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[música] [música] Sejam muito bem-vindas, muito bem-vindos a mais um episódio do Vozes Negras de Campinas, o podcast que dá voz as lideranças negras da nossa cidade. Esse programa é uma produção conjunta do Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras da Secretaria Municipal de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas de Campinas e da Câmara Municipal Aovo. Eu sou o Daniel Estevão e antes de mais nada farei a minha audiodescrição. Bem, eu sou um homem negro, sou eh uso o cabelo raspado, estou usando agora uma jaqueta, uma camiseta e uma jaqueta preta, pretas e calça jeans azul clara. Bom, nossa convidada de hoje é psicóloga, servidora pública municipal desde 2013, atualmente atua na Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social. percorreu e percorre um caminho de muita luta, arte e compromisso social até chegar onde está hoje. Vamos conhecer sua história, seus desafios, seus sonhos e como ela tem transformado realidades. Giovana Ferreira Frau. Geovana, seja bem-vinda. Muito obrigada pelo convite. É uma honra estar aqui. Vou fazer minha audiodescrição também. Eu sou uma mulher negra, tenho cabelos na altura do ombro, cacheados, crespos. Eh, tingido de loiro. Faço uso de óculos marrom, de armadura marrom. Estou com batom vermelho, uma blusa vermelha, uma uns shorts, uma bermuda vermelha e branca e uma sandália marrom. É isso, é isso. Que bom ter você aqui. Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite para vir compartilhar um pouquinho da sua trajetória. E falando em trajetória, eh nós queremos conhecer um pouquinho de você, tá? Traz um pouquinho para nós aí da sua trajetória, eh, onde é que você nasceu, né? Como é que você se constituiu, onde é que você estudou, enfim. Então, nesse primeiro momento, a gente queria que você falasse um pouquinho a respeito da Giovana, tá bom? Então, eu vou começar falando que eu tenho uma história um pouco diferente de algumas eh pessoas negras, por conta que eu tenho eh tive alguns privilégios e esses privilégios se deram por conta da minha adoção, né? Eh, então eu sou uma filha adotiva, nasci aqui em Campinas mesmo. Eh, fui adotada ainda bebê com 15 dias e isso favoreceu com que eu ocupasse, tivessem espaços, né, de pessoas brancas em sua maioria. E e nesses espaços, então, eu tive acessos que a grande maioria da população negra não tem. Então, eu estudei em colégios particulares, tive acesso a aulas de música, eh outras línguas, enfim. Eh, mas eu sempre eh me coloquei de, acho que até por conta da questão racial, né, que era um atravessamento, que até então eu não me dava conta. Eh, por exemplo, né, assim, na escola, eh, vários xingamentos que hoje, né, a gente chamaria de racismo, que naquela época, né, não tinham não tinha esse nome, tô com 42 anos, né, eh, mas de a questão do cabelo, né, sempre foi, ah, seu cabelo de Bombril, eh, ai, você é filha de empregada. E e o curioso assim, né, se é que eu posso usar essa esse termo, é que eu nunca entendi assim porque o filho é de empregada, né, assim, o cabelo falava, é, né, realmente tem cabelo de Bombril, né, porque naquela época eh, realmente minha a minha testa era uma questão, né, que eles falavam: "Ai, sua testa é muito grande". Agora, o filho de empregada eu fui entender anos depois, né, de verdade, assim, eu nunca eh compreendi. E aí e hoje, né, eu faço essa leitura porque eh na época a maior parte das pessoas empregadas domésticas, fachineiras eram mulheres pretas, ainda são em sua maioria. Então era como um xingamento, né, para mim. eh eh eles, né, viam como se fosse me atingir de alguma forma nessa perspectiva. Então, eh eu cresci, né, com em escolas particulares, tive esses acessos, quis fazer psicologia, né, foi uma carreira que eu escolhi. Eh, em algum momento pensei em fazer medicina, mas daí a medicina ficou um pouco distante, porque eu queria eh acho que até nesse processo de ser uma filha adotiva, né, eu fiz durante muito tempo psicoterapia, então eu tinha bastante contato com psicólogos e eu queria também falar que todo psicólogo quer se entender um pouco, né? Aí fui fazer a psicologia, passei eh aí quer que eu fale até chegar aqui tudo que Sim, nós queremos saber, [risadas] né? essa sua trajetória, você entra na psicologia, se torna uma psicóloga e eu quero saber que a como é que você chega no serviço público, tá? Então daí na psicologia me firmei na PUC Campinas, né? Eh, aos 15 anos aconteceu um fato muito marcante na minha vida, que foi a morte do meu pai, né? Ele era uma referência muito grande para mim, apesar de ser eh um homem branco, ele veio de periferia e ele trabalhou desde os seus 14 anos. Então ele sempre foi uma referência para mim, no sentido que ele falava muito de Giovana, estude, eh, não case antes de terminar seus estudos, eh, não arrume filhos, eh, tenha sua independência e e aí com 15 anos eu perco essa referência, né, assim, isso foi um bac bem grande para mim. eh, fez eu amadurecer bem cedo assim, né, digamos, porque eh eu tinha uma base ali, né, que de repente fiquei sem ela e e aí entrei na faculdade, né, voltando na faculdade de psicologia e fui lá eh entendendo os processos do ser humano, né, fazendo as leituras que a faculdade proporciona. Eh, mas assim, aí hoje olhando para trás eu penso, né, na minha turma, se eu não me engano, eu acho que eu era e se não a única, mas acho que mais uma outra pessoa negra, né? Tinha de uma turma de 70, né, alunos falando. Então, a gente tá falando de uma faculdade particular. E aí eu falei do meu pai porque eu consegui fazer essa faculdade, porque ele tinha feito um seguro de vida e esse seguro de vida foi o que pagou a minha faculdade, né? Eh, e aí naquele momento não era uma opção sair de Campinas porque era sou filha única, né? Então só tinha eu e minha mãe aqui. Então a psicologia acabei fazendo na PUC. E aí eh fui trilhando caminhos. Aí eu me fermei e durante no último, a gente faz estágio, né, na psicologia, eu comecei, eu entrei na faculdade e eu quis ir pra periferia. E aí na época assim eu fui fazendo muitos estágios por fora, assim mesmo, sem ser acadêmicos. E eu comecei a minha meu primeiro estágio lá no buraco do sapo, né? Eh, e era um projeto curioso até, né, que era eh a Norimar, vou falar dela, que foi quem me inspirou a fazer psicologia, ela era minha então sogra na [risadas] época, né? Ela eh tinha um projeto lá e aí eu falei: "Ah, eu quero, né?" né? Então assim, entrei na faculdade, comecei e meu projeto era a transição de bebês da do bersário para a pré-escola. Então assim, a fase que eles vão tirando a fralda, né? E aí o meu projeto era trabalhar com os cuidadores no protagonismo dessas crianças durante esses processos de alimentação que eles passavam comer sozinhos, né? Enfim. Então assim, desde de sempre eu fui procurando fazer meus estágios na periferia. Eh, e aí quando eu me formei, eu consegui uma bolsa, né? Eh, fui classificada, consegui uma bolsa e continuei atuando em psicologia clínica lá, né, na faculdade. Fiz um aprimoramento e neste aprimoramento a gente atendia essencialmente pessoas do SUS, né, que vinham procurar atendimento, era um aprimoramento em clínica. E depois desse aprimoramento, eu tinha na minha cabeça que eu queria fazer psicologia hospitalar. Acho que até pela história do meu pai, né, que ficou um tempo internado. Eu vi o quanto faltou suporte, né, para mim, pra minha mãe naquele momento. E aí eu fui para São Paulo, fiz uma pósí daqui às 4 da manhã, chegava lá, voltava, aí atendia na clínica para pagar a minha pós-graduação. E aí depois de um tempo eu não consegui concluir por alguns motivos. Aí eu entrei no meu primeiro emprego aqui como psicóloga hospitalar num hospital particular. Eh, e depois isso sempre me incomodou um pouco porque o hospital também é um lugar onde predominam homens brancos, né? Assim, a medicina ela tem então é um espaço de local de homens brancos, né? E e aí isso me atravessava também bastante assim na hora de me colocar da dificuldade, era meu primeiro emprego, né? Então, eh aí depois eu prcei um processo seletivo, passei na Unicamp, onde eu trabalhei no CAISM, né, no Hospital da Voltado à Mulher e eu trabalhei lá por do anos. Eu amava assim, eu era supervisora do ambulatório de psicooncologia, então trabalhava com mulheres com câncer. E aí mulheres que vinham de todos os lugares, né, porque Unicamp é referência. E lá também, né, a gente lá a gente acabava atendendo todas as camadas sociais, mas a gente vinha via toda a desproteção mesmo, né, das mulheres pretas, né, assim, que, por exemplo, vinham para cá, mas não tinham onde ficar ou às vezes não conseguiam fazer a cirurgia de mama porque não tinham depois eh rede de apoio, né? então para voltar paraa sua cidade. Então, desde sempre eu olhava para essas questões e aí eu caí na assistência quando apresi o concurso de Campinas caí assim literalmente porque o concurso era saúde assistência, né, e saúde geral, né? E aí eh, eu falei: "Ai, nossa, vou paraa saúde", né? E quando eu cheguei aqui, eu não conhecia nada da assistência social, né? E aí eu fui eh descobrindo, né, os processos. Cheguei num CRAS, num centro de referência da ciência social lá no São Marcos e comecei a a gente na proteção social básica, né, que a gente fala, a gente trabalha questões como programa Bolsa Família, né, o benefício deção continuada. E aí o programa de Bolsa Família a gente, ele tem condicionalidades, a gente chama, né? Então assim, se a família não cumpre alguns compromissos, ela sofre algum eh ela tem primeiro uma advertência, depois um bloqueio e depois suspensão do pagamento, né? Então, a uma das missões assim, digamos, da assistência é entender essas questões. E aí, eh, quando eu cheguei na prefeitura, eu falei: "Bom, vou começar por aí, não sei o que fazer, mas psicólogo faz diagnóstico e faz grupo, né? Então, eh, junto com uma colega que já se aposentou, a gente chegou junto naquela época tinha pouquíssimos psicólogos, né? Eh, e aí a gente começou a desbravar a psicologia social e aí a gente juntava, grupava essas mulheres, fazia escuta delas para entender porque que essas crianças não estavam indo pra escola, né? E aí tinham diversos motivos, né, assim, a algumas eh voltadas à questão da educação mesmo, né, a dificuldade, tinham crianças na quinta, sexta série analfabetas, que já iam perdendo a motivação, né, de ir pra escola. tinham eh crianças eh eu lembro de um caso que me marcou muito de uma criança que teve a água cortada e ela não conseguia ir porque a ela não tinha como lavar o uniforme e aí as outras crianças começaram a debochar dela e aí ela não tinha coragem de falar isso pra mãe. Daí ela começa, ela fingia que ia para a ia, né? Então assim, são n histórias que a gente foi ouvindo, mas o e aí eh aí eu me afastei depois de um tempo por conta da minha gravidez que eu tive e quando eu volto eu voltei com uma outra chefe, né? E aí eu também quero destacar a importância das chefias, né? Assim, eh, no nosso papel das nossas carreiras, né? Aham. Porque quando eu voltei, eu tava um pouco desmotivada, né? assim, a gente tava enfrentando algumas questões e aí a a Ismênia, que é minha diretora hoje, inclusive, falou para mim, eh, chegou para mim e falou: "Govana, me fala o que que te motiva a vir trabalhar". Aí eu falei: "Olha, eu gosto de trabalhar com adolescentes, né?" Aí nessa época a gente tava dentro de um céu. Você me interrompe, tá? que eu vou eu vou falar. [risadas] A gente tava dentro de um céu e não sei, eh, Centro de Artes esportes, né? Hoje até mudou o nome que eu não me lembro mais, mas era ali no Vila Esperança ainda é, né? E lá tinham muitos adolescentes que passavam o dia inteiro lá, né? E aí eu pensava assim, gente, mas e quem são esses adolescentes? Né? E aí eu comecei a me aproximar, eu falava que eu fazia psicologia de calçada, então eu sentava ali com eles, né? E e fala: "E aí, e aí, né, pessoal? Qual é, né, adolescente, né, [risadas] assim, vamos trocar uma ideia, né, deixa eu entender que você se ajustou à linguagem deles, fui me ajustando à linguagem deles, né? E aí fui me aproximando, entendendo ali quem eram as lideranças, né? E a partir disso, junta com a gente tinha que existia até hoje a Juventude Conectada, né, que é um programa Sim. Tá presente até hoje. Isso. Então, agradecimento ao Felipe aí também. a gente fez uma parceria e aí eh comecei a trabalhar esses jovens, né, com eh com projetos junto com as bolsistas, né? Então eu tenho muito dentro de mim eh acho que a assistência social ela vem de um lugar assistencialista, né, que a gente diz pro outro o que fazer. Então todos os meus projetos dentro da prefeitura, isso eu levo para minha vida, né? Eh, eu sempre acredito que faz muito mais sentido quando a gente transfere eh, não é transfere o conhecimento, mas quando a gente vivencia o conhecimento, sabe? Então, eh, por que que eu falo que eu me apresento das lideranças? fizerammento das lideranças, né, naquele momento, adolescentes, aí tinha os bolsistas, os Juventude, que eram lideranças locais também, para entender, né, assim, e aí gente, e aí que que que pega, né? Que que vocês querem, que que faz sentido? E aí um dia um deles falam para mim, ai nossa, as crianças aqui adoram pipa eu falei: "Então vamos começar daí, né?" Aí pegamos eh material de pipa e aí fizemos oficinas de pipa e aí lá na oficina foram surgindo as demandas e a partir daí a gente foi chegando nas famílias dessas crianças para entender porque que elas passavam o dia todo na nesse espaço, né? Que legal, que legal, Geovana. Olha, eh, você tá trazendo, então você tá traçando aí a sua trajetória. Eh, inclusive na minha introdução, eu comento, eu, eu, eu digo, né, que o seu percurso também é atravessado pela arte, né, porque você consegue enxergar a a a arte como uma forma, como mecanismo de chegar até essas pessoas. você comentou comigo na nossa na nossa conversa preliminar a respeito do movimento das minas, né, que você desenvolveu um trabalho e tal, inclusive isso gerou um documentário. Eu queria que você dissesse pro nosso público, né, o nome do documentário para que eles possam também assistir e que você falasse um pouquinho a respeito, né, de como é que isso aconteceu e e esse movimento das minas, o que que significou para você enquanto profissional e para aquela comunidade que é a comunidade do Bassoli do São Marcos. do São Marcos, ainda tava no São Marcos nessa época. Eh, então, o movimento das Minas, ele surge da escuta dessa do programa Bolsa Família que eu falei, né? Porque como a gente fazer escuta das mães, né? Essencialmente são as mães que vão, eh, eu problematizei e falei assim: "Gente, eu quando era adolescente tinha coisa que eu não contava pra minha mãe". Aí eu falei assim: "Então, por que que a gente não chama os jovens para ouvir, né, as os adolescentes?" E daí eu comecei a ouvir e a muitas muitas histórias eram de violências que essas meninas tinham sofrido na infância, né? Que a gente sabe, né? Daí entra especiidade de psicologia que acaba repercutindo na adolescência, né? Porque muitas vezes a criança ela não entende nem que aquilo foi uma violência, né? né, uma manipulação, enfim, eh, um abuso e ela vai entender isso na adolescência quando ela inicia a sua vida sexual. E aí, eh, então, junto com o Juventude Conectada, a gente começou a, tinham bolsistas lá na época, Camille, Stephanie, e aí a gente começou a pensar, então, de novo junto, né, que eu falo assim, essa eu gosto de deixar registrado. Eh, e aí eu falei: "E aí, gente, que nome a gente dá, né? A gente precisa chamar essas meninas que estão aí". Aí uma delas falou assim: "Olha, acho que Minas é legal, né? Que tem muito a ver com o hip hop, que é muito vai trazer e o movimento, porque a gente quer dar movimento para isso aqui que tá acontecendo." Aham. E aí tinha esse essa questão das meninas também não estarem no espaço do céu, né? E aí o que que eu fiz? Aí eu fui para fora, né? fui perguntar, fui no centro de saúde, aí um beijo pra Silvana que foi, minha, vou citar pessoas aqui, que foi minha colega, psicóloga também daqui, né, da saúde. Fui na biblioteca do céu, né, perguntar, falei assim, gente, onde estão essas meninas, né, que não acessam aqui, entendendo até que aquele espaço era um espaço exclusivamente masculino do céu, né? Então, elas se sentiam inibidas de entrar naquele lugar. E aí a gente começou eh timidamente e fui na escola, divulguei e tal e aí começamos e aí o nosso grupo era sempre assim, a gente começava o dia e era um grupo aberto, as meninas vinham, aí já eram jovens, né, acima de 18. E aí a gente eh falou assim: "Olha, a temática do nosso grupo vai ser violência de gênero, então como que a gente vai fazer?" Aí a Júlia, a gente de ação social, que trabalhava comigo nessa época também, agora ela tá na educação, ela eh a gente pensou, olha, a gente faz três momentos. A gente faz o momento que a gente começa, o momento que a gente leva o tema, discussão e dentro da discussão a gente, elas mesm planejam o segundo encontro. E aí assim a gente foi por quê? Dessa forma esquema de autonomia, de autonomia e protagonismo, né? Então assim, a gente primeiro tive que me debruçar nessa linguagem jovem que também não fazia muito minha parte, então ia atrás de blogueiro que tava surgindo na época, né? História dos blogs e tal. Nós estamos falando de 2013, 14, 17 aí. Ah, já passou um tempinho. 2017, 17, 18. E aí a gente começou e aí a gente, né, fervorosas lá na discussão, então trazia, né, a gente teve até um momento que a gente fez a um café, café filosófico que a gente chamava, tinha uma colega da Unicamp que vinha e trazia temas pra gente discutir, uma eh cientista social. E aí a gente eh tava nesse momento assim, daí eu falei assim: "Gente, eh e se a gente for conhecer então a rede de proteção à mulher?" Aí eu, uma delas falou assim: "Por que que a gente eh não vai nos lugares, entrevista as pessoas?" Aí eu falei, "Por que que a gente não filma isso, né?" E aí assim foi, né? Nasceu um documentário. Nasceu um documentário. Como é que é o nome do documentário? Não seja a primeira. Não foi a primeira, que seja a última. Muito bom. Muito bom. Antes de você prosseguir, eh, deixa eu só fazer uma parte. Eh, eh, eu perguntei para você, né, pra gente se situar no tempo, né, 2017, 2018, portanto, são 8 anos que a gente tem aí desse movimento, né? E pro nosso público saber, hoje é dia 5 de dezembro de 2025, porque as pessoas vão assistir esse nosso material em tempos diferentes. É importante que elas saibam o dia em que nós estamos gravando. Inclusive, essa semana nós temos um movimento intenso, né? Um movimento crescente, né? De combate à violência de gênero, de combate à violência da mulher. Temos aí artistas, políticos, pessoas comuns, né? Então, para só para fazer um um um paralelo, né, um comentário, que você inicia um trabalho lá atrás 8 anos depois, com certeza avanços aconteceram, né, e muito também em função das políticas públicas que foram desenvolvidas nesse tempo, mas é um problema ainda persistente, né? [roncando] consistente. E aí é importante dizer que nesse coincidentemente, infelizmente, teve dois feminicídios, né, eh, no São Marcos e um deles foi o da Thaís, né, que hoje até dá nome ao espaço do céu, né? A Thaí era filha do seu Delfino, que é uma figura eh uma liderança lá de São Marcos, né? E aí ele abraçou o movimento das minas também, né? o seu filho na família dele. E a partir disso a gente fez um saral também dentro da escola com muitas pessoas, uma escola municipal, né? Eh, para discutir sobre a violência. a gente, eu participei, né, da audiência pública da implementação da semana contra o feminicídio, eh, para que a gente pudesse, que a gente tem agora, né, em maio, a semana contra o feminicídio aqui em Campinas implementada, que foi a data em que a Thaí foi eh sofreu feminicídio, né? Eh, então várias ações foram decorrendo desse projeto e e a gente eh e aí depois desse projeto, né, assim, eu fiquei eh a gente apareceu na Globo, apareceu no SBT, [risadas] a gente as crianças, as olha as crianças, olha as jovens falha, as jovens foram eh também, né, crescendo, voando. Eh, então, só para dizer que hoje a gente tem uma psicóloga, uma pedagoga, a gente tem uma assistente social que passou no concurso recentemente e é nossa colega. A gente tem educadoras sociais, então eh uma cientista social, então assim, foi um, tá? [risadas] Eh, foi um projeto que que teve muito, embora, né, a gente tá falando de uma pequena quantidade de pessoas, mas que teve uma transformação importante de oportunidades, né? É interessante porque é o seu trabalho, né, como psicóloga, dialogando com o trabalho social, comunitário, de lideranças, né? Esse programa, eh, Geovana, ele tem muito esse objetivo, né, de mostrar a trajetória das lideranças e como chega lá, né? A gente percebe no seu trabalho, na sua trajetória, um movimento de protagonismo muito grande, né? Porque para você acender, para você progredir, é necessário um grau de protagonismo, de iniciativa também muito importante e muitas vezes de desbravar aquela determinada área, né, como você como você mesma mencionou. E eh além do trabalho social, ou melhor, o trabalho social casado com a educação, olha o poder que isso tem, né? Porque você traz aí pessoas que foram influenciadas, diretamente influenciadas pelo pelo seu trabalho. Mas falando em em educação, né, e prosseguindo aí na sua na sua trajetória, né, então tem a idealização desse movimento, a sua luta, né, né, né, relativa ao trabalho social, que é desenvolvido na secretaria que que você trabalha, mas você teve algumas experiências também de formação que entendo que moldaram muito e que contribuíram muito pra sua visão de Mund, né? uma experiência de iniciar o mestrado em Portugal e eu queria que você trouxesse um pouquinho essa sua fase, como que isso influenciou a sua a sua visão de mundo, tá? Eu vou falar depois, né, um pouquinho do GT antiracista que a gente tá dentro da secretaria do protocolo antirracista. Eh, mas assim, a gente, eu só voltar um minutinho assim, mas para falar que a gente começou esse GT e no dia desse GT a minha proposta, a gente tá no segundo encontro, né? No meu primeiro encontro a gente falou sobre o livro da Neusa Santos, né? Que ela traz o Tornar-se Negro. E aí, só para eu falar assim, queria falar um pouquinho de quando eu me tornei negra, né? Sim, sim, sim. Eh, então só só te interromper antes de você prosseguir pro nosso público que tá em casa, né? A a expressão GT é grupo de trabalho. Grupo de trabalho. Então, acho que é importante a gente contextualizar, né, eh, Giovana, que esse grupo de trabalho que a Giovana traz, ele está empenhado na na na construção de um protocolo antiracista para a secretaria de assistência. a gente já tem, por exemplo, um construído um protocolo antirracista feito pela Secretaria de Educação, né? E é muito importante da das especificidades de cada área, né? Que a gente tenha um protocolo que é, vamos dizer assim, um um um roteiro, que são caminhos que têm que ser seguidos no enfrentamento ao racismo. Pode seguir, Giovana. Bem, e aí, então, eu falo que eu tornei tornei-me negra, né? Eh, quando eu engravidei, porque eh como eu acendia esses lugares, né, de pessoas brancas, então eu fui me adaptando, né, eu tenho o tom de pele clara, então eu alisava o cabelo, alisei por mais de 20 anos meu cabelo. Eh, eu ouvia muito assim, né? Não use batom vermelho. Hoje eu tô de batom vermelho propositalmente, porque ah, sua boca é muito grande, vai dar muito destaque, né? Eh, passe sombra. né? Então assim, às vezes eu ia num casamento, alguma coisa, eh fazer uma maquiagem, aí era unânime o maquiador. Ai vamos passar assim, ó, a gente passa assim escuro aqui porque daí seu nariz fica mais fino, né? Então as marcas sutis do racismo. As marcas sutis do racismo. Então quando eu engravidei em 2015, eu falei assim: "Olha, como que eu vou ser verdadeira pro meu filho se eu não me enxergo como eu sou, né? vou falar assim: "Olha, não se ame com o cabelo que você tem, né? Não se goste do com a cor de pele que você tem, porque eu não sabia, né? Eh, então, a cor de pele que meu filho teria. Então, eu parei de alisar o cabelo nesse momento. E um marco para mim foi quando eu tava na maternidade, eu tive meu filho, eh, foi eh um parto induzido, depois foi cesárea, enfim, eh, de urgência, né? E aí quando eu vou pro quarto, a enfermeira olha minha minha pulseirinha e minha pulseirinha, como eu fiquei induzindo, né? Eu fiquei na banheira, sabe? Uhum. E aí e minha pulseirinha tinha saído o meu nome e na pulseirinha do meu filho tava meu n meu nome, né? Ela olhou para mim, olhou pro meu filho e falou assim: "Eh, trocaram essa criança". Aí eu falei: "Como assim?" [suspirando] Aí ela ela falou assim: "Olha só, ele é loiro, ele é branco". E aí na eu juro assim, naquele momento eu me tornei negra assim porque eh tá me emocionando assim, né? Mas eh de imaginar, sabe assim? Porque eu falei assim, era inconcebível que uma pessoa negra tivesse e meu filho assim e ele é loiro, branco assim, branquíssimo, né? cabelos loiros, lisérrimos, né? E aí, eh, quando ele, né, saiu, ele tinha um cabelo branco, né? Hoje é douradinho, mas eh aí então assim, aquele dia e aí depois foram uma sucessação de coisas que foram acontecendo nesse processo. Eh, então de eu saí com ele, me perguntarem se eu era babá, né? O que é muito, infelizmente, muito comum, né, muito comum, né? ou de perguntarem se o pai era branco. Aí tinha momentos que eu já tava de tão saturada que eu falava: "Não, é que é filho do vizinho, [risadas] né?" Então assim, eh, a gente ri, né? Mas assim, são coisas tão sutis, né? Que são que demarcam os nossos caminhos, né? E aí, eh, eu tô falando tudo isso porque isso foi mexendo muito na minha história. E quando a gente, quando eu tive a oportunidade de ir para Portugal, a Eliane Joseline, né, era que é a era sua secretária agora a secretária de gestão de desenvolvimento de pessoas de desenvolvimento de pessoas. Então, sou muito grata a ela também. Quero citá-la. Eh, eu lembro que a gente tava saindo de uma entrevista do movimento das Minas para eh paraa prefeitura, né? E aí ela me deu uma carona e aí eu tinha entrado com pedido porque na época meu marido ia fazer mestrado, né? E eu prestei, eu falei assim: "Ah, já que ele vai prestar, vou prestar, né?" E aí quando eu prestei, eu passei em primeiro lugar e aí eu falei para ela, nunca eu esqueço também, né? assim, são momentos, né, que marcam tanta gente. Eu falei, Eliane, eh, e ela é uma das entrevistadas do documentário. Importante falar também, né? Legal. Eh, eu passei no mestrado em primeiro lugar em Portugal, né? Aí ela olhou para mim, [risadas] aí eu falei, vai chegar o processo para você, né? Aí ela, né, secretária, ela ponderou, ela falou assim: "Olha, Gia, a gente tá com défic de RH e tudo mais, não sei qu, mas prometo que eu vou, né, [risadas] olhar com carinho o seu pedido e tudo mais." Então, eh, e eu sempre fui, acho que um pouco desbravadora mesmo assim, né? Isso. E [risadas] faz toda a diferença na sua trajetória, né? No caminho que você trilhou para chegar na posição que você tá hoje. Sim. Até só vou contar um pouquinho antes já vou para Portugal. Mas assim, eh, que antes no, nesse meio do caminho do movimento das Minas, surgiu um projeto que a gente tinha que pintar a periferia, né? Foi uma parceria café que e com chamava acupuntura urbana, caminhos da escola. Então, como transformar os caminhos da escola das crianças de uma forma mais bonita? Nossa, que legal. E aí a gente eh essa equipe ouviu as crianças, né, e tudo mais. E aí a o São Marcos tem a possibilidade de ter bastante osc, né? Assim, tem hoje eu não sei mais, mas na época a gente tinha sete ou oito osques. E aí o Crasva, né, junto com a rede abraço. E aí as Osques, né, foram eh organizando ali os seus caminhos, tal. Aí eu olhei pros jovens, né, que a gente tinha grafiteiros, aqueles adolescentes, lembram, da praça? Uhum. E aí eu falei para eles: "E aí, onde a gente vai grafitar?" Aí eles falaram assim: "Govana, tem um lugar que é a o lugar aonde eh as pessoas têm medo de passar, as crianças têm medo de passar, né? É um beco, né? Assim. E e aí? E se a gente grafitar lá? Aí eu falei, gente, bora, né? [risadas] vamos transformar esse lugar. E a gente foi, bateu de parto em porta, conversamos com os vizinhos, explicamos a ação, né, e envolveu a comunidade, envolvemos a comunidade, né, para entender o que era, né? E aí quando a gente viu, tavam até os meninos lá do movimento assim, pintando junto com a gente e e foi muito legal também, né? tentam assim colorir esse espaço, essas casas e e aí Eliane tava lá também por esse motivo desse projeto. E aí eu fui para Portugal, então, né, consegui a liberação com sem pagamento, né, fui para Portugal na expectativa de entender como é que era o sistema lá, né? lá eles não têm um sistema de assistência social como a gente tem aqui. Então, meu eh a minha minha meu mestrado, né, era em desenvolvimento infantil e educação. Eh, e aí eu encontrei lá um professor que desenvolvia trabalho com adolescentes em risco, que eles chamam lá, né, também, que a gente também chama, né? E aí, eh, assim, foi, não foi paixão, né? Mas assim, foi conto e na mesma hora, né? Porque ele viu que eu gostava disso e daí ele tinha um programa lá, né, que ele aplicava com um programa em Portugal, se chama Previ, que ele aplicava em escolas. Então, era um programa que ele fazia aplicação de testes, aí ele fazia um treinamento com os professores, depois ele monitorava por um tempo as situações de violência na escola e depois ele fazia de novo a escala de testes para medir os resultados. E aí ele me convidou, falou assim: "Govana, topa fazer no Brasil?" Aí você faz no Brasil, a gente compara os resultados de Portugal e Brasil e aí a gente vê essas nuances, né, essas diferenças das desigualdades que perpassam também, né, eh, que lá é outra realidade, né, assim, do dos acessos que as crianças têm. Eh, e aí, mas aí no meio disso tudo veio a pandemia, né? [risadas] Aí veio a pandemia, então eu escrevi todo o projeto de tese para fazer aqui e aí, mas aí eu acabei voltando, eu não concluí, eu fiz, saí com título de especialista somente, eh, e voltei. E aí quando eu volto, a diretora que era Silvia na época, Silvia Geni tava, e ela fala assim: "Gi, como você tinha esse projeto com os adolescentes lá no céu, a gente tá precisando de uma psicóloga no abrigo de crianças e adolescentes no CMPCA. Você tope para lá? A gente tá com muitos adolescentes em uso de substância. Eu acho que seria interessante essa leitura comunitária que você faz e tal. E para lá eu fui, né? Bom, antes de você continuar, te interromper um pouquinho, eh, só pra gente não perder o time e destacar, né, a, a, mais uma vez como que a o investimento na formação, sim, né, do servidor, da servidora, é importante nessa trajetória para te dar acessos, né, você vem você vem trazendo essa expressão, né, ter acessos, né, para te dar acesso. Uhum. Eh, eu eu entendo que eh essa sua experiência internacional de vivenciar uma outra realidade, de ter se tornado especialista, né, numa área específica, eh, eu entendo que isso trouxe uma contribuição muito valiosa pra sua vida funcional, não? Com certeza. Com certeza. Eu acho que eh vê o funcionamento de um outro país, de uma outra lógica, uma outra cultura. Eh, e Portugal, né, que é o nosso colonizador também, né? Eh, eh, e aí tem todas as nuances conflituosas internas minhas, mas assim, eh, entender o quanto aquele país, né, também se estruturava e o quanto isso impacta até hoje na gente, né, assim, as as nossas riquezas, né, que foram para lá. Eh, e mas eu aprendi muito assim, eu aprendi inclusive assim a vivência de experienciar um lugar onde as políticas públicas eh funcionam, né? Eu lembro de uma situação que eu tava andando na rua e aí eu apertei o andar assim, né? eh, que eu vou tava de noite da faculdade e aí uma a pessoa, o homem apertou o passo, eu falei: "Ai, meu Deus, da meu coração já acelerou". Aí ele falou assim: "Você é brasileira, né?" Aí eu falei assim: "Sou". Ele falou assim: "É, mas fique tranquila que esse tipo de coisa não acontece, né? Assim, então um país que tem eh segurança pública, né? Que as crianças têm oportunidade desde o começo meu filho, né? foi comigo. E aí na escola, no primário, né, ele já tem atendimento da triagem com psicólogo, assistente social, eh fono, eh para fazer já uma triagem ali para já pegar na prevenção se precisa de fazer encaminhamento, né? Então é uma coisa que realmente você vê a a funcionar, sabe assim? Eh, e aí quando você vem, eu tem uma frase que eu falo assim que a assistência social ela existe porque as outras políticas eh ela ela existe na não existência, né? Porque ela existe a porque as outras políticas não dão conta de de suprir o que a gente precisa, né? Tanto que é isso. Portugal ela não tem uma uma assistência social básica, né? ela tem uma assistência social eh no nível médio média que a gente fala, né, que é quando já tem uma situação de violência e tudo mais. Então, porque o trabalho de base da prevenção dos agravos, das fragilidades dos únicos familiares, eles se dão na escola, né? Então, a escola é a base e o fortalecimento de tudo, eh, de toda a política, né? as políticas meio que se concentram na escola, os os atendimentos na escola. A articulação que a assistência social faz é feita na escola lá, né? E isso é muito interessante, né? Porque é como se assim o aluno entra lá, é como se ele fosse a escola fosse responsável pela formação daquele aluno até o futuro. E aí pessoas com deficiência, por exemplo, quando elas são eh eh não lá eles começam a trabalhar o mercado de trabalho na adolescência e aí quando é são pessoas que não conseguem ser absorvidas no mercado de trabalho, elas são reabsorvidas pela escola onde elas entraram, lá pequenininhos. Então, a gente vê muitas eh tinha muitas meninas com aquela síndrome do do X frágil, sabe? Eu não sei se é uma coisa comum de lá, mas assim, eh, síndrome eh síndrome de Down, eh várias síndromes que acabam sendo absorvidas pela própria escola e desempenham funções de protagonismo lá dentro da da escola que eles começaram lá bebezinhos, sabe? é uma política muito interessante e eu penso que essas essas vivências, né, que que nós temos, eh, principalmente ao observar políticas públicas que são desenvolvidas em outros territórios, elas contribuem muito para que a gente se inspire, inclusive traga e replique, né? Eu tive algumas experiências também nessa nesse sentido, né, de ver algumas políticas públicas fora do Brasil e de fato elas servem de inspiração, assim como o Brasil também é inspiração. Insiração. Aham. para para muitas dessas dessas pessoas. Eh, você começou a conversar, né, que quando você volta de Portugal, você vai, então, você é convidada para trabalhar com adolescentes. Eh, e eu entendo que isso também é parte do seu trabalho. Você desenvolve um trabalho até que você chega na a secretaria, né, de desenvolvimento e assistência social, que é onde você trabalha, você chega a um posto de gestão no órgão central. Você é psicóloga num órgão central, né? Você atua num órgão central e você comentou com a gente que você desenvolveu uma metodologia de referência para equipes de CRAS, né? Como o nosso tempo já tá esgotando, meu Deus. Tá, olha, o tá [risadas] tão bom que a gente nem vê a hora passar, mas eu queria que você falasse eh muito rapidamente pra gente como é que funciona essa metodologia de referência aí para equipes dos Cras. Você tá com um livro aí na mão, tá? Vou falar. Esse livro aí tem a ver com isso também? Não, não tem ele. Ah, tem também. Mas assim, esse livro foi dessa experiência do movimento das Minas, tá? Ah, que legal. E aí, eh, então vou correr para falar que eu queria só falar mais uma coisa. Eh, eh, ano passado eu fiz uma experiência que também foi muito legal. Eh, e aí eu fiz um pouco a parte assim, né? Mas tem a ver com o meu trabalho, então por isso que eu vou falar, tá? Vou ser rápida. É, mas eh junto eu fazia parte de um grupo de mães solos e aí a gente eh queria fazer alguma coisa na periferia e aí na época eu tava na gestão do Cras do Bassoli, né? Depois eu fui pra gestão do distrito Noroeste como apoio técnico. E aí e a gente pensou um projeto de teatro que fosse, eu não entendo nada de teatro, tá? Mas as colegas que entendiam, então elas ah ganhamos edital Paulo Gustavo, né? E aí percorreram todos os CRAS da Noroeste, que são quatro, fazendo trabalho de de oficinas. Primeiro café com maternidade chamava, então fazia escuta dessas mulheres e depois ofertando oficinas de teatro. Eh, e aí eu tô contando tudo isso porque disso surgiu uma peça de teatro que se chama de Janira, mulher mãe do Campo Grande, que foi apresentada no Castro Mendes. Uau! E aí, como a arte a gente captou, é potente, né? Quatro atrizes deste dessa rodada de conversas lá do Campo Grande e que hoje, né, estão aí se desenvolvendo também. E aí, nesse meio de tudo isso, a gente foi eh a Esmênia, que, né, aí volta lá esmênia que eh se torna diretora e em maio ela me chama para compor a equipe da gestão central, né, para pensar na metodologia dos Cras. E aí assim o livro, o capítulo, né, ele, eu esqueci o nome do capítulo, gente, vou ter que [risadas] olhar. Eu também não me lembro do nome dos que eu escrevi, mas ele é eh o psicólogo social e educação não formal, processos coletivos de trabalho na proteção social básica. Mostra ele pra câmera, pro nosso público ver a capinha. Isso. Então, tá tá dando para ver. 200 anos, 200 dias dias letivos. Respira, não pira e inspira. De quem é? Quem é organização? É da Cristina Fonseca e somos em 20 corrutores. Ótimo. E aí são, na verdade são professores da rede municipal de Campinas. E aí um colega me convidou porque ele sabia do projeto e ele falou assim: "Gi, você não é professora, mas acredito que o seu trabalho de educação não formal, né, seria muito interessante para compor o livro." E aí eu falo sobre o movimento das minas neste livro e a metodologia de trabalho coletivo, que é o o foco, né, do Cras. Eh, e aí a gente então como que quando a Esmênia me chamou, aí eu fiz dois pedidos para ela. Eu falei assim: "Immenia, eh, um que eu quero, já que eu estarei neste lugar, que não é um lugar confortável para mim, externa gestão central, [risadas] eh, porque é isso, né? Acho que pra gente eh um dia eu falei a eh numa roda de conversa, né, com outras pessoas, eu falei assim, alguém me perguntou: "Por que você tá sempre com crachá?" Aí eu falei assim porque eu chego nos CR, as pessoas perguntam se eu vim fazer cadastro único. E não tem nenhum problema em eu ser confundida com o usuário, né? A questão é é a o usuário é o termo que a gente usa para quem faz uso da política de social, né? A questão é que a leitura que fazem de uma pessoa negra num espaço público é que ela veio buscar um atendimento, né, enquanto usuária, né? Eu não posso ocupar este espaço sendo uma psicóloga, né? E são espaços que não são, aceit, né, aceitos, né, para corpos negros. Essa é isso. Então são coisas sutis, né? Sim. sutis, mas que assim, né, por exemplo, andar com o crachá sempre, eh, sutis, mas com um grau de violência muito alto, violência, muito alto. E aí eu então fui e aí eu pedi para ela, eu falei assim: "Eu vou, mas eu quero ir com essa missão de iniciar um protocolo antirracista na assistência". Porque eu vi isso, vejo isso acontecer dentro dos nossos equipamentos com colegas. Eu já sofri racismo e os nossos usuários sofrem racismo e eu quero eh começar por aí, né? E aí ela falou assim: "Não, Gi, tudo bem". Então aí fui construindo caminhos e aí fica o agradecimento ao Silvano também, diretor de pessoas do de gestão de pessoas do da minha secretaria que também abriu esse espaço. Então o protocolo ele saiu pelo pela gestão de pessoas, então ele é o coordenador, eu sou a suplente. Eh, e aí a gente começou o GT e eh a metodologia de trabalho, né, assim. Então eu falei assim: "Olha, Ismena, eu vou fazer como eu sempre fiz, escutando as pessoas, né?" E aí eu e o Jaílton, que também é um colega de trabalho negro, uma liderança super importante que tá na gestão há bastante tempo, eh, amigo, eh, a gente se dividiu e eu fui em cada território, cada craso, ouvi os trabalhadores olho no olho. O que o que qual é a metodologia que a gente tem aqui? o que a gente precisa melhorar e o que vocês acham que dá pra gente fazer. Fantástico. E aí fiz a escuta de todos os trabalhadores, eh, são 13 CRAS, fiz as equipes de nível superior, equipes de nível médio e depois o Jailton fez a equipe das chefias, né, eh, dos CRAS e a chefia de de distrito. E aí depois nisso, recentemente, a gente teve um seminário que a gente convidou uma pessoa, a Débora Aerman, que veio lá do Ministério do Desenvolvimento Social de Brasília. a gente apresentou nossas boas práticas nesse seminário que se chamava PIF, o o PIF que faz sentido, que o Pif é o serviço que a gente oferta, né? Eh, e é isso assim. Então, a metodologia que eu tenho utilizado é a mesma que eu usava com os nossos usuários, a o protagonismo das equipes, a escuta. Então, a partir daí, a gente pensou em várias ações para 4 anos aí, né? Estamos aí no planejamento no plano plural. Então, a nossa metodologia vai persistir, né, se eu me mantiver, né, espero. Mas assim, o meu posicionamento é esse, né, de que a gente da Esmênia também, o Jaíton, de que a gente faça eh em conjunto, de forma coletiva, né, esse processo. Então, eh, a gente vai permanecer com as escutas e construindo junto com as equipes da metodologia de trabalho. Muito bom. Me diga uma coisa, eh, você, eh, teve oportunidades, você investiu na sua formação, você se destacou, né, e na sua trajetória de servidora pública, eh, você hoje você tem a oportunidade de trabalhar de forma que o seu trabalho impacta, né, o trabalho de muitos outros servidores e consequentemente impacta muito o serviço que é oferecido pra comunidade. É, o que que falta? A gente sabe e no seu universo, com certeza, assim como no meu, há muito poucas pessoas negras, né? Então, na sua opinião, o que é que falta para que esses espaços tenham a representatividade que deveriam ter? Uhum. Olha, eu vou te falar assim que desde que eu tive a oportunidade, porque na assistência a gente tem o a forma de eh ainda a gente tá aprimorando isso, né? Mas as pessoas que vão paraa gestão são pessoas que se destacam e aí por algum motivo vão, né, e porque são protagonistas, são protagonistas ou porque, né, tiveram aí alguma história. E durante muito tempo a gente teve durante a na gestão só pessoas brancas, né? E aí a gente observava que as a gente tem 13 CRAS, né? Então as pessoas, o coletivo era muito mais branco, né? E eu observo isso, eh, desde que o Jeon, né, assumiu a coordenação da básica, há um tempo, hoje ele é assessor da Esmênia, né, mas assim, eh, isso foi mudando, né? Então, hoje a gente tem um coletivo de pessoas negras na chifia do dos CRAS. E eu acho que isso eh é reflexo de que de uma de quem tá lá em cima, sabe? que vai puxando também quem tá, né, numa estrutura ainda da ponta. Então, assim, eu eu não sei. Eu penso que o que faz diferença é a gente olhar pra gente, né, assim, um negro olhar pro outro e ver a capacidade que o outro negro tem, sabe? Eh, não que os brancos não vão olhar, né? Inclusive, pessoas brancas me deram muitas oportunidades. Mas assim, eu acho que quando a gente, porque a gente sabe pelo que a gente passa, né? a gente sabe as exclusões que a gente sofre e e aí a gente às vezes é taxado de ah, né, aquela mulher e aí tem ainda o recorte do gênero, né? Então a mulher negra que grita raivosa, raivosa, né? Então ai essa não vai poder assumir um cargo de gestão. Mas aí quando você vai ver por trás, né? Eh, eu sempre tive muita dificuldade de me colocar eh, embora não pareça, mas assim, [risadas] eh, nesses espaços assim, porque eh parece que assim, às vezes, e é observável isso, né? A gente que é psicólogo, você fala uma coisa, aí as pessoas aí passa um tempo assim, um homem branco fala, faz toda a diferença. Faz toda a diferença, né? É como se a as pessoas tivessem ouvindo pela primeira vez aquilo que você falou, sei lá, há um mês atrás, sabe? Então, eu acho que é o racismo estrutural que a gente percebe, mas eu acho que isso só vai mudar quando a gente a acender e a gente puder eh olhar por nós assim, sabe? É, é eh eh isso que você traz é muito importante, Geovana, exatamente porque é uma luta coletiva, né? quando você eh eu ouço isso muito da secretária de gestão e desenvolvimento de pessoas, que é Eliane Jocelani, que hoje é minha secretária, nas nossas nossos encontros, nas nossas reuniões, ela diz, ela traz sempre esse elemento, olha, eh eh quem quer acender sozinho não cabe nesse espaço. Sim, né? Por se você está numa posição, né, e de destaque, se você está numa posição de decisão, eh tem que ter esse olhar de trazer outros, porque aí você passa a ter a representatividade necessária, né? E a gente precisa lembrar também pros nossos gestores, inclusive pros nossos altos gestores, pro nosso prefeito, pro nosso vice-prefeito, pros nossos secretários, né, pras pessoas, né, paraas lideranças da Câmara Municipal. A gente precisa lembrar para essas pessoas que em sua maioria são brancas, né, para ter esse olhar. Uhum. Para olhar paraas suas equipes, né? É fazer o teste do pescoço para olhar paraas suas equipes e ver em que medida essa equipe é representativa. Porque se você não tem aquilo que é a população brasileira representada dentro de uma sala de de decisão, né? Exato. Se você não tem, é é sinal de que tem algo errado, né? E nós temos, né? a gente a gente tá falando aqui, você é uma, uma profissional da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social, mas a gente tem a Secretaria de Desenvolvimento eh desenvolvendo a Secretaria de Gestão de Pessoas desenvolvendo as políticas afirmativas, né? E essas políticas afirmativas, sejam elas a reserva de vagas, né, pro pro pro pros concursos públicos que necessariamente trazem elementos pessoas negras, né, para o serviço público. A gente tem outros movimentos que estão sendo gestados, né, para que de fato postos de gestão possam obrigatoriamente ser ocupados por pessoas negras. Então é um movimento coletivo, é um movimento que não cabe e que não é obrigação dos negros, é uma obrigação coletiva de todos. Posso só complementar aqui? Não sei se dá para ver, né? Mas eu tenho uma tatuagem, o buntu, né? Que é um uma palavra africana que significa se eu sou, é porque nós somos. Então eu sou porque nós somos. Muito bom, né? Então, [risadas] é, acho que é sobre isso. É sobre isso. Ô, Daniel, eu queria ler uma poesia. Dá tempo, será? Dá tempo. Mas eh aí você já vai só para terminar minha fala. Aí eu termino. Você vai vai ler a sua poesia com certeza. E aí você já pode eh emendar eh deixando uma mensagem. Eu gostaria que você deixasse uma mensagem, principalmente pros servidores jovens que estão chegando na prefeitura agora. a gente tem um movimento, a gente tem uma chegada importante de cotistas e muitos desses muitos jovens, né? E a gente sabe que eh todo mundo tem o desejo de melhorar na carreira, de acender. E é importante que as pessoas saibam que quando você ingressa na Prefeitura Municipal de Campinas, eh, você ingressa num cargo X, mas você tem oportunidade de ascender, né? você tem oportunidade de crescer na carreira, de se desenvolver na carreira e naturalmente ter, né, aí uma condição salarial melhor, assim como aconteceu com você. Então eu gostaria, nós vamos ter muito prazer em ouvir a sua a sua poesia e depois você finaliza deixando esse recado pros servidores públicos pretos e pretas, os jovens que estão chegando agora, né, e também já fazendo os seus agradecimentos. Posso ler? Com certeza. Eh, hoje, no dia da consciência negra, vimos contar para vocês a história de Maria, mulher preta, mãe solo de um menino. Casou nova, conheceu Carlos numa fábrica. Ela trabalhava na limpeza, ele na produção. Se apaixonaram e logo foram morar juntos. Engravidou. Queria ter estudado mais. Sonhava em ser doutora. A taxa de analfabetismo é duas vezes maior para as mulheres negras em relação às mulheres brancas. Em 2022, as taxas eram de 6,9% e 3,4, respectivamente. O percentual de mulheres negras com ensino superior completo é de 14,7 ante 29% das brancas. No primeiro trimestre de 2020, 33,2% das mulheres negras com ensino superior estavam em ocupações queem exigem apenas nível fundamental ou médio. Logo no parto, percebeu que, diferentemente da outra paciente branca ao lado, teve que ouvir que não podia gritar, já que toda mulher preta é boa parideira. Maria não sabia que isso era violência obstétrica. Adolescentes ou mulheres com mais de 35 anos, negras, usuárias do SUS, com baixa escolaridade, tco de sofrer violência obstétrica. Logo que chegou em casa com Aquim, Carlos começou a cobrar Maria que a limpeza da casa já não estava como ele esperava. Reclamava que tinha que requentar o almoço na janta, porque Maria estava preguiçosa, já que, de licença maternidade ficava o dia todo em casa. Carlos começou a falar que devia estar com amante sua, entre aspas E já que não rendia mais em casa, também não rendia mais na cama. Maria, exausta com os cuidados comim, se esforçava para agradar o marido. Por algumas vezes fez sexo sem desejar. Maria não sabia. Isso na verdade era estupro. Aos quatro meses, de Aquim voltou a trabalhar. Logo, sua jornada era dupla, tornou-se tripla. Cuidava da casa de Aquim e tinha que ser produtiva no trabalho. Estava sempre cansada. Em uma jornada de escala 6 por1, Maria não tinha com quem deixar a Kim. pagava paraa vizinha cuidar, mas a Quin ficava doente e a vizinha disse que não ia mais ficar com ele. Muito preocupada, seu rendimento no trabalho caiu. Passava as horas chorando e preocupada com o que faria com seu filho. Carlos saía do trabalho, chegava bêbado em casa e ia dormir. Começou a passar os finais de semana fora. Afinal, segundo ele, não queria a mulher chorosa o tempo todo. Maria foi demitida. Carlos, quando estava em casa, ficava cada vez mais violento. Tentou começar a vender brigadeiro num semáforo para sustentar seu filho e quando chegava em casa, ouvia de Carlos que devia estar procurando macho na rua. Começou a vender brigadeiro para que pudesse ao menos garantir o leite de Aquim. Em relação à informalidade, 40,9% dos trabalhadadores do país estavam em ocupações informais. Para as mulheres pretas ou pardas, 46,8% proporção estava acima da média. Certo dia, Maria quis embora para a cidade natal, atrás de abrigo na casa de algum parente, pois ela e quin estavam passando fome. A fome está presente em 43% das famílias com renda per capta de até 1/4 de salário mínimo e atinge mais as famílias que têm mulheres como responsáveis e ou aquelas em que a pessoa de referência se denomina de cor preta ou parda. As mulheres negras são a maior parcela de pessoas no cadastro Único para programas sociais do governo em 2023. Representaram 38,5% em comparação apenas com 17% de mulheres brancas. Informe do Ministério de Igualdade Racial de 2023. No segundo trimestre de 2022, 13,9% das mulheres negras estavam desempregadas. Carlos não aceitou o término. Mulher minha não será de mais ninguém. O fim, somente no ano de 2023 foram mais de 1,2 milhão de milhões de registros de violências contra a mulher no país, somando as modalidades consumadas e tentadas de homicídio e feminicídio, as agressões em contexto de violência doméstica, ameaça, perseguição, violência psicológica e estupro. Dessas foram 1467 mulheres vítimas de feminicídio. O maior número já registrado desde que a lei foi criada. que tipifica esse tipo de homicídio. Das vítimas, 63,6% eram mulheres negras. Anuário brasileiro de segurança pública de 2024. Então, eu quero aqui deixar um recado eh paraas mulheres que peçam ajuda, né? que nós, mulheres negras, além de tudo, somos as que mais sofremos as violências em todos os níveis, seja institucional, eh, dentro de casa, na rua, né? Eh, o meu recado. Eh, eu queria falar só mais uma coisa assim que me toca, né, dessa minha ascensão, digamos assim, que eh eu falei no começo que eu sou filha adotiva, eu tinha comentado com o Daniel, né, que eu fiquei eh do que eu falaria ou não, mas eu queria falar só para terminar minha história, mas que eu sou eh fruto de um estupro, né, e minha mãe biológica tinha 10 anos. e do meu do padrasto dela, né? Então, eh [limpando a garganta] do autor de violência. E aí hoje, olhando para tudo isso, eu consigo perceber o quanto essa história que eu vim a saber muito depois sempre permeou minha vida, né? E recentemente, conversando com a minha irmã biológica, ela me disse assim: "Sabe quem é a minha maior referência?" Aí eu falei para ela, "Quem, né, dela? você. Aí ela me disse assim, porque você é a única mulher da nossa família que conseguiu concluir o ensino superior. E aí, então eu agradeço, já entrando nos agradecimentos, né, eu agradeço minha família biológica também. Eh, agradeço minha família adotiva, né, minha família, eh, porque a todos os meus amigos negros também que trabalham ao meu lado e que fazem toda a diferença, né, na máquina pública. Eh, e eu acredito que a vida é feita de oportunidades. Assim como eu tive oportunidades, eu busco dar oportunidades pr as pessoas. Recentemente até, né, que eu tô nesse car de gestão central, a Esmena fica assim, Gi, dá uma olhada, né, em quem você acha, né, que tem potencial. E aí, eh, eu chegou até mim, né, uma fala assim: "Nossa, Giovana só dá oportunidade para pessoas pretas". A gente ainda tem que ouvir isso, [risadas] né? E aí eu falei, gente, né? Mas é isso, assim, eu acredito que a gente eh o o recado que eu quero dar é que a gente não tá sozinho, né, que a gente tá junto nessa luta. Então, se para quem tá chegando, né, busquem referências no serviço de vocês, eh, que a gente que a gente tá na luta junto sempre, a gente não pode se ver sozinho, isolado, sempre vai ter um caminho, né? E a gente eh que por vezes parece solitário, mas vieram pessoas antes de nós para que a gente estivesse aqui ocupando lugares que a gente ocupa hoje. Geovana, sua história é inspiradora, [risadas] né, para dizer o mínimo. Quero aproveitar, né, eh, esse momento, eh, agradecer a você, né, pela sua generosidade de compartilhar sua história, seu tempo, seus sonhos, né? Reforço a importância de ouvir mais vozes como a sua, tá? Deixo isso muito claro para transformar o serviço público em Campinas. Quero aproveitar também para agradecer a todas as pessoas profissionais da Câmara Municipal de Campinas, da Secretaria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência, a minha secretária, minha diretora que me liberaram para estar aqui hoje. Muito obrigada. Liberar a Geovana para estar aqui. Nossos sinceros agradecimentos, né, mostram que essas pessoas estão comprometidas com a nossa causa, porque você estar aqui é para isso mesmo, para inspirar quem nos ouve. Enfim, eh, agradeço a toda a equipe que está aqui à nossa frente, tem uma grande equipe aqui que faz com que isso aconteça, né, que faz com que esse trabalho se materialize, materialize. E eu convido a vocês, as nossas ouvintes, às nossas ouvintes, para que compartilhem o episódio, deixem comentários e acompanhem toda a temporada do Vozes Negras de Campinas. Até a próxima. [música] [música] [música] [música] [música]