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Vozes Negras de Campinas | Políticas antirracistas, memória e equidade com Marcelo bento
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Vozes Negras de Campinas | Políticas antirracistas, memória e equidade com Marcelo bento

74 views Publicado 19/01/2026 HD · 58:54

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O 🎙️ Vozes Negras de Campinas apresenta um episódio profundo, potente e necessário sobre racismo estrutural, políticas públicas antirracistas, memória, identidade e equidade racial no serviço público. Produzido pela Prefeitura Municipal de Campinas, em parceria com a Câmara Municipal de Campinas – A Casa do Povo, o podcast integra as ações estruturantes do Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras na Gestão Pública. Neste episódio, o mediador Daniel Estevão, servidor público municipal, conduz uma conversa sensível e inspiradora com Marcelo de Resende Bento, referência histórica na luta pela promoção da igualdade racial em Campinas e na construção de políticas públicas voltadas ao enfrentamento do racismo institucional. 📢 Logo na abertura, o programa reafirma seu compromisso: amplificar vozes negras, valorizar trajetórias que transformam a cidade e revelar como políticas públicas podem (e devem) ser construídas a partir de saberes negros, combatendo desigualdades históricas e promovendo justiça social. 🧑🏿‍🦱 Marcelo compartilha sua audiodescrição, reforçando a importância da acessibilidade, e mergulha em sua trajetória pessoal e política. Nascido em Agudos (SP), criado entre o interior e a capital, com passagem por orfanato, rádio comunitária e militância social, ele revela como sua história é atravessada por vivências de exclusão, resistência e descoberta identitária — incluindo o reconhecimento tardio de sua origem quilombola. ✊🏿 Ao longo da conversa, Marcelo detalha sua atuação à frente da Coordenadoria Departamental de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial (CDPIR), explicando o funcionamento do Plano Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Plan PIR), seus 15 eixos estruturantes e a importância da transversalidade das políticas públicas nas áreas de educação 📚, saúde 🏥, assistência social 🤝, cultura 🎭, segurança pública 🚓 e cidadania. 📜 O episódio também aborda a importância dos Centros de Referência de Combate ao Racismo, à Discriminação Religiosa e de Atendimento a Imigrantes, Refugiados e Apátridas, mostrando como esses serviços atuam na prática para garantir direitos, acolher denúncias e orientar políticas públicas baseadas na equidade racial e no respeito à diversidade. 🌍 Outro destaque é a adesão de Campinas ao Pacto das Cidades Antirracistas, compromisso coletivo que reforça a responsabilidade do poder público na implementação de políticas permanentes de promoção da igualdade racial. Marcelo explica o papel do município como referência estadual e nacional, destacando Campinas como um verdadeiro celeiro de políticas antirracistas. 💬 O episódio traz ainda reflexões fundamentais sobre letramento racial, racismo religioso, racismo ambiental, genocídio da juventude negra, políticas afirmativas, ações de reparação histórica e a importância das redes de apoio na trajetória de lideranças negras dentro e fora do Estado. 🎉 A conversa também celebra a cultura como forma de resistência, com destaque para o Baile Pérola Negra, resgatado como um ato político, histórico e simbólico de valorização da estética, da memória e da dignidade da população negra de Campinas. ✨ Encerrando o episódio, Marcelo deixa uma mensagem inspiradora para jovens servidores públicos negros: investir em formação, conhecimento, redes de apoio e consciência racial é estratégia fundamental para ocupar espaços, transformar estruturas e construir um futuro mais justo. 🎧 Assista, reflita, compartilhe e faça parte dessa construção coletiva. 💬 Deixe seu comentário, 👍 curta, 🔁 compartilhe e ajude a fortalecer as vozes negras que transformam Campinas. 🔗 Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, [música] sejam muito bem-vindas, bem-vindos a mais um episódio do Vozes Negras de Campinas, um podcast produzido pela Prefeitura Municipal de Campinas em parceria com a Câmara Municipal A casa do Povo como parte das ações estruturantes do programa de desenvolvimento de lideranças negras na gestão pública. Este podcast tem o compromisso de amplificar narrativas negras, fortalecer trajetórias que movem a cidade e revelar como as políticas públicas têm sido construídas a partir de perspectivas e saberes que enfrentam o racismo estrutural. e promovem equidade. A cada episódio, apresentamos vozes que transformam a administração pública e a vida das pessoas negras de Campinas. Meu nome é Daniel Estevão, servidor da Prefeitura de Campinas e mediador desse espaço. Antes de mais nada, farei a minha audiodescrição. Eu sou um homem de pele preta, tenho 52 anos, uso o cabelo raspadinho, bem curtinho. Estou vestindo uma camisa polo de cor cinza escuro, eu diria um chumbo. E estou usando uma calça jeans azul. E hoje nós temos o prazer de dialogar com alguém que há 15 anos dedica sua vida ao enfrentamento do racismo institucional, à promoção da igualdade e construção de políticas públicas antiracistas em nossa cidade, um agente de transformação, de justiça, de futuro. É com imensa honra que recebemos Marcelo Rezende Bento, coordenador da Coordenadoria Departamental de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, a CDPIR, [risadas] responsável pelo Plano Municipal de Igualdade Racial, o Plan PIR, pelas políticas de promoção da igualdade racial e pelos centros de referência de combate ao racismo, discriminação religiosa e atendimento a emigrantes, refugiados e apátridas. Marcelo, bem-vindo. Obrigado. Depois de uma apresentação dessa, hein? Bem-vindo, muito bem-vindo. Faz a sua áudio de descrição pro pessoal que tá em casa nos ouvindo ou nos assistindo saber quem é esse homem bonito que tá aqui na minha frente. Eu sou Marcelo Rezende Bento. Bento é do meu pai, o Senr. Antônio Bento tem 1,78 m. Ah, careca por opção. Careca por opção, usando o chapéu Panamá. Ah, sou um homem negro da pele menos retinta, né? E porque algumas pessoas falam que nós somos pardos, né? Mas nós somos negros da pele mais clara, né? Estou usando uma camisa azul, eh, calça CC e estou a do lado do meu querido Daniel. E, ó, trouxe o óculos com ases marrom e uma bela uma barba branca, não é de Papai Noel. E estamos aí. Coisa boa. Coisa boa, Marcelo, mais uma vez, né? Um prazer receber você. Eh, você é uma referência no que diz respeito a políticas antirracistas, né, no em Campinas. Você falou para mim, né? Ah, acho que eu já tô aí há mais ou menos uns 10, 11 anos. Eu fiz as contas são 15. Pelas minhas contas. É, pelas minhas contas são 15 que você tá aí, né? Sem saber, e nós estamos falando do universo de da Prefeitura de Campinas, né? sem saber do que você já fez antes. Pra gente começar esse nosso bate-papo. Lembrando que esse programa, como eu disse na introdução, principal objetivo dele é mostrar as referências, as vozes negras, potentes, importantes que a gente tem no nosso município, né? É um movimento para dar visibilidade mesmo. E você é uma dessas figuras. De qualquer forma, eu vamos começar sabendo quem é o Marcelo, né? a humanidade, o ser humano, a pessoa vem antes de qualquer coisa. Então, quem é o Marcelo? De onde você vem, né? Fala um pouquinho da sua história pessoal e aí depois a gente vai falar como é que você chega aqui na Prefeitura Municipal de Campinas. O Marcelo é um homem negro, nascido numa cidade chamada Agudos, conhecida como a cidade da Brama, né, a cidade da Água Boa. E passo por agudos até os 6, 7 anos de vida. Depois eu venho para São Paulo, eh, São Paulo capital. E de São Paulo capital eu vou para Susano e ali eu fico no orfanato do exército de salvação até os meus 19 anos. E depois eu retorno para São Paulo capital, região do Butantã, ah, com os meus familiares. Eu fui criado como órfão, tendo pais vivos. Que coisa. É que coisa. E chegou em Hortolândia nos anos eh 70, 80 e venho para essa região para trabalhar com rádio. Fui radialista num período muito longo da minha vida e tal. Portanto, você está em casa? Tô em casa. Tô em casa. Quando eu vejo o microfone desse estúdio e tal, e fico em Hortolândia e ali em Hortolândia eu começo a militar. Mas eh meu primeiro envolvimento foi com a questão da criança e do adolescente. Nós estávamos num processo de mudança, de juizado de menor para essa visão de conselho tutelar, eh casas de abrigamento, não mais aquela estrutura de Febem, de um abrigamento com 200, 300 crianças, porque onde eu fui criado, Daniel, nós éramos em 220 meninos e meninas. 220 meninos e meninas. E e aí eu vou para dentro do do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente e dentro desse conselho eu acabo fazendo parte de uma plataforma de direitos humanos. E ali, cara, eu fui conhecendo pessoas e eu fui entrando dentro do movimento. E aí eu me lembrei que em 78 eu estava no centro de São Paulo, na frente do Teatro Municipal, no lançamento de uma grande entidade do movimento negro brasileiro. Falei: "Não é possível". E aquilo foi voltando para dentro do meu coração. Aí eu fui conhecendo uma galera que hoje eles fazem parte de um mandato eh de uma deputada estadual. E o cara começou a me falar sobre o negro, foi falando, foi falando. E eu olho para dentro do município de Hortolante, vejo uma senhora negra, maravilhosa, conhecida como mãe Dango. Olha só, a mãe Leonora, que hoje ela é falecida e e eu evangélico. [risadas] Esse pessoal de matriz africana me acolhe, me abraça. E quando eu vejo, eu sou o primeiro presidente e o fundador do primeiro conselho de promoção de igualdade racial da cidade de Hortolânde. E com a votação, né, com os votos da mãe Dango, da mãe Leonora e tal, um abraço para elas, inclusive. É para uma tá lá na eternidade e tal, a outra vivona correndo e se movimentando. E eu fui adentrando no movimento negro a nível estadual, a nível eh nacional, fui virando uma referência e ajudo nessa questão da da divulgação do Estatuto da Promoção da Igualdade Racial. Aí a gente vem abraçando a questão da 10.639, porque até então não tinha 11.000. Aí quando eu passo por Campinas na rádio, pode falar o nome da rádio? Pode falar. Na Rádio Cidade de Campinas. Eh, eu, eu conheço Tiãozinho, eu conheço o pessoal aqui de Campinas, eu falo: "Cara, é isso". E aí eu tenho uma amiga nossa, Teresa Raimundo, que trabalha na Secretaria de Saúde do Município de Campinas. Grande Teresa. Ela me abraça junto com a Célia Zenaide e a Tida da Unicamp. quando e quando eu vejo, eu era o cara desse pessoal dentro de alguns movimentos do movimento negro. Eu trabalhava também na prefeitura de de Hortolândia na habitação de interesse social. Então, nessa de trabalhar com habitação de interesse social, eu fui me aproximando do nosso povo. Agora tem um detalhe, Daniel, que eu descobri só depois de 50 anos de vida. Hum. Qual foi que eu nasci num quilombo? Olha só, a fortaleza do Espírito Santo dos porcinos, hoje reconhecido como um território quilombola a no município de Agudos. Olha só. E e a minha família, por parte de pai, eles são herdeiros desse quilombo. Então, hoje eu me ajunto com mais alguns irmãos e irmãs dentro desse quilombo ah lá em Agudos. É lógico que hoje eu estou longe, a gente faz mais aquela questão das relações, das tratativas. Estamos tentando consolidar aquele território como um território tradicional, um território para conquistas. Olha, fica evidente então como que a sua origem atravessa, né, a sua trajetória, influencia a trajetória, a sua trajetória até chegar aqui, né, porque um quilombola, né, militando, agindo, lutando pela causa antirracista. E aí conta pra gente, eu vou deixar você completar, conta pra gente como que você chega, né, aqui em Campinas, no serviço público de Campinas. Eu chego em Campinas através da Unicamp. Eh, essas relações do movimento negro me levaram a me aproximar da Tida, do Celson, do Celso, que hoje não está, ele está na Bahia, do Fausto. E eu começo a me relacionar com esse povo todo ah da Unicamp. E numa das oportunidades, quando o prefeito Jonas assume, eu saio da prefeitura de de Hortolândia e venho para cá, paraa secretaria de assistência à época trabalhar na segurança alimentar. E ali na segurança alimentar eu me aproximo porque eu já conhecia, mas eu acabo me aproximando do Fábio Custódio, nosso grande amigo. E aí o desafio do Fábio à época era estabelecer algumas políticas, entre essas políticas a questão do imigrante, o centro de combate ao racismo, né? E eu fui me aproximando. Quando eu me vi, eu estava completamente dentro dessas duas políticas, a política de de promoção da igualdade racial através do Centro de Referência eh de Combate ao Racismo e do o dos imigrantes, que a gente chama de imigrantes, né? Mas é imigrante, refugiado e apátrida. E vou lá para auxiliar o Max, nosso querido Sérgio Max. Sérgio Max. E ele fica a frente desse trabalho por quase 10 anos. E aí, há dois anos atrás foi me dado esse desafio de fazer parte da coordenação e de uma forma muito natural acabei aceitando. Mas aí eu tenho uma vivência dentro do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra, eh, como secretário executivo por um bom período e estamos na luta, na luta, na luta, na luta. E que luta, luta gostosa, porque tem luta que te machuca, né? Tem luta que te destrói. Essa luta não é uma luta que constrói e é uma luta que a gente quer lutar, né? A gente escolhe as batalhas que a gente quer né, viver. E essa é uma delas. Você não tem como homem negro, né, como uma pessoa negra, você não tem como fugir eh dessas batalhas. Com certeza, meu querido. Eh, um dos objetivos aqui desse nosso projeto, desse nosso podcast, vozes vozes negras, né, é inspirar as pessoas, é contar as estratégias que nós utilizamos na na nas nossas trajetórias profissionais, nas nossas trajetórias de vida e trajetórias profissionais. Então, da sua fala, eu eu depreendo uma informação importante aqui, né, e que deve servir de inspiração para quem nos assiste, pros jovens servidores em especial que estão chegando no município, né, principalmente aqueles que vêm aí via, né, políticas afirmativas, cotas, né, que é o estabelecimento de redes de influência e apoio, né, você trouxe, né, a a a questão da rede que você formou e que te amparou nessa sua trajetória. traz algumas pessoas físicas, você traz a Unicamp, né, as pessoas de lá. Então, a formar boas redes de apoio, boas redes de influência é fundamental. É fundamental porque eh sem mãe Danco, mãe Leonora, Tida, Celso, Zenaide e Teresa, eu eu eu não teria feito a carreira que eu fiz dentro do movimento negro, porque eh é difícil você ser negro dentro do movimento negro e e e confessar o cristianismo. E eles me abraçaram independente da minha religião, em detrimento da religião deles, né? E e dentro desse espaço público, Fábio Custódio, eh, Max, Jaqueline e Damáziio e hoje a Elisâela, que ela foi entrevistada aqui nos vozes, né? Isso. No nosso episódio de estreia, de estreia. Ah, são referências e é lógico que depois você vai eh fazendo as costuras, vai se aproximando, eh, de várias outras pessoas do da educação que são importantes e tal, mas nesse primeiro momento eh essas pessoas porque eh elas ajudam a construir a política PIR, que é de promoção de igualdade racial dentro do município, entendeu? Porque até então nós tínhamos eh várias ações, mas nós não tínhamos uma política de estado. E hoje o a coordenadoria, os centros de referência, né, ou de referências, eles estão estabelecidos, eles estão firmados, consolidados, estruturados, com uma equipe técnica maravilhosa. É lógico que a gente precisa de mais, né? Mas assim, pela idade que nós temos, então eu acho que eh Campinas ela ela ganha nesse protagonismo e a ponto de hoje nós estarmos com esse slogan, né, que é uma cultura Campinas antiracista. Mostra o material pro nosso público. E eh eu mostro para quem? para aquela câmara. Isso, exatamente objetivo que temos que alcançar juntos, porque essa essa causa é nossa, mas é nossa, ainda mais um país eh tão atravessado, né, em todos os sentidos. É um misto de religiosidades, é um misto de cores, né? Então esse objetivo que temos que alcançar juntos tá sendo muito bacana, porque você tem sentido isso dentro da secretaria que você está, que a gente tem conseguido quebrar alguns paradigmas, né? Eh, na questão do racismo estrutural, institucional. Eu acho que agora o o a grande sei a grande luta é essa questão do racismo religioso. Temos a as novidades, que na verdade não é tão novidade assim, mas você tem um racismo climático ambiental, que são pautas colocadas, né? E aí, Dani, conversando com você, eh, eu me lembro que a na segunda conferência as vozes negras elas entoavam o seguinte: a nossa juventude está sendo morta. Então, nós precisamos parar com o genocídio. E a galera da política imagina essa terminologia, né? Eh, aí eu vejo esse movimento das mulheres com a questão do feminicídios e e a gente na terceira conferência trabalhando essas questões. Cara, eu preciso colocar aqui em pauta, quando eu falo nessa questão das mulheres, Cleusa da Casa Laudelina. Fantástico. Então, eh, são mulheres que imprimiram dentro do meu coração, assim, da minha alma, esse DNA de luta e e, cara, eu fui perceber que precisava um pouquinho mais, né? E então nós estamos tentando construir uma Campinas antiracista e tá dando certo. Com certeza. Tá dando certo. Com certeza. Certo? Mas falando em em Campinas antiracista, vamos falar um pouquinho do do do Plampir, né, pro público que nos ouve, né, sejam os nossos servidores, as nossas servidoras, seja o público comum. Fala pra gente, explica pra gente o que que é o Plan PIR, né, qual que é a importância e como é que ele orienta as ações da prefeitura. Primeiro fala pra gente o que que significa sigla. [risadas] Não é um imposto, é porque tudo nosso tem muitas siglas, né? O tamanho da coordenadoria, o nome da coordenadoria aí, e o centro de referência, então é depois nós vamos falar ele inteiro. Eh, é o plano municipal de políticas de promoção da igualdade racial. Nós temos 15 eixos porque no tempo, né, no período quando nós começamos em 2017, nós tínhamos uma realidade de estrutura pública. Então nós temos eh eh entre esses 15 eixos ah prevenção e combate ao racismo. Depois nós temos educação, saúde, segurança pública, cidadania, que na época nós tínhamos um a secretaria de cidadania, eh, cidadania de direitos humanos, aí trabalhando a questão de gênero, população em situação de rua, idosos, crianças, adolescentes, LGBT, mais eh imigrantes refugiados, eh pessoas com deficiência, cultura, turismo. Então, para cada política estabelecida, o plano ele estabelece algumas metas, que é aquilo que nós chamamos de transversalidade, né? E essa transversalidade vai, ela representa um importante instrumento de mobilização municipal para essas pautas, para essas políticas, né? Eh, quando Fábio, a a secretária percebe que nós precisávamos avançar paraa questão desse recorte racial dentro da secretaria que você faz parte, cria-se além das palestras eh eh lideranças negras. Então, o plano ele vai apontando as atribuições eh e as finalidades de cada secretaria. no quesito cor, raça, raça, cor, no quesito de uma política eh, não afirmativa só, mas de promoção ou de equidade racial. Muito bom. Perfeito. Bom, já aproveitando, você comentou aí sobre os eixos, né, do plano, são muitos. Eh, existe um documento que os nossos ouvintes, né, eh, podem buscar na internet que, eh, tá disponível para que as pessoas conheçam esses os eixos, né, o que é que esse plano municipal prevê. E é importante, inclusive, para o cidadão, para o servidor cobrar do poder público o cumprimento disso, né? Importante que vocês conheçam. Eh, e aí eu já aproveito e e e pergunto para você, né, fala um pouquinho para nós eh no dia a dia, na prática, né, por exemplo, lá no centro de referência eh ao racismo e a discriminação religiosa e no centro de referência ao imigrante refugiado e apátrida, né? Como é que esses serviços dialogam, né, com o plano eh municipal? vai apontando pra gente e vai atendendo as demandas. Ele aponta pra gente, atende demandas, a demanda, cada demanda vai gerar um posicionamento. E aí nós vamos olhar ah para onde você tem que ir com a política A B ou C apontada por pelos atravessamentos daquela ocorrência. Então, vou te dar um exemplo. Eh, acontece um caso de racismo dentro de uma unidade escolar. Então, o o o plano, a as ações, elas precisam encontrar eh e esse lugar. Na questão do Centro de Referência do Imigrante Refugiado e Apátrida. nós atendemos essa pessoa com a questão documental, com a questão eh de vulnerabilidade social muitas vezes e e essas vulnerabilidades vão nos apontar uma das secretarias ou um daqueles eixos. Então vou usar como exemplo aqui assistência. O plano mostra o que que a assistência tem que fazer com a questão da pauta racial. o que que ela precisa executar. E quando você atende uma pessoa dessa aqui, você vai conseguir instrumentalizar se esse atendimento tá legal, tá bacana, tá respeitando ou não. E e e e a gente tem um feedback também eh não só do servidor, mas também do munícipe, porque muitas vezes, por falta de letramento racial, de letramento religioso, né, de de letramento racial no sentido das etnias, eh a gente acaba falhando no atendimento porque não conhece as especificidades, não conhece a realidade. E aí e aí o que que acontece? Esse plano ele vai nos mostrar eh os caminhos, né? Deveria pelo menos ou ou de repente você vai entender que você precisa na revisão do plano, entendeu? acolher essa questão. A novidade, lideranças negras, nós não apontávamos, não é fruto lideranças negras é fruto de um dos eixos eh proposto paraa questão eh dos servidores. Sim. Que é as ações afirmativas. Sim. Entendeu? porque é uma ação afirmativa, uma política afirmativa. Mas agora com com o acolhimento dessas pessoas vão surgir outros desdobramentos, com certeza. Então na revisão do plano a gente coloca isso aqui, porque a a vez a gente esquece, eh, Daniel, que o plano ele é um decreto municipal, né? Ele é um instrumento jurídico. Ele não é eles tiveram a ideia e tal, ele é um decreto municipal. é lei. É lei. Então, há uma responsabilidade de execução, há uma uma responsabilidade não só nossa enquanto servidores e servidoras, mas também eh dos gestores, prefeitos, secretários, né? Enfim. Então é isso. Eh, a demanda vai surgindo e ela vai nos apontando também o que fazer, porque parece que não, né, Dani? Se você pegar o Estatuto da Promoção da Igualdade Racial, eu sei que a nossa luta vem de muito tempo. Eu costumo dizer que a nossa batalha ela não é a oca, ela já vem de muito tempo, mas a lei não. Então esse ordenamento jurídico que traz a realidade a algumas ações é muito novo, tudo muito novo. Você vê o plano é 2019. Aí nós tivemos aí eh 7 anos praticamente sem uma conferência, porque todas as vezes que surge uma conferência, eu não sei se você sabe, mas vem um saber novo, vem uma uma ação nova, uma necessidade nova, um novo apontamento eh de saberes, né? Mas enfim, o importante é que há vozes negras na cidade de Campinas produzindo muito, mas muitas ações para para que haja equidade eh racial e religiosa no nosso município. Com certeza. Produzindo ações, produzindo conhecimentos, produzindo saberes, produzindo luta. É, Campinas. Campinas ele é um celeiro, né? E referência. Quando você olha a pr pra questão da ah do campo intelectual, né, dos militantes orgânicos ou não orgânicos, isso aqui é um é um celeiro. Perfeito. E falando e e falando nisso, uma coisa, né? Você falou de novidade, né? Novidade que nós teremos em breve aí, eh o o o para que exatamente esses conhecimentos possam ser publicizados, né? Nós teremos o lançamento pela Prefeitura de Campinas de um repositório de obras de produções intelectuais dos nossos servidores, dos servidores públicos de Campinas. Ali eles poderão depositar as suas teses, as suas dissertações, os seus artigos, os seus livros, enfim, para que o público tenha acesso a esse espaço, né? Eh, mas vamos falar um pouquinho do Pacto das Cidades, né? Campinas recentemente tornou-se signatária do Pacto das Cidades antiracistas, né? E eu sei que você tem uma participação gigante nesse processo. Eu acompanhei um pouquinho, né? O que que muda, né, para Campinas, eh, a partir do momento que ela adere a esse pacto, fala primeiramente, muito rapidamente, né, pra gente poder explorar você um pouco mais, o que é o pacto e o que que muda, né, nesse localmente com a a assinatura. O pacto nada mais é do que eh cidades eh se compromissando a efetivar políticas de promoção de igualdade racial, de reparação de igualdade racial através do do dos órgãos que nós chamamos de órgão PIR, né, que seria conselho, conselho com fundo, coordenadoria de política, uma secretaria, né, um um um [limpando a garganta] centro de custo para que a política possa ser estabelecida e um plano municipal de promoção de igualdade racial. Então, eh, são quatro pilares que você precisa, desenvolver e e e essa questão da coordenadoria que ela tenha recurso, né? E Campinas, na verdade ela adere, mas já tendo tudo isso funcionando. É verdade. Você tá entendendo? Ela derecas. Para você ter uma ideia, você que é da área da educação, educação ah antiracista com foco na no primeiro momento eh da história da África desde dos anos 90. Ah, o conselho é 2001. Então, antes da 10.639, antes do Estatuto da Promoção da Igualdade Racial, Campinas já fervilhava institucionalmente com políticas, né? E o pacto é é responsabilizar o poder público paraas nossas pautas. Excelente. É, eu acho que esse é o termo. O prefeito ele ele se responsabilizou assinando, dizendo: "Eu não souente um signatário, mas a partir de agora eu sou um emissário dessa política aqui na nossa região". E sabe, Daniel, que ele fez isso num dia depois? ele assina, eh, traz com eles alguns prefeitos da região e no dia seguinte tinha uma reunião aí do consórcio dos prefeitos e ele estava lá com a cartilinha na mão, vocês precisam aderir e tal. Por isso que Campinas antiracista, objetivo que temos que alcançar juntos, ah, nós assinamos não por uma orientação do Ministério Público, o Ministério Público é parceiro. O o laboratório do cidade eh antirracista ou ou cidades antiracistas eh foi Campinas. Olha só, a Jaqueline Damasio, a professora Jaqueline Damasio, ela ela constrói isso com o Ministério Público lá em Jacupiranga, o lançamento assim, foi muito bacana, né? Então, é isso, é um pacto coletivo por cidades antiracistas do Ministério Público do Estado de São Paulo. E essa medida reforça o compromisso do município com a efetivação das políticas, né, eh, e dos direitos fundamentais, ah, e dessa questão do combate ao racismo, a discriminação religiosa, enfim. E a gente cumpre eh esses requisitos que alguns falam que são quatro, outros falam que são cinco para você poder aderir o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial. O Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que é o SINAPIR, ele ele deveria funcionar como o o suas e o SUS, o da assistência e da saúde, entendeu? Entendi. Muito bom. É, eh, eu acho que vale lembrar, a sua fala me trouxe uma lembrança, né, nos estudos que a nossa secretaria desenvolveu, né, para pro desenvolvimento das ações do programa de de desenvolvimento de de lideranças negras. Eh, eh, nós percebemos o quanto Campinas realmente é precursora. Sim, exato. [limpando a garganta] Precursora em muitos aspectos. Nós tivemos, por exemplo, né, na nas nossas pesquisas, a gente identificou já em 2002 uma legislação municipal que que posteriormente foi caçada, eh, que estabelecia cotas para os postos de gestão do município. Nós estamos falando de 2002, né? Já percebendo a importância das lideranças negras no serviço, no alto escalão do serviço público, essa legislação, que infelizmente posteriormente foi caçada, essa legislação já traz esse elemento, né? E o governo federal traz essa questão, né, de uma legislação que estabelece cotas para pessoas negras nos postos de decisão agora em 2023. Ou seja, há mais de 20 anos atrás, Campinas já tinha essa iniciativa, né? E agora nós estamos aí a retomar isso. Marcelo, continuando, eh, é lógico que a nossa luta é feita de desafios, resistências, de perspectivas diferentes. Eh, o que que você mencionaria como hoje o principal desafio, seja em termos de resistência, em termos de estrutura, eh, que a coordenadoria que você está à frente enfrenta hoje? é na questão dialogal. Eh, é difícil a pessoa entender do outro lado que o apontamento de uma política A, B ou CIR, ela é uma questão de estado, não é não é um projeto de governo, simplesmente acabou esse governo, eh, passa e também, Daniel, eh, quebrar o paradigma de que eh a gente quer festa. Então, construir aquilo que vai produzir uma estrutura é é é o mais difícil. Você tá entendendo por que que é o mais difícil? Porque a origem não limita o preconceito. Você tá entendendo? A origem não limita o racismo. Então, muitas vezes você encontra isso dentro eh de quem você vai buscar eh as parcerias para. Então, você tem que eh desconstruir, que é o que nós chamamos hoje com letramento racial e tal. E antigamente você tinha aquela questão da democracia racial, né, aquela coisa toda. E aí quando a pessoa ela para para olhar para você e fala: "Pô, mas essa política é necessária?" Mas é porque quando você olha aí paraas periferias da vida, ah, quando você olha as grandes dificuldades, isso atravessa mais quem? Então, a grande dificuldade da CPI, que é a sua atribuição, que é desenvolver políticas voltadas para para essa questão étnico-racial, ela ela encontra essas barreiras na formalização institucional ou não institucional dessa política para porque nós temos uma cultura de políticas universais, né? E quando você usou uma palavra aqui no início, a especificidade da questão, quando você faz esse recorte, aí cria aquele choque, né? Ó, como assim? Se já tem para todo mundo e você é todo mundo, é, mas eu sou todo mundo que eu não acesso. Me assustou. Ah, nós estávamos num nós estamos construindo um protocolo antiracista para dentro do SUAS, da assistência social. E a Elisângela, que também é doutora, ela ela nos trouxe um um um um alguns dados e teve um que me chamou a a a atenção. De 2010, de 2010 até 2021, eh o crescimento do poder aquisitivo da população negra cresceu 1.2 1,2% em quase 11 anos. Para que a gente consiga eh estar nivelado com outro lado da moeda, serão necessários mais de 170 anos, meu Deus, se vir nesse ritmo. E olha que nesses últimos 10 anos foram os anos de políticas afirmativas, ah, o o acesso com mais facilidade da nossa população aos campos das universidades. Eu me descubro um quilombola, sabe como, Daniel? Não faz lendo uma tese de uma cotista quilombola na Universidade de São Carlos. E aí um trabalho dela ali, eu comecei l ali ali, eu falei: "Ué, essa família aqui tem o mesmo sobrenome da minha família, você tá entendendo?" Aí eu liguei pro meu, para um tio avô que eu tenho que tem quase 90. Nós traçamos uma linha do tempo, falei: "Pô, se o vovô, o meu bisavô tivesse vivo, ele 90 anos, são 130 e poucos anos, né? Então, duas gerações para trás, três gerações para trás, no máximo, estava sendo escravizado naquela região. E aí eu lendo aquela tese, falei: "Não, pera aí, é minha família. Eu fui me achando, eu fui achando." Aí de repente ela faz lá, traz o nome das pessoas que herdaram a fazenda Santa Cândida, Mário Bento, Osvaldo Bento, Arlindo Bento e eu sou filho de Antônio Bento. Que coisa. O meu tio é Mário Bento, né? E essa fazenda era a fazenda que eu brincava até antes de eu ir para um reformatório. E por que que a família, né, nesse caso, como vocês não tinham conhecimento disso, de uma herança, porque você traz esse elemento a partir do estudo de uma tese, né? Ninguém da família tinha conhecimento. Falta de estudo, né? falta de conhecimento, porque eu sou eu sou fruto do Mobral. Eu venho estudar academicamente, quem me incentiva a ir para uma faculdade é o professor Odair Marques, que foi o meu chefe, ele foi meu meu secretário em Hortolândia. Olha só, eu venho do rádio, sempre comunicativo e tal, mas eu nunca tinha acessado um banco de uma universidade, de uma faculdade. Cara, eu vou fazer 60. Você imagina a as dificuldades? Eu vou para um colégio regular depois que eu entro no orfanato e com aqueles atravessamentos não passava de ano. Você você enfrentou uma época que não passava de ano? Eu enfrentei tudo isso. Falta de conhecimento. A minha mãe, ela é viva 84 anos. Ela não, eu trabalhava naquela fazenda, mas a senhora recebia? Não recebia. Meu Deus. Mas eu era feliz porque no final de semana tinha tinha um forró. Meu avô Arlindo Bento, ele era sanfoneiro, ele alegrava. E o meu pai ele sai eh moço de agudos porque ele foi jogador de bola de futebol. E aí alguém lá da fazenda falou: "Pô, esse menino joga muita bola, eu vou levar ele para São Paulo". Ó que interessante. Nós estávamos no estado de São Paulo porque a Gudes é São Paulo, mas ele falava que São Paulo era capital, entendeu? E e minha mãe não tinha ideia se meu tio avô que tem quase 90 eh lá em Agudos, ele não tem ideia que o trabalho que ele exercia era análogo, era escravidão. Era escravidão pura. Poxa vida. Porque ali você morava, mas o que você recebia você não recebia, porque a venda era tudo ali, Daniel. Por isso que eu falo, eu tenho uma prima de sangue, Cláudia Alexandre. Claudinha Alexandre, ela é escritora, ela é uma doutora, ela é uma intelectual do movimento negro. Maravilhosa, maravilhosa. Ela tem o dois livros que são jabutis, que é os orixás ah no samba e Exu Mulher. Ela também ficou sabendo que ela é uma descendente de quilombola depois de ter defendido várias teses. Olha, Marcelo, deprendendo aí alguns elementos da sua fala, né? A gente tá falando de estratégias, né? Estratégias de evolução, estratégias de acesso, né, a espaços que não são destinados a nós naturalmente, né? A gente tá falando aqui o que você traz, né? que você passa a ter informações, você passa a ter conhecimento da de coisas que são caras para você e paraa sua família a partir do momento que você estabelece algum nível de conhecimento. Então, pros nossos servidores, pras pessoas que estão chegando, sejam aquelas que chegam já, né, portando aí e eh eh diplomas de nível superior ou mesmo as pessoas que acessam o serviço público ainda, né, com diplomas de de com certificados de ensino médio, o investimento em conhecimento, o investimento em formação é estratégia fundamental. Sim, no geral pra população, no geral pra população, mas em especial pra população negra, né? investir nisso. E fica claro na sua fala que a a partir do momento que você começa a investir, que você é incentivado, né, a investir no seu conhecimento, na sua formação, isso faz toda a diferença. É, essas coisas foram escurecendo na minha vida a partir do momento que eu vou me envolvendo, que nem quando eu eu trago aqui para paraa nossa fala da Célia Zenaide, a a Teresa, né, o Celso da Unicamp e tal, eh eh esse povo eles foram passando para mim. Aí a mãe Dango foi trazendo para mim falando: "Filho, apesar da sua religião, você é um dos nossos." E aí eu eu me lembro de um texto de Solano Trindade, quando ele diz: "Eu fui batizado na igreja, mas aos sons dos tambores de África. O vento trazia essa sonoridade e aquilo mexeu um pouquinho comigo, sabe?" E aí depois eu fui fazer parte de um de um movimento que discutiu o cristianismo a partir do Egito, a partir de África. Eh, até uma dica boa. Ele ele é GM aqui dentro do nosso município, o Donizet, o Doni. Eu acho que você eh deveria ouvir a as vozes eh desse negro eh que que foi se descobrindo e trazendo pra gente algumas leituras importantes, sabe? E mas eu venho aprendendo, fazendo, eu venho, eu eu descubro o que que é racismo estrutural. Eu descubro o que que é um racismo religioso, porque até então quando eu sofria ou quando eu fazia alguém sofrer, eu não tinha ideia. Você não identificava. É, é, é, é a questão do racismo de entretenimento. Sim. Quando alguém me chamava daquilo que eu não vou repetir o nome, eu eu eu dava risada, eu achava bacana aquilo. Aí quando tira essa casca que eu falo: "Não, pera aí, isso é uma é racismo, isso é um crime que eles estão cometendo comigo." E é isso, Marcelo. E e você traz um elemento que de repente as pessoas podem não associar a pessoas negras como nós, mas inclusive nós pessoas negras precisamos de letramento racial, né? O letramento racial, ele não é algo que apenas as pessoas brancas precisam ter, começa por nós. Exatamente porque a partir do momento que a gente tem letramento racial, a gente consegue identificar, como você diz, se estamos sendo vítimas e assim nos defender, se em alguma medida também estamos praticando, né, situações ou melhor, reproduzindo o racismo e assim vai. Bom, mas eh você falou um pouquinho da da CDPIR, mas você também é da executiva do Conselho da Comunidade Negra de Campinas. Eu preciso Conselho de Desenvolvimento. Conselho de Desenvolvimento da Comunidade. Fala o nome inteiro direitinho. Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra de Campinas. Perfeito. Muito rapidamente, Marcelo, porque o nosso tempo já tá bem avançado. Eu queria que você falasse um pouco sobre eh o que é o conselho, né? explica aí para quem tá nos ouvindo ou está nos assistindo o que é o conselho, o que é que ele faz e como é que você, né, lógico, você disse que eh me parece que naturalmente você foi adentrando a esses espaços, né, mas você ali ocupa uma posição estratégica também nesse conselho. Fala um pouco sobre isso. Eu sempre digo que eh o conselho nos tem enquanto servidores públicos, né? você é indicado, você não passa no processo de eleição, mas eh para além disso, nós somos militantes da causa e aí facilita um pouco a relação. O Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra de Campinas, ele é um órgão de caráter deliberativo e consultivo. E qual que é a finalidade dele? é promover a participação e o desenvolvimento da comunidade negra nesse processo de discussão e definições das políticas públicas, das ações eh de afirmação e e ações antidiscriminatórias, né? Então o conselho ele ele vai nos ajudando a a construir as políticas. Ele fiscaliza a gente, mas apontando pra gente o que a gente precisa fazer, eh, de fato, para diminuir um pouquinho e essa dor ah da população negra dentro, especificamente aqui do município de Campinas, né? Então, o Conselho ele se organiza tanto com o poder público, porque ele é ele é bipartite, né? Ele tem ele tem os dois, poder público e sociedade civil, né? E e dentro disso nós temos uma composição que ah contempla a sociedade eh religiosa, as entidades de religião, as entidades sociais, as entidades de h sindicatos, uma associação de bairros. Então, eh, esse grupo busca apontar pro poder público algumas políticas, algumas reivindicações, ah, através de datas comemorativas e de fiscalização daquilo que estamos ou não fazendo. E aí eu faço parte da executiva. executiva, ela pauta eh as reuniões ordinárias ou extraordinárias com ajuda da sociedade civil. Muito bem. a nossa luta, né? Você você mencionou no início que a nossa luta é a gente luta, né? E com gosto, porque a gente tem objetivos, a gente quer que a a as nossas causas evoluam, que a gente tenha aí sucesso, mas a nossa luta é uma luta pesada. Uhum. Muitas vezes eh desgastantes, dolorosas, a gente sabe, né? Para aqueles que não tm conhecimento disso, né? a militância, a a busca, né, por equidade, não é algo simples de se fazer, né, mas você tá à frente também de um movimento, assim como eu na educação, assim como, né, no meu trabalho na secretaria de gestão, a gente busca representatividade, a gente busca criar referências positivas, a gente busca identidades positivas, né? Inclusive na vinheta do nosso programa, se vocês não prestaram atenção, quem tá em casa, que nos assiste, a vinheta dos do nosso programa, ela traz personalidades negras, né, que foram inclusive extraídas desse material aqui, ó. Ah, do material do ano passado. Do material do ano passado produzido pela Cepir, que na época, né, era Cir, que a gente tem os personagens, Laudelina, que a gente tem, né, outros Cesarino, V8, o Francisco, né? Então, eh, o nosso Dias, a Marcí, a Marcília, o a nossa vinheta foi inspirada naqueles personagens, né? Então, a criação de referências positivas, né, de de identidade positiva também é muito importante. E a alegria nesse movimento também é importante, né? E você, eu sei que você também tá à frente, né, do baile Pérola Negra, na verdade. Como é que é [risadas] essa história? Muito rapidinho, vamos comentar muito rapidinho, mas fala pra gente, né, o que que é [risadas] Laudeline nos anos 50, ela ela traz essa essa organização do baile Pérola Negra, a Marcila Dias que saiu na na última, foi a primeira rainha, né, a Pérola Negra, belíssima, belíssima. E e porque não era só um baile, né? Era um ato de resistência, era um ato político, né, né? Eh, vocês não me deixam entrar aqui, eu faço aqui, mas eu faço, né? Eh, a eles aqui lombaram um espaço com belas mulheres e homens negros. E aí a Marcela, que é a atual presidenta do Conselho eh de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra de Campinas, ela reacendeu essa chama ainda no mandato que o o o Baba Moacir de Xangô era eh eh era o presidente e todo mundo isso é uma loucura, Marcela. A Marcela falou: "Não, não, não, não, não, não." Então nós realizamos, realizamos, realizamos. hoje é uma realidade. Eh, acho que entra agora no começo do ano pro calendário oficial, porque não estava no calendário oficial do município, né, do do cultural. E o baile é isso. E a CEPIR tem uma participação porque tem uma lei que a gente escolhe sete categorias de que na verdade são sete ações. E quem são as eh promotoras dessas ações? elas são indicadas para para um processo seletivo para se tornarem rainha pérola negra. E nós conduzimos também a eleição de eh de uma patrona do do baile. Cada ano é uma uma representatividade. Na no último ano foi a marquesa. A marquesa ela falece e aí muito viva isso na nossa memória. A gente traz ela como a grande rainha pérola negra do do do evento do ano passado. E e escolhemos através do conselho sete eh rainhas e o conselho realiza o baile. A CPIR não, né? mais conhecida como CPIR, que é CDPIR, ela não realiza o baile, ela colabora na realização do baile. Nós fazemos o concurso, que é um decreto que nós temos a obrigatoriedade por lei de realizar a o concurso. Aí a Marcela falou: "Mas tem um baile, nós vamos resgatar o baile." E aí ela pegou, usou Laudelina, o nosso prefeito é apaixonado por Laudelina. E assim foi. É, assim foi. A cultura abraçou essa causa nossa e eu tenho que tirar o meu chapéu pra cultura que abraçou essa questão. E o baile Pérola Negra, ele é feito por três mãos, né? A cultura, assistência via a Ceddepir e o conselho que a Marcela bravamente vai conduzindo junto com a Mirna. Eu não posso nem falar, a Mirna foi muito importante no último bairro de Perula Negra. A Mirna é prata da casa aqui da Câmara Municipal. Casa foi a a cerimonial de cerimônia MC. Foi a Mirna. Grande abraço, né? A Mirna que é repórter aqui da casa, a nossa Marcela Reis que é a presidenta do conselho, né? E que toca aí o baile, né? Que é um movimento tão importante como você diz, né? Não é festa, é um movimento de resistência. De resistência. Marcelo, nós estamos chegando ao final aqui do nosso bate-papo. Parece que começou [roncando] faz dois minutinhos, né? Mas eu preciso que você deixe uma mensagem, né, na sua finalização, que você deixe aí uma uma mensagem em especial, né, pros nossos jovens servidores que estão ingressando no município, que aspiram, né, posições aí de lideranças, que aspiram a oportunidade de ascender em suas carreiras. Enfim, queria que você deixasse, né, sendo uma referência, sendo uma voz negra, tão importante como você é, que você deixasse aí uma mensagem e já fizesse a a sua a sua finalização. Primeiro agradecer aos Vozes Negras, né, ao Lideranças Negras por essa oportunidade. A você, Daniel, meu muito obrigado. Sou seu fã, tá? E eu quero terminar usando dois textos que nós colocamos na nossa cartilha. e que tá sendo distribuída no município. Nós estamos com esses layouts aí em 42 pontos do município, daqueles painéis, dando, é, dando visibilidade. Eh, nós chamamos de pirulito aqui, eu não sei se é uma linguagem técnica, né? Estamos também naquela eletromídia. O lugar de fala não é um grito para silenciar o outro, mas um convite para que cada voz seja ouvida a partir da sua vivência, reconhecendo o lugar social que ocupa para construir uma sociedade mais plural e justa. A de Jamila Ribeiro que escreveu isso, nós transcrevemos aqui para dentro da nossa cartilha. E Campinas antiracista é um compromisso político, é um compromisso de Estado, mas também é um compromisso coletivo. E esse objetivo é um objetivo que nós temos que alcançar juntos, homens, mulheres, crianças, religiosos, não religiosos, enfim, é uma luta que não é só nossa, né, mas é de todos. E eu quero agradecer a você, Daniel, a Câmara Municipal, por nos dar esse espaço para fazer com que as nossas vozes eh cheguem mais longe, né? Nosso. Eh, muito obrigado, muito obrigado mesmo. E sempre que precisar conte com a gente. Nós é que agradecemos. Bom, quero te agradecer profundamente pela tua presença aqui hoje, né, Marcelo Rezende Bento, pela generosidade em compartilhar com a gente os seus saberes, os seus percursos, as suas visões e ajudar a iluminar o caminho de construção de uma Campinas mais igualitária e mais justa. Eu agradeço também a todas as pessoas profissionais da Câmara Municipal de Campinas, né, que estão aqui fazendo com que esse trabalho possa se materializar, aos profissionais da Secretaria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, à sua secretaria, né, por permitir a sua presença aqui. Enfim, e eu convido a todos vocês que nos ouvem, né, aos ouvintes, que compartilhem o episódio, assistam os outros que já estão aí também rodando e acompanhem toda a nossa temporada, tá bem? O Vozes Negras de Campinas é um convite para ouvir, para refletir, para transformar e fazer parte dessa história. E dessa forma nós encerramos esse encontro de hoje, né? Com muita satisfação, com muito prazer e muita gratidão a todos vocês que estão em casa nos ouvindo. Grande abraço. [música] [música] [música] [música] [música]
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