TV Câmara Campinas
TV Câmara
Campinas
Estúdio Câmara | Jomo: 'Joy Of Missing Out' - Alegria de Ficar de Fora
Em destaque · HD Vídeo · ESTÚDIO CÂMARA

Estúdio Câmara | Jomo: 'Joy Of Missing Out' - Alegria de Ficar de Fora

77 views Publicado 12/08/2026 HD · 57:44
Resumo editorial

O programa debate FOMO (medo de ficar de fora) versus JOMO (alegria de ficar de fora), analisando comportamentos digitais nas redes sociais e seu impacto na saúde mental. Especialistas discutem a crescente tendência de desaceleração digital, questionando se representa bem-estar genuíno ou isolamento. Também é mencionado o Festival de Cultura Gospel de Campinas, evento gratuito da cidade.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

As psicólogas Amana Assunção, entrevistada no estúdio, e Ana Clara Machado, participando por videochamada de Florianópolis, explicam o jomo, a alegria de ficar de fora, em contraponto ao fomo, o medo de perder algo ao não acompanhar tudo nas redes sociais. A conversa discute se recusar convites e desconectar das telas é sinal de equilíbrio ou o início de um isolamento. O debate integra o programa de entrevista e debate da TV pública com pauta apurada e convidados especializados.

Transcrição completa do vídeo

50 mil caracteres · transcrição automática

Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.

[música] Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com o estúdio Câmara. Hoje feriado aqui em Campinas dia 12 de agosto, quarta-feira. E o tema do nosso programa é a alegria de ficar de fora. É um comportamento, gente, que ganhou até uma sigla no mundo digital. O Jomo. Você já recusou um convite para ficar em casa? Hum. Aí você passou horas olhando as redes sociais para ver o que estava acontecendo ou então já sentiu aquela sensação de que todo mundo estava vivendo experiências incríveis enquanto você ficou para trás? Esse comportamento também tem nome, é o fomo, o medo de ficar de fora. Enquanto o jomo, que é o tema do nosso programa de hoje, representa ao contrário, a alegria de não participar de tudo e escolher o próprio ritmo. Mas será que a gente está aprendendo a desacelerar ou nós estamos nos isolando cada vez mais? E você de casa, já sentiu um alívio por não precisar acompanhar tudo que acontece nas redes sociais? Vamos conversar porque nós temos aqui duas especialistas em saúde mental. Daqui a pouquinho vão nos explicar sobre essa tendência, né? Cada vez mais as pessoas estão treinando a ficar de fora. Mas até que ponto isso é legal e a partir de que momento começa a impactar e você começa a realmente ficar de fora mesmo, começa a se isolar. Fomo e jomo. Vamos conversar sobre isso no nosso programa de hoje com as nossas entrevistadas que já estão conosco. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los. Enquanto isso, vou trazer uma nota bem interessante para você, porque Campinas realiza hoje o Festival de Cultura Gospel, um evento gratuito que marca o primeiro feriado municipal do dia do evangélico. A programação acontece na Estação Cultura da 1:30 da tarde até às 10 da noite, com shows, atividades culturais, ações de cidadania e apresentação de projetos sociais desenvolvido por igrejas e organizações evangélicas. O festival é idealizado pelo Instituto Pontes, com apoio do Conselho dos Pastores de Campinas e da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo da Cidade e integra [música] a programação cultural do mês de agosto. O evento também conta com Expo Cultura Gospel, um espaço dedicado à divulgação de projetos sociais, além da praça de alimentação, espaço kids, oferecendo uma programação voltada para toda a família. Então, um convite para você. Festival de Cultura Gospel de Campinas hoje na Estação Cultura a partir da 1:30 da tarde e a entrada é gratuita. Mas e aí, como é que vai ficar o tempo? Vamos conferir como fica a previsão do tempo para hoje. Quarta-feira, feriado em Campinas, solas nuvens, não chove. A mínima de 15, a máxima de 28º. E nós estamos aqui no estúdio Câmara hoje trazendo como tema fomo e jomo. A gente precisa entender sobre esses nomes, o que significa. E para isso nós temos aqui duas entrevistadas que vão nos explicar, porque a gente vive em uma época em que tudo acontece ao mesmo tempo. Você percebe, né? Notícias, eventos, tendências, conversas, as oportunidades que chegam sem parar a partir das telas. E daí, nesse cenário, surgiu o foma, o medo de ficar de fora. Como reação a esse fomo, a esse excesso de estímulos, cresce também o jomo, uma escolha consciente de desacelerar e não sentir culpa por não acompanhar tudo o que acontece. Mas onde está o equilíbrio entre participar e preservar? Então, para nos orientar sobre a alegria de ficar de fora, a gente recebe aqui no estúdio a psicóloga clínica e artuta Amana Assunção. Seja bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua participação. Bom dia, Rúb. Um prazer estar aqui. Esse tema é fundamental. Agradeço poder transmitir conhecimento para sobre esse tema. Maravilhosa gente que agradece vocês, né? eh por nos proporcionar esse momento de conhecimento. E pelo Zoom nós recebemos direto de Florianópolis a psicóloga comportamental Ana Clara Machado. Ana, seja bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua participação. Bom dia, pessoal. Um prazer estar aqui hoje com vocês para conversar sobre um tema essencial nos dias de hoje da vida contemporânea. Maravilha. Então, já vamos conversar sobre fomo, jomo. Vamos lá. De onde, a mana? De onde vem essa sensação de que a gente precisa estar por dentro de tudo a todo tempo? As coisas estão mais aceleradas, as notícias chegam, a gente fica ali com o celular, às vezes ele dá uma tremidinha, você olha para ver o que que é, aí tem uma notícia lá e você começa a partir de uma notícia e daqui a pouquinho o algoritmo te empurra para outra e para outra e para outra e você fica nesse ciclo vicioso. Por que que a gente tem essa sensação de que nós precisamos saber de tudo que acontece a todo tempo? Rúbia, eu vou responder essa pergunta, mas eu vou dar um passinho antes, por favor. Esse temo, ele surgiu em Harvard lá em 2000, antes do Boom Digital. Uau! Muito bom. Ele veio com um estudo já de uma tendência da humanidade de tentar prever o que que ia acontecer com o excesso de streaming, com os estudos, com as pessoas mesmo no meio acadêmico que precisavam estar com todos os livros, todos os artigos em dia. Então, já vinha uma tendência da humanidade antes do Boom Digital. Com o Boom Digital, esse conceito foi adaptado e se encaixou muito bem com esse com esse momento, com esse excesso de estímulo, né? Eh, a gente tem aí vários várias questões. O os algoritmos, as mídias sociais, elas despertam um sentimento além do excesso de estímulo, elas despertam uma dopamina passiva. Sim. Então você tem uma sensação de prazer, de pertencimento, de estar conectado, que é muito mais imediato e exige muito menos do que das relações reais, do que das atividades. por exemplo, eh, você considera-se que um dia de vídeos curtos, curtidas, notificações, WhatsApp, corresponderia você assistir 16 filmes num dia. Uau! O tanto que estimula o cérebro. Então, uma caminhada, um café com as amigas, ele vai trazer um estímulo muito menor e mais lento. E aí vai existindo essa discrepância para eu ter esse sensação de prazer, por exemplo, com uma caminhada, com uma corrida, eu preciso de um esforço maior e de um tempo maior para atingir algo que vem imediato pelas mídias. E as mídias foram estudadas, elas têm um estudo psicológico que é para causar dependência. Eh, o Dilema das Redes é um documentário que fala sobre isso. Então, as pessoas consideram que elas ganham atenção e destaque, ficam nessa sensação de comparação, de necessidade de estar por dentro de tudo, de acompanhar tudo que está acontecendo, o que leva a uma exaustão, baixa de autoestima, a sensação de que todo mundo é feliz, porque dificilmente alguém vai colocar a tristeza na rede, não vai colocar o olho inchado na segunda de manhã. Exato. [suspirando] E aí isso vai causando essa sensação de eu preciso me alimentar de uma vida social, mas que é escolhida pelo outro. Os parâmetros são outros. Eu perco a minha autonomia para acompanhar algo que é estabelecido aleatoriamente. Perfeita explicação. Já deu pra gente começar a entender, né, essa questão do fomo e do jomo. Agora, o fomo é o medo de ficar de fora, né? Eh, eu pergunto para Ana Clara, um comportamento moderno ou eh o fomo, ele revela uma necessidade emocional mais profunda, esse medo de estar de fora das coisas que estão acontecendo? Claro, eu acho que com certeza a vida contemporânea exacerbou essa necessidade, como a Amana falou, né? A gente tem essa necessidade de pertencimento desde sempre. Mas como hoje em dia a gente tá dedicando muito tempo da nossa vida às redes sociais, claro que esse medo de ficar de fora tá muito eh contemporâneo ali, né, nessa nessa tecnologia, vamos dizer assim. Mas com certeza a gente precisa tá olhando inclusive para esse termo novo, Jomo, como uma forma de proteger a nossa atenção, né? Eh, a gente tem outras necessidades de pertencimento, de criar relações que talvez não estejam sendo supridas e a gente tá desviando pro lugar errado, tentando essas conexões virtualmente, quando a gente também precisa dessas conexões presenciais. Então, com certeza, tem necessidades nossas que não estão sendo eh supridas, né? inclusive as necessidades de descanso, por exemplo, quando a gente tá muito conectado nas redes, a gente tem uma exaustão enorme, então a gente precisa de descanso fora da tela. E esse descanso também pode ser um lazer, né, como um café com as amigas, como a Amanda falou também. Muito bem. As redes sociais elas criaram pra gente a impressão de que a vida ela está acontecendo sem parar. E aí muitas vezes a gente compara, né, os bastidores, assim como a Amanda muito bem trouxe da nossa vida com os melhores momentos da vida do outro. Agora, por será que ver as conquistas e experiências dos outros pode gerar tanta sensação de ansiedade, sensação de inadequação, sensação de não pertencimento? O que que acontece? Por que que a gente tem esses sentimentos quando e a gente tá no automático, né, eh, se comparando, porque a partir do momento que você vê algo lindo e belo e que é conquista do outro, aí você fala assim: "Poxa, mas por que que ele consegue ou não?" E é o recorte que a gente tá vendo, né? Mas aí vem os sentimentos, as sensações. Por que essa sensação de eu sou inadequada? Eh, tem uma construção, a gente tem uma sociedade que compara, né, Rúbia? Isso não começa nas mídias. Por exemplo, a gente tem um uma mãe, um pai ali falou assim: "Olha, sua irmã é tão estudiosa." Uhum. Por que que você não segue o exemplo dela? Sim, a gente tem na escola o melhor aluno, o que é preferido da professora. Uhum. Então, a gente estabelece na sociedade um parâmetro comparativo de qual é o ideal que deve ser atingido. Sim. E nós somos diferentes. Isso acaba desvalorizando essas diferenças que cada um pode desenvolver o potencial. Por exemplo, aquele que não é o melhor aluno na matemática, ele pode ter uma inteligência corporal maravilhosa, que só não está sendo valorizada naquele momento. Uhum. E é uma diferença muito grande em se construir uma referência que inspira. Por exemplo, eu vejo naquela pessoa uma disciplina, uma dedicação que eu posso me inspirar e desenvolver em mim. Quando a gente se compara, a gente coloca o outro no pedestal e a gente lá embaixo numa impossibilidade de alcançar aquele ideal. Uhum. Né? E a gente, todo mundo tá em processo de crescimento. Então, a inspiração ela pode te dar esses passos de onde você quer chegar. Então isso eu vejo no consultório, por exemplo, eh algumas pessoas realmente perdem a referência de realidade. Era como você não, mas eu não consigo desenhar porque eu eu vejo o desenho do Instagram, o meu não chega nem aos pés, mas não entende que isso é um processo que aquela pessoa que postou no Instagram, ela postou um resultado final. Exato. Ela não postou os bastidores de quando ela fez um monte de risco que não deu certo, de quando ela também se frustrou e achou que não ia conseguir, né? Exatamente. Então, tudo isso vai influenciando e assim, quando a gente se compara e se sente impotente, a gente se torna passivo, que é uma característica do excesso de tela. é uma ansiedade mental por excesso de estímulo e uma procrastinação, uma passividade, porque esse estímulo vem de uma forma passiva, não é ativa, você não tá criando alguma coisa, você não está se movimentando para conquistar alguma coisa. Então é muito comum nas pessoas com excesso de etela o também a apatia, essa falta de iniciativa para agir e uma mente extremamente ansiosa com uma ação paralisada. Nossa gente, olha só como é importante a gente ter informação sobre os assuntos, né? Hoje falando de Jomo e FOMO. Primeiro nós estamos falando do FOMO. Daqui a pouquinho a gente vai falar do Jomo, que é a alegria de estar de fora, de conseguir se libertar, né, dessa questão, dessa prisão, na verdade, que é eh quando você acaba tendo, eh, essa compulsão, né, digital que você tem medo de ficar eh de fora. Agora, Ana Clara, tem uma diferença entre a curiosidade saudável, né? Porque a gente é curioso, a gente quer ver, a gente quer descobrir, a gente quer entender, mas aí tem a diferença da curiosidade que é saudável e essa necessidade compulsiva de acompanhar tudo. Gostaria que você explicasse pra gente se tem e qual é, como é que a gente consegue identificar no nosso dia a dia. Uhum. Ótima pergunta, Rúbia. Eu só queria complementar também, né, que essa questão do valor eh que a mana falou, acho que a gente tem muito valor eh como seres humanos hoje em dia na nossa vida contemporânea relacionada ao nosso produzir, né? Então a gente tirar um pouco desse valor da produção, daquilo que a gente produz também é muito importante pra gente entender nosso valor como seres humanos para além disso, né? entender que a gente tem necessidades básicas, que o descanso é uma dessas necessidades. E a curiosidade também é um algo natural, instintivo, né, nosso como seres humanos. E com certeza nós queremos nos relacionar, ter assuntos e estar falando com outras pessoas, saber como está a vida delas. E de fato hoje as redes sociais são esse lugar onde a gente vai eh ficar sabendo, né, de como nosso colega tá, se alguém casou, eh tá saindo com quem. Então, esse lugar também é importante de alguma forma. O o que a gente precisa dosar eh o que que a gente tá fazendo nas redes sociais. Uhum. Qual a nossa intenção ali dentro? Porque a gente tá falando de um Brasil hoje que fica mais de 9 horas por dia, né? 9 horas por dia não é só curiosidade, é uma dependência, né? Então, a gente precisa tomar consciência com a intenção que a gente tá colocando naquela atividade. Quando a gente tá curioso lendo um livro, estudando, é uma coisa. Agora, quando a gente tá 9 horas por dia, a gente já tá falando de uma dependência. Perfeito. Eh, como você trouxe os momentos de descanso, né? Eh, eh, muita gente continua nesses momentos que a gente precisa de descanso, continua mentalmente conectado. O corpo para, mas a atenção permanece voltada a quê? A notificações, a mensagens, a atualizações, a informações. É, é, gente, é um turbilhão de acontecimentos. E aí, o que será que acontece no nosso cérebro, Amana, quando a gente vive nesse estado? Porque é um estado permanente de alerta, né? Qual aência gente estar conectado? Tô descansando. Você tá descansando, pega o celular e fica e fica e fica e fica. Quando você vê, passou du 3 horas, que é o caso que a Ana trouxe pra gente. 9 horas conectados, gente, por dia. Meu Deus do céu, o que acontece no nosso cérebro? Não é descanso. Estar no celular, algum momento, um período restrito, pode ser descanso, mas você está estimulando o seu cérebro. Então isso dá uma fadiga mental. Sim, isso vai influenciar a falta de atenção, isso vai, como eu disse antes, vai influenciar a falta de iniciativa para fazer outras coisas por esse excesso de informação passiva. [roncando] Eh, eu vou trazer aqui alguns dados clínicos, não são nem dados estatísticos, assim, já atendi adolescente que não consegue assistir filme porque a velocidade do filme é muito lenta e o filme é muito longo. Ele espera chegar no YouTube e coloca na velocidade dois. Já vi sobrinha minha não conseguindo ouvir uma música longa inteira. Ela pula a música na metade. Por quê? São estímulos rápidos. E aí, como é que essa criança vai chegar na sala de aula e vai se interessar por uma aula? Porque ali na internet você tem o estímulo visual, eh, você tem o estímulo da velocidade, o estímulo auditivo, um monte de cores. Para quem estuda mídia, cada vez mais é acelerado. É assim, se você não trouxer e e tem muita informação, então se você não trouxer algo chocante nos primeiros 3 segundos, a pessoa não engaja, ela não vai engajar por mais de um minuto. Exato. Uhum. Como é que a gente vai ter, como é que a gente vai ler um jornal? Como é que vai ler um livro? Eu escuto inclusive de adultos, eu lia um livro por semana, eu não tenho concentração para ler um livro, eu paro na primeira página. Por quê? É incompatível esse estado de alerta com uma atividade desacelerada. Então, é preciso ter uma a uma desintoxicação intencional. Então, eu vou desligar o celular. É porque algumas pessoas não conseguem. Começou, elas ficam no celular vendo filme, dá pausa no filme. Você sabe que os roteiros de filme eles estão sendo simplificados porque a pessoa se ela para para ver o celular e volta e perder o contexto, ela desiste do filme, não do celular. Uau! Então eles estão fazendo roteiros de filmes mais simplificados para que as pessoas possam se desconectar do filme e voltar sem perder conteúdo. Nisso a gente tá tendo um emborrecimento da população. Exatamente. Os estudos a gente a cada geração a gente melhora cognitivamente. Essa é a primeira geração que tá regredindo. Olha só, sem falar que esses estímulos, esses e tudo muito rápido, a gente assiste, a gente ouve, mas a gente não capta, né? A gente não consegue captar porque se ah, ó, assiste aí uns 10 vídeos aí, depois para e tenta lembrar o que que você viu neles. A gente não consegue. Por quê? Porque é estímulo rápido, é uma dopamina barata e aí a gente não consegue fixar. Então a gente vai acabando, a gente está perdendo essa coisa que nós temos assim de captar informação, de entender, sabe? Precisamos cuidar. E aí quando a gente traz pro aqui, pro agora, Ana Clara, a geração Z, a geração Z é uma geração que tá no mercado de trabalho, é uma geração que tá fazendo a roda ali girar, mas parece que ela é uma geração que está sentindo demais esse impacto, né? eh tá sentindo de forma intensa essa questão de de jomo e de fomo. É uma turma que parece que não consegue ficar sem a conexão, mas em contrapartida tem outra parte dessa turma que tá tentando desconectar. Como é que você explica essa discrepância da geração Z que já nasceu, que que tem essa eh vontade de conectar, mas ao mesmo tempo entende que se desconectar vai ficar mais tranquilo? é um pouco desequilibrado, a conta não fecha, não é? Acredito que todo excesso, né, acaba gerando uma contraproposta, uma contrapartida e não é à toa que depois do fomo veio o jomo, né? Eh, acho que quando a gente tá eh hiperconectado, a gente começa a perceber que tem algo faltando. Porque por mais que esses estímulos ali sejam muito recompensadores, imediatamente, quando a gente sai do celular, quando a gente para de estar conectado, a gente não se sente realizado. A gente sente, inclusive muitas vezes culpa, eh, ou uma sensação de falta, né? não consegue lidar com o tédio, não é como se a gente tivesse presente, é quase como se a gente entrasse numa realidade paralela, né? Então, quando a gente vai deitar a cabeça no travesseiro, quando a gente vai tomar um banho, a gente se percebe faltando algo, né? Alguma necessidade nossa não tá sendo suprida. Então, com certeza existe essa esse outro caminho que a gente tá trilhando de buscar, de retomar essa vida presencial, essa vida real, né? Que a gente precisa se conectar com pessoas, a gente precisa eh criar conexões, fazer relações, eh se exercitar, né? né? Então a gente vê hoje um caminho contrário sendo seguido e aí parece que é uma discrepância, mas na verdade parece quase como se a gente tivesse um bambu que a gente entorta muito para um lado, a gente precisa entortar totalmente pro outro pra gente chegar num equilíbrio, né? Então parece esse caminho que tá surgindo hoje, inclusive com atividades manuais, né? A gente vê hoje uma necessidade por pessoas criar hobbies, que seria um pouco dessas necessidade de lazer, de fato, né? Algo que não esteja relacionado a uma tela, né? Porque a gente ou tá no celular, ou tá no computador, ou tá no tablet, ou tá na televisão. E aí, e quando que a gente tá fora da tela, né? A gente tá falando de realmente a nossa saúde, né? Saúde de todos os níveis. Então, a gente tem essa necessidade de fato de buscar a vida real. E a geração Z, por mais que tenha crescido, né, dentro dessa desse cenário já muito contemporâneo em que isso é normalizado, essa necessidade, né, de conexão de vida real, ela não deixa de existir. Então, com certeza, eh, existe inclusive um caminho contrário sendo tilhado pra gente nos reconectar com a vida real. Excelente. Muito bom. interessante você falar isso, porque eh há muito tempo todo mundo queria estar conectado. Hoje já estamos de repente entendendo o impacto do excesso de conexão e aí estamos tentando fazer um caminho de, entre aspas, retrocesso. A gente vai retroceder como a gente vai sair da tela e vai pra rua, a gente vai sair da tela e vai pro cinema, de repente vai sair da tela, vai tomar um café com os amigos. Porém, para muitos jovens, estar nas redes significa apenas, de repente, se divertir. Eh, as pessoas podem também, eh, buscar a sensação de pertencimento, buscar eh a identidade, precisa se sentir pertencente a algum grupo, se sentir pertencente a algum lugar. Por quê? Porque ficou tanto na tela, né? Tem tanto tempo conectado aí que a ó, você acaba perdendo o o feeling, né? Para onde, quem sou, para onde vou? E aí vamos desconectar, beleza? Vamos trabalhar o joma agora, né? Estamos muito conectados, a gente vai nessa situação aí reversa de desconectar. E a gente prefere eh escolher ficar em casa ou de repente eh ter aí um momento de autocuidado. Só que a gente precisa cuidar que todo excesso, né, ele esconde algo. Então, a mana eh essa questão da desconexão quando ela passa a ser vista como isolamento, porque a gente precisa se cuidar. E aí, às vezes no impulso, bom, eu tô muito conectada, então agora eu vou desconectar de vez. E aí automaticamente vem aquela tristeza, aquela sensação também, porque você tava dependente, então vem aquela sensação ruim que você não sabe lidar. Quais os cuidados que a gente deve ter ao momento que a gente decide partir para o jomo, que é uma desconexão dessas telas. Rúbia, esse é um tema muito importante da gente abordar, principalmente no pós-pandemia. Uhum. né? No pós-pandemia, muitas pessoas na acabaram se acostumando de uma maneira não saudável ao isolamento, né? A gente teve aí essa essa essa pandemia traz consequências paraa saúde mental até hoje. Uhum. Então, é saudável quando você escolhe isso intencionalmente. Eu não preciso estar em todos os lugares. Eu não preciso atender todas as ligações. Eu não preciso participar de todos os shows. Eu não preciso estar informado sobre tudo. Tudo bem se eu chegar em algum lugar e não dominar um assunto. Eh, eu escolho ficar na minha casa e fazer uma janta ouvindo música ao invés de estar em um bar. É uma escolha intencional de autocuidado e de desaceleração. Sim. Ele deixa de ser saudável quando deixa de ser uma escolha. Uhum. quando vira um medo, quando vira uma preguiça social, como a gente estava falando ali das redes, as redes trazem uma hiperconexão, mas que não exigem coisas que uma relação real exige. Para você ter uma relação real, você vai passar pelo tédio, você vai passar pela frustração, você vai passar pela necessidade de desenvolver empatia pelo que o outro tá dizendo, por habilidade social, habilidade de comunicação, pelo esforço de sair de casa e encontrar alguém, né? E aí isso não são só a a as mídias, a gente tem o delivery que entrega em casa, a gente tem os streamings, a gente tem a academia de condomínio, a gente tem um conforto que traz para casa e que pode levar isso a um isolamento. E aí esse isolamento ele é objetivo, tipo, eu não tenho convívio social, ai que preguiça, eu vou ter que interagir com pessoas, aí eu não quero voltar a ir para escritório presencial de jeito nenhum. desgasta conviver com pessoas. Eu preciso, eu prefiro ficar aqui no home office sozinho. E isso vai aumentando depressão, vai aumentando ansiedade, nível de cortisol, problemas físicos de saúde, muitas vezes até sedentarismo, porque eu tô ali passivo, vão trazendo outras consequências e alterações. Ansiedade do contato com outro. Então, uma pergunta se fazer, eu estou ficando em casa porque isso me faz bem? Eu me sinto bem depois de dizer não para um evento ou eu sinto que eu tenho medo daquele evento? Às vezes eu vou sair de casa e ai não é é mais confortável, há uma versão, não há um prazer em fazer essa escolha, né? E aí vem também um oposto que é a nossa epidemia que é a solidão. Sim. A solidão vem sido abordada pela Organização Mundial de Saúde como uns dos grandes problemas nossos contemporâneos. né? E a solidão, ela é diferente do isolamento. O isolamento é o objetivo. A solidão é essa desconexão real. Uhum. Eu posso estar no meio de um monte de gente e sentir que eu não estabeleço uma conexão significativa e ter um sentimento de sofrimento desse deslocamento. Muito bem. Olha só, né? A gente aprendendo como diferenciar eh um jomo saudável de uma fuga das relações e dos desafios da vida. Daí quando a gente fala em solidão, nem sempre querer ficar sozinho é um problema, né? Em muitos casos tem gente que entendeu o que é solitude. E a solitude pode ser uma ferramenta importante para você recuperar sua energia, para você organizar seus pensamentos. Agora, Ana, o que realmente muda na vida da pessoa quando ela aprende a desacelerar sem culpa, quando ela aprende a desacelerar entendendo essa questão do jomo, né? Porque é importante a gente a gente desacelerar eh na sua visão psicológica, as mudanças elas costumam elas costumam ser vistas assim rapidamente? A gente percebe ou é algo que a gente faz meio que no inconsciente, é imperceptível, eh causa um impacto a gente optar por desacelerar eh tanto na vida, no dia a dia, quanto na questão das telas também? Com certeza. É muito importante a gente buscar esse movimento desacelerar, porque a gente vive uma vida contemporânea acelerada. Então, se a gente deixar eh nos levar pelo automático, pelo nosso ambiente, a gente vai sempre estar acelerado. E não é só um mundo ao nosso redor, né? É os são os nossos pensamentos. Nós não temos momentos onde a gente consegue lidar com silêncio, porque se a gente tá em silêncio, a única coisa que a gente consegue ouvir são as vozes da nossa cabeça, né? Aqueles pensamentos super acelerados. Então, eh, por isso que é tão desconfortável hoje em dia a gente lidar com silêncio. Mas quando a gente tá em silêncio e a gente consegue ouvir esses pensamentos, a gente consegue entender eh de fato o que que a gente tá pensando, quais são nossos desconfortos. a gente consegue ouvir o nosso corpo. Isso é extremamente importante. A gente precisa olhar para si mesmo de outra maneira, sem tá eh diante do outro preocupado com a nossa aparência. A gente precisa estar experimentando o nosso próprio corpo, entender como que ele tá se sentindo, se eu tô com alguma dor. E para isso eu preciso parar. Eu não posso estar trabalhando, tá em festas, então ficar sozinho é algo extremamente necessário, eh é extremamente eh revigorante também, mas ficar sozinho de uma forma intencional, quando a gente tem essas outras necessidades relacionais também supridas, né? Ficar sozinho é uma forma da gente estar descansando. E essa mudança, Rúbia, não é de uma hora para outra, né? Mas se a gente tá num ambiente que valoriza muito a aceleração e a produção, com certeza vai ser difícil fazer o movimento contra maré. Então, não é à toa que muitas pessoas hoje têm buscado a terapia porque não conseguem fazer isso sozinha. E essa ajuda psicológica é essencial. Então, se você não tá conseguindo eh lidar com esse sentimento, né, de ficar sozinho em silêncio, talvez você deva procurar essa ajuda psicológica. De fato, não é nenhum problema você pedir ajuda por isso. Muito bem. Agora a gente falando de jomo e fomo, e você falou de ajuda psicológica, Ana, eu gostaria de perguntar para vocês duas como é que tem sido a experiência de vocês, começando pela Amana, eh em referente a consultório mesmo, quando a gente fala desse termo, dos termos, né? Fomo, que veio primeiro, depois o jomo que veio depois. O fomo, medo de ficar de fora, o jomo, você querendo e tentando ficar de fora. Isso realmente é real dentro de um consultório? As pessoas elas trazem essa problemática para vocês, amo? Trazem. Às vezes elas não entendem a influência do fomo na crise de saúde mental, então é preciso ser construído, entendeu? Porque se está nesse estado de não relaxamento, tá? E é incrível porque assim chega como que a nossa sociedade chegou nesse ponto que as pessoas não conseguem relaxar. Elas tem elas precisam de apoio para conseguir relaxar. E o relaxar não é ter tempo livre, porque às vezes a mente tá tão acelerada que é isso. Eu deito num sofá para ver um filme, eu sinto culpa. Uhum. Eu me coloco em estado de de atenção e de alerta e levanto, porque eu não consigo viver um estado relaxado da minha mente, do meu corpo. Então isso precisa ser uma reconstrução, uma reconstrução intencional e gradativa, porque como é um comportamento compulsivo, como quem tem compulsão por alimento, como quem tem compulsão por álcool e droga, por trabalho, é um jeito de estar fora de si e que vira algo da vida, parte da vida. Uhum. Desacelerar isso é um processo gradativo. Eu já cheguei até a fazer com o paciente caminhada em lugar de natureza para ajudar no processo, sabe? Perfeito. Porque não consegue perceber o automático que entra essa aceleração. Eu até eu encontrei esses tempos atrás que foi mostrando a evolução da tecnologia da nossa geração, quando a gente tinha internet de escada. Que paciência que a gente tinha quando tinha que virar a fita cassete na na caneta, esperar a música no rádio para querer ouvir a música que você gostava. Agora a gente tem tudo muito mais disponível e não sobra tempo. Exato. É muito contraditório. Verdade. Se a tecnologia evoluísse pra gente ter mais tempo, mas parece que a gente vai criando cada vez mais coisa e fica cada vez mais acelerado. Exatamente, né? É impressionante. A gente precisa cuidar para não cair nessa armadilha, né? Ona Clara, experiência clínica, o que que você traz pra gente? A procura, né, sobre pessoas que eh eh está mesmo tendo essa tendência de procura, eh, principalmente aí Santa Catarina, você que fala da Ilha da Magia de Florianópolis, né? Eh, sobre as pessoas quererem desacelerar, poxa vida, um cenário maravilhoso, uma praia gostosa. Você abre a janela, vem a praia, daí você vai pro celular e fica lá acelerado, acelerado. Gente, o que é isso? Como é que é aí na no seu dia a dia? É engraçado, né, Rúbia, que a gente tem tanto, tanta natureza acessível aqui, mas esse problema ele não deixa de existir. Eh, com certeza isso aparece aqui na clínica, principalmente a dependência de telas, né? E o que eu faço a respeito disso, né? Como que eu lido eh com essa dependência? E aí eu fico me perguntando eh se a gente vai paraa praia, se a gente vai paraa natureza, a gente realmente tá presente lá ou a gente tá fazendo isso para tirar foto, para postar nas redes sociais. Então, a questão que é não é exatamente o que a gente tá fazendo, mas é se a gente consegue fazer isso por uma escolha consciente e consegue est presente naquele momento. Acho que essa é a grande questão. Eh, a questão é que a gente não tem a nossa atenção protegida. E [roncando] quando a gente tá diante de uma situação onde a gente deveria estar aproveitando, né, diante da natureza, contemplando, a gente tá mais preocupado com o olhar do outro do que de fato eh aproveitando o momento presente. Então, não é à toa que hoje em dia na clínica a gente utiliza tanto ferramentas de meditação, de mindfulness, que seria essa questão de atenção plena. São exercícios que a gente se conecta com a nossa respiração, com o nosso corpo, para que a gente consiga estar no momento presente quando a gente de fato quer contemplar a natureza, quando de fato a gente quer estar presente numa conversa com alguém, onde a gente consiga ouvir o que ela está falando e não já pensando no que a gente vai dizer para ela, né? Então, estar presente é importante em todos os momentos e é isso que a gente tá sentindo falta hoje em dia. E é isso que a gente precisa preservar. É presença, né? Estar presente ali. Muita gente está, mas a atenção tá voltada pra tela, né? né? O pessoal tá em outro mundo e a gente vê isso principalmente em restaurantes. É um exemplo que que é é claro. Se você chegar num restaurante, você vai olhar, acho que 80% das mesas eh você vai encontrar pessoas olhando juntas, mas cada um no seu celular, na sua tela. E talvez o desafio não seja abandonar a tecnologia, né? Acho que o Jomo não traz isso, não é o abandono, mas é aprender a usar a tecnologia, mas de forma com que você não deixe ser dominado por essa tecnologia, né? Um desafio. Agora, quais sinais, Amana, que mostram que a relação com o celular e com as redes sociais está eh sendo prejudicial, tanto fomo quanto jomo? Por quê? Porque o de mais, né, que é o fomo, traz impacto, mas o de menos também traz impacto. A gente precisa aprender a equilibrar isso e aí tá um desafio. Por isso que nós precisamos de vocês que são profissionais de saúde mental para nos ensinar. Olha isso. A gente precisa de profissionais de saúde mental para ensinar como nós devemos ter equilíbrio diante de todas essas coisas novas que estão sendo apresentadas à gente, né? Então, como é que a gente vai equilibrar, porque não é sair, largar de uma vez algo que já faz parte da nossa vida, tá tudo dentro do celular. Uhum. Bom, primeiro eu vou começar com um conceito de equilíbrio. Vamos lá. É que é, né? E às vezes a gente pensa no equilíbrio como algo linear, como uma equação que a gente atingiu e e segue ela. Não, ela é dinâmica. A gente, a nossa vida toda a gente oscila. E eu tinha um professor que ele falava assim: "Olha lá, o exame cardíaco ele tem altos e baixos. Se ele ficar em linha reta é porque não tem vida." Bom, tá bom. É, o problema é quando essa oscilação é muita, ela sai de um ponto que você consiga manejar, né? se afoga na onda, você não surfa na onda. Então a gente procurar esse equilíbrio não significa que vai ser uma equação exata. Pode ser que uma semana você precise usar um pouco mais do celular, mas a questão é ter essa intenção e desenvolver estratégia, porque como existe uma compulsão por trás desse uso, às vezes não é só o desejo que resolve. Então você pode colocar marcador de tempo, entender se você acorda e precisa do celular, se você não consegue assistir um filme, se você não consegue conversar com um amigo sem pegar o celular. Eh, se você deixou observar o que que você deixou de fazer, porque isso é comum na maior parte das compulsões. Antes eu tinha prazer em jogar futebol, agora eu não tenho mais. E você não associou isso com aumento de tela. Você só achou que deixou de fazer sentido, mas tem isso que a gente falou lá no começo, a dopamina do celular e essa passividade muitas vezes vai tomando o lugar de atividades que antes eram prazerosas. Então eu deixei de sentir prazer em fazer uma atividade física, eu deixei de sentir prazer em fazer um desenho que eu gostava de fazer, em ler um livro. Opa, essa relação não está saudável. Então, como eu vou determinar? Então tem como, por exemplo, tem uma prima minha que ela desinstala um Instagram todos os dias e ela instala uma hora por dia, que é o que ela se permite usar. Muito bom. Como eu tenho Instagram também profissional, o que eu fiz foi colocar ele fora da tela inicial e colocar o Face ID para evitar uma entrada automática quando você não pensa, que é o que acontece às vezes com a gente, né? Vai olhar um WhatsApp, tem ali o Instagram do lado, entrou para você perder 3 horas ali. Uhum. Todos estamos sujeitos a isso, tá gente? Não se culpem por estar vivendo isso, que é uma coisa que todos nós estamos lidando, inclusive idosos. Eu escuto às vezes dos pá, eu vou visitar minha mãe, ela não sai do celular. Exatamente, né? Então todos nós é uma é uma coisa que entrou muito rápido, de uma maneira muito avacaladora e que a gente precisa aprender a usar. Então é retomar atividades fora do celular, reduzir tempo intencionalmente, olhar para esses possíveis prejuízos. eh evitar antes de dormir, porque influencia insônia também, né? Eh, influencia, assim, eu vejo muitos pais, é, há um grande dilema entre os pais, assim, vou vou restringir pros meus filhos, a escola inteira usa, as festinhas são combinadas pelo WhatsApp, como é que eu vou fazer? Ele vai se sentir excluído, como eu encontro essa dosagem. Aí cada um vai encontrando o seu caminho, tá? tem um WhatsApp, mas a mãe participa desse WhatsApp e os amiguinhos têm que saber que a mãe tá ali para não acontecer coisa, porque também tem isso. Ah, antes crianças brincavam na rua, não, a rua virou perigosa. E aí foi todo mundo pro quarto, que a gente fala geração do quarto, que aí vem o filme Adolescência, que o perigo chega pelo computador dentro da sua casa e do seu quarto e você não tá sabendo. E aí, como também é novo, muitos pais não sabem disso e não sabem como lidar. Uhum. Mas assim, já teve relato de uma criança, não me lembro onde que foi, isso, foi no Canadá, que ela tava com diagnóstico e caminhando para um diagnóstico de autismo. E aí descobriram que ela passava assim, ela tinha 4, 5 anos, ela passava 7 horas do dia no celular, na tela. Retirou tela, voltou, rece, começou a receber estímulo, se desenvolveu. Olha só. Então, tem muita apatia. Tem a a maior queixa dos professores em escola hoje é de crianças e adolescentes sapáticos. É muito difícil despertar o interesse. Tipo assim, eu vou quero quero ensinar história, eles não estão se envolvendo, vou pegar futebol para pegar o tema da Copa. Hum. Não. Uau! Já tem dia adolescente que não gosta de ir ir pra praia com os pais porque prefere ficar no computador. Ia pra praia, achava chata a areia, incomodava, não queria ir pra piscina do prédio, era melhor ficar no quarto, no celular. E aí é super difícil encontrar um estímulo, sabe? Ah, você não quer aprender a fazer um tocar um violão para você chegar na reunião da escola? Não, não quero. E aí, crianças, pelo contrário, quando os pais tomam consciência e vão fazendo redução de tela, muitas vezes tem melhora de comportamento de agressividade, de agitação, porque todo mundo tá corrido, pais, não estou culpando vocês, tá todo mundo nessa tentando encontrar caminho. Assim, pai e mãe trabalham, não tem muito mais rede de apoio como tinha antes, não fica na casa do vizinho, não. Eu preciso lavar uma louça, que que eu faço? Vai pra tela. Sim. E aí costuma comer na frente da tela, costuma. E isso vai trazendo consequências comportamentais que nem sempre são nítidas num primeiro momento, mas sempre quando a gente trabalha com a redução, há melhora comportamental e emocional. Olha só que interessante, né? Você falando assim, me faz lembrar que eh vocês ensinam muito a gente aqui no programa, né? E aí o o nosso cérebro, eu aprendi que o nosso cérebro ele eh trabalha com repetição, né? Então assim, a repetição faz eh que a gente crie um hábito. E é importante a gente lembrar que nós tivemos quanto tempo de pandemia e quanto tempo de repetição de utilizar e de ficar e e aí a ocasionou o quê? A dependência, né? A dependência do celular. E aí a dependência traz o quê? esse fomo que é o medo de ficar [limpando a garganta] de fora. Agora, Ana Clara, tudo que a Amana explicou pra gente, as dicas que ela deu, é importante a gente salientar que nós vamos precisar repetir, nós vamos precisar ensinar o nosso cérebro que é legal, que é bom, explicar para ele que tá tudo bem, você não receber uma notificação, que tá tudo bem, você não saber o que está acontecendo ali com seu colega ou lá do outro lado do mundo, enfim, em um momento ou outro. Essa questão da repetição pra gente poder migrar de fomo para jomo, a gente vai ter que ter paciência, né? Não. E que difícil é ter paciência hoje em dia, né? Então eu acho que nós todos precisamos ter consciência do problema. Acho que começa por aqui, onde a gente tá falando sobre isso, onde a gente entende que esse problema não é só individual, mas é um problema coletivo e que a gente precisa exigir também eh restrições para além do da nossa do nosso autocontrole, né? Então, que a gente possa restringir esse uso, por exemplo, hoje em dia, que a gente já tá vendo nas escolas, mas também que a gente consiga facilitar essa vida dos pais, né, que não conseguem de fato, diante de tanta necessidade de produção, eh, controlar os filhos, né? Então, a gente precisa de outras estratégias coletivas, eh, para que a gente não dependa somente do nosso autocontrole. E pra gente de fato começar agora, porque esse é um problema que a gente precisa eh falar sobre isso agora e fazer algo agora, a gente para fazer algo no âmbito individual, a gente precisa sim de consistência, a gente precisa de repetição. E eu gosto muito de uma palavra chamada repertório. Então a gente precisa adquirir repertório e para isso a gente precisa se expor. Então a gente precisa sim sair de casa, enfrentar nossos desconfortos. Quando a gente tá falando de dependência de telas adolescentes, a gente tá falando também de ansiedade social, porque eles estão menos expostos a esses desconfortos e eles vão fugir desses desconfortos. E o que que vai ser mais acessível para eles fugirem? Os celulares, as telas. Então, a gente precisa de fato expor as pessoas de uma forma saudável a esse repertório de se relacionar, de sair na rua, de estudar. de se interessar por outras coisas, de se conectar, de estar presente. Então, a gente precisa de fato remar contra maré enquanto a gente não tem essas estratégias coletivas sendo colocadas em prática. E, claro, exigir por essas estratégias também, porque elas que vão ser as mais efetivas quando a gente tá falando da nossa vida pública. É um despertar novamente, né? um despertar para a consciência, porque a pandemia, eu costumo falar que a pandemia ela eh nos trouxe uma nova forma de vida, né? Nós somos diferentes pó antes e e pós pandemia. E uma das diferenças que impacta o nosso modo de viver é justamente que nós ficamos eh reclusos e aí todo mundo fazia tudo com internet, com celular. Que bom que nós tínhamos essa oportunidade e muita gente conseguiu até continuar trabalhando através do home office, enfim, e o celular acabou, a internet acabou aproximando as pessoas, mas agora a gente precisa despertar porque nós estamos de volta, né? Mas como o hábito, a a repetição cria o hábito, nós criamos o hábito de sermos dependentes do celular. E agora parece que estamos caminhando eh de uma outra forma, todo mundo querendo abandonar um pouquinho essa tecnologia, porque a gente entendeu o impacto que isso traz nas nossas vidas, né? Eh, muita gente pensa que ficar fora a mana do celular, a gente vai perder oportunidades. Qual é a sua avaliação como psicóloga sobre essa questão? Eu fora do meu celular, eu fora da internet, eu vou perder oportunidade. A gente tem isso, esse pensamento de uma forma meio que inconsciente, que a gente acostumou que tudo que que faz parte da nossa vida tá ali dentro, não é não? Oportunidade do quê? Exatamente. Se é para acompanhar a vida de alguém, alguma notícia. A gente tem noticiários que você pode acessar a informação de dois, três dias anteriores. Você pode entrar na página, se ele postou uma foto que nasceu o filho da amiga, essa foto não vai desaparecer. Você não precisa estar 24 horas conectado para se interar, né? que vem daquilo que a gente falou, uma restrição de tempo de uso. Nesse momento eu me conecto e aí nesse momento, eu checo aquilo que me interessa e não perco a referência da vida real. e voltar, né? Por exemplo, eh, a gente tava falando sobre isso ontem num grupo que uma amiga, uma pessoa que participa do grupo falando que os amigos de outra cidade não interagem, não conversam, só vem ali essas notificações de eu tenho esse combinado, né, que eu morei em Florianópolis, eu morei em Londres, eu eu dei uma andada por aí. Então eu tenho esse combinado que mesmo que passe trs meses, eu pego uma amiga que faz tempo que eu não vejo, mas a gente combina uma videoconferência para conversar ao vivo, ao vivo, ao vivo digital, em tempo real, sincrônico. Ela vai mostrar o filho, vai dizer o que que o filho tá estudando. essa conexão superficial ali que eu só vejo a foto, eu só tenho uma notícia ou eu mando uma mensagem de WhatsApp de 8 do bem e fica nessa superficialidade. Ou às vezes também essas conversas de WhatsApp que prolongam, que aí você tem que ficar um tempão lá preso para conseguir concluir. Quando você pega e conversa, vai tete a tete e encerrou a conversa. Que às vezes a gente fica preso no WhatsApp também para dar tempo de responder tudo isso, né? mensagens de áudio, de texto que cumpre a função de conexão. Elas são importantes por como é o nosso mundo hoje, mas não pode substituir essa conexão mais profunda, né? É a relação humana, né? Uhum. Olha só, eh, eu quero agradecer a participação de vocês, eh a orientação que vocês nos trazem é fundamental pra gente, ah, fazer uma autoavaliação, né, da forma que estamos vivendo, entender que é possível, sim, desacelerar, eh, entender que é possível fazer essa transição, né, de fomo pro jomo. Esses termos que vem surgindo, a gente precisa de entendimento, a gente precisa de informação sobre eles, porque de repente esse é o momento, né, que você vai despertar e vai falar: "Opa, pera aí, então eu estou no fomo e agora eu posso ir pro jomo". Mas de que forma, né? Entendendo que você precisa e pode desacelerar e que o seu cérebro ele vai entender se você repetir. Não adianta fazer hoje e amanhã não fazer mais, achando que hoje vai resolver o seu problema. Não, a gente precisa. Lembra o tempo que demorou, né? Quanto tempo nós vivemos dentro dessa internet, né, nessa aceleração? Então agora a gente precisa do tempo também pra gente poder diminuir o ritmo. E é importante. Posso complementar, por favor? Precisamos de tempo, de repetição, de estratégia, de entender que falharemos super e não desistirmos porque falharemos, que isso é uma questão fundamental na mudança de qualquer hábito. A gente começa motivado, estabelece, aí quando vê não consegue, falou assim: "Ai, vai deixando de lado, sabe? Ah, deixa a academia pra próxima segunda, deixa a dieta pro primeiro de janeiro, porque agora já foi mesmo." Não faz parte da mudança de hábitos. a gente escorregar e falhar, e isso tem que fazer parte do planejamento. Então, o que que me fez falhar? Como é que eu faço diferente? E aí você reestrutura o seu planejamento e continua. Maravilhosa. Nossa, olha só que coisa gostosa de ouvir. Que coisa maravilhosa de ouvir, gente. Assim a gente vai encerrando o nosso programa. Eu quero eh falar com a Ana Clara, agradecer Ana, a sua participação com a gente, eh a interação sua com a Mana, né? e e a troca de conhecimentos que faz a gente de repente eh acordar, despertar e buscar uma mudança, né? A gente não precisa desconectar, a gente só precisa diminuir, a gente precisa equilibrar, mas lembrando como a mana disse que o equilíbrio, né, é igual a batida dos nossos corações. É sobe, desce, sobe, desce, sobe e desce, tá tudo bem se não der certo e tenta de novo e assim a gente segue. Muito obrigada, Ana, pela participação. Considerações finais, por favor. Claro. Muito obrigada, gente. Eu acho que é muito importante a gente entender que a gente precisa viver mais com intenção, né? Sair um pouco do automático. E acho que não é à toa que nós psicólogos estamos aqui trabalhando na clínica para que cada pessoa consiga entender o que importa para si e sair um pouco das expectativas de fora. Quando a gente sabe o que importa para si, a gente age com mais intenção, sai desse automático, né? Então, obrigada pela conversa de hoje. Acho que é um tema extremamente fundamental, né? e que tem muito a ver com a saúde mental. Obrigada pela pelo convite para estar aqui hoje. Nós que agradecemos. Quero lembrar você que tá disponível, tá, esse material no YouTube. Você pode compartilhar com quem você quiser. Você aí de casa, compartilhar com a família para ter entendimento, né? entendimento do que pode de repente tá acontecendo e você nem se percebeu, nem se deu conta que de repente pode ser um excesso e que esse excesso pode sim ser mudado. Você pode ficar mais tranquila no seu dia a dia, diminuindo eh os estímulos aí através do celular. Quero agradecer também demais a Amana por estar com a gente aqui mais uma vez, por nos orientar, dividir o seu conhecimento, troca de experiências aqui com a Ana. Muito obrigada. Considerações finais. Muito obrigada, Rúbia. É um prazer. Eu falo que eu considero sempre muito importante falar sobre saúde mental, que embora a gente já tenha desconstruído muitos tabus, ainda existe muito equívoco. A gente ouve ainda muita coisa de senso comum. Então acho que é a gente considera que é uma proteção coletiva quando a gente leva informação pras pessoas, né? E acho que a minha consideração final é, gente, lembrem-se, a vida acontece na arena, não na equipada. Não vale a pena ficar só assistindo a vida acontecer ou a vida dos outros acontecerem. A gente tem um tempo limitado nessa terra. Escolha como você quer vivê-lo. Uau, gente, que delícia. E assim a gente chega ao fim de mais uma edição do Estúdio Câmara. Hoje nós falamos sobre o medo de ficar de fora e também sobre a importância de escolher onde queremos estar. Falamos de fomo e jomo. E nem tudo, gente, precisa ser compartilhado, acompanhado ou vivido ao mesmo tempo. A verdadeira conexão talvez comece quando a gente aprenda a respeitar o nosso próprio ritmo. Agradecendo você que tá aí do outro lado, te desejando um ótimo dia e lembrando que na próxima edição do Estúdio Câmara nós vamos falar sobre sonhos, objetivos e realizações. Olha só, quais sonhos da infância você conseguiu realizar. Você lembra? Quais sonhos [música] você tinha? E aí, será que você já realizou eles e nem percebeu? E o que acontece quando a vida muda os [música] planos que pareciam tão certos? Vamos conversar sobre expectativas, frustrações e a capacidade de reinventar caminhos sem abandonar a esperança. Importante. Então, faz aí um exercício. Lembra no que você sonhava quando criança e de repente eu acredito que pelo menos 1% dos seus sonhos você conseguiu realizar. Traz pro seu aqui pro agora e amanhã a gente conversa a partir das 8 da manhã em mais uma edição do nosso [música] estúdio Câmara. Um grande abraço para você, fique bem e até lá. ชo [música] [música] [música] [música] [música] [música]
A seguir

Continue assistindo

Próximas horas na grade ao vivo
Programação completa →
Ao vivo
Plenário · 13h

Câmara Notícia — Edição da Tarde

13:00 - 14:00 · Ao vivo
28:32
Matérias · 14h

Matérias — Especial da Semana

14:00 - 14:30
58:12
Perfil · 15h

Perfil — Entrevista da semana

15:00 - 16:00 · T03:E18
45:08
Bairros · 17h

Meu Bairro na TV — Vila Padre Manoel

17:00 - 18:00 · T05:E12
Estreia 1:32:00
Especial · 19h

O Ano em Plenário — Ep 1: Mobilidade

19:00 - 20:30 · Estreia
Ao vivo
Plenário · 20h30

Sessão Ordinária da Câmara Municipal

20:30 - 23:00 · Ao vivo
Mesmo programa

Mais do ESTÚDIO CÂMARA

Edições anteriores do programa
Todas as edições →
1:00:36

Estúdio Câmara | Linguagens de Amor Diferentes Podem Causar Atritos no Dia a Dia?

1:00:31

Estúdio Câmara | Linguagens do Amor Diferentes

1:03:54

Estúdio Câmara | Qual o Limite Em Tomar as Dores do Outro?

1:04:01

Estúdio Câmara | Os limites de tomar as dores dos outros

1:10:00

Estúdio Câmara | Substituir Afeto por Presentes

1:09:59

Estúdio Câmara | Afeto x Presentes: Como Educar os Filhos

1:04:26

Estúdio Câmara | Pets Tem Sentimentos?

1:04:03

Estúdio Câmara | Pets têm sentimentos?

59:29

Estúdio Câmara | Sua Mãe Já Te Disse “Você Não é Todo Mundo”?

59:35

Estúdio Câmara | Você não é todo mundo

1:04:27

Estúdio Câmara | Qual o Impacto de Pais Separados na Infância?

57:33

Estúdio Câmara | ‘se Não For do Jeito Que Eu Faço, Não Está Bom’

57:39

Estúdio Câmara | Se não for do meu jeito, não está bom?

51:26

Estúdio Câmara | Como o Medo Pode Se Tornar Um Incentivo?

51:14

Estúdio Câmara | Medo pode ser um incentivo?

59:32

Estúdio Câmara | O Casamento Com Quarto Dividido (O Boom do Sono Separado)

59:18

Estúdio Câmara | Casais que dormem em quartos separados

1:02:16

Estúdio Câmara Você Leva os Problemas do Trabalho para Casa, ou Vice-versa?

58:15

Estúdio Câmara | Julgamento Sem Autocrítica - Por Que "A Língua é o Chicote do Corpo"?

1:04:00

Estúdio Câmara | Sentir Que Não Consegue Fazer Nada Sozinho - Autoaceitação Pode Ajudar?

Recomendados

Você pode gostar

Outros vídeos selecionados a partir do conteúdo que você acabou de ver
Mais recomendações →
12:52

Na Tribuna

3:44

Câmara Notícia | 91ª Reunião Solene 2026

13:57

Agenda Cultural Campinas: Shows, Teatro, Cinema e Exposições para o Fim de Semana!

18:31

Notícias do Legislativo

9:37

Notícias da Metrópole

52:37

Câmara Notícia

20:46

Histórias de Vida | Aparecido Góes

12:40

De Olho na Educação | Mulheres na Física Quântica