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Vozes Negras de Campinas | Francis roberta e cleiton peniche
Em destaque · HD Vídeo · VOZES NEGRAS DE CAMPINAS

Vozes Negras de Campinas | Francis roberta e cleiton peniche

155 views Publicado 23/11/2025 HD · 50:30

Descrição do vídeo

Neste episódio especial do Vozes Negras de Campinas, você vai conhecer duas trajetórias potentes, emocionantes e transformadoras dentro do serviço público municipal. Convidamos Francis Roberta de Jesus, orientadora pedagógica, doutora em educação, produtora executiva da Educa TV e integrante do GT de Educação Antirracista, e Cleiton Peniche, pedagogo, psicopedagogo e profissional com passagem pela docência, direção escolar, supervisão educacional e atuação no cerimonial do gabinete do prefeito de Campinas. O episódio traz um diálogo profundo sobre educação antirracista, liderança negra, ancestralidade, mobilidade social e os caminhos possíveis para que profissionais negros possam acessar, permanecer e se destacar no serviço público. A conversa conduzida por Daniel Estevão mergulha na construção das identidades profissionais dos convidados, abordando desde a infância marcada por desafios, passando pelas primeiras oportunidades de estudo, até a decisão de trilhar o caminho da educação e da gestão pública. Francis compartilha como sua trajetória é atravessada pela força de sua mãe, uma mulher negra que enfrentou situação de rua e sempre sustentou o valor da educação como ferramenta de transformação. Ela revela como a formação acadêmica — da graduação ao doutorado — se conecta com sua prática, sua atuação pedagógica, seu trabalho na Educa TV e sua visão de educação antirracista como compromisso ético e político. Já Cleiton Peniche revisita suas raízes no Vale do Ribeira e a influência das culturas ribeirinha, quilombola e caiçara na construção de sua identidade. Ele compartilha lembranças da infância, a entrada no CEFET, o contato com movimentos negros locais, a consciência racial que amadureceu quando chegou à rede pública de Campinas e o impacto dessa transformação em sua prática profissional. Cleiton também apresenta o processo de criação de seu livro “Vini e a Cor da Gente”, obra que reflete uma revisão crítica de sua trajetória e propõe uma reflexão sensível sobre representatividade e racismo nas escolas. Durante o episódio, você vai descobrir: ✔️ Como a ancestralidade e as vivências pessoais moldam lideranças negras no serviço público. ✔️ Os desafios enfrentados por servidores e servidoras negras ao ocupar espaços de decisão e visibilidade. ✔️ O poder da educação antirracista na prática escolar, na gestão pública e na produção de conteúdo. ✔️ A importância do concurso público como via democrática de acesso a carreiras de Estado. ✔️ Como trajetórias individuais podem inspirar e fortalecer uma nova geração de profissionais negros. Este episódio faz parte das ações do Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras na Gestão, uma iniciativa da Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, em parceria com a Câmara Municipal de Campinas. O programa tem como objetivo identificar, valorizar e capacitar servidores e servidoras negras que atuam ou aspiram assumir posições de liderança, ampliando a equidade racial no setor público. Assista ao episódio completo e compartilhe esta conversa que reafirma a potência das vozes negras que constroem diariamente a cidade de Campinas. Deixe seu comentário sobre a trajetória que mais te inspirou e apoie este conteúdo para que ele alcance mais pessoas! 💛🖤 Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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[música] [música] [música] Olá, ouvintes. Sejam muito bem-vindas, muito bem-vindos a mais um episódio do Vozes Negras de Campinas, o podcast que dá voz às trajetórias, práticas e lideranças negras que fazem a diferença em nossa cidade. Eu sou o Daniel Estevan e hoje nós temos um episódio duplo especial. Vamos ouvir dois profissionais negros com trajetórias de destaque de destaque no serviço público de Campinas. Este programa é uma iniciativa da Prefeitura de Campinas por meio da Secretaria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas em parceria com a Câmara Municipal de Campinas, a Casa do Povo e faz parte das ações do nosso programa de desenvolvimento de lideranças negras na gestão, que visa identificar, valorizar e capacitar e eh além de dar visibilidade a servidores e servidoras públicos negros e negras que ocupam ou aspiram a ocupar espaços de liderança. Quero desde já apresentar os nossos convidados. Nós temos aqui a Francis Roberta de Jesus, que atua como orientadora pedagógica, produtora executiva da Educa TV, é integrante do GT de Educação Antiracista, uma pesquisadora que une formação acadêmica e atuação na prática escolar. E aqui do outro lado nós temos o Cleiton Peniche, que é um pedagogo, um psicopedagogo com uma trajetória docente, uma trajetória de direção de escolar, de supervisão e atuação no cerimonial da prefeitura junto do gabinete do prefeito, com forte ligação com a cultura afro-brasileira, a valorização da comunidade negra e a educação antirracista. Hoje vamos não só conhecer as suas trajetórias, mas também investigar as estratégias que eles utilizaram para avançar, os desafios enfrentados como profissionais negros no serviço público e o que aprenderam para apoiar novas lideranças negras. Francis, Cleiton, sejam muito bem-vindos ao nosso podcast. Obrigado. Tudo bem com você, Francis? Obrigada. Tudo bem, tá tudo ótimo. Obrigada pela oportunidade. Tudo bem com você? Cleiton, tudo ótimo. Melhor agora, eh, ocupando esse espaço aqui nesse programa incrível que vocês estão lançando. Parabéns. Maravilha. Bom, vamos começar então conhecendo um pouquinho de vocês, né? Eu já falei um pouquinho aqui, né, do do perfil de vocês, mas vamos falar um pouquinho mais. Ô, Francis, eh, conta para quem tá escutando a gente, eh, quem é a Francis Roberta de Jesus, né? fala um pouquinho, né, do início da sua formação, um pouquinho da sua trajetória, né, passando inclusive pelo doutorado. Nós temos aqui uma doutora, né, a sua atuação como alfabetizadora, professora, orientadora pedagógica e produtora executiva da Educa TV. Eh, quais foram os seus primeiros passos e o que que te motivou a seguir esta carreira? Eh, excelente pergunta, né? sempre muito complexo falar de nós mesmos, mas eu digo que o motor dessa minha formação é uma mãe preta, empregada doméstica, que já viveu em situação de rua aqui em Campinas. Ela veio de Rio Claro, de uma situação que ela vivia num lar adotivo, ela recebeu a maior idade, com 14 anos de idade disseram para ela que ela tinha 18 e que, portanto, ela podia tomar o rumo da vida. Então, essa mãe foi uma mãe em solo, uma mãe solteira, que teve meu irmão mais velho com eh seus 18 anos de idade, de 18 para 19. E ela trabalhava numa casa de família e essa família quando soube que ela estava grávida, eh, falou que ela não podia mais trabalhar lá, né? Então, ela morou, teve o filho em situação de rua, que é meu irmão mais velho, Paulo. E essa mãe sempre valorizou os estudos. Ela sempre me disse: "Eu limpo, eu vou limpar a casa das outras pessoas para que você não faça a mesma coisa e não tenha a mesma história que a minha." Então, estudar sempre foi um valor que ela nos passou. Eh, os todos os filhos da Rosimeir e aqueles que saíram do ventre dela e aqueles que não, porque ela criou muitas pessoas e cachorros, né? a história dela tem a ver com isso. Então, quem me deu essa condição foi minha mãe. E eu não posso contar minha história sem contar minha ancestralidade, que no caso ela chega até minha mãe, quem eu tenho antes na família antes dela, eu não tenho noção de quem seja, porque ela não conheceu os pais, ela não conheceu os avós e assim por diante. Então, eu sempre estudei em escola pública, né? Eu estudei no Cambuí, né, ali no João Lourenço Rodrigues, mas eu tive o privilégio de estudar nessa escola. É uma escola estadual, mas que fica ali no Cambuí, que era muito difícil de conseguir uma vaga. Mas porque eu morava com a minha mãe numa casa de uma família que ela era empregada doméstica e essa patroa conseguiu essa essa vaga para mim ali e depois eu fui pro Cristiano Volkert. Eh, depois eu eu prestei o vestibulinho e eu prestei só estudei no Bento Quirino, no Bentão, na ET Bento Quirino, né, na na pública, por conta dessa mãe que ela viu a filha da patroa dela estudando pro vestibulinho, ela fez um pré-vestibulinho, ela pegou esses livros e falou: "Ela vai entrar numa escola assim, você vai entrar também". Então ela pegou esses livros depois dessa filha da patroa usar, me deu. E depois foi assim, na hora do vestibular eu tive professores da escola pública que me falaram que o vestibular existia, porque eu dentro do meu mundo era ali no técnico, né, que as coisas já eu já iria pro mercado de trabalho. E então foi quando eu prestei o vestibular, né, eu prestei fazer um ano de cursinho. Eu entrei, na verdade, no curso de economia e mas quando eu tinha quando eu entrei no vestibular, eu acabei fazendo a migração pra área da educação por atravessando a rua, né, na Unicamp, né? Eu entrei no instituto, atravessei a rua e fui pra educação e fui muito feliz nisso tudo, porque me instiga muito essa questão do processo educativo. E lá na Unicamp, desde 2005, eu permaneci aí eu fiz o mestrado, doutorado e também entrei na rede municipal de Campinas, que foi um sonho, mas eu só entrei em 2015. Antes disso, eu também trabalhei numa rede pública na de Vinedo, como professora alfabetizadora, mas eh a minha trajetória é sempre de eu falo pras crianças, eu terminei a escola e voltei pra escola, né? Isso aí. Então é essa a trajetória. Maravilha. Depois eu vou querer saber, né, como é que você chega, né, aqui na prefeitura municipal de Campinas. Antes, porém, vamos saber quem é o Cleiton, Cleiton, estamos curiosos, né? O que que te fez eh o que que te levou a trilhar esse caminho? Bom, tem muita coisa aí, mas eu vou tentar resumir. Primeiro dizer, Daniel, mais uma vez que é uma alegria muito grande estar aqui contigo nesse programa que com certeza vai fazer diferença na vida de muitas pessoas, sobretudo as pessoas negras que buscam e precisam de uma motivação a mais para continuarem a caminhada. Eh, aqui a batalha profissional de crescimento pessoal, enfim. E depois dizer que é uma honra muito grande est ao lado da Frances, da Dra. Francis, que é uma referência para todas as mulheres, sobretudo as mulheres negras, as mulheres pretas que a gente conhece, que também vem nessa caminhada de enfrentamento ao racismo, buscando ocupar um espaço eh cada vez melhor na sociedade. Bom, o Cleiton Penich é um menino, eu ainda me considero assim, de uma cidade bastante pequena na região sul do estado de São Paulo, cidade de Registro, lá no Vale do Ribeira, lá na divisa. lá na divisa com o Paraná, quase depois só mais três ou quatro cidades para então a gente encontrar o estado paranaense. É, e um menino que eh nasceu também em um berço bastante simples, né, humilde, eh, e, e com uma família de classe baixa e que aos poucos foi percebendo a existência dele no mundo e enfrentando os desafios para conseguir eh chegar onde chegou. Eh, esse menino eh teve poucas referências diretas na família, né? Porque os meus pais naquela época ainda não tinham nem a formação de nível médio, né? Então eles não conseguiram naquele momento mostrar um horizonte mais amplo, eh, diferente daquele que eles conseguiam enxergar. E a vida foi mostrando que era possível ir um pouco além. E então fui encontrando respostas aí no convívio social, na escola, com orientação dos professores, dos mestres, com os bons exemplos que eu tive na escola, na igreja, na arte, na música, na capoeira, enfim, em tantos outros espaços que eu pude frequentar. E assim fui alargando os meus horizontes até chegar a este momento aqui em Campinas. Muito bem. Eh, você começa, né, a tua trajetória é na educação, pelo menos aqui em Campinas, a sua trajetória é você acessa o serviço público campineiros num espaço de educação. É isso. É, na verdade eu acessei a educação lá na minha cidade natal. Foi a minha primeira profissão, de fato, profissão formal, eu diria. Mas confesso que foi um pouco por acidente. Ah, tá. Porque o o que acontece, eh, quando eu ingressei no CFAN, eh centro específico de formação e Aperfeiçoamento do Magistério, que infelizmente não existe mais, eh eu era, eh, ajudante de pintor e ajudante de pedreiro. Então, eu preparava a massa de concreto pro pedreiro poder e fazer a calçada, eh, rebocar a parede. Eu eu pintava algumas casas na companhia de adultos que me convidavam para trabalhar. Uhum. E ali eu entendia que eh eu precisava fazer algo mais eh para que eu saísse daquela atividade que, embora fosse muito honrada, era bastante penosa. Então na época eh eu fiquei sabendo do teste para entrar no Cfã, era o vestibulinho do Cfã. E fiquei sabendo que nessa escola a gente estudava o dia todo e ainda ganhava um salário mínimo. Eu falei: "Então, eu vou estudar o dia todo, ou seja, não vou ficar carregando massa de concreto, não vou ficar pintando casa e o estado ainda vai me pagar". Essa ideia sou bastante interessante para mim. Então eu fui lá curiosamente procurar saber, me inscrevi, fiz o teste, passei e ingressei no CFAN com a ideia de estudar ganhando dinheiro. Não exatamente porque eu sentia que a minha vocação era ser professor. E dali surgiu uma paixão, um flirt, um encantamento que fez com que eu continuasse na carreira. Maravilha. Francis, [limpando a garganta] eh, você tem doutorado, você atua aí, né, na intersecção entre prática escolar, produção, né, e, eh, de conteúdo televisivo, educação de jovens adultos e tudo mais. Como que essa combinação de áreas ajudou a consolidar essa sua trajetória de liderança, de destaque? Olha, eh, são muitos desafios, né? a gente eh eu fico pensando que a formação inicial, tanto o doutorado também ajudaram a pensar que o ser humano é múltiplo, né? E que a gente é feito de muitas linguagens. Então, dentro dessa perspectiva, até dentro de uma perspectiva multi eh cultural também, eu entendo que a ajuda com que a gente com que o a formação acadêmica seja uma base para aquelas ações que a gente vai precisar ir desenvolvendo de acordo com a prática, né? Desculpa. E dentro de cada situação, dentro de cada eh, como que eu digo, de cada função que a gente tem, eu fico pensando que a gente tá performando aquela atividade. Então, e essa formação me ajuda a ser professora e sendo professora também ser orientadora pedagógica. em sendo orientadora pedagógica, ser produtora executiva dentro de um canal de TV, mobilizando ali o currículo da rede municipal eh de de ensino de Campinas, né? Então, eu fico pensando que tá tudo misturado e que algumas faces aparecem mais dependendo da linguagem e da tarefa que a gente precisa desempenhar. Mas em todas elas, essas identidades são múltiplas e elas acabam eh se misturando ali, né? Eu não vejo o meu fazer dentro da, seja dentro da escola, dentro da sala de aula como professora ou como produtora executiva ou como membro de um grupo de trabalho, eh, e alijado, separado dessa formação. Eu entendo que a formação me ajuda a ter um olhar crítico, a pesquisar, né, sempre que a gente precisa. Quando eu cheguei na Educa TV sobre a função, o Daniel foi a primeira pessoa, né, que me recebeu. Ele trabalhava, foi meu colega de trabalho, né? Eu cheguei a acompanhar o Daniel nas jornadas, uma semana acho que foi, né, na jornada de trabalho dele. E eu falei: "Gente, como faz isso? Que mundo é esse?" Mas essa formação acaba ajudando a pesquisar, a estudar e fazer cursos, né? que são mídias digitais, televisivas, um pouquinho de questão técnica também para conseguir desempenhar essa atividade. E eu não vejo nenhuma dessas performances, dessas tarefas, dessas funções se eh fora de uma postura investigativa. Então, eu acho que a grande contribuição da minha formação é isso, é pensar que diante de qualquer desafio vamos pesquisar, vamos estudar para poder saber com quem já tá há mais tempo nessa função e com o legado, né, que a academia deixa para poder fazer as tarefas que a gente tem no momento. Muito bom, Francis. E nós estamos falando de trajetórias, né? O Vozes Negras de Campinas tem esse objetivo, né? Falar de trajetórias. E você já descreveu a sua trajetória nesse espaço de tempo que você chega na prefeitura de Campinas, né, via concurso público. Isso é um destaque que a gente tem dado, né, para quem está nos ouvindo. Os servidores que nos ouvem já conhecem esse esse caminho, né? Mas aqueles que não são servidores saberem, né, que é possível você acessar o serviço público via concurso público, você chega na condição de orientadora pedagógica e você escala, né, você eh eh desenvolve aí uma trajetória e hoje você é produtora executiva de um canal de TV. Aí conta para nós o que faz uma produtora executiva. Faz tudo de produção, [risadas] faz tudo que precisa, né? Então a gente tem um um processo, né, para chegar no produto final, para chegar naquele naquele eh naquele programa. O que isso? Aquele produto que tá vendo, sendo visto na TV, tem todo um processo anterior, né? a gente tem uma roteirização. Em cima desse roteiro, a gente tem a leitura do roteiro, o estudo, saber quem vai ser o apresentador ou quem vão ser os atores que vão performar, né, aquela fazer aquele programa. Depois a gente tem roteirização da edição. Depois a gente tem as correções da edição. Depois lá como tudo tem Libras, né? É acessível em Libras. Depois tem o processo de ir para Libras, depois a gente confere também e tu a gente corre atrás de tudo que precisa para produzir, que nem aqui. Ah, é um videocast, precisa de microfones, de uma mesa, de uma cortina, de uma eh de uma tela. Então, a gente vai atrás de arrumar tudo isso, eh, dentro das condições que a gente tem, né, de ter esses elementos. Então, a gente produz tudo isso, mas a gente trabalha desde a concepção. A gente fala que o programa nasce ali no momento do conceitual. Então, a gente tem que pensar o que é o programa, qual é o nome dele, qual é o objetivo, para que público ele é, qual é a relação curricular que ele tem em relação ao currículo, à diretrizes municipais de Campinas e a Base nacional como Curricular, a LDB também, ou ECA. Então a gente costura esse conceito e dentro de tudo que a gente vai fazendo, mesmo que seja algo que seja de diversão, a gente não pode trair esse conceito. Então é, as pessoas dão várias ideias, ah, podia isso, podia aquilo, mas a gente volta sempre pro conceito que ele é a essência daquele programa. Então, a gente faz tudo [risadas] como produtor executivo. É, eu eu nos nos agradecimentos aqui do nosso podcast, eu sempre comento da galera que tá aqui na nossa frente, ó, que vocês não estão vendo, né? Tem uma galera aqui na frente que faz isso acontecer, né, e que tem que também atua muito neste universo, né, que você descreve aqui pra gente. Muito bom. Ô, Cleiton, você tem assim uma uma referência cultural muito forte, né, quando a gente conversou previamente, você fala da sua influência da cultura Caiçara, ribeirinha, quilombola, você tem, né, uma militância local lá na na sua terra e tudo mais. como é que esse movimento, né, lá traz ou essas influências, como é que elas reforçam a sua, a sua identidade profissional e de que forma que isso favoreceu você ter a visibilidade que você tem hoje no serviço público? É, são, é uma pergunta bastante completa e complexa, porque tem vários fatores aí que que influenciam muito nisso. Mas, eh, se eu for fazer um resgate agora, eu vou dizer o seguinte: eh Registro é uma cidade que tem uma história ligada ao rio Ribeira de Iguape. Então, o o a formação da cidade começou à beira do rio, tá? E o nome registro é porque ali era registrado o ouro que era retirado da da região. Então o ouro encontrado na região era transportado por meio de embarcações. Essas embarcações paravam exatamente naquele ponto da cidade de registro, fazia o registro do ouro e depois seguia. Então, o nome da cidade eh se dá por conta disso. A casa onde eu morei, dos meus zero até os 6 anos, fica bem ou ficava, que agora não existe mais, ficava bem próxima a este ponto, bem próxima ao rio. Então, aqueles episódios, por exemplo, de enchente, grandes cheias, eu vivia de perto. Tanto que eu e meus amigos brincávamos eh na enchente, que não era correto, mas escapava da vista da mãe. E aí você sabe como é que funciona, né? Leque é moleque, [risadas] criança. Então a gente a gente reunia os amigos e brincar na enchente montado em cima de uma porta de madeira qualquer. Então essa foi a realidade da minha infância. eh vivendo ali à beira do rio, lá em Registro e na região, existem várias comunidades ribeirinhas, ou seja, aquelas que vivem numa relação íntima e estreita com o rio, né? Eh, então eu já nasci e cresci meio que dentro desse contexto da comunidade ribeirinha e aí saía com o meu pai para visitar todas as fazendas e sítios mais próximos de onde a gente morava, que é onde estavam as comunidades ribeirinhas. mais tarde, Daniel e Frances, eh, eu passei a ter uma relação diferente com tudo isso, porque eu exerci uma atividade de liderança que me punha em contato com as lideranças desses movimentos, Caiçara, Ribeirinha. E lá próximo de onde eu cresci, existia a casa do finado e saudoso Benevides Teixeira, que era um líder negro, eh, que tinha um um trabalho bem, eh, concreto, bem efetivo junto à comunidade negra. Ele era até meio que parente meu, né? Eh, e ele fundou uma associação, mais uma referência. Benevides Teixeira, saudoso Benevides, criou a Associação dos Negros de Registro, que eu tive a oportunidade de manter um relacionamento por um longo tempo e apoiar algumas atividades. Ainda hoje essa associação existe, não com a mesma força, intensidade e dinamismo que existia na época dele, mas ainda existe em registro. Então esse contato foi muito importante para eu conseguir enxergar quais os desafios da comunidade negra na minha cidade. Enfim, num outro episódio eu tive contato com a comunidade quilombola, porque registro tem uma comunidade hoje reconhecida pelo Itesp chamada comunidade do Peropava. E eu fui até lá, acompanhei o estudo do Itespono. Demorou anos, né? Eh, encontrei lá a liderança daquela comunidade, conheci um pouco mais sobre as vivências que eles tinham, a relação com a natureza, a subsistência, enfim, tudo isso foi um grande ensinamento para mim. No entanto, eu preciso admitir que eu só consegui mergulhar um pouco mais nesse universo depois que eu vim para Campinas. Hum. Porque a rede de ensino de Campinas trata essa questão da educação antiracista de uma forma diferente que na minha cidade natal. Então, em 2020, quando eu ingresso na educação campineira, eu passo a olhar tudo que eu já tinha vivido de uma forma diferente. E eu passei a reconhecer, inclusive atitudes minhas enquanto profissional, professor de educação infantil e registro. Eu eu passei a enxergar que algumas atitudes que eu tinha, algumas falas e alguns comportamentos eram racistas. Tinham fundamento no racismo estrutural. E até mesmo por conta disso, agora vindo mais pros dias de hoje, porque tem muita história ainda nesse entremeio, né? Eh, mas nosso tempo não nos permite ir tão a fundo assim. Mas quando eu reconheci essas atitudes e comportamentos que eu tinha no passado e que eram fundamentadas no racismo estrutural, eu fiquei bastante preocupado, refleti, busquei eh eh reformular a minha forma de agir, o meu fazer profissional e me dediquei à escrita de um livro que acabou de ser publicado. Olha só que eu já sabia disso, né? [risadas] Tô simulando surpresa. Olha aí. Pois é. Então o o livro nasce quando eu olho paraa minha prática, minha prática profissional e penso: "Poxa, eu não deveria ter falado isso desse jeito". O livro se chama Vine em A cor da gente, né? E e tem duplo sentido, a cor da gente e acorda gente, né? acorda para isso, porque eu acabei acordando para algumas questões. E resumindo, a história do livro, eh, conta que um menino, eh, numa determinada atividade da escola recebe uma comanda da professora que diz: "Você pode pintar esse desenho com o lápis cor de pele". E o menino contrasta a cor do lápis e a cor da pele dele e vê que não é compatível. Então ele fica perturbado, vai para casa, tem uma conversa com a mãe, diz: "Não consegui terminar a atividade porque eu vi que na escola não tem a cor da minha pele". E então a professora reflete sobre isso, toda a comunidade escolar reflete sobre isso. Eh, a professora reformula a atividade, vem com uma outra proposta. Posteriormente, a escola provoca a fábrica de lápis de cor. A fábrica produz uma caixa de lápis de cor diferente, não com um tom de pele, mas com tons de pele e então a comunidade inteira é impactada. Então eu tô contando, né, tentando ajustar isso numa linha do tempo, onde eu cresço próximo aos ribeirinhas, aos caiçaras, eu tenho contato com a Associação dos Negros, eu tenho contato com a comunidade quilombola, mas só depois chegando a Campinas é que eu consigo enxergar tudo isso de uma outra forma, enxergar inclusive o meu comportamento, a minha prática profissional e vendo que eu errei e falhei muito no processo. Eu decido tentar corrigir isso com a mudança da minha prática e inclusive com a publicação de um livro. Coisa boa. E com certeza isso reverbera toda essa experiência, né, que você nos descreve, né? A gente tem dois aspectos aí. Eh, eh, você tem, né, uma trajetória de liderança, né, e o seu aprendizado nessa trajetória reverbera hoje na atuação que você desenvolve. Cleiton, eh, muito interessante, bonita essa essa história que você nos traz. Eh, mas voltando à sua trajetória, ah, você chega no serviço público de Campinas, né, via concurso público, tal qual nós nós dois aqui, você acessa o serviço público de Campinas no cargo de supervisor de ensino, ou melhor, supervisor educacional e algum tempo depois você vai para a atuação junto do gabinete do prefeito municipal de Campinas. de maneira bastante reduzida, ou melhor, resumida, o que é que você faz no seu trabalho? OK? Então, vamos lá, de forma resumida, eh, eu chego a Campinas e assumo o cargo de supervisor educacional. Passo então a observar todos os movimentos que a educação campineira fazia naquele momento. Momento bastante duro por conta da pandemia, momento bastante desafiador. E ali eu aprendo sobre a educação em Campinas. Logo depois desse período obscuro da pandemia que Campinas enfrentou, diga-se de passagem, com bastante criatividade, com bastante dedicação e e empenho, nós passamos a atuar presencialmente e aí eu vou ter o contato com os pares, enfim, conhecer um pouco mais a educação de uma outra forma aí com o calor humano. E em uma oportunidade o secretário de educação da época, professor Tadeu Jorge, pede para que eu faça parte de um grupo de trabalho eh por conta de um projeto que iria acontecer em Campinas, que é o Assiste Campinas. Eu fui participar desse grupo de trabalho e percebi que eu poderia dar uma contribuição na parte de comunicação, alguma coisa de produção também, porque eu sou curioso nessa área, não sou especialista igual a minha companheira aqui, mas então eu vou tentar colaborar nesse sentido. Bom, primeiro evento do Assiste Campinas com a minha participação lá no Oziel, eu vejo que há um microfone no palco, 3.000 pessoas aproximadamente no pátio, na quadra da escola, eh conhecendo tudo que estava sendo oferecido ali pela prefeitura de serviço público, etc. Mas nenhuma pessoa para anunciar a programação, microfone, as pessoas ali, os serviços sendo oferecidos, mas ninguém para explicar o contexto, explicar o que que tava acontecendo. E aí, então eu pergunto, falou: "Olha, o microfone tá ali, vocês não têm nenhuma pessoa para fazer isso?" disseram para mim: "Não, o microfone só tá ali porque vai ter uma apresentação musical depois". Eu falei: "A, então empresta o microfone para mim, por favor." Eu me atrevo então a explicar sobre a programação com a uma locução mais vibrante. E o prefeito chega, quando ele chega, depois me contaram que ele perguntou quem era aquele camarada que tava lá no palco fazendo a apresentação da programação, conversando com a população e orientando. Disseram: "É um servidor público efetivo. Ele é supervisor educacional". Ah, é da educação. Bom, pronto, tudo aconteceu. O cerimonial do prefeito assumiu, não era eu, obviamente. Ah, a cerimônia aconteceu, o evento terminou, foi um sucesso e duas semanas depois meu telefone tocou, porque no cerimonial do prefeito eh existia uma lacuna, precisava de mais uma pessoa que soubesse trabalhar com isso. E o prefeito lembrou de mim, falou: "Aquele rapaz lá, tal". Uhum. E eu fui lá saber como é que funcionava. Recebi então o convite para começar a atuar ali no gabinete do prefeito nessa área de cerimonial. Ele pergunta: "Você já fez isso alguma vez?" Falei: "Fiz várias vezes porque as formaturas das escolas eh aconteciam lá na minha cidade de Natal e eles me convidavam para fazer a cerimônia e tinha um projeto lá de meio ambiente de uma concessionária de rodovia federal, a Artéries, em que eu também era convidado para fazer a cerimônia e assim por diante." Ela falou: "Ah, então você já tem experiência com isso?" Tenho. Bom, você aceitaria? Então, aceitei, fui lá, tal. como cerimonialista do prefeito ou mestre de cerimônias, o que que a gente faz? A parte de roteiro, que a colega Frances aqui também cuida, né, de roteirização, fala do que é o evento. Então, a gente recebe as informações, vê aquilo que é mais relevante, comunicar pra população naquele evento. Eh, escrevemos um roteiro, então, e no dia da cerimônia a gente explica isso, fala: "Olha, o que tá acontecendo aqui nesse evento é tal coisa. O objetivo da prefeitura é esse. A administração trabalhou nesse sentido. Agora eu convido as autoridades, A, B, C, D, para estarem à frente, darem uma palavra, transmitir uma mensagem, uma explicação paraa população e, enfim, depois de tudo isso ocorrido, a gente faz o encerramento e os devidos registros de quem teve presente, etc. O cerimonial, basicamente ele cuida disso. Mas a grande questão aí é conseguir trabalhar essa comunicação, trabalhar com a tonalidade certa, uma voz potente, clara, esclarecedora, eh que consiga envolver, trazer simpatia pro evento, porque ninguém quer um evento formal quadrado, engessado. Então, trazer alegria, eh trazer também simpatia para os eventos da prefeitura. esse conhecimento eh da do trabalho de cada secretaria também é muito importante. Eu sou pós-graduado em gestão pública, então essa formação também me ajuda a entender a a estruturação da prefeitura. Então chega uma autoridade, eu já consigo entender quem é a autoridade, que tipo de trabalho ela desenvolve, quais são as políticas públicas que estão no guarda-chuva dela. Então consigo cruzar essas informações e trabalhar de forma que a cerimônia seja séria, ela seja eh eh ela esteja dentro de um contexto real. dentro da dinâmica da prefeitura e ao mesmo tempo que dialogue com o o munícipe que está acompanhando a cerimônia de uma maneira eh leve. Perfeito. Esse é o desafio de um cerimonialista. Muito bom. Eh, na verdade, a a sua explanação traz algo aqui para pra nossa conversa, que são as estratégias de desenvolvimento na carreira, né? São estratégias, né? Ter visibilidade é uma delas, né? Um convidado nosso de um de um de um outro episódio, ele destaca isso, né, que para você ter possibilidades, maiores possibilidades, você precisa ser um bom servidor, né? Você fazer bem aquilo que você faz. É uma estratégia, ter visibilidade, né? Porque quando você desenvolve um bom trabalho, você de alguma forma chama atenção. E isso é uma estratégia para aqueles que desejam, né, acender na carreira, ocupar outros postos, porque nem todo mundo tem esse desejo, né, mas há aqueles que que t. Então, as trajetórias de vocês mostram mostram bem isso, mas a gente sabe que a trajetória das pessoas negras ela ela é atravessada por dificuldades maiores do que de uma população não negra, de pessoas não negras, né? Então, eu queria saber de você, Francis, que você contasse pra gente de maneira objetiva, eh se você teve, se você enxergou na sua trajetória que você já descreveu aqui pra gente, na condição de uma mulher preta, eh, barreiras institucionais que de alguma forma estão ligadas ao racismo? Com certeza muitas. Eu passei a ter que estudar sobre educação antiracista e a questão do antiracismo, a questão decolonial, descolonial, contracolonial, anticolonial. Esse repertório todo me foi dado a partir do serviço público na rede municipal de Campinas. O meu ingresso foi muito complexo para mim, assim, eu vou eh narrar essa história, ela já tá esteve em outros espaços, né? Mas é a história que eu vivenciei. Eu entro com eh na rede acabado, eu tinha acabado de fazer 28 anos, então eu tinha eh pouca idade para est no cargo, né? Não era uma idade comum de se estar no cargo de orientação pedagógica. E eu recebi muitos enfrentamentos por questão da minha idade, por questão de ser mulher. Eu já tive pais de alunos que se recusavam a falar comigo porque o meu chefe era um homem. Então eles pediam para falar com um homem que era o meu chefe. E eu tive também bastante cobranças de outras chefias que inclusive uma delas chegou a me falar que eu não tinha. Ela perguntou pro meu chefe, essa essa chefia no caso, ela perguntou pro meu chefe se eu tinha formação para estar ali. Eu não imagino como alguém ocupa um serviço público, um cargo público, sem ter formação para isso. Então ela fez esse questionamento, perguntou qual era a minha formação. Ora, para eu chegar no ambiente da escola, a gente não tá passando na rua, fala: "Eu quero trabalhar aqui, entra e trabalha", né? tem uma série de questões antes pra gente poder provar a nossa formação e a competência para estar estar no cargo. E tiveram diversas ações dessa chefia de checar livros, pedir para eu mandar pauta de reunião de trabalho docente, de planejamento, de RPI, de reunião de avaliação e participativa interna para eu enviar pra chefia para ela verificar e dela estar em reuniões que eu estava coordenando para ela verificar se eu sabia e ela não era responsável por me avaliar o meu estágio probatório, né? era de alguém que tava ainda num a minha chefia imediata, ela não era. Ela chegou e teve uma vez que ela ela me orientou e verificou o trabalho, tudo, foi me dar uma devolutiva e ela falou para eu ir até uma escola que tinha uma orientadora pedagógica branca, considerada muito boa pela rede, um destaque, para eu aprender como ela fazia o serviço para eu poder fazer o meu. Então ali aqui no serviço público em Campinas eu tenho um uma outra situação agora, mas os meus quatro primeiros anos foram de muitos enfrentamentos e eu soube o que era racismo exatamente em Campinas, porque eu já era funcionária pública em outras redes e não tinha que lidar com as mesmas questões. É claro que eu estou na gestão apenas em Campinas, né? em outros lugares eu era professora, mas foram muitas situações de eu ouvir falas preconceituosas inclusive da comunidade da da escola. Eh, eh, então eu tive que lidar com todas essas questões e o jeito de eu lidar com isso foi estudando. Então, todo esse repertório que a gente discute na educação antirracista, atualização das diretrizes municipais, a gente eh escreveu o protocolo, foram dois anos de escrita do protocolo para enfrentamento de casos de e prevenção de casos de racismo, né? a gente tem um protocolo na educação, eh, a gente tá revendo as diretrizes municipais curriculares, todas essas questões, eh, que eu foi estudando, que eu que eu tive eh elementos para enfrentar todas essas questões. Você teve que mais uma vez a gente vem pra questão das estratégias, né? E no teu caso, nesse caso são estratégias de sobrevivência. Isso. De sobrevivência. E sendo mulher, sou outro do outro, né? Então é, são muitas questões. Nosso tempo tá findando, né? Daqui [risadas] a pouco a gente vai precisar encerrar. Mas eu volto para você, Cleiton, e te pergunto o seguinte, eh, na sua visão, né, diante da experiência que você tem e dos espaços que você ocupa, porque você está muito perto, né, dos espaços de decisão e participa disso, qual que é a importância de nós termos mais pessoas negras nestes espaços, sabendo que a nossa presença enquanto enquanto, né, comunidade negra, grupo negro, ainda é muito pequena nesses espaços. Pois bem, Daniel, eh essa também é uma pergunta que eh exige uma resposta bastante profunda, mas em função do tempo eu quero responder com dois comentários. Primeiro dizer que eh o ex-ministro Joaquim Barbosa, uma vez em uma entrevista disse o seguinte: qualquer negro que ingresse de uma maneira ou de outra em espaços que supostamente no ideário do brasileiro sejam reservados aos brancos, vai sofrer o racismo. de diferentes maneiras, não tem como escapar. Essa foi uma resposta que o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, ministro negro, portanto, eh apresentou a um entrevistador. Então, ser negro em qualquer ambiente e buscar crescimento é um desafio muito grande. Campinas não está isenta disso. A diferença em Campinas é que nós temos um grupo de líderes e de profissionais que se preocupam com a questão. Não que em Campinas, na administração pública de Campinas, tudo seja maravilhoso. Não. Nós temos que lembrar de todo um contexto social, como diz de Jamila Ribeiro, né? que o racismo não é simplesmente o preconceito de uma pessoa para com a outra, não é ter preconceito contra uma pessoa, não é apenas isso, é isso também, mas o racismo é um sistema de opressão. Ela classifica dessa maneira. E sendo um sistema, não é a gestão de um prefeito, duas ou três gestões, quatro, cis gestões que vão dar conta de resolver isso e transformar a realidade para aquilo que deve ser, no sentido do respeito às pessoas, as diferenças, do antiracismo e etc, mas é um combate diário. Bom, eh, entendendo isso, eu construí a minha carreira em Campinas, lutando sempre pela, eh, pelo crescimento e pela abertura de novos espaços ou facilitação eh do ingresso de outras pessoas negras que também têm esse desejo. Dessa forma, eh, eu procuro sempre no cerimonial e na educação, que é onde está o meu cargo de origem, eh ocupar esses espaços, como o programa Vozes Negras de Campinas, para dialogar, incentivar, motivar, inspirar as outras pessoas e eh e construindo essa resistência ao racismo que todos nós precisamos ter. Perfeito. Eu acho que você traz um elemento importante que a gente precisa destacar aqui, que Campinas é referência em termos de políticas afirmativas, né? Campinas sempre foi e continua sendo, né? Lembrando que as políticas afirmativas do município estão sobre o escopo da Secretaria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, né? Que tem todo um trabalho voltado para isso, né? relativo às legislações, às cotas, a a ao atendimento aos servidores eh negros e negras, enfim. Então é isso, a nós não estamos, não temos as condições ideais, mas o importante é que nós estamos avançando e a gente espera que com, né, a curto, talvez não, mas há algum tempo à frente a gente consiga eh ir melhorando esse esse cenário. Francis, pra gente encerrar, né, eu queria que você deixasse um conselho, né, pros pros jovens servidores que estão aí, que estão chegando, né, no município via concursos públicos, eh, em relação a a esse movimento, a essa possibilidade de melhorar na carreira, né? você já traz, já trouxe na sua fala vários elementos, mas que conselho você daria para esses servidores que têm, que desejam, almejam, acender na carreira? Eh, eu falei bastante sobre o estudo, né, sobre essa importância de continuar, o Cleiton também disse, né, sobre pós-graduação, o processo de estudo, então esse desenvolvimento de eh continuar se desenvolvendo profissionalmente. Eu acredito que a ideia da gente estar no serviço público, a gente tem uma ética, né, que quando a gente ingressa, tem ali uma listinha de tarefas pra gente desempenhar. Mas e a gente pode falar, o a formação mínima para eu ingressar era essa e eu posso sentar ali e permanecer, né? Só que a gente vai poder ficar reproduzindo a mesma coisa sempre. A ideia, o conselho que eu deixo é da gente sempre permanecer estudando, se atualizando, né? o que tem de novo na nossa área, a gente continuar estudando e dentro de todas as questões que a gente tiver passando no serviço público, é a gente ter um olhar crítico pro lugar onde a gente tá, quantas pessoas também poderiam estar ali conosco e não estão e quantas precisam estar naquele lugar. Porque se a população negra do país é 56%, né, entre negros e pardos, a gente deveria ter essa mesma proporção em qualquer lugar da sociedade, né? era o mínimo que a gente esperava. Então, para ocupar esses espaços e também não soltar a mão de outras pessoas. O Cleiton eh trouxe esse exemplo, né? Então a gente precisa ter esse companheirismo também, esses coletivos até mesmo dentro do serviço público, porque uma pele negra sabe o que uma as marcas que uma pele negra tem e nenhuma outra pessoa vai poder falar por nós e nada de nós sem nós. Então, a gente construir, participar dessas políticas também, desses espaços críticos e compreender as tecnologias do racismo, porque se ele acaba um dia, não sei, mas ele se metamorfoseia, ele tem outras formas, tem institucional, tem eh escolar, tem estrutural. a gente tem uma série de adjetivos aí para tipos de racismo e para estar na frente de luta e de batalha para fazer a questão das relações étnico-raciais em qualquer espaço no qual a gente estiver trabalhando, né? Então, seja na saúde, na educação, qualquer espaço tem essa postura de luta e de construção também. Lindo isso. Lindo isso. E muito profundo. Que pena que a gente não tem mais tempo, né? Tá, o papo tá bom, a prosa tá boa e eu gostaria de encerrar com você, Cleiton, né, fazendo as suas considerações finais. Bom, quero agradecer, Daniel, pela oportunidade de estar aqui contigo, parabenizar eh na sua pessoa a secretária Joseline de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, toda a equipe desta secretaria que tem esse trabalho focado eh na no reconhecimento e na valorização dos talentos dos servidores, sobretudo essa questão do desenvolvimento das lideranças negras. vocês estão de parabéns. Agradecer a Frances pela oportunidade de estar ao lado dela nesse videocast, né, [risadas] eh, debatendo um tema tão importante e eh deixando o seguinte recado, que as pessoas negras e pretas iguais a mim, que estiverem ouvindo, eh, não esqueçam que o racismo é um sistema de opressão, não se trata de uma ação isolada de uma ou outra pessoa. pessoa. E como o sistema de opressão ele existe para oprimir as pessoas negras, a população negra. E esse sistema foi utilizado por quase quatro séculos. Então, por mais que nós não consigamos enxergar de maneira evidente a existência do racismo, é impossível que uma construção feita há quase quatro séculos seja superada em apenas um século pós abolição da escravatura. Porque o que foi abolido foi a escravatura, não o racismo. Ele continua presente, enraizado em todas as estruturas, inclusive na administração pública. Então, que todos nós possamos enxergar isso de uma maneira mais profunda para que reconhecendo que o racismo ainda está nas bases da sociedade brasileira, a gente possa procurar os melhores caminhos para enfrentá-lo e assim construir uma manha melhor. É o recado que eu deixo. Muito bom. Muito bom. Francis, você quer fazer agradecimentos? Nada como estar ao lado de um cerimonial. Eu fiquei pensando nisso. Eu falei, gente, ele fez aqui muito é excelente. Eu quero agradecer eh a secretária, né, também Elane Jocelane, agradecer o Daniel, que é um foi um parceiro na Educa TV, continua sendo um parceiro de trabalho porque a gente tem o mesmo cargo, né, orientador pedagógico. Eu quero agradecer a equipe da Educa TV Campinas também, que é a minha parceria, né, que eles estão lá, né, porque e eu estou aqui neste momento. Agradecer também o Alexandre Tadeu, né, que é a pessoa que me permite também desenvolver o trabalho lá, né, a Secretaria de Educação como um todo, GT de Educação antirracista. agradecer também pela escola EMF Padre Domingo Zat, né, que faz parte da minha história, a escola João Alves também, porque o meu cargo está lá, né, e eu estou trabalhando aqui nesse momento. E agradecer muito a minha mãe, que eu falei aqui de uma mãe preta que valorizou tudo isso, ela abriu os caminhos para eu estar aqui. Então, fica a minha gratidão e a equipe também que tá trabalhando aqui hoje. muita gratidão pela iluminação, som, eh estúdio, né? Aqui cenário, toda essa questão técnica também eu agradeço. Muito bom. É isso aí, né? Aproveita esse momento dos agradecimentos também, né? Quero agradecer muito vocês pela pela presença, agradecer as suas respectivas pastas, né, o gabinete do prefeito, a Secretaria da Educação, né, por ter eh proporcionado a oportunidade de vocês estarem aqui com a gente, né, logicamente, né, a Câmara Municipal, né, que eh faz que tem a estrutura que faz isso acontecer. Eh, e Francis e Cleiton, né, a vocês enquanto pessoas, né, muito obrigado por essa conversa tão rica, inspiradora e concreta. Vocês mostraram que a trajetória profissional de lideranças negras, embora marcada por desafios, pode se dar por meio de decisões estratégicas, engajamento, formação, comprometimento com a justiça social. Aos nossos ouvintes que estão em casa, eh, lembrem-se que este episódio integra a série do Vozes Negras de Campinas, fruto da parceria entre a Prefeitura de Campinas e a Câmara Municipal de Campinas e está alinhado ao programa de [música] desenvolvimento de lideranças negras, por meio do qual buscamos promover visibilidade, rede de apoio e inspiração para novos ocupantes de espaços de decisão. Se você se identifica com esse propósito, compartilha esse episódio, marca nos comentários profissionais negros que você admira e impulsione a construção de uma rede de lideranças negras em nossa cidade. Francis Cleiton, muito, muito, muito obrigado por vocês estarem aqui, por vocês deixarem a contribuição de [música] vocês. Que agradeço. Uma honra. Eu agradeço muito. Obrigada. Obrigada. [música] [música] [música] [música]
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