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[música] [música] [música] [música] Olá, sejam bem-vindos, sejam bem-vindas. Eu sou o Daniel Estevan, apresentador do podcast Vozes Negras de Campinas. Eu sou um homem de pele preta, cabelos raspados, 1,76 m, tenho 52 anos e é uma alegria enorme estar aqui para mais um episódio desse nosso projeto que nasceu da parceria entre a Prefeitura de Campinas e a Câmara Municipal. Ah, e terminando a minha audiodescrição, eu estou usando uma camiseta polo, ou melhor, uma camisa, é uma camiseta polo azul e uma calça preta. Voltando ao à nossa descrição, esse é um projeto que integra o programa de desenvolvimento de lideranças negras na gestão da Secretaria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas e que se propõe a algo muito maior do que entrevistar, registrar memórias, celebrar trajetórias e construir referências que iluminem o presente e abram caminhos para o futuro. É, o podcast Vozes Negras de Campinas chega ao seu último episódio da primeira temporada com a força de um projeto que nasceu para transformar, registrar e dignificar as histórias de lideranças negras que ocupam e constróem a gestão pública municipal. Essa iniciativa, fruto de uma parceria entre a Prefeitura de Campinas e a Câmara Municipal, que é a Casa do Povo, representa muito mais que uma série de entrevistas. É um marco político, histórico e afetivo. Ao dar visibilidade às trajetórias de servidores e servidoras negras que assumem funções estratégicas, o projeto reafirma o compromisso institucional com a equidade, reconhece talentos que já atuam há anos. silenciosamente e celebra o protagonismo que molda com coragem e inteligência o o cotidiano da administração pública. Esse podcast é um arquivo e memória, é ferramenta pedagógica e espaço de afirmação. E é o reconhecimento de que construir políticas públicas antiracistas também exige contar histórias, produzir referências e fortalecer a representatividade que inspira novos caminhos. E hoje nós temos o prazer de receber aqui uma mulher que é força, raiz e movimento. Uma liderança que atravessa a saúde pública, o movimento negro, os espaços de participação social, a luta sindical e religiosa. Seja bem-vinda, Teresa. Teresa Aparecida Raimundo, como é que você tá? Olá, tudo bem? Tudo bom, Daniel? Seja muito bem-vinda, Teresa. Muito obrigada. Agradeço pelo convite, né? Vou iniciar me apresentando. Eu sou Teresa Raimundo, né, fazendo minha autão. Sou uma mulher preta, né? Estatura aí [risadas] de média, né? Mediana. Mediana, né? Uso tranças, né? Eh, estou de óculos, uso óculos, estou vestida de roupas brancas, né? e brancas hoje, porque hoje é sexta-feira, então aproveito para saudar a minha ancestralidade, né, e pedir a bênção aos meus mais velhos, aos meus mais novos e aos meus iguais, porque é dessa forma que eu sempre me apresento diante da minha religiosidade. Muito bem. É isso. Bom, bora começar essa prosa. Teresa, eh, você nasceu e cresceu na Vila Teixeira, certo? Isso. Território marcante da identidade negra aqui em Campinas. Como é que esse território, esse lugar, essa rua, essa comunidade moldaram quem é você hoje? Eh, costumo falar que para mim falar quem eu sou, eu sempre lembro da onde eu vim, né? E da onde eu vim é desse lugar, Vila Teixeira, que é um espaço preto, né? Eh, Vila Teixeira, ela é bastante conhecida por conta do samba da Voti Tiana, né? A dona Sebastiana era nossa vizinha. Então eu sou Teresa, sou a filha caçula da dona Dita e do seu Ton Raimundo. A filha caçula de três irmãos, né? Eu sou a raspa do taxo que assim assim a gente sempre falava, né? E por ser a filha caçula, foi lá que eu aprendi o que é a coletividade, né? eh viver em comunidade. Então aquele espaço da Vila Teixeira, aquela comunidade ela representa muito, né? Representa muito na minha vida. Não consigo cortar o cordão umbilical. Então até hoje as pessoas perguntam: "Da onde você é?" Apesar de eu ter um grande carinho por meu espaço de hoje, que hoje eu resido na região do Campo Grande, né, no Parque Itajaí, mas eu vou ser sempre a Teresa da Vila Teixeira, porque a raiz que a gente tem ali é muito forte. Então, não só eu, mas aquele bairro é algo que nos une, né? Então, minha família toda, eh, a gente não desapega, nossa casa tá ali, né? Apesar dos nossos pais já serem falecidos, mas a gente ainda mantém o imóvel. Hoje tem uma sobrinha que mora na casa, então assim, não tem possibilidade nenhuma de venda. A casa está lá, que é a casa da família. Exatamente. A casa da família, que é onde a gente se reúne para passar Natal, Ano Novo e é as nossas raízes. Coisa boa. Coisa boa. Três irmãos. Caçula, né? Exatamente. Irmãos, filho da Benedita e do Sebastião. Eh, quais são as memórias que essa tua família numerosa, né? Quais são as memórias que você tem e que você pode dizer, não, olha, eh, esse elemento, esse episódio ou esse contexto eh contribuíram para eu ser a a lutadora, a militante, a trabalhadora da saúde que você é hoje? Olha, da saúde, eu vou começar com uma conversa que eu sempre falo para todos, né? Eu costumo falar que eu sou a sem educação da família. Minha família toda ela é da educação. Então, as minhas irmãs, elas são da do estado, né? Então, uma foi professora, uma trabalha até hoje na direção, na diretoria de ensino de Virban, na secretaria de na na secretaria de escola, mas a única que foi pr pra prefeitura de Campinas e paraa saúde foi eu, né? Então, a minha mãe eh quando eu nasci, como eu sou a filha mais nova, quando eu nasci, minha mãe já tinha 42 anos na época, né? Então, eh, ela depositou muita coisa em cima de mim. Então, era assim: "Você já tá vendo toda a trajetória da sua família, então eu quero que você seja diferente." Então, foi mais ou menos dessa forma que eu fui moldada, né? E e como qualquer outra família, né, de menina preta, a gente é criado para não errar, né? Então, a gente carrega. Então, acho que é muito marcante na minha família é essa coisa da honestidade, de ter que correr atrás, de ter que trabalhar, né? E corre atrás, faz um concurso público para nunca ficar desempregado, porque pelo concurso público você entra por conta das suas qualidades, por conta da sua competência e não por conta da sua aparência, né? Porque a gente tinha muito, né? Emprego, ficava lá, né? Eu sou da época que ainda tinha lá aquele lembretinha no jornal. boa aparência. Então a minha mãe, ela sempre se preocupou muito com isso. Então era estuda, tudo que você tentava fazer, falar para ela, falar assim: "Estuda, estuda, porque se você estudar, você tem um bom emprego e se você tem um bom emprego, você vai conseguir alcançar tudo que você deseja". Então, era sempre esse recado. Então, toda vez que eu penso em desanimar, né, eu lembro ali da voz da dona Benedita falando, né? Estuda, corre atrás, né? Você você busca forças na ancestralidade? Totalmente. Na ancestralidade é onde é onde eu consigo ter essa fé, essa essa questão mesmo na força de de continuar batalhando, porque não é fácil, né? Nunca foi fácil. E aí também era uma outra coisa que minha mãe sempre me falava que eu acho que eu trago isso comigo. Às vezes é bom, às vezes é ruim, mas toda vez eu lembro porque ela falava, né? Quando eu reclamava, ela falava: "Mas quem falou para você que ia ser fácil? Olha no espelho, você é uma menina preta, nunca vai ser fácil para você". Choque de realidade, né? Né? E aí eu fico pensando, minha mãe foi uma mulher que nasceu em 1934, faleceu em 2007 e as falas dela ainda hoje é uma fala eh presente, né? É uma fala bem presente, porque é isso é pra gente é nunca fácil, né? E eu me vejo sempre nesse lugar de de ter que tá sempre batalhando, de ter que tá sempre provando que eu sou boa, que eu tenho condições, que que o que eu estou falando é realmente eh é realmente o que acontece, né? A gente tá sempre que esses espaços que a gente tem que entrar, adentrar é muito difícil, né? Enquanto mulher preta, ele é muito difícil, mas a gente entra, né? Aquela coisa, né? Antigamente a gente também metia o pé na porta, a gente a gente conversa e convence que a porta tem que ser aberta, né? Cansamos já de meter o pé nela. É, hoje o uso das estratégias, né, a gente percebeu que são mais importantes, né? É mais importante. Sim. Exatamente. Ô Teresa, eh, no nosso papo de bastidores, né, você traz como eh como um elemento muito importante na sua formação e a sua identidade religiosa, né? Como é que a sua identidade religiosa fortalece a tua caminhada? Eh, falo que ela fortalece porque é a fé, né? Eu acho que a fé ela nos nos conduz. Então eu sou candomblecista, né, com muito orgulho, né? Sou fomotinha de opará, sou filha de Doné Oias Tataquejess, eh, nossa comunidade é o Ilê Acé de Ançã de Araras. Então, é uma comunidade assim excepcional, um espaço sagrado, um solo sagrado. Eh, não gosto de falar muito de lá porque assim, toda vez que eu falo eu me amoceo. Eh, é um lugar aonde eu piso e eu esqueço do do mundo lá fora. É um, eh, como que eu posso? é um templo, é tudo, é tudo de maravilhoso. E é ali que eu me recarrego, é ali que eu trago eh essa força, porque também para além da questão da religiosidade, né, os meus pais ancestrais eles são eles são de luta, né? Então, o Tataquejs, ele também é, o nome dele é Elvio Mota, ele trabalha no MDA, né, no Ministério do Desenvolvimento Agrário. Minha mãe, doné OS, ela foi uma das lideranças da primeira marcha de mulheres negras. Então a gente carrega também essa essa força que que nos traz paraa luta. Então ali naquela casa, além de ser esse espaço de cuidado, né, do sagrado, também é um cuidado político, um cuidado da ancestralidade mesmo, aonde a gente nos afirma enquanto pessoas pretas, enquanto necessidade de ir paraa luta, mas ir paraa luta no diálogo, né? eh estar na estar no nos espaços fazendo essas discussões que são de profundamente de profunda importância para nós pra comunidade. Paraa nossa comunidade. Exatamente. Muito bom. Teresa, você é uma profissional da saúde, né? Uma servidora pública da saúde da cidade de Campinas. Você começa essa trajetória lá no final dos anos 90. E no ano 2000 você acessa o serviço público via concurso público. Sim. Eh, como auxiliar de enfermagem. Eh, você já explicou um pouco o que te fez, o que te moveu, né, para essa, para seguir esse caminho, né, que foi a influência da sua mãe e tudo mais. E você citou que o seu povo é tudo da educação e você ver para saúde. O que que te fez escolher esse caminho? O que que me fez, na verdade, eh, foi uma pessoa que foi muito importante da minha vida, que foi minha ex-sogra. Olha as referências, sempre as referências, né? A minha ex-soát melec é uma mulher preta, enfermeira. Na época ela trabalhava na na prefeitura também, né? E aí ela falava, né? Eu tinha feito, eu tinha terminado o ensino médio 92, não tinha condições de fazer uma faculdade. Eu fui fazer o curso de técnico de contabilidade porque eu queria estudar, não tinha condições de fazer uma faculdade. Naquela época a gente não tinha essas questões, as facilidades que eu editei, né, para além de bolsa ou outros financiamentos. Então a gente não tinha tanto acesso assim. Então o que que eu fiz? Fui fazer o curso de técnico, fiz o curso de técnico e nesse período eu comecei a trabalhar na na escola Níbal de Freitas na secretaria da escola, né? Aí conheci meu ex-marido e aí minha ex-sra ela era da enfermagem. Então ela falava assim para mim: "Vai fazer enfermagem, vai fazer auxiliar de enfermagem porque daí você não fica desempregada". E eu, tipo, não quero isso para mim. Mas ela ficava insistindo, eu falei, vou lá fazer o curso. Eu falei assim: "Fácil, eu vou presto a prova na Unicamp, né? que era prova de auxiliar de enfermagem. Falei: "Presto a prova, não passo, resolvido o meu problema, não magou ninguém. Fui lá, fiz a prova, passei entre os primeiros 40 alunos só." E aí não teve jeito. Se eu passei, eu tive que fazer o curso de enfermagem. E aí quando eu comecei a fazer o curso de enfermagem, eu realmente eu me encontrei. Dali eu fiz o curso de enfermagem, né? Eu fui, acho que a penúltima turma da Unicamp a fazer o curso de auxiliar de enfermagem, depois foi extinto, né? Depois só começou a ser o técnico. Aí depois daí eu terminei o curso, eu fui trabalhar na PUC, aí eu prestei o concurso também achei que não ia dar em nada, porque foi bem naquela época do Chico Amaral, né? Assim, tô falando meia idade já, né? [risadas] Mas tranquilo. Eh, e aí por conta disso, eu eu fui prestei, falei: "Ah, vou prestar por prestar", né? O não a gente já tem. E aí eu consegui também uma boa colocação e sei. Daí eu ingressei na prefeitura de Campinas, olha só, né? E e a ao entrar na prefeitura de Campinas, que que aí foi toda uma mudança, porque eu já militava, eu eu já fazia no ensino médio, né? Eu já participava de algumas coisas, mas quando eu entro na prefeitura, eh, a hora que eu entro, eu começo a conversar com algumas pessoas que eram na época do sindicato, né? E a primeira coisa, semana entrei numa semana, na semana seguinte tava lá, fil tralá. E aí eu comecei a me envolver e entender que não bastava só estar trabalhando, a gente tinha que estar envolvido em alguns espaços para que a gente pudesse de fato, né, tá? Fazer a luta. Espaços de luta. Espaços de luta. Eh, você traz um um um elemento aí que eu acho que é muito importante a gente eh sempre mencionar, sempre lembrar pros nossos ouvintes, né? Os nossos servidores já sabem disso, né? Às vezes o público, nosso público que não é servidor não sabe, né? Como é que você se torna um servidor público, né? As pessoas que passaram aqui por esse espaço, em sua maioria são servidores que acessaram por meio de concursos públicos, né? O concurso público ele democratiza o acesso ao serviço público, né? Você faz uma prova, você é aprovado, você tem que cumprir naturalmente alguns requisitos, né? Mas ele te garanta uma vaga, independentemente da sua aparência, independentemente da sua origem, né? É sempre bom destacar, né, eh eh a importância que tem o concurso público, né, para que a gente ocupe esses espaços. Mas voltando ao seu trabalho, você se destacou naturalmente no seu trabalho. Hoje você coordena diretamente a área de saúde mental do Itajaí. E eu quero saber o que que tem de mais importante nesse trabalho. O que que você faz exatamente nesse trabalho? Explica pro nosso público. E o que que o que que é tão importante. Eh, falou que é saúde mental, isso já fala por si só, né? Porque a questão da saúde mental hoje é uma complexa, é uma questão de uma complexidade gigante, né? Mas fala sobre isso. É, verdade, não é bem coordena, né? O que que acontece? Eh, a gente tem aí as unidades básicas, né, que são os centros de saúde e dentro da secretaria e cada centro de saúde tem ali, um, digamos assim, autonomia de organizar o seu serviço para melhor atender a população no centro de saúde do Itajaí. E então a gente tem uma equipe que a gente chama de equipe de saúde mental. Então nessa equipe de saúde mental é onde eu sou a principal responsável, né? Aí então por que que eu me coloco enquanto a responsável? porque acaba praticamente passando por mim as discussões tanto dos atendimentos, né, dos atendimentos com o os pacientes para poder tá chegando na equipe emut, né, como para passar com os médicos, clínicos. Então, a gente tem uma equipe, a gente faz as discussões de matriciamento e eu sou a responsável para fazer essa organização, para fazer a roda girar, entendeu? Então a gente precisa dentro do que a gente tem, né? Porque o serviço a gente entende que em muitas situações ele é precário, né? por conta do número de o o a quantidade de pacientes que nós temos por número de trabalhadores para atender. Então nós temos tipo um psicólogo para trabalhar que trabalha 12 horas somente na unidade porque ele atende, ele é 36 horas como todos, mas ele atende três unidades. A gente tem uma psiquiatra que também que ela trabalha 30 horas semanais, que é a carga dela, carga horária dela, só que ela atende em três unidades, que aí a equipe emute. E aí as pessoas elas chegam e a gente precisa dar conta. Sem contar da questão do clínico também, né? Que o clínico atende tudo. Então se a pessoa aí pertence a diabética, é o clínico. Se a pessoa tá com questão de saúde mental, é o clínico. Se a pessoa tá com queij ginecológica, é o mesmo clínico. Então a gente precisa gerenciar todos esses atendimentos. Então, quando eu assumo essa questão para gerenciar a saúde mental também, porque eu faço eh, né, enquanto enfermagem, auxiliar de enfermagem, eu começo a fazer o acolhimento dessas pessoas e começo a perceber esse sofrimento que ele precisa da vazão. A gente precisa pensar em como ouvir e dar uma resposta para essa população. E nem sempre a resposta é uma medicação, né? E aí a gente começa a organizar a ponto de conseguir dar algumas respostas para que essa população não adoeça mais, para que essa população seja de fato ouvida, né? E a gente vem conseguindo dar conta disso, né? Então a gente tem vários projetos lá no centro de saúde do Itajaí. Então essa questão da saúde mental é uma porque geralmente o que que a gente tem, né, em todos os lugares, a reclamação maior é essa, né? Não tem, ninguém ouve porque não tem psicólogo, porque psicólogo ainda é uma profissão muito é caro, né? Então as pessoas elas procuram o centro de saúde. As pessoas que precisam de um psicólogo, elas procuram o centro de saúde porque nem todo mundo tem condições de fazer uma terapia de fato no particular, né, para além das outras coisas. Então a gente tenta dentro da nossa unidade com os nossos pacientes organizar para que ninguém fica desassistido, né? E isso vem dando certo. Então a gente tem ali controlado. Então eu sei todos os pacientes e aí legal porque como eh é uma coisa minha também, então a gente meio que organiza. Então eu tenho um planilha, eu tenho todos os pacientes que fazem uso. Então eu conheço a história, eu tenho esse tempo, então consigo conhecer a história de cada um ali que passa e a gente consegue dar um auxílio. Então, quando a pessoa entra em algum tipo de sofrimento, a gente já consegue intervir, né, pelo fato de conhecer, de estarmos próximos, tem vínculos, sim, né? E e os médicos também acaba com isso, né, ficando mais próximo. Chega alguma coisa, a gente não fica aí do tr meses para poder passar num atendimento, né, e resolver. Muito interessante, muito legal. e conta para nós como é que é esse atendimento inicial por aplicativo que você menciona na nossa conversa de bastidor. Então, eh, esse foi um projeto que nós iniciamos mais ou menos em junho, né? Então, assim, paciente, a gente sabe da dificuldade que é o atendimento do SUS e isso é em todos os lugares, né? Só que a gente começou a perceber que todo mundo trabalha muito e a sensação é que ninguém tá fazendo nada porque você atende, atende, atende, mas não consegue atingir os os indicadores, não consegue dar conta, porque cada vez mais a população vai ficando sus dependente. E aquelas pessoas, nós, eu tô falando de um lugar de um centro de saúde que fica na periferia, né? Tô falando da unidade onde eu trabalho, o centro de saúde do Parque Tajaí. Então ele é na região do Campo Grande, tipo, pega John Boy do Lopes e segue reto toda a vida. Vai que vai. Então como que uma pessoa consegue ter um atendimento? Não tem. Por quê? Porque a pessoa ela vai trabalhar, certo? Então ela sai da casa dela, se ela trabalha, né? A gente tá falando de periferia. Se ela vai entrar no serviço 8 da manhã, ela sai de casa às 6. Centro de saúde abre às 7. Eh, ela sai do serviço 5 da tarde, ela chega em casa de volta às 8, centro de saúde fecha às 19. Que hora que ela passa? Ah, mas ela tem que cuidar da saúde. Não cuida porque quem que vai faltar do serviço para agendar uma consulta? Não tem como. Exatamente. Exatamente. Você vai quando? Você vai quando você tá ruim. Daí quando você tá ruim, você lota as a UPA, porque e aí você quer para ontem, porque você tá no extremo. Então a gente, né, eu com um grupo de pessoas, a gente visitou algumas unidades para ver como cada um atendia o seu acolhimento. E aí a gente pensou dessa forma de fazer esses atendimento inicial pelo WhatsApp. Então, como que funciona, né? Aí isso é paraa nossa área de abrangência, né? Todos os centros de saúde, não sei se vocês sabem como que funciona, mas cada centro de saúde tem uma área de abrangência, né? Então a nossa área de abrangência, a gente faz isso. Paciente, ele é da nossa área de abrangência, tá no seu cadastro, o endereço, tudo certinho. Ele manda uma mensagem pelo WhatsApp, como nós não temos pessoas o suficiente, porque o mesmo auxiliar técnico de enfermagem que atende a porta é quem atende o WhatsApp, né? Então a gente não aumentou o número de pessoas para fazer isso. Então a gente coloca lá a mensagem automática que a resposta vai ser ali mais ou menos em cinco dias úteis, mas é para coisas que não são tão urgente. Então alguém precisa, por exemplo, preciso renovar minha receita, né? A ele vai mandar uma mensagem, a gente vai acolher e vai encaminhar pro médico para que o médico faça os procedimentos. Ou então eu preciso agendar uma consulta para ver o resultado dos meus exames. Então ali a gente consegue. Tá com alguma queixa? Não, não tô com queixa nenhuma. Eu só preciso ver o resultado dos meus exames. Então ele não vai precisar faltar do serviço para ir lá agendar uma consulta. Aí ele vai marcar essa consulta por telefone. E às vezes são, E por que que isso facilitou bastante também? Porque antes as pessoas elas iam pro atendimento do dia e aí você ficava lá no acolhimento horas e horas aguardando porque fica todo mundo junto, fica aquela pessoa que só precisa renovar uma receita esperando junto com aquele que tá com uma dor. Puxa vida, fica todo mundo junto porque o pronto socorro demora 12 horas. Você vai no posto de saúde para passar. Aí no posto de saúde você atende pessoas que tá infartando, pessoas que tá com pressão alta e aí ficava todo mundo junto, né? para passar nessa triagem. Então, demorava. Então, com isso a gente conseguiu, a gente, né, conseguiu dar uma melhora no atendimento e qualificar também, que com isso você consegue, tendo menos pessoas aguardando para ser atendido, você consegue fazer um atendimento com melhor qualidade. Certeza. Porque como você vai fazer alguma coisa com qualidade, tendo 50 pessoas ali fora para você atender, né? E você tá vendo o relógio passando, seu plantão acabando e um monte de gente. Então, com isso, a gente conseguiu tirar muita gente da porta do centro de saúde. Maravilha. É o princípio da eficiência, né? E é o princípio eh eh do uso também, né, da tecnologia, né, para um fim maior. Sim, né? Isso, isso é isso é isso é muito importante. É a humanização, né? Quando a gente pensa nisso, a gente pensa realmente na humanização do serviço, porque a questão da saúde, né, a gente não entende saúde só como ausência de doença, a gente entende saúde também como dignidade. E aí, hum, você ter que faltar do seu serviço para agendar uma consulta, né, você perdeu o seu trabalho só para agendar, né? Então, eh, você não vai cuidar da saúde, você não vai ter uma dignidade, você vai perder o emprego. Quando você perde o emprego, teoricamente você perde a dignidade, até porque nós também somos aquilo que nós produzimos, né? Quando a gente se apresenta, a gente geralmente se apresenta pelo cargo, pelo nosso eh pela nossa profissão. Então, o trabalho ele é importante, ele é a nossa dignidade. Com certeza. Com certeza. Bom, o teu trabalho, né, a tua atuação vai para além da sua atuação ali no seu local inicial de trabalho, né? Você, por exemplo, representou aí os trabalhadores em conferências nacionais de saúde, né? Eh, eh, o que que significou para você ocupar esse espaço e quais foram as pautas que você levou para essas conferências? Olha, eu participei das, né, das últimas três conferências de saúde e eu tive a oportunidade de estar na nacional, né? Importante a gente entender que as conferências elas são várias etapas, então a gente passa por votação para ser na etapa municipal, aí você vai é votado entre os pares, depois você vai para para regional, para estadual e para ir para nacional, né? Então, realmente, eh, é bastante significativo, porque quando você chega nesses espaços, você acaba, eh, levando o aquilo que o trabalhador, né, que nem no caso, eu estou representando também o trabalhador, eu faço um papel nessas conferências, um papel que eu uso os dois lados, porque eu sou trabalhadora, mas eu também sou usuária do SUS, então eu consigo, né, ver os dois lados da história, porque eu também moro na periferia. Então eu consigo transitar em todos os espaços nessa questão. E aí quando você está numa conferência para discutir políticas públicas, porque o que é decidido lá na conferência nacional impacta diretamente no nosso trabalho aqui na ponta, né? as decisões dentro das conferências é o que impacta nosso trabalho. Então tudo desde o financiamento do que vem, do horário que tem que fazer, né, do da quantidade de horas que do tempo de atendimento de uma de uma consulta, tudo isso são demandas que são discutidas dentro do da conferência nacional, né, criação de um de um ambulatório, de um espaço, tudo isso são decisões tiradas dentro do Conselho Nacional que tem que vir para pro município. Então isso atinge diretamente, né, nós, tanto trabalhadores como os usuários do SUS. Perfeito. Você é uma mulher múltipla, né? Uma mulher de múltiplas atividades, de múltiplas ações, né? Então, a gente já falou do do teu trabalho, né, no seu local primário, né, ali de de atuação, eh a sua participação nas conferências, eh, e você também tem uma trajetória marcante no sindicalismo, né, inclusive ocupando postos de gestão. Conta para nós como é que te como é que se deu essa essa sua entrada nesse universo, né? O que que te levou à luta sindical? a luta sindical. E eu acho que ela chegou no momento da minha vida, esse momento que eu entrei na prefeitura. Eu entrei na prefeitura de Campinas num momento, como que eu posso dizer? Foi um momento bastante complicado para nossos servidores. Foi no momento que a gente teve o nosso primeiro desconto salarial, né, na época da Isalene. Então assim, os mais velhos de prefeitura talvez lembre disso. Então nós tivemos uma greve histórica que foi a greve de 47 dias e que tivemos desconto de salário. Hum. E a partir daquele momento eu entendi que não há que não não era só estar, né? tinha que estar participando realmente, né? Porque a luta individual ela não constrói, a luta ela tem que ser coletiva, né? E a e as nossas perdas naquele momento, ela foi porque a foi havendo um desgaste e foram e as pessoas foram ficando sozinhas. Então, quando eu venho pro quando eu vou pro sindicato naquele momento, foi realmente pensando nessa questão da construção e o quanto que eu tinha para colaborar, né, na construção. Tava nova ainda na prefeitura, acho que eu tava com uns 3 anos de prefeitura. Então eu tava com todo o gás, né, para tá fazendo esses enfrentamentos. Isso foi muito importante, porque eu consegui percorrer em vários lugares, eu consegui entender melhor o que era a saúde, né, o que é a prefeitura, como que funciona esse mecanismo, né, porque não é de todo ruim. Às vezes o funcionário falar: "Olha, a Prefeitura de Campina nada funciona". Funciona e funciona muita coisa. E aí quando você para para pensar, né, funciona muita coisa, né, mas existe outros mecanismos, só que a gente precisa estar sempre em movimento, porque se a gente não brigar pelos nossos direitos, eles vão diminuindo, né? E o sindicato ele tá aí para isso, né? O sindicato ele faz parte, então todas as lutas e não é só o sindicato dos municipais. Eu acho que isso daí é histórico, né? Tudo que se conseguiu hoje em questões trabalhistas foi através da luta, né? dado, nada de graça. E então, e esse momento foi um momento muito importante. Eu acho que ali foi a onde virou a chave, sabe, para mim criar essa essa vontade de me movimentar cada vez mais e de fazer valer os meus direitos. Muito bom. Excelente. E a gente segue na trajetória da Teresa. A Teresa foi candidata à vereadora em 2008, né? você sentiu esse esse desejo, né? Assim como e eh é é perceptível, né? Você tem no seu DNA essa coisa da luta, né? Da busca pelos direitos e tudo mais. E aí em 2008 você busca uma vaga, né? No legislativo da cidade. Você também tem uma atuação na O negro. Isso, né? Esse esse eh a sua atuação na na O negro, inclusive, né? E vamos destacar, né? a sua atuação como liderança da O negro, eu acho que traz um reforço muito grande nessa tua luta, na sua identidade, né? E eu gostaria que você falasse sobre isso, sobre o seu trabalho. Antes de mais nada, né? Pros nossos servidores, os nossos ouvintes que não sabem o que é o negro, né? Explica o que é ao negro e qual que é o seu trabalho lá, tá? A o negro, né? É união de negros e negras pela igualdade racial. É uma entidade de movimento negro. Ela foi fundada em 88 na Bahia, né? E ela tá praticamente no país inteiro, tá em todos os estados. Então, em todos os estados nós temos núcleos da O negro e é uma entidade sem fins lucrativos, a parte da área e através dessa entidade, né, é onde a gente tá na a gente consegue estar fazendo essas discussões para construir as políticas públicas. né? Então, a gente tem um histórico de estar nas à frente de diversas lutas, então ao negro, né, através de seus representantes, lógico, estávamos juntos na construção do Estatuto da Igualdade Racial, nas leis de cotas. Então, a gente é uma entidade bastante atuante, né? É uma das entidades mais antigas. Eeniu é a mais velha, né? Mas a O negro também é uma entidade, uma das mais antigas entidades nacional. E hoje nós também estamos em vários espaços, né? Hoje nós estamos no Conselho Nacional de Saúde, né? Nós estamos no conselho daom no no conselho da igualdade racial, porque como é uma entidade de da sociedade civil, então nós ocupamos os espaços do conselho porque nós entendemos que é nesses espaços que são os espaços para que sejam discutidos essas políticas públicas, que é o que vai realmente fazer a diferença na vida da nossa população, no caso da população negra. Excelente, Teresa. Eh, isso você tem, né, uma série de de perfis, você desenvolve muito trabalho. Aqui nas minhas anotações, a gente tem outras coisas também, conselho, né, o conselho municipal da da da eh da da igualdade racial, enfim, né? Você tem outras bandeiras também que você que você desenvolve. Você atua, por exemplo, nas bancas deidentificação, né, dos concursos públicos da Prefeitura de Campinas e também no grupo de lideranças negras. Aliás, nós, né, nós estamos aí no grupo de lideranças negras, eh, de desenvolvimento de lideranças negras na gestão, né? Inclusive esse espaço aqui, esse trabalho que a gente tá fazendo, está relacionado a isso. Como é que você enxerga esses espaços, né? Eh, eh, eh, eh, e e qual que é a relevância para as políticas afirmativas? Olha, esses espaços eles são de extrema importância, porque o que que acontece quando você fala em lideranças negras, né? Eh, primeira coisa que vem na cabeça quando se fala em liderança, você pensa só na chefia, né? Exatamente. E ex e lideranças realmente nem sempre é chefia. Muito bem lembrado, né? A pessoa que é uma liderança, nem sempre ela está ali no poder. É, seria legal se tivesse, mas nem sempre ela é quem está ainda ainda, né? Com o poder da caneta, né? Então esse espaço aqui e esse espaço que a gente vem construindo enquanto lideranças negras é para que a gente consiga tá trazendo essas pessoas e como eu que tem um trabalho dentro da prefeitura que faz algumas faz a diferença, né, e que fica lá quietinho no seu canto, né, sem muito sem holo porque não faz parte da gestão. Então, quando a gente trabalha as lideranças negras também, você acaba trabalhando a autoestima da pessoa, porque você coloca: "Olha, o seu trabalho ele é importante, o que você faz, ele é importante. Ele é importante pra prefeitura, ele é importante pra população, ele é importante pro povo preto, porque a gente acaba sendo uma referência. Então, as pessoas elas te olham e fala, né, eu quero eu quero estar ali também. Então isso faz toda a diferença, né? E aí quando você tem um projeto como esse, que aí é minha opinião pessoal, significa, né, que nem quando o Campinas assina aí a carta antiracista, quando você tem eh projetos específicos, significa você falar: "Sim, o racismo existe e nós estamos e nós estamos correndo atrás para reparar. Nós estamos tentando fazer a reparação e a reparação a gente sabe que ela não vai chegar do dia paraa noite, porque tudo isso não foi do dia paraa noite, né? Foram muitos anos de racismo e ele não vai acabar, mas a gente tá mas tá dando oportunidade para que a gente comece a mostrar para aquela coisa que a gente tinha lá atrás, aquele quadradinho no jornal, né, boa aparência, né, ele seja de fato esquecido e mostra de a competência. Então esse projeto lideranças negras, eu acho que ele vem trazendo isso, né? Competência, não, não questão de aparência, porque assim, desculpa, mas eu me acho linda. [risadas] E você é com certeza. Mas não aos olhos de todos, né? Eu sei, né? Mas e a beleza? E ela não é tudo. Só que eu também não preciso estar, não estou onde eu estou por conta da beleza. Eu estou por conta da minha competência. Exatamente. A minha trajetória, né, ela foi criada, ela foi construída, né? Então eu tenho orgulho, eu tenho orgulho mesmo do que eu faço, tenho orgulho da onde eu venho. Eu sempre falo, né, que nem agora eu tô na CIP, que é uma comissão, é uma comissão intersetorial de políticas de promoção de equidade do Conselho Nacional de Saúde. E aí, eh, a gente teve uma reunião agora no, no final de novembro, quantas pessoas começam se apresentar, né, cheio de doutores, né, de mestrandes, eu me apresento, sou Teresa auxiliar de enfermagem, porque eu não tenho que ter vergonha da minha origem, né? Porque eu consigo me entender enquanto uma mulher preta e uma mulher preta em movimento, né? uma liderança. Eu tive o meu sonho. Eu posso falar que eu tive assim, eu tive muitas pausas na minha vida, mas eu nunca parei. [risadas] Isso é o melhor. Teresa, falando em pausas, a tua história com a educação é cheia de encontros, pausas retomadas, resistências, né? Eh, você me contou, né, que você tentou contabilidade, enfermagem, serviço social e não era o momento, né? E as condições para você finalizar esses cursos não estavam dados naquele momento. Hoje você tá concluindo psicologia. Exatamente. Dentro de muito pouco tempo você será uma psicóloga que é um profissional tão escasso e tão necessário, né, no serviço público, no SUS, que é é muito importante que a gente frise aqui, né, a importância e e do SUS, o Sistema Único de Saúde, que apesar das falhas, das dificuldades, é um serviço que atende a nossa população e é um serviço que eh praticamente não existe em outros lugares, né? Então, eh eh são profissionais que devem estar presentes ali no no SUS. O que que significa para você, uma mulher preta, filho da Vila Teixeira, filho da Dita e do Sebastião, se tornar uma psicóloga, ser uma psicóloga preta? Eh, eu acho que isso é a conclusão, sabe? A conclusão de de um sonho. É, como eu disse assim, né? Eu nunca parei, eu tive as pausas, né? Então, infelizmente eu tentei enfermagem, eu tive que parar por conta da questão do financeiro. E as pessoas falam assim: "Ah, mas você é preta, nunca conseguiu: "Ah, mas eu já ouvi muito. Ai, você luta por cotas e nunca conseguiu cotas?" Não, eu nunca consegui cotas porque as cotas além da cor da pele tem a questão social, né? E aí trabalhando na prefeitura de Campinas, só que eu sozinha, né? Porque sou sou separada, né? Agora não, agora eu tô casada, mas durante muito tempo pessoa separada, sem filho, morando sozinha e subsentende que você tem condições, né? Mas não entende que você enquanto uma pessoa preta, você o que é seu não é seu. Tem as barreiras muitas, por muitas vezes invisíveis, mas estão lá invisíveis, porque você tem família para ajudar. Você não tem filho, mas você tem irmão, você tem sobrinhos, você tem família, você tem, né, pessoas no qual você ajuda. E aí eu sempre esbarrei, né? Tentei fazer serviço social, tava ali no, não era o que eu queria, mas era o que eu conseguia, né, realmente por conta de questões financeiras. Só que quando meu irmão adoece, eu larguei tudo para cuidar do meu irmão e larguei. Não, não pensei duas vezes, né? Larguei faculdade, não larguei serviço porque alguém tinha que me sustentar. E esse alguém era você mesma, né? Mas e aí, né? Eh, quando eu começo a fazer o curso de psicologia, eu entendo que que era isso, né? Falei, não foi, mas agora vai. E me tornar uma psicóloga, né? Dentro eu comecei a perceber que eu já era uma psicóloga pelo que eu faço, pelo que eu atendo, né? Eu só precisava da prática, só precisava da técnica. E hoje fazendo o curso de psicóloga, né? Hoje terminando essa graduação que, né, Zoraz permitindo e vai permitir, eu termino em julho, né, em julho tô no encaminhando aí pro 10o semestre, eu consigo perceber o quanto que eu já fazia, só que hoje com essa com aprendendo as abordagens eu consigo fazer muito mais. E aí tem uma frase, não sei se eu vou lembrar exatamente como é, da Cida Bento, que eu adoro, né, que ela fala que a educação é a educação é a herança daqueles que não tiveram dinheiro, né? É uma coisa assim que ela fala, não me recordo exatamente, mas é algo nessa linha que estudar a educação é a herança de eh é o que é daqueles que não a herança de quem não foi herdeiro, algo assim. Uhum. E aí eu me vejo dessa forma hoje. Hoje eu tô tomando posse da minha herança. Hoje eu tô estudando, né? E me tornar psicóloga hoje com essa questão da saúde mental. gritando, ela tá meio é um diferencial, porque estamos se quebrando tabu também, porque primeiro lugar psicologia não tanto quanto medicina, mas é um é paraa elite. Hoje a pessoa hoje o pobre não tem condições de passar pelso, porque mesmo que você fala no SUS, como eu falei no começo, é 36 horas, né? uma profissional é uma única, no máximo dois pacientes por cada, né, para atender ali três unidades. Então ela fica, nem no caso da nossa unidade é uma profissional para ficar 12 horas numa unidade por semana. Você acha que em 12 horas ela consegue atender adulto, criança, idoso, homem e mulher, né? Não tem condições. Se você vai, ah, tem preço, tem valor social, mesmo valor social. Quem hoje pobre, né, tem condições de desembolsar ali R$ 300 por mês num valor social, porque no mínimo que se paga por sessão é R$ 80, é R$ 100, falando de valor social. Então é uma realidade muito distante. Então eu acho que estar nesse momento falando porque assim, sem contar as dores do nosso povo preto, né? Porque a gente sempre se escondeu, a gente sempre teve que ser forte, ninguém nunca deixou a gente chorar. Então eu acho que fazer essa esse curso nesse momento, fazer essas discussões e ser uma psicóloga preta, eu acho que ela dialoga direto com as minhas raízes, com aquilo que eu sou, aquilo que eu entendo por Teresa e o que eu pretendo para mim. Coisa linda que você que você trouxe para pra gente aqui. São sonhos, né? São sonhos. E pra gente finalizar, porque o nosso tempo já acabou, por incrível que pareça, eh, eu sempre peço para que os nossos convidados, as nossas convidadas, eh, porque se você está aqui, é porque nós reconhecemos você como uma liderança. Obrigado. Uma liderança potente, né? Uma liderança importante. Eh, e você é inspiração, né? deixa um recado pros servidores, paraas servidoras, né, que estão chegando no serviço público, que querem trilhar, né, um caminho como a Teresa está fazendo. Deixa um recado para essas pessoas, deixa uma mensagem para essas pessoas pra gente finalizar, tá? Eh, eu penso assim, as pessoas que estão chegando hoje, né, acho que a gente precisa entender como que é o serviço. Eu acho que em primeiro lugar tinha que entender, conhecer a cidade paraa saúde. Exatamente. Conhecer o SUS. O SUS é lindo. Eu sou sou apaixonada pelo SUS e entender que nós estamos cuidando de vidas, né? É trabalhar com a questão da humanização, né? Não são números. A gente não precisa ser só números, a gente pode sim fazer a diferença. E eu entendo que se nós fizermos a diferença, eu acho que fica tudo mais leve, porque quando a gente faz com qualidade, a gente consegue dar conta do trabalho, porque ele é pesado, né? Não é fácil. Mas eu acho que quando a gente consegue saber o que a gente coloca amor naquilo que a gente tá fazendo, eu acho que consegue ser um pouco mais leve, o fardo fica mais leve e aí fica muito mais tranquilo trabalhar. Porque a gente cuida de vidas, né? Falando do meu lugar, né? Enquanto saúde, a gente cuida de vidas e vidas importam. É isso. E vidas negras, pretas importam muito. E saúde mental da saúde preta, ela precisa ser discutida. Com certeza. Teresa, muito obrigado pela sua força. Obrigado pela por compartilhar com a gente a sua história. Obrigada pela sua entrega, né? Você é a prova viva de que liderança se constrói com coragem, com território, com fé, com comunidade e com trabalho cotidiano. Obrigado por compartilhar não apenas a sua trajetória, mas também as suas raízes. Bom, nós chegamos aqui ao encerramento desta e com este episódio desta primeira temporada do Vozes Negras de Campinas. uma temporada inteira dedicada a reconhecer, ouvir e celebrar a trajetória de lideranças negras dentro da nossa gestão pública. Ao longo desses episódios, nós caminhamos por histórias profundas, por desafios superados, por conquistas coletivas e por sonhos que seguem movendo cada uma das pessoas entrevistadas, como você, Teresa. Sim, nós relembramos com carinho e respeito cada encontro. As narrativas que abriram a temporada, marcadas por coragem e ancestralidade, os relatos sobre o enfrentamento ao racismo institucional e a potência de ocupar espaços de decisão. A história de servidores e servidoras que trans que transformam seus setores com inovação, humanidade e senso de missão. os episódios em que refletimos sobre políticas públicas, educação, saúde, cultura e gestão, sempre a partir das vozes que historicamente foram silenciadas, mas que aqui puderam ecoar com liberdade e força. E os diálogos que apontaram para o futuro, reafirmando que liderança negra não é exceção, é presença, é competência, é legado. Encerrar essa temporada é reconhecer que algo muito maior do que um conjunto de episódios foi construído. Nós construímos um espaço de memória que permanecerá vivo. Nós criamos caminhos para que novas pessoas se vejam, se reconheçam e se sintam convidadas a ocupar os lugares que são seus por direito. A cada pessoa convidada, nossa gratidão profunda. Vocês entregaram não apenas entrevistas, mas pedaços de vida. A equipe que esteve por trás desse projeto, produção, roteiro, comunicação, mediação, captação, apoio técnico, gestão institucional, nosso agradecimento emocionado. Sem o envolvimento cuidadoso de cada um, de cada uma, nada disso seria possível. Agradecemos à Câmara Municipal de Campinas, a Prefeitura Municipal de Campinas, à Secretaria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, ao Departamento de Apoio à Gestão e Projetos Integrados, à Secretaria de Saúde, né, que autorizou a presença da nossa querida Teresa aqui. E agradecemos também ao público que acompanhou, refletiu, compartilhou e compreendeu a importância desse movimento. Vocês dão sentido a tudo. Nós encerramos essa temporada com o coração cheio, sabendo que este é só o começo. Que venham novos episódios, novas histórias, novas vozes, porque todas elas importam, todas elas transformam, todas elas precisam ser ouvidas. Até breve. 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