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[música] [música] Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando. Estúdio Câmara no ar e eu depois de alguns dias de férias, você na companhia da nossa coordenadora e jornalista Mirna Abreu. Agora estou de volta e olha, é muito bom voltar para casa. Hoje é dia 2 de setembro, quarta-feira. Vamos conversar sobre uma dor que durante muito tempo foi tratada por algumas pessoas como exagero, mas que pode provocar um sentimento profundo. A gente fala da perda de um animal de estimação. [música] Bom, para muitas famílias, o cachorro, o gato ou outro animal de companhia não é apenas um pet, não. Ele participa da rotina, acompanha fases da vida, está presente nos momentos bons e ruins e ocupa um espaço afetivo dentro de casa, dentro do coração. E quando esse animal ele envelhece, ele adoece ou ele morre, começa um processo que precisa ser reconhecido. [música] Hoje nós vamos falar, gente, sobre luto pet, sobre a dor que pode começar mesmo antes da perda. Vamos falar sobre culpa, eutanásia, despedida, saudade e sobre como reorganizar a vida depois que aquele companheiro que não está mais em casa se foi [música] e a gente precisa continuar. Você aí de casa, já perdeu um animal que fazia parte da sua família? Como é que você [música] enfrentou essa despedida? Participe da nossa conversa. Estúdio Câmara no ar, WhatsApp também na tela. 19978293776. [música] Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. Nossos convidados já estão aqui no estúdio, daqui a pouquinho vamos apresentá-los e a gente fala hoje sobre luto pet ou luto antecipatório também, que muita gente vive quando tem um pet em casa. Vamos de informação. A Câmara de Campinas analisa hoje, quarta-feira, durante a reunião ordinária de número 47, 48, perdão, sete projetos que estão na ordem do dia. Entre eles está o projeto de lei 184 de 2025, de autoria do vereador Guilherme Teixeira, [música] que estabelece regras para garantir o sepultamento digno de nacituros e na mortos, independentemente de idade gestacional, peso ou estatura. A proposta prevê que as famílias possam optar pelo sepultamento ou cremação e busca garantir uma destinação funerária digna em casos de perda gestacional, inclusive nas fases iniciais da gravidez. A sessão começa hoje às 18 horas no plenário, transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas, pelo canal da emissora no YouTube também. Você é convidado para participar presencialmente no plenário e também online no YouTube e aqui na TV Câmara Campinas. reunião ordinária hoje a partir das 18 horas. E a prefeitura de Campinas realiza, gente, olha a atenção, no dia 10 de setembro, das 8 da manhã às 5 da tarde, o dia do Concilia Campinas para negociação de débitos de IPTU. O atendimento será realizado presencialmente no Porta aberta, que fica lá no Passo Municipal. A ação é destinada a contribuintes que discutem judicialmente o valor venal de imóveis e possuem laudo pericial conclusivo homologado pela justiça com definição de um novo valor para o imóvel, tá? A negociação poderá considerar o valor reconhecido judicialmente, facilitando a regularização dos débitos e contribuindo para o encerramento dos processos. [música] Cerca de 130 contribuintes estão entre os possíveis beneficiados. A procuradoriaag-gal do município também fará um plantão para esclarecer dúvidas e verificar o enquadramento dos casos. [música] A orientação é que os contribuintes que se enquadrem nos critérios devam comparecer presencialmente ao porta aberta do passo municipal no dia 10 de setembro para verificar a possibilidade de negociação e esclarecer dúvidas sobre o procedimento. Agora, a previsão do tempo para hoje aqui na cidade de Campinas. Vamos ver o que temos. Olha só, hein? Ô, gente, que chuva foi aquela de ontem, hein? Que dia preguiçoso foi aquele. E hoje nós temos aí, ó, dia eh de sol e também nuvens. Então, o céu nublado, tem dia, tem momentos que terão sol, momentos com nuvens e a gente vai seguindo. Mínima 13, máxima 23. independente do dia, eh, do clima, enfim, do sol ou da nuvem, você pode sim fazer desse um ótimo dia. Não esqueça da sua hidratação. Bora que bora viver, porque só se vive uma vez. Vamos lá. E quando a gente fala de só se vive uma vez, a gente já dá um gancho aqui para o o nosso tema do programa de hoje, né? Eh, existe uma expressão importante paraa nossa conversa de hoje, que é o luto antecipatório. A gente vai falar de luto pet e o luto antecipatório é aquele sofrimento que pode aparecer quando o tutor percebe que o animal ele começa a envelhecer ou então recebe o diagnóstico de uma doença grave ou começa a acompanhar a piora progressiva, né? A pessoa ainda está com animal, mas de alguma maneira eh já começa a enfrentar a possibilidade de uma despedida. E aí depois da morte aparece outro desafio. Nem sempre a dor encontra compreensão. Eh, frases como era só um cachorro, pega outro ou você precisa superar. Podem fazer com que a pessoa já fragilizada, ela passe a sentir também vergonha da própria tristeza. Por isso, hoje a gente precisa entender, e nós vamos entender quando esse sofrimento faz parte de um processo natural do luto, quando ele precisa de maior atenção e principalmente como acolher alguém que perdeu um animal que fazia parte da sua história. Então, para nos ajudar nessa conversa, a gente recebe hoje aqui no estúdio, olha só, a psicóloga Valéria Girarde. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua participação e presença. Bom dia, Rúbia. Tudo bem? Maravilha. Vamos conversar. Temos muito para falar sobre esse tema, né? Muito, né? Esse tema é um tema que é bastante pouco, é pouco divulgado, né? E as pessoas realmente precisam entender, saber que é um luto realmente que não, como você falou, não é só um cachorro, né? Ele faz parte da família. Então, de acordo com esse vínculo que você tem com esse animalzinho, né? Ele é um membro da família e a pessoa sente muito mesmo essa p. Muito bem. A gente vai conversar com a psicóloga e também, olha só, com o médico. Ele tá fazendo residência em psiquiatria, tá quase terminando. Acredito que até o final do ano já eh será um médico psiquiatra. Dr. Vinícius Vera, seja muito bem-vindo. Bom dia. Bom dia. Muito obrigado. Hoje esse tema ele vai despertar, acho que muitas emoções positivas, algumas negativas, mas é muito importante a gente debater sobre isso, porque é algo muito frequente, mas pouco falado. Exatamente. Pouco falado, invalidado. Era só um cachorro, não é? Bom, para começar, eu quero trazer um dado que ajuda a dimensionar essa conversa. tem um estudo publicado no Journal of the American Veterinary Medical Association, que acompanhou 177 tutores que haviam perdido cães ou gatos. Aproximadamente 30% desses tutores apresentaram um luto considerado grave. Entre os principais fatores associados à intensidade desse sofrimento estavam o vínculo com o animal, a eutanásia, a percepção social sobre a morte do pet e também o apoio recebido da equipe veterinária. Ou seja, não podemos medir a dor de alguém simplesmente pelo tipo de perda. A gente precisa compreender o significado daquele vínculo. Então, Valéria, a gente começa por você. Por que a morte do animal pode provocar uma dor tão intensa? quanto outras perdas importantes da nossa vida. Tem gente que não compreende isso, mas isso é real. Então, o luto ele é a perda, né, quando você perde algo significativo. Então, quando você perde algo significativo, você tem uma reação por essa perda. Então, as pessoas não entendem que um animal, a gente precisa entender qual é o vínculo que você tem com esse, o que que é esse significativo, né? Se a pessoa tem um vínculo com esse animal, esse animal faz parte da família, esse animalzinho, você tem uma rotina com ele, né? Você acorda, ele tá ali no seu pé, você ou você chega do trabalho, ele tá ali te recebendo. Como é que é esse vínculo para você? É um vínculo significativo. Então, o luto ele é essa reação, a uma perda que você tem com esse esse vínculo significativo com esse animal. Então, quando esse animal se se vai, né, você chega em casa, cadê aquela pessoa para te receber, né, como se fosse um membro da família. E as pessoas que não compreendem, que não tm o animal, que não tem esse vínculo com o animalzinho, muitas vezes não compreendem essa perda, né? Ah, era só um cachorro, né? Pega outro, era só um gato, tem outros para você ter, mas não é, né? Cada animal, assim como cada membro da família, ele tem o seu lugar e ele não pode ser substituído, né? E o que que esse luto às vezes é prolongado e pode ter algumas complicações? Justamente por isso, porque a pessoa fica assim, mas ninguém tá validando esse meu sentimento, né? Eu não tô encontrando compreensão, não tô encontrando apoio, então eu não tenho com quem falar. Será que é certo que eu tô vivendo? Mas muito, muito bom a TV Câmara ter aberto esse espaço para, para que as pessoas saibam que esse luto ele existe e ele é para ser vivido, ele é para ser sentido naquele momento. E isso faz parte, o luto ele é uma reação, uma perda significativa. Então se esse seu vínculo, você chega em casa e não tem mais esse pet para se receber, né? gera esse sofrimento na pessoa. Muito bem, porque você sabe que às vezes quem olha de fora enxerga sim apenas um animal, né? Mas quem vive aquela relação enxerga anos de companhia, rotina, cuidado, afeto e até momentos importantes da própria história de vida. Agora, Dr. Vinícius, do ponto de vista da saúde mental, o luto pela morte de um animal, ele deve ser compreendido como um processo legítimo de luto, assim como a nossa psicóloga trouxe, né? E a pessoa, ela chega um momento, como é incompreendido ainda hoje, chega um momento que a pessoa ela chega a pensar assim: "Eu não deveria estar sofrendo tanto". E essa cobrança ela traz um impacto porque a pessoa já tá no luto, né? Já perdeu ali o animalzinho e aí ela é invalidada e ela começa a se questionar. Eu gostaria que o doutor trouesse pra gente eh na questão saúde mental, né, na relação com a psiquiatria, o impacto desse luto, PET. Sim, com certeza. O principal ponto do luto não reconhecido, que é como a gente nomeia, alguns lutos que não são validados pela sociedade, eh, é a solidão. Então, a pessoa além de ver o processo de luto, ela vive ele de forma solitária, porque a sociedade, até mesmo os familiares, amigos, não conseguem se colocar ali no lugar daquela pessoa e fornecer o apoio que ela precisaria ter, que ela precisa ter. Uhum. Então, o o luto pet é um luto não reconhecido que vai gerar essa consequência do do indivíduo viver o luto, o processo de luto que já é muito doloroso de uma forma solitária, que agrava a situação. Muito bem explicado. E aí tem aquela aquele questionamento, tem um julgamento e e talvez seja uma das grandes dificuldades, né? Além da pessoa sentir eh a falta, ela começa a questionar, né? Será que realmente eu eu tenho o direito de sentir essa falta, né? Agora, Valéria, eh o luto antecipatório, quando o animal envelhece, recebe um diagnóstico grave ou começa a perder a qualidade de vida eh eh por conta da idade, o tutor já começa a viver emocionalmente uma despedida. E aí é um sofrimento diário, né? O que que a psicologia traz pra gente sobre esse luto antecipatório? PET. E como que a gente deve eh reagir diante eh da visualização da perda diária? Você tá vendo ele indo aos poucos? É, esse o luto antecipatório, ele, né, como o próprio nome diz, ele antecipa essa dor que você viria, né, com a morte do do animalzinho. E é nesse processo que você deve, pelo contrário, investir em dar o melhor de você, mais tempo, mais carinho, eh, e entender neste neste processo o que você pode tá dando ali melhor para aquele animal que da, né, você tá entendendo que daqui a pouco pode te deixar. E muitas vezes esse luto antecipatório, ele é acaba sendo mais saudável, porque você já vai se preparando, já vai, né, entendendo que é uma uma fase do desenvolvimento da vida que ele tá passando, que todos nós chegamos, mas o que a gente não quer, né? a gente não quer encarar esta realidade. Então, este luto antecipatório é para você conseguir dar a melhor qualidade do que você tem de melhor para aquele bichinho, né, naquele momento que ele tá passando, né, por essa fase final da vida, né, que a gente muitas vezes não quer encarar, sabe que chega, mas a gente não quer olhar. Mas quando você olha para ele, né, fisicamente você já percebe como é que ele já tá, né, velhinho, já está, né, naquela idadezinha final da vida. E muitas vezes também vem acompanhado, né, de alguma doença, né, de uma piora, no caso. Só que esse luto antecipatório também precisa ser vivido, né? Não pode ser negado à realidade justamente para se tornar alguma coisa que seja saudável paraa pessoa, né? você não pode negar, porque eh vai chegar o momento e você vai trazer muito mais dor quando você nega do que quando você aceita que isso é uma eh um desenvolvimento mesmo natural da vida. Nossa, gente, é tão delicado falar dessa situação, porque eu acredito que assim como eu vivo isso, né? Eh, o meu animalzinho, ele já tem 12 anos, já tá velhinho. Eu sei que daqui a pouco a a vidinha deles aqui nessa terra é muito curta, né? Então ele já está chegando, já está no limite de vida e é triste você ver isso acontecendo. Só que a gente precisa cuidar também, porque, Dr. Vinícius, tem um risco de a pessoa passar tanto tempo antecipando a a morte que aí acaba deixando de viver o tempo que ainda tem com o animal. A gente precisa aprender a encontrar equilíbrio entre reconhecer a realidade, sim, né, de que ele está indo, mas também continuar vivendo o presente, não é? Uhum. Exatamente. O processo de luto antecipatório, como o próprio nome já diz, né? Ele vai antecipar o momento da morte. Então, a partir do momento que ele se inicia, o indivíduo ele já vai começar a tentar se preparar para aquela vida, para aquele contexto, aquele mundo presumido que não vai existir mais a partir da do falecimento do animal. Então, começar esse processo e se permitir viver vivê-lo da melhor forma possível é é fundamental, é muito importante. E para que esse processo não acabe minando o seu tempo com o seu animal, um tempo de qualidade, é importante você se permitir viver as emoções. Tem hora que vai sentir tristeza, tem hora que vai sentir saudade pelo animal que já não é mais o mesmo. Uhum. Hum. Falando de animais que já estão adoecidos, já estão mais envelhecidos, mas é importante também presenciar aqueles momentos que podem ser momentos finais, as últimas semanas do animal para você criar memórias e fortalecer o seu vínculo nos momentos que antecedem a partida. Eh, esse momento ele é bem contraditório, porque a gente quer aproveitar o momento máximo, né, com o nosso bichinho, mas ao mesmo tempo a gente já começa a imaginar como que vai ser a vida sem ele. E nem sempre a gente consegue desligar essa preocupação, né, essa ansiedade e eh porque você acaba vivendo uma ansiedade, você sabe que vai acontecer e aí você ao invés de viver o hoje, você fica pensando: "E aí, como é que vai ser, né, sem esse meu amigo, esse meu parceiro, esse meu companheiro?" E eu falo, gente, que o o animal ele é só amor. Eu não sei a visão de vocês, mas a minha particular é só o amor, porque ele aceita a gente da forma que a gente é, né? E é um amor incondicional, porque você não precisa provar nada para ele. E eu acredito que os pets eles tiram o melhor de nós, porque a gente oferece o melhor para eles e às vezes sem a gente perceber. E quando a gente fala de luto, isso é muito profundo, mas como nós falamos no início do programa, ainda é invalidado. E uma palavra que aparece muito quando a gente fala de lutup pet também é a culpa, né? Porque como é profundo e é invalidado, a gente fica meio que sozinho, assim como disse o doutor. Aí a culpa por quê? Porque você pensa assim: "Eu deveria ter percebido antes, né? Eu deveria ter levado ao veterinário antes, eu deveria ter um cuidado maior, um cuidado melhor. Como é que a gente faz, Valéria, para lidar com essa culpa? Porque a gente sabe que a vida do pet, ela não é tão estendida quanto a nossa e ele vai envelhecer e consequentemente sim, a gente vai perder o bichinho. Mas aí a culpa, independente de qualquer coisa, quando a gente vê o pet indo, a gente tem um sentimento de culpa. Como é que a gente faz com isso? eh entender que a gente não controla tudo, né? Que o controle da vida, o controle do que acontece na nossa vida não tá nas nossas mãos. Então essa muitas vezes essa culpa, né, ela quer, a gente quer trazer pra gente o controle da vida e esse controle não tá, não tá conosco. Então muitas vezes a pessoa acaba se culpando e essa culpa pode se transformar em algo que a pessoa depois pode trazer um transtorno, né? Algo que ela pode depois quando o bichinho eh se for, ah, por que que eu não fiz? Por que que eu não cuidei? Mas ela precisa aceitar que isso é uma fase da do desenvolvimento do animal e que essa culpa ela não pode ser trazida para si, né? Ela pode ter vezo. Eu fiz tudo que eu pude, eu levei o veterinário, eu fiz os exames, eu dei os remédios e não é o não tá nas minhas mãos esse controle, né, da saúde do pet. Então, é ver o que ela pôde fazer, o que ela fez e o que que ela poôde dar de melhor de qualidade de de vida, de qualidade de tempo, de remédios, mas o controle da vida não está nas nossas mãos. Então, eh entender esse processo que esse processo não, na a culpa, ela só traz essa ruminação que pode trazer mais transtorno para esse momento que já é tão delicado. É. E o momento delicado aliado à culpa, gente, é aquele momento que a gente não quer nunca nem falar, né, que dirá passar, que é o momento da eutanásia. Dr. Vinícius, eh, a eutanásia é algo que, né, para para os pets existe, eh, só que aí você participa diretamente dessa decisão sobre o fim da vida do seu animalzinho, né? E esse processo de eutanásia, como que ele repercute emocionalmente? Que nível de entendimento que a gente deve ter para entender que, claro, a partir do diagnóstico, a partir da indicação do veterinário, ah, o cachorro, o cachorro, gato, enfim, o seu pet, né, ele é encaminhado paraa eutanásia e aí você vai participar daquilo. É algo bem delicado e a gente precisa entender esse processo. E aí faz como? Bom, vamos começar do começo. Vai lá. A partir do momento em que há uma indicação de de eutanásia, a gente já tem estudos que comprovam que quando a equipe de veterinária tá dando um suporte muito muito ali próximo, tá se mostrando presente, a o tutor ele se sente acolhido, isso reduz o impacto em termos de culpa, de sofrimento em relação à eutanásia no processo de luto que vai acontecer em seguida. Uhum. E pelo contrário, a gente também tem o essa afirmação. Quando esse processo ele é feito de uma maneira muito arbitrária, uma indicação muito fria, sem aquela empatia, sem aquele acolhimento no momento da indicação e da eutanásia, o tutor ele vai ter uma maior carga de culpa, de remorço, de pensamentos negativos relacionados à eutanásia. Então, o momento da eutanásia é fundamental para definir o quanto e como essa pessoa vai sofrer em relação a isso. Então, o ideal seria que todos os estabelecimentos que trabalham com com veterinária, com pets em fim de vida, tivessem ali uma equipe de acolhida, não especializada, mas que soubesse fazer a escuta e o acolhimento qualificado para aquele tutor para permitir um um uma paz de espírito que vai se refletir em um melhor processo de luta, em um processo de luta menos doloroso, com menos culpa, assim que ele começar a engatar. Pois é, hoje nós temos eh outras opções também, né? Nós temos a cremação, né? Tem já eh empresas especializadas eh eh no no no velório pet, né? Eu já vi veló de petezinhos antes eh eh da cremação. É um processo assim eh doloroso e não tem como medir a dor do outro, né? E quando a gente fala de eutanásia, Valéria, é uma palavra assim que ela ela chega chegando mesmo, ela chega arrebentando porque é aquela questão e aí e eh foi indicado, não tem o que fazer, precisa ir para a eutanásia. Bem a dúvida, eu participo ou não participo? Eu entrego o meu animal ou eu fico junto até o final? E aí, como que a gente faz essa essa distinção? como que a gente sabe separar. Ã, vem um turbilhão de emoções, como é que a gente lida com tudo isso? É algo que a gente não tá esperando, não tá explicado e é muito, gente, mas muito profundo. Eh, isso faz parte também, né, do de você também lidar com este luto, né? eh essa homenagem que você vai fazer pro pro PED, tudo isso são fatores de proteção para que esse luto seja vivido de uma maneira mais eh com mais eh como é que se diz? com mais calma, com mais eh entendimento. Então essa essa parte da eutanásia, né, você fazer essa um ou fazer uma homenagem, pegar essa essas cinzas, né, fazer o que você gosta de guardar ou se você quer guardar ou se você quer e colocar uma plantinha que você vai ver ali no seu jardim florescer e vai lembrar do seu pet, tudo isso. Porque o pior luto, quando as pessoas me perguntam, ah, qual é o pior luto? O pior luto é o luto do enlutado, porque o luto ele é individual, né? Então, fazer essa essa homenagem pro seu pro seu pet do do dos fatores de proteção desse luto. Muito bem. É importante a gente ressaltar eh, né, doutor, que o luto ele precisa ser vivido, não é todo mundo que consegue viver o luto, né? Eh, e quando você não vive esse luto, eh, esse luto te acompanha paraa vida toda, né? Essa dor que fica, eh, dentro de você, que você não consegue colocar para fora. Então, é importante sim você chorar, você ficar triste, você eh nomear os seus sentimentos, você viver os sentimentos. Mas quando a gente fala de luto PET, aí tem aquela questão que é um luto invalidado. Eu acredito que tá já caindo por terra essa questão de luto invalidado, porque hoje eh nós temos um mercado pet muito grande, né? Tá, tem muita gente hoje que tem o seu animalzinho de estimação. E aí nós ah estamos conseguindo melhorar essa validação desse luto pet. Agora, paraa pessoa que vive isso, vamos lá, perdeu o pet, participou de uma de uma eutanásia ou então eh fez lá a cremação do seu pet, ok, tá doendo demais, você vai ter que voltar para casa. E aí quando você volta para casa, você volta sem ele. E aí quando você volta sem ele, você vai olhar ao redor da sua casa, dentro da sua casa, você vai encontrar a parte mais difícil de viver quando você perde um pet, que é o potinho de comida, a coleira, os brinquedos, a ração que tá ali, o cheiro, o pelo desse pet que tá esfarramado pela casa. Como é que a gente faz para reorganizar esses e eh essa vida após a perda do bichinho? e entender que a gente precisa seguir. O que que a gente deve fazer? Eliminar tudo aquilo que representa o animal naquele momento. Tem gente que guarda as coisinhas. Tem até um chaveirinho, gente, que você pega, eu já comprei, né? Tem um chaveirinho. Eu comprei na internet, um chaveirinho de cachorrinho, assim, no meu caso, cachorro, um cachor um chaveirinho de um cachorrinho. Aí você pega o pelo pet, você coloca lá dentro, né? E você tem a lembrancinha do seu petzinho. Já fiz, tá lá porque eu vivo um luto antecipatório. Meu pet tem 12 anos, como falei, mas ele tem displasia, é de disco, bico de papagaio, toma medicação contínua, né? Tem dia que levanta, tem dia que não. Então eu sei que vou perder, mas e aí? Saber que vai perder é uma coisa, mas perder e voltar para casa e ver tudo aquilo que faz parte da sua vida, que faz parte da sua história, faz como daí a gente joga tudo fora, a gente guarda, a gente doa? Como é que a gente se reorganiza na volta para casa, doutor? Perfeito. Essa é uma pergunta muito importante porque a resposta dela é curiosa. A gente não tem uma receita de bolo para viver o luto. Uhum. O luto ele é um processo extremamente individual e ele não tem prazo de validade. O que [roncando] que a gente sabe que acontece à medida que o tempo se passa nos primeiros dias, nas primeiras semanas, quando o luto ainda tá muito agudo, é muito normal dessa fase ser acompanhada de muito sofrimento, de muita tristeza, choro, alterações no sono, alterações no apetite. É o momento onde você vai se deparar com o mundo novo. Aquele mundo que você existia, que você conhecia, já não existe mais. Então é um momento de choque com essa nova realidade. O que fazer exatamente é algo muito individual. Tem pessoas que gostam de deixar tudo como estava por um tempo e só depois de se recuperarem ali do BAC inicial, mexerem, alterarem. Outras pessoas gostam de guardar tudo para em um segundo momento, quando estiverem mais calmas, estiverem mais serenas, reviverem, revisitarem essas lembranças. Então, não existe uma resposta certa, vai muito do que está se sentindo no momento. Mas existem alguns pontos de atenção aqui. O que é que não se deve fazer? O luto, ele é uma resposta normal, mas que precisa ser vivida. você precisa viver o luto. Não existe um luto que você coloca embaixo do tapete, senão isso vai gerar, pode gerar um problema de saúde mental mais à frente. Então, o ideal é você fazer o que o seu coração manda, desde que você enfrente esse problema em algum momento. Não precisa ser no primeiro dia, poxa, cheguei em casa, todos os itens do meu pet estão lá, que que eu vou fazer? Você pode pegar, você pode chorar, você pode guardar. Não quero ver isso agora, quero ver depois, tá tudo bem. Esse processo ele fica mais menos doloroso e menos difícil quando você tem um apoio. Sim. que é o que a gente estava comentando sobre essa parte de então ser reconhecido. Então é isso, não tenho resposta certa, não tenho receita de bolo, mas você precisa em algum momento se deparar com essa dor, porque vivê-la é muito importante. Eu queria acrescentar que o doutor falou que realmente o luto precisa ser vivido, porque as pessoas entendem, ah, porque eu estou triste, porque eu estou chorando tanto. Então, faz parte, ele é uma reação normal, né? Quando as pessoas falam de luto, eh, tem muito assim, ah, eu não posso ficar chorando, eu não posso ficar triste, né? A gente tem uma sociedade hoje muito com uma felicidade, né? Todo mundo sorrindo, todo mundo bem e as pessoas precisam entender que o luto é uma reação normal a uma perda, né? Então, como o doutor falou, ele precisa ser vivido para ele não se transformar num transtorno vendo mais tarde. Eh, você o cérebro, existe até um um livro da Mary Conor chamado Cérebro do Luto, que o seu cérebro quando você chega, né, você tá acostumado com aquilo, então você vai numa perda e vai no sofrimento, se depara com o sofrimento e fala: "Putz, não, não, a pesso o o pet não está mais aqui". E você vai lá até o seu cérebro se acostumar. Isso é normal, isso é cognitivo, isso é normal. Você vai chegar, hum, ele não tá mais ali. Ah, ele não tá mais ali. E com essa nova realidade, por isso que você precisa viver essa nova realidade. É dura, é sofrida, sim, mas é como se fosse um remédio, né, para se você ir. É um curativo. E sempre vai ficar essa cicatriz. Ô Rúbia, você sempre vai lembrar dessa desse desse pet. Não existe outro que você vai ter, que você vai pegar, que vai substituir o seu. Verdade. [limpando a garganta] Mas é é uma cicatriz e você é uma página da sua vida, né? tá escrito ali, o que você viveu com aquele bichinho, o que que você, né, a sua história com ele, você vai passar aquela página, de vez em quando você vai abrir o livro da vida, você vai falar sobre ele. Que que delícia que fez essa essa essa, né, essa história, essa história tá no seu livro, olha que legal, né? Você volta e tem certos momentos que você vai chorar, tem certos momentos que você vai viver a sua vida normal, falar: "Mas eu tava tão bem, aí volta, chorou". É normal. Existe um processo que é uma oscilação, que é o processo dual do luto, que se chama pesquisas que mostram que também que você vai dar um reparo à reconstrução, né? para você aprender a viver nessa nova realidade, você tá num equilíbrio. Você vai ali, aí você chora, você fica triste, aí você volta para sua vida, né, trabalho, né, o dia a dia. E aí você lembra e isso você vai meio que equilibrando e vai chegar um momento em que você vai aceitar essa nova realidade, entendeu? Então isso isso ele é normal porque faz parte do funcionamento do seu cérebro. Seu cérebro precisa se acostumar com essa nova realidade. E como é que você se acostuma com essa nova realidade? Vivendo. Exatamente. É duro, é sofrido, sim, mas é necessário viver essa essa nova realidade. Muito bem explicado. É isso. A gente se acostuma, né? E infelizmente a gente também se acostuma com a ausência. E aí, eh, fica a lembrança, aquela lembrança boa, aquele momento gostoso que só quem tem um pet sabe do que eu tô dizendo. Agora, tem um detalhe bem importante aqui, eh, vou passar pro Dr. Vinícius e a gente tá falando, né, da volta para casa. Olha, olha só, permeamos, né, pela situação do do luto pétil, o luto antecipatório, depois a cremação, a eutanásia, aí a volta para casa, né? Ah, vivenciar esse luto. Mas para nós adultos é uma coisa, a gente tem um pouquinho mais de entendimento. E quando envolve criança, porque na maioria das vezes, agora vamos colocar 80% das famílias, né? O pet faz parte. E aí, eh, como é que a gente deve conversar com a criança ou adolescente, enfim, que tem, claro, um vínculo muito grande com aquele animal e de repente o animal não está mais lá. Bom, devemos falar que o animal fugiu, que o animal virou estrelinha, que o animal morreu, o como a gente aborda a questão do luto com as crianças ou os adolescentes que têm o convívio e o apego com espet que se foi, doutora, isso é fundamental porque a gente sabe que crianças ali por volta de 7, 8 anos começam a ter um entendimento do que é a morte, mas só por volta dos 9 anos elas conseguem entender de fato que é um processo irreversível, permanente. Então, se você tem uma criança pequena que perde um pet e você fala para ela de uma forma muito vaga, muito ambía, ambígua, ah, ele foi viajar, ele foi passear, aquilo vai gerar uma confusão na criança. E como em geral é o primeiro contato com a morte, isso pode até afetar o entendimento da morte para esse indivíduo que vai crescer. Então o que fazer na prática? Vamos imaginar um cenário. A gente tem uma criança de 6 anos que perdeu um cachorrinho, um gato, enfim. É importante primeiro perguntar, você gostaria de conversar o que aconteceu com que o que aconteceu com o nosso cachorro, com o nosso gato, para entender o que a criança vai falar, o que que ela tá sentindo? E a partir disso você ter uma abertura para falar de forma clara, mais empática e suave, que aquele animal não está mais por aqui, não está mais entre nós, que ele se foi, que ele morreu, que ele faleceu. Claro que esse essa fala ela não vai acontecer de uma vez. se você vai entendendo o que a criança tá sentindo, entendendo o que ela compreende e a melhor forma de falar, né, principalmente pelos pais que t o maior vínculo com a criança. Então é fundamental ser claro nesse ponto. Por mais difícil e doloroso que seja, é importante pra criança entender o conceito de que o animal morreu, que ele, infelizmente não tá mais entre nós. Por mais duro que seja pros pais também [limpando a garganta] falar isso para uma criança, é a melhor forma, é o que é mais saudável para ela do que a gente tentar ludibriar. Ah, ele viajou, ele foi dar um passeio, ele tá em outro lugar. Isso gera muita confusão. A criança fica esperando eh a volta que não vai acontecer. Uhum. Muito bem. E aí vem, né? Eh depois disso tudo, de toda essa essa vivência, ah, não quero mais cachorro, nunca mais eu quero um pet, porque eu não quero mais passar por isso. E aí o animal novo não vai substituir aquele porque são histórias. A gente coleciona histórias, momentos, porque a gente, eh, se você parar para pensar, você não vive de uma história única, né? Cada momento, cada fase da sua vida tem uma história. O pet passou pela sua vida, ele ficou 12, 13 anos com você. É uma história, assim como a Valéria trouxe, é, é um capítulo, né, do seu livro da vida. Aquele capítulo nós viramos a página e a gente precisa escrever uma nova história. E como que a gente faz? Será que a gente adota? tem o momento certo pra gente eh eh adotar eh receber outro pet. Ã, como é que a gente sabe que a gente tá pronto para isso? Claro, não tem receita de bolo, cada um é cada um, mas o que que você pode trazer pra gente eh referente à psicologia, essa questão de não querer outro? Porque a maioria das pessoas que falam: "Não quero", passa um tempo, já você vê a pessoa lá com outro petezinho, né? Então tem um momento específico, é cada um eh de acordo com o seu tempo. É importante de repente a gente trazer o outro pet para dentro de casa, mesmo sabendo que pode ser que a gente viva tudo aquilo que a gente viveu de novo. É isso. É importante você ter falado, porque assim, eh, não é um, ele não vai substituir aquele pet que morreu, né? Você, cada petidade, né? Se você tiver dois, você diz que tem dois, né? Você vê que um é diferente do outro. Então, primeira coisa é diminuir essa expectativa de que um vai ser igual ao outro. Uhum. Né? Porque cada um trata você de um jeito. Então, primeiro, essa expectativa precisa ser eh alinhada que você tendo um outro animalzinho, ele não vai substituir Uhum. Aquele que se foi. Primeira coisa. E segundo, é a primeira reação é essa, porque não queram sofrer de novo, né? Quem nunca terminou o namoro e falar: "Nunca mais terminou o casamento nunca mais". Né? Mas é por quê? Porque você tá naquele momento delicado da sua vida, você tá naquele sofrimento e você não, eu vou pegar outro, eu vou me apegar e aí eu vou passar por tudo isso de novo. Então vai chegar um momento em que você, cada um, cada pessoa tem é único, né? não tem uma receita de bolo. Então, vai chegar um momento em que você vai entender que você tá preparado, que você vai ao encontro desse desse novo pet, né, né, para ter esse bichinho novamente com [roncando] você no seu convívio. Mas sempre lembrando, sem expectativas, ele não vai ser igual àele que se foi. E quando chegar esse momento, certo da aceitação, cada um tem um uma personalidade e você vai entender qual é esse momento de você pegar esse outro bichinho sem expectativas que ele vai substituir, porque ninguém é ninguém vai substituir. É um filho, é um relacionamento e com o pet é a mesma coisa. Acredito que esse seja eh o significado do amor, né? o amor que a gente tem pelos pets, porque eh você viveu com um, ele se foi e mas o amor por aquele que se foi continua. Mas você pode amar outro, você pode viver novamente uma história diferente com outro petzinho. E como eu falei no início, eu acredito muito que eh um pet ele desperta e mostra pra gente o quão a gente é capaz de amar, né? Porque você percebeu aí na sua casa, ah, você dá o melhor pro seu pet e isso é o quê? É amor, né? Então, eh eh a gente faz aí um exercício de amor quando a gente tem um pet dentro de casa. Esse meu ponto de vista, tá bom, gente, né? Eh, sem julgamentos aqui. Tem gente que gosta, tem gente que não gosta e tá tudo certo. Agora 8:43. A nossa produção avisando que nós temos algumas perguntas do pessoal que tá assistindo a gente, né? Então vamos ver o que vem por aí, porque o tema de hoje é um tema delicado. Eu eu vou falar a verdade, tô segurando a onda aqui para não chorar, viu? É sim, porque olha, meu psicológico tá tá tá bem alinhadinho, porque senão já tinha desabado aqui. É desafiador, é triste a gente viver um luto pet ou um luto antecipatório, mas a gente precisa aprender que faz parte da vida e a gente tem que manejar, né? A vida precisa seguir, mas o amor fica. Vamos lá. Débora Ferreira do Jardim Florence. Por que algumas pessoas conseguem falar sobre perda de um animal com facilidade, enquanto outras evitam o assunto por muito tempo? Aí, doutor, eh, invalidação tem a ver com essa pergunta? Bom, interessante a pergunta da Débora, porque é nesse ponto que a gente entra da individualidade do processo do luto. Algumas pessoas rapidamente conseguem elaborar tudo que aconteceu e já conseguem falar sobre o animal, sobre a morte de uma forma mais natural, um processo mais rápido. Outras demoram um pouco mais e tá tudo bem nessa demora. O que é que não pode acontecer? aquilo que eu já trouxe um pouco antes de ignorar o problema, entrar em um processo de negação total, porque eu costumo dizer que a nossa mente, o nosso cérebro, ele não tem ralo. Tudo que acontece, tudo que entra vai ficar lá. Então, se não for elaborado, se não for trabalhado, se não for processado, aquilo pode em algum momento se tornar algo mais doloroso, até um transtorno, um quadro psiquiátrico que vai precisar de um tratamento específico. Então, por que que algumas pessoas são mais rápidas e outras demoram mais? Porque faz parte do luto. O luto é assim, ele é individual, ele é diferente. Então, tá tudo bem. Alguém, um casal, vamos imaginar, um casal perdeu um pet e o o homem já tá tranquilo, já tá bem com toda essa situação. Depois de um mês já a a mulher não, ela ainda tá processando ou vice-versa. Isso é normal, porque cada um tem o seu tempo. Muito bem. Mais uma pergunta pra gente, produção, pode colocar na tela, por gentileza, falando sobre luto pet, um assunto que pega muita gente, né? a gente sabe disso e como é um pouco invalidado, as pessoas acabam não falando sobre esse assunto. A gente precisa falar, a gente precisa entender, né, o que passa com a gente, validar os nossos sentimentos e fazer o melhor com esse momento que não é bom, mas a gente precisa tirar o melhor. Qual é o melhor? É a história vivida com esse ser que só é amor nas nossas vidas. O Henrique Moraes do Jardim Aeroporto. A falta de compreensão das pessoas ao redor após uma perda pode fazer alguém esconder o sofrimento e tentar agir como se estivesse tudo bem? Isso acho que é o pior de tudo que pode acontecer, não é? Nossa psicóloga. É empatia, né? Uhum. a gente precisa ter empatia, porque se a gente não tem esse vínculo com animal de estimação, se a gente não tem eh [limpando a garganta] um animal de estimação, nunca teve essa relação, né, a gente não entende sim, né? Mas a gente precisa saber que o outro tem, né? que ele existe. Por isso que é o luto não reconhecido. Cada vez a gente falar mais sobre isso é bom e entender. Eu não tenho, eu não sei, eu nunca tive essa relação com animais, mas não tô falando de mim não, tá? Porque eu tenho a minha, [risadas] a minha tá lá com um aninho e meio que eu amo de paixão, a cacau. Mas eh se a pessoa não tem, mas ela precisa respeitar o que o outro tem. Então, o luto não reconhecido é a falta de empatia. É a falta de empatia por por não entender que vínculo é esse, né? É a falta de empatia, é o entender o vínculo e saber o que é o luto. Eu acho que no luto não reconhecido esses três pilares. A empatia. Eu posso não saber, não ter vivido, não gostar de de de animal, né? Assim, não querer ter um animalzinho doméstico, mas eu preciso ter uma empatia. Eu preciso saber que o outro tem e o outro tem o quê? O outro tem um vínculo, um vínculo muito forte. E quando a gente tem um vínculo, quando a gente perde, aparece o luto. Então é isso. Eu acho que essa tríade, o vínculo, a empatia e saber o que é o luto. Então, se você não compreende, como ele falou ali, a falta de compreensão leva a pessoa a esconder, leva, leva, porque ela ela não sabe, ela não entende, ela tem aquele sentimento, puxa, eu tô triste, mas eu vou falar com alguém, ah, sou um cachorro, vou falar com a Ah, não, ainda tá chorando por causa disso, um bicho, um bichinho pega outro, então ela fica, eu vou, não, [limpando a garganta] o que eu tô sentindo não posso sentir. Uhum. Né? Aí vai, como o doutor falou, vai, vai negando, vai abafando isso e você vai abafar em algum momento isso vai vir à tona. Uau! Então luto é para ser vivido, é sofrido, é é igual uma ferida. Se você não curar aquela ferida, ela vai vai brotar. Você bota ali bandete, você bota paradrapo, você bota maquiagem. não existe. Ela vai, se você não cuidar do luto, ele vai vir à tona em algum momento da sua vida. É, gente, vamos lá. 8:49, né? A gente precisa aprender para poder seguir uma vida mais leve. Mesmo vivendo luto, a gente precisa aprender a viver, né? E todos nós vamos viver isso eh de alguma forma, em algum momento da vida. Então é bom aprender porque quando chegar o momento você já sabe manejar a situação. Ai ai. Vamos lá, mais uma pergunta pra gente, produção na tela. Ai coraçãozinho, hein? Meu Deus do céu, que é isso? Como é difícil falar desse assunto pra gente que ama bicho, pra gente que ama pet, para quem tem um pet assim como eu. Mas é importante porque a gente tem que aprender. Felipe Ramos do Jardim Londres. Olha só, quando o meu cachorro morreu, eu me senti estranho ao dar risada. ou sair para me divertir poucos dias depois. É comum sentir culpa quando começamos a ter momentos bons novamente. Ah, entendi. Doutor, vamos lá, ajuda a gente responder o Felipe. Bom, Felipe, é comum sentir culpa, mas esse processo de se divertir alguns dias depois, ele é normal porque ele faz parte do luto. O processo de luto, ele imagina um pêndulo vai de uma direção para outra. Uma hora esse pêndulo tá voltado paraa perda, então com muita saudade, com muito choro, com muito remoço. Outra hora ele tá voltado paraa nova vida que se criou a partir da perda. Então novas possibilidades, novas responsabilidades a partir da perda. Então esse pêndulo ele fica oscilando. Então é normal no processo de luto você ter momentos bons e felizes. Mas muitas pessoas não entendem isso. Elas acham que elas devem estar a todo momento tristes, em sofrimento, isoladas, o que não é verdade. Então é muito comum essa culpa, mas é importante entender que ela não deveria existir, porque o processo de luto é um pêndulo. Então, em um momento você vai estar bem, em outro momento você não vai estar. E nos momentos que você estiver bem, aproveite, viva eles, se permita viver esses momentos, porque eles são importantes, assim como os momentos ruins, para que esse processo se consolide e se resolva, né? A gente diz que o luto ele vai se resolvendo, mas ele vai est sempre ali. Exatamente. Agora 8:51, estamos aqui com a nossa psicóloga Valéria, o nosso Dr. Vinícius falando sobre lut. Eh, dá tempo para mais duas, então vamos lá, pessoal participando. Pode colocar na tela, produção, por favor. Vamos ver de onde vem. Lá do Nova Europa. Carlos Henrique, bom dia. Olha lá, não consigo manter fotos nem lembranças relacionadas ao meu cachorro depois da perda. Isso é algo comum. Não gosto de ficar sofrendo com as lembranças. Vamos lá, Valéria. Sim, isso é algo comum, porque as pessoas justamente é isso, né? Ninguém quer sofrer, né? Então eu não quero ver, eu não quero eh lembrar, porque vai me trazer tristeza, vai me trazer [roncando] sofrimento. Então, quando ele fala: "Eu não consigo e manter fotos nem lembranças relacionadas ao meu cachorro depois da perda, é comum?" Sim. Sim, Carlos, isso é comum eh você eh exatamente evitar esse sofrimento, né? Mas entender que esse sofrimento ele é ele é normal, né? porque você perdeu algo que você tinha um vínculo muito significativo. Então, vai chegar esse momento que você vai tá fortalecido e você vai conseguir eh pegar essas fotos, você vai conseguir eh relembrar desse seu cachorro com eh com saudade, porque só tem sofrimento, só tem saudade quando tem amor. Ai, gente do céu, tá puxando aqui o negócio, tá pegando, hein? Vou falar, preciso encerrar esse programa logo, senão vou desabar aqui, [risadas] porque eu fico, eu, eu estou ouvindo e estou meio que vivendo tudo isso. Então, tá mexendo com as emoções aqui, mas é bom, a gente tá vivo, a gente tem emoções, a gente pode sentir, isso é maravilhoso. Vamos lá. 8:53, olhinhos marejados, mas, ó, vamos embora. Pode colocar mais uma. Ah, para encerrar, Gustavo Martins do Parque Industrial, porque algumas pessoas parecem ficar bem logo depois da perda e só começam a sentir mais tristeza. Ah, algum tempo depois. E aí, doutor? É o inverso? É, então isso é mais aquela representação da [limpando a garganta] individualidade do luto. Ele é um processo muito individual, não existe um luto igual. Então, tem pessoas que vão passar ali pelos primeiros dias de uma forma mais tranquila. e depois elas vão se deparar com a nova realidade e aí vai ser mais duro, vai ser mais difícil. Outras elas a partir do momento da morte elas já vão se deparar com aquela nova realidade, já vão entrar num sofrimento maior que vai se suavizando com o tempo. Então assim, não existe um um caminho ideal. Uhum. E aqui eu trago até um ponto importante. Antigamente a gente trabalhava com aquela ideia de que o luto tinha algumas fases e que todo mundo deveria passar pelas mesmas fases em sequência. Isso caiu por terra há um bom tempo. E hoje a gente entende que o luto ele é esse processo dual que eu expliquei do pêndulo, que uma hora você tá em um momento mais voltado paraa recuperação, outra hora você tá ainda mais voltado pro que aconteceu paraa perda. Então o que vai acontecer? Quanto tempo vai durar? Qual sequência? Isso é muito individual e de via de regra é normal existirem existir essa variação entre o lutro de uma pessoa comparado à outra. Então tá tudo bem, isso é normal. Uau! É, gente, e esses bichinhos, esses petezinhos aí são só amor, né? E infelizmente vai chegar o momento deles e a gente precisa aceitar, passar por esse momento e não esquecer que como são amor, aquele amor que você viveu, ele vai ficar como um único amor, mas você é capaz de amar novamente. Tá bom? Bom, vamos encerrar. 8:55. Eu quero agradecer a participação então que retaguarda aqui em segurei conseguir e tudo bem se eu chorar também porque eu aprendi com vocês que eu posso chorar e posso validar os meus sentimentos e posso sentir, né? Então tá tudo certo. Eu quero agradecer a participação da Valéria, nossa psicóloga. Muito obrigada pela conversa, pelas explicações, por compartilhar eh eh detalhes desse tema, que é um tema muito importante, pouco falado, né, pouco explicado e a gente precisa compreender. Então, considerações finais, por favor. E já agradecendo mais uma vez a sua presença. Ah, eu que agradeço. Eu acho que é uma um espaço muito importante para mostrar pras pessoas que o sofrimento faz parte, né? Muitas vezes as pessoas não querem ser eh sentir tristeza. A tristeza é uma emoção. É uma emoção como alegria, é uma emoção como a raiva e precisa ser sentida. E é normal tá sentindo eh essa dor para uma perda, né? Não é fácil. Tô dizendo que é fácil. Tô dizendo que ela é normal e ela existe quando existe amor. Muito bem. Obrigada mais uma vez, viu, Valéria? Quero agradecer também, Dr. Vinícius, eh, gratidão pela sua participação, por trazer conhecimentos, né, e ensinamentos para, eh, minimizar, de repente esse momento e nos orientar de que forma a gente deve seguir, porque tá tudo bem em sentir, né? Tá tudo bem em sofrer e a gente precisa aprender a viver nesse momento aí que todos nós que temos um bício de estimação, a gente vai passar, é inevitável. Então, doutora, gratidão pela sua participação. Eu que agradeço a oportunidade. Eu acho que como um recado final, [roncando] a gente falou muito hoje sobre o processo de luto, que é algo normal dentro do da da normalidade, mas em alguns casos a gente sabe que o luto ele acaba evoluindo com algumas complicações, um transtorno de luto prolongado ou algum episódio depressivo. Nesses casos, a gente considera que isso não é o normal e precisa de um tratamento específico, de uma psicoterapia voltada pro luto, eventualmente de uma avaliação psiquiátrica. Então gostaria de deixar esse esse essa observação, né, para muito do luto, na verdade o luto ele é normal, mas em alguns casos ele pode evoluir de uma forma mais patológica e aí sim a gente precisa intervir do ponto de vista de saúde mental. Excelente, né? muita orientação no programa de hoje, eh, falando sobre luto pet. Então, se você tá vivendo nesse momento eh eh essa eh esse sentimento, né, ou se você vive o luto antecipatório também, o programa já está disponível, tá, no YouTube. Você pode, assistir novamente, compartilhar com as pessoas da sua família, porque é sempre muito importante ah a gente entender eh o que nós estamos vivendo. E por isso que nós convidamos dois especialistas em saúde mental aqui para nos explicar sobre o luto pet. Quero agradecer a sua audiência, a sua companhia. A gente vai encerrando o nosso [música] estúdio Câmara por aqui. Eh, lembrando que hoje nós temos reunião ordinária a partir das 6 da tarde no plenário, tá? Amanhã tem mais estúdio Câmara e a nossa conversa de hoje deixa algo muito importante eh pra gente entender, né? Não existe uma régua, uma régua capaz de medir a importância de um vínculo, tá? Para alguém, aquele animal esteve presente durante 10, 15 e às vezes quase 20 anos. [música] Participou de mudanças, alegrias, dificuldades, separações, chegadas e despedidas. Por isso, se alguém perder um animal e está sofrendo, acolher é sempre melhor do que minimizar, tá? E esse sofrimento, se ele estiver comprometendo profundamente a rotina, o sono, o trabalho, as relações ou a capacidade de seguir a vida, assim como o doutor disse, procurar ajuda de um profissional também é uma forma de cuidado. Lembrando que ao meio-dia nós temos Câmara Notícia com Gabriel Castro. A programação da TV Câmara Campinas segue sempre feita, produzida com muita responsabilidade de toda a nossa equipe, especialmente para você que está aí do outro lado. E na próxima edição do estúdio Câmara, nós vamos abordar um tema que interessa diretamente às mulheres, às empresas e a toda a sociedade. Como apoiar o empoderamento feminino no mercado de trabalho? As mulheres ocupam cada vez mais espaços profissionais e posições de liderança, mas ainda convivem com desigualdades, estereótipos, cobranças e expectativas diferentes daquelas impostas aos homens. Por que tantas mulheres ainda sentem que precisam provar a sua competência o tempo todo? E como conciliar carreira, vida pessoal, maternidade e tantas outras responsabilidades, [música] sem transformar o discurso de empoderamento em mais uma cobrança? É sobre isso que a gente fala amanhã a partir das 8 da manhã em mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Um grande abraço para você, uma ótima quarta-feira e até lá. Ciao ciao [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]