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Olá, muito bom dia para Você que está aí ligadinho na programação da TV Câmara Campinas, estamos chegando estúdio Câmara no ar ao vivo hoje, quarta-feira, metade da semana, dia 5 de agosto. Como vai você? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. E vamos conversar hoje sobre fictofilia. Mas o que é isso? É um termo usado para entender a paixão por personagens fictícios. Quem nunca terminou uma série e ficou pensando naquele personagem por dias? Ou fechou um livro e sentiu uma espécie de vazio, como se estivesse se despedindo de alguém conhecido? Bom, pode parecer exagero, né, para quem nunca viveu isso, mas a verdade é que muita gente cria vínculos emocionais muito fortes com os personagens de filmes, séries, novelas e livros. E não estamos falando apenas de admiração. Em alguns casos existe paixão e até a sensação de estar vivendo uma relação afetiva com alguém que existe apenas na ficção. Nos últimos meses, esse fenômeno voltou a ganhar força nas redes sociais, principalmente por causa do sucesso de romances literários que transformaram personagens fictícios em verdadeiros fenômenos entre os leitores. Mas o que acontece quando um personagem desperta emoções tão reais? Isso faz parte da imaginação? É uma forma de escapismo da realidade ou pode se dizer que é algo sobre os relacionamentos e as expectativas afetivas dos dias de hoje? Bom, vamos conversar sobre fictofilia e você participe com a gente, conte sua dúvida, sua eh a sua experiência, né? Mande sua mensagem através do nosso WhatsApp. A nossa produção já está apostos para eh receber a sua pergunta ou então a sua experiência. Você assistiu algum filme? Você se emocionou em algum filme, em alguma novela, alguma série e depois você ficou pensando naquele personagem, né, por algum tempo? Ou de repente um livro também que você terminou e aí você sentiu saudades, você ficou pensando no personagem, você se envolveu com aquela história. Bom, isso tem nome, fictofilia. E é sobre isso que a gente fala hoje. WhatsApp na tela para você. 199729377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações e daqui a pouquinho nós vamos apresentar os nossos convidados do programa de hoje para nos orientar referente a este tema, ficfilia. Bom, gente, informação chegando para você. Olha só, Favela Inspira abre inscrições para workshops gratuitos aqui em Campinas. O projeto Favela Inspira está com as inscrições abertas. É uma programação de workshops que são voltados à arte, cultura e formação profissional. As atividades serão realizadas nos dias 7 e 8 de agosto na sala dos Toninhos na Estação Cultura, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. As inscrições podem ser feitas até o dia 6, tá? Até amanhã pelo formulário do Google Docs. A programação começa no dia 7, às 11:30 da manhã. Eh, tem oficina culinária ancestral. A atividade propõe uma imersão nos sabores do povo guarani. Olha só, destacando a alimentação como expressão de memória, identidade e preservação cultural. É um momento bem legal para você sair da rotina, né, fazer uma imersão aí em novas atividades. Você pode acessar o site da prefeitura porque lá você encontra o link certinho para você fazer a sua inscrição. E agora, gente, precisamos falar de saúde. A Secretaria de Saúde de Campinas iniciou uma buscativa por crianças de até 4 anos contra a vacinação, eh, para a vacinação contra o sarampo que estiver pendente, tá? Ao todo foram identificada 11.837 37 crianças sem registro da primeira ou da segunda dose da vacina tríplice viral ou tetraviral no sistema do SUS. As equipes da rede municipal vão avaliar cada caso, entrar em contato com as famílias para verificar a situação vacinal e quando necessário convocar as crianças para imunização. A ausência de registro também pode ocorrer quando a vacina foi aplicada em outra cidade, na rede privada ou então por inconsistências no sistema. Essa ação faz parte da campanha de mulivacinação iniciada este mês, que prevê vacinação nas escolas, o mutirão no Campinas Shopping, eh, do dia 8 de agosto até o dia de em 22 de agosto. A vacina tríplice viral, gente, protege contra o sarampo, a cachumba e a rubéula está disponível para pessoas no esquema vacinal incompleto. Mais informações podem ser consultadas no site da vacinação da prefeitura de Campinas. É vacina.campinas.sp.gov. br. Lembrando que de acordo com informações, né, São Paulo já registra aí eh 16 casos de sarampo e é importante a vacinação. O sarampo foi erradicado, né, do Brasil, mas infelizmente nós temos casos eh registrados e a vacinação, a vacina está disponível nos postos de saúde. Então, procure o centro de saúde mais próximo da sua casa e faça a imunização, tá bom? Previsão do tempo chegando para hoje. Vamos lá. Sabemos que estamos nos aproximando de uma frente fria, mas hoje no aqui e no agora nós temos sol com muitas nuvens, sol agora de manhã e à tarde um tempo mais nublado, mínima de 13, a máxima de 28º é o que temos para hoje. Vamos lembrar da hidratação, que é fundamental, principalmente nesses dias. Nessa época do inverno a gente esquece de tomar água e o nosso corpo precisa de hidratação. Então vamos encher a garrafinha e bora que bora para um dia lindo e abençoado para mim e para você. Agora sim, voltamos ao tema central do nosso programa de hoje. Todo mundo já torceu por um casal de novela, não é? Eu já já ficou feliz quando o personagem teve um final feliz ou revoltado quando a história tomou outro rumo? Até aí nada de novo. O que chama atenção é que algumas pessoas não apenas acompanham essas histórias, elas criam uma conexão profunda com os personagens, sentem saudades, conversam sobre eles como se fossem pessoas reais, acompanham tudo que envolve aquele universo e às vezes até com eh comparam relacionamentos reais com os que encontram na ficção. Isso levanta uma questão interessante. O que esses personagens oferecem que toca tanta gente? Será que eles representam desejos que não estão sendo encontrados na vida real? Hoje nós vamos conversar sobre fictofilia e para isso nós recebemos o psicólogo Eduardo Pedroso. Seja muito bem-vindo. Bom dia. Obrigada pela sua participação e presença. Obrigado, Rúbia. Prazer estar aqui com vocês. Prazer é todo nosso. E para completar o nosso time de hoje, o antropólogo e psicólogo Cauê Carniel Fernandes. Seja bem-vindo, Cauê. Bom dia. Obrigada pela sua participação. Bom dia. Muito obrigado, Rúbia. Eduardo, nossa audiência. Bom dia a todos. Maravilha, gente. Vamos conversar sobre esse tema, mas a gente quer aproximar o tema de você aí de casa. Então, por isso nós vamos eh falar de uma forma mais coloquial, uma forma que todo mundo entenda a ficfilia. Então, a gente começa perguntando pro Eduardo, todo mundo já teve um personagem favorito, né? Mas quando essa admiração ela passa a ser algo mais profundo, como que você traz pra gente a caracterização da fictofilia? É, ah, né, enfim, a fictofilia na verdade eh, é caracterizada como uma patologia, né, um amor, um apego excessível por personagens, né, fictícios inventados pela mídia, né? Então, isso já é uma relação patológica. Quando a gente tá falando de fictofilia, a gente tá falando de uma relação patológica já, né? Mas a gente precisa entender que nem todas são eh essa esse tipo de relação, né? Nem todo mundo que comenta na rua, nem todo mundo que tá ligado num personagem, de repente tem uma relação patológica com ele, né? Então a gente também tem um fenômeno da da relação parassocial. Isso. A relação parasocial, ela vem muito nesse sentido de que eu tenho uma relação com a personagem, entretanto não tem um nível excessivo. A gente precisa identificar quando é fictofilia para entender se esse nível tá excessivo, tem algum tipo de eh de algo que prejudica, né? Algo que prejudique a pessoa. Se está prejudicando as a pessoa, provavelmente a gente já tá numa relação patológica. Aí muito bem. É importante a gente entender a diferença, né, dessa dessa relação eh eh que você tem com o seu personagem do dia a dia e com essa questão da patologia. E por isso que a gente traz esse termo, porque se de repente você já percebe que ultrapassou do limite, você já pode se identificar e de repente buscar mais orientação sobre esse assunto. Agora eu pergunto pro Cauê, por que que esse assunto parece estar aparecendo mais agora? as pessoas estão se apaixonando mais por personagens, falando mais sobre isso, seria porque nós temos aí mais acesso a streams, porque nós temos a rede social que também eh eleva esse tipo de situação? Qual que é a sua visão sobre esse termo? Bom, eh de modo geral, a gente pode pensar que as histórias, né, estão presentes na cultura desde o início da humanidade, né? a nossa avidez por contar histórias, criar personagens, né? Tá aí desde sempre. Eh, claro que isso se intensifica, né, com a indústria cultural e o tanto de produção que a gente tem hoje, principalmente audiovisual ou mesmo da literatura, né? A gente vê muitas peças literárias sendo transformadas em séries, em livros e uma questão da nossa hiperconectividade contemporânea, né? todo mundo nas redes sociais conversando, podendo compartilhar suas impressões daqueles personagens, né? Mas é importante a gente pensar que de maneira geral essa idealização por parte da produção artística, seja literária, audiovisual, ela sempre esteve aí, né? Ah, nós projetamos nesses personagens aspirações, desejos, vontades de desenvolvimento, de evolução. E então, eh, isso sempre esteve presente. Agora perceber esse fenômeno social, né, na contemporaneidade, entender, eh, de que maneira, como o Eduardo colocou, né, isso pode ultrapassar uma fronteira da saúde mental, é importante que a gente analise. Uhum. É verdade. E quando a gente fala de fictofilia, de da gente se apegar aos personagens de uma forma exacerbada, isso pode acontecer, mas é preciso a gente aprender a diferenciar. Quer ver algo legal que na fala de vocês eu me lembrei agora? Vale a pena ver de novo, por exemplo, né? Vale a pena ver de novo. Uau! Tem uma novela lá que você assistiu e aí a novela saiu do ar, mas você quando você vê que ela vai ser eh eh você vai poder assistir ela novamente, nossa, dá uma alegria, né? você lembra dos personagens, você fica apegado. E o apego aos personagens é tanto que tem gente que não pode perder a novela, por exemplo. Não pode perder a novela. É um compromisso que a pessoa faz para assistir aquele determinado eh eh filme ou a novela, porque você eh criou um apego. E até pouco tempo atrás muita gente guardava esse sentimento só para si, não se falava muito. Hoje existem aí grupos, vídeos de comunidades, né? Então o que que acontece em quando alguém um vínculo tão forte com o personagem, mesmo sabendo que ele não existe, que ele é um personagem, isso reflete de repente um vazio, algo que está faltando, que você acaba ah se apegando naquele personagem ou de repente uma inspiração ou de repente você está visualizando alguém através daquele personagem. O que que como é trabalhado isso? Eu costumo dizer, Rúbia, que a personagem é fictícia, mas o sentimento é real. Aquilo que a pessoa traz é real. E você até falando da da da da Vale a Pena Ver de novo, eu acho que tem uma coisa interessante que a gente precisa analisar. Por exemplo, Vale Tudo, que era uma novela que teve uma releitura e aí teve tiveram pessoas que ficaram muito apegadas. foi uma novela com bastante sucesso e as pessoas ficaram apegadas às personagens daquela novela, assim, até de compaixão por alguma por algumas personagens, né? E por exemplo, uma novela que foi Avenida Brasil, que tinha a personagem histórica que é Carminha, que todo mundo também utiliza, é meme, é figurinha de WhatsApp, é esse tipo de coisa. Então, essas personagens vão entrando na vida da gente de determin de várias maneiras, né? Sim, e a gente precisa analisar que cada personagem bate na gente de uma determinada forma. Então, assim, tem a ver com o nosso estado emocional, com aquilo que a gente anseia, com as nossas expectativas. Então, por exemplo, uma pessoa que eh eu acho que uma coisa que é interessante falar é que é uma pessoa que vê na uma numa personagem uma determinada carência, ela pode se ligar mais, porque isso também ele aumenta o valor, a personagem tem um valor aumentado quando a ela a pessoa entra em contato com aquela personagem, o valor dela é aumentado, porque algo que ela não que ela tá privada é algo que ela tá experimentando. Mas não necessariamente a gente precisa dizer que isso é patológico, né? A gente precisa, é assim, é uma experimentação, é um momento que ela tá ali tendo contato num ambiente seguro, que o ambiente da leitura ele também é um ambiente seguro de aprendizagem, né? Mas ao mesmo tempo a pessoa também pode desenvolver um um afeto eh que problemático em relação a essa personagem, que ela vai para um lado de um lado de obsessão. E aí quando isso vira obsessão, quando isso tem prejuízos pra saúde mental dela, aí a gente já pode dizer que é um caso que precisa ser verificado. Exatamente. Quer completar, por favor? É, eu concordo muito com o que Eduardo trouxe, né? Eh, existe sempre uma oportunidade, né? Uhum. Quando a gente começa a entender que esses afetos estão sendo criados, né? O afeto do leitor, do espectador, pelo personagem. E aí essa oportunidade que eu digo é você tem uma oportunidade analítica de entender assim, será que essa personagem tá despertando essas coisas em mim? Então eu tenho uma oportunidade de como um espelho me vê através daquela perspectiva, daquele afeto, daquela paixão ou, né? E aí falando de afeto de uma maneira geral, né? Não só paixões românticas, mas como um ódio muito, né, proeminente. Sim, também. Uhum. Ou e aí de fato, o que a gente tá falando, né, dentro do contexto da fictofilia, quando eh a pessoa não tem esse insight, não consegue perceber isso, como há alguma oportunidade de se analisar, se autoconhecer e acaba se perdendo nesses afetos. Uhum. Aí é algo que realmente a gente precisa prestar atenção. É verdade. Tem até exemplos assim de eh Vamos lá. Eu sou adoro a novela, sou super fã do personagem, trouxe esse personagem paraa minha vida. Como de repente meu filho nasceu, coloquei o nome do personagem e aí isso é é uma é algo eh uma relação, né, referente à aquele personagem ou já passa um pouquinho do limite no seu ponto de vista? Qual que é essa relação de colocar o nome do filho, trazer o personagem para perto de você a partir do nome de uma criança, por exemplo. Eu eu acho que nesse caso o que acontece é a gente precisa fazer um recorte cultural. No caso do Brasil a gente precisa fazer um recorte cultural porque há essa cultura de de homenagear, né? Tem pessoas que usam termos diferentes, mas assim homenagear a aquela determinada personagem a partir do nome, nome dando o nome. É nome, é nome pra criança, pro filho, pro cachorro muitas vezes. Então isso é é como se fosse: "Ah, estou homenageando a minha personagem predileta, né? Agora, eh, e assim, dá o nome, eu acho que ele é um pouco cultural, então as pessoas são acostumadas. Isso não chega a ser uma relação parassocial ou patológica assim de fato, mas eh a gente precisa ver os excessos, né, quando tem os excessos. Então, por exemplo, ah, eu tenho tudo da personagem, eu vivo na personagem. Eu já tive, já atendi um caso uma vez que uma eh um adolescente eh eh acho que e tinha tinha tinha muito eh muita muita compulsão por uma determinada personagem, né? Já se indicazos com compulsão para personagem e aí eh traz isso pra própria vida e assume os comportamentos dessa personagem. Uhum. E quando assume os comportamentos dessa personagem, é complicado, porque daí a pessoa ela começa não mais se comportar conforme a sua realidade, mas conforme a realidade daquela personagem. É verdade. É algo de de se atentar mesmo. Eh, tem informações, notícias, né? Eu pude eh pesquisando na internet, vi uma pessoa que ela tem a casa toda rosa, ela se veste totalmente de rosa, ela trouxe o personagem pra vida dela e a casa dela é daquele jeito. Tanto é que virou um ponto turístico na cidade onde ela mora. Então assim, e aí, né, isso já ultrapassou um pouquinho da nossa do nosso limite dessa relação, né, que a gente tem de carinho, de afeto com o personagem e já vai mais para essa questão patológica. Veja, eu acho que é importante a gente sempre ficar atento em conseguir separar assim o que apenas é exótico aos nossos olhos, né? Nossa, essa pessoa tem a casa toda rosa, toda daquela personagem, né? E o que de fato isso traz um prejuízo paraa própria pessoa, quando passa a ser disfuncional, quando ela deixa de cumprir suas responsabilidades, obrigações com as pessoas próximas em função daquela compulsão, daquela obsessão, eh, que se torna às vezes um consumo. Será que isso tá impactando nas contas de casa, né? Então, acho que é um limite da gente eh pra gente poder entender isso, né? É interessante. Agora vamos falar das mulheres, né? Porque as mulheres elas se apegam aos personagens, às vezes dizem que se apaixonam por eles, né? Porque os personagens parecem mais atenciosos. Elas idealizavam uma pessoa para viver com elas da forma que é o personagem. O que que isso revela e por que isso é é mais eh direcionado pro lado feminino? Qual que é a avaliação que você traz como psicólogo pra gente? Eu acho que é importante a gente fazer um recorte aí numa questão de gênero, né? Porque assim, eh, homens e mulheres, meninos e meninas são educados de formas diferentes, né? E por serem educados de formas diferentes, eh, essa relação com o mundo já vai ser diferenciada. Então, o que acontece? As mulheres, elas na nossa cultura, elas já são incentivadas a cuidar das relações, a cuidar dos a cuidar dos sentimentos, a cuidar de todas essas questões emocionais. E a mulher ela tem obrigação, né, numa na nossa na nossa sociedade, ela tem obrigação de ter contato com isso. Agora, homens já demonstrar vulnerabilidades, demonstrar sentimentos, isso ele pode ser até punido. Então, a gente tem um recorte social aí de que a educação das mulheres e dos homens é são diferentes. Partindo disso, por exemplo, uma mulher que vai fazer uma leitura de um romance e naquele romance aquele homem, aquela masculinidade, masculinidade afetiva, cuidadosa, o que que ela vai fazer? Ela vai, ela vai ter uma aproximação maior, por quê? É o desejo, aquilo que ela desejava, aquilo que é o esperado, né? aquilo que é esperado é o comportamento esperado. Já no caso do homem, eh vai rejeitar essa leitura até mesmo para não ser não ser motivo de chacota, não sei. Então acaba assim que eh as às vezes podem acontecer das mulheres idealizarem no livro o a masculinidade perfeita, mas a gente precisa chamar paraa realidade, porque assim essa masculinidade perfeita não existe. O livro ele pode ser inclusive e o livro, a o personagem ficte de inspiração. Olha, é, eh, não é, não desejo a perfeição da personagem pra minha relação, mas o que eu posso melhorar na minha relação a partir dessa personagem, né? Pode ser educativo até. É verdade. Então, eh, como você trouxe, agora eu passo para você, Cauê, a paixão por personagem pode ajudar então alguém a entender melhor os seus desejos, seus sentimentos. É, você vê dessa forma? Perfeitamente. Eu acho que sim, porque a fantasia, a imaginação, elas funcionam muito como um laboratório, né, da humanidade, né, onde a gente projeta assim essas aspirações, como a gente falou, né? Então, eu acredito que sim, eh, entrando em contato com aquelas características e a gente pode pensar e entender que a fantasia ocupa esse lugar compensatório também, né? Eu reflito e entendo ali faltas que são pessoais. E aí, é claro, a gente vai falar de novo daquela questão de o quanto a pessoa realmente tem esse insight, entende, né, que ela tá percebendo faltas dela ali, né, mas com certeza eh pode ter esse caráter inspirador de o que eu espero minhas relações, né, o que eu desejo construir. E é importante aqui a palavra construção, né? Eh, a gente tirar eh da frente a ideia de que vamos simplesmente encontrar eh relações prontas, mas que nós temos que trabalhá-las, né, e construir conjuntamente com nossos parceiros e parceiras, né? Muito bem. A gente falando hoje sobre fictofilia, né? Quando a a ficção vira afeto, por que que nós trouxemos esse tema? Porque, gente, nós eh vimos alguns casos eh para nós precisamos caminhar, né, eh eh sobre eh dentro do tema pra gente poder entender o que é, né, qual que é o que é natural, o que passa a patologia, por nós falamos aqui de personagens, paixão por personagens de livro, nós falamos de novela, tem os filmes, tem as séries e aí isso é impulsionado pelas redes sociais, né? Então, hoje é um pouco mais falado sobre eh esse carinho, essa paixão pelos personagens, pela ficção. Agora, nós estamos num momento em que nós estamos vivendo aí algo muito importante, né, na tecnologia, já existe há algum tempo, mas agora foi o boom, que são a as inteligências, né, inteligência artificial. E aí o que chama a atenção e o e e que tem muita conexão com o tema do programa de hoje é que algumas pessoas estão se relacionando com a inteligência artificial. E aí, meu psicólogo, o que que a psicologia explica? É tudo muito novo, né? Você veja, nós falamos da ficilia, que é uma patologia, falamos pelo amor do personagem, que é algo de relação e tal, uma identificação. Vale a pena ver de novo, é algo que já existe faz muito tempo. Então a gente vem trazendo para chegar no aqui, no agora. Tem gente se relacionando com a Iá. E aí é ficilia, o que que é isso? Me conta e me explica. Precisamos descobrir o que que é isso ainda. Acho que o fenômeno da inteligência artificial, ele é um fenômeno relativamente recente, né? E aí, eh, com a expansão das plataformas de a da possibilidade da pessoa conseguir eh fazer essa interação com a inteligência, isso tem criado diversos eh diversas questões. Eh, acho que a gente tem aí um leque de questões para pensar a respeito da relação com a a inteligência artificial. Uhum. Por exemplo, eu já tenho relatos de pessoas que criam histórias ideais a partir da inteligência eh artificial. Ela vai criando a história que ela quer ler, que ela quer ouvir, que ela quer falar, ela cria. E agora você tem algumas plataformas de inteligência artificial que também elas conversam, tem voz, tem voz, é, conversam, elas tem voz. Então, a pessoa vai conversando, se relacionando, vai desenvolvendo um determinado afeto. Agora, a questão que a gente precisa entender eh dos limites, os limites éticos do uso da inteligência artificial estão sendo discutidos em diversos aspectos, né? seja acadêmico, né, psicossocial, porque tem gente que também acha que pode fazer terapia, porque não é terapia com inteligência artificial, mas tem gente que também se relaciona dessa forma, mas eh a partir do momento que a pessoa desenvolve uma dependência do uso daquela ferramenta e ela começa a desenvolver com aquela ferramenta uma relação que ela começa a prejudicar, por exemplo, a pessoa, ela não dá um passo sem perguntar pra ferramenta. Então assim, ela desenvolveu uma relação com a ferramenta assim, ó. Ah, ferramenta, o dia tá bom hoje, vamos sair, vamos. Eh, é tipo assim, já começa, vamos sair, porque ela leva essa ferramenta para sair no celular, ela tem aplicativo. Olha isso. Então, não é só tipo, estou na frente do computador em casa, falando com ela, me relacionando com ela, ela me falando coisas, eu também levo ela para sair. Então, nós estamos nesse nível de de de interação. É verdade. E aí a questão é, a partir do momento que eu ouço uma fala assim, eu vou levar a minha inteligência artificial, na verdade começa com uma história um pouco antes, a pessoa ela já desenvolve uma relação que ela começa a dar nome paraa inteligência artificial, tipo eh para não dizer assim, fulano, cicrano, ciclano, né? Então, dá nome pra inteligência e leva ela para sair. Então, olha a relação que ela começa a desenvolver. Então, o que eh qual que é o o start que a gente tem enquanto psicólogo nisso? Olha, eh, ela de ela deixou de de investir no contato pessoal, no contato com as pessoas para investir no em algo que é eh artificial, né? Que é artificial, que na na verdade não é. É como se eu começasse a levar um robô para saúdo, né? E um robô, o robô é essa relação. E isso é uma coisa que a gente já começa a a despertar, já começa a ter atenção. É preocupante, né? Agora, eh, tem esse relacionamento aí com a inteligência artificial e, e quando o Eduardo trouxe das falas, Cauê, eh, eu vi uma reportagem de uma mulher que ela eh tem agora a inteligência artificial em casa e aí a inteligência artificial conversa com ela e ela está se isolando do mundo. Então, e e na reportagem ela fala que conversar com a inteligência artificial para ela é muito bom, porque a inteligência artificial a entende, que a inteligência artificial dá conselhos para ela, fala para ela coisas que ela quer ouvir e que ela não precisa eh eh passar por situações com o ser humano, né, e muit das vezes eh ser invalidada, eh ser confrontada, por exemplo. Qual que é o impacto que você vê nessa situação que a gente tá trazendo da fictofilia, que é a paixão por personagens, né? Uma paixão exacerbada, com a situação que a gente tá apresentando hoje da interação com o ser humano e a inteligência artificial. E esse negócio aí que o Eduardo falou, né? Vamos levar a Iá para sair. Daí você bota um nomezinho na IA, conversa com ela, ela responde tudo que a gente quer. É tão fácil se apaixonar quando tudo é perfeito, não é? E aí, qual o impacto disso pra nossa geração, para nós que estamos vivendo no aqui, no agora e paraas gerações que estão aí na frente? Qual que é a avaliação, a visão que você tem sobre isso? Pois é, Rober, eu acho que existe uma temerosidade aí da gente entender esse fenômeno, porque se a gente já vinha falando, né, de uma dificuldade da da dos relacionamentos em se aprofundarem, em criação de intimidade, né, relacionamentos interpessoais, sim, por consequência, pressupondo pessoas, né, eh, onde há o conflito e o conflito é muito saudável pro desenvolvimento das pessoas, né? a gente se constrói e se reflete a partir do outro, né? H, das pequenas desavenças, a gente tem oportunidade de melhorar, de se compreender mais, de ter a perspectiva do outro sobre nós mesmos. Quando a gente tá falando de um relacionamento com uma inteligência artificial, ou seja, é um programa baseado numa linguagem, né, baseado em aprendizado através de linguagem, ela é programada para entender eh e aprender todos os elementos que você fornece para ela. E aí o perigo disso é esse isolamento de fato, né? Porque a gente vai tendo o chamado viés de confirmação. A pessoa de fato só vai eh ter concordância do outro lado, né? As IA inclusive são programadas para ter todo um um traquejo, né, de vamos dizer assim, um puxa-saquismo, né? Ah, mas que legal que você trouxe isso hoje, né? E isso vai intensificando essa relação que onde existe a ilusão de que se relaciona com o outro, mas ela é no fundo uma relação unilateral, é a pessoa com ela mesma. Olha isso, gente. E e que interessante a gente eh eh tocar nesse assunto, porque se nós não nos atentarmos no nosso dia a dia, a gente tem a tendência de eh alimentar e aumentar esse relacionamento com a ficção, que no caso que a gente tá falando aqui é a inteligência artificial. Eduardo, eu costumo até falar que tem uma eh tem uma tem duas duas formas de se relacionar hoje em dia, que é uma forma eh uma forma digital. Uhum. E uma forma orgânica. É, eu falo a forma é digital porque a forma digital de você se relacionar, por exemplo, se você se relacionar eh com pessoas no nos aplicativos, né? Sim. E e assim, isso não exige muitos investimentos, é uma outra forma de interação. E as pessoas e e assim a forma orgânica que é assim, ó, eh, eu vou flirtar com a pessoa, chego olho no olho, aquela coisa assim, essa coisa vai se perdendo. Então, às vezes alguém fala assim para mim: "Ah, fiquei com alguém". Daí eu pergunto: "Digital ou orgânico?" "Ua! Digital, orgânico que pra gente tentar entender qual que é a relação que tá sendo estabelecida." Uhum. E aí eu puxo isso para também para essas questões da não só das inteligências, mas a a as paixões midiáticas, essa a relação parassocial. Eu puxo isso também porque assim é uma forma da gente da da, por exemplo, já com a inteligência artificial, é uma forma de relacionar, porque quando você tá numa relação parassocial, por exemplo, você tem uma paixão por um determinada personagem, só que aquela personagem não te corresponde. E isso é a ideia do parasocial. Agora, quando você tá com uma inteligência artificial, ela te responde e aí ela acaba respondendo aqueles anseios, aquelas expectativas que você tem, você tem. E isso é perigoso, porque essa relação, dependendo do estado emocional da pessoa, aí essa relação, porque eu acho que a pergunta que a gente tem que fazer é a seguinte: por que que as pessoas estão se apaixonando por personagens que fictícios? Por que que as pessoas se relacionam? Eu costumo dizer que na, eu sou analista do comportamento, eu costumo dizer que na análise do comportamento a gente pensa o seguinte, eh, a forma de você se relacionar com uma personagem fictício, ela é sua e depende da sua história. A forma como eu vou me relacionar é minha e depende da minha história. Se eu estou fragilizado, vulnerabilizado, quando eu vou para aquela personagem, aquela personagem me corresponde, seja uma inteligência artificial que me corresponde ou uma relação parasocial que eu tenho uma relação com alguém, com al alguma mídia do Instagram e que ela corresponde em determinado momento a alguma expectativa minha, eu vou começar a me relacionar com ela de uma forma afetiva. O afeto que eu tô sentindo, ele é real. O personagem às vezes não é real, ou às vezes é parassocial, ou às vezes é inteligência artificial. Mas o que eu estou sentindo é real. E aí a gente precisa olhar para o que eu estou sentindo, porque é ausência, carência, o que que é, o que que isso representa em mim, que que aquela personagem tá despertando em mim, né? Eu acho que esse quando as pessoas precisam se autoexaminar, elas precisam fazer essa pergunta, quem que tá despertando em mim, né? Qual que é a relação que eu tô desenvolvendo? Porque se distanciar da realidade paraa cultura, leitura, porque a leitura, por exemplo, é um ambiente de aprendizagem. Vê um vídeo, um filme, é ambiente de aprendizagem. Para isso é educativo, é bom, mas para para sentido de obsessão, aí já vira patológico. E a gente ainda precisa pensar que na nossa cultura o amor é ensinado através das mídias. O amor ele é ensinado através das mídias. Então a gente vai pegando essas referências. Então assim, tipo, às vezes a minha vida no meu relacionamento tá super ruim porque tá tendo alguns conflitos. Aí eu vejo um filme de romance, aquela aquele romance perfeito e eu aquilo pra minha vida. E sendo que aquilo lá é uma coisa que nunca vai acontecer. Exatamente. Nunca vai acontecer. Verdade. Se quiser completar, trazer a sua visão, a antropologia, o que que traz pra gente referente a tudo isso que o Eduardo acabou de nos explicar e que ilustra bem, né, o nosso tema de hoje. Sim, eu acho que tem um aspecto que é muito importante que a gente entender eh essa perspectiva de que a pessoa se reconhece no personagem, né? Mais do que o personagem foi criado para captar aquilo, né? Ele é o ideal, como sempre foi nos mitos, né? Eh, ao longo da história, mas como Eduardo disse, né? é a pessoa que passa a ter aquela relação, aquela criar aquela reação, relação. E aí sim existe essa oportunidade de análise que a gente tá falando, a pessoa entender consigo assim porque é que isso tá sendo despertado, o que eu entendo disso, né? Porque eu tô tão mexida com essa personagem, né? e de fato entender o quanto isso inspira, né, como a gente vem falando, e o quanto isso vai se tornando disfuncional. Exatamente, né? Tem o limite aí para eh os sentimentos quando a gente fala de personagens, né? né? Tem gente que lê livros e que lê de novo e lê de novo e lê de novo porque viaja, né, na história e se identifica com o personagem. E é o que o Eduardo acabou de trazer pra gente e o Cauê também, né? O o que que tem em você, porque a gente eh projeta, né, no outro. Então, o que o que tem em você, o que que está faltando em você, que de repente você se apaixonou por um personagem e aí a qual o impacto dessa paixão por algo que não existe? Será que a gente consegue, a, a pessoa que tá está vivendo essa situação, ela consegue entender que ela vive uma situação que é fictícia. Ela está apaixonada por um personagem que não existe. Ela se apaixonou ela por algo que ela desenhou ali. É, é, é, é um pouco estranho de falar sobre, né? Mas a pessoa ela consegue entender isso? É inconsciente, é consciente, Eduardo. Então, eh, a pessoa, eu acho que depende muito de pessoa para pessoa, de pessoa para pessoa, porque tem pessoas que se envolvem num livro que ela não consegue entender, perceber que ela tá envolvida naquilo de uma forma obsessiva, de uma forma patológica, né, de uma forma eh eh que tá causando sofrimento para ela, né? E tem pessoas que já conseguem perceber isso. Eu diria que o que é o importante de desse, acho que o o autoexame é sempre mais indicado, a pessoa se examinar, falar assim: "Que relação que eu tô desenvolvendo com essa personagem, né? Como é que tá, qual que é o meu nível de envolvimento com essa personagem?" Porque assim, às vezes ler, reler, voltar, sentir aquela coisa gostosa, dar uma pausa, saber que é um ambiente seguro para aquilo, isso é legal, é natural e inclusive é saudável, né? Agora assim, quando ela começa a a extrapolar esses limites, né, eh a assumir esses comportamentos ou assumir que os comportamentos da personagem é o comportamento que ela deseja na realidade dela, é isso que é complicado. Agora, pra pessoa perceber, eu acho que é difícil pra pessoa que tá muito envolvida ela perceber. Eu acho que nesse caso quem vai dar indício são as pessoas à volta, né? por exemptigências artificis, né? Não sai de casa. Então as pessoas precisam saber, ó, essa pessoa não tá saindo. Então é muito importante que e essa rede de apoio, que essas pessoas que estão em voltas também percebam essa relação quando a pessoa não tá conseguindo se dar conta disso, né? Mas quando a pessoa ela começa, pessoas que têm um pouco mais de de autoanálise, né, de de autocontrole e ela perceber que ela tá extrapolando isso aí é interessante ela procurar. Acho que nos dois casos requer ajuda. Nos dois casos requer ajuda, mas num caso eu acho que quem vai perceber é o entorno. No outro caso, a pessoa tem essa condição, esse repertório para perceber, mas ela precisa ficar ligada porque assim, tipo, o passo o seguinte pode ser o passo que ela não passe mais a a perceber. Olha só que interessante, né? E quando você fala de ambiente seguro, Cauê, eh essa questão do ambiente seguro é o que mais chama atenção, né? quando a pessoa ela tem um relacionamento com a ficção, porque você está num ambiente literalmente seguro, isso vai prospectar aquela aquela imaginação, aquela aceitação. E aí a rede de apoio, como nós trouxemos aqui, a importância de de observar agora, que forma que a gente deve ã se aproximar dessa pessoa e explicar para ela que a gente tá entendendo, que ela tá tendo um relacionamento, que ela tá com uma, de repente passou do limite, tá apaixonado por algo que não existe e que ela precisa voltar pro aqui, pro agora, a forma de abordagem, né? Porque se eu sou a rede de apoio de alguém que tá assim, eu preciso saber como é que eu vou falar com ela. Porque como é algo eh meio que inconsciente, de repente, ela não vai aceitar que eu chegue e fale: "Pô, você tá apaixonado pelo personagem. Eu acho que você precisa buscar ajuda." Claro que não é assim que a gente tem que falar. Então, gostaria que você explicasse pra gente com a forma de abordagem, né? né, a forma de manejo, porque é algo que se de repente precisa de uma atenção a mais, a gente tem que chegar junto. Uhum. É um ponto muito importante esse, Rúbia, porque eh pode ser muito delicado, né, dependendo eh de pessoa para pessoa, do nível de envolvimento que aquela pessoa tá apresentando em relação àquela ficção ou em relação à à plataforma de de inteligência artificial. Eh, e aí a gente vê mais uma vez, né, que o que pode balizar isso são as relações reais, sim, né? E a importância do como a gente eh se vê muito através do outro, né? As relações como esse campo, né, de que é fértil de em parâmetro, né? Então, essas relações que vão isolando a pessoa cada vez mais, porque elas são ideais, porque não existe um conflito e nem o conflito que é construtivo, né, que é desse que a gente fala, que é saudável, né? Então, a forma de abordar isso pode ser muito delicada, né? Agora, pessoas que eh são do convívio, que t esse parâmetro de, viu, você percebe como de uns tempos para cá suas relações têm mudado? Você percebe como você tem agido diferente em relação a tal área da tua vida? Você percebe as alterações que aconteceram em relação ao teu trabalho, por exemplo, em relação à tua família. Você viu que você se afastou dos amigos, né? Então assim, é sempre muito delicado de chegar, mas são as ditas intervenções que são necessárias e fundamentais para que a pessoa tenha esse parâmetro de fora, né? Porque ela mesma, dependendo do nível de interação que tá com aquela ficção, não vai mais perceber, não vai ter mais consciência disso, não vai ter mais esse insite. Muito bem. E aí você de casa, né, às vezes ouve a gente conversar aqui conversando, falando sobre essa tal de ficilia dessa paixão exacerbada por um personagem, por uma ficção. E aí pensa assim: "Nossa, mas vocês estão falando o quê, né? Isso existe realmente?" Pois é, gente, isso realmente existe e pode ser algo natural, mas também se passar um pouco o limite, pode ser algo que leve a necessidade de um atendimento, eh um entendimento, uma terapia. Eh, eu gostaria que o Eduardo falasse pra gente, confirmasse para nós, né? Realmente isso acontece, a gente tá falando, a gente tá viajando demais em falar sobre esse assunto ou é algo que a gente precisa entender um pouco mais, apesar de não ser muito dito e muito falado, porque a gente tá suscetível a isso, principalmente agora, né, com a questão das redes sociais. Por isso a abordagem do programa veio lá das novelas, de algo mais simples pra gente chegar eh no aqui e no agora, que é a inteligência artificial. E nós estamos suscetíveis, vulneráveis a isso. E você tem visto isso na sua rede, né? Porque você trabalha com a saúde mental, com a psicologia. Gostaria que você trouxesse pra gente se realmente isso está já acontecendo e se a tendência é essa esse acontecimento, essa paixão, principalmente pela inteligência artificial. Especial. Ó, eu eh eu tive contato a primeira vez com esse tipo de fenômeno. Eu tava na adolescência, não era nem psicólogo, eh em que uma amiga minha, ela ela assumia um personagem, uma personagem como uma um possível romance, sabe? E assim, às vezes a gente que ali é adolescente fala assim: "Ah, é besteira, né? Besteira". Mas hoje parando para olhar, fala assim: "Não, aquela relação não era besteira, era algo que era patológico, né, que era algo que que teve que e que necessitou depois de atendimento, de uma intervenção psicológica ali na na questão." Então, não é um fenômeno novo. Não é um fenômeno novo. E aí a gente pode, a gente precisa trazer isso pras questões culturais, porque assim, essas personagens e sejam de livros, as personagens de hoje, né, no caso de redes sociais, né, das pessoas que se colocam nas redes sociais. Então assim, a fictícia do livro, né, a ficilia, vamos dizer assim, né? Mas aí, eh, trazendo um recorte para personagens reais, para social, redes sociais, né, e agravando isso com a inteligência artificial. Acho que tudo isso tá ligado numa mesma, num mesmo fio, sim, né? No mesmo fio. a gente tá falando de fictofilia, que é aquela personagem fictício, que eu amo aquela personagem fictícia, mas eu acho que todas essas evoluções tem uma ligação que é a forma como a sociedade está se relacionando, as carências que estão sendo produzidas a partir da dessa forma de de nos relacionarmos, de vivermos em sociedade, né, dos fenômenos que a gente tem visto de de eh vulnerabilidades, né, de violências. Então isso tudo vai produzindo um indivíduo fragilizado que encontra esses nesse personagem, nessa personagem fictícia uma válvula de escape, uma admiração, uma expectativa. Então assim, se eu não posso experimentar, por exemplo, vamos, já que a gente estava falando das mulheres, se eu não posso experimentar uma masculinidade segura em tempos de femeninicídio tão alto, a personagem do meu livro, daquele romance que é cuidadoso, que gosta, que que e que eh respeita, né, é aquela personagem do livro que respeita aquela masculinidade é o que me toca, é o que me conforta. Então eu vou para aquela masculinidade, eu vou para que para aquela personagem. Então assim, eu acho que tem um fenômeno social de relações muito problemático e muito complexo que foi que foi se agravando e que facilita que as pessoas se apeguem a eh a uma a um personagem fictício, desenvolvendo até uma relação problemática. Exatamente. É verdade. E quando a gente fala de inteligência artificial, não é só a Iá lá que você escreve, ela te responde ou então o áudio que ela te manda de volta, né? Já tem o bonequinho, né? Já tem lá, você desenha do jeito que você quer e aí ele conversa contigo igual nós estamos conversando com você. É por isso que a gente precisa aprender, a gente precisa de orientação, a gente precisa saber até que ponto é aceitável. H, a partir de que o momento que passa do limite, o que que a gente deve fazer, qual é o manejo que a gente deve ter? E quando a gente é rede de apoio de alguém que está passando por essa situação, que forma que nós devemos agir? Hoje você pode pensar: "Poxa, mas isso não faz parte da minha vida". Mas pode ser que lá na frente você vá lembrar do que a gente tá conversando aqui hoje, né? porque a a tecnologia tá aí e as pessoas estão cada vez mais dependentes da tecnologia, infelizmente, e se isolando. E se você tem a tendência e se tem um vazio, você vai, infelizmente, encontrar o preenchimento ali, porque isso foi planejado para que você seja aceito, para que você tenha aquela sensação de que, poxa vida, eu faço parte, ele faz parte também, né? porque está correspondendo com tudo que eu tô dizendo. Então, é por isso que a gente tá falando hoje sobre esse assunto. Agora, 8:52 a gente tem algumas perguntinhas. Vamos ver quem é que tá conosco e o que que o pessoal de casa tá querendo falar sobre esse assunto que não é tão novo assim, mas que eh desperta uma curiosidade quando você começa a estudar sobre essa ficilia. O a Renata Oliveira do Parque Prado. Olha só que interessante, gente. Minha filha de 16 anos só quer saber de doramas. e diz que homens reais não prestam. Como essa cultura de romances afeta os jovens de hoje. Olha só, vou passar pro Cauê. Cauê, esse negócio de doramas aí é uma coisa que eu não entendo muito, mas enfim, né? Coisa mais da galera mais jovem. Mas eh vamos responder a Renata, é interessante a pergunta dela. Bom, eh em específico, os doramas são uma expressão ficcional, oriental, né? São os dramas, né? eh, muito vindos da Coreia do Sul e que tão muito populares hoje pela eh produção cultural também da do K-pop, das bandas. Então, tem um acesso muito grande, né, à juventude e são novelas, romances, né? Então eu acho que eles entram, como tudo que a gente já falou aqui, desde antiguidade, mitos, lendas, contos de fadas, né? são produções ficcionais onde as pessoas acabam se vendo. De novo, o nosso cuidado é essas idealizações eh ficarem e deixarem cada vez mais distantes as pessoas das relações reais. Uhum. Porque nada como a relação humana, gente, né? que a gente de fato vai encontrar eh contradições, ambivalências, conflitos, mas são eles que nos formam, né? Viver no conforto de uma relação ideal, eh, paulatinamente, de maneira assim gradual, a gente ir se isolando cada vez mais. Então, acho que o cuidado é sempre esse, né? seja através de redes sociais, seja através dessas ficções que tão pintando um ideal perfeito, né? A gente tomar esse cuidado com a preservação da relação humana. Uhum. Interessante. E interessante também quando ela fala, né, que é é apaixonada por doramas e diz: "Olha só, que homens não prestam". Então, ela já criou uma relação com aquilo e acredita que tudo que está eh eh que que é desenhado ali nessa nessa ficção vem paraa realidade. E a gente precisa se atentar com isso, né? Agora precisa. Eu acho que assim, a gente pensar que uma adolescente de 16 anos ainda tá em construção. Então assim, eh, muitas ideias podem mudar, as coisas podem, né, as coisas ainda estão em formação, mas é importante chamar a atenção para um fenômeno que a a juventude, né, as pessoas mais jovens, os adolescentes, eles estão tendo uma leitura social dos fenômenos de uma forma muito diferente da gente que já é mais 40, por exemplo. Então tem uma tem uma leitura diferente, por exemplo, nas na questão das masculinidades, né? Então fal assim, ah, homens não pressas, eu acho que tá relacionado muito a essa masculinidade tóxica que tem sido denunciada. E eu acho que ela tem que ser denunciada mesmo, essa masculinidade tóxica. Mas a gente precisa entender que não somente eh eh que as relações são necessárias, essa a acho que a masculinidade tóxica precisa ser denunciada, precisa ser combatida, mas a gente precisa entender que as pessoas existem e as pessoas assim hoje a até os adolescentes têm uma leitura muito do da do não binário, né? de hom de masculino e feminino, mas são coisas que existem e precisam ser valorizadas da forma de uma forma da experiência de respeito, de de compaixão, de empatia, de todas essas de todas essas essas eh nuances. Então, assim, homens não prestam. Eh, eu diria que talvez ela tivesse levando pro lado essa masculinidade tóxica no presta. Só que quanto mais ela é reproduzido, o ramatischismo é reproduzido, essa ideia vai sendo reforçada. Exatamente. Muito bom. Agora 8:57, mais uma pergunta pra gente na tela, produção. Vamos ver quem que tá com a gente falando sobre fictofilia. A Aline Ferreira do Castelo. Vejo as pessoas romantizando, olha aí, ó, relacionamentos tóxicos só porque o personagem é bonito na série. Hum. A mídia tá confundindo a nossa cabeça. Ô Aline, aí tá vendo só? Vamos lá. Vai, vai lá, Cauê. Que que que você diz pra gente? Bom, é isso. A gente tem que tomar cuidado mesmo com essa romantização, né? onde situações que são sérias, são graves, que causam muito prejuízo pras vidas das pessoas, passam a ter uma embalagem muito bem construída, muito bem constituída, né, do belo e de, ah, eu preciso também viver uma situação dramática como essa para talvez significar a minha vida, né? Porque a gente fala muitas vezes do esvaziamento dessas relações, do distanciamento entre as pessoas, um esvaziamento de sentido, né? Então a pessoa vai vivendo uma vida, vamos dizer, morna, né? E aquela ficção vem e acende um, se eu tivesse um problema como esse, um problema lindo como esse, né? Porque esteticamente é colocado, né? De maneira belíssima. Então a gente tem que tomar cuidado, né? Porque existem questões que são muito sérias. que prejudicam demais vidas e elas não podem ser tratadas de uma maneira superficial, né? Muito bom. É isso. Quer completar, por favor? Não, eu acho que uma coisa que a gente tem que chamar atenção é que a mídia tem produzido vilões eh simpáticos. Vilões simpáticos. Então assim, sabe, é vilão, faz maldade, mas é simpático aos olhos. Então, a mídia tem produzido isso. A gente tem que chamar, isso chama atenção pro perigo da da forma como as pessoas relacionam com ele, com esse, com esse, com essa personagem. Exatamente. É igual ela diz ali, né? A mídia tá confundindo a gente, né? Então, precisa tomar muito cuidado aí com o personagem, gente. Vamos lá. 8:59, a última de hoje e a gente já vai para as considerações finais. Por gentileza, a produção pode colocar na tela pra gente. A Mariana Silva de Barão Geraldo. Olha só, chego da firme esgotada e sem paciência. Só me sinto bem quando me perco na história do livro. Isso é um sinal de cansaço mental. Existe perigo em ficar o dia inteiro ansiosa para haver algo fictício. Ah, entendi. Mariana, e aí, Cauê? Olha só, pelo que ela falou aí, ela contou uma história, mas que ela ela precisa voltar para casa correndo para para ler o livro, né? ela tá envolvida naquele naquela história. E aí existe perigo ficar o dia inteiro ansiosa para aguardar a chegar o momento de entrar na história de novo. Olha, a gente sempre tem que localizar onde isso tá situado como prazer de um lazer, né, que é totalmente funcional e e é saudável, né, como o Eduardo já trouxe aqui antes. eh, a gente se empolga com as histórias e às vezes elas de fato são alívio para um cotidiano que é muito cansativo, né, de uma rotina exenuante de trabalho, enquanto aquilo é um lazer, né, onde você pode relaxar, se tranquilizar, pensar, né, e imaginar vidas possíveis diferentes até para você própria. Eu acho que isso é completamente saudável, é importante, né? excita a nossa criatividade, a nossa mente para pensar o que mais é possível da minha vida, onde eu gostaria de estar, o que mais eu quero fazer dela. Até aí tudo bem. Eh, pensar se essa relação tem sido só um alívio para que você admita uma vida que não lhe cabe mais, é que talvez seja o problema. Uau, muito bom. É, eu acho que eh a privação, porque a privação do da experiência do prazer, então assim, eh, tô esgotada, trabalho, muita coisa, acabo privada da experiência do prazer. O que que a privação vai fazer com que o livro, aquela história, aquela coisa que tô envolvida adquira um valor muito maior, um valor reforçador. Então isso de fato pode causar uma ansiedade na pessoa, porque é aquele assim, eu quero ter acesso à aquele prazer, eu tô tendo acesso a uma coisa ruim agora, né? Trabalho injeção de saco, aí eu quero ter acesso ao prazer. Isso pode trazer um uma certa ansiedade, né? Agora, ansiedade é aquela coisa igual quando você tem um brinquedo novo em casa, ai tô louco para voltar para casa para brincar. Exato. Beleza. Agora sim, não consigo, travei no trabalho, não faço mais nada. Aí nós temos que pensar que preciso de ajuda. Excelente. Olha só, gente. Então, hoje nós falamos sobre ftofilia, né? algo bem interessante e que nos ajuda a compreender de repente a paixão por personagens de novelas, filmes, séries, livros e até pela inteligência artificial. Pois é, quem diria, né? Falando sobre pessoas apaixonadas pela inteligência artificial. É algo que está acontecendo, a gente precisa entender e precisa ficar de olho também nas pessoas que estão à nossa volta. Eu quero agradecer a participação então do Eduardo. Muito obrigada por você estar com a gente hoje, por compartilhar seu conhecimento, por nos orientar. Gratidão. Considerações finais. Ah, meu. Eh, eu acho que é importante. Obrigado por esse espaço, obrigado por fornecer informação. Eu acho que a gente precisa, quanto mais informação a gente puder, fornecer para a população, para as pessoas, para entendimento de determinados assuntos, acho que eh é é um serviço que a gente faz paraa população. Então, assim, parabéns para vocês também pelo pelo pelo programa, né, pela prática de vocês de trazer essas informações, né? É muito bom é poder compartilhar. Eu acho que saber a gente não pode reter, a gente tem que compartilhar. Eu como professor universitário preciso, né, dizer que é importantíssimo a gente principalmente saberes psicológicos que vão ajudar as pessoas e principalmente orientar as pessoas quando entenderem que elas precisam de ajuda ou ao seu redor que precisa de ajuda. Então, sempre que for eh eh necessário, procure ajuda, né? Procure uma psicóloga que você que serão bem amparados, principalmente nesse tema. Obrigado. Obrigado por tá aqui. Gratidão. Gratidão. Eu que agradeço a sua participação, Cauê. Obrigada por estar com a gente também, por compartilhar seus conhecimentos, por orientar nesse tema tão eh intenso, né, e um pouco desafiador pra gente conversar, mas é algo que acontece no dia a dia e a gente precisa entender para poder saber manejar. Aí você compartilhou informações, acho que sensacionais com a gente, que faz eh ter uma distinção do que é, né, um uma paixão por um personagem que a gente um carinho e a questão da patologia. Então, obrigada. Considerações finais. R, muito obrigado por pelo convite. Obrigado, Eduardo, pela nossa participação aqui. Eh, acho que o Eduardo traz de maneira muito importante, né, essa questão da gente poder conversar sobre esses assuntos, né? é um tema que ele pode ser muito amplificado, ele abre muitas frentes, né, de entendimento. É importantíssimo a gente ter esse espaço, né, para conversar sobre saúde mental nessas nuances tão cotidianas, né, que às vezes a gente nem percebe de onde tá vindo a questão, né? Então, queria agradecer pelo espaço, pela conversa riquíssima que a gente teve e reforçar que se algo parece tá saindo fora do eixo, se alguma disfuncionalidade tá aparecendo, se as pessoas próximas começam estranhar algum comportamento, peça ajuda, né? converse. É importante que a gente trate das questões com muita sinceridade, carinho e amor mesmo nas relações humanas sempre. Excelente. Eu que agradeço vocês dois. Agradeço você de casa. Obrigada pelo carinho, pela participação e talvez a questão não seja por alguém se apaixona por um personagem fictício. Talvez a pergunta mais interessante que fica seja o que aquele personagem representa para você? o que é que ele representa na sua vida. Porque muitas vezes o que nos prende a uma história não é apenas a ficção, é o reconhecimento de desejos, expectativas e emoções que também fazem parte da nossa vida real. E talvez seja por isso que alguns personagens continuam com a gente muito tempo depois da última página ou do último episódio. A gente falou hoje sobre fictofilia. Quero agradecer você, lembrar que meio-dia Gabriel Castro tá chegando, trazendo informações do legislativo. Hoje é quarta-feira, então nós temos reunião ordinária no plenário. Você pode participar ao vivo também lá no plenário, tá bom, pessoal? Eh, presencialmente ou então acompanhar no YouTube da TV Câmara Campinas, aqui na TV Câmara Campinas e também no site da TV Câmara Campinas, tá? E amanhã nós temos mais um programa. E olha, gente, amanhã a gente vai falar de algo que é eh polemizou já. Farmar aura. Eu precisava fazer isso, farmar aura, né, meu diretor. O que que é isso, gente? Como que viralizou isso? O que significa? E os campeonatos de farmar, o que eles representam? Como é que a psicologia vê essa busca por reconhecimento, essa validação e a popularidade nas redes sociais? Será que a gente farma aura sem perceber? Será que um selfie e uma postagem lá na sua rede social é farmara? Né? Você já parou para pensar? Então vamos conversar sobre, ó, amanhã aqui no estúdio Câmara, tá bom? Então não perca, nós aguardamos a sua participação. Um beijo grande para você, fique bem. Uma ótima quarta-feira. Se cuide e até lá. Ciao