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Olá, sejam muito bem-vindas, bem-vindos a mais um episódio do Vozes Negras de Campinas, um podcast produzido no âmbito do Programa de desenvolvimento de lideranças negras na gestão da Prefeitura Municipal de Campinas em parceria com a Câmara Municipal de Campinas a Casa do Povo. Eu sou o Daniel Estevan, coordenador desse programa e apresentador desse projeto. Antes de mais nada, eu quero fazer a minha audiodescrição. Eu sou um homem negro, uso cabelos raspados, tenho 52 anos, estou usando uma camisa social amarela e uma calça jeans azul claro. Bem, no episódio de hoje daremos voz a duas mulheres negras incríveis que ocupam posições de liderança e protagonismo nas instituições públicas da cidade. Jaqueline Damásio e Yasmin Alencar Lopes. Bem-vindas. Bem-vinda, Yasm. Bem-vinda, Jaqueline. Nós conversaremos sobre suas trajetórias, os desafios da representatividade, as práticas que funcionam e, é claro, pensar juntos os próximos passos para que Campinas se torne uma cidade onde lideranças negras sejam cada vez mais visíveis, presentes e transformadoras. Antes de mais nada, deixe o convite para que você curta esse episódio, se inscreva aqui no canal, né, ative o sininho, né, e compartilhe para que outras pessoas também possam apreciar esse nosso trabalho. Bom, vamos conhecer agora um pouquinho das nossas convidadas. Vamos começar falando um pouquinho da Jaqueline. A Jaqueline Damasio é uma mulher negra, retinta, que de 2017 a 2024 foi gestora do Centro de Referência em Direitos Humanos e Combate ao Racismo e à Discriminação Religiosa da Prefeitura de Campinas. Esteve e está no CNE das formações em letramento racial e hoje coordena o CProcamp ligado à FUMEC Campinas. e a Yasmin Alencar Lopes, que é natural de Belém do Pará, graduada em direito pela Universidade Mackenzie, com pós-graduações em Direito Tributário Constitucional e Direito e Economia, e atualmente é procuradorachefe da Câmara Municipal de Campinas. Então são essas, né, um pouquinho, é esse um pouquinho do perfil das nossas convidadas. Eh, nesse primeiro bloco, nós vamos falar um pouquinho, né, conhecer um pouquinho das trajetórias de vocês, né, vocês vão, né, eh, eh, falar um pouquinho a respeito de como vocês chegaram aqui, né, os seus objetivos, as suas motivações, né, suas identidades. E é isso, vamos conversar por você, Jaque. Jaque, conta um pouco pra gente desse seu percurso, como é que você se formou, como é que você chegou, né, a essa posição de gestora, né, e como e e de uma servidora do município de Campinas. Conta para nós. Eu preciso começar agradecendo a oportunidade de estar com você aqui, Daniel, no programa Vozes Negras de Campinas. Feliz por estar com Yasmin, porque nós já nos conhecemos, mas eu também preciso iniciar com minha audiodescrição. Sou uma mulher preta, retinta, 56 anos, cabelo crespo. Estou aí com adereços colar e brinco, eh, dourados e também tô usando uma roupa com tom de laranja. Hum. A pergunta que você faz, Daniel, acho que é assim bem pertinente para aquilo que a gente tem para discutir aqui, né? Eh, eu inicio a minha carreira eh na docência, né? Então, professora de educação infantil em uma escola particular aqui de Campinas que foi o Educap Júnior. E depois eu acesso o serviço público através de concurso enquanto professora de PEB um, né, que a gente chama professora de ensino básico, um da Fumec. E de lá para cá também acessei professoras de educação infantil, mas especificamente nos últimos 12 anos tem um trabalho muito voltado para as questões sociais e aí eu passo a fazer também uma uma composição na Secretaria de Assistência Social. Atualmente eu volto paraa educação. Então aí a gente tem uma história aí de 35 anos de FUMEC e 25 anos de Secretaria Municipal de Educação. É muito tempo, né, Jaque? Muita história. É muita história. E você chega a essa posição via concurso público, não é isso? Via concurso público nas duas situações. E é muito importante a gente trazer a a o significado do serviço público pra população negra, né? esse acesso que vislumbra e que você foge um pouco desse mundo corporativo, né? Porque o mundo de trabalho corporativo significa para você algumas imposições, algumas limitações. E a partir do momento que você tem contato com o serviço público, você também tem contato com uma população que tem muito mais sua cara, né? Então, se a gente for parar e pensar na educação, você tem aí um número maior de de crianças negras. E eu inicio no Recanto Infantil Vila Rica. né? Então, tive um contato bem interessante com crianças negras desse bairro de Campinas, bairro periférico, primeira vila popular de Campinas. E foi o local que eu escolhi para trabalhar, foi uma escolha política para ter contato com essas crianças nesse bairro que tem toda uma história eh de pessoas negras que moram ali há muito tempo, há mais de 60 anos. E que história, não? história, história muito rica, muito perturbadora, né? Em muitos aspectos, muitos desafios. É, vale a pena a gente conhecer, né? E agora nesse início de bate-papo, né? Vamos conhecer um pouquinho da Yasmin. Yasm, conta pra gente aí como é que foi a sua trajetória saindo de Belém do Pará. Como é que você veio parar aqui no no no serviço público em Campinas? Campinas. Campinas. É, eu tava pensando como iria falar isso, né? Sou o Yasmin. Vou fazer a minha audiodescrição. Sou uma mulher negra de pele clara. Eh, tenho o cabelo liso, eh, na altura dos ombros. Estou vestida com um vestido lilás e estou usando um brinco dourado. Eu saí de Belém com 16 anos. Eh, vim estudar música no conservatório. Eu vim estudar música no Conservatório em Tatuí. Fiz violoncelo lá. Achei que eu ia seguir no rumo da música, mas achei que a o meu estilo de vida não comportava na música. É uma vida muito, é uma vida de muita insegurança, de trabalhos no final de semanas, de fazer cachê. E eu sempre estudei música clássica. Não comportava aquilo, você estudar horas e horas durante o dia paraa noite fazer cachê em quem não tá nem escutando, nem tá avaliando a sua qualidade musical. Bom, para mim aquilo não fazia mais sentido. Decidi voltar o que eu achava que era que eu queria, que era o direito. Aí mudei para São Paulo, de tatuei para São Paulo. Lá comecei a fazer estágio em advocacia e vi que o mundo é bem difícil, né, em relação a eh para eu subir na carreira de advocacia. Isso aí você só consolida nos finais, nos anos finais, né? você precisa de indicações. Então eu de Belém em São Paulo, como é que eu iria ganhar dinheiro? Você tem um fixo bem baixo normalmente e você ganha em cima de processos que você traz sua família, seus amigos. E eu tava simplesmente no Itaim Bibi, que indicação eu ia conseguir para conseguir eh ter uma carreira que eu esperava que eu poderia ter. Aí eu falei: "Não, não, assim, vai ser difícil eu seguir na iniciativa privada com esse tipo de requisito, né, para eu conseguir ganhar dinheiro, para eu conseguir fazer minhas coisas". Aí pensei na questão de e como mulher também, eh, a vida de todas as minhas chefes sócias de escritório, era até 10 horas lá trabalhando com a família não existia também, né? Como mulher, você pensar na estrutura da mulher, na sociedade, quem carrega mais uma família, quem tá responsável por várias coisas, não comportaria eu ficar na advocacia sem indicações e sem tempo para a minha família, que eu sempre quis. Aí eu falei, então vou prestar concurso público, talvez eu teria essa estabilidade, não dependeria tanto dos outros para crescer na carreira, né? Eu só dependeria de mim, que eu acho que foi isso que aconteceu. Aí fiquei estudando 4 anos de para prestar concurso e reconheço, é um baita privilégio. Quem tem o privilégio de parar a vida e estudar 4 anos sem ter que pagar as contas de casa, etc. Mas foi um esforço em conjunto na época. E aí passei no concurso aqui em Campinas e vim parar aqui em Campinas e e aí eu fui em relação a cargos, eu fui subindo, entrei como procuradora, depois peguei a primeira chefia e depois me tornei procuradora chefe. Mas é é um carro do momento, pode ser agora, pode ser que daqui a pouco eu não esteja nele. É com base na confiança de quem tá na chefia do poder. Entendi. Isso mesmo. Ô, ô, ô, ô, Jaque, a gente tem aqui, né, nessa mesa um cenário, né, que representa bem o que é a população brasileira. Perfeito, né? Você é uma mulher preta retinta, né? Eu sou um homem preto retinto. Você é uma mulher negra de pele clara, Yasm, né? Nós falávamos sobre isso, de ascendência indígena vinda lá do Belém do Pará, né, Jaque? Como é que você analisa, né? Como é que como é que se dá isso, né, para que o nosso servidor que tá em casa nos assistindo, pro público em geral que está em casa, como entender, né, essa essa variação que existe dentro, né, da comunidade negra? Eu acho que aqui a gente traz os aspectos do colorismo, né? Eh, e no Brasil a gente tem essa realidade muito bem colocada e eu entendo que nós estamos vivendo um processo de identidade racial sendo construído. E dentro desse processo, muitas pessoas que têm o perfil eh da Yasmin, elas não vão se considerar enquanto pardas, elas vão viver um momento que são morenas, eh que sejam brancas, ou seja, eh a gente precisa retomar, né, de acordo com IBG, qual é o nosso quisito rata cor. Então o nosso branco, preto, pardo, amarelo, indígena, não foge disso. Dentro dessa construção, como é que você se autodeclara? para além da sua autodeclaração, como é que você é visto? Como é que a sociedade te lê? E esse processo para o Brasil, ele é extremamente necessário, né? Porque é a maneira da gente conseguir trazer os aspectos do racismo estrutural. Eh, a gente vai ter que entender que aqui no Brasil nós vivemos a questão do racismo eh de marca. Quanto mais escura a pele, então provavelmente eu e você tenhamos muito mais histórias de práticas racistas vividas do que a Yasmin teve, né? Então, porque aqui a gente considera realmente quanto mais escura for a sua pele, mais episódios racistas você vai sofrer. Mas a gente também precisa entender que enquanto população negra é fazemos parte do mesmo repertório, um pouco menos intenso, né, para a maioria dos brasileiros que são pardos cerca de 42 43% da população e e muito mais intenso pra população preta brasileira que gira em torno dos 10 12%. Eh, cada vez mais as pessoas estão se declarando enquanto pardas. Então, é um avanço paraa sociedade ter esse tipo de leitura e sair daquele lugar que se trazia. Marrombom, moreninho, cor de jambo, né? Morena cor de jambo. É exatamente onde eu ia chegar no minha infância. Precisa superar assim canela. Crave. Exato. E não, você não é preta, você é morena cor de jambo. Lá em casa sempre foi uma discriminação, porque eu era a mais preta de casa. Então não, não, mas calma, você não é, você é cor de jama ou você é da cor do pecado, que já me deixava mais esquisita, porque você aí é sexualizar mais aí o que eu nunca gostei disso, né? Eh, mas essa é é falta de letramento, como tu falaste, né? Falta de letramento. Então, a gente tá avançando nisso, sabe, Yasmin, por momentos como esse, por trazer isso à tona, porque quem tá nos assistindo vai se identificar com você. Nossa, mas a minha tonalidade de pele é como a dela, mas o meu cabelo, a minha ascendência indígena, as pessoas não trazem ascendência indígena para esse debate. As pessoas têm muita dificuldade de entender que quem tem ascendência indígena também é pardo, né? Então eu acho que é um avanço para nós enquanto brasileiros trazermos isso, mas sempre no sentido de construção, de irmandade, porque o racismo ele bate as nossas portas, eh, só que de uma maneira mais intensa ou mesmo menos intensa, mas que ele bate as nossas portas que ele bate. Jaque, muito bom, muito interessante essa abordagem que você faz, né, trazendo um pouco, né, dessa descrição do que é ser negro no Brasil, né, na verdade, a gente é disso que a gente tá falando. Mas agora voltando a falar sobre a sua trajetória, né, tanto a sua quanto a da Yasmin, né, vocês trazem esse esse elemento, acessa o serviço público via concurso, né, via concurso público. Eh, você inicia como professora e a Yasmin como procuradora e vocês acendem na carreira, né? Eu acho que é muito importante a gente trazer esse elemento, porque eh quando a gente fala do Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras na gestão do município de Campinas, é exatamente sobre isso que nós estamos falando, né, da possibilidade dos servidores negros e negras, servidores e servidoras acenderem na carreira, terem oportunidade de ascender na carreira e ocupar postos de decisão, postos onde se desenvolve as políticas públicas, né? Então, no seu caso, eh eh eu entendo e pelo que eu conheço um pouco de você, eh a sua militância, né, nas questões raciais, nas questões formativas relativas a todas as questões étnico-raciais, é que te propiciam essa oportunidade de acender na carreira, né, e alçar o posto, né, um posto de liderança no centro de referência. É isso mesmo. Eu acho que tem várias vertentes aí que precisam ser analisadas, Daniel. O que queir ou não, o serviço público ele te oferece algumas possibilidades, mas você também eh precisa ter sua habilidade nata, né? E e na verdade você precisa definir qual perfil você quer. Então em termos de competência realmente eu tenho aí uma uma vasta experiência na a título de de formações, atividades formativas. Realmente foi o note que eu escolhi. Eu acho que escolher também essa essa essa postura, né, de tá trazendo a pauta racial, mas eh voltada para as questões institucionais, eu acho que foi um ganho paraa minha carreira, porque geralmente as pessoas traziam o racismo eh no viés da militância e eu consegui trazer a mesma pauta racial para dentro do serviço público, mas para o viés institucional. Como é que é isso dentro da prefeitura de Campinas? como é que nós vamos conseguir avançar a partir da lei 10.639, 639, que foi o meu grande achado e e foi o princípio da minha da minha inserção, né, nessa pauta racial, que é, né, que me faz eh eh hoje assim, né, enquanto referência, né, eh e é muito assim, é muito interessante perceber que os caminhos que eu acabei trilhando foram caminhos que muitas vezes eu percebi ali a necessidade, eu falei: "Não, esse nicho precisa ser explorado". e fui encontrando e me aliando a pessoas que tinham o mesmo tipo de pensamento e a gente foi trazendo oportunidades, né? Eh, e aí a gente faz isso também de uma maneira muito intersetorial, que a gente precisa admitir que há necessidade disso no serviço público, né? Então, a pauta racial ela precisa ser entendida dentro da intersetorialidade que ela requer. Perfeito. Muito bom, Yasmin. Eh, mesma pergunta para você, né? Você chega via concurso público aqui num cargo específico e tem a oportunidade de acender na carreira. Como é que se deu? Como é que funciona esse processo de ascensão aqui no no universo da Câmara Municipal de Campinas? Não, não. Eh, acredito muito em relação a isso, a a mérito e você fazer as entradas certas, que talvez é isso que a Jaque tá falando. E eu acho que ela é muito habilidosa nisso. Cada um escolhe seu viés que você vai atuar na nesse combate, seja dele, de outros. A ja que é uma pessoa assim, e não é que a outra pessoa esteja errada, talvez a dor dela se transforme em um viés um pouco mais duro da de uma militância diferente, digamos assim. Mas pessoas como a Jaque, por exemplo, ela tem um jeito de conversar, sabe? Ela não vai por tudo ou nada com você, ela vai lá e ela faz você chegar a, a gente compreende a visão dela numa conversa assim, ela não vai te bater para te chocar ou te, ela vai chegar no ponto que ela quer, te conduzindo habidosamente para chegar. Isso eu acho fantástico, já que sabe porque às vezes eu acho que é não só nesse debate de e de raça, de ou de mulher, de homem, quando você vai lá na pra briga do tudo ou nada, você não é bem aceito, sabe, nisso de, ah, eu sou uma mulher e por isso eu já, Quantas mulheres eu vejo aqui, você vai ter que me respeitar, não me trata assim, não. Você dá para você se igualar e e começar uma conversa, mas é, vai, talvez seja o meu estilo também. Não que eu eh recrimine quem faça de forma diferente. Talvez o a dor dela seja diferente da minha, sabe? Mas eu eu gosto dessa forma de enfrentamento. Talvez para esse tipo de ascensão, coisas seja formas mais fáceis de você ir caminhando sem arranjar talvez muitas encrencas. Tá certo que você precisa das pessoas que são, que levantem esse tipo de bandeira de uma forma diferente, mas quando você consegue chegar no mesmo fim de outras formas mais conversadas, mais lúcidas assim, que eu considero menos agressivas, talvez, não sei se a palavra ficaria ruim, mas eu acho bem mais calmo, sabe? Eh, você consegue fluir no meio dos outros, sabe? Tá? Então você tá dizendo para nós que, né, porque eh eh vocês enquanto, né, lideranças no nos diferentes locais de trabalho de vocês, né, eh são também inspiração, né, e servem de exemplo. Então você tá dizendo pra gente que eh na sua evolução, na carreira, eh você entendeu que eram muito importante articulações, construção de de de boas relações para ter essas oportunidades. Sim, né? Eh, eu acho que mais uma questão de sem entender como todo eh, profissão, articulação, sim, claro. Mas mais você entender o que a chefia precisa, ó. Ela precisa que você dê o seu melhor. Você vai querer sair 6 horas da tarde. Aqui também é um mundo corporativo, sabe? Ó, independente do horário, final de semana, eu atendo quem me liga. Não tem essa de nas minhas férias, eu também ato gente, ó, porque é o gente, eu posso resolver daqui de longe, posso. Então não ter muito, tudo bem, os direitos trabalhistas vieram muito importantes para defender o seu descanso, não sei o quê, mas para lideranças eu acho que essa flexibilidade de você atender as demandas da do seu superior está mais disponível assim é é bem importante, sabe? Não adianta você falar: "Trabalhei minhas 6 horas da Câmara e eu vou desligar meu telefone para casa". Pode ser 6 horas da manhã estão me ligando, eu preciso estar aqui e você tem que ter essa certa disponibilidade para estar num carro de liderança, sabe? Não estratégias, né? Na verdade, e a a ascensão na carreira, ela também depende de estratégias, de boas estratégias, né? E falando, né, nessa questão, você traz alguns aspectos do seu trabalho. Conta pro nosso público o que exatamente faz uma procuradora. Ah, eh, a, os procuradores aqui analisam a legalidade de a legalidade, constitucionalidade de projetos de lei, de admissão de pessoal, de eh contratos públicos, licitações. Então, eh tem consultas que são obrigatórias e vem pra gente. É uma forma do estado se garantir que está passando pelo devido processo legal. e outras não. Eles eh perguntam mais como uma consulta: "O que que você me recomenda fazer num caso desse?" Eles podem, a decisão sempre final é da autoridade competente, mas a gente eh dá os caminhos dentro da legalidade que ele poderia fazer ou não e as consequências se ele não fizer aquilo. Mais ou menos isso. Entendi. Bom, agora, né, para vocês duas, né, e continuo com você, né, pela experiência que vocês têm sendo mulheres, ocupando esses espaços, né, eh, que são espaços importantes. vocês enxergam, vocês veem que existe espaço pra ampliação da diversidade racial e de gênero nas instâncias, né, da Câmara Municipal, né, de de Campinas e da Secretaria de de eh no seu caso, né, da Prefeitura Municipal de Campinas. Se você entende, Yasm, que existe espaço para essa diversidade racial e de gênero ou a gente ainda tem que caminhar muito nesse sentido? Não, eu não sei. Sou otimista. Eh, sim, existe bastante espaço. Eu não vejo ainda que eu sinto mais falta dessa formação da base para chegar. Eh, então eu não tenho ninguém lá disponível, assim, eu tenho um um preto retinto dentro da procuradoria, eh, que que assumiu outras eh posições agora, mas eu não vejo muita gente chegando nessa possibilidade. Sabe quantos procuradores negros eu tenho aqui disponíveis para mesmo em chamada? Não tenho, gente. Então, se eu não trabalhar a base, que é a formação lá da escola da Jaque, que ela tá ajudando nisso, eu não vou conseguir chegar o nesse perfil aqui em cima de de chefia. Então, eh, não por uma questão de uma escolha de agora você não vai conseguir fazer. Ou você vai trabalhando lá de baixo para cotas no concurso, ó, vamos, eh, vamos admitir mais eh pessoas negras para eh para ir tentando tornar mais igualitário, sabe? Mas acho que a gente ainda tem um caminho longo pela frente. Entendi. Ô Jaque, a Yasmin traz, né, e um aspecto muito interessante aí que são as políticas afirmativas, né? De fato, nós estamos num movimento e nós entendemos, né, inclusive falando de políticas afirmativas, né, da Prefeitura Municipal de Campinas, a gente tem um um um movimento, né, de nos equipararmos ao governo federal no sentido de ampliar, né, a porcentagem das cotas raciais pros concursos públicos, né, o que você traz é exatamente isso, né? Primeiro, você tem que trazer eh dar oportunidades e eh proporcionar o acesso dessa população, né, dessa população negra ao serviço público, né, acesso e daí também dar condições para que essa esse público, né, para que esse servidor consiga acender na carreira. Então, acho que esse aspecto das políticas afirmativas é fundamental. É fundamental. Eh, eu acho que a população de verdade precisa ter o entendimento que o que a gente chama de cotas sociais, né, eh, é só uma parte de das políticas públicas que nós precisamos. E aí enquanto indivíduo mesmo, né? Porque o indivíduo ele precisa passar no concurso, ele precisa estar preparado. Então, qual que é a nossa intencionalidade quando a gente pensa em políticas públicas? é diminuir essa essa desigualdade social, né? Porque a desigualdade social ela tem cor. Todas as nossas vulnerabilidades sociais ela tem cor e é cor preta. Quando a gente traz eh casos específicos, na verdade a gente tem também uma intenção de potencializar jovens eh para que venham pro serviço público e e acessem através da reserva de vagas, mas ao mesmo tempo a gente precisa dar condições de permanência, a gente precisa dar condições de sucesso dentro de desse serviço público, pensando inclusive na progressão funcional. Eh, Campinas tá já tem feito um trabalho muito interessante desde 2019, eh, referência, né, aqui da região metropolitana, eh, com as cotas raciais, que a gente também chama de reserva de vagas, não só eh para administração direta, como é o nosso caso de servidores públicos, mas também para administração indireta. Então, entra Câmara Municipal, IMA, SEASA, SANASA, CETEC, FUMEC, enfim. E a gente tem trazido isso, eh, e foi dessa maneira que eu conheci a Yasm, né? Porque nós fazemos um um curso preparatório para as pessoas que vão trabalhar na heteroidentificação dessas autarquias, dessas fundações. E quando a gente pensa nesse curso, não é o curso pelo curso, pensando nas questões técnicas, né, que o procedimento de heteridentificação, ele tem ali a função e é uma função totalmente já legalizada e referendada para que todo candidato autodeclarado ele tenha a validação dessa autodeclaração a partir do momento em que ele é avaliado, né, eh por uma comissão. E a gente faz isso com muita dignidade, com muito respeito, né? Porque tem pessoas que falam: "Nossa, mas passa por isso não é algo constrangedor". Não. Constrangedor é não ter acesso e a gente também precisa desse movimento do da hetteoidentificação para evitar fraude, né? Esse que é o maior, essa que é a maior intencionalidade nossa, né? E quando a gente fez aqui o o a proposta do curso, né, porque nós teríamos na Câmara um concurso. E aí eu vim para cá e trouxe o Elisângela também, né, o centro de referência, eh fez o o curso aqui para os servidores eh da Câmara Municipal e as questões históricas foram abordadas, as questões legais foram abordadas, né, para que se tenha inclusive argumentos para fazer a defesa das cotas sociais. Então aqui não é um diálogo só entre pessoas negras, não é só o segmento negro. Então, é trazer as políticas de ações afirmativas para a sociedade pensar, para a sociedade aderir, paraa sociedade, inclusive ter condições de validar esse procedimento e validar a política do município, que é trazer uma sociedade muito mais justa, muito mais equânime e muito mais assim, com muito mais possibilidades de reflexões, né, para essa questão racial, que é o grande lance do nosso país, né? Nos assola de diferentes formas. Então, ainda a gente vê muitas situações em que o racismo impera, a injúria racial impera, então porque o debate ainda não está consolidado e a gente sabe qual que é o o poder e o dever do município de Campinas, né, que não é a última cidade, abolir a escravatura, mas é uma das cidades mais cruéis com seus escravizados. Então essa marca ainda se faz presente nas nossas relações étnico-raciais. Perfeito. Muito bom. Yasmin, eh na sua opinião, eh, como que lideranças negras ou femininas conseguem transformar a cultura organizacional, né? De que forma que eh eh a presença, né, de lideranças negras e femininas nesses espaços transformam, fazem a diferença? O que que você entende? Talvez não é engraçada essa pergunta agora que semana passada eu pensei nisso. Eu tava numa até pensei em tirar uma foto que eu tava numa reunião. Normalmente as lideranças são masculinas, tá? São raras as as diretorias de eh mulheres e a gente estava numa reunião, era eu sou a mulher e é mais que normal para mim. Mas eh era uma questão mais eu falar é muita testosterona. A gente começa a usar termos muito grosseiros, digamos assim, é palavrão, não sei o quê, e se xinga e pede desculpa para mulher. Não, desculpa, a gente só tá nervoso. Eu entendo o nervosismo dele, sabe? E e só que aí talvez nós mulheres somos mais preparadas. Não sei se a gente foi domesticada para isso, esse emocional, né, querida. É, é para ficar mais, sabe, ó. Vamos, vamos abaixar essa. A gente não dá essa entonação. Os homens, se eles começam a se bater, normalmente se bater mesmo por palavras, vai aumentando o tom da conversa e vai ficando no nível. Aí quando vê que uma pessoa naquela sala não aderiu à aquela, aí fica olhando aí, p, desculpa, é o momento que eles já baixam a bola, vamos voltar a conversar, sabe? Então, eh, voltando à pergunta, eh, talvez como uma mulher ajuda nesse ambiente, eu acho que traz essa, não sei se, se, eu não gosto de definir o papel da mulher nessa calmaria, porque às vezes eu também tô nervosa igual e não vou pra gritaria assim junto, sabe, de xingamento. Mas eu não sei, é uma tranquilidade, é mais talvez é uma uma o pensar sem agir, sem tomar uma, não sei, o homem é mais drástico, acho, nas consequências de vai pro tudo nada e briga e quer e é uma gritaria sem limite. A mulher talvez seja uma pessoa que eles estejam preocupados ali quando é só o homem, eles uma guerra de mulheres seria muito mais estratégica, né, do que falam do que uma guerra de homens que vão para tiram foice mesmo e vão. Então acho essa combinação boa, porque você precisa dessa virilidade, digamos assim, para certos enfrentamentos, mas você precisa daquele que te fala assim: "Mas será que eu tô pensando estrategicamente ou agora eu só tô deixando a minha emoção corroer aqui no meio de um de uma reunião que são assuntos importantes para serem decididos, né? Então, acho eh legal esse balanço, sabe, em de homem e de mulheres. Talvez trazer mais mulheres para a as lideranças, você você ajuda a fazer esse contraponto, sabe, de Sim. E, e, e a gente tem também o elemento, né, que a gente vem, né, eu sempre comento isso, né, que eh eh as mulheres ou as pessoas negras eh tem um olhar muito específico de si, vamos dizer assim, né? As mulheres conhecem muito bem as realidades das próprias mulheres, do que elas vivem, as pessoas negras idem. Então não tem como você desenvolver políticas públicas para mulheres, por exemplo, tomadas de decisão que envolvem mulheres sem a presença destas. Da mesma forma no caso da população negra, não é isso, Jaque? Então, a gente pode entender sim que a presença de lideranças negras, né, em especial lideranças negras femininas, transformam muito os ambientes institucionais, não é isso? Tem um pleno acordo, né? Eh, porque você traz a representatividade e e se a gente trouxer também a questão da interseccionalidade, a gente vai trazer a questão do gênero, da raça e da condição social, da classe social, né? E entendendo que liderança não precisa necessariamente estar ocupando um cargo de chefia. Muito bem. Porque hoje o que nós temos assim e e é a nossa realidade no serviço público, você tem muitas lideranças negras que não estão necessariamente ocupando cargos de chefia, né? Mas são lideranças, são referências naquele espaço, porque conseguem apontar eh questões que muitas das vezes o outro não consegue enxergar. Então essa é a grande importância, o ganho, a diversidade nossa se faz nesse momento, né? Nós sabemos que o maior número de servidores negros eh provavelmente estejam na educação e na saúde, né? E sabemos também que são a base da educação e da saúde e não de não devemos deixar de lado os nossos as nossas terceirizados e terceirizadas, mas essa referência eh ela precisa se fazer presente e ser computada, né? E ser analisada, porque o segredo do sucesso tá aí, né? Se você vê uma uma secretaria, uma uma diretoria, uma coordenadoria que caminha, é porque ela conseguiu realmente olhar para todos. E aí você traz o recorte racial, recorte social, recorte de gênero que você consegue eh eh traçar uma política pública de qualidade, né? porque ela não saiu do gabinete, não saiu do perfil daquele secretário, daquela secretária, mas sim o perfil da nossa cidade, dos munícipes, né, da maioria dos nossos munícipes. O perfil das diferentes vozes, né, que compõe a nossa a nossa sociedade, né, com toda a sua diversidade. Ô, Jaque, ainda com você, eh eh você poderia compartilhar com a gente algum projeto, alguma ação que você eh coordenou, né, nesse nesses espaços que você ocupou ao longo ao longo do tempo, né, e que você consegue enxergar resultados interessantes. Eu eu gostei muito e acho que o nosso nosso primeiro ano de de centro de referência, a gente fez uma atividade muito interessante eh no mês de julho, mais especificamente no dia 25 de julho, dia da mulher negra latino-americana e caribenha. É uma data que sempre foi pro serviço muito presente e sempre tivemos algo muito inusitado, algo muito pensado ao mesmo tempo, mas muito específico para essa população negra, né, de mulheres, que aí o pessoal chega e fala: "Mas e aí, o que acontece com oito de de março, né? Eh, 8 de março, é o dia de todas as mulheres. Se eu quiser dar uma especificidade paraas mulheres negras, eu vou pensar no 25 de julho, dia de Teresa de Benguela aqui no Brasil. Porque a gente precisa entender, inclusive para aquelas mulheres que estavam lutando no 8 de março, existiam mulheres negras, babás, trabalhadoras domésticas que impossibilitadas de validarem aquela luta, né? Então, quando a gente traz o dia 25 de julho, a gente consegue fazer uma uma articulação com a sociedade civil organizada na maioria das vezes. E teve um evento muito interessante pro CR que a gente durante 25 dias a gente trouxe 25 lideranças negras campineiras, né? 25 mulheres negras e de diferentes momentos. Então assim, a gente começou com a comendadora Edna Lourenço e a gente foi trazendo assim um breve histórico, a Cíntia, eh, enquanto psicóloga negra, uma das primeiras, a gente, pessoal da área da saúde, a Cleusa, enfim, que que foi importante para essas mulheres elas se sentirem validadas, porque muitas das vezes elas também não tinham nem noção da potência que elas significavam nas diferentes ações, né, nas diferentes frentes. que elas eh se faziam presente. Então, quando a gente pedir um breve histórico da vida delas, né, e olha, eh tal data, nós vamos tá eh divulgando aí, né, pros paraas nossas redes sociais quem você é para a Prefeitura de Campinas, mas também paraa sociedade civil organizada, enfim, para o município. Então isso foi crescendo de um jeito tão bonito e foi uma maneira também de homenagear essas pessoas, na verdade, de femeninagear essas mulheres que que tem aí a luta, né, que transforma assim a sua dor, o seu luto, né, eh, por ter sofrido uma prática racista, por est presente e e e lutando diariamente contra o racismo institucional, mas foi uma maneira da gente entender que essas mulheres transformam sim, né, essa dor, essa luta em resistência, em resiliência e em luto, né? Luto constante, transformado aí em luta, sabe? Então, foi um projeto que nos chamou muita atenção e a gente tem vários, nessa linha do 25 de julho, várias situações muito bem marcadas, né, e muito bem lembradas também, né, por essas mulheres, mas por toda a sociedade, porque a gente não pode esquecer o quanto os homens se beneficiam, né, e a sociedade também se beneficia eh do trabalho, da luta, da contribuição dessas lideranças negras da sociedade civil. Perfeito. Já que eu aprendi uma expressão nova. Femenagear. Femenagear. Bonito isso, né, Yasmin? Bonito. Femenagear. Ó, vamos aprendendo aí, gente. Muito bom. Yasmin, eh, você é uma profissional que atua na casa das leis, né? Na casa onde se fazem as leis, se aprovam as leis, onde se fiscaliza, né, as ações do executivo e muitas outras coisas. Eh, em termos de legislação, o que que você compreende que poderia ser feito para se fomentar a presença de lideranças negras e femininas, né, nos espaços, né, da Câmara Municipal de Campinas ou nos espaços do município como um todo? Ai, vai, talvez eu seja mais polêmica em relação a esses pontos. Eh, do mesmo jeito que eu falei que a gente não tem essa base, tá? Para, eu acreditaria mais nessa inclusão na base. Não tem como agora eu pegar e forçar e falar assim: "É isso aqui". Eh, em cima. Eu não sei se eu tô analisando bem essa tua a tua pergunta, mas eh de programas e eu acredito muito nessa questão de verificar de escola infantil, verificar como é que tão eu tô conseguindo formar essa representatividade, eu tô conseguindo que o mesmo eh você não poderia atuar em benefícios de escolas privadas para facilitar essa inclusão de uma população vai que não tem acesso porque não é a escola privada para eu fazer essa esse encontro ali, sabe? Isso e formando todo mundo, porque não é só uma formação, né? Do outro também que precisa ser formado e tá junto para saber vai não existir talvez essa lá na frente esse racismo mais estrutural. Isso já se você vier crescendo junto, não sei, posso estar errada, mas eh eu acreditaria mais em incentivos benefícios fiscais ali nessa pelo menos eu enxergo assim, sabe, de educação mesmo para para facilitar a vida. Agora não sei, por exemplo, aí seria muito arriscado eu falar em uma em uma regra de PTU, coisa assim para esse tipo. Não sei se eu seria uma boa combinação, sabe? Mas eu acho que educação, sei lá, eu acredito muito nessa nessa numa visão de educação. Você vem destacando essas questões educacionais, né, lá na base, né, a melhoria da educação pública, por exemplo, que dê melhores condições, né, pras pra população em geral, mas em especial pra população negra que é mais eh eh prejudicada nos processos, né, poderem chegar e terem condições de acessar esses espaços, né? a gente tem alguns exemplos e algumas iniciativas, né, de cursinhos populares, por exemplo, que investem nisso, na preparação das pessoas e as próprias e as próprias políticas afirmativas, né, as próprias políticas afirmativas que vem também um pouco nesse bojo, né, de fazer com que a base seja alimentada e as pessoas que chegam na base, esses homens, mulheres, negros, eh, possam ter oportunidade de eventualmente também acender no no na cadeia. Mas você não acha que assim seria você pegar no geral? Se você falar, ó, eu vou eh melhorar o nível, você tá lidando com toda a base, você não tá no foco do Se você traz, ó, eu vou fazer alguma melhora específica para essa população ou para que ela consiga acessar determinadas escolas que ela não conseguiria, não é que eu tô discriminando as outras, porque realmente seria ótimo se você conseguir fazer isso para um todo. Mas você tá fazendo isso para um todo. Se você falar assim, eu vou melhorar a educação, você tá pegando inteiro, você não tá fazendo uma, você não tá especificando o que você tá pretendendo, que seria essa inclusão assim, trazer mais para isso ser preenchido e chegar lá um pouco mais rápido do que essa formação de base geral da população, que seria você eh investir mais na educação. Aliás, é é muito boa a educação infantil municipal aqui em Campinas. É realmente são professores muito bem preparados. né? Eu eu eu comecei a participar disso recentemente, fiquei assustada porque eu falava: "Nunca, meu filho vai não sei quê". Eu sou eu sou uma servidora pública e quando eu vi o nível do dos professores que atuam, sabe, a o preparo deles aqui em Campinas é é bem interessante você ver e você valorizar, sabe? Mas se você falasse assim: "Eu vou eu vou investir o dinheiro nessa escola pública, você estaria pegando todos". Eu não tô, eu não estaria vendo uma, uma ação específica para pegar a questão da, dos negros na lá na educação infantil, sabe? Então, para mim eu devo deveria investir mais, colocando mais gente, isso mais específica, trazendo eles para uns acessos que eles não teriam, porque eles já têm esse tipo de acesso na educação infantil, é para todos. Então, entendo. OK, gente, nosso tempo tá acabando aqui, né, nessa nossa participação e eu gostaria nesse nesse momento, né, Jaque, que você, por exemplo, dissesse, né, eh, para nós o que você entende que são ou que seriam os próximos passos para que Campinas avance em termos de representatividade, de equidade racial e de gênero, né, e, e, e para garantir as a presença de lideranças negras. no serviço público municipal. Eu acho que a gente precisa eh eh trazer e a responsabilidade da da intersetorialidade das questões sociais no serviço público municipal, na administração pública, enfim, eh com reflexo direto na administração também direta, né? Porque eh a gente precisa sair desse lugar de só estar falando das questões sociais no mês de novembro. A gente precisa pulverizar essa temática ao longo do ano, de janeiro a janeiro. Os casos de racismo estão presentes no nosso dia a dia. A gente precisa ter habilidade, sensibilidade, eh empatia para acolher esses casos. Eu acho que o letramento racial ele tá também muito mais forte para nós enquanto pessoas eh negras e não negras na sociedade. Eh, agora acreditar, né, nas políticas públicas todas, eu acho que eh nunca a gente pode se encerrar, né, assistindo esse podcast. a gente precisa sempre estar avançando nas leituras, nos debates. Eh, a sociedade está em movimento em relação a essa pauta e a gente também precisa entender que não é só única e exclusivamente Secretaria de Educação que tem feito um trabalho maravilhoso. Nós tivemos 2024, que foi o eixo eh eh a gente teve o eixo de educação antirracista, né, na Secretaria Municipal de Educação. Esse ano a gente teve vários investimentos, continua com o investimento a partir do protocolo, né, eh, para as questões raciais dentro das escolas municipais. Então, o protocolo antiracista, né, da Secretaria Municipal de Educação de Campinas. Então, a gente tem o próprio programa, né, de desenvolvimento de lideranças negras. Então, a adesão da população a essas propostas institucionais acaba reverberando na nossa política pública e a população de Campinas também acaba ganhando com isso, né? Esse reflexo se faz presente quando a gente tem ali um município se sentindo contemplado por aquilo ou mesmo pelo atendimento que ele tá recebendo. Então eu acredito nessa possibilidade. Eu acho que nós estamos caminhando eh e podemos dar muito mais celeridade e profundidade para essa caminhada. Perfeito, Jaque. Aproveitando que você ainda que você tá com a palavra, né, e considerando que nosso tempo tá chegando ao fim, deixa aí uma mensagem final para aqueles que estão nos ouvindo, servidores negros ou não negros, mulheres, homens, né, sobre o papel da liderança, da representatividade e da transformação. Eu eu acredito que nesse momento a gente precisa eh falar também com a população e mesmo os nossos os nossos diretores, as a nossa gestão, né, que na maioria eh na sua essência na prefeitura municipal de Campinas estamos falando com uma gestão não negra, né, e oferecer essa oportunidade, dar essa visibilidade eh muitas das vezes paraa participação de cursos para os seus servidores, né, negros, é de extrema importância. Eu acho que o debate racial ele precisa eh avançar no município de Campinas, mas a gente precisa aí trazer um engajamento da branquitude. E quando eu trago esse termo branquitude aqui, eu não tô trazendo um termo específico para um indivíduo, estou trazendo o termo para o coletivo. Então, quando a gente fala um debate racial, a gente precisa envolver a branquitude para essa mudança que a gente propõe pra sociedade e que não é nenhuma arena, não é nenhum ring, mas assim é um momento de conciliação, um momento de trajetória eh conjunta, né, para um para uma sociedade muito mais justa, racialmente falando. Muito bom, Yasmin, sua mensagem final aí para as pessoas que estão nos ouvindo. Olha, eu eu gostei muito da recomensão da Jaque. Eh, eu fiquei surpresa também quando a Câmara eh nos propôs fazer o curso de letramento. Foi incrível para mim. Eh, e a gente precisa atingir essas outras pessoas, talvez já aqui que uma coisa a gente tá aqui dentro e as organizações privadas entenderem essa importância, entendeu? A gente tá aqui, tá fazendo a nossa parte, mas quando você fala, ó, dá pra gente entrar e e seria já que é a pessoa ideal para entrar nesse loco, tá? porque ela tem todo um jeito para abordar isso. Então eu acho que a gente precisaria envolver mais a iniciativa privadaal que que tem muita força, né? E você trazer, como você falou, a branquila, eu nunca ia usar esse termo, mas envolver todo mundo, sabe? Toda a sociedade. Eu ainda sinto que são iniciativas mais esparsas disso, quem tá lutando, mas dá pra gente tá junto, né? Sabe? e aos poucos e ó, a iniciativa é porque eles não estão envolvidos nesse tipo de debate e a única reclamação é a cota e não sei o quê, sabe? Não fica um discurso muito vazio, sabe? Quando você não tem oportunidade de participar de um curso desse, vai falar: "Pagar curso, não, vamos tentar uma conversa para tratar sobre isso, duas horinhas, três horinhas para eu te abrir a cabeça e introduzir esse assunto para você ter a curiosidade de ver." Parece absurdo a gente tá em 2025 ainda falando disso, mas sabe, eh, para mim seria essa se a gente pudesse envolver talvez não os órgãos públicos, que eh também precisam disso, claro, mas se a gente envolver toda a sociedade. Muito bom, Yasm, Jaqueline, muito obrigado por vocês aceitarem o convite, por estarem aqui com a gente, né, compartilhando nesse tempo suas reflexões, suas histórias, suas propostas. Tenho certeza que isso será inspirador para muitas pessoas. E a você, ouvinte, obrigado por estar com a gente no Vozes Negras de Campinas. Lembrando que esse pod que esse podcast faz parte do programa de desenvolvimento de lideranças negras na gestão da Prefeitura Municipal de Campinas, né? E esse trabalho que nós estamos fazendo aqui é em parceria com a Câmara Municipal aqui também da nossa cidade. Se você gostou, curta, compartilhe, comente, né, e esteja conosco no nosso próximo episódio. Muito obrigado, um abraço a todos e todas. Até breve.