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Estúdio Câmara | Quanto da Sua Personalidade é Moldada por Sua Profissão?
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Estúdio Câmara | Quanto da Sua Personalidade é Moldada por Sua Profissão?

136 views Publicado 27/08/2026 HD · 1:02:40

Descrição do vídeo

Quanto da nossa personalidade vem da profissão que exercemos? O debate de hoje discute como anos de rotina profissional moldam hábitos, comunicação e comportamento, em um debate ao vivo sobre identidade profissional na TV Câmara, com participação do público pelo WhatsApp. A edição também traz os destaques do dia: o programa Rede Atenta, de capacitação de equipes de saúde contra a violência contra a mulher; a programação de setembro pelos 190 anos de nascimento e 130 de morte do maestro Carlos Gomes; e a aprovação em primeiro turno do projeto dos vereadores Hebert Ganém e Permínio Monteiro que institui a microchipagem obrigatória de cães da raça pitbull em Campinas.

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Olá, [música] [música] bom dia. Quinta-feira, 27 de agosto de 2026. O estúdio Câmara está no ar. [música] Quanto da pessoa que somos é construída pelo trabalho que fazemos. [música] A profissão não ocupa apenas algumas horas do nosso dia. Durante anos, passamos boa parte da vida dentro de ambientes profissionais, [música] seguindo regras, assumindo responsabilidades, desenvolvendo habilidades e convivendo com determinadas formas de comunicação [música] e comportamento. E será que tudo isso fica no trabalho? A profissão pode moldar a nossa personalidade? É o que vamos discutir no estúdio Câmara de hoje. E os nossos convidados já estão por aqui. Sejam bem-vindos. Mas, é claro, você aí de casa, participe também com a gente pelo WhatsApp 1997829377. Mas antes da gente começar esse bate-papo, nós vamos às notícias de hoje. [música] A prefeitura, por meio das secretarias de políticas para as Mulheres e da Secretaria de Saúde, apresentou o programa Rede Atenta. A iniciativa faz parte do pacote de ações anunciado em janeiro e tem como objetivo combater a violência contra a mulher [música] por meio do treinamento de equipes de serviços de saúde. O processo de capacitação [música] deve atingir toda a cadeia de atendimento da saúde para que a mulher, em situação de violência, possa ser identificada, orientada em todo o sistema de [música] saúde municipal. E também, olha, vamos falar agora de cultura, porque Campinas preparou uma programação especial [música] para celebrar a trajetória do maestro Carlos Gomes, um dos maiores nomes da música brasileira e figura de destaque [música] na história da nossa cidade. Em 2026, o compositor campineiro completa 190 anos de nascimento [música] e 130 anos de morte. Datas que serão marcadas por uma série de ações culturais, musicais e educativas ao longo do mês. Carlos Gomes, celebrado em setembro. [música] Hoje às 2 horas da tarde a gente não, a gente já tem atividade, olha, com a palestra. Hoje não, a gente tem semana que vem, gente, que começa com várias atividades com a palestra, olha [música] só, a palestra balés nas óperas de Carlos Gomes no Clube Probos [música] Rotary Clube, que fica na rua Avenida Benjamim Constan, 1704, no centro de Campinas. E a Câmara aprovou nesta quarta-feira, durante a 46ª reunião ordinária, [música] de autoria dos vereadores Hebbert Ganém e Permíio Monteiro, a proposta que altera o Estatuto de Proteção, [música] Defesa e Controle das Populações de Animais Domésticos de Campinas para instituir o programa municipal de identificação Microsochipagem Obrigatória de Cães da [música] Raça Pitbu e os seus cruzamentos. Pelo texto, todos os animais enquadrados na medida e residentes em [música] Campinas deverão ser microchipados e registrados em um banco de dados oficiais do órgão municipal responsável. [música] Além da implantação do microchip, o projeto estabelece que tutores deverão manter os dados cadastrais atualizados. [música] A comunicação com o órgão responsável também será obrigatória em caso de morte do animal, mudança de endereço, alteração de telefone, [música] e-mail ou outro dado de contato do tutor e também a transferência da responsabilidade do cão para outra pessoa. isso acontecer. O projeto define que enquanto o cadastro [música] não for atualizado, a pessoa que permanecer registrada na base de dados continuará respondendo legalmente pelo cão. Na justificativa apresentada pelos autores, a medida busca ampliar os mecanismos de identificação nos animais como forma de promover a guarda responsável, combater o abandono e facilitar a responsabilização dos tutores. O projeto será analisado ainda em um segundo turno de votação. Vamos ver como fica o clima hoje na região de Campinas. Nesta quinta-feira, a nebulosidade deve diminuir ao longo do dia com predomínio do sol a partir da tarde. A possibilidade de chuva durante a madrugada, mas o tempo deve ficar mais seco e quente ao longo do dia. As temperaturas devem variar entre 18 e 32º e a umidade do ar deve diminuir um pouco, podendo atingir valores próximos de 30% durante a tarde. Portanto, hidrate-se bastante. [música] E vamos agora ao tema do dia. Na maioria das vezes, escolhemos profissões que combinam com determinadas características [música] nossas. Passamos boa parte da vida dentro de ambientes profissionais, seguindo regras, convivendo com determinadas formas de comunicação e comportamento. Um professor, por exemplo, pode levar para casa o hábito de explicar tudo de maneira didática. Um jornalista pode passar a observar os acontecimentos buscando contexto e diferentes versões. Um advogado pode desenvolver o costume de questionar, argumentar e procurar diferentes interpretações. Um profissional da saúde pode incorporar uma postura constante de cuidado e atenção. [música] Mas existe uma pergunta ainda mais interessante. Nós escolhemos uma profissão porque ela combina com quem somos ou depois de exercê-la durante anos, ela também passa a determinar quem somos. E para fazer esse debate aqui no estúdio Câmara, a gente recebe Fernando Freitas, que é psicólogo, especialista em orientação profissional e de carreira, faz avaliação psicológica, atendimento clínico, docente, supervisor, palestrante, mestrando em psicologia pela USF e pesquisador na área de carreira. também é coordenador da ABBP e membro da Associação Brasileira de Orientação Profissional e de Carreira. e também o Leonan Pereira, que é psicólogo, mestrando em psicologia, com ênfase em avaliação psicológica pela USF, também especialista em análise comportamental [música] clínica com formação complementar em ACT, FAP, DPT, atua com psicologia clínica, avaliação neuropsicológica, orientação profissional [música] e carreira. Sejam bem-vindos. E a gente inclusive conversava antes até de eu iniciar a pergunta, eu falei esse monte de, né, de profissões que puxam um pouco a o nosso, a nossa personalidade. E antes da gente começar, a gente até falou o seguinte, as nossas vestimentas, inclusive, né? Sejam bem-vindos. O Leonor falou: "Olha, eu tô agora fazendo uma pesquisa mais voltada pra área do esporte, então tô me vestindo um pouco mais mais livre, mais solto". E aí o Fernando já mencionou, eu já tô um pouquinho mais clássico. A partir então dessa nossa conversa, gente, vamos falar então da vestimenta. A profissão, mesmo quando a gente não tá diretamente atuando ali, ela pode também eh inclusive influenciar naquilo que escolhemos para vestir. Fernando Leonância Gme, muito obrigado. Muito bom dia, pessoal de casa. Bom dia, Léo. Bom dia. Eh, pergunta muito interessante. Eh, a personalidade ela se trata de traços um pouco mais persistentes do nosso comportamento e do nosso jeito de ser. Tava até conversando com o Léo antes da gente entrar [música] que duas pessoas podem escolher jornalismo, que é a mesma coisa, mas uma pode ser mais introvertida e a outra mais extrovertida. Nesse caso, alguém pode ficar na parte mais positiva, que é na frente das câmeras, e a outra pessoa pode ficar atrás das câmeras, mais no roteiro. É o que acontece aqui. Inclusive você de casa sabia que pro repórter ir pra rua, para eu estar aqui apresentando o programa, um outro jornalista iniciou esse trabalho. É o que nós chamamos de produtor. É aquele que faz a reportagem por trás das câmeras. Exatamente. Só para complementar a resposta, isso não significa que a pessoa que tá por trás das câmeras não pode desenvolver habilidade para estar aqui, assim como você também não pode desenvolver habilidade para estar por trás das câmeras. Então, a personalidade ela influencia nossas escolhas de carreira, mas ela não define e é claro que a profissão pode influenciar ali alguns comportamentos. E você [música] que pensa sobre isso? Eu penso que eh para além da ideia, né, da personalidade, a gente precisa fazer uma distinção entre o que é personalidade, identidade, né? Eu vejo que é um pouco de de quem quem nós somos também está presente no que [música] a gente faz, né? Então, a gente tava falando um pouco sobre essa questão da vestimenta, né? E eu falei: "Ah, eu tô vestido mais casual aqui, né? E eu geralmente me visto assim, né? É uma coisa quando eu tô na clínica, né, eu não costumo me vestir muito com eh com uma camisa social, com [música] um blazer, por exemplo, é um blazer, mas faz parte de como eu me comunico, da forma como eu me expresso, né? E isso tem sido para mim a forma como eu me sinto confortável de de estar [música] no mundo mesmo. Sim, né? tem a ver com os meus valores, tem a ver com a forma como eu acredito que eh eu consigo ali acessar as pessoas, né? Sim. Então, mas a partir disso, então, é aquela premissa de que nós fazemos o trabalho, mas o trabalho também nos faz? Bom, eh, de certa forma, o trabalho ele exige da gente algum tipo de eh posicionamento, né? Então, estando dentro do trabalho, a gente precisa talvez eh responder a ele, né, como um ambiente que ele ele nos é. Mas a questão é, por exemplo, quando a gente leva esse posicionamento para fora do trabalho, por exemplo, quando você tá, vocês principalmente psicólogos, que têm toda essa visão que muitas vezes nós não temos, quando vocês estão, por exemplo, num barzinho, num evento ou com os amigos, vocês começam também a fazer essa análise das pessoas enquanto vocês conversam com ela. Existe, nossa, esse aqui tem um tipo [música] mais tal, existe isso ou não? Vocês acabam levando um pouco da profissão pro dia a dia mesmo quando estão fora do contexto de trabalho. Tá, quer responder primeiro? Olha, eh, acho que em alguns momentos isso vem um pouco automaticamente assim, né? Passa [música] aquele pensamento, né? Mas não é algo que a gente busca eh ficar não, mas é inconsciente, né? Porque às vezes a gente tá conversando, uma amiga minha fala: "Ah, jornalista falando já". [risadas] Eu falo: "Não, mas eu não tô trabalhando". Bastante, não, mas isso aí porque você é psicólogo, né? Você tá eh pensando dessa forma, mas acho que um pouco da psicologia ela ela vem na do pensamento que a gente desenvolve, né? Então, muito do que a gente tem eh na clínica eh tem uma filosofia, por exemplo, né? [música] E não só na clínica, mas na psicologia social, na psicologia do esporte, a gente desenvolve uma filosofia, né, de pensamento. Então, [música] eh, a gente fala muito sobre o pensamento dialético, por exemplo, na terapia comportamental dialética, né? Então, [música] é esse comportamento que busca eh esse pensamento que busca considerar, né, que existem duas coisas que estão acontecendo ao mesmo tempo, né? Eh, então eu consigo, eu acabo levando isso paraa minha vida também. Mas isso é o quê? É a personalidade ou é a identidade profissional? Hã, eu acho que é interessante a gente separar, como o Leon tava falando, a parte de personalidade e de interesse de carreira, tá? A personalidade ela fica um pouco mais atrás, então [música] são formas de agir e de ser no mundo características. [música] Dois tipos de personalidade que a gente pode usar. Por exemplo, a gente pode ser mais introvertido, como eu falei, ou menos é ou mais extrovertido. Sim. [música] E isso influencia como a gente vai estar nos ambientes. Você deu exemplo da gente estar num espaço social ali num barzinho. Talvez a pessoa que ela tenha interesse mais por pessoas que seja mais extrovertida, ela vai se ligar muito na relação como as pessoas agem. Talvez alguém que tenha um interesse mais pro para ser arquiteto, engenheiro, observe mais a estrutura do espaço e do local. Olha que interessante. Então, a nossa personalidade ela influencia as nossas escolhas, [música] só que as nossas escolhas ela é uma outra parte mais específica dos dos nossos interesses. Sim. [música] Mas, por exemplo, o que vem primeiro? A pessoa escolhe uma profissão porque ela já tem um determinado perfil ou a profissão ajuda a construir esse perfil? Aí depende. Eu vou dar um exemplo para você. A, na orientação profissional de carreira, [música] a gente fala da escolha de carreira a partir de três principais perspectivas: interesses, habilidades [música] e contexto. Eu brinco que quando eu era criança, eu gostava muito de futebol, sim, interesse, mas eu não tinha muita habilidade. Mas a gente sabe que como toda profissão, dependendo do momento que eu descobri esse interesse, eu posso desenvolver a habilidade para jogar bola. Assim como alguém [música] pode ter muita habilidade em jogar bola, mas talvez não tenha interesse em transformar isso em profissão. E aí a gente tenta pegar esse levantamento de dados, [música] por exemplo, no processo de orientação profissional e de carreira, interesses, habilidades e contexto. Uma pessoa, ela pode falar para mim, eh, eu tenho muito interesse em fazer medicina e tenho habilidade para isso. Só que será que o contexto dela permite que ela chegue na faculdade para estudar medicina? E aí, se eu puder tomar só mais um tempinho da da resposta, eu sempre uso dois exemplos que é imagina uma pessoa eh de classe média com os pais formados, que ela chega no ensino médio e descobre que ela tem um interesse em medicina e ela pode estudar na escola particular e continuar estudando durante a tarde até chegar no vestibular. Agora imagina uma segunda pessoa que até antes descobre que tem interesse e habilidade em medicina. Só que ela chega no ensino médio, tem que mudar paraa noite, numa escola pública e aí durante o dia ela trabalha. Quando essas duas pessoas chegam pro vestibular, a primeira tá muito mais à frente dela. Então não tem tanto a ver com a inteligência, a escolha tem e tem muito a ver com o contexto. Então o contexto ele determina muito a nossa escolha de carreira. Isso não significa que tá mudando a nossa personalidade, tá? [música] Mas o contexto ele delimita muito essa escolha. Sim. Agora, quando a gente fala focado nessa questão da personalidade, um estudo acompanhou mais de 1000 pessoas durante 12 anos, desde a transição entre escola e trabalho e encontrou associações entre características dos empregos e mudanças em traços como abertura, conscienciosidade e extroversão. Um outro estudo com milhares de pessoas na Alemanha encontrou evidências tanto de seleção, pessoas buscando ambientes compatíveis com a sua personalidade, quanto de socialização quando o próprio trabalho influencia características individuais. [música] E aí, Leonão, o que significa na prática essa ideia de seleção e socialização? Bom, eh, eu vejo que a a busca por uma profissão, né, por uma carreira, ela passa muito por esse [música] local também, né, de o quanto a gente se sente confortável, né, para para poder atuar dentro [música] dessa profissão, né? Então, quando o Fernando trouxe, né, eh, eu seleciono uma, um, né, um um algo ali, né, que eu quero trabalhar, enfim, que eu quero, eh, eu vou ter alguns interesses de carreira, enfim, mas eh eles vão estar pautados às vezes em alguma coisa que são que tá relacionado com alguns valores que eu tenho, né? Uhum. Eh, a gente precisa entender também que a maioria das vezes, quando eu tô tentando [música] eh pensar nisso, eu sou um adolescente que tá saindo da escola e que na maioria das vezes eu não tenho essa essa personalidade, né, muitas vezes clara para mim, [música] né? Então, eh, quando eu penso, por exemplo, num estudo desse, né, eu fico um pouquinho crítico em relação a isso. Sim. Uhum. Eh, a gente tem muitas questões em relação a esse essa questão. Eu perdi um pouquinho da pergunta e o meio social ele influencia muito. A gente tava falando sobre a questão de seleção, [música] que são as pessoas procurando ambientes compatíveis com a sua personalidade e socialização, porque ela precisa estar naquele lugar por conta da sua profissão. Sim. [música] Uhum. Né? Então, não é a personalidade sempre que determina onde ela vai. Às vezes ela precisa se socializar porque faz parte da profissão. Sim, ela influencia sozinha, ela não determina. Sim. Por exemplo, ainda usando o exemplo do introvertido, [música] extrovertido, se você é muito introvertido durante o seu ensino fundamental, ensino médio, é muito comum que você vá indo para profissões em que a gente chama de mais convencionais, então de ficar dentro do escritório, de ficar atrás das câmeras, porque a todo momento em que aparece uma oportunidade de você se expor, você não se sente à vontade, não é o que você gosta e você vai cair. indo mais para esse lado convencional. Mas aí a pessoa procura um trabalho que combina com ela e depois de entrar nele, esse trabalho reforça essa característica da pessoa. É isso. Ã, ela é influenciada por essas características dela, só que aí entra um outro detalhe que é o contexto. Uhum. Às vezes a a profissão que cai para ela, a atuação que aparece de oportunidade não tem a ver com o que ela gosta. Hum. E aí [música] habilidades é diferente de personalidade. Então eu posso, por exemplo, eu sou psicólogo, o Leon também é psicólogo, eh eu posso ser mais introvertido, mas não significa que eu não posso desenvolver habilidade para dar aula. Sim. E é uma habilidade que pode ser treinada. Então nesse sentido, o trabalho ele pode influenciar eh algumas características nossas. Já que a gente tá falando inclusive de jovem, eu já veio a pergunta até porque eu tenho adolescente e a gente tá passando por esse momento. Teste vocacional. Me fala sobre isso, [risadas] porque ela fez um monte de teste e falou e não falou que ah, eu acho que não tem nada a ver com isso, o resultado. É. E é esse inclusive é porque hoje a gente tem o advento da internet que você faz um teste lá pré [música] pronto, digamos assim, e eu achei que ela ficou mais confusa ainda. É, a orientação profissional de carreira, né, ela vai incluir muito mais que um teste vocacional. Uhum. Né? Então, eh, o teste vocacional, eh, como a gente tá acostumado a pensar, né? ali tem muito essa ideia de, bom, eu vou fazer ali responder algumas perguntas e ele vai me dar então quais são, né, as profissões que t a ver com o meu perfil, né? Só que isso não considera eh primeiro, né, questões voltadas [música] para eh personalidade, não considera questões voltadas para contexto, [música] né? Eh, e eu acho que esse é um ponto importante da gente bater na tecla, né? Uhum. contexto ele importa muito, muito, porque eh é o contexto [música] que tem grande controle sobre a nossa personalidade, né? Eh, então não dá para eu avaliar eh o que é de o que o que eu tenho ali, né, de eh possibilidade dentro da minha personalidade, dentro daquilo que [música] eu tenho como eh possibilidade de carreira. sem que eu consiga avaliar o meu contexto. [música] Então, sem que eu consiga avaliar de onde eu venho, eh, qual que é a minha história de vida, qual que é os até mesmo minhas ambições, minhas vontades, não tem como eu deixar de avaliar esse contexto. Então, se eu olhar só paraa minha personalidade, eu tô fazendo uma análise que, inclusive, me limita, né, a um traço [música] que é eh como se fosse fatalista ali, né? Eu queria trazer também, inclusive, a ideia de que a personalidade ela é uma bom personalidade ela é uma [música] ideia de que, bom, existem uma série de comportamentos que são extremamente eh bem instalados no nosso repertório, mas não necessariamente esses comportamentos são inatos e eh fixos, né, e definidores de quem nós somos, a nossa identidade. Por isso, essa necessidade da gente fazer essa distinção entre identidade e personalidade, né? Eh, dessa forma é importante que a gente consiga estabelecer essa relação com o contexto para que aí assim a gente consiga também entender que, bom, eu [música] se eu tenho uma uma alguns valores voltados para tá, eu sou uma pessoa introvertida, mas eu quero ser um psicólogo e na minha profissão enquanto psicólogo, eu preciso me colocar, por exemplo, aqui na TV câmera eh, e falar sobre personalidade, né? Eh, então eu vou ter que me expor a isso, desenvolver a habilidade. Então essa exposição ela vai envolver uma um desenvolvimento dessa habilidade e o quanto é que eu tô disposto a fazer isso. Se eu puder complementar a resposta dele, eh na orientação profissional há uma discussão muito grande sobre o nome teste vocacional, porque ainda quando as pessoas procuram hoje elas perguntam: "Oi, você faz teste vocacional?" E a gente não gosta de chamar de teste vocacional, a gente chama de orientação profissional e de carreira, mas não tem problema pro público do dia a dia chamar de teste vocacional. Mas a ideia inicial do teste vocacional é que você vai no local fazer um teste, ou pode ser online, como a mina comentou, eh, e aquele teste vai mostrar as profissões que são compatíveis com o seu interesse. Hoje eu tenho 28 anos. Se eu fizer um teste vocacional e aparecer lá que eu tenho habilidade de interesse em medicina, maravilha, isso pode acontecer. Só que para mim estruturar a minha vida para exercer medicina, eu tenho que ou ter o dinheiro da mensalidade, que é alta, [risadas] ou no ano que vem eh já passar no vestibular para entrar. Quando eu entrar, eu vou ter 6 anos de curso. Isso significa que eu vou terminar com 35 e para mim atuar vai demorar muito. [música] Então não necessariamente o que o teste vocacional apresenta pra gente, que tem a ver com as nossas características, com os nossos interesses, é o que a gente vai seguir no na testagem. O que é mais importante pra gente é o que tá por trás do que apareceu lá. Então o que [música] pode ser igual? Todos nós podemos escolher psicologia, mas o porquê geralmente é diferente. [música] E o porqu importa, porque no caso eu escolhi psicologia porque eu gosto de trabalhar com orientação. Então qualquer profissão que eu sinta que eu adquiri ali um conteúdo eh científico e que eu posso de alguma forma orientar pessoas, eu vou me sentir bem. Isso quer dizer que se amanhã não existir psicologia, outra profissão que eu também consiga exercer essa atividade, eu vou me sentir bem. Ah, agora se a gente pega só categoria, tipo, você vai ser advogado, tá beleza, apareceu que eu tenho compatibilidade com o advogado, mas por quê? Isso cabe na sua, na [música] sua, no seu contexto de vida, na sua realidade, você consegue acessar a faculdade. Então isso vai depender muito das características individuais e contexto pessoal de cada pessoa, né? Tá certo? São 8:30. Lembrando que você pode participar com a gente mandando a sua pergunta aos nossos convidados pelo WhatsApp da TV Câmara Campinas no 19978293776. Eu vou retificar uma informação que eu falei sobre a semana Carlos Gomes. Gente, olha só, a abertura vai ser no dia 2 de setembro, que é a próxima quarta-feira, às 8 horas da noite, com o concerto da Orquestra Sinfônica de Americana, com a presença dos solistas da BA lá no Centro de Convivência. E o a palestra do Vinícius Otaviano, os bal os balés das óperas de Carlos Gomes vai ser na quinta-feira às 2 horas da tarde e a programação é gratuita. Agora, quando a gente fala de ser, [música] eu acho bem interessante. Eu participo inclusive de alguns grupos de mulheres, outros de profissionais, [música] outro e qual que é a importância hoje quando a gente chega numa apresentação, as pessoas às vezes elas nem falam direito a vida delas, elas falam: "Eu sou isso, eu sou aquilo, eu sou aquilo outro". E outro dia eu fui num grupo e eu na hora de me apresentar falei o meu nome, falei a minha idade, minhas filhas, tal e falei um monte de coisa. Aí começou o bate-papo, ela falou assim: "Ai, e ela não falou o principal, que ela é jornalista. Quando você é identificado pela sua profissão ou não mais por outras coisas que você faz ou pelo que você é?" Fernando, que pergunta legal. Eh, hoje de fato, onde que a gente chega, a gente é identificado pelos nossos selos. Eu brinco dessa forma. Eh, eu tava até usando um exemplo que em novembro do ano passado eu ainda [música] não tinha iniciado a minha atuação como docente e nem no mestrado. Eu passei no no processo eh tanto de docente quanto pro mestrado e iniciei em fevereiro, março. Só que a partir do momento que eu sabia que eu tinha passado, eu comecei me apresentar como docente e como mestrando. E eu sei que a partir dali as pessoas já me olham de uma forma diferente. Isso é interessante saber, pra gente saber como o mercado olha pra gente eh no sentido de network, de divulgação. Sim. Mas tem uma prática muito legal que a gente faz também bastante nos grupos de psicologia quando a gente vai se apresentar, que é exatamente não se ater só a nossa profissão, os nossos selos, os nossos títulos, mas eu também sou Fernando, eu também tenho 28 [música] anos, eu também sou casado. Então a gente tem uma história de vida que não é definida pela profissão, só que hoje a profissão ela acaba sendo um eixo organizador da nossa vida. Então, se você não trabalha, você tem mais dificuldade às vezes de fazer uma boa terapia, de ter acesso a um bom plano de saúde, de pagar boas escolas pros seus filhos, de ter uma qualidade de vida melhor. Então, ah, é um dilema isso, né? Porque a carreira acaba sendo esse eixo organizador da nossa vida, apesar de não definir a gente. Então, apesar de não definir, tem muita gente que inclusive se vê num extremo vazio quando por algum motivo ela não consegue exercer mais aquela profissão. E aí, olha, eh, o Fernando trouxe um ponto interessante que o trabalho ele é o organizador da vida cotidiana. Então, a nossa vida cotidiana, ela se estrutura em torno do trabalho. Eh, isso já diz um uma coisa importante, né? Todas as nossas relações muitas vezes iniciam dentro do trabalho. Muitas vezes eh as únicas relações que a gente tem [música] estão dentro do trabalho, né? Eh, o prestígio social ele se encontra, né, dentro do trabalho. Eh, vejo que como conforme o tempo vai passando, né, algumas profissões sempre foram muito valorizadas. E aí eu também vejo que dentro, né, eh, de um viés de ascensão social, ter, por exemplo, uma profissão há um tempo atrás, né, uma um ensino superior, [música] era algo muito grande se você morasse na periferia. Então, por exemplo, falar assim: "Pô, eu tô fazendo faculdade". Era uma coisa de tipo, caraca, você sabe que inclusive para as pessoas da minha geração, e eu sou uma pessoa que vem da periferia até hoje, quando eu encontro muitos amigos daquela época falam: "Poxa, Mirna, você conseguiu". Uhum. Porque naquela época não era fácil, não tinha programa social para entrar em faculdade e era uma era muito difícil. Então, hoje, como você disse, é mais fácil. a juventude tem mais acesso, mais na década de 90, até o começo dos anos 2000, era muito difícil. Pois é. E e aí olha como eh vai trazendo tanto significado e tantos signos paraa nossa vida, né? Eh, eu sou reconhecido pelo meu trabalho, né? Eu sou reconhecido pelo que eu construí. A minha carreira, ela também significa que eu tive sucesso, né? [música] de que eu construí uma vida. E mais do que isso, né, eh, muitas vezes o meu trabalho ele me dá acesso a outras coisas, né? Ele me dá acesso não só ao reconhecimento [música] e e aí eu trago até mesmo o recorte aqui do homem, principalmente, né, nessa ideia de que [música] eu só sou útil, né, eh, se eu tiver ali trabalhando, né? Eh, o homem tem muito esse pensamento, né? Na maioria das vezes aparece muito em clínica, mas por quê? Eh, se eu perco a renda, né, o que acontece é que eu não consigo ter acesso ao dinheiro que vai me possibilitar manter minha família bem, manter alguns algum conforto, né? E isso traz sofrimento, né? [música] Acho que a gente tem tudo isso. Eu acho que isso contribui muito paraa sensação de poxa, falhei, né? Deu então. Mas aí essa cobrança, eh, e esse recomeçar, porque a partir do momento que a pessoa acaba, como o Fernando disse, esquecendo quem eu sou, o que eu faço além do meu trabalho, quando em algum momento da vida o ser humano perde isso, ele se perde também. É, é uma boa pergunta. O processo de orientação profissional e de carreira, ele não se trata só de uma escolha. A gente brinca que a gente consegue fazer um processo de orientação sem testes completo, mas só com teste a gente não consegue fazer um processo de orientação, porque ele é só uma parte da escolha. [música] A escolha ela define muitas coisas na nossa vida. Por exemplo, se você escolher uma profissão que você precisa de liberdade geográfica, com quem você tá se relacionando, isso precisa tá combinado, porque isso pode afetar o seu relacionamento. [música] Então, a gente precisa entender, como eu falei, o que tá por trás dessa escolha. Então, por que que você escolheu jornalismo? Porque eu escolhi psicologia, [música] porque o Léo escolheu psicologia. Sim. Quando a gente entende o que tá por trás disso, se de repente eu perco toda a minha atuação em psicologia, [música] eu consigo pensar em opções que talvez não sejam exatamente igual ser psicólogo, mas que eu sinta que aquilo que tem valor para mim, que é orientar pessoas, tá sendo contemplado. Então, o que ele é importante, que é o que a gente tá fazendo, mas o porquê ele é mais importante ainda, porque ele vem com esse significado. E aí, se eu puder dar um exemplo, eu atuava no centro assistencial com um grupo de família e tinha uma senhora que ela falou para mim que o sonho dela era fazer medicina, só que devido à vida, eh, ela não poôde acessar a faculdade. Só que atualmente ela tava coordenando um grupo de jovens na igreja e ela sentia que lá ela cuidava de pessoas e era por isso que ela queria fazer medicina. Então, na falta da medicina na vida dela, ela achou o sentido por trás, que era cuidar de pessoas, e conseguiu trazer isso pro contexto dela. [música] E o sentido ele é muito importante, porque o contexto a gente não escolhe como a gente nasce, o que que a gente vai ter e as possibilidades na nossa vida. [música] E o sentido ajuda a gente quando perde esse caminho, essa rota, a gente conseguir recalcular e continuar fazendo algo que tem sentido. [roncando] Agora a gente vai falar um pouquinho, inclusive eu não conheço esse conceito chamado Big Five. Uhum. Que trata aí de cinco grandes dimensões: abertura à experiência, conscienciosidade, extroversão, amabilidade, neuroticismo. [música] Uhum. como funciona esse modelo? E é possível dizermos que em determinada característica de personalidade é mais comum em um grupo quando a gente olha paraa profissão, quem vai responder? Eh, eu posso começar? Pode, Fernando, porque essa é da TCC. [risadas] [limpando a garganta] Eh, o Big Five, ele é a teoria mais aceita hoje na psicologia da personalidade. E aí você deu exemplo, eu posso falar da conscienciosidade. A gente não afirma que uma coisa causa outra, mas a gente consegue encontrar muita correlação de pessoas com perfil alto de conscienciosidade. O que significa isso? são pessoas mais perfeccionistas, eh, que pensam mais em todo o projeto do que ela tá fazendo, eh, relacionado com um perfil mais convencional, que seria um perfil [música] mais dentro do escritório, de organizar planilhas e tudo mais. Então, alguns perfis de personalidade tem relações com alguns tipos de profissão, mas não é uma regra. Uma pessoa que tem a conscienciosidade alta pode ser qualquer coisa. É, inclusive nesse sentido, eu não sei se é uma coisa mais característica, não sei se os jovens têm, alguns tem, até por questão que você falou, as questões sociais que permeiam a vida de cada um também, mas [música] por exemplo, a pessoa que é uma profissão, mas ela ainda não consegue, mas ela fala: "Hoje, hoje eu vou trabalhar no escritório, hoje eu vou lá e trabalhar na limpeza de uma empresa". enquanto, [música] tanto que a gente vê tantas histórias que às vezes se tornam até cases, né, de noticiosos. Aí, olha, por exemplo, o pedreiro que estudou e se formou como advogado, o catador que se se formou como médico. E a gente começa a ver que pessoas começam a perceber que aquela primeira escolha profissional não os determina. Hum. porque ela tem um objetivo. Quando que isso também pode dizer, isso não me determina, mas eu quero para chegar lá, eu preciso passar por aqui. Bom, eh, acho que esse esse olhar da ascensão social, ele é ele é interessante, né? Acho que ele perpassa diversas camadas e uma delas é a ideia de que primeiro, né, existe um olhar muito pouco explorado, que é o olhar de que o contexto [música] importa, né? Mais uma vez, eh, pensando que, eh, para que a gente possa pensar, né, eh, numa pessoa, [música] por exemplo, ela tá trabalhando num que a gente chama de subemprego, né, seja lá, ã, algo ali que ela não tá satisfeita, algo que ela queira evoluir, enfim, né? Eh, ela pode ter a motivação, mas só que essa motivação ela precisa estar baseada [música] em algo que o ambiente selecione, ou seja, eh, eu só consigo fazer com que, [música] eh, as coisas aconteçam se eu tenho condições para isso. Uhum. Né? Eh, não adianta eu simplesmente ter o desejo, né, de ir lá e me formar numa faculdade de direita. Algumas pessoas conseguem fazer isso. [música] Uhum. Mas às vezes conseguem com 60 anos. Uhum. Isso não é um problema. Sim. Na verdade, né? Não desistir de algo que é importante. E aí entra um ponto relevantíssimo paraa nossa discussão, que é o quanto a nossa vida profissional, ela também pode ser baseada em valores, né? E aí, como o Fernando tava falando, né, essa coisa de a gente entender eh o que é importante e aí entender que por mais que eu não consiga, né, eh, por exemplo, se eu perco toda a minha possibilidade de atuar como psicólogo, o que é que eu posso fazer para me aproximar disso que me fez escolher a psicologia? Mas aí eu vou trazer a mesma lógica para isso, né? Eh, se [música] me brilha o coração ter uma profissão que eu não consegui alcançar durante a minha vida, durante a minha juventude, eu vou tentar me aproximar dela durante a minha vida, né? né? E por mais que isso me me traga algumas sensações, né, eh difíceis, desagradáveis durante a vida, mas eu também posso ir me aproximando dela, eh, sem necessariamente ter o título, né, de advogado, psicólogo, médico. Claro que eu não vou exercer a profissão irregularmente, só por favor. Mas como o exemplo que o Fernando trouxe, né, eu posso orientar pessoas, eu posso cuidar das [música] pessoas, eu posso me colocar em um trabalho voluntário. Aham. Né? Então, eu posso estar próximo daquilo que eu valorizo, daquilo que eu eh gosto, eh de forma que eu me aproximo. É, mas aí entra a questão do do do contexto. Eu vejo que o [música] trabalho também exige de nós muita energia. E aí, como é? E aí trazendo uma perspectiva crítica, né? Como é que uma pessoa que trabalha às vezes exaustivamente, 12 horas consegue se aproximar, né, de disso, [música] fazendo o trabalho voluntário, enfim. Uhum. Então, não dá pra gente simplesmente dizer: "Ah, olha só, você não tá se aproximando do que você quer, né? Sua culpa". Enfim. Então, eu também trago isso até mesmo para quem tá assistindo, né? É, mas a profissão ela entra nesse nessa questão do eu sou ou eu estou? Acho que a eh eu estou eu estou eu gosto muito dessa perspectiva. Eh, como eu disse para você, a perspectiva da da identidade, ela também não perpassa só uma uma questão do eu eu necessariamente sou algo, um [música] conceito, sim, né? a gente pode entender que contextualmente as coisas são maleáveis, mas há uma cobrança, não é uma cobrança muitas vezes de família ou da própria sociedade. Vou dar um exemplo prático. Ontem eu conheci uma corretora de móveis que ela é dentista, trabalhava com dor, uma série de coisas [música] e ela é da Bahia e agora tá morando aqui em Campinas. Aí ela falou assim: "Ah, eu vim morar com meu meu marido é corredor, vim para cá". E todo mundo da minha família fica perguntando se eu quando, se eu não vou abrir meu consultório de novo. Ela falou: "Eu não quero". Uhum. Eu já trabalhei muito com dor. Eu quero trabalhar com sonhos, que é o sonho de ter o imóvel, etc e tal. Uh, aí ela falou assim: "Mas já encontrei uma solução eu falo pra minha família que eu tô fazendo dinheiro com a venda de móveis para eu abrir meu consultório. Ninguém nunca mais perguntou mais nada. [música] Então, e aí como fica essa pressão da sociedade em você dizer quem você é profissionalmente e muitas vezes até da própria família? Uhum. É um caso muito interessante. Eu tinha até também um um outro exemplo. Eh, tem uma pessoa que eu atendo, que eu fiz o processo de orientação com ela [música] e ela sonha em fazer psicologia, só que ela vem de um contexto mais vulnerável e ela conseguiu bolsa em pedagogia, eh, 100%, e não em psicologia. E aí a gente definiu o plano de carreira dela, [música] que ela precisa terminar a faculdade de pedagogia, porque isso vai ajudar ela estar em empregos melhores que permitirão mais longe ela chegar nessa escolha que é a principal dela. Então o caminho dela vai ser maior. E aí quando a gente fala da pressão externa que vem, [música] e aí nesse caso também acontece pressão da família, eu tenho um outro exemplo [música] de um paciente que ele largou a faculdade de engenharia química na USP no último ano. Ele tava há 3 anos eh já carregando o curso nas costas, não era o que ele gostava. Ele já atua como professor de inglês e ele é muito feliz nessa área e ele só carregou esses últimos três anos por conta [música] da expectativa da família. [risadas][limpando a garganta] E aí, eh, já faz um ou dois anos que ele fez isso. Ele não se arrepende, ele não viu usar o certificado para nada. É, é mais uma expectativa da família. E aí a gente eh precisa pensar eh também, eu, claro que os pais eles se preocupam com a gente nesse contexto, por isso que eles querem que a gente se forme. Eh, a relação com o trabalho, ela muda ao longo do tempo. Se eu for pensar na época do meu pai, um pouco antes, [música] fazer uma faculdade, nossa, significava realmente sucesso. [música] Existiam poucas faculdades e poucas pessoas podiam entrar e muita demanda para quem se formava. Hoje não necessariamente fazer uma faculdade significa sucesso. E se você se formou em algo que você não se sente bem atuando, o efeito ele não vai ser positivo, ele vai ser muito desagradável. E agora ela encontrou algo que ela gosta. E aí eu acho muito interessante que ao longo do tempo ela consiga de repente explicar isso paraa família, fazer a família entender porque é o que tem sentido para ela. Então não, se ela for pro direito, ela vai voltar a se sentir mal. É verdade. Agora nós vamos iniciar então as participações pelo WhatsApp da TV Câmara Campinas. Vou pedir pra produção colocar aqui a primeira participação de quem é. Olha, é o Bruno Almeida do Bom Fim. Ele diz o seguinte: "Transformar algo que a pessoa ama em profissão pode mudar a relação que ela tem com aquela paixão?" [música] Com certeza. Com certeza. Eu vou deixar você complementar. Eh, mas quando eu tava vindo para cá, eu vim de Uber e Uber tava falando sobre isso. Ele largou um cargo bom em empresa para trabalhar de Uber. E ele se sente muito bem com isso. Ele tava comentando que nesse trabalho ele fez uma planilha e ele aprendeu organizar tudo que ele recebe, que dia ele ganha mais, que dia ele ganha menos [música] e ele consegue ter uma uma renda muito maior do que ele tinha no outro trabalho. E é tem uma questão que é da média que as pessoas sempre falam: "Se a gente for consultar a média de todas as profissões, o salário é muito baixo." Só que quando a gente se forma no que a gente gosta e você vai buscar se aprofundar e ser um especialista naquilo, será que você vai cair na média? [música] Eh, como que você pode se estruturar para não cair nessa média e ser um dos profissionais de sucesso? Hoje a gente tem professores de história, de português, que achavam que iam ficar apenas na docência ganhando um salário baixo de professor. E eles compartilharam esse conteúdo de uma forma irreverente nas redes e se tornou uma outra renda deles. Então, o plano de carreira pode te ajudar a pensar como não ser esse profissional que acaba caindo na média. E a maioria deles [música] acaba sendo muitas pessoas que escolhendo, escolheram mais pelo financeiro do que de fato por gostar. Então gostar da profissão com certeza ajuda. Sim. E e eu acredito também que não é necessariamente desenvolver uma relação de ódio também, né? Mas eu acredito que todo o trabalho ele vai envolver uma algumas contingências, né? algumas situações em que desgastam, eh, trazem algum tipo de conflito, né? Isso naturalmente faz com que estresse alguns certos entendimentos, né? E e isso pode fazer com que a nossa relação com essa profissão mude, né? Uhum. Muitas vezes, como a gente tava conversando, essa profissão foi selecionada, escolhida lá na adolescência. Uhum. Né? Quando eu tinha 18 anos, eu tava prestando vestibular, né? Então, eh, lá, eu escolhi medicina porque eu assistia a série e tal, eu achava que aquilo ali era pelo menos parecido. E aí eu fui conversando com as pessoas, eu fui vendo que não era tão parecido, mas ainda assim me brilhava os olhos. Porém, né, eh, por mais que eh aos poucos aquilo ali ainda measse os olhos, pode ser que eu entrando em contato com aquilo, aquilo deixasse de ser tão prazeroso como como era. Como eu disse, é sobre estar, né? Porque não necessariamente, e como o Fernando [música] trouxe, né, as coisas elas são imutáveis, né, a as fases da nossa vida [música] elas mudam. A gente não é a mesma pessoa, né, com 20 anos e com 40 anos, né? Com 40 anos eu posso inclusive gostar de outras coisas, [música] sim, né? Eu posso ter hobbies diferentes, eu posso já não ser muito fã de cuidar de pessoas, por exemplo. [música] Sim. Vamos à próxima pergunta. Então, quem está com a gente aqui no 97829377 é o Vinícius Rocha do Parque Taquaral. Eu vivo numa rotina de muita pressão e correria no trabalho. Quando finalmente tem um momento tranquilo, parece até estranho. A gente pode se acostumar tanto com esse ritmo? Pode. Esse ritmo pode levar ansiedade e ao burnout. Eh, é bem importante. Isso tem acontecido muito, tem chegado muitos casos na clínica e pessoas [música] muito resilientes têm dificuldade de perceber que estão em um ambiente de trabalho às vezes eh que não é saudável. Ah, [música] algumas chegam no consultório e comentam: "Nossa, Fernando, eu não tô conseguindo dar conta do meu trabalho e eu tô vindo aqui porque eu quero eh começar a dar conta." Aí eu pergunto, os seus colegas que fazem a mesma função que você estão com o mesmo [música] problema ou não? Porque se tiver, talvez o problema não esteja em você, talvez o problema esteja na empresa. E esse processo de autoconhecimento às vezes muda muito como o profissional se vê no trabalho, porque uma coisa é você não bater a meta porque você não é um bom funcionário e você acredita nisso. Outra coisa é quando a empresa não oferece condições para que ninguém bate a meta. Então, por mais que a situação a mesma, a forma como você lida com ela às vezes ajuda você não ficar doente, porque [música] agora você não acredita mais que é sua culpa. Sim. Vamos à próxima pergunta então. Ou Leonan quer dar também um pitaco nessa resposta aí. Tranquilo. Vamos lá então. Quem tá com a gente agora e você pode participar também. Apesar que hoje gente as participações já se encerraram. A gente tem aí mais perguntas de quem já enviou, que é a Patrícia Mendes da [música] Vila Industrial. Quando alguém entra muito jovem uma profissão, pode acabar construindo boa parte da vida adulta a partir daquele ambiente de trabalho, Leonan? Sim, pode. Na, como eu disse, né, na verdade o a o trabalho ele vai estruturar a maior parte da nossa vida cotidiana, né? Então, eh, todas as escolhas que a gente [música] possa pode vir a tomar pode sim ser norteada através do trabalho. O trabalho pode ser ambiente para essas escolhas, né? Sim. Eu acho que a pergunta da Patrícia ela é importante porque, bom, a decisão que a gente toma lá atrás, ela pode ter impactos muito grandes na nossa na nossa vida. [música] Não tô dizendo que necessariamente é um erro, né, e que a gente não deveria [música] decidir cedo. Na verdade, é é importante que a gente decida, né? enfim, não tem muito o que fazer, mas eh como a gente tava falando da pressão, enfim, eh só que por outro lado, eh acontece que durante a nossa a nossa a nossa vida, né, durante a a o decorrer da nossa vida, a gente vai ter que manejar algum tipo de de de situação que vai decorrer sim dessa escolha, né? Sim, e situações que muitas vezes podem nos colocar em algumas saias justa. Então, eh, por exemplo, né, eu atendo muitas pessoas que me vem com essas demandas assim de, ah, eh, eu quero mudar de área, né, eu quero transicionar, eu quero ir para outra área assim, fazer uma transição de carreira. E eu acho que essa é mais uma demanda da orientação profissional de carreira, né? Eh, é um ponto extremamente importante e que também eh muitas vezes a gente olha paraa orientação profissional de carreira e acredita que tá muito relacionado com essa parte da escolha, [música] né, de profissões, mas não, a gente tá presente na transição de carreira, a gente tá presente na aposentadoria, inclusive, né? Eh, então sim, [música] acho que respond tem até empresas inclusive que fazem um plano de aposentadoria justamente porque tem aquele momento em que a profissão virou o quem sou para que esses aposentados depois não entrem em uma depressão profunda e tudo mais. Tem empresas já com essa visão para preparar essa pessoa paraa aposentadoria, para deixar de o quem sou ser. Eu sou médico, eu sou do advogado, eu sou encarregado, esse tipo de coisa. Tem mais pergunta no ar? Vamos lá. Quem está com a gente é a Juliana Rocha do Taquaral. Algumas profissões têm muito prestígio e status. Isso pode fazer as pessoas permanecer uma carreira mais pela imagem do que que construiu do que pelo que realmente deseja. Fernando, com certeza. Eu brinco que toda vez que eu assisto Graz Anatomy, eu quero [música] ser médico. [risadas] Então, na orientação pra gente é muito importante quando a pessoa fala: "Eu quero ser médico, eu quero ser advogado". Principalmente essas profissões que têm muito prestígio, eu perguntar o porquê. Porque pode ser ou por pressão da família, pode ser ou pelo prestígio que você acha que aquela profissão tem. [música] Parte do processo é aproximar a pessoa que tá interessada do que realmente é a profissão. Eu fiz há um tempo atrás com uma adolescente o processo e ela [música] começou com medicina, a gente fez um um teste de interesses e o social que é tipo você lidar com pessoas, a parte dela social deu [música] extremamente baixo. Nossa, vai ser médica como? H ela comentou, é realmente eu não quero ser médica. E depois apareceu outros interesses como [música] liberdade geográfica. E aí, pô, medicina também com liberdade geográfica não combina, pelo menos a a curto prazo. Só se for trabalhar no médico sem fronteiras, né? Aí aí consegue. E aí aí a gente foi estruturando, mas tem pessoas, olha só, quanta coisa tem que analisar. A gente foi estruturando a partir disso, né? Eu gosto de complementar, só que você gostar também de uma profissão não define que estar nela vai te trazer felicidade. Por exemplo, eu uso o Ronaldo Fenômeno como exemplo. [música] Ele sempre sonhou em jogar bola, foi um jogador dos que mais teve sucesso, mas hoje ele odeia assistir futebol e falar de futebol. Ele comenta disso em todo lugar, porque se profissionalizar jogador trouxe muito sofrimento para ele. Ele se machucou muitas [música] vezes. Então, gostar por si só e ter interesse e habilidade não necessariamente traz felicidade. [música] É como a gente falou e o Leandro completou, interesses, habilidades e confus. É, mas aí no caso dele, por exemplo, por interesse, principalmente porque ele precisa disso, ele assistiu a Copa lá e aparecia a todo momento, inclusive participou no final junto com a dona lá, mas aí já entra o interesse, uma outra questão de empresário. De empresário, isso mesmo. Eu tenho tenho um um ponto que eu queria complementar que é para além disso, existem algumas profissões que seguem um legado familiar, né? Então, [música] eh, pai que é médico, que muitas vezes incentiva e às vezes eh tem essa, [música] a gente falou da pressão, tem essa pressão, mas que eh acaba [música] seguindo um legado, né? Então, a gente vê avô, né, pai, depois o o filho ali seguindo enfim. Sim. Então, necessariamente às vezes é pelo pelo exemplo, pelo estímulo, sei lá, sei lá, alguma coisa leggado, né? Uma coisa assim, né? Uma questão de tradição que a psicologia vai explicar num outro programa. Olha, já é um tema, hein, gente. Vamos então para a nossa última pergunta de hoje. Quem fala conosco é o Marcelo Costa do Parque Industrial. Em ambientes profissionais, onde demonstrar insegurança é visto como fraqueza, a pessoa pode acabar se acostumando a esconder o que sente também fora do trabalho. Sim, sim, sim. Eh, o a gente passa a maior parte da nossa vida eh de adulto no trabalho, lá que a gente se relaciona com as pessoas e lá que a gente aprende muitos comportamentos que a gente vai repetindo em outras áreas da nossa vida. Então, eh, por exemplo, [música] se a gente acaba criando uma ansiedade social para participar de reuniões, de grupos, para opinar, aquilo pode generalizar para outras áreas da sua vida. Então, de fato, eh, a as questões que acontecem no trabalho podem influenciar no cotidiano, sendo bem assim, sem filtro, eh, a minha visão como alguém que tá de fora, né, do corporativo, né, enfim, a pessoa que trabalha com a psicologia clínica, psicologia do esporte, eu vejo que a gente eh tem ali uma uma um olhar dentro das empresas muito Bom, eu preciso tomar um certo cuidado, eu preciso agir ali com uma cautela com o que eu falo, com, né, como eu vou me portar perto do meu chefe, como eu vou me portar com essa pessoa e se essa pessoa fazer isso, eh, e tornar isso contra mim, se eu falar isso, isso vir contra mim, né? E muitas vezes isso pode sim se tornar uma um modo ali de comunicação, um hábito, né? é com os, por exemplo, com a parceira, com o parceiro, né? Eh, deixar de comunicar, por exemplo, que aquilo que foi dito me deixou triste, me deixou magoado, me deixou eh chateado por medo de que de alguma forma aquilo seja usado contra, né? E e é um medo interessante, né? Porque são relações diferentes. Talvez relações do trabalho não sejam tão importantes quanto relações que a gente tem fora. Por exemplo, uma relação com o marido, com a esposa, com as filhas, né? com os filhos são relações extremamente importantes, diferente de uma relação que eu tenho com um colega de trabalho. Então, faz sentido que eu tenho algumas ressalvas com o colega de trabalho, mas com a minha família às vezes pode ser que não tenha tanto sentido assim. Olha, muita coisa pra gente conversar, mas infelizmente o nosso tempo acabou, passou super rápido hoje e com certeza fica aqui o convite para vocês voltarem em uma outra oportunidade. Muito obrigada. E você aí de casa, se você escolheu sua profissão por causa de quem era, quanto dela acabou ajudando a construir quem você é hoje? Fica aí a reflexão. E amanhã tem mais tema interessante aqui no nosso programa, popularização de conteúdos sobre TDAH, autismo e outras condições neurodivergentes que ampliou o acesso à informação, mas também trouxe o risco de transformar características comum do comportamento em sinais de possíveis transtornos. Qual a diferença entre identificação, [música] informação e autodiagnóstico? Quais os riscos da banalização e a importância da avaliação profissional? Então, eu espero você amanhã aqui na TV Câmara Campinas. Tenha um bom dia. Ja. [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]
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