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A seguir, TV Câmara ao vivo. Olá, bom dia. Quarta-feira de muita energia por aqui. E com você tá tudo bem? Começa agora o estúdio Câmara, edição de 19 de agosto de 2026, que hoje vai falar de um termo inglês que representa uma situação quando pensamos em relacionamentos amorosos. É o situations ship, a relação sem rótulo, que muitas vezes se trata com a sensação de descartar pessoas. Esse vínculo indefinido reflete uma cultura de consumo rápido, onde falta de compromisso formal facilita o afastamento repentino quando o interesse diminui ou surge algo novo. Aqui comigo, então, nós temos o psicólogo Danilo Cruz, também o psicanalista Rafael Barros. Mas antes de começar esse bate-papo interessante que a gente já conversou aqui nos bastidores, viu? Nós vamos de notícia aqui no estúdio Câmara. Campinas registrou a segunda morte por febre maculosa em 2026. O registro também é o segundo caso da doença em moradores da cidade. Neste ano, o paciente era um homem de 29 anos e o local provável de infecção é um pesqueiro em outra cidade da nossa região onde ele esteve em 17 de junho. Os primeiros sintomas ocorreram em 21 de junho e ele morreu no dia 26 do mesmo mês em um hospital do município onde fica o pesqueiro. Apesar do local provável da infecção ser em outro município, a vigilância em saúde de Campinas vai realizar orientações sobre os riscos para a febre maculosa em pesqueiros que ficam nas áreas mais próximas ao limite com a nossa cidade e também com a cidade onde aconteceu o óbito. O outro óbito registrado em 2026 foi de um homem de 74 anos que morreu em 21 de abril. A febre maculosa é considerada uma doença grave, com alta letalidade, e a infecção se dá pela picada do carrapato estrela, infectado com a bactéria que transmite a doença. A região de Campinas é uma área endêmica para a doença devido às suas características territoriais. Até novembro, Campinas está no período de maior risco de transmissão da doença, o momento em que há o predomínio das fases mais jovens do carrapato estrela. E a gente continua falando de saúde numa notícia também triste, porque a cidade confirmou mais duas mortes por síndrome respiratória aguda grave causada pelo vírus da gripe. Neste ano, as vítimas tinham histórico de doenças pré-existentes. Com isso, neste ano, a cidade conta com 338 casos e 29 óbitos. A secretaria reforça a importância da vacinação contra a gripe. Elas estão disponíveis para todas as pessoas a partir de 6 meses de idade nos 69 centros de saúde. Para vacinar basta levar um documento com foto e a caderneta de vacinação, se você tiver. Se não tiver, vai só com seu documento. Não é necessário agendamento. E neste ano a vacina é contra o H1N1, o H3N2 e também o tipo B do vírus da gripe. Agora vamos de boa notícia porque hoje é o Dia Nacional do Ciclista e Campinas tem muito a comemorar. Pela primeira vez desde 2018, o município fechou o primeiro semestre sem registrar nenhum óbito de ciclistas. em vias urbanas ou nas rodovias. De acordo com a INDEC, que é a empresa que administra o trânsito e o transporte na cidade, a redução a zero mortes neste ano é resultado de uma estratégia contínua e integrada de combate aos comportamentos que matam no trânsito. Ampliação das rotas dedicadas aos ciclistas, que conta com mais de 132 km de rotas cicloviárias, também é uma das medidas que contribuíram para este resultado positivo. E vamos agora de previsão do tempo. A quarta-feira é de predomínio de sol com umidade relativa que vai deve ficar entre 25 e 30%. E a temperatura, a mínima, deve ser de 19 e a máxima de 33º. Agora vamos ao tema do estúdio câmara de hoje. Nem namoro, nem amizade, nem um relacionamento casual. As chamadas situations chips do termo que vem do inglês mistura as palavras situação e relacionamento. É usado para descrever vínculos afetivos que na prática existem, mas não chegam a ser tradicionalmente oficializados por parte de quem os vive. Elas refletem uma mudança na forma como muitas pessoas se relacionam, marcada pela ausência de rótulos, acordos claros e também perspectivas de futuro. E para falar sobre esse tema e os prós e contras deste modelo de afeto, nós estamos hoje aqui com o psicólogo Danilo Cruz, que possui mais de 13 anos de experiência clínica e institucional, trabalha com pesquisa nos nos limites da clínica psicanalítica em instituições e diante de perversões e atende em Campinas e na capital paulista. E também o psicólogo Rafael Barros que é psicanalista também. pós-graduado em teorias psicanalíticas pelo IPEP de Campinas, atua como psicólogo clínico e também acompanha a família de jovens em cumprimento de medida socioeducativa. Olha só, eu começo falando de um estudo que foi publicado em 2025 com vocês. Sejam todos bem-vindos. Esse estudo saiu na revista Sexuality e Culture, que descreveu a Situation Ships como relações em que as pessoas agem como um casal, mas evitam colocar rótulo ou assumir um compromisso. Os pesquisadores encontraram experiências frequentemente associadas à menor satisfação. e um estudo publicado em 2026 com 261 jovens adultos encontrou a Situation Ships em 34.1% das experiências românticas mais recentes relatadas pelos participantes. Identificou a associação entre esse tipo de relação e menor confiança percebida. Com isso, eu pergunto para os dois. Afinal, as situationships ocupam uma espécie de zona intermediária quando falamos em relacionamentos amorosos tradicionais. Rafael, seja bem-vindo. Danilo, desculpe. Muito obrigado. Assim, bom dia a todo mundo que tá ouvindo a gente. Eh, eu fico pensando eh de que, na verdade, há todo um movimento desde a ideia da instauração do namoro. O namoro o que que é? é uma um combinado simbólico, uma relação simbólica que se dá, mas já é uma invenção que já vem trabalhando a ideia de que você não precisa casar, você não precisa noivar. Anteriormente você tinha o noivado e o casamento, só inventaram o namoro, mas o namoro ele é uma construção simbólica até com uma certa qualidade, mas ainda assim ele pode ser desfeito num telefonema, numa conversa, simplesmente a coisa pode se dar fim. Agora, há um esgaramento ainda maior disso, né? Uma redução da capacidade do sujeito lidar com essa com essa questão simbólica de um relacionamento. E daí então você tem ainda um relacionamento com menos compromisso ainda, né? Você namoro tem um compromisso, mas aí os você conhece os pais, você conhece as pessoas, você conhece onde trabalha, né? Você tem ali uma inserção, você é apresentado pra família da pessoa com quem você namora. Agora a situation você nem isso faz. você é meio que oculto ali na relação, né? Então, ou seja, é o sujeito mais uma vez se valendo da capacidade de não entrar em contato com aquilo que é simbólico, com aquilo que realmente o confronta, né? E para você, Rafael, como que é essa questão dessa essa zona intermediária e como o Danilo mencionou inclusive que já é um esgarçamento do próprio namoro, como você analisa isso? Uhum. Bom dia, Mina. Bom dia, Daniel. Também agradeço aí a apresentação, né, e o convite também. Um prazer tá aqui. Eh, interessante, né? Ficou ouvindo o Danilo falando assim e ficou me remete a essa história dos relacionamentos, né, das relações interpessoais, né, e pensar nessa nesse movimento que a gente tem feito eh até atualmente, né, de de tentar transformar essa essa relação um pouco mais tradicional que vem vindo desde desses tempos mais passados, né, e de como a gente tem lidado com as pessoas, com conosco, né, com nós mesmos. Sim, atualmente, né, e essa e como isso é uma construção social, cultural, né, n e que vem eh interferindo, né, positivamente ou negativamente, né, aí acho que depende de cada um do contexto, né, de como Sim. Mas essa questão aí vem, por exemplo, até o Danilo mencionou que antigamente nem existia namor, já tinha, digamos que a pessoa prometida que a família escolhia, tinha o noivado e já era para casar. Depois inventou o namoro, que era uma fase de conhecer melhor o seu pretendente. Sim. Que tem pouquíssimos anos, né? Tem. O namoro. Tem quanto tempo? Alguns séculos. No máximo dois séculos, né? No máximo. Sim. E e aí agora essa questão, eu não, eu quero estar com você. Uhum. Mas eu não quero participar da sua vida. É meio que por aí, Rafael. Eu fico, acho que fico pensando, né? Somos eh conhecidos demais pra gente não estar junto, né? Pra gente fingir que não nos conhecemos, mas também somos estranhos demais para entrar na intimidade de cada um, né? Então acho que é um pouco dessa do que o Danilo traz, né? de tentar não entrar em contato com com essa subjetividade do outro, talvez, né? Então, acredito que seja um pouco nesse meio campo mesmo, né, desse não lugar assim. Mas, Danilo, o que se colocar nesse lugar pode, na verdade, esconder algo que tá no interior de cada um. Uhum. Porque não é só uma questão de modismo, é uma proteção ou é dizer: "Olha, eu não tô nem aí e com esse tipo de situação eu consigo dizer não". Ou nem preciso dizer não. Basta eu sumir que a gente que você sabe que eu não faço mais parte da sua vida. Que que é essa falta? Ou então é mais fácil descartar as pessoas ou eu tenho medo de ser descartado? Hum. Então assim, a gente falou de casamento noivado, namoro, mas teve uma onda, talvez não muito recente, mas uns 10 anos atrás, que tinha a ideia de relacionamentos abertos, de poligamia, era a onda do momento. Mas era depois que você já tava estabelecida com uma dessas nomenclaturas. Sim. Mas se havia já uma dificuldade de se de comprometer, porque quando eu escolho uma pessoa, eu tô deixando de escolher o restante das outras, correto? Agora, quando eu tô abrindo o relacionamento, tô pensando para além disso, eu já tô tentando pensar algo que satisfaça a minha fantasia, que às vezes ela é perversa. Então assim, todos nós, apesar de sermos teoricamente neuróticos, a gente carrega dentro de nós fantasias perversas. E se o outro me dá a chance de me valer disso para ter um relacionamento com certas vantagens, né, no mundo onde essas essas vantagens, esses compromissos simbólicos não estão sendo cobrados, mas posso exercer essa relação onde eu tenha um benefício, mas eu não tenha que pagar o preço de me relacionar. Eu não tenho que pagar o preço de conhecer a sogra, velho. Não tem que pagar o preço de conhecer o sogra. Só tem o benefício. Rafael, por que que a gente quer então só o benefício e não quer pagar o preço? Uhum. Acho que é difícil, é difícil bancar isso também, né, de de ter que conhecer, né, de ter que entrar em contato, né? Eu acho que a gente, você bem trouxe, né, sobre essa, esse nosso contexto atual, assim, né, eu trago isso para para hoje, exatamente porque a gente vem nesse, nesse movimento de transformar nossas relações em consumo também, né? Sim. Então acho que é um pouco disso também, né, de poder, a lógica que a gente tá instaurado de de mercado, mercadológica, né, tanto isso tá na nossas vidas eh pessoais também, né, traz esse movimento assim pra gente, né, às vezes eh inconsciente, né, não que é uma escolha nossa, né, mas que então é isso, né, não entrar em contato também é ter uma uma facilidade de trocar, né, substituível, né? Gente, mas e aí a gente falou de namoro, de noivado, chegamos no casamento ainda propriamente dito. Teve uma fase também que se falava muito a eh principalmente com pessoas conhecidas, né, geralmente artistas. Ai, teve uma fer com alguém, teve uma fer. Agora o situation ship, quais os sinais que indicam? Por exemplo, a pessoa começa a ficar com alguém para ela falar: "Nossa, eu tô nessa nessa questão". no situation, qual é quais são os sinais? Então, o sinal é que a pessoa começa a dizer assim: "Olha, você não vai conhecer a fulana, tem uma evitação de qualquer compromisso que seja algo que aponte por um uma questão social. Ah, você vai ser apresentado pra família, então você não vai pro casamento da família, você não vai pro aniversário dos meus pais". Então, há um certo uma limitação, uma poda do quanto que essa pessoa pode entrar na minha vida. Então, mas isso tem que ser um combinado ou tem que ser algo que os dois ou as duas pessoas ali e vão sentindo e vão deixando quieto sem nomear isso? Como é, Rafael? Uhum. É, acredito que os combinados existem dentro das relações, mesmo que elas eh estejam nesse nesse momento assim de de não rotulação, né, de não eh de não nomeação nesse sentido, né? Então, acredito que quando os dois estão em sinergia nesse nesse sentido assim de ter eh essa esse combinado conjunto, né, acho que acredito que torne esse esse movimento menos sofredor, assim, né, mesmo menos com menos sofrimento, né, mas mesmo assim acho que enfim, pensando nesse nesse movimento que que não é conjunto, né, acho que é complicado, né, porque aí existe um um desconforto dentro dessa relação assim, né? Sim. E acho que o que você tá trazendo, né? O que que o que que é isso, né? O que como que a gente chega até isso, né? E acho que tem a ver com os símbolos também, né? Isso. Mas eu queria complementar dizendo dizendo que os combinados eles também não são simétricos, né? Então, numa relação, um jogo de poder, né? Assim, e alguém tem um capital maior do que o outro, seja um capital emocional, emocional, capital de beleza, tem um capital às vezes financeiro associado, né? Então, quem que o que que faz eu topar, entrar no relacionamento e ficar até um certo nível? Eu tô abrindo mão também de alguma coisa que me interessa. Sim, né? Mas é que ponto? Porque eu vou estar com alguém que me interessa muito e de repente eu alimento a fantasia que algum dia eu vou ser alçado a esse status de namorado. Um dia eu alimento isso, mas será que eu tô acreditando realmente nisso ou eu vou só usufruir, digamos assim, desse desse namoro, desse namoro não, desse relacionamento que me permite ter sexo, me permite ter uma companhia, mas eu fico ali naquele limbo, né? Eu tô pagando um preço, né? Sim. Olhe você aí de casa, o que você pensa sobre isso? Tem alguma dúvida? Já se viu nessa situação? Você pode mandar a sua pergunta aqui paraa nossa produção, que daqui a pouco a gente vai começar então com a participação do público no WhatsApp da TV Câmara Campinas, que é o 1997829377. Se você preferir, aponte a câmera do seu celular pro QRCode que aparece aí no seu vídeo e você já entra direto em contato com a gente. Agora, Danilo, você falou sobre essa questão, esse limbo. Então, eu vou dar um exemplo prático. Eh, a pessoa começa a sair com a outro, a gente vai num barzinho, a gente fica às vezes junto. Aí depois, olha, poxa, eu tenho um filho, eu tenho uma filha. Vamos sair hoje com as crianças para eles tomarem um lanche. Aí depois o outro some Uhum. Depois disso aí a outra pessoa fala: "Poxa, a gente saiu com os filhos, eu achei que agora ia virar alguma coisa". Aí o outro sumiu. Você vê, você vê que as expectativas são diferentes muitas vezes, assim, quando a gente pensa em combinados, eu acho assim que a coisa tende a caminhar de repente para uma coisa casual, tá? O que é diferente do do situação shape, né? Sim. Então, se eu tô pensando que essa relação ela tem uma assimetria, alguém está sofrendo mais do que o outro. E muitas vezes essa pessoa que procura o analista, porque a pessoa tá sofrendo, ela fala: "Eu não sei como como me virar com isso, né? Assim como as pessoas me procuravam quando estavam em relacionamentos abertos, mas quem propunha relacionamento aberto era um outro". Sim. Então, dentro dessa dessa situação assimétrica, é possível pensar assim, quem que tá sofrendo mais? Quem que tá sendo um agente eh propositor daquela relação em que vai ter limites ou outro aceitando, né? Sim. importante pensar a simetria e o sofrimento. Mas e aí, em que momento que é possível identificar esse sofrimento e a pessoa eh ou ela sai ou ela chega no outro e fala alguma coisa? Uhum. Que que acontece quando ela está nesse limbo que o Danilo falou? Rafael, acho que se torna complexo, sim, né? Acho que eh é isso, né? o que o Danilo tá trazendo sobre essa simetria assim, né? Acho que sempre vai pesar para alguém. Eh, e é isso, né? Cada pessoa tem um limite diferente, essa percepção diferente do que tá acontecendo dentro desse desse relacionamento, apesar de ser a dois, né, ou a três, enfim, né? Sim. né? E eu acho que é uma escolha assim em alguma em algum momento, né, que pode não ser fácil nesse sentido, né, de acho que não só de ter esse movimento de ação assim, né, de um movimento ativo, mas de se perceber também nesse momento, né, de pensar, será que essa relação faz bem para mim nesse sentido, né, será que esse esse vínculo faz sentido para mim, né? Então, acho que é importante a gente ter essa reflexão assim e como assim como em tudo do nosso na nossa vida, né? Mas por outro lado, quando a gente pensa, quando as pessoas se colocam nessa condição, ela está geralmente, né? Não é não não existe uma equação perfeita, viu, gente? Mas ela está pensando mais na facilidade de descartar ou no medo de ser descartado? Ah, o medo de ser descartado, ele é ele é difícil, né? A gente ninguém quer ser descartado, né? Às vezes no relacionamento, o que ocorre muitas vezes é assim, olha, por medo de ser descartado, eu descarto. Hum. Por medo de ser descartado, eu mantenho um relacionamento em que eu não possa ser descartado, porque se não há um relacionamento, eu não posso ser descartado. Então, eu sustento uma uma não relação. Eu até queria um relacionamento com uma com um vínculo maior, mas eu tenho esse medo. Eu não me permito ser vulnerável ao outro. Hum. Essa é a grande dificuldade, né? Sim. Para eu me relacionar profundamente com alguém, eu preciso lidar com a minha vulnerabilidade. Uhum. Possibilitar assim entrar em acesso a chance de ser descartado. Mas ele nesse, em tudo isso que a gente tá falando, vocês que têm uma vasta experiência, eh, o situations ship ele é um fenômeno psicológico estabelecido ou não? Eu acho que é uma tendência da sociedade em fazer com que a gente cada vez mais não estabeleça relacionamentos. Uhum. E a gente vai estar sempre buscando formas de fazer isso. Namoro foi uma delas. Agora, relacionamentos abertos, situação chip é outra, né? Que isso tende a fazer com que cada vez mais o sujeito se afaste do sofrimento, se afaste de lidar com a vulnerabilidade. Mas isso significa um transtorno, Rafael? Não, acredito que não necessariamente assim, né? Acho que é difícil a gente patologizar assim as nossas relações assim nesse sentido, né? Então, não acredito que seja um transtorno mental nesse sentido, né? Não sei se é isso que você tá, mas você acredita que é uma tendência, como o Danilo disse, ou não? É só uma onda e depois as pessoas vão buscar de novo aquele vínculo um pouco mais, digamos que mais forte. Não, a gente tá, eu vou conhecer sua família, eu quero resgatar aquilo, porque a gente tá numa numa questão em vários aspectos da vida em que a gente fala assim: "Ai, vamos resgatar o vintage na moda, vamos resgatar tais comportamentos. Será que os relacionamentos vão passar por isso?" Uhum. Bom, eh, eu acho que depende de como a gente lidar com esses vínculos, assim, né? Eu fico sempre me me trago essa reflexão de que acho que o privado tem sido tornado cada vez mais público nesse sentido, né? E acho que privado e intimidade íntimo, né? Tem diferenças nesse sentido, né? E eu acho que é isso que vocês têm eh tem comentado, né? Sobre, né? Conhecer a família, conhecer filhos e tudo mais, né? Então, acho que tem se tornado cada vez mais difícil entrar em contato com essa intimidade do outro, assim, né? E não sei, acho que é um movimento que mais constante ultimamente nesse sentido assim. Sim. Agora a gente uma coisa importante que não pode ser descartada, nós estamos, né, em franca domínio da internet, franco domínio da internet com rede social, inclusive justamente com essa questão de buscar estar com alguém, nós temos os aplicativos de relacionamento. Uhum. Uhum. E esse modelo também tem uma forte influência nas redes sociais. O Tinder, por exemplo, viu um aumento de 49% no número de membros que adicionaram essa nova intenção de relacionamento aos seus perfis e mais de um em cada 10 jovens solteiros entrevistados disseram preferir situationships como forma de ter um relacionamento com menos pressão. a internet que sofre a pressão dos novos modelos de relacionamento ou ela é quem pressiona para esse surgimento? E aí eu quero a resposta dos dois. Eu acho que as duas coisas, né? A gente é atravessado por uma forma de se relacionar com as coisas a partir dessa tecnologia. Então, aplicativos, internet, Instagram, são formas que que simplesmente posso bloquear você. Uhum. Eu sou se a gente tem um relacionamento, eu posso bloquear e a gente não se vê mais, né? Então, se a tecnologia dá possibilidade de de eu fazer isso, eu também sou afetado por isso. E eu acho e começo a achar que diferentemente de de antes em que você para terminar o namoro era tinha que conversar com tinha tudo. Hoje as pessoas terminam relacionamentos pelo telefone. Sim. Pelo WhatsApp. Pelo WhatsApp. Ou então o aplicativo bloqueio. As pessoas assim costumam simplesmente bloquear tudo. Tudo sim. Estava num namoro pensando em casamento, de repente a pessoa se vê bloqueada e nem sabe o que fez. Nem sabe o que fez. Porque a tecnologia dá dá ideia, dá fantasia de que a gente pode cortar o relacionamento, né, como se fosse, então, mas aí é, por isso que eu tô falando, mas aí é trazer o que as pessoas já queriam no presencial e não tinham coragem, por isso usam a internet ou a internet é que está de certa forma dizendo vá por esse caminho? Rafael, acredito que seja um facilitador nesse sentido assim, né? talvez não um motivador. Eu acho que talvez os dois juntos, né, pensando nessa eh nessa nesse momento que o Danilo tá trazendo, né, sobre essa impessoalidade, talvez, né, acho que se torna cada vez mais fácil da gente se distanciar assim, né? Acho que a tecnologia trouxe vários vários benefícios pra gente, mas também trouxe essa essa relação, essa intensificação dessa relação com o outro no sentido de afastamento, né? Então a gente se torna cada vez mais impessoais, cada vez mais estranhos, né? Mesmo estando em contato ali, né? Então mesmo conhecendo o rosto, né? E tudo mais, é muito diferente de est eh eh ao vivo, né? Pessoa a pessoa, assim, pessoalmente, né? Então, não sei se é um motivador ou um facilitador nesse sentido. É, inclusive aqui a gente fez uma pesquisa, a adoção desse tipo de relação, ela foi eternizada em 2009 no filme 500 dias com ela. Uhum. A gente ainda não tinha esse nome, situationship, mas justamente porque mostra um relacionamento em que ele não deseja uma parceira estável, enquanto ela sempre deixa claro que prefere um relacionamento que se enquadra perfeitamente nessa definição. Uhum. Então isso não existe agora, existe há muito tempo. Existe há muito tempo. E existe o que eu poderia pensar de uma situação chipe dentro do próprio casamento, né? onde as pessoas simplesmente assim dizem que tão casadas, mas começam a dizer a a não ter mais intimidade. Uhum. Assim, até pensam em terminar, fazem sexo, mas não tem mais intimidade. Uhum. Virou uma coisa assim dentro do casamento, uma situação anômala, né? Sim, mas para quem tá em casa, vamos então lembrar ontem, inclusive a gente falou sobre essa questão de intimidade no programa sobre libido. O que é exatamente esse relacionamento que você diz, tá casado, eh, divide conta, divide às vezes até cuidado com os filhos, mas não tem intimidade. O que que é isso? Perdeu intimidade já, já não, já não se interessa pelo outro. O que acontece na vida do outro? Mantém um casamento às vezes por questões financeiras, tem um negócio junto, eh, tem a ideia de filhos, ah, então não vamos separar por conta dos filhos, por conta da casa. E vivem como se então só tivessem aquilo o mínimo do do que a gente chama de intimidade, que seria um sexo, trocar momentos ali, mas que nada quer saber do outro. Sim. e que querem e fica nesse limbo também. Ou seja, é como se a gente pensasse que a situação chip emergisse dessa característica que muitas vezes acontece dentro dos relacionamentos, em que a pessoa não quer saber do outro, mas quer saber de uma parte. É como se fosse a expressão de uma perversidade, né? Eu gosto de estudar a questão da perversidade, mas o perverso, mais do que qualquer outra coisa, é quando eu sou convidado. Eu tenho condições de exercer algo que faça fazer com que o outro apenas um instrumento. Sim, eu já não me importo mais com outro. O outro é instrumento do meu prazer sexual, do meu prazer financeiro. Eu não vou, não vou, eu não vou perder a minha condição de vida, então eu vou manter um casamento, mas eu não vou me interessar pelo outro. Se o outro traz, se o outro tem outro relacionamento, eu nem quero saber. Entendi. Isso. Mas aí, Rafael, quando do Danilo Chegue fala que a gente acabou não percebendo esse fenômeno muitas vezes dentro dos relacionamentos formais, então não é algo só do jovem, não. Não, acredito que não. Acho que o essas são movimentos sociais, né? Acho que você tava perguntando sobre transtornos, eu acho que tem mais a ver com fenômenos sociais, talvez nesses movimentos assim, né? E a gente tá todo mundo, estamos todos integrados na mesma sociedade, né? E eu acho que a conveniência, né? Que eu acho que um pouco do que eu era isso que eu ia falar, né? Acho que será que tem um pouco a ver com conveniência isso assim, né? Essa situação e isso assola todo todos nós, né? tanto os adultos idosos quanto as pessoas mais jovens que estão eh se inserindo talvez agora é mais diferente inclusive nesse conceito de situation que você tem essa possibilidade de descartar mais facilmente as pessoas e essa situação dentro de um relacionamento formal aí fica mais difícil descartar porque daí você não sabe, você não pode partir pra outra facilmente, mas você descarta simbolicamente dizendo assim, ó, o outro pode ah o outro pode sair com alguma sociedade tá lindo, sim. Uhum. É, eu fico pensando que trouxe esse exemplo do casamento, né, dessa dessa situação dentro de um de um casamento, por exemplo, né, acho que deixa de se tornar um relacionamento amoroso, afetivo e fica um relacionamento burocrático. Parece, né? Burocrático, sim. É. E aí acho que é isso. Eu acho que aí a perda da intimidade, né? E aí existe essa ruptura entre essa esse laço entre os dois, né? Sim. Agora, nesse sentido, ainda falando do fenômeno das redes sociais, elas criaram essas relações sem compromisso, Rafael. Uhum. Olha, pensando nesse no que você trouxe, né, dos aplicativos de de relacionamento, né, eu acho que são estimulam um pouco essa esse movimento assim, né, de de não ter compromisso, né? Parece que até que a gente eh entra nesses aplicativos e tá jogando um jogo, parece, né? Nem parece que são pessoas reais que estão ali, né? Enfim. E eu acho que fica um pouco confuso isso, né? O que que é fantasia, o que que é esse universo lúdico e o que que é realmente o que eu quero entrar em contato assim, né? É, mas quando a gente fala do perfil, tem a pessoa que entra porque quer amizade, porque quer um relacionamento sério. Agora, quando a gente fala que olha, de 34, não, não, deixa eu ver aqui se é 34% de pessoas que dizem quando preenche lá o perfil no Tinder: "Não, eu só quero ter um situation", ou seja, um relacionamento sem compromisso. Isso significa o quê? que as pessoas querem cortar caminho já. Olha, eu vou usar a rede social, a pessoa já sabe o que eu quero, já viu o meu perfil, não vai me encher o saco. Uhum. É, acho que é é difícil falar isso também, né, pro outro, né, falar o que quer, né, e acho que talvez falar o que não quer seja mais fácil nesse sentido, né? Então, trazer essas eh, olha, a gente não precisa ficar se conhecer profundamente, né? a gente não precisa levar isso para frente. A gente pode ter uma um contato superficial nesse sentido e assim que que der ou que não, a gente fica cada um na sua nesse sentido. Agora, os traumas de relacionamentos anteriores podem fazer com que a pessoa escolha ter esse tipo de relacionamento, situationship? Com certeza, né? Relacionamentos em que a pessoa não superou, né? Então, ela vai reviver um relacionamento às vezes sustentando eh uma situação como essa para sustentar uma fantasia, né? Então, ela não resolveu um relacionamento, entra em outro e entra desse jeito, né? tá num limbo e realmente acaba não se posicionando, acaba, como você colocou, eh, né, deu o exemplo do filme, eu gosto de trabalhar bastante com filmes também, porque dão exemplos bem interessantes para nós. A uma das pessoas queria um relacionamento, o outro não, mas uma pessoa sustenta aquilo, né? Então, uma pessoa paga um preço maior, um sofrimento maior, muitas vezes sustentando realmente aquilo que não foi elaborado, né? Hum. E aí a gente pode remeter até outras questões, não só de relacionamentos afetivos, mas também relacionamentos parentais, né? Ó, a população começa participar, o nosso telespectador já está ligado aqui no estúdio Câmara e nós já temos, produção, a primeira pergunta eu vou pedir para colocar no ar aí para que a gente possa ler. Vamos ver. É a Renata Martins do Jardim Olina. Ela diz o seguinte: "Às vezes a pessoa aceita menos do que gostaria só para não perder alguém. Como perceber que estamos abrindo mão demais de nós mesmos? Quem quer responder? Ah, eu fiquei pensando assim com a com essa pergunta assim, né? Acho que sobre essas individualidades dentro do relacionamento assim, né? E como é importante que mesmo a dois, mesmo num relacionamento que existam esses momentos individuais, né? Que você possa ter essa satisfação pessoal também, né? Não só existe essa satisfação a dois no relacionamento assim, mas é importante não se perder nesse processo, né? Tipo quando a gente entra em contato com outro, é também é entrar em contato com outra subjetividade também existe uma uma simbiose de algum jeito, né? Eh, e pensar nesse nesse movimento que faz a pessoa sofrer também não é legal, né? Mas aí não entra naquilo que o Danilo falou no começo, Rafael, que as pessoas, por isso, com esse medo de se doar demais ou de se machucar nessa doação, não. Então você vamos ser frios. Eu não me meto na sua vida e você não se mete na minha. Sim. É, acho que tem um pouco desse movimento, sim. Então, eh, se eu tô triste porque a pessoa foi num casamento sem que eu sem que eu fosse convidado, poxa, eu tô com a pessoa, eu compartilho momentos íntimos com ela e a pessoa foi convidada para um casamento e ela não fez nenhum movimento para que eu fosse e eu tô triste, eu preciso me abrir com o outro, eu preciso perguntar pro outro o que que você deseja, né? Alinhar as expectativas, né? Quando você vai se relacionar com o outro, você precisa dizer: "Olha, eu desejo isso, tá?" Mas e quando a pessoa dá o cheque mate, a outra fala assim: "Não, nós somos um casal". Mas nós somos namorados, nós somos o quê? Não, nós somos um casal muito louco. E aí a pessoa vai falar o quê? A pessoa precisa saber o mínimo, né? Quais as condições mínimas que ela vai sustentar isso. Mas aí ela insiste em ter essa resposta ou ela vai embora? Ela deveria ir embora, né? Entendi. Mas não é fácil. Não é fácil. Não é fácil ir embora. É, não é fácil. Vamos a mais uma pergunta. Vamos lá. Agora quem está com a gente é o Ricardo Mendes da Vila Nova. Ele diz o seguinte: "Quem já sofreu muito em outros relacionamentos pode escolher relações sem compromisso como uma forma de se proteger?" A gente falou disso agora há pouquinho, mas vamos repetir aí pro nosso telespectador. É, pode escolher relações sem compromissos como uma forma de protegir. Pode, mas não é a melhor forma de se relacionar, né? é uma maneira de mais uma vez não entrar em contato com a sua vulnerabilidade, não se abrir pro outro, não se abrir também paraa vulnerabilidade do outro. Uhum. Né? Agora é nesse momento então que é de certa forma é preciso procurar fazer terapia, alguma coisa nesse sentido, até porque a gente tem que perceber também que quem faz isso tá machucando o outro por uma talvez só expectativa do outro. Sim. Uhum. É, eu acho que é interessante assim, tá envolvido nesse processo terapêutico assim, né? E eu acho que isso pode dar eh ferramentas para que a pessoa possa lidar melhor com essas situações nesse sentido assim, né? Então, o que que faz, o que que é importante para mim assim, né? Acho que essa é uma pergunta importante, né? Eh, o que o que que eu prezo pela pela, enfim, da minha construção de pessoa assim em manter assim nesse sentido, né? e como que eu não deixo que o outro eh possa interferir nessa minha construção assim, né? Então eu acho que tá envolvido nesse processo te dá ferramentas para poder pensar isso e agir quanto a sua vontade, o seu desejo de vida, assim, né? Então, sim. Uhum. Vamos a mais uma participação pelo 97829377. Olha lá, já Bruna Almeida do Bom Fim. Já fiquei esperando uma pessoa decidir o que queria comigo e acabei deixando a minha vida de lado. Por que é tão difícil sair de uma relação assim? Porque isso toca fantasias que muitas vezes são fundamentais para nós, né? Por exemplo. Então é o outro que eu sempre idealizei, mas eu só acessei porque ele está num outro relacionamento e eu sou colocado como um terceiro, né? ou essa pessoa só me aceitou entrar no relacionamento com ela nessa posição de limbo. Ela não assumiu um compromisso, então ela tá tendo vantagens, né? Porque tem uma coisa que até é difícil de explicar assim em pouco tempo, mas o Lacan, um psicanalista que a gente segue, eh ele diz assim que todo amor ele é recíproco. Então, se alguém sente algo por mim, eu não sou indiferente a isso. E se essa pessoa que eu não sou indiferente a isso, de alguma maneira sustento a fantasia dela, se eu tiver condições de satisfazer minha fantasia sem pagar o preço, pode ser que eu aceite. Uhum. E aí para sair disso, para sair disso é, né? Agora, se eu entrei como alguém que eu estou, digamos assim, usufruindo dessa relação, né, que eu tô, na verdade, me satisfazendo e menos carente e menos vulnerável nessa situação, talvez eu saia e me arranje realmente com quem talvez eu consiga e me permita me abrir. Agora o outro sai machucado. Hum. Mas por outro lado, existe a possibilidade, por exemplo, da situation ship começar com nessa condição, mas depois passar a ser realmente algo formal, algo sério. A gente começou lá nessa situação que ninguém queria nada com nada. Vamos ver onde vai qualquer coisa eu não te vejo mais. E de repente a pessoa fala: "Não, olha, vamos conversar e vamos para outro status". É possível? É possível. acontece, tem pessoas que assim conheceram os seus parceiros em lugares absurdos, né? Enfim, eh, desde uma casa de swing, há uma há um relacionamento aberto e de repente se viu ali pego numa situação e falou: "Não, é com essa pessoa". Sim, né? Eu acompanho muita gente que tá em aplicativos, né? E aí as pessoas falam: "Man, sai, eu saí com três, quatro por semana". Mas de repente alguém fisgou e é fisgado. Aí, opa, vamos parar de vamos fechar os aplicativos. Vamos agora tentar reconversar isso, né? Porque aí acontece. Aí entre os combinados, Rafael. Exato. Fiquei pensando nos contratos mesmo assim, né, que a gente pode estabelecer dentro dessas relações assim, né? E e pensando nesse nessa construção da relação, né? Acho que é isso, né? entrar em contato com uma outra pessoa também é entrar em contato com esse outro universo que também tá vindo de uma outra perspectiva que talvez não necessariamente a sua também, né? Eh, então é importante ter esse movimento de de conversar, né? De como que a gente vai lidar com isso agora assim também, né? Eh, acho que principalmente vindo desse contexto, né, de que a gente não que a gente tava distante um pouco um do outro e agora a gente vai passar a estar junto oficialmente com um título, um rótulo, né? Como que a gente vai lidar com isso também, né? o que também pode ser uma pressão de algum de alguma maneira, né? Mas acho que se esse movimento feito de uma maneira eh interessante pros dois, acho que tem um um potencial muito grande assim de de tocar os dois ali, né? É. E quando hoje a gente tá falando um pouquinho dessa influência da internet e quando, por exemplo, a pessoa tá em um relacionamento, ela até vai nos eventos da família, dos amigos mais íntimos, mas ela nunca mostra essa pessoa, por exemplo, numa rede social. Hum. Tem aí um sinal, né? Tem qual é o sinal? Esse, esse já é um sinal, né? Ou seja, se a pessoa namora, até apresenta pra família, mas não apresenta na rede social, por quê, né? Acho que até teve alguns memes famosos da pessoa eh foi assim eh foi pedida em casamento e borrou a imagem do noivo. Por quê? porque não considera instagramável o namorado, não vai receber elogios porque, né, vai conseguir aquele namoro, aquele casamento, aquele pedido. Então, assim, hoje virou muito essa questão, é instagramável, o meu namorado é instagramável, sim, mas não significa que esse relacionamento tenha algum abalo, ele pode ser, ele tem, ele tem uma fragilidade importante a ser resolvida. Hum. Né? A pessoa posta constantemente nas redes sociais e o namorado, noivo, eu conheço pessoas assim, posta trabalho, mas outra coisa, os amigos, mas não posta com a namorada. Não posta com a namorada ou namorado. Sim, tem algo a ser a ser visto aí. Acho que as redes sociais se transformam na na vitrine da nossa vida em algum sentido, né? a gente expõe ali o que a gente eh mais quer mostrar, o que a gente mais tem eh eh esse essa satisfação própria assim de mostrar, né? Então, o que é e por que eu não quero mostrar alguma coisa nesse sentido, né? Eu acho que essa pergunta também pode ser o do mostrar também, né? Por que eu mostro, né? Mas eh, mas se eu mostro outras coisas, por que eu não mostro isso? Exatamente. Sim. Uhum. Se não tiver uma boa, né? Uma boa resposta. Uhum. Fica estranho, né? Sim, fica estranho. Vamos então a nossa próxima participação. Vamos lá. Olha, 97829377. Você manda aqui a sua pergunta e quem está com a gente é a Juliana Martins da Ponte Preta. Ela diz o seguinte: quando alguém diz que não quer namoro, mas não aceita que o outro conheça novas pessoas, o que pode estar por trás disso, Rafael? Fico pensando nessas relações de poder assim, né, que o Danilo trouxe, né, um pouco. Isso aí nem é situation ship, é outra coisa. É, é. Acho que já começa a ser um cenário um pouco mais complicado assim. Eu acho que é é privar o outro de uma de uma experiência, de ter eh vivências que eu mesmo não tô sendo privado, né? Então, acho que é um pouco sádico até nesse sentido assim, né, de de querer que o outro esteja preso numa caixa enquanto eu tô vivendo, experienciando o mundo, né, tendo eh experiências com outras pessoas que eu tô me divertindo, né, enfim. Eh, então acho que é um pouco complicado nesse sentido assim. Uhum. Agora, Danilo, então a pessoa você, ó, não tenho nada com você, ah, mas você não pode conhecer, você não pode falar, você começa a ver com quem tá conversando nas redes sociais, com quem tá conversando no trabalho. Ah, você vai sair com seus amigos? Não. Ah, mas eu não tô namorando com você, não. Mas se você sair com seus seus amigos, eu também vou fazer tal coisa. Quando começa isso é doença mesmo. Eu acho que quando se instala isso, né, e a pessoa mesmo em sofrimento aceita isso, aí é algo que a gente precisa tá analisando, né? Porque realmente eh isso pode acontecer como uma proposta inicial, mas eu vou aceitar ou eu vou questionar o outro. Olha o que você quer talvez indique que a gente precisa conversar limites. Então gente, é hora de pôr limites. Quando a pessoa já faz então essa essa proposta, não. Se você quiser ficar comigo, se a gente quiser ser ficante, digamos assim, que se falava, né, antigamente, ficante, mesmo que seja assim, o meu limite é esse. Uhum. É, eu acho que colocar esse limite é importante para que as coisas evoluam de modo saudável para ambas as partes, né? Sim. Eh, tem um filme que eu gosto bastante que é recente, chama-se Amores Materialistas. E aí a diretora foi muito feliz em fazer com que o personagem chegasse a uma situação dessa, né, em que a pessoa convida, ah, você não quer subir pro meu apartamento? E eles eram ex-namorados, né? Parecia que é um convite por uma situação chip. E aí o que que ele pergunta? Ele fala assim: "O que que você quer com isso?" Uhum. Ele questiona, interpela, mas a gente tá voltando, isso significa que a gente vai reatar o aí ela fala: "Não, é só subir aí, então não quero." Uhum. Então, poder dizer não mesmo para aquilo que você deseja, porque a gente não deseja só o sexo, a gente deseja a pessoa está namorando, deseja sempre desejo de conjunto. Se eu desejo um conjunto de coisas, não me interessa só ter um caso, ter um sexo, ter uma relação, dar um beijo numa pessoa. Me interessa estar com conjunto de relações com essa pessoa, que se eu não conseguir com essa pessoa, talvez o conjunto que consiga seja com uma outra pessoa, talvez com uma pessoa que não seja tão bonita quanto eu imaginava, talvez não seja tão inteligente quanto eu imaginava, mas o meu conjunto é muito mais rico do que simplesmente ter um relacionamento muito esvaziado, muito vazio do significado simbólico. Sim, né? Apenas ali um encontro que é eh sem qualidade, né? sem profundidade. Certo. Temos mais perguntas então do nosso telespectador. Vamos lá. A gente aguarda a produção colocar a pergunta agora é do Lucas Ferreira do Taquaral. Se só um dos dois começa a criar esperança de algo mais sério, vale a pena continuar esperando que o outro mude de ideia? Rafael, olha, eu acho que é difícil ter um pouco eh ter a certeza do outro assim, né? Então, acho que o que a gente pode ter de garantia é o que a gente tem, somos nós, o que a gente sente, a nossa experiência, nossas perspectivas, né? Eu acho um pouco difícil que eh essa mudança do outro, assim, essa esperança dessa mudança do outro, né? E eu acho que isso pode acontecer talvez em algum momento e que esse momento seja da pessoa também, né? Mas acho que se apoiar em cima dessa expectativa, dessa dessa mudança de ideia, né, de eh dessa esperança assim, né, de algo sério, sendo que desde desse eh momento inicial já tá se eh mostrando que talvez não vá paraa frente nesse sentido. Eu acho que isso tem uma tendência da gente se frustrar nesse processo assim, né? Sim. Eh, eu acho que poder ter a garantia do que eu quero, né, do que que é importante para mim seja o mais importante nesse momento, assim. Sim, Dani, a gente não deve eh cultivar a esperança, expectativa no outro, né? Eh, a gente deve sempre eh o Rafael falou da simbiose, né? apaixonamento dá uma ideia, uma fantasia de simbiose, mas na verdade é um abismo entre o que eu desejo e o que que o outro deseja. E eu preciso dentro daquilo que o outro apresenta apresentar, olha, isso não me interessa. Uhum. Né? que você queira se relacionar com outras pessoas, isso não me interessa. Que eu não seja colocado numa situação eh em que eu seja valorizado, isso não me interessa. Se você quer me colocar no limbo, isso também não me interessa. Então, preciso tentar entender aonde que tá a diferença entre o que você deseja e o que eu desejo e vamos combinar alguma coisa pra gente estabelecer alguma ponte. Sim. ou a gente melhor a gente parar por aqui. Olha, o que eu percebi desde o começo que nós começamos esse bate-papo é que a comunicação, independente da situação, se é situation, se é namoro, se é noivado, de que forma vai ser o casamento ou esse dividir a vida, tudo tem que ser muito bem conversado. Sim. A comunicação é a base. É a base. Eu fico pensando que às vezes eh o óbvio paraa gente talvez não seja tão óbvio pro outro, né? Os nossos pensamentos, os nossos sentimentos estão dentro da nossa cabeça, do nosso sentimento, né? Uhum. E externalizar isso também é deixar a pessoa ciente nesse sentido, né? Sim. E eu acho que quando a gente não faz esse processo, faz esse movimento de externalizar, de colocar eh, de colocar na mesa ali, né? né, o que que tá acontecendo, o que que tá se sentindo, né? Também fica um pouco difícil pro outro eh entender, perceber assim, né, o que que tá acontecendo. Então, acho que trazer esse relacionamento às claras assim é muito importante, né, eh, para que possa ter um laço, um vínculo saudável, né? Então, sim, produção, temos mais uma pergunta de telespectador? Temos sim. Olha lá, quem fala com a gente agora é a Simone Barbosa do Jardim Garcia. Eu me envolvo mais quando percebo que a pessoa está se afastando. Por que a distância pode aumentar tanto assim o interesse? Simone, vamos lá, Danilo. Bem da psicanálise, né? O desejo te dá pela falta, né? Então assim, se o outro é muito presente, se o outro é muito, fica muito em cima, isso mata meu desejo, né? Então, se o outro é faltante, isso resgata em mim uma vontade de preencher esse vazio. Uhum. É assim, eu começo a olhar paraas minhas questões, será que sou insuficiente? E aí eu dobro a posta muitas vezes, né? Então o outro tá se afastando, eu vou lá e e mando um caminhão de flores. Uhum. Então eh o sujeito precisa pensar que o desejo se dá pela falta, mas que ele não precisa se entregar a esse desejo. Ele não precisa ser escravo desse desejo. Ele pode considerar isso, né? e justamente estabelecer esse limite até onde eu vou para realizar meu desejo. Sim. Porque senão a gente acaba eh numa situação bastante complicada, né? O desejo ele é alguma coisa que nos move, mas ao mesmo tempo ele pode fazer com que a nossa vida seja destruída, né? Uhum. Mas se isso acontecer por diversas vezes, pode dizer ou pode apontar algum desvio de personalidade, algum transtorno nesse sentido? Eu acho que pode assim apontar para uma questão que ela precisa analisar. É uma questão, não necessariamente um transtorno, mas há um sofrimento, há um sintoma, né? A gente chama isso de sintoma na psicanálise, aquilo que se repete. E eu não sei o porquê. Uhum. Interessa saber o porquê. Na medida que eu sei o porquê, talvez eu possa fazer alguma escolha. Uhum. E a pessoa geralmente quem faz isso, né? Simone tá participando com a gente, colocou uma situação, ou seja, ela tem consciência desse movimento dela, mas ela não tem consciência do do que causa isso, né? Hum. Faz ela ir atrás quando quando se afasta, né? É o que que da história dela pode ajudar ela a entender o por que isso se repete na vida dela? Uhum. que é algo Simone, então que ela precisa, que ela precisa de repente encontrar entrar em contato com alguém que possa ajudar ela a entender isso, né? Pode ser um psicólogo, pode ser um um psicanalista, né? A gente trabalha com psicanálise porque a gente pensa sempre. Essa questão, às vezes a gente fala, a terapia de casal ajuda ou é primeiro a pessoa que sente ou que tá sendo deixada de lado? A gente teve já a participação falando: "Olha, eu me sinto mal que eu sou deixada de lado". E o e a outra dizendo: "Olha, eu tenho esse movimento." Quem tem que primeiro e buscar uma ajuda? Quem tá sofrendo, né? O sofrimento, né? Quem sofre. Eu fico pensando que talvez a terapia de casal assim não também não exclua um processo, uma análise, uma terapia pessoal também, né? Então acho que isso pode partir, é isso, né? parte desse papel ativo da pessoa de procurar, né, dessa desse sofredor, mas que também pode abarcar esse outro grupo, esse conjunto assim, né? Uhum. Uhum. Agora, quando a gente pensa nessa situação em que até o Danilo comentou agora a pouco que quando no próprio situations ship a pessoa tá lá, mas chega um ponto que ela fala: "Eu não quero mais isso, tem a conversa séria". Uhum. E aí o outro continua deixando, ele não sai porque o que eu acho que é covarde fazer isso com o outro, ele não sai, mas mantém o outro naquele limbo. Olha, a gente é um casal meio louco, tá tudo bem assim, eu gosto de você. Uhum. Mas o outro continua em sofrimento. Uhum. Como que a gente consegue essa equação e pensar em uma ajuda ou até no fortalecimento da autoestima para se a pessoa dizer, se não está bom para mim, eu vou sair? É, a gente precisa entender que a gente precisa ter coragem. Hum. E o nosso maior ato de coragem é pedir ajuda. Se a gente não pede ajuda, muitas vezes a gente tá ali tentando lidar com uma situação que é tóxica, né? Então o outro me colocou numa situação de sofrimento e eu, ao invés de pedir ajuda, eu vou querer fazer com que o outro mude. Uhum. Numa situação eterna de sofrimento, né? Sim. Por outro lado, Rafael, se a pessoa teve a coragem, terminou, mas disse, mas agora eu não quero também ter relacionamento com ninguém para não correr esse risco. Uhum. É também. É ajuda também, sim. É, então acho que passar por um movimento eh de perda assim, né? sofrer esse luto, né? Poder elaborar isso também demanda um tempo, né? Eh, e aí acho que é isso, né? Volto nesse eh nessa minha fala de que cada um tem o seu, né? Cada um tem o seu tempo de passar por isso, né? Uhum. Mas eu acho que eh eh internalizar essa figura do relacionamento como eh essa última experiência, assim, eu acho que a gente tem possibilidades de de se transformar assim, né, de ressignificar nossos vínculos, né? Então eu acho que é muito legal e muito positivo poder tomar o seu tempo, poder digerir tudo isso, né? Porque também é uma eh um processo ruminante às vezes, né? De poder eh sofrer isso e voltar várias vezes nisso, mas que em algum momento isso se transforme, que você possa, né, construir novos vínculos, né, de uma maneira que você tem aprendido ou não, de como você quer estabelecer isso, né? Eh, e talvez de uma maneira mais saudável também, né? Uhum. e que seja mais interessante para você também. Mas e aí, quem está em uma situations ship significa que ela não quer relacionamento sério nunca ou é o momento em que ela está passando na vida dela? Difícil dizer assim, né, o que que a pessoa quer, mas eu acho que o que faz com que a pessoa aceite isso é um sofrimento ou uma possibilidade então de exercer uma fantasia sem pagar o preço, tá? aquela relação assimétrica em que um acaba se valendo do outro. Agora, se eu tenho contato com eh histórias, literatura, com cinema, com teatro, com outras pessoas que me contam de outras possibilidades, isso me abre a possibilidade, opa, eu acho que isso não é muito bem o que deveria estar vivendo no relacionamento. Uhum. Então, porque se eu ficar ali, né, em si mesesmado naquele relacionamento só, talvez eu não consiga ver a diferença. Talvez essa sensação, né, que o Rafael coloca de uma simbiose que que o apaixonamento me coloca me faz eu ficar cego. Mas quando eu converso, quando eu compartilho da minha história, quando eu escuto outras histórias, eu vejo: "Opa, essa diferença, não posso, eu não posso deixar passar, né? E aí eu preciso me posicionar. Sim. Mas e aí? Quando a gente acha que precisa manter um tipo de relacionamento em que é mais fácil descartar o outro, isso significa que a pessoa preserva a sua independência ou que no fundo ela tem medo de algo? Rafael. Ah, eu acho que pensar nesse lado da independência, a independência a gente pode ter mesmo em relacionamentos formais nesse sentido, mesmo estando com outro. Eu acredito que sim. Eu acho que se for construído de uma maneira interessante assim e que seja saudável pro pro vínculo, né? Eh, eu acho que permite o esse conjunto, essa formação permite essa independência, assim, né? É importante que se tenha, né? Mas, eh, aí pensando pro lado do medo assim, né? Eu acho que também é válido nesse sentido assim, né? Pensar esse medo do do descarte, né? o medo, o medo do, o medo de ser descartado que descarta, né? Uhum. Eh, o medo de de sofrer, então, entrando em contato com essa realidade e se jogando de cabeça, né? Então, eu acho que eh pode ser um pouco de medo, sim, assim, nesse sentido, assim, né? Agora, Danilo, e aí essa independência para eu me tornar, né, como o Rafa tava dizendo assim, ser capaz de ser independente dentro de um relacionamento, eu preciso ter um relacionamento saudável, né? Sim. E eu preciso de duas pessoas corajosas para isso, né? Você tem uma pessoa medrosa, eh, eu preciso alinhar esses pontos, né? Eu preciso convidar o outro a se posicionar de maneira corajosa. Se eu amo alguém, né? a gente não falou desse sentimento, mas eh se eu tenho um relacionamento com alguém, eu quero promover esse relacionamento de maneira saudável, eu preciso ajudar o outro a abrir a sua vulnerabilidade, a ter coragem dentro desse relacionamento. Daí eu vou possibilitar que essa pessoa tenha sua independência, que ela possa falar dos planos de carreira dela, de repente possam fazer com que ela tenha que sair da cidade, eh, e que a gente possa em algum tempo ter que viver um relacionamento eh à distância, né? é que ela possa se abrir, que ela possa apresentar seu desejo. Sim. Esse é a maior capacidade, né, que a gente espera que a pessoa possa desenvolver, que a capacidade de escutar outro e fazer com que o outro se abra. Sim. Mas e aí, principalmente nas relações maduras, a gente muitas vezes tem duas pessoas que vieram de relacionamentos doentios e querem se encontrar. Como é possível deixar todo aquele trauma, aquele sofrimento e começar esse relacionamento saudável que você diz, Danilo? Escutando muito outro, né? Uhum. Acho que esse exercício de escuta, né? Você falou de terapia de casal. A terapia de casal a gente vai tentar ajudar as pessoas a se comunicarem melhor. Às vezes se comunicar melhor significa que eles vão se terminar. Uhum. Porque a comunicação pode fazer com que aquele processo que inclusive tava engessado possa deixar, possa realmente se realizar. ou a comunicação pode favorecer que eles se entendam. Uhum. Né? Que você quer falar? Não é que eu acho que são muitos rearranjos também, né? Relacionamento não é uma coisa sólida imóvel assim nesse sentido, né? E que e muito pelo contrário, né? Precisa desse movimento, né? As pessoas não são as mesmas todos os tempos e não vão não vai ser o mesmo relacionamento durante todo eh pensando num relacionamento longinco aí, né? Essa esse laço vai se transformar, né? Ele vai, ele vai mudar, ele vai se alterar, ele vai se esticar mais para um lado ou pro outro. Em algum momento a gente se encontra, né? Agora, uma pergunta, a gente tá inclusive em tempos de a, o Estúdio Câmara já discutiu inclusive essa questão que as pessoas hoje eh às vezes até se apaixonam por personagens. Uhum. O que que tá acontecendo quando a gente nomeou noivado, casamento, namoro, agora o situation? Que que a gente pode pensar aí nesse mecanismo, como vocês disseram aí, que são movimentos sociais, mudanças da sociedade quando a gente pensa em relacionamento. Rafael, eu estão falando de filme, né? Fico pensando num filme, né, que chama Her, né, ela. Aham. Em que o protagonista ele se apaixona por uma inteligência artificial, né? E acho que é muito atual nesse sentido, né? Acho que o filme mesmo se passa em 2025, né? Então, no ano passado, né? Sim. E pensar essa construção de uma pessoa que é imaginária, assim, né? Ela tá vindo a partir de um banco de dados que Aí eu não vou ser descartado por ela, não vou ser descartado, vai me escutar, né? Sou eu mesmo que construo ela também, né? Então, acho que fica um pouco eh um pouco difícil de que ela me mande embora também. Sim. Agora, os casais eles deixaram de ter a intimidade, que eu acho que é uma intimidade de cama, tá? Então a gente inventou a energia elétrica há dois séculos, né? Então antigamente o casal ia paraa cama cedo, o tempo da conversa, né? As pessoas não ficavam na internet, no Instagram, né? Zapeando ali, as pessoas ficavam conversando com os seus cônjuges, né? Então isso ajudava os relacionamentos. Então eu falava do que acontecia no dia, né? a pessoa me falava, eu abria, eu escutava, eu falava e isso criava a intimidade. Então, não era só pro sexo aquela conversa. Aquela conversa era uma qualidade que a gente precisava resgatar, né? Que o casal pudesse ter mais intimidade de cama. A conversa de cama é uma conversa muito íntima, seja antes, durante e depois do sexo, né? Uhum. E lá no começo, qual é o tempo? Então, pra gente encerrar, a gente tá nos minutos finais. Qual é o tempo de um relacionamento que começa nesse status de situations ship? Se a gente saber se ele vai se manter assim, se ele vai evoluir, existe um período ou é cada caso é um caso? Em que momento a pessoa pode falar: "E agora? Para onde a gente vai?" Olha, eu acredito que três encontros você já deveria saber se você vai realmente continuar esse relacionamento ou não, né? Eu acho que você permitir conhecer a pessoa em três encontros, dá para ter uma ideia. Você vai apresentar seus desejos, você vai escutar e passado disso, eu acho que a gente deveria terminar aquilo que pode fazer com que as pessoas saiam machucadas. Rafael, é, eu fico pensando, não consigo pensar num tempo, eh, estipulado assim, certamente assim, né? Uhum. Mas acho que é o tempo de pensar o que que o que como tá sendo para você nesse sentido assim, né? Acho que eh é é isso, né? O que o Danilo traz bastante assim, né? De pensar eh esse contato. Já foi no barzinho, já teve intimidade na cama, já foi um churrasco, mas não vai, por exemplo, num almoço de família, alguma coisa assim. É hora de perguntar. E aí, a gente em que situação, em que status está o nosso relacionamento? É um relacionamento. Eu diria que não precisava nem ir pra cama antes de perguntar o que a gente ia fazer no relacionamento, né? A gente não precisava de de algumas intimidades, porque a gente são intimidades, se a gente for ver levam consequências muito sérias. Sim. Sim. Então, como é que eu vou, antes de saber o que que essa pessoa quer da vida, eu posso ter algo com ela que pode nascer um filho? ou eu posso ter uma doença grave. Sim. E eu vou ser marcado por aquela situação. Então assim, por que que eu preciso me expor tanto do ponto de vista do meu corpo, se simbolicamente o outro não está comprometido? Olhem, hein? Fica essa reflexão, hum, nessa finalização do nosso programa, hein? E tema para um outro programa, com certeza. Pode ser. Ai, gente, muito obrigada. Foi muito bom bater esse papo. Olha, uma hora passou rapidinho, até passou de uma hora já. E até uma próxima oportunidade, viu, gente? Olha, obrigada pela sua companhia de casa também e eu já faço um um convite aqui. Amanhã o Estúdio Câmara vai falar sobre como revitalizar relações longas e não entrar no piloto automático diante da rotina, trabalho, filhos e responsabilidades. É possível recuperar a novidade? A curiosidade, a conexão sem transformar a relação em uma busca permanente por estímulos. Continue com a gente. Lembrando que hoje às 6 horas da tarde tem reunião ordinária na Câmara Municipal de Campinas e logo mais ao meio-dia tem Câmara Notícia e a gente se vê até um próximo estúdio Câmara. Legal. Pela primeira vez, a Câmara Municipal de Campinas realiza a consulta pública sobre a lei orçamentária anual da cidade, que é o planejamento financeiro que estima as receitas.