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Estúdio Câmara | Celular domina ou somos nós? Especialistas analisam vício digital
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Estúdio Câmara | Celular domina ou somos nós? Especialistas analisam vício digital

28 views Publicado 28/04/2026 HD · 59:21
Resumo editorial

O Estúdio Câmara desta terça-feira coloca em pauta a relação entre o cidadão brasileiro e o smartphone, aparelho que deixou de ser apenas ferramenta e virou ambiente onde a vida acontece. O programa recebe uma psicóloga e psicanalista especialista em dependências químicas e complexidade para discutir os dados que assustam, o Brasil ocupa o topo do ranking mundial de tempo médio diante de telas, com aproximadamente 9 horas diárias por usuário, e o sistema de algoritmos atua para prender a atenção via recompensas dopaminérgicas constantes. A conversa percorre a evolução do tijolão de um quilo da década de 1970 até os smartphones de 200 gramas hoje considerados indispensáveis para trabalho, lazer, navegação, pagamento e relacionamento. O debate detalha os impactos físicos, mentais e sociais do uso excessivo, propõe estratégias de uso consciente em famílias campineiras e questiona até que ponto controlamos o aparelho ou somos controlados por ele no cotidiano.

Descrição do vídeo

No Estúdio Câmara da TV Câmara Campinas, transmitido ao vivo em 28 de abril de 2026, psicóloga/psicanalista Rafaella Fiori (especialista dependências químicas/complexidade) debate impactos do smartphone: 9 horas/dia telas no Brasil (maior mundo), dopamina recompensas infinitas, algoritmos prendem atenção. De tijolo 1kg (1973) a 200g indispensável, substitui carteira/câmera/mapa — mas controla ou controlado?. 📱 Evolução e Armadilhas: Martin Cooper (pai celular, 97 anos) critica "extensão corpo" que ignora rua real. Rafaella: transição ferramenta → vício quando sofrimento inconsciente domina (perda controle, prazer distorcido). Impactos: ansiedade, burnout, sono ruim, relações fragmentadas (mesa jantar todos telas). Brasil: gerações nativas mexem YouTube aos 7 anos, internações clínicas desintoxicação telas (crianças precoces). Relações e Presença Celular silencia diálogos: "falso importante" (urgência imediata), medo exposição (áudio editado vs. gaguejo real). Rafaella: ausência presença quebra vínculos (família/amigos); "vnculo sem presença impossível". Cinema: sala escura, mas telas iluminam — perda ldico crianças (chupeta eletrônica), TDAH mascarado (agitação pós-tela). Crianças e Futuro Geração hiperestimulada: neuroplasticidade até 25 anos distorcida (cores vibrantes/vídeos sem pausa). Mães: celular "acalma" sem rede apoio, mas gera isolamento. Rafaella: filtro essencial — reduzir danos, ensinar brincar/orgânico vs. artificial. Dicas Práticas e Agenda Câmara Pausas respiração/sentir corpo (5min sem tela). Higiene sono (celular fora quarto). Presença: olho no olho, vulnerabilidade (terapia resgata). Agenda: Comissões Política Urbana (alertas lixo), IR fundos sociais (Débora Palermo), Reforma Tributária (Luís Yabiku), Eldorado Carajás (Paolla Miguel); previsão chuvosa (19-30°C). Rafaella: "Devolva vida a si — filtre, não seja refém". Amanh: saúde mental profissionais saúde (Dia Enfermeiro). Participe WhatsApp 199729377. Assista debate essencial! 👍 Comente sua relação celular e compartilhe. Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

Transcrição completa do vídeo

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Olá, muito bom dia para você que tá ligadinho com a gente aqui na TV Câmara Campinas. Estamos chegando. Estúdio Câmara no ar ao vivo para você nessa manhã de terça-feira, hoje dia 28 de abril. Como você está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. Bom, gente, vamos conversar sobre o celular novamente, né? Mas a gente precisa falar. É um aparelho que deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a ser ã o ambiente onde a nossa vida acontece. Trabalhos, relações, entretenimento, tudo cabe na palma da mão. Olha só que análise legal. Evoluindo de um tijolão. Quem lembra do tijolão? 1 kg. 1 kg em 1973 para smartphones onipresentes. Tecnologia móvel, gente, substituiu telefones fixos, câmeras, mapas, carteiras. Quem é que tem uma carteira aí? Carteira mesmo, aquela que se carregava dinheiro, ah, documento, né? São bilhões de usuários, o Android e o iOS. Eles conectam o cotidiano globalmente, tornando-se ferramentas indispensáveis de trabalho e comunicação. Mas junto com essa praticidade surge também uma pergunta importante. Até que ponto a gente controla o celular? Você sabe disso? Você consegue e eh ter essa dimensão ou nós estamos sendo controlados por esse aparelho? E aí, o que que você me diz? Olha, o Brasil é hoje um dos países que mais passa tempo conectado no mundo. São cerca de 9 horas por dia nas telas. Agora você imagina, né? Eh, tem pessoas que trabalham 8 horas por dia e aí não tem tempo para fazer mais nada. É uma correria louca. E aí você pensa 9 horas conectados, 9 horas nas telas por dia. Parte disso não é escolha, não. É um sistema que disputa a nossa atenção o tempo inteiro. E quando eh esse uso passa do limite, os impactos aparecem no nosso corpo, na nossa mente, nas nossas relações. Hoje a gente vai tentar entender como viver nesse mundo digital sem adoecer e principalmente como a gente faz para criar uma relação mais saudável com a tecnologia. E a pergunta é: você domina seu celular ou é dominado por ele? Participe com a gente, conta aí como é que é a sua relação com esse aparelhinho que tem tudo sobre sua vida nele. Você já pensou perder o celular hoje? Que caos, né? Manda pra gente sua mensagem. 199729377. Eh, nossa produção já tá apostas. Você manda sua mensagem. A nossa convidada também com a gente aqui no estúdio. Daqui a pouquinho vou apresentá-la. E aí você vai mandando a sua mensagem e a gente vai se conectar com você daqui a pouquinho. Tá vendo só como o celular é legal, né? Mas até que ponto você pode conversar com a gente, a gente vai interagindo através do celular, mas até que ponto a gente eh consegue fazer uma análise saudável da nossa relação com este aparelho que tem dominado a nossa vida. Será que tem? Então conversa com a gente. Estamos te aguardando agora. Vamos eh com algumas informações da agenda da Câmara de Campinas. A Câmara de Campinas, gente, eh vamos falar para você de ontem, né? Ontem realizou a 23ª reunião ordinária deste ano e os vereadores aprovaram uma moção de apoio ao projeto de lei 15.000 eh 1571, perdão, de 2026, que trata do marco regulatório dos correspondentes bancários no Brasil. A proposta busca garantir mais transparência, equilíbrio e segurança jurídica ao setor, ampliando a proteção desses profissionais. Durante a reunião de ontem, também foram aprovados diversos projetos de concessão de honrarias, entre eles títulos e diplomas a personalidades e entidades da cidade. Enfim, tudo que aconteceu na reunião ordinária de ontem você confere no Câmara Notícia hoje ao meio-dia com Gabriel Castro. Já hoje, terça-feira, às 10 da manhã, acontece a reunião da Comissão de Política Urbana em pauta, a criação de um sistema de alertas para informar a população sobre a coleta de lixo e o serviço de catatreco, com avisos enviados com antecedência mínima de 24 horas. Também será discutida a revogação da área pública anteriormente concedida ao Centro de Ciências, Letras e Artes. No mesmo horário, às 10 da manhã, ocorre também eh no plenário da Câmara. E essas reuniões são no plenário e no plenarinho, tá? Então, ocorre a primeira reunião da Frente Parlamentar de incentivo à destinação de parte do imposto de renda aos fundos municipais da criança adolescente e pessoa idosa. A iniciativa busca ampliar a conscientização sobre a destinação do imposto devido para financiar projetos sociais no município. O encontro contará com palestra de representantes da Receita Federal, com orientações sobre como as pessoas físicas e jurídicas podem contribuir sem custos adicionais. Logo mais, às 2 da tarde, será realizada a 10ª reunião da Comissão de Estudos da Reforma Tributária. O encontro vai abordar o acompanhamento orçamentário, contábil e financeiro dos municípios. Diante das mudanças no Sistema Tributário Nacional, especialistas vão participar do debate que será transmitido ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas. E à noite, às 19 horas, né, acontece e um debate que marca aí os 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás. A atividade discute a luta pela reforma agrária, os impactos sociais do episódio e o sistema de justiça brasileiro. Em seguida, às 19:30, será realizada a sessão solene para a entrega do diploma Laudelina Campos Melo. A homenagem reconhece Vanda Russo e Terezinha de Fátima Carneiro da Silva pela atuação em defesa dos direitos das mulheres e na promoção da justiça social. O evento também será transmitido pela TV Câmara Campinas. Você pode acompanhar tudo isso que eu falei para você ao vivo aqui na TV Câmara Campinas pelo YouTube e também presencialmente no plenário e no plenarinho. É só se dirigir até a Câmara Municipal de Campinas. Muito bem, informações. OK. Vamos à previsão do tempo para hoje. Como é que fica o tempo, hein? Ô, choveu lá na sua casa ontem em casa deu uma choviscadinha, né? Eu acordei, o chão estava molhado lá fora e hoje parece que vai ser igual a ontem. pancadas de chuva à tarde e à noite. Agora de manhã, sol com algumas nuvens no céu, mínima de 19, máxima 30. Então, olha só, 30º, um dia quente hoje. E lembrando que nós estamos aí no outono. Bora se hidratar, bora ter um dia lindo, bora fazer um dia maravilhoso. E agora vamos falar do celular, que não é mais um acessório, uma extensão do corpo e da mente, gerencia finanças, entretenimentos, rotas. E o problema não está só no tempo de uso, não, mas também na forma como ele reorganiza o nosso comportamento. Notificações constantes, recompensas rápidas, rolagem infinita. Tudo isso ativa mecanismos do cérebro que incentivam a repetição. E quando a gente percebe, já não conseguimos mais se desconectar. Você domina o seu celular ou é dominado por ele? Esse é o tema do nosso programa de hoje. E para entender esse paradoxo, paradoxo, perdão, a gente convidou a psicóloga e psicanalista Rafaela Fiore, que já está com a gente aqui no estúdio, vai participar conosco e vai ah trazer pra gente o olhar psicológico eh dessa ferramenta que faz parte do nosso dia a dia e que às vezes a gente acaba sendo dominada por ela também. Rafaela, bom dia, seja bem-vinda, obrigada pela sua presença. Bom dia, muito obrigada pelo convite, né? Meu nome é Rafaela Fiore, sou psicóloga e psicanalista. Eu atuo com dependências químicas no geral, eh, e demandas de alta complexidade. E, e é um prazer estar aqui hoje falar de um tema tão atual e eu acho que muitas pessoas ainda não vem a problemática. Eu acho que destrinchar um pouco disso com você vai ser excelente. Maravilhosa, Rafaela, nossa parceira, né? Sempre atende ao nosso chamado, porque nós precisamos, gente, de pessoas especialistas, né? eh em saúde mental para nos orientar, né? A problemática tá aí e é um problema, mas também é uma solução. Então, a gente precisa aprender, equilibrar e ser orientados por quem realmente entende do assunto. E é por isso que a Rafa tá aqui com a gente. E a gente já é acha interessante, eu achei bem interessante pensar que o pai do celular, né, o Martin Cooper, hoje ele tem 97 anos. Ele diz que o aparelho tem um potencial ilimitado, mas ele, palavras do criador do celular, ele se sente péssimo ao ver pessoas atravessando a rua sem pensar, presas às telas. Ele diz que o celular se tornou uma extensão do nosso corpo no passado. Gente, olha só que análise legal. O aparelho pesava 1 kg. Quem que lembra disso? Celular pesava 1 kg, né? O peso hoje, hoje ele não pesa o quê? 200 g. Olha lá, sei lá. Mas hoje o peso desse celular parece ser diferente, porque antes, se a gente não conseguia ficar com celular de 1 kg o tempo todo aqui conversando ou então teclando, né? Coisa que não existia, mas imagina você com celular de 1 kg mandando mensagem o dia todo. Impossível, né? Hoje a gente consegue, o peso físico não tem mais, só que esse peso parece ser psicológico. Então eu pergunto pra Rafaela, Martin Cooper falava desse celular como uma extensão da pessoa do ponto de vista da psicologia, da psicanálise, Rafa, onde termina a ferramenta útil e começa a patologia? em que momento essa extensão tecnológica deixa de nos ajudar e passa a fragmentar a nossa própria identidade? Uhum. É uma linha muito térme, né? Porque quando a gente pensa nessa nessa perspectiva, né? O que que é um adoecimento, né? Ah, se eu fico muito no celular, se eu não fico, eu acho que é algo muito mais complexo do que isso. Como assim? Eh, um adoecimento psíquico, né, uma psicopatologia, ela se trata e ela precisa se tratar de um sofrimento muito intenso, seja de um nível consciente ou inconsciente, né, que a gente vê que os impactos disso para aquele sujeito é um impacto que tira ele de um curso normal de vida. Uhum. Então assim, o que era para ser um complemento, né, uma ferramenta, algo que ele domine, passa a ser algo que o domina diante dessa situação. Então eu perco o controle e eu vou me adoecendo. Ainda que exista um prazer, é um prazer muito distorcido nessa circunstância. Eh, e às vezes o próprio sujeito não consegue reconhecer, mas os prejuízos eles vão aparecendo ao redor das da vida dele, das relações dele. Às vezes aquilo afeta no trabalho, afeta no sono, eh, e ele vai adoecendo e aquilo vai suprindo uma parte que ele não quer olhar que dói, que dói, que angustia e que traz de novo ele para perto dele mesmo. Porque viver é sentir. Uhum. Perfeito. Viver é sentir. E o que será que a gente sente quando a gente está conectado com o celular? Será que a gente sente? Será que dá tempo, né, de sentir alguma coisa ou a gente só está ali performando, performando, correndo igual um ratinho na rodinha? Agora, aproveitando esse gancho do pai do celular, o Martin Cooper, eh, ele diz: "Olha só, gente, quem inventou o celular já disse isso. Atravessar a rua sem pensar". Existe uma explicação psicológica, Rafa, para esse estado de transe, porque o cérebro prioriza a tela mesmo em situações real. Porque se você tá atravessando a rua, você, por mais que o sinal esteja fechado, pode ser que venha uma ambulância e ela precisa de passagem, independente se o sinal está aberto ou fechado. E se você está ali no trânsito celular, vai ser difícil a sua atenção estar no trânsito, né? Então, o que que a psicologia traz pra gente sobre esse estado de transe que nós ficamos quando nós estamos diante de uma tela? Uhum. É uma situação que não é por acaso, né? Não é que a gente se sente assim por acaso, né? Da forma como a gente se relaciona com o celular. O celular ele nada mais é, né? O celular, o acesso à internet, né? Eh, ele ele nada mais é do que um programa. Uhum. Ou seja, ele é todo programado dentro dos algoritmos, dentro das estatísticas, justamente para prender a sua atenção naquilo. Então assim, o que antes a gente assistia televisão, a gente, né, tava vendo um programa, de repente uma propaganda, outra propaganda e aquilo ia construindo as nossas esperas. Agora a gente assiste um vídeo curto muitas vezes, eh, se tem anúncio, a gente pula, se tá um pouco inteediante a gente avança, né? E aí a gente vai conectando um vídeo no outro de uma forma como se nunca encerrasse. Então, a gente perde aquela pausa que a gente tinha na relação eh e o contato, né, com essa tela e a gente passa a se conectar, né, de uma forma que atenda esses requisitos. Então, o conteúdo que aparece para mim não é um conteúdo por acaso. Ele vem de tudo aquilo que eu estou pesquisando, de tudo aquilo que eh se vê como interesse comum, tudo aquilo que me deixa em estado de alerta. Então assim, quantas pessoas agora próximo do do, né, das questões políticas que a gente vivenciou de guerra, eh, não ficou recebendo notícia e notícia e aquilo vai gerando desespero e aquele sensacionalismo. Eh, então a gente tá sempre conectada ao fato presente. Eh, e ele precisa nos gerar algo, não é por acaso. Então assim, aquele sinal, aquela informação, aquilo que a gente tá recebendo vai nos gerando mais necessidade de receber ainda mais. E é ali que a gente vai se perdendo, porque não tem fim. Se eu se eu me coloco a consumir, eu me coloco a estar num processo que não termina, a não ser que eu coloque um fim. E às vezes é difícil mesmo. É, se a gente se coloca a consumir, a gente vai se consumindo, né? né? A gente vai se consumindo porque eh tem história de pessoas que têm, né, a dependência do celular. E antes da gente entrar no ar, eu tava aqui conversando com a Rafaela, ela havia me dito que já tem clínicas, né, Rafa? Como é que é essa história? Eu tava falando e a gente já entrou no ar, nós paramos a conversa, mas eu achei interessante a gente trazer pro ao vivo eh eh essa essa informação que você tava dizendo que tem clínicas já para dependência, né, de celular. Olha só, a gente ã conhece clínica de dependência química, né? Agora tem a clínica de dependência digital. E aí um pouco mais agravante porque tem crianças, né? eh, sendo internadas. É isso. É isso mesmo. Então, assim, a gente tem os hospitais psiquiátricos, né, as clínicas de reabilitação, eh, e hoje a gente tem vagas, né, para desintoxicação de telas. E aí, nessas vagas a gente vê crianças a partir de 7 anos. Eh, e assim, o processo de internação, eh, eu lembro até fui fazer a visita em uma dessas clínicas que a profissional ainda falou: "Ah, a criança fica todo protocolo, né, a gente faz toda a desintoxicação, ela volta para casa, a primeira coisa que ela tem acesso à tela." Oxe. Então, assim, a gente vê que a criança ela tem essa sensibilidade ainda maior, né? tanto por conta, né, dessa da neuroplasticidade, da capacidade de adquirir e de expandir esses conhecimentos, né, e aquilo ainda é mais intenso porque ela tá em formação, mas isso afeta tanto as crianças quanto os adultos em níveis e intensidades muito singulares. Mas a gente pensar que hoje existe um espaço clínico para tratamento de algo que antes a gente pensava como um lazer, como uma ferramenta, é de se repensar o uso. É verdade. É de se repensar o uso. Até porque se a gente para para analisar a história da comunicação, né? Ahã. O telefone antes, lembra quando o telefone era de descar? Nossa, para o zero. Daí você ia lá e daí esperava voltar tudo. Você lembra disso? E quem não tinha telefone em casa, que ia pro orelhão. E aí, ã, quando era data comemorativa, né, porque telefone era algo assim astronômico, né, era caríssimo você ter o telefone em casa e aí tinha os orelhões. E aí o que que acontecia? a pessoa fazia fila para poder falar, né, com o ente querido que tá lá longe, que tá em outro lugar, em uma data comemorativa. E se você para para analisar como foi facilitado, como está imediato, né, mas também como nós estamos sofrendo, sofrendo, exatamente, nós estamos sofrendo com essa dependência. Aí a pergunta do programa é: você você consegue eh eh deixar o seu celular te manipular ou você tem ali um limite pro uso do seu celular, né? Manda pra gente, daqui a pouquinho eh eh a gente vai falar com você, a gente vai ler a sua pergunta aqui no ar. E falando em comportamento social agora, Rafaela, hoje é comum a gente estar em uma mesa de jantar e todo mundo tá no celular. Eh, o que que esse silêncio digital em conjunto diz com a qualidade das nossas relações atuais? A gente tá perdendo a capacidade de sustentar uma conversa real? Será? Ah, Ruben, não é assim? É assim sim. Vai num restaurante, observa, você vai contar nos dedos da mão as pessoas que estão se conectando. Você sabe que tem gente que às vezes tá aqui e a outra pessoa tá do lado ou na frente, ela conversa pelo aplicativo. Gente, o que que é isso? A gente tá perdendo a capacidade de sustentar uma conversa, igual a gente tá fazendo aqui, olhando olho no olho, sabe? conversando, sentindo eh a energia, podendo ah olhar para outra pessoa. Isso é divino. E se a gente parar para analisar, a gente tá perdendo isso. Sim. Eh, e é comum assim em todos os âmbitos, né? Eu acho que cada vez mais eh, esse acesso à tela, né, ele vai nos isolando. E aí quando a gente fala de um adoecimento, a gente não fala só do sintoma, né? Não fala só do excesso de tela, a gente fala das comorbidades que vão acompanhando, né? Porque ali eu eu nessa rede social, nesse nesse campo, eu fico protegido porque eu não preciso me expor, às vezes eu não preciso aparecer, às vezes eu pertenço a grupos ali que eh que não que eu não vá conseguir isso no meu meio social natural, mas eh necessita de um investimento da minha parte, um investimento no olhar, de conseguir sustentar as relações mais profundas, de conseguir estar vulnerável diante ao outro. Então eu acho que quanto mais barreiras a gente vai colocando, é mais confortável é estar nessa mesa de jantar e estar longe, né, de querer estar perto às vezes de pessoas que a gente nem sabe se são reais, né, ou se também são personagens, né? Então, eh eh uma coisa vai se conectando a outra, né? O quanto da minha ansiedade também tá ligado ali. Então eu estou nervosa, eu estou ansiosa, então eu vou e me distraio, né? enrol rolando a tela, recebendo outras informações. Isso me acalma? Não, né? Mas assim, traz um conforto. É como se aquele vazio que me angustiasse fosse preenchido por uma coisa que não se sustenta e aquilo vai transbordando dentro de mim. Então, o quanto de verdade falta nessas relações a ponto de eu poder desligar essa tela e olhar no olho da pessoa que tá na minha frente, é de poder dizer e verbalizar, né, que ah, eu compartilho a foto da minha mãe no aniversário dela com texto lindo e no dia a dia eu abraço, eu olho, eu compartilho a minha vida com ela. Uau! Forte, né? Verdade, né? Aniversário de repente da mãe, de uma pessoa que você ama, você coloca lá um texto maravilhoso, né? Aí, aí como é que é o dia a dia? Já parou para pensar sobre isso? E muitas vezes a gente acha que mexer no celular é uma escolha livre, né? Ah, escolho mexer no celular. Mas a ciência, gente, mostra de acordo com alguns estudos, que é quase um adestramento. Especialistas compararam o smartphone ao cigarro ou a um cassino de bolso, onde cada notificação é uma aposta de prazer. É o famoso circuito da dopamina digital. Então, vamos lá pra nossa psicóloga. As pessoas muitas vezes se sentem culpadas por não largar o aparelho. Você quer, você tá entendendo tudo que a gente tá falando e você quer largar, mas você não consegue. Aí você sente culpa. Agora eu pergunto, Rafaela, é justo colocar apenas no indivíduo a culpa pelo vício, sabendo que existem milhares de engenheiros do outro lado da tela trabalhando para nos deixar cada vez mais conectados. Olha só que complexo isso. Uhum. Sim. E aí entra, né? Acho que a gente sempre vai entrar nas políticas públicas, né? num posicionamento político de como tá sendo regulamentado aquilo que nos acessa, porque agora a gente vê essa briga por conta dos jogos, né, dos tigrinhos, né, de certa forma uma plataforma de azar, mas a dimensão que isso tomou eh também conectada essa tela. Então assim, uma ferramenta que era para ser um jogo às vezes de lazer, de prazer, se torna um vício. Então assim, o quanto que isso vai me acessando também em camadas extremamente prejudiciais. E não é por acaso, eu vou, eu entro ali naquele meu núcleo de recompensa e aquele núcleo de recompensa ele vai sendo distorcido. Então o que antes era uma recompensa natural que me traria prazer, ela agora é totalmente artificial. Uhum. Então, o quanto isso se assemelha também ao uso de uma substância? Então assim, é socialmente aceito, porque todo mundo tem o celular, o celular do ano, mais legal, mais bonito, o mais prático, eh, é, é socialmente esperado de nós. Mas o quanto que isso também não está relacionado a um adoecer muito muito prejudicial a tudo que tá ao meu redor, porque eu não consigo mais ter controle, porque eu não consigo mais ficar uma hora, duas horas e dormir, ficar um tempo ali sem celular, poder descansar, poder ir no cinema e e se desconectar totalmente. Então eu vou fugindo de qualquer hábito que me desconecte do meu uso, porque eu preciso disso para existir. Exatamente. Quando a Rafa traz essa questão do cinema, acho interessante a gente pontuar aqui. Eu fui no cinema esses dias e a gente sabe que o cinema é tudo escuro, né? E você vai no cinema para quê? Tcharã. Para assistir o filme. Então, abracei um potão de pipoca, né? E deixei o celular, gente. Claro. E no cinema você tem que deixar o celular no bolso ou na bolsa. Você desconecta, você deixa ele em modo silencioso, né? Mas olha, eu vi várias cadeirinhas iluminadas, é impressionante. E assim, não tava lá de repente tirando uma foto da tela para dizer: "Ah, tô aqui no, né, para performar na internet". Não tava respondendo porque dava para ver o dedinho nervoso ali, sabe? Aí eu fiquei pensando, mas meu Deus, o que acontece? A pessoa foi no cinema para tentar, olha só a tentativa do do cidadão, né? A pessoa vai no cinema para quê? Para ele tentar desconectar um pouquinho, para tentar relaxar um pouco, mas o celular tá ali e ele insiste em tirar você da sua conexão com você mesmo. E aí o que acontece? Não deu outra, pegou o celular e foi lá responderu alguma mensagem, tá? Se é emergência, beleza. Agora, se é algo que pode esperar, poxa vida, você tá no seu momento. Agora você vê quão complexo é até no nosso momento, né? Estamos aqui falando de uma sala de cinema e você sabe que se você pegar o celular todo mundo vai ver. Então a gente não consegue nem ter a a noção de que poxa vida, né? eu tô fazendo algo que não é para ser feito aqui dentro dessa sala e a gente acaba fazendo isso. É uma coisa assim que é a gente não tem muita é isso, a gente perde a noção, né, do que a gente tá fazendo, a gente age pelo impulso. É mais ou menos isso. Uhum. Eh, é a necessidade, né, de que tudo aquilo ali é urgente. Uhum. Isso. Urgente. Mas que urgência é essa, né? Eh, vamos nó nos colocar alguns anos atrás que a gente não tinha um acesso assim eh o tempo inteiro, a gente pausava, né? Então assim, a gente precisava estar em casa para receber uma ligação, né? Para ser comunicado de algo. A gente precisava estar em casa às vezes para ligar a televisão e assistir uma notícia. Por que que tem que ser imediato, né? Por que que eu não posso ter esses respiros, né? E ali a gente vê muitos quadros, né? se alastrando eh com relação a a uma ansiedade generalizada, uma uma necessidade constante de ser bombardeado, de notícia, de tá resolvendo, porque aí eu me sinto importante ali, porque o outro precisa de mim, né? Eu tenho uma falsa impressão, né, de que se eu não tivesse ali, como que isso se sustentaria? Mas na verdade é é muito superficial, né? A gente é muito mais do que a gente tá entregando ali pro outro, do que a gente tá assistindo, do que a gente tá comentando, que aí também tem o pessoal dos comentários, né? Tudo eles comentam, tudo tem uma opinião e se eu não falar essa opinião assim, não importa quem doa, eh, como que eu vou aguardar ela para mim, né? Então não tem mais o senso crítico de de ver aquele sujeito às vezes ali naquela situação específica como uma outra pessoa. Não, eu quero deixar o meu comentário sobre essa situação. Não importa se vai machucar o outro. Então assim, vai entrando em algumas camadas até umas distorções eh de papéis sociais, né? O que que realmente a gente simboliza, né? O que que aquilo ali tem de profundidade pro pro meu eu? Eh, falta de noção, falta de senso crítico. Aí eu pergunto para você, a sua avaliação, a gente tá, a gente tá conseguindo dominar o nosso celular ou nós estamos sendo dominados por ele? Que que você, qual que é a variação que você faz? Ah, eu acho assim, né, quando eu era mais nova, sempre assisti filme assim que a tecnologia, né, surtava. Hum, é verdade. E a gente falava, gente, né? Quando que vai chegar esse dia, né? Os carros iam voar. É menos performático. Mas eu vejo que eh que hoje ela ela dá a última palavra, né? Lá é um tribunal, né? Então assim, uma coisa acontece aqui, o impacto aquilo gera. Eh, você vai às vezes não, né? você vai fazer a unha, a gente quer mulher e vai fazer o cabelo, eh, vai ter alguma atividade certa, já tá comentando daquilo que aconteceu a uma hora atrás e do outro lado do mundo ou com alguma celebridade específica. Eh, e como aquilo vai fazendo parte do nosso repertório, né? Eu acho que que parece que de certa forma o outro performa, mas a gente performa junto, porque a gente vai seguindo, né? Então acho que eh essa tecnologia que domina, né, que todas essas críticas de filme, né, ela existe talvez menos eh menos cinematográfica, mas mais real. E eu acho que o perigo tá aíum porque parece que é algo sutil, né? Exatamente. Você sabe que você me fez lembrar uma época, eh, eu trabalhava no rádio e aí a gente falava de tecnologia, não tinha, tinha o celular tijolão e tal, mas não era o celular como a gente tem agora, né? E aí muito se falava de tecnologia e do avanço da tecnologia. E a fala dessa época há muitos anos atrás era que um dia nós teríamos um aparelho que nós iríamos ver uma roupa, eh, algo assim na TV ou uma foto e a gente ia mirar, era bem assim, a gente ia mirar o celular e a gente já tinha na palma da mão onde que a gente compraria aquilo, eh todos os endereços, né, de de sites que vendem, o valor, o que que era e tal, menina, a gente tem o Qode, sabe? Então, eu passei por esse processo e aí fica essa pergunta no ar. Olha só a velocidade, né? E e a tecnologia ela vem avançando de uma forma que ela traz eh eh coisas pra gente que a gente não consegue mais ficar sem, né? E e assim, ah, você tá viciado no celular, não se culpe, né? Não se culpe, porque isso é uma tendência a acontecer. Infelizmente. Por quê? Porque hoje a nossa vida está nesse aparelho. Você imagina, você perdeu o celular hoje? Você lembra o telefone da sua casa? Você lembra o telefone da sua mãe, do seu contato de emergência? Você lembra o número da sua conta? Você lembra disso? Você lembra o endereço da sua casa? Você sabe como chegar em algum lugar se você precisar ir e e falhar a internet? Você sabe se virar aqui em Campinas? Você sabe ir em São Paulo? Ah, tô indo para São Paulo. Vai para São Paulo, vai aqui, vai ali, vai num bairro, vai no outro. Ó, top. E sem o aparelho celular que está conectado aí no GPS, você consegue? É interessante a gente fazer essas perguntas, né, Rafaela? Uhum. É uma bússola, né? Literalmente, né? Sem ela, né? A gente vai perdendo esse eh o que antes, né? Você pode falar, né? Com pessoas assim muito mais velhas, né? não tinha nada disso, mas tinha consciência e presença. Então, eu sei que é nessa direção. Eu sei que se eu não, para eu conseguir falar com aquela pessoa, vai ser nesse tempo, vai ser nesse lugar. Eh, até assim, as compras, a gente tinha que ir lá, tinha que sentir a roupa, tinha que às vezes mandar fazer e esperar ficar pronta. Hoje no mesmo dia a gente recebe, né? Então, assim, não tem mais o tempo, né? não tem mais o valor daquelas coisas porque é tudo imediato. Então, acho que se conectar, né, é saber um pouquinho de cada coisa da sua vida, né, e não se deixar estar refém de uma ferramenta que é para auxílio, não para necessidade de de extensão mesmo. Excelente, Rafa. E aí quando a gente fala dessa ferramenta, né, se ela está nos controlando ou nós temos o controle sobre elas, é interessante a gente trazer a infância. Por quê? Porque a gente sabe que a infância é um momento de passagem que vai perdurar por toda a nossa vida, né? E aí a gente vê eh muitas crianças usando o celular como uma chupeta eletrônica. Gente, a criança tá chorando, toma. Antes, antes a criança chorava, toma a chupeta. Agora a criança chora, toma o celular. Então, quais as consequências, né, hã, dessa chupeta eletrônica a longo prazo, no desenvolvimento, na neuroplasticidade, no estímulo do cérebro para essa criança, sem julgamentos, mãezinha. Por quê? Porque a gente tá vivendo nesse momento, então a gente precisa é aprender a utilizar essas tecnologias, né? Porque isso faz parte da nossa vida hoje. E como a gente não aprendeu, as coisas só vê evoluindo, evoluindo, evoluindo, a gente acha que de repente fazer um bebê parar de chorar é colocar um desenhinho e dar um celular na mão dele. Mas o que isso traz como impacto pro desenvolvimento do cérebro dessa criança? Sim, quando a gente fala dessa situação, a gente tá falando de um cérebro, de um ser humano, de um sujeito que tá em desenvolvimento. Então, assim, até os 25 anos dele, ele vai est em formação. Tudo que ele consome, né, e seja de nutriente físico, de alimento, eh ou seja, socialmente, aquilo vai tá eh fazendo parte da composição daquele sujeito. Então assim, a gente é tá vendo pela primeira vez uma geração que já nasce sabendo mexer no celular, sabendo colocar no YouTube, sabendo escolher um vídeo muito pequenininho, mas ele já sabe. Então assim, essa geração, a gente vai ver os impactos disso lá na frente, mas hoje assim o que a gente pode fazer é uma redução de danos. Então assim, eh, muitas mães assim optam por não dar o acesso à tela, né, até determinada idade e assim eh eh causa um estranismo na escola, na roda de mães, né, porque não é fácil hoje viver a maternidade real, porque assim, e essa mulher às vezes ela tem que trabalhar, ela tem que dar conta da casa, ela às vezes não tem rede de apoio e o celular é algo que que não é por acaso, mas aquela criança vai ficar vidrada ali. Então é aquele momento que dá o celular para ela, os olhos dela não vão tirar o olhar e não é à toa, né? Porque vem de tudo isso que a gente tá discutindo, toda essa construção eh desses engenheiros, né? Eh, que vão construindo cada aplicativo, cada vídeo voltado a isso. Então, aquela criança, ela vai engolindo aquilo ali, engolindo, engolindo. Então, quando tira do celular, aí vem os diagnósticos. Ah, ela tem TDH. Ah, ela é hiperativa. Essa criança é ansiosa. Eh, por quê? Porque na hora que tira e ela se dá conta ali do mundo externo, ela fica extremamente agitada, buscando aquilo que que aquele eh que aquele aparelho também é capaz de produzir nela. Então, tudo isso vai se distorcendo, né? Então, aquela criança que ela só vai ficar quieta quando ela tiver nessa condição. Então, ela desaprende ou talvez não tem contato com brincar. que é natural, que faz parte da nossa construção eh de identidade da do do nosso extravazar, do nosso sentir, ela perde o lúdico e ela fica naquilo que já é pronto, naquelas cores vibrantes, naqueles vídeos sem pausa, naqueles vídeos que você avança. Então, a gente fala de um impacto eh social, a gente fala de um impacto eh de desenvolvimento daquela criança, a gente fala de uma dificuldade hoje da nossa geração de conseguir eh fazer esse filtro e conseguir sustentar uma criança sendo criança, com agitação natural, com as perguntas curiosas, com aquele falar excessivo, eh sem ter que silenciar ela, dizendo: "Olha, você fica melhor quando você tá longe, né? Você fica mais sustentável quando você tá em silêncio. Exatamente. É o uso crônico, né? Está sendo tratado, sim como uma droga social. A gente vê pessoas que não conseguem mais descansar. São são pessoas que sentem sentem assim a a necessidade do excesso do estímulo, né? E o resultado disso tem sido uma explosão de casos de burnout, ansiedade, uma dificuldade enorme de concentração, eh como se o nosso processador interno estivesse super aquecido, sabe? Mais ou menos isso. Quando você fica lá no celular o tempo todo, você não sente um peso na sua cabeça, uma dor aqui frontal, um negócio estranho. Eu pelo menos sinto. E eu vou te falar que eu tenho aprendido muito e eu tenho conseguido deixar mais de lado meu celular. Fico feliz com isso porque, ah, olha, experiência própria, gente. Tenho dormido melhor, né, quando deixa o celular mais de lado, eh fazendo uma higiene mesmo assim de sono. E isso é importante, só que não é de uma hora para outra, sabe? A gente consegue, mas tem que ir aos poucos, sabe? e também não se cobra tanto, vai tentando, vai tentando e você vai vendo eh que isso é benéfico e aí você acaba se acostumando, porque a gente se acostuma. Agora 8:50 nós temos algumas perguntas, a produção tá falando que tem algumas pessoas participando com a gente, então vamos ver, né, eh, se tem alguém aí dando algum depoimento. Você domina o seu celular ou você é dominado por ele? Nós estamos aqui com a Rafaela Fior, nossa psicóloga, conversando com a gente sobre esse tema tão atual e tão urgente, porque às vezes a gente nem percebe, mas nós estamos simendo dominados por esse aparelho que tem toda a nossa vida nele. Você já parou para pensar? Perde o seu celular para ver o desespero que dá. Isso é um dos sinais que sim, esse aparelho tem nos dominado, mas tem como a gente reverter essa situação. A gente precisa de informação embasada na saúde mental. E é isso que a gente tá fazendo aqui, aprendendo juntos. Vamos lá, produção. Pode colocar pra gente a primeira perguntinha na tela, por favor. Paula Mendes do Taquaral. Muitas famílias estão juntas no mesmo ambiente, mas cada um no seu celular. Como isso vai afetando o vínculo entre pais e filhos no dia a dia? É, falávamos e demos o exemplo aí do do jantar ou almoço, né, a mesa com a família. Isso afeta o vínculo sim, porque acho que eh eh vai distanciando as pessoas, né? Sim. Não existe vínculo sem presença, a gente precisa estar presente. Eh, eu acho que uma boa, um bom exemplo, eu não sei, teve uma época que essa série, ela teve bastante repercussão, que é a adolescência, né, que trata uma questão específica ali no desenvolver do filme, né, e era um adolescente assim normal, quieto, que não dava trabalho, que não chamava atenção. É, só que ao mesmo tempo essa camada dele foi se desconhecendo a partir daquilo que ele se conectou. Então é um choque e você vai descobrindo esse choque junto com a família, né, sobre as coisas que ele acabou se envolvendo. E por que esse exemplo, né, porque eh o pai ele bate no peito, meu filho não é assim, né? Mas quanto tempo ele não sentava com aquele filho, né? Quando foi a última vez que ele não teve um contato direto? Então assim, eu acho que não é só dos extremos que a gente fala, mas é da construção do dia a dia. O quanto estar presente eh não só fortalece vínculos, mas cria, mas desenvolve, né? Mas traz possibilidades. Eu não preciso buscar recurso externo. Se internamente eu vou sendo constituído por essa família, por esse lar, por essas pessoas que estão próximas a mim. Excelente a presença, né? Faz quanto tempo que você não tá presente? Ah, mas eu tô todos os dias. Não, estar não é presença. A gente tem que aprender isso, né? A gente precisa estar presente. Tá bom? Vamos lá. 8:52. Daqui a pouquinho a Rafaelá vai falar pra gente sobre esse negócio de presença. O que que é realmente a presença? Eu estar aqui. Eu tô aqui agora, né? Você tá olhando para mim? Eu tô olhando para você. Estou presente. Então, a gente tem que entender o que significa estar presente para que a gente possa oferecer mais presença. É, de repente pode ser isso. Já já a gente fala sobre essa situação da presença agora 8:53. Vamos lá, tem mais perguntinha na tela. O pessoal tá participando com a gente. Vamos ver quem tá conosco. Renato Azevedo do Cambuí. Quando acordo, a primeira a primeira coisa que faço é abrir mensagens e notícias. Começar no dia sim, pode deixar a cabeça mais cansada e ansiosa. Não se culpe, porque não é só você não, viu Renato? Tem muita gente. Eu também já fiz muito isso, agora tô conseguindo diminuir, né? Não é uma, a gente tem que também eh vamos ser honesto aqui, porque não é só o Renato, não. Tem muita gente que faz. Agora vamos responder a pergunta do Renato. Deixa a cabeça mais cansada e ansiosa? Com certeza. A gente acabou de sair ali de um sono, né? A gente viveu todos os nossos ciclos ali no momento que a gente foi dormir. Eh, restaurou e aí na hora que a gente acorda, bombardeio. Na hora que a gente acorda, eh, tragédia. Ou senão, ai, o famoso tal falou isso, veja a repercussão. Aí vai 10. Porque assim, como você pode medir isso no tempo? Eh, perceba como uma hora no celular passa, como é diferente de uma hora às vezes lendo um livro, fazendo uma atividade física, porque parece até que passa lento, mas o tempo natural é esse que é orgânico, mas aquela uma hora que você acabou se envolvendo aqui lá nas nas notícias ou no ou em outras demandas ali do seu dia, como que aquilo repercute em você ao longo do dia? Então, já acordei tenso, né? Então ali já tô digerindo uma notícia que aconteceu algumas horas eh de um impacto global, mundial, nacional, eh como que isso vai me afetar? Então sim, a gente fica mais cansado naturalmente porque aquele minuto não é o mesmo minuto orgânico que a gente para para respirar, que a gente para para sentir. Interessante a sua fala, né? Porque uma hora no celular, como que a gente fica? Vamos, vamos fazer o teste, vão ficar lá meia hora no celular e aí depois você fica meia hora fazendo algo que você goste, uma caminhada, conversa com um colega, né? Ou então um óscio criativo, né? vai observar, vai contemplar e aí você vê como o seu corpo reage. De repente é eh pode ser um exercício interessante pra gente fazer um comparativo e aí a gente vai se dando conta, né, do quanto nós estamos sendo dominados por esse essa ferramenta, esse aparelho aí que é tão importante hoje nas nossas vidas. Agora faltando 5 minutinhos, mais uma pergunta e aí depois eu venho para a gente poder falar com a Rafaela sobre essa questão da presença que é muito importante, a gente precisa falar sobre isso. Vamos lá. Patrícia Oliveira da Vila Georgina, sinto que o celular ocupa qualquer brecha do meu dia, até no café ou antes do banho. Verdade. Não é só do seu não, viu? Como recuperar pequenos momentos de pausa? É interessante porque às vezes a gente tem aí um tempinho e ao invés da gente respirar e relaxar, a gente pega o celular e mais ou menos assim, né? Uhum. Sim. E é uma queixa assim diária, né? Eh, como que a gente recupera esses momentos de pausa, né? Então, às vezes, assim, tem muitas pessoas, ah, vou estudar, né? É algo mais denso, né? que a gente vai processando. Eh, quando eu paro, né, eu tenho uma pausa de 5 minutinhos, eu vou pro celular, né? Será que não tem outra coisa? Às vezes preparar um alimento, às vezes parar um tempinho para conseguir respirar, para perceber as coisas que estão ao redor, para perceber o seu corpo, né? Porque a gente vai se tornando nesse processo, é uma perda tão assim sensível que que é como se a gente fosse aquela criança que vai no consultório com a mãe. Aí o médico pergunta: "O que que você tá sentindo?" Aí ela olha pra mãe e fala: "O que que eu tô sentindo?" Então você tem esse domínio, né? É ali que a gente vai recuperando, porque é prazeroso também saber como a gente tá se sentindo, pausar para respirar, eh pausar para sentir, né? Então, ai, agora eu vou fazer isso, esse momento vai ser espontâneo, vai ser meu, até que se torne natural. Então, assim, o que a gente tá fazendo nesse momento é devolvendo a nossa vida a nós mesmos. E em algum momento isso se perdeu, porque não é só você que tá com essa queixa, todo mundo está. Então, assim, quando a gente fala como voltar, né, e é voltar para onde? Para o que é nosso, né? Então assim, é é um curso lento, mas é um prazer real, orgânico, que a gente vai encontrando naquilo que é a vida. Ah, é verdade, né? É lento porque nós já se acostumamos, né? já se acostum acostumamos com essa essa esse imediatismo, esse rolar de telas, esse esse celular que eh tem a nossa vida na palma das mãos, mas de repente é um momento pra gente parar, né, pra gente respirar, pra gente sentir e pra gente estar mais presente. Quando a gente fala de presença, achei interessante, eh, a Rafaela vai trazer pra gente, a Rafa nos ensina a questão da presença, né? A presença é estar presente fisicamente. O que é realmente a presença? Quando a gente fala aqui, eh, na questão psicológica, principalmente falando de celular, de tecnologia, né, que a gente fica meio que fora, só fica o corpinho, né, porque o resto tá lá no celular, né, a tua cabeça tá conectada, você nem vê nada o que acontece em sua volta. O que que seria a gente estar mais presente no aqui, no agora? O que que a psicologia traz pra gente? E o que que a gente tem que aprender para começar a dar o primeiro passo para estar presente? Uhum. Bom, por que que eu vou dar um exemplo assim, porque hoje a gente busca, né, tanto a psicologia, o psicólogo e aí nisso vai, né, as variáveis, né, o terapeuta, às vezes o pastor, o padre. Por que que a gente tá buscando essas figuras de referência? Não apenas, né, porque a gente entende que aquele outro talvez tenha um conhecimento ou um olhar mais profundo sobre mim. Mas por quê? Quando eu tô nesse contato, né, com o outro, eu sou visto, né? É diferente de só tá ali, né? Não, ela não tá no celular, ela tá te olhando, ela tá te ouvindo, ela tá resgatando algumas palavras que você usou para descrever alguma coisa, não para te te acusar, mas dizer: "Olha, você viu que você falou assim, né? Olha, você viu que você denominou dessa forma, se expressou desse jeito, né? O que que isso significa para você?" Então, assim, eu acho que às vezes a gente entra tão ali no automático de todas as relações, né? De todo esse acesso, né? tantas informações, eh, que parece que é difícil a gente tá no centro de de um diálogo normal, natural, orgânico, espontâneo, né, e que vai existir às vezes nessa presença com o terapeuta ou com essas pessoas de referência e trazer essa essa normalidade, né, paraas outras relações, né, então, pro parceiro, né, dentro de um de um casamento, dentro de uma relação, para uma amizade. Então, eu tô falando com a minha amiga, ela não tá no celular, ela tá me ouvindo, a gente tá dando risada, a gente tá pontuando as falhas, a gente tá pontuando os acertos, eu tô me sentindo acolhida, né? Então eu vou dando margem para aquilo que é um um se relacionar e não o só estar ali. Exatamente, né? Isso é a presença. E quando a gente fala de presença, a gente a gente arremete as nossas crianças, né? ao relacionamento, seja ele familiar, seja ele amoroso, seja ele profissional, a gente precisa aprender a estar mais presente, a estar no aqui e no agora. Agora 91, olha aí. Ah, temos mais uma pergunta. Eu acho que dá tempo, né, produção? Se der tempo, pode colocar na tela mais uma pergunta e daí a gente já vai paraas considerações finais. Vamos ver. Fernanda Lima do Cambuí. Muitas vezes prefiro mandar mensagem de texto do que ligar e ouvir a voz da pessoa. Hum. Será que estamos criando um medo inconsciente de conversar de verdade? E agora? Uhum. Perfeito. Fernanda, já trouxe uma crítica, né? Estamos criando esse medo, porque assim, eh, se eu tô conversando com esse outro por ligação pessoalmente, eh, é uma conversa que ela vai acontecer de uma forma natural. Então assim, se eu recebo um áudio, eu vou, eu penso que eu vou responder, às vezes eu escuto meu áudio antes de mandar para ver se o tom de voz tá adequado. E no dia a dia, né, as interpretações, as má interpretações, eh, às vezes o gaguejar, tudo isso é humano. Eh, e a gente quer, né, tá ali blindado, né? Eu não quero que acesse as minhas falhas. Eu não quero ter a chance de cometer um ato falho, a chance de ser inadequado. Eh, mas às vezes a gente precisa, a gente precisa ser agente, eh, para entender também que lugar que eu ocupo naquela relação. Mas, eh, esse medo, ele naturalmente vai nos blindando a ponto de não nos permitir vivenciar um diálogo real, eh, uma interação normal, orgânica, verdadeira, né? E quando a gente fala de orgânico, é de de estar ali na raiz de algo que que sempre foi assim e de algum momento assim a gente for distorcendo a ponto de ser esquisito para nós hoje. Eh, mas são esse esses tipos de interação que a gente vai buscando. Muito bem. Esse negócio de mensagem no celular é interessante porque faz quanto tempo você aí de casa que você não utiliza o seu celular como telefone de falar: "Alô, tudo bem aí do outro lado?" Só manda mensagem. E aí a gente tem várias situações, né? Tem um monte essa questão de spam, esse negócio de golpe. Então, ah, eu acho que as pessoas precisam de repente é largar o celular mesmo e conversar quando você tem oportunidade de estar perto, né? Ao invés de você vai ligar paraa vizinha, vai lá, bate lá na porta lá, ô vizinha, eu ia te fazer uma ligação ou então ia te mandar uma mensagem, mas tô aqui para conversar com você sobre isso, isso e isso. De repente, essa esse esse estar presente é sobre isso, é estar presente, né? A gente tá falando de presença, porque o tema do programa de hoje é: você está sendo dominado pelo celular ou você está conseguindo dominar esse aparelho? E aí, né? Ah, que reflexão fica a tecnologia, gente, não é o problema. né? Porque a tecnologia é a solução para muitas situações e e isso é uma coisa que não tem retrocesso, é só daqui paraa frente é mais e mais e mais. O problema é quando essa tecnologia toda ocupa todos os espaços da nossa vida. A gente tá vivendo na era do celular. Isso não significa que a gente está disponível o tempo todo, né? né? Olha só, o celular trouxe pra gente uma obrigatoriedade de estar disponível o tempo todo. Isso aí já é um ponto que a gente precisa se atentar e a gente precisa também saber quando se conectar e quando se desconectar. Tem que ter um equilíbrio, porque no final das contas a vida real continua acontecendo fora da tela. Então que fique o alerta pra gente hoje, né? E faça essa pergunta para você. Eh, você tem conseguido, eh, dominar o seu celular ou você está sendo dominado por ele? É forte, né? É, pois é, mas é isso que acontece. E a gente precisa o quê? aprender com orientação de pessoas que têm expertise, que estudaram para isso. E é por isso que a gente trouxe a Rafaela aqui hoje para conversar conosco sobre essa conversa importante, esse assunto tão atual e algo, gente, que vai seguir, não tem retrocesso. Então, o que a gente faz? Vamos aprender a lidar com isso, né? tirar o que é bom, deletar o que é ruim e manejar aí h uma forma de viver melhor, mais claro, atualizados com tecnologia, com o celular e tá tudo bem, a gente só precisa aprender. E é por isso que nós convidamos você, por isso que nós agradecemos a sua presença mais uma vez. gostaria que você deixasse aí um toque, uma dica, né, para as pessoas que de repente eh se sentem a você sabe que às vezes dá uma questão de frustração, porque a gente tenta, a gente tá tentando porque as pessoas estão vendo o que está acontecendo, né, com essa questão das telas, da gente ficar o tempo todo com o celular. E às vezes a gente tenta, mas a gente não consegue, mas é importante a gente insistir. Então, deixa uma dica pros telespectadores e as considerações finais. Agradeço você, viu, mais uma vez. Gratidão por participar. Bom, acho que nada é mais nossa do que a nossa própria vida, né? Nos vamos nos permitir se apropriar disso novamente. Eu acho que entender os processos que estão por trás, né, dessas telas é essencial para que a gente volte a tomar, né, à frente, né, de conseguir usar, não só ser usado por elas. Eh, você não é a única pessoa, na verdade, eu acho que você tá se identificando justamente porque é um problema social que a gente tá enfrentando hoje. Eh, e de certa forma que não tem uma um desejo, né, de que fosse diferente, porque assim vende, assim é interessante, assim é lucrativo. Então, se devolva a sua própria vida, tenha algumas coisas que não estejam relacionadas só a essa performance, né, de Instagram, de rede social. de celular, né, que não esteja mais só associado ao que acontece lá do outro lado do mundo. Eh, ou, eh, e aí não é estar alienado, mas é conseguir filtrar como uma informação e não como uma condução. Então, meu dia vai ser assim hoje, porque eu recebi essa informação. Não, como que vai ser o seu dia? vai depender de você, desse olhar, eh, de entender que a necessidade e de cuidado sempre precisa voltar para si mesmo, paraa manutenção das suas relações. E se ainda assim for difícil e for um processo eh que às vezes a gente vai encontrando novas dificuldades, eh se permita, né, de certa forma cuidar disso também, buscar ajuda, né, passar para um processo de psicoterapia. Eh, e aí a gente entende que nem é o ponto central, mas ele mascara muitos pontos centrais. Então, se permita se conhecer a ponto de ter esse domínio, não só sobre a tela, mas sobre eh aquilo que é importante para você hoje. Muito bem, Rafa. Obrigada, viu, pela sua participação, pela sua troca e por nos ensinar, né, como é que a gente deve lidar de forma mais leve com essa tecnologia. Oi, gente, vamos encerrando o programa de hoje, agradecendo você, né, pela audiência, pela companhia, você que trocou com a gente aqui. Super valeu. É, lembrando que nós temos aí muitos eventos hoje na Câmara de Campinas, né? A agenda de trabalho está cheia, você pode acompanhar tudo através aqui da TV Câmara Campinas, também no YouTube da TV Câmara Campinas. E amanhã tem estúdio Câmara ao vivo a partir das 8 da manhã. Amanhã, gente, nós vamos falar sobre a saúde mental de quem cuida da nossa saúde. Você sabe que ontem eh, foi o dia do enfermeiro, ontem ou antes de ontem foi o dia do enfermeiro e dia do auxiliar de enfermagem. E olha só que não foi combinado, mas amanhã a gente vai falar eh dos profissionais de saúde, né? A Fio Cruz trouxe um estudo impressionante, revela um dado alarmante. Olha só, mais de 80 profissionais de saúde sentiram o impacto emocional nos últimos anos. O resultado disso é: quadros graves de depressão, ansiedade, esgotamento extremo. As decisões de vida ou morte somadas à cobrança pelo erro zero mantém esses profissionais no limite. Amanhã a gente vai discutir estratégias de apoio, sinais de alerta que não podem mais ser ignorados. E a pergunta que precisa ser feita: Como está a saúde mental dos profissionais de saúde? Então, amanhã a gente fala sobre isso aqui no Estúdio Câmara a partir das 8 da manhã, é ao vivo e a gente conta com a sua participação, com a sua presença através do nosso eh contato pelo WhatsApp. E assim é a programação da TV Câmara Campinas, feita com muito carinho, com muita responsabilidade, especialmente para você que tá aí do outro lado. Grande abraço, fique bem e até amanhã. Ciao
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