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Estúdio Câmara | Qual o Limite da Confiança nas Relações?
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Estúdio Câmara | Qual o Limite da Confiança nas Relações?

99 views Publicado 31/08/2026 HD · 49:11

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Compartilhar senhas do celular e monitorar a localização do parceiro são provas de confiança ou já sinalizam controle? O Estúdio Câmara desta segunda-feira, 31 de agosto, recebe os convidados Pedro e Sara para discutir limites saudáveis em relações amorosas, familiares, de amizade e no trabalho, e como o cuidado em excesso pode afetar a saúde mental. A conversa é conduzida no formato de entrevista e debate da TV Câmara, que também adianta o tema de terça-feira: pais, filhos e o acompanhamento nas plataformas online.

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[música] Bom dia. Segunda-feira, 31 de agosto de 2026, [música] começa agora o estúdio Câmara, que hoje fala sobre confiança, [música] limites e saúde mental nas relações. Participe com a gente no WhatsApp da TV Câmara Campinas que é o 1997829377. [música] Estamos aqui já com os nossos convidados, mas antes vamos às notícias de hoje. O temporal de cerca de 10 minutos que atingiu [música] Campinas neste domingo causou estragos nas regiões sul e leste da cidade. Não houve vítimas. O centro de saúde Paranapanema, no Jardim Guarani, não abrirá hoje, pois a unidade foi destelhada, houve entrada de água no prédio e afiação no chão. Equipes de manutenção vão avaliar todos os danos causados pela chuva [música] e definir as providências necessárias. As pessoas devem procurar as unidades de saúde mais próximas e quem tiver consulta agendada vai receber um contato para o reagendamento. [música] Também o Centro de Educação Infantil Bríida Quinal Costa, que fica ao lado do Centro de Saúde do Paranapanema, também foi atingido. O prédio foi destelhado, houve queda de parte de paredes e grades e avazamentos. Não haverá aulas nesta segunda-feira. E já a Escola Municipal de Ensino Fundamental, professor Círio Exel Magro, também teve danos devido à tempestade com comprometimento da parte elétrica da unidade e também danos a [música] grade, além de queda de árvores. Por isso, não haverá aulas nessa segunda, terça e quarta-feira. Ontem mesmo, duas equipes de arborização foram acionadas nas ruas para retirar as árvores das vias e recolher a galharia. A limpeza das ruas será realizada nesta [música] segunda-feira pela manhã. E a INDEC interdita também nesta segunda-feira um trecho da rua Antônio Volp, no Jardim Novo Maracanã, no distrito do Campo Grande. [música] O bloqueio será realizado das 9 da manhã às 4 horas da tarde e a interdição é necessária para a execução de obras de rede de gás pela Congás e vai ocorrer na altura do número 621 entre as ruas Gurmercindo Rodrigues e Coronel João Sales. agentes da Inde que estão no local para orientar sobre os desvios no trânsito. E a Câmara Municipal de Campinas vota hoje na 47ª reunião dois projetos que tratam de saúde pública e conscientização ambiental e digital. Uma das propostas, de autoria do vereador Marcelo Silva [música] cria uma política municipal voltada à prevenção do AVC, o acidente vascular cerebral e ao atendimento e apoio às vítimas. A outra, de autoria dos vereadores Wagner Romão e Luiz Yabico, institui a Semana Municipal da Limpeza Digital, com ações para conscientizar a população sobre [música] os impactos do acúmulo de dados e do descarte de equipamentos eletrônico. Hoje são 10 projetos na pauta e para acompanhar a sessão basta ir ao plenário. [música] a entrada pela Avenida Engenheiro Roberto Mande, número 66, no bairro Ponte Preta. E, claro, [música] acompanhar a transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas. Vamos então agora à previsão do tempo. Hoje o dia amanheceu com alguns pontos de chuvas localizadas e deve ser de sol com algumas nuvens e chuva passageira. As chances são de 40%. [música] À noite, muitas nuvens, mas com tempo firme. A temperatura fica entre a mínima de 19 e a máxima de 32º. [música] Vamos ao tema de hoje agora, porque as relações fazem parte de praticamente todos os momentos da nossa vida: família, relacionamentos amorosos, amizades e trabalho. E em todas elas existe uma palavra que costuma aparecer como fundamental, a confiança. Mas confiar significa contar tudo. Nós vamos falar justamente, olha, sobre que compartilhar senhas, mostrar onde está o tempo todo e quando o cuidado começa a se transformar em controle. Da mesma forma, estabelecer limites significa se afastar das pessoas ou pode ser justamente uma forma de preservar as relações saudáveis. Hoje nós vamos falar sobre confiança, limites, influência e saúde mental nas relações dentro e fora de casa, nas amizades, nos relacionamentos amorosos e também no ambiente de trabalho. E para conversar sobre esse assunto, nós recebemos dois especialistas. Está conosco Pedro Cardoso Carvalho, que é psicólogo, especialista em neurociência, comportamento e psicopatologia. E também Sara Lima, que é psicóloga especialista em neuropsicologia com experiência no atendimento de crianças e adolescentes. Sejam bem-vindos. E eu já vou começar uma pergunta pros dois falando dessa palavrinha confiança. Queria que cada um colocasse o seu ponto de vista sobre o que é confiar. Seja bem-vinda, Sara. Muito obrigada. Agradeço por estar aqui. Vamos compartilhar juntos sobre esse assunto que é muito relevante para esse momento em que estamos vivendo. Bom, a confiança é entender que o outro é alguém com quem você pode contar. Esse é o primeiro ponto, certo? E saber que essa pessoa é alguém que vai te acolher no momento de dificuldade, né? Vai manter ali um cuidado com você. Então você tem ali a liberdade de relaxar e confiar. Sim. Agora, Pedro, seja bem-vindo também. Do ponto de vista psicológico, o que está por trás da construção da confiança nas relações? Perfeito. Bom, primeiramente, bom dia, Mirna. Bom dia, Sara. Obrigado pela colaboração e pelo convite da TV Câmara, né? Eh, eu acho que esse tema da confiança ele é muito necessário porque é inevitável a gente pensar primeiro em relacionamentos conjugais, né? Relacionamentos românticos. Eu acho que a primeira coisa que passa pela minha cabeça, eu imagino que pela de muitos espectadores, é a gente falar sobre relacionamentos conjugais, né? Mas na verdade a confiança ela é um laço que que estrutura todas as relações sociais que a gente tem, né? Enquanto sociedade, todos nós dependemos um do outro em algum nível, né? Então a confiança tá sempre presente. E é muito importante também entender que confiança e limites não são opostos, né? Sim. Agora, Sara, a nossa história pessoal, ela também influencia na maneira como nós confiamos nas pessoas e como também nos tornamos confiáveis. Sim, sim. Tem o peso muito grande, porque a base da nossa visão sobre as pessoas é aquilo que a gente vivenciou na nossa infância, né? Nós aprendemos a lidar com as pessoas de acordo com aquilo que foi vivido. Então, os nossos comportamentos eles acabam sendo muito moldados. Sim, pelas nossas experiências. E a confiança, claro, ela não está isenta disso. Então, a maneira como nós confiamos no outro tem a ver com as nossas experiências de infância e adolescência, assim, e também nos molda para sermos pessoas confiáveis ou não. Pedro, agora diante inclusive do que a Sara colocou aí, com quem podemos contar, eh, e você também falou dessas relações, de que forma então a gente vai pode falar da desconfiança? Uhum. Quando é o contrário, certo? A desconfiança, ela pode ser em algum nível saudável, é como se a gente tivesse um espectro, né, entre o que é o patológico e o saudável da desconfiança. A desconfiança, ela vai se manifesta em sintomas, em sintomas, desculpe, em sentimentos como ciúmes, por exemplo, né, que são sentimentos naturais, todo mundo tem e em certo nível eles podem e devem ser saudáveis. Só que a gente tem uma linha muito tênue entre o que é saudável dessa desconfiança e o que pode vir a se tornar patológico, né? eh, principalmente na questão da necessidade de checagens, né? Então, geralmente para quem chega a um nível de desconfiança patológico, a gente vai ter uma necessidade de checagens que nunca se extenua, né? Eh, então não importa quanta informação a pessoa obtenha, se ela tem a senha do celular falando em contexto de relacionamento conjugal, né, se ela vê as mensagens, etc., nunca vai ser o suficiente, né? Eh, então a desconfiança ela pode ser sim um certo nível saudável, né? Quem não desconfia também pode ser muito passado para trás, né? Não só em relacionamentos conjugais, mas na vida como um todo. Ela é necessária, mas a gente precisa ter esse equilíbrio para que as checagens, né, as verificações, as certezas, elas se mantenham nesse nível saudável, porque essa busca por essas verificações, ela tende eh a não se exaurir, certo? Sim. Mas aí a gente tem, como você disse, uma linha T, né, gente? Porque eu vou dar um exemplo, né? Existe, por exemplo, você falou de checagem. Uhum. Às vezes a pessoa quer checar o seu celular e fala assim: "Ué, mas se você não tem nada a esconder, não tem que se importar e me mostrar". Uhum. Quando essa checagem ela é de certa forma necessária ou importante e quando ela passa a ser um controle, Sara? Sim, é algo muito específico, porque não é fácil pensar nessa situação, porque aí a gente tá falando de limite, sim, né? Então, até onde está o limite do outro dentro desse contexto de relação? E como Pedro falou, qualquer relação a gente tá falando, né? Não só relação conjugal. Eh, mas a gente percebe que quando é algo que dentro do contexto da relação aquilo é nocivo para si e para o outro, a gente percebe que isso já passa do limite eh estabelecido ali do que é saudável ou não. Que eu quero dizer com isso. É, muitas vezes a gente olha pros dois lados, né, nessa questão da checagem, como você falou, e a gente olha pro lado de quem é o alvo ali, né? Posso checar, posso ver, mas aquela pessoa que tem essa necessidade, ela também está passando por algum sofrimento. Uhum. Então, os dois estão vivendo uma situação difícil e de desconfiança que não faz bem dentro da relação. Sim. Então, a gente percebe que quando esse tipo de atitude, esse tipo de comportamento não faz bem pra relação, a gente já vê que isso passou do limite. Sim. Mas e aí, Pedro? Por exemplo, há convenções entre as relações. Vamos falar até do ainda do celular, que é alguma coisa tão, por exemplo, tem casal que combina, olha, um tem a senha do outro e tá tudo bem. Sim. Tem casal que um fala assim pro outro: "Eu quero a sua senha". Uhum. Não, mas a senha é minha. Quando você quiser, eu te mostro o meu celular, mas eu não vou te dar a minha senha. Uhum. E aí tem um outro lado, por exemplo, filhos. Uhum. Senha. Uhum. Até que idade? Não. Aí eu tenho privacidade. Mas ué, você tem 14 anos, 15 anos, você quer até privacidade? Gente, como a gente trabalha, por exemplo, uma simples senha de celular? Quais são essas convenções? Isso eu quero dos dois, começando pelo Pedro. Perfeito. É, a gente tem duas especificidades aí, né? Quando a gente olha para crianças e adolescentes, a gente vai ter um cenário um pouco diferente. Acho que a Sara consegue colaborar bastante, né? eh por ter essa experiência no atendimento a esse público. Eh, mas aí já é uma outra experiência, né? Agora, eh, na questão de relacionamentos conjugais, né? Eh, de fato, cada um sabe onde o o calo dói, né? Eh, e é necessário esse esse combinado, né? Esse diálogo a respeito de até onde a gente pode ir, né? Eh, achei interessante o que a Sara disse de não jogar a luz aqui os holofotes apenas sobre quem é o alvo, né? quem eh tá sendo inquerido ali, né, mas também sobre quem tá realizando o inquérito, né? Eh, de fato, existe um sofrimento dessa pessoa e que tende a ser um sofrimento de difícil alívio, né? Como a gente disse, as checagens elas tendem a se perpetuar, né? Eh, não existe um ponto geralmente onde eh se satisfaz. Agora, quando a gente olha para crianças e adolescentes, eu diria que isso depende muito da idade, né? até uma certa idade, principalmente até ali o início da pré-adolescência, os limites, eu diria que eles precisam ser eh um pouco mais impostos, de fato, né? Não sem o diálogo, evidentemente, os pais precisam dialogar de uma forma muito sensível com essa criança, né? Mas apresentar os limites enquanto parte da rotina, não como algo eh opcional, né? A medida que a gente vai entrando na pré-adolescência e adolescência, é importante que a gente tenha algum nível de flexibilização, mas que eles ainda estejam presentes, né? Sim. Mas acredito que a Sara consegue eh colaborar muito melhor do que eu nessa parte, né? O que você falou faz realmente muito sentido e é extremamente relevante. E realmente a gente tem que entender primeiro ali dentro desse contexto da dos limites, qual é o meu papel dentro daquela relação, o que eu quero dizer com isso? E aí vale para todos, né? Quando os limites estão claros, quando os papéis estão claros, a gente entende até onde a gente pode ir. Então, quando se tem uma família minimamente funcional, os filhos entendem que eles podem ir até certo ponto. Então, os limites precisam ser colocados como horário, tempo de tela, por exemplo, né? Que é algo que eu trabalho muito no contexto de consultório, assim, acredito que todas as mães venham com essa queixa, né? Meu filho não sai do celular, ele não sai da televisão, ele quer ficar ali o tempo todo. Então, qual é o papel dessa mãe? Impor ali até onde isso vai. Uhum. Tô dando um exemplo aqui específico que pode abranger outros comportamentos, né, dentro do do ambiente familiar, mas a gente entende que precisam estar claros ali os papéis, né? E claro, quanto menor a criança, se possível, a gente poderia poderia falar ali que menos telas é o ideal, né? até pro nosso desenvolvimento neuropsicológico, mas a gente sabe que na realidade que a gente vive isso não funciona, né, de maneira zerada ali, né? Muito difícil. Então a gente vê que conforme aquela adolescente ele vai crescendo, isso precisa ser realmente feito com muita conversa e com muito diálogo, não sentido de proibição, mas no sentido de entender que aquilo é para proteção. Uhum. que o tempo pode ser usado de uma maneira muito mais produtiva, por exemplo. Sim, a gente tá falando inclusive de rede social. Muitas vezes o filho faz, por exemplo, um Instagram que o pai vê, mas a gente não sabe que ele fez um tal do PVD. Uhum. Sim. Para que a família e só algumas pessoas vejam e de repente você descobre que tem alguma publicação ali que não é legal nesse PVD. Uhum. E aí? Não, mas esse é meu privado, não? E aí, como negociar isso? Porque tá difícil negociar com eles, né? É, eu acredito, Mirna, que assim, esse é o momento principal de se trabalhar justamente a confiança, né? Eh, os limites são muito importantes, mas é quando a gente dá algum nível de flexibilidade, principalmente ali na entrada da pré-adolescência e adolescência, que a gente realmente vai trabalhar essa confiança. Até porque se a gente mantém limites muito rígidos durante um período indeterminado de tempo, né, durante o desenvolvimento dessa criança ou adolescente, a gente não tá desenvolvendo autonomia no fim das contas, néum? eh esse adolescente, pré-adolescente, enfim, eh em um determinado momento vai ter que aprender a segurar as próprias rédias da vida da vida digital dele, da de todo o resto da vida também, né, privada. Então é importante que a gente tenha algum nível de flexibilidade e que exista muito diálogo e educação a respeito disso. Então, por exemplo, o pai que descobre um perfil PVD, tem o outro nome também que são os dicks, né? Eh, e quem um pai que descobre esse esse perfil, o meu conselho seria que eh a minha orientação, aliás, né, seria que tentasse conversar a respeito, né, não no sentido de impor, de vamos apagar isso, etc. depender da idade da criança que estamos falando, evidentemente, né? A partir de uns 12 anos, por exemplo, na pré-adolescência, seria legal a gente ter um diálogo de conscientização, né? Deixando uma certa autonomia, ainda se possível em algum nível, controlando o tempo de tela, né, que eu acho que é importante, mas dando uma certa autonomia para trabalhar essa confiança também e pra gente eh desenvolver aí o que vá ser futuramente um adulto funcional, né? De toda forma, quando você fala num contexto familiar, eh proximidade com a família, né? Você tem pai, mãe, sogro, sogra, né? E você tem bastante proximidade quando estabelecer essa confiança, mas também dar limites, porque muita gente, por exemplo, não consegue dizer não às demandas da família extensa. Uhum. E aí? Sim. Eh, é algo muito complexo, realmente, né? Porque a gente tem que entender qual é o motivo desse não conseguir dizer não, né? E quando a gente dá uma pesquisada nessa questão, eu tenho algumas pessoas que estudam nessa vertente de da linha do comportamental, né, enfim, que é a área que eu me baseio para trabalhar. E eles falam bastante, por exemplo, Aeron Beck fala sobre essa questão dos limites, que isso envolve muito mais. eh a maneira como a pessoa acha que o outro vai vê-la. Então, assim, por exemplo, eu não posso dizer não, senão vou me achar uma pessoa ruim. Então, tem muito mais a ver com ela, gera culpa culpa do que com o outro. Então, não são os pedidos do outro que, na verdade, pesam ali. É como ela se vê no sentido de eh eu não vou ser bem aceita nesse ambiente. Se eu disser não, eu não vou ser bem vista, as pessoas não vão gostar de mim. Então a gente tem que entender esse ponto, porque isso precisa ser trabalhado. Sim. E eu acho que isso é extremamente importante, se me permite complementar, eh, de fato, a gente vai criando, eh, certas crenças, né, certas suposições do que o nosso comportamento vai reverberar no ambiente. Isso tem muito a ver com a nossa cultura também, né? Aqui no Brasil a gente tem uma cultura muito de associar limites a uma certa rigidez, a uma certa hostilidade, né? Existem muitas culturas, eh, culturas de origem anglo-saxã, por exemplo, né? Se a gente vai paraos Estados Unidos, paraa Inglaterra, se a gente vai para culturas como a Alemanha, por exemplo, o pessoal da da Europa ali lida de uma forma muito diferente com isso, né? Muito mais tranquilo, muito mais tranquilidade a questão de imposição de limites, tanto que a gente tende a olhar para eles e enxergar certa frieza, né? É, por exemplo, olha, a gente estabelece esses limites e às vezes é considerado, por exemplo, nossa, você não tem consideração pela sua família, você não ama mais a sua família, a sua família sempre te ajudou, tal, tal, tal, e você quando então a gente consegue estabelecer um limite e dizer o seguinte: "Olha, eu amo vocês profundamente, mas ainda assim eu preciso de distância, preciso de privacidade, preciso de autonomia e nem sempre participar dos enroscos da família. Como dizer isso e como estabelecer esse limite? Sim, eu vejo que é algo que a pessoa vai precisar construir e uma construção ela leva um tempo, né? O que que significa isso? Talvez é aquela pessoa que sempre falou sim para tudo, né? Uhum. sempre estava disponível em determinado ambiente. Eh, e aí ela percebe que aquilo não é tão positivo. Então, existe uma necessidade de, por exemplo, implementar novos limites ali. Eh, a outra pessoa, com certeza inicialmente vai causar uma estranheza, nossa, por que essa mudança? Mas quando se estabelece limite sem falar do outro e sim de si, né, como uma forma, por exemplo, de proteção, de autocuidado, as coisas mudam um pouco, né? A gente tem uma tendência muito natural a justificar todo não que a gente fala, não é? A gente não tem a facilidade de dizer apenas: "Não, eu não posso, eu não vou". Tá? Que que a gente faz? A gente fala: "Não, a por não é assim". ul sempre. E às vezes a gente inventa uma desculpa que não é nem real, né, para aquela situação. Então quando a gente estabelece que a gente pode dizer aquele não e mesmo que inicialmente isso gere uma necessidade de justificativa, que isso sempre seja voltado para aquilo que a gente está fazendo. Então eu não posso, porque eu não consigo nesse momento organizar o meu tempo para essa atividade. Sim, né? e não colocar o outro como sendo eh o agente daquela ação. Isso que eu quero dizer. Isso ajuda o outro a entender que não é sobre ele. Então, quando eu falo não para alguém, a pessoa não ficar ofendida, porque aquilo não é sobre ela, é sobre mim. Uhum. Hum. E eu acho que é importante também a questão de normalizar que, principalmente devido à nossa cultura, isso ser lido e de uma certa forma a representar rigidez de hostilidade, às vezes, por mais que a gente possa se esforçar para fazer com que essa com que essa negativa reverbere de uma forma tranquila no outro, às vezes a gente ainda vai sair um pouco mal visto, né? Eh, e eu acho que isso acaba sendo inevitável, acho. Inevitável. Sim. E eu diria que essa é a maior dificuldade de impor limites. É a dificuldade das pessoas de tolerar o mal-estar e de ser um pouco mal visto, sabe? Eh, e esse um pouco mais mal visto às vezes nem vai ser eh com olhos tão ruins assim. A pessoa, ela tem todo um contexto de você, às vezes ela te enxerga muito positivamente, mas eh alguns minutos de de ser mal visto já é suficiente eh muitas vezes para produzir um mal-estar tão grande que a maioria das pessoas simplesmente se esquiva ou aceitando eh ultrapassar os limites ou de repente criando desculpas, como a gente disse, né? Porque a gente acha que sempre precisa de uma justificativa muito boa para dar alguma negativa. Então a gente precisa também aprender a tolerar esse desconforto, né? Sim. E isso vale também, gente, pras amizades, porque às vezes a gente tem aquele amigo que pede ajuda constantemente, liga qualquer hora, faz comentários que incomodam, critica as suas escolhas ou espera que você esteja sempre disponível. Mas é aí quando a amizade deixa de ser uma relação de apoio e passa a ser emocionalmente desgastante. Uhum. Sim. Vamos pensar um pouquinho sobre isso, né? Porque e amizade é para ser algo positivo, correto? Não é? É para ser leve. Uhum. Eu entendo que quando já não está sendo mais, quando você não sente que tem liberdade para uma negativa, aquela amizade já está sendo nociva. Sim. Quando você tem alguém que é próximo e você não pode dizer um não, a gente tem que entender que existe alguma questão ali. Sim. pens nesse caso é preciso. O que que é o ideal? As pessoas falam assim: "Olha, eu simplesmente me afastei daquele amigo". Ou então antes desse afastamento é necessário que haja a chamada conversa difícil. Olha, tem algumas coisas que estão me incomodando. Eu gosto muito de você, mas é preciso colocar isso as claras, Pedro. Sim, eu diria que essa conversa é muito importante. Se a gente parar para pensar, na verdade, eh, até quando a gente vai olhar pro adoecimento psicológico, né, eh, praticamente todos os transtornos de grande relevância e de grande prevalência que a gente tem atualmente na nossa cultura, eles têm algum componente social. Em geral, as pessoas que adoecem mentalmente têm muitas dificuldades de eh lidar com relacionamentos, né? Nós somos animais sociais, né? Então, sempre que a gente tem uma dificuldade de lidar com o relacionamento, seja de impor limites, de expressar emoções, de receber inclusive negativas, né, a gente tem uma chance muito maior de um adoecimento psíquico, né? Então eu acho que essa conversa é muito importante, porque a gente não sabe o quanto a pessoa que tá do outro lado, por mais inadequada que possa estar sendo, a gente não sabe o quanto ela discrimina desse próprio comportamento, quanto ela nota da própria inadequação, né? eh o quanto ela consegue olhar pro próprio comportamento e fazer uma autocrítica de eu posso estar magoando o outro, eu posso estar incomodando o outro, né? Eu diria que nem todo incômodo presente numa relação é um sinal de problema, né? Alguns incômodos podem ser naturais. É praticamente impossível, eu diria, se relacionar muito tempo com alguém, seja em qualquer nível, amizade, família, relacionamento, seja lá o que for, sem nunca sentir um incômodo, né? Sim. Eh, mas à medida que a gente vai empurrando esse incômodo com a barriga, não tem uma conversa a respeito de, olha, isso me faz me sentir assado, entendeu? Eh, tal coisa não foi legal para mim, né? Isso tende a inflar, né? Um incômodo que vai crescendo aos poucos e aí a gente pode chegar eventualmente de fato num ponto onde o distanciamento pode ser a única opção, né? Mas eu diria que sim, a conversa é extremamente necessária. Eh, inclusive a gente começou falando sobre um pouquinho de relacionamento amoroso e agora eu quero que a gente se destaque também nesse ponto. Por exemplo, quando a essa tem a desconfiança que a gente já falou, limite, a questão também de proteção e controle, porque muitas vezes nesses limites e nessa confiança a gente tem algumas frases, por exemplo, nossa, ela quer saber ou ele quer saber onde eu estou a todo momento porque se preocupa. Olha, ela olha no meu celular porque me ama. Se eu não tenho nada a esconder, posso compartilhar a minha senha que a gente já falou. O outro fala: "É normal sentir ciúmes. Mas e aí, Pedro? Onde termino o cuidado e começa o controle?" Eu eu diria que isso depende muito dos limites que são estabelecidos dentro da relação, né? Tem gente que pode se sentir extremamente à vontade com entregar o celular na mão do parceiro, da parceira, eh, e não vê problema algum nisso. Mas tem gente que pode se sentir incomodado, apesar de não ter nada a ver, né? Eh, então não tem exatamente como a gente estabelecer o que são universalmente comportamentos nocivos ou tóxicos, como eu decidi tá? Mas esses esse comportamento de vigilância de um com o outro, quando isso acontece e os dois concordam, isso e será que eles não estão vendo que isso não é saudável ou dentro daquilo que foi convencionado pelos dois é saudável para eles? Pode ser saudável sim. é aquele aquele velho clichê combinado não sai caro, né? Desde que ninguém esteja engolindo um incômodo, né? Eh, se isso tiver presente enquanto incômodo em algum do das duas partes desse relacionamento e não estiver sendo dito, aí de fato a gente pode ter uma uma dinâmica um pouco adoecedora, né? Mas às vezes quem tá de fora olha e pensa assim: "Nossa, eles são muito esquisitos, muito assim um com o outro". Ou então até a uma das pessoas quando sai dessa relação por algum motivo fala: "Gente, eu não percebia que isso não era bom". Existe também esse movimento da pessoa até não é o nosso combinado. A gente tem senha, a gente vê tudo, a gente liga toda hora, lá lá, mas quando a pessoa chegam num momento em que acaba esse relacionamento acaba, eh, acaba e aí o outro que sai fala: "Eu não percebia que isso não era legal". Uhum. Acontece muito. Sim, acontece bastante, principalmente porque quando se está vivendo aquela relação Uhum. Eh, muita coisa realmente fica camuflada até sobre comportamentos seus e do outro que naquele momento parecia fazer sentido, mas passado o tempo aquilo não não fazia bem. Sim. De alguma maneira. Então, a gente percebe que é importante também levar em consideração, é claro, de pessoas que têm confiança, como a gente falou aqui, né? conselhos. Muitas vezes alguém que vem falar: "Olha, eu preciso falar algo para você", né? Porque nem tudo que vem de fora, nem toda a informação também ela é negativa. Sim. Então, muitas vezes vem pessoas fazer essa leitura diferenciada. Olha, na relação de vocês, eu acho isso muito difícil, acho que isso é não faz bem para você. A gente também ter essas pessoas que a gente precisa chamar de rede de apoio que também de esse auxílio, porque muitas vezes a gente tá vivendo uma situação que não é positiva, né? Apesar eu entendo realmente tem essas, né? convenções de combinados e tudo mais, mas passado isso, às vezes a pessoa fala: "Ah, eu aquilo não me fazia bem e eu não percebia". Então, ter uma rede de apoio e pessoas que você confia que podem também te dar um feedback sobre isso é importante e faz parte. É nesse contexto que entra o chamado ansiedade de apego. Ansiedade de apego. É, nesse contexto, sim, porque eh você diz de do contexto de pessoas opinando de fora ou do contexto de dentro da relação? dentro da relação e não tá vendo o que tá acontecendo fora, tá? É o que a gente chama dessa ansiedade de apego, na verdade, tem a ver com os estilos de apego, né? A gente tem ao longo do nosso desenvolvimento, principalmente pela forma como a gente se relaciona com os nossos cuidadores principais, que na maioria dos casos vão ser os pais, né, dessa criança, eh ali se desenvolve um estilo de apego, né, a gente chama eh como se fosse uma forma de se relacionar. a gente aprende a se relacionar. Essa é a época onde o nosso cérebro tá mais plástico, né? Eh, e se relacionar paraa gente é uma questão de sobrevivência, né? Principalmente para uma criança. A gente, se a gente comparar um bebê humano com um bebê de qualquer outra espécie, né, com eh a gente vai perceber que o bebê humano é extremamente frágil, né? Eh, por conta da nossa evolução, a gente nasce de uma forma muito fragilizada, né? É quase como se o nosso parto fosse sempre, entre muitas aspas, prematuro, né? por conta da forma como se desenvolveu o nosso corpo e etc. E por conta disso, a gente chega a um mundo extremamente vulnerável. Um bebê humano, ele precisa da mãe para absolutamente tudo, né? Precisa da mãe para proteção, para locomoção, para alimentação, etc, etc, para higiene, né? Eh, se você vê um bezerrinho, por exemplo, ele já sai andando, né? É isso que eu tava pensando agora. É verdade. Os animais, cachorrinho, com 45 dias, você já desmama da raçãozinha. É, exato. Exato. E a gente por muito, por conta da nossa evolução, né? É, a gente começou a ser bípede e o quadril das mulheres se estreitou pr para aguentar, né? O quadril dos homens também, evidentemente, né? É, se estreitou para conseguir manter a estrutura bípede e isso faz com que o parto precise acontecer mais cedo. Então, teoricamente, o nosso parto deveria durar um pouco mais tempo. O parto, né, a nossa gestação deveria durar um pouco mais de tempo, mas por conta dessa adaptação evolutiva, a gente nasce um pouco mais despreparado, né? Eh, e aí o que que acontece ali naquele momento? Se relacionar é uma questão de sobrevivência, né? Então, o choro de fome, eh, o choro até de por atenção, né, é uma forma de se manter seguro. A forma como os pais vão responder, né, o nível de responsividade deles a essa criança vai criar o nível, o estilo de apego, né? Então a gente vai ter o apego seguro, que é aquela criança que você solta assim com 5 6 anos e ela vai explorar tudo aqui. Isso é o saudável de uma criança. Ela vai virar esse estúdio tudo de ponta cabeça, vai lamber a lente da câmera, vai [risadas] jogar o banco no chão. Olha só, nossos diretores ficadões. Esse esse é o comportamento saudável de uma criança que ela se sente segura para explorar porque ela sabe que se ela precisar os pais vão estar relativamente perto, porque quando ela chorava os pais respondiam de imediato, entendeu? E a gente tem aquela criança que se a gente soltar aqui na mesma faixa etária, ela vai se sentir extremamente insegura, né? Ela vai ficar meio que na barra da saia da mãe, né? Vai ficar quietinha num canto, porque não tem essa segurança de um apego, de se eu precisar eles vão estar aqui, então eu preciso me manter por perto, né? E esse estilo de apego ele vai pros nossos relacionamentos também, né? Então, não é algo que eh se cria dentro de uma relação, eu diria que pode se consolidar dentro de uma relação romântica, mas já vem de muito antes. Sim. Agora vamos falar de relações no trabalho, também limites da confiança e do controle ou até mesmo, como se diz, como que a gente tem, inclusive a gente tá nesse, nessa discussão de NR1, uma série de coisas, mas e aí a relação de amizade, de respeito e como também colocar limites no trabalho? Sim, sim. E é o ambiente que a gente percebe, muitas pessoas têm mais dificuldade ainda, né, para estabelecer esses limites, por eh, a gente tem ali uma função específica no mente de trabalho que teoricamente a gente sabe que precisa fazer, né, mas surgem coisas, como a gente conhece, coisas externas, né, situações externas que a gente precisa muitas vezes suprir, pedidos de chefe, enfim, né, até de colegas que tem uma dinâmica diferenciada e a gente vê que existe uma necessidade também de estabelecer limites, né, ali. E isso precisa ser dito, né? Então, até onde é a minha função, até onde é o meu trabalho aqui dentro desse contexto, tá? Mas aí entra a questão, por exemplo, de uma amizade. Pode haver uma amizade fora do ambiente de trabalho ou não? Olha, eu não gosto daquela pessoa, por exemplo. Às vezes há alguma conversa, né, do grupo, ah, eu não me dou muito bem com essa pessoa, não. Olha, se você tem amizade com essa pessoa fora do ambiente de trabalho, quer ir numa lanchonete, num barzinho, passar o fim de semana, é uma coisa, mas aqui no ambiente de trabalho precisa ver o respeito. É necessário estabelecer esse limite? é necessário, assim como em todas as relações que nós temos, né, e no trabalho, principalmente por se está ali por uma função específica, sim, né? Então você não vai parar o trabalho para fazer amizades. Isso acontece naturalmente do convívio, né, da vida, ter mais afinidade com uma pessoa. Natural. Exatamente. As relações fazem parte do nosso dia a dia. Então a gente pode sim ter uma amizade no trabalho, desenvolver ali uma amizade que fora dali você sai, você conversa, você frequenta a casa, desde que também isso não interfira de uma maneira nociva ali naquele espaço, ambiente, né? No ambiente. Eu vejo que isso é é algo natural e que é saudável também, né? Sim. Mas há uma pressão, por exemplo, para que aquele eh colaborador ele se sente na obrigação de participar de algum grupo? Uhum. Eu acho que é natural que exista, né? Eh, todo mundo se sente pressionado sempre, por exemplo, aí na tal da confraternização de fim de ano, né? Isso é sempre muito natural. Se você não for, é o chato da empresa. É, exato. Exato. Eh, e sobre essa questão de ter relacionamentos fora, por exemplo, é natural que a gente tenha momentos de confraternização dentro de um contexto de trabalho, né? Se espera, por exemplo, que você vai lá na confraternização, às vezes você vai até tomar uma cervejinha e tudo mais, mas que você não vai passar dos limites, né? [risadas] Importante. Isso é é quase que uma regra tácita, uma coisa que tá implícita assim, né, no contexto. Mas eu acho que muitos contextos de trabalho podem sim exercer essa pressão sem perceber. E eu diria que eh o maior problema é quando essa pressão ela acontece entre níveis de poderes diferentes, né? Eh, então um superior que pode de repente, sem perceber, né, eh, tá pressionando uma pessoa a criar uma relação um pouco mais íntima fora do trabalho de amizade ou algo assim, porque uma coisa é recusar um convite de um amigo para ir comer um lanche ou ir para um bar, desde que ele seja do seu mesmo nível hierárquico. Outra coisa é você recusar e conseguir se impor com alguém que é de um nível acima, né? Eh, isso vai exigir muito mais assertividade, né? A gente geralmente se sente impelido a aceitar. Aí até tem um também uma outra questão quando a pessoa se mostra muito amiga, mas na verdade como você tem um cargo superior, ela quer ser seu amigo na verdade para est bem com você na empresa. E aí depois você acaba descobrindo que isso tá acontecendo. Como lidar também estabelecendo esses limites. Olha, tá tudo bem, eu não vou, mas você também não precisa forçar, porque depois você percebe que aquilo é forçado também. Uhum. Existe também como estabelecer limites sem parecer que está de certa forma porque você é meu subordinado, eu não quero amizade com você. Uhum. Como fazer isso? Eh, eu acho que cada um precisa reconhecer um pouco as próprias necessidades emocionais, porque, por exemplo, alguém que é muito privado de relações pode se sentir muito até cortejado quando alguém quer fazer uma amizade, né? Então eu diria que pessoas que estão expostas a esse tipo de risco, elas precisam ter uma certa garantia de que as necessidades emocionais delas vão ser supridas, necessidades relacionais fora do trabalho, né? Senão a gente se torna muito vulnerável a isso, né? De repente eu tenho dificuldade de fazer amizade, eu tenho poucos amigos, tô numa cidade nova, vem alguém que é subordinado e começa eh começa a tentar criar um relacionamento, a gente se torna muito vulnerável, né? Então eu acho que esse seria o primeiro passo e diria que é perfeitamente possível sim a gente manter o profissionalismo, estabelecer limites, com lutas sociais sem que isso fique muito forçado, né, de não podemos porque você é o meu subordinado. Vamos agora às participações dos nossos telespectadores pelo 1997829377. [limpando a garganta] Agora a Débora Martins do Jardim Proça diz o seguinte: "Às vezes fico escolhendo cada palavra para não deixar uma pessoa irritada. Viver sempre com esse cuidado pode indicar que algo na relação não está bem?" Quem responde? Posso? Claro, por favor. Sim. é um indicativo de que algo não vai bem, porque numa relação saudável você precisa ter a liberdade de falar aquilo que você gostaria, de falar quando algo não vai bem dentro daquele contexto. Então, se você se priva disso, tem uma necessidade de não falar para não magoar, não falar para não ofender, porque alguma coisa ali não está tão equilibrada quanto parece. À vezes quem olha de fora fala: "Olha que interessante, né, esse casal ou essa mãe, esse, né, essa relação ali tá fluindo muito bem". Nem sempre é assim e é um indicativo, é algo que pode ser, sim, precisa ser aprofundado para entender porque isso acontece. Eu complementaria também dizendo que é perfeitamente possível às vezes a gente chega num nível de suposição, né, eh, que é muito natural de acreditar que isso vai reverberar muito mal numa pessoa. Então, eu olharia pro relacionamento e buscaria entender. Existem coisas que me fazem pensar dessa forma de fato. No passado, quando eu coloquei em algum limite, por exemplo, essa pessoa foi agressiva comigo, foi hostil, né? Porque muitas vezes a gente pode est criando todo um cenário, vivendo em cima de um cenário e não de uma realidade. Mas de fato, muitas vezes também quando a gente tem o cenário, ele nunca vem do nada, né? E às vezes ele pode vir de fatores de dentro da própria relação. Vamos a mais então uma participação agora. Quem está com a gente pedindo pra produção colocar ali, olha, Gustavo Martins também do Castelo, falar dos problemas ou dificuldades de uma criança na frente dela, como se ela não estivesse ouvindo. Pode afetar a maneira como ela se enxerga? Sim, totalmente. Como estabelecer esse limite na relação? Então, inclusive com a criança. Sim. Eh, eh, eu acho que é muito necessário a gente conversar com a criança sobre as dificuldades dela, mas levar um discurso preparado e direcionado a ela, né? Eh, existe muito essa cultura entre pais, infelizmente, até hoje, de conversar entre si, eh, acreditando que a criança, por não ter um repertório, por não ter um vocabulário, não vai est entendendo. Às vezes usando eh algumas palavras meio ocultas ali, sabe? usa uma sigla ou usa uma coisinha assim achando que a criança não vai entender, mas tem todo um contexto, né, por trás. Essa criança, a depender da idade dela, ela é perfeitamente capaz de compreender, né? E diria mais, se ela não compreender, isso pode ser tão assustador quanto, né? Eh, para uma criança. Eu percebo que muitas vezes isso acontece de uma maneira muito natural. Uhum. Conversando sobre a criança, a criança está naquele ambiente e muito além do das palavras em si que ela ouve, ela sente que aquela situação não é positiva para ela. Uhum. Então, sim, isso afeta muito como a criança se enxerga, né? Então, tem algumas palavras que a gente poderia eliminar e não usar para as crianças, né? Por exemplo, muitas vezes a gente usa um comportamento da criança que não foi bom e coloca como sendo uma característica dela. Por exemplo, a criança, exatamente, um adjetivo, a criança não arrumou o quarto. Qual é o fato ali? Ela não arrumou o quarto. Que que muitas vezes a gente fala que ela é preguiçosa, que ela é bagunceira. Sim, isso é algo muito pesado, porque ela leva aquilo como sendo parte do que ela é a nível de personalidade que está se desenvolvendo. Entendi. Então são falas que a gente não pode ter, porque em alguns momentos a gente vai precisar dar uma separada ali sobre o comportamento em si, sobre a ação do de quem ela é. Sim. Então isso é muito importante e essa essa fala, essa essa pergunta, ela foi muito relevante nesse ponto, porque é algo pra gente pensar assim, é, e rever também até as nossas, como você disse, a gente muitas vezes acaba normalizando algumas falas e precisamos ter mais atenção. Sim, sim. Vamos a mais uma participação então pelo 97829377. Quem está com a gente agora é a Tatiane Ribeiro do Centro. Quando alguém usa frases como: "Se você gostasse de mim, faria isso". Esse tipo de cobrança pode ser uma forma de pressão emocional, Pedro? Pode sim, com certeza. Eh, a pessoa tá colocando uma expectativa dela ali, né, dentro de um de um relacionamento e cobrando isso como forma de afeto, né? Eh, é bem importante. Isso é até uma coisa que geralmente se ensina muito a paz, né? O afeto, ele geralmente é incondicional, não depende do que se faz, né? não depende de você ir bem na escola, etc., né? E dentro de um relacionamento vai ser eh de certa forma parecido. O afeto deveria ser incondicional, né? Eh, porém colocar isso como uma imposição, né? Vincular um comportamento, né? Uma expectativa nossa como essa forma de expressar afeto, é é totalmente inadequado. Sim. Sim. E acaba sendo sim uma pressão emocional, até no sentido de que você precisa fazer coisas para que aquela pessoa permaneça, né, dentro daquele contexto de relação. Então, eh, fica até o nível de cobrança, né? Parece até um serviço, não tem o que fazer paraa pessoa se manter aqui, né? E isso não é positivo porque você acaba vivendo em função daquilo que o outro deseja. Uhum. Sim. Então, a gente pode dizer que essa confiança e esse limite eh ele é estabelecido, claro, entre as pessoas, mas também há um cuidado que você que inclusive a Sara colocou, se os dois não estão com de certa forma doentes, que a gente pode dizer para viver aqui adoecidos, se eles não estão adoecidos vivendo aquela relação daquela forma e que pode ter depois consequências pras duas pessoas. Sim, sim. É, a gente é possível fazer essa análise. Claro. Eu acho que assim, o ponto de virada sempre para dizer se algo é um problema ou não é o quanto isso causa prejuízo, né? Eh, seja dentro de uma relação, qualquer contexto que for. Eh, mas às vezes esse esse prejuízo não vai ser sentido de imediato, né? Eh, então quando a gente tá vivendo um contexto de eh de basicamente um relacionamento que, desculpa, perdi, [risadas] guardou esse prejuízo do relacionamento pros dois que às vezes não enxergam isso. Isso. Isso. Eh, então acho que eu vou passar para me perdendo. Perdão. Você falou sobre você falou sobre a questão de eh causar um prejuízo, né? eh dentro daquele contexto. E quando a gente fala de prejuízo, eu percebo que é muito essa questão realmente também de um prejuízo emocional em naquela situação minar muito seu bem-estar, né? Porque claro, a gente não está bem o tempo todo, mas eu entendo que não dá para numa relação a gente também estar mal o tempo todo, né? a gente precisa se sentir minimamente bem ali dentro daquele contexto, querer estar naquele ambiente, querer estar com aquela pessoa. Então eu vejo que isso, por exemplo, já seria um prejuízo. Uhum. Ai essa relação não me faz bem, me faz mais mal do que bem. A gente precisa colocar isso numa balança, né? E para isso a gente precisa encarar a realidade, que às vezes é uma relação que a gente desejou muito, gosta muito do outro, mas que não flui de uma maneira positiva. Sim. E às vezes essa conversa ela acontece tempos depois, a pessoa fala assim: "Poxa, mas eu achei que você tava gostando daquela forma. Não, será que você não percebeu que eu pisava em ovos para que tudo ficasse bem?" Sim. O prejuízo nem sempre é vivenciado de imediato. É isso que eu queria dizer. Certo. Sim. Sim. Foi você disse, mas o diálogo é importante [risadas] em todas as vertentes. Exatamente. Olha, gente, eu agradeço a participação de vocês e fica aqui já o convite para uma para um retorno numa próxima oportunidade. Perfeito. E a gente fica por aqui com Estúdio Câmara lembrando o seguinte, que a confiança não significa ausência de limites. [música] Ter uma relação saudável não significa estar disponível o tempo todo, abrir mão da privacidade ou concordar com tudo. Da mesma forma, estabelecer limites não significa deixar de amar, de ser amigo ou de trabalhar em equipe. O desafio está justamente [música] em encontrar o equilíbrio, respeitar o outro sem deixar de respeitar a si mesmo. Eu agradeço muito, então, a presença do Pedro, também da Sara. Foi muito legal. Lembrando que esse conteúdo fica disponível no youtube.com/tvcamaracampinas e também lá no portal que é o tvcamaracampinas.com.br. Obrigada pela companhia de vocês e olha eu já deixo um convite pro programa desta terça-feira. [música] Pais e filhos diante das plataformas online. Hoje a gente acabou falando um pouquinho disso, hein? Como acompanhar sem invadir? Até que ponto é invadir a privacidade do outro até o próximo estúdio Câmara. Então a gente aguarda, hein? Vamos ver o que que a gente vai falar amanhã, porque você viu que tem como aprofundar, né, gente? [música] [música] [música] [música]
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