isso de uma maneira mais organizada. Mas será que o nosso filho precisa o tempo todo ter estímulo? Hum. Mas aí o que que eu faço? Ele vai ficar sentado no celular o dia todo? Não, né? A gente precisa entender, por exemplo, quando uma criança nasce, né, do zero ali aos 6 anos, vamos pensar, ela tá descobrindo o mundo, ela nunca viu o mundo. Às vezes coisas que pra gente é óbvia, que não faz nem aí muito, né? Uma gota de orvalho, a chuva diferente, o céu que mudou de cor, para ele não é óbvio. Ele tá vendo aquilo pela primeira vez. Então, validar essa informação quando eles vão ficando maiores ali na idade do fundamental, né? Então a gente chega do trabalho correndo, ah, eu tenho que fazer janta e deixa o filho lá. Por que não chamar ele para participar? Me ajuda, né? Ó, eu vou lavar a louça que eu vou fazendo a comida. Dentro do que cada um dá conta. Ninguém vai dar uma tarefa maior do que o filho tem habilidade naquele momento, né? Ah, eu tenho medo do fogão, eu tenho medo da faca. Tá tudo bem. Então, vamos ver o que ele dá conta. Ah, ele dá conta de montar a mesa, ele dá conta de passar um aspirador enquanto eu tô fazendo a comida. Então você vê que você vai minimizar aquela sobrecarga do do pai, da mãe, do cuidador que trabalhou o dia inteiro, ainda tem a casa toda para organizar, porque ele vai te ajudar. Ele reconhece o papel dele dentro da família e vê que ele é importante dentro daquela constituição familiar. Então você vai estar menos [limpando a garganta] cansado no final do dia para fazer a tarefa. ele vai entender o quanto você se esforça. E aí a gente tem uma relação mútua, né, de um processo que vai acontecendo. Então, nem sempre é a necessidade de oferecer estímulo o tempo todo, mas é participar ativamente do processo do funcionamento da casa, né? É conversar sobre como foi o dia. Uma das grandes queixas que eu vejo dos pais é: "Ele não fala nada para mim como foi na escola, ele não me conta nada. Eu pergunto, ele fala: "Foi tudo bem". Mas a gente sempre vai já nesse tom investigativo. Como foi a escola? Que que você fez? você brigou, teve aula, não sei o quê. A gente nunca fala: "Nossa, hoje o meu dia foi agitado, eu fiz isso no trabalho, nossa, eu fiquei com medo, fiz uma coisa nova, nunca tinha feito antes, né? Então quando a gente conta da nossa experiência, ele se sente confortável e à vontade para contar dele também. Precisa ser uma troca, não um interrogatório. Nossa, que fala maravilhosa, né? Muito bom, né, Dora? É isso mesmo. Isso tem reflexão positiva na escola, tem impacto na escola. total. Nós podemos ver, né, em sala de aula, o aproveitamento de alunos que têm esse vínculo com os pais, né, que tem esse contato, que a família presente, como você falou, né, e o daqueles alunos que não tem, você já sabe que que o que ele recebe, ele dá o que ele recebe, né? A criança ela dá o que ela recebe, né? Então você vê até mesmo no na organização, falando de organização, quando a criança é organizada, a apostila tá toda feita, o material tá todo feito, o caderno, o livro, os trabalhinhos são detalhistas, assim, você vai ver. É, é assim, gente, não tem como ela não ir bem em uma prova, em uma avaliação, porque ela já fez todo aquele trabalho, né? O pai já ajudou, a mãe já ajudou, ela já sabe arrumar a cama, por exemplo, né? você conversa com crianças assim mais mais ativas mesmo e mais e elas são mais maduras porque elas já têm essa vivência. É exatamente isso. A rotina, a rotina é obrigatória em casa com as crianças, mas não é a rotina da criança ou para a criança, né? Porque é muito fácil, né, Gabriela, nós colocarmos lá de manhã, acordou, escovou o dente e a minha rotina, eu faço parte dessa família. Eu também saio para trabalhar, eu também tenho horário para levantar. Então vamos colocar a rotina da família, né? Faz um quadro lá e põe todo mundo, põe o papai, a mamãe, o irmãozinho, todo mundo e todas as tarefas possíveis que elas possam fazer e ajudar nesse dia a dia que a noite vai ser bem mais tranquila, tenho certeza. Olha só, né? Cria conexão, né, entre a as pessoas que compõem essa família. Isso vai refletir de uma maneira muito positiva nessa criança até no comportamento social dela na escola, né, Gabi? E um dos abismos gigantescos que eu escuto, né, de pais de adolescentes, agora falando especificamente de adolescentes, é ele não ajuda em casa, eu peço e ele não faz, ele não lava um copo. E aí, eh, eu observo que tem a questão sim, eh, de ter a necessidade de participar familiar, mas tem a necessidade de olhar pra infância. Exato. Na infância, geralmente foi aquela criança que o pai não pedia ajuda, não trazia para perto para participar desse momento de lavar uma louça, de arrumar uma mesa, né? Sempre tava muito voltado para que ele ficasse entretido, porque sozinho eu faço mais rápido. De fato, quando a gente tá sozinho, a gente faz muito mais rápido porque a gente tá habituado, porque faz isso todo dia. E faz até às vezes de maneira automática. A criança, ela tá aprendendo, ela vai errar, ela vai derrubar, ela vai sujar. Às vezes uma tarefa que você fazia em 40 minutos vai demorar 1 hora30 e tá tudo bem, né? Nessa idade ali, quando ele tá na na infância, dos seis até mais ou menos os 12 anos, até um pouquinho antes, é onde eles têm mais vontade de ajudar, mais vontade de participar. E a gente às vezes por praticidade acaba tolhindo isso dele e quando chega na adolescência a gente quer que ele faça. Só que ele não aprendeu, né? E não é que não sabe fazer a ação, ele aprendeu a ação, mas ele não aprendeu o processo, não aprendeu a importância, não entende como aquilo é importante dentro do ambiente familiar. E ao mesmo tempo a gente precisa entender que nem sempre dá para solicitar essa ajuda. Tem um dia que eu tô esperando uma visita, então eu preciso ser mais rápido, eu não posso demorar 1 hora e meia e tá tudo bem você fazer sozinho, desde que seu filho saiba fazer com você também. Então é observar esses momentos. Hoje eu preciso fazer mais rápido. Ah, vou dar uma tarefa mais simples e vou fazer mais rápido porque eu tenho um compromisso, tenho horário. Mas que isso não seja a rotina, né? Se programe para ter tempo, que ele possa ajudar, que você possa levar mais tempo para ensinar aquela tarefa e entender que não é perder tempo, é ganhar aprendizado, é ganhar habilidade, é ganhar conexão. Olha só, né? conexão e quando delegar, né, Gabriel, não voltar atrás, por exemplo, pedir para você pode arrumar sua cama, aí eu passo lá e vou, tá tortinha lá, eu vou arrumar. Ela vê, a criança observa, ué, pediu para eu arrumar, foi lá e e refez o que eu fiz, amanhã eu não vou arrumar. E aí ela vai e vai depois cobrar isso de você, né? Ah, eu lavou, pode lavar loucinha hoje. Lavou. Hum. Ficou um sabãozinho, uma gord. Espera a criança sair, né? Uhum. Não faça na frente dela, porque ela vai observar, né? Oriente e como elogie isso, né? Olha como você é capaz, né? Para tudo o elogio, gente, nessa fase, não é, Gabriela? E além do elogio, assim, reconhecer que ajudou, a gente fala: "Claro, ai como você fez bem, né? Obrigado, mas muito no sentido de, poxa, você me ajudou tanto hoje lavando a louça, eu tava tão cansada." Olha, que é uma coisa que a gente é treinado a não falar, né? nos sentimentos, não falar das nossas emoções, não demonstrar. Muitas vezes a gente confunde demonstrar gratidão no sentido de poxa, eu tava tão cansada, que bom que você lavou como ai nossa, eu sou a mãe e não tô dando conta de fazer. Exatamente. Completamente, né? Diferente. Não é muito bom, gente, que bate-papo gostoso, né? A gente tá falando de de educação dos nossos filhos. Nós trouxemos aqui eh um tema bem interessante que é a dificuldade de ensinar as nossas crianças eh no momento da lição de casa, mas você percebe que é um universo grande, né? Eh, são vários pontos que permeiam até a gente chegar na lição de casa. Então, a gente precisa nos atentar. Isso vai refletir eh na hora de fazer a lição de casa, na hora dos nossos filhos irem pra escola. A a Dora falou, né, de de crianças jovens que que chegam, que são ativos, que têm ali eh uma conexão com os pais e que já chegam falando e tal. Eu gostaria doora que você trouxesse pra gente ao contrário, o contrário disso, as crianças que de repente não têm esse convívio com os cuidadores, né, os pais, enfim, e que tem apresentam uma dificuldade de repente na hora de de fazer a lição de casa e daí essa devolutiva também não é legal, elas acabam eh sendo acabam ficando frustradas, né? A criança ela fica frustrada porque ela já sabe, ela já vai pra escola com sentimento de frustração desde que ela sai de casa, porque ela sabe que ela não fez como deveria ser feita aquela lição. E aí ela já chega na escola com esse sentimento. Essa criança, ela demonstra eh uma carência afetiva? O que que você tem sentido? O que que você percebe em sala de aula quando a gente fala eh de uma criança que tem aí essa essa situação da dificuldade da conexão com o pai no momento de fazer uma lição, por exemplo? Olha, esse assunto é muito triste. É triste mesmo, porque eh eu tenho privilégio de estar, né, numa instituição bem bacana, onde as crianças têm eh condições, né? é um ambiente bem bem legal e e eles estão ali. Muitas vezes nós falamos: "Vocês têm que valorizar o que vocês têm", né? E ali mesmo neste ambiente onde nós sabemos que os pais, bom, que têm condições, né? Que tem um poder aquisitivo melhor, mas a carência afetiva é bem maior também, né? E sim, tem muitos alunos que nós nós percebemos em sala de aula essa carência onde ele vem e te abraça mesmo, te abraça que ele quer sentir o seu abraço, né? E ele vem assim às vezes: "Tia, eu não fiz a lição porque minha mãe tirou a minha pasta". Eu falo assim: "Não, tá bom". Primeiro eu falo assim: "Mas a mamãe não tem que tirar sua pasta, né? Porque a pasta é sua." Mas vamos lá. Mamãe tirou, tá bom, pode trazer amanhã. E aquilo parece que tirou um peso ali de cima da criança, né? Que porque ela, primeiro ela foi com bastante receio, né? com toda aquela carência do erro, de o medo do erro e de não ter levado a lição e depois ela senti esse abraço. Então, sim, temos muitos alunos com essa carência afetiva, muitos alunos que sim, como todos nós já sabemos que o pai pensa que porque está trabalhando. Eu estou trabalhando para te dar do melhor. Uhum. O que é o melhor? O melhor é esse tempo da lição de casa com ele. O melhor é sentar com ele, como a Gabriela havia dito. O melhor é bater um papo e contar o seu dia de trabalho para o seu filho para que ele conte o dia escolar dele. Às vezes, nessa carência aí, o aluno aconteceu algo lá na escola que para ele foi muito grave. Claro, ele nos procurou, procurou ajuda, deu tudo certo, mas ele não contou em casa, porque ele sabe que se ele contar o retorno vai ser muito contrário daquele abraço que ele espera, né? Então, sim, ainda existe essa carência. Ainda os pais acham que porque pagam, que porque dão tudo, porque porque trazem para os filhos esse esse inúmeras atividades fora do contexto escolar que tá tudo certo. É natação, é inglês, é futsal, é ipismo, é tudo de lindo, mas é muita coisa para essa cabeça agitada que eles têm. E não é isso que eles querem, na verdade, nem o que eles precisam, né? Então essa carência ela pode ser melhorada pensando nisso. Vou dar um momento de qualidade. Meia hora de qualidade é muito melhor do que um dia inteiro na casa e cada um na sua tela, que nós sabemos muito bem que acontece, né? E em sala de aula já aconteceu das crianças verbalizarem. Eu posso usar o celular? Sim. Minha mãe usou o dia inteiro. Ah, mas a mamãe tá trabalhando. Nem sempre, né, tia? Nem sempre. Então eles também têm esse olhar, né? Eu posso fazer porque meus pais fazem, como nós já falamos aqui do espelho, né? E essa carência continua porque tá todo mundo junto e cada um no seu mundo virtual ali. Nossa. Não é verdade? Olha só, Gabi, avalia pra gente essa fala da Dora. É, a gente passa por etapas, né? Quando a gente vê, geralmente na primeira infância que a gente aprende pela imitação, né? Que que acontece? A pessoa, o cuidador, o pai, a mãe, quem tá ali responsável por aquela criança. Isso se estende muitas vezes ao professor da educação infantil. E eu falo porque eu já fui professora da educação infantil. Então eu percebia isso no meu dia a dia. Para eles é como se você precisasse ser digno de ser imitado, né? Eles não vão conseguir verbalizar isso ou trazer isso com clareza. Mas muitos pais me relatavam dentro desse momento que quando chegava em casa vi os filhos pondo os ursinhos todos enfileiradinhos e dando aula igual eu dava. E quantas vezes a gente não viu o nosso filho fazer isso, né? Brincar de escola, brincar de uma coisa e e trazer esse momento. Ele imita, ele aprende pela imitação. Ah, então quer dizer que eu nunca vou poder ficar na tela na frente dele? Não, não é isso. Então, ó, vamos fazer a lição primeiro. Enquanto você faz a lição, eu vou fazer algo que eu tenho que fazer, né? Agora é o nosso momento de tela. Lembrando, né, que a gente sabe que até o os 4 anos de idade o ideal é que não tenha acesso a tela e depois disso a gente vai trabalhando gradativamente o tempo. Então separar o momento. O que a gente vê hoje é que a tela ela ocupa todos os espaços, o espaço de aprendizado, o espaço de interação social, o espaço de lazer. E não é um problema, mas eles estão misturados, tem que haver um equilíbrio. Então, estou fazendo lição, estou usando a tela, estou usando a tela para aprender, não vou entrar no Instagram, não vou bater papo, não vou jogar joguinho, estou fazendo a lição. Ah, agora é o momento de lazer com a tela. Agora sim, né? Eu vou jogar separar esse momento. A tecnologia, ela é uma grande aliada quando ela é usada como ferramenta, como estratégia, como ela quando ela é usada como suporte, a gente perde, né, habilidades que precisam ser desenvolvidas pelo convívio, pelo processo, né, e não já ter tudo pronto. Então isso faz muito sentido dentro desse do que a Dora traz, né? A gente hoje a gente tá tão no imediato que a gente quer a resposta pronta e a gente pula o processo. É como, por exemplo, quando alguém fala assim, a gente ouvi muito isso, nossa, mas para que que eu vou aprender isso aqui? Eu nunca vou usar máscara na minha vida. [risadas] Talvez você nunca use, né? você não vai lá no banco e tem que fazer uma fórmula de báscara, mas as conexões que o seu cérebro fez para aprender a chegar na báscara, você vai usar pra vida toda. Você não usa o efeito final, mas você usa o processo de aprendizagem, que é uma coisa que a gente perdeu muito com a chegada da tecnologia. Antes a gente tinha o contato com o papel, a gente precisava procurar informação e às vezes essa informação, como a gente tava em busca, ela não vinha de imediato. Então a gente só chegava na na informação final para pôr lá no trabalho para entregar pra professora depois de percorrer um caminho. E nesse caminho nós descobríamos várias outras coisas que iam compor o nosso aprendizado, o nosso conhecimento. Hoje a gente vê os jovens jogando muito rápido na internet, então a gente já tem a resposta final e perde processo e perde aprendizagem complementar a esse processo. Uau, olha só, é que essa leitura desse trabalho, né, quando nós pedimos trabalhos lá, eles falam assim: "Pode imprimir, você pode imprimir, desde que você leia na íntegra, né? Leia o texto todinho, aponte as partes principais do que a professora tá pedindo e aí com a sua caligrafia, com a sua opinião, com a sua opinião, com seu parecer ali, você eh finalize o seu trabalho. Não é para você copiar o que está escrito ali, é para você entender e trazer em sala de aula. E se eu tiver bem boazinha, eu ainda peço para você vir aqui na [risadas] e uma aula para os seus amiguinhos, tá bom? Então assim, não perdeu-se, como ela disse, perdeu-se esse processo e isso é prejudicial. Em que sentido? Coordenação motora fina, eu dou aula para os quintos anos, né? Tem crianças de quinto ano, não é de quinto ano que nós ouvimos falar lá lá do médio, até da faculdade, que não se lê a caligrafia porque não se treina mais, né? Isso não é ser antigo, não é você ser antiquada, querer que o seu aluno escreva: "Eu ainda estou nesse processo de aprendizagem. Meu aluno ainda precisa ter esse movimento na mão e fazer uma prova bem escrita, né? Saber a pontuação, acentuação. Uhum. que as telas o fazem esquecer, como ela falou, esquecer. Ele não precisa, ele fala tia e ele fala: "Tia, mas para quê? É por quê? Eu tenho corretor no celular." Exato. Entendeu? Então assim, bem bem complicado mesmo, bem desafiador, bem desafiador. Nós precisamos entender e conseguimos colocar na cabecinha deles sem muito, né, muita imposição, porque senão faz com que ele desista mesmo, nem acredite no potencial que ele tem, porque eles têm um potencial muito grande, né, de colocar, por exemplo, uma história no papel. Ah, tá bom, então eu vou lá. Ah, tia, pode deixar que eu vou noiar. Não [risadas] vai não. Então nós vamos fazer o texto aqui em sala mesmo e depois nós vamos pontuar, né? Eh, para ver o que você precisa melhorar. E é isso. Mas como ela falou, perdeu-se mesmo essa linha aí do querer descobrir, do querer fazer e do da necessidade desse complemento aí de fazer essa linha inteira, né, do aprendizado. Exatamente. Exatamente. Você tocou num ponto bem interessante. A gente já tá quase encerrando o programa, mas eu preciso falar da inteligência artificial, como é que é, né? Eh, eh, agora como é que como que os professores vão lidar com essa questão, né, da inteligência artificial sendo inserida. E a gente sabe que eh eh a criança não é para ter celular, mas a gente sabe que a criança tem celular, que o adolescente tem celular e que consequentemente vai utilizar a inteligência artificial também para fazer a tarefa. [risadas] E isso quando não é o pai e a mãe que utiliza para poder ajudar a fazer a tarefa. Tá aqui, deixa eu aqui, ó, resposta. tá aqui. Inteligência artificial respondeu, coloca aí no seu caderninho. E aí, profe? E aí que primeiro que ele tem que saber que pergunta ele vai fazer para essa inteligência artificial, né? E para ele saber qual pergunta ele ele tem que ter uma uma inteligência dele, né? Na verdade, ele tem que aprender a perguntar. Exatamente. Ele precisa saber perguntar o que que eu vou perguntar para eu poder ter aqui, né? E é isso. Porque eles pensam ainda porque são mesmo muito crianças, né? que é só fotografar, por exemplo. Muitos deles já me disseram [risadas] que eles põe aun exato. Que tia, sabe como que eu faço a lição? Eu fotografo e eu escrevo. A gente não precisa mais nem digitar, entendeu? Digitar ainda falam, eles falam. [risadas] Tipo assim, tia, já era. Assim, o pior é que essas redes elas são redes que elas interpretam a nossa maneira de perguntar e elas são empáticas, elas são treinadas para ser empática. Então, na adolescência isso é perigosíssimo, porque onde eles procuram e eles precisam se sentir pertencente, aquela carência que você comentou. Sim. E aí, ai, meu pai não me entende, minha mãe não me escuta, meus amigos estão todos no celular. Quando eu falo com essas plataformas de inteligência artificial, elas me tratam não do jeito que eu preciso, mas do jeito que eu quero ser tratado. Uau! Olha só, né? E aí a gente precisa lembrar inteligência artificial. Se é artificial, já não é desse mundo, né? Já não é o que a gente espera de uma relação entre pessoas. Posso usar? Sim, mas com que qualidade, né? Será que eu tenho maturidade para usar? Será que é o momento de usar? Então são perguntas ali que a gente precisa acompanhar durante todo o processo de uma criança, de um adolescente, que fica muito vulnerável nessa faixa etária em questão afetiva. É questão afetiva, né? É aquela que aquele negócio, chega na escola, dá aquele abraço assim na profe que não quer largar mais e aí não tem o contato com o pai e com a mãe no momento oportuno, que seria de de fazer a lição de casa. E faz o quê? vai pro quarto e vai conversar com a inteligência artificial, que de repente é é a oportunidade que ele tem ali para ajudar a fazer a lição, né? E a partir dessa conversa também surge uma sensação de pertencimento com a inteligência artificial, com o que não é desse mundo, como a Gabi trouxe. A gente precisa ter muito cuidado com os nossos filhos, com as nossas crianças, porque isso não tem mais volta, né? A tecnologia tá aí. inteligência artificial tá aí, só que a gente tem a nossa base, a gente precisa se atentar à nossa pirâmide, né? Nós temos os nossos valores, as a nossa base, a escola, o aprendizado, a escrita, ler livros, estar junto, o pertencimento, a inteligência por completo, né? Não, não pular as fases. Gente, é tanta coisa que tem que ser dita, que tem que ser conversada referente à educação, à conexão entre pais, filhos e escola. E que bom que a gente tem essa oportunidade de estar aqui com duas pessoas que vivenciam isso, que que estão, né, eh, no dia a dia, eh, convivendo com os pais e filhos, né, e e que podem trazer pra gente, eh, dicas de como a gente deve fazer para poder melhorar a questão do aprendizado, do conhecimento e da conexão entre as famílias que t se perdido com o tempo e com a correria do dia a dia. Sei, a gente precisa trabalhar para poder eh oferecer o melhor para as nossas crianças, mas até que ponto esse melhor é o melhor mesmo, né? Eu quero agradecer a presença da Gabriela, da nossa profe Dora. Nossa, quanta contribuição. É uma reflexão que fica. Será que a gente tá ensinando ou só a gente tá tentando repetir o que a gente viveu? Ou a gente tá empurrando os nossos filhos para fora, né? levando eles, empurrando eles pra escola e aí eles vão perceber que de repente eles só têm a escola e eles acabam perdidos dentro de casa e vão buscar outro lugar para tentar a sensação de pertencimento. A gente precisa falar mais sobre isso. Quero agradecer, profe, que linda, que gostoso ouvir vocês falarem, porque vocês estão nos ensinando a como lidar com toda essa situação que a gente tá vivendo no momento de hoje. A gente precisa disso, de aprendizado, de ensinamento. Deixa uma dica pros nossos pais, pros nossos telespectadores e obrigada mais uma vez pela sua presença. Imagina. Eu que agradeço por estar aqui contribuindo. Eu vou dar uma dica assim que é crucial. Fiquem mais junto de seus filhos. Não é perda de tempo, é ganho de vida. Acreditem nisso. É cansativo, muito cansativo. Fácil falar, fácil falar, mas depois vem o retorno, vem. Acreditem. É isso. Muito bom. Essa foi a nossa professora Dora e a gente agradece também a nossa professora também, a Gabi, que é psicopedagoga, né, que passou aí por um processo e hoje tá trabalhando, é, com a pedagogia, então é uma amante da educação e trouxe pra gente assim, nossa, pontos imprescindíveis pra gente parar, assistir de novo esse programa e tentar inserir no contexto da nossa vida. Obrigada, viu, pelos ensinamentos. Deixa uma dica aí pros nossos telespectadores e acredito que a gente tem que aprender e a gente aprende todo dia. Que bom que a gente pode fazer isso. Eu é que agradeço pelo convite. Eu acho que o principal é olhar pros nossos filhos e entender que não é um momento de conflito, que isso não é um duelo, que nós também já fomos adolescentes e se a gente parar para pensar, né, a gente tem o hábito de falar: "Ai, a adolescência é tão complicada, mas será que a gente não é complicado também, né? e entender que eles estão num momento que nós já passamos e eles, os adolescentes, principalmente quando olhar pros pais, entender que os pais também já foram adolescentes e entender que a ideia não é disputar, mas criar uma ponte onde a gente possa dialogar, onde a gente fala tanto que a conexão é a palavra do momento. Então se conecte com o seu filho, com a sua filha, tente criar esse momento e construir uma ponte ao invés de duelar entre dois pontos. Excelente, gente. Quanto conteúdo. A gente fecha a semana com chave de ouro do nosso estúdio Câmara, né? Falando sobre conexão, sobre família, né? Sobre sensação [música] de pertencimento, sobre aquele quentinho do coração. Eu falo, quero agradecer você que tá aí do outro lado, agradecer todos os nossos convidados aí da semana. A gente conseguiu entregar muito conteúdo, todos eles disponíveis no YouTube, tá? Você pode assistir novamente, mandar paraas pessoas do seu convívio para que a gente possa ter eh momentos importantes de aprendizado com o nosso estúdio Câmara, gente. Então, um abraço grande, fique bem, um final de semana lindo, aproveite esse final de semana para se conectar com quem você ama. E segunda-feira a gente tá de volta e aí a gente vai conversar sobre o efeito pateta. Olha só que interessante. Pessoal da minha geração vai lembrar do efeito pateta. Há mais de 65 anos, uma [música] animação já fazia um alerta que continua atual. Lançado pelos estúdios Disney, o Motor Mania mostrava uma transformação curiosa e preocupante. Você lembra o personagem Pateta? Ele é calmo, educado, um cidadão comum, mas aí ele vira outra pessoa ao entrar no carro. Ele fica impaciente, fica agressivo, fica egoísta. Isso tudo no trânsito e hoje esse comportamento tem nome. [música] É a síndrome do Pateta. Mas afinal, por que tantas pessoas mudam completamente ao assumir o volante? O que está por trás da agressividade no trânsito? Hoje é comum associar comportamentos inadequados ou de agressividade no trânsito ao estresse da vida moderna, né? Tem engarrafamento, tem a pressa, tem o sinal que não anda logo, mas na [música] maioria dos casos não é bem assim. Quando a raiva perde o controle, o ambiente vira um perigo para o [música] gatilho, gente. Então, a gente precisa falar sobre isso. É a síndrome, o efeito pateta, é aquela, resumindo, aquela pessoa que se transforma quando está no [música] carro, né? E aí o carro vira uma arma para ela. A gente precisa falar sobre isso porque faz parte de nós e nós vamos tentar entender na segunda-feira em mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Um beijo para você, fique bem, aproveite o final de semana e até segunda, se Deus quiser. Ciao. Ciao. [música] [música] [música] [música] [música]