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Estúdio Câmara | Despedidas Que Curam
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Estúdio Câmara | Despedidas Que Curam

276 views Publicado 29/07/2026 HD · 1:10:03
Resumo editorial

Programa de debate sobre morte, finitude e despedidas que curam, baseado no caso de um paciente com câncer terminal que realizou seu velório em vida. Explora o conceito de luto antecipatório e como encontrar significado e acolhimento diante da mortalidade. Discute a importância de conversar sobre morte, valorizar relações e o tempo que nos resta.

Descrição do vídeo

Um paciente com câncer terminal que decidiu realizar o próprio velório em vida, gesto que viralizou nas redes sociais, é o ponto de partida do Estúdio Câmara desta quarta-feira, 29 de julho. Sob o tema Despedidas Que Curam, o programa debate luto antecipatório, afeto e a forma de lidar com a proximidade da morte sem deixar de viver o presente. A produção é assinada pela produtora responsável pela operação da emissora.

Transcrição completa do vídeo

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Olá, muito bom dia para você que está aí acompanhando a programação da TV Câmara Campinas. Seja bem-vindo. Estamos chegando. Estúdio Câmara no ar ao vivo nesta manhã de quarta-feira, hoje dia 29 de julho. E hoje vamos conversar sobre algo que ainda é um tabu para muitas pessoas. Nós vamos falar sobre a morte e vamos falar sobre a vida também. Agora eu te pergunto, evitar esse assunto faz com que ele deixe de existir? Pois é, a gente precisa conversar sobre isso. E hoje a gente conversa eh sobre a história de um paciente com câncer terminal. Ele decidiu realizar o próprio velório em vida. Ele emocionou o país, né? Ele viralizou nas redes sociais e ele acabou trazendo uma reflexão importante sobre despedidas, afeto e a forma como a gente escolhe viver o tempo que a gente tem. Aí a pergunta que fica é: como lidar com a proximidade da perda, o que é o chamado luto antecipatório. E é possível encontrar significado e acolhimento mesmo diante da finitude? O tema do estúdio Câmara de hoje é despedidas que curam. Mas será que elas curam? Será que nós estamos preparados para as despedidas? Participe com a gente, mande sua mensagem. O WhatsApp tá na tela para você. 199729377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. As nossas convidadas já estão conosco. Daqui a pouquinho vamos apresentá-las também. Manda sua mensagem pra gente e e nos conte, você está preparado para lidar com afinitude? Como você vive o dia de hoje, né? E o que que você espera para o dia de amanhã? Você está preparado de repente para lidar com a morte? Qual a necessidade de nós conversarmos sobre esse assunto? Nós aguardamos a sua participação. Agora vamos atualizar algumas informações, a previsão do tempo com alerta da Defesa Civil e daqui a pouquinho a apresentação das convidadas do programa de hoje. Muito bem, gente. Olha a atenção. Termina sexta-feira, né, dia 31, o prazo para matrícula nos cursos gratuitos de qualificação profissional do Centro de Educação Profissional de Campinas, o CPROCAMP. Os interessados devem comparecer a uma das unidades da instituição para garantir a vaga. Ainda há oportunidades em cursos nas áreas de logística, informática, cuidados, inglês, entre outras, tá? As formações são de curta duração, com foco, claro, no desenvolvimento de habilidades técnicas para o mercado de trabalho. Para efetuar a matrícula, é necessário apresentar os documentos originais e as cópias do RG, CPF, comprovante de residência e comprovante de escolaridade. Os requisitos de idade e escolaridade vão variar conforme o curso. E a relação completa das vagas está disponível em fomec.sp.gov.br/c. br/cprocamp. Aí você já sabe, né? Faça o seu curso, aproveite a oportunidade para especialização e garantia de uma qualificação para o mercado de trabalho. Agora, gente, vamos falar da Defesa Civil, da previsão do tempo aqui para a cidade de Campinas. Olha, a Defesa Civil aqui da cidade eh emitiu um alerta na mudança nas condições do tempo entre hoje, quarta-feira, e amanhã quinta, devido à passagem de uma frente fria, a previsão indica rajadas de vento, pancadas isoladas de chuva e queda nas temperaturas. Apesar da possibilidade de chuva, o principal risco está nas rajadas de vento, que podem provocar queda de árvores, árvores e galhos, destalhamentos, interrupções no fornecimento de energia elétrica e também transtornos no trânsito. Campinas está entre o estado de alerta para ventos fortes nos dois dias, conforme a Defesa Civil do Estado de São Paulo, tá? Então, a orientação é evitar permanecer eh eh debaixo de árvores, próximo a estruturas frágeis ou metálicas, não estacionar veículos em áreas de risco de queda de árvores e acompanhar os alertas dos canais oficiais da Defesa Civil. Mas a gente precisa viver o aqui e o agora. Então, a previsão para hoje, gente, eh é um tempo bom, né? Um dia, eh, com sol entre nuvens, a mínima de 12 e a máxima de 30º, né? Mas a gente sabe que a a Frente Fri está se aproximando, então vivendo aqui agora, mas também aí e eh se alertando para as ocorrências climáticas aí para os próximos dias, tá bom? Agora sim, voltando ao nosso tema central, a gente precisa falar da morte porque ela é a única certeza da vida, né? É, é, é bem estranho falar sobre isso, mas é importante falar porque ela continua sendo uma das maiores dificuldades da sociedade. Uma pesquisa de mestrado realizado pela Universidade de São Paulo analisou familiares de pacientes em cuidados paliativos e identificou que o luto antecipatório costuma ser marcado por tristeza, por ansiedade, por medo e mudanças constantes na dinâmica familiar. O estudo também mostrou que a comunicação aberta entre os entre pacientes e familiares e também as equipes de saúde pode reduzir o sofrimento emocional e também favorecer decisões mais conscientes durante esse período. O tema ganhou destaque após a história do advogado, né, o Thago, que enfrentava um câncer terminal. Ele decidiu realizar um velório em vida para celebrar a sua trajetória ao lado das pessoas que ele amava e que amava ele também. Então, para falar sobre esse assunto, a gente recebe hoje aqui no estúdio a psicóloga clínica e psicooncologista, a Talita Cantelli. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada, Rúbia. Bom dia. Obrigada pela sua participação com a gente para falar desse tema tão importante e que ainda é um tabu para todos. É um tabu gigante, mas acho que quando a gente traz informação de qualidade, abre o tema, a gente melhora as condições para todo mundo. Maravilhosa. Olha só. E para completar a nossa dupla do programa de hoje, nós recebemos através de videoconferência a psiquiatra Júlia Xavier Juliá. Seja muito bem-vinda, doutora. Bom dia. Obrigada pela sua participação. Obrigada pelo convite. Bom dia. Tô muito feliz de estar aqui com vocês. Muito bem. Olha só, gente, a maior parte das pessoas se prepara. Nós, na verdade, nos preparamos para muitas situações da vida. a gente faz planejamento, né, estudos, trabalho, viagens, aposentadoria, mas raramente a gente conversa sobre a morte e hoje nós vamos conversar sobre ela. Então, eu já começo perguntando pra Talita, o que é exatamente o luto antecipativo e por que ele pode começar antes da perda acontecer. Olha, esse é um tema relevante, mas é importante ajustar algumas ideias que popularmente foram difundidas de maneira errônea. O luto antecipatório, ele é um fenômeno que acontece muito comumente, principalmente quando há alguém, né, que tá adoecido, que tá enfrentando uma condição de câncer ou de qualquer outra doença ameaçadora da vida. E aí, tanto a pessoa que vivencia isso, né, ali como protagonista dessa experiência, como a sua família, seus amigos, até os profissionais de saúde que a acompanham, vão tendo perdas progressivas até que a perda, né, mais importante, a morte aconteça. Normalmente, quando alguém vai adoecendo com uma doença ameaçadora da vida, ela vai perdendo o status de vida que ela tinha anteriormente, ela perde a qualidade de vida. Muitas vezes ela perde a forma como ela se relaciona habitualmente com as pessoas que estão ao seu entorno. Então o luto antecipatório, ele vai ocorrendo através dessas pequenas outras perdas, né, que muitas vezes não são pequenas, são significativas e que vão trazendo sintomas emocionais, cognitivos, sociais, vão trazendo necessidades de adaptação. E todo esse processo costuma ser demarcado por sofrimento, misturas de sentimentos. Então esse é o conjunto de fatores que compõem o luto antecipatório. Muito bem. Eu acho que a gente precisa entender sobre isso, falar sobre isso, porque a morte é algo que a gente não quer falar, mas a gente tem a certeza que ela vai acontecer e a gente não sabe quando. Agora, Dra. Júlia, quando um paciente recebe um diagnóstico grave ou terminal, eh, as reações emocionais dele e dos familiares, isso costuma eh agravar a situação? Como que a gente faz para de repente entender essa situação, ter uma aceitação? Qual que é a visão da psiquiatria referente a essa situação, doutora? Então, na psiquiatria a gente não quer tirar o sofrimento, tirar a tristeza, porque ele é normal e esperado, né? A o nosso papel enquanto profissional da saúde é fazer com que seja vivido de forma saudável, sem isolamento, sem culpa excessiva, sem adoecer a pessoa, né? Porque existe uma diferença ali entre um luto normal e um luto patológico. No momento do diagnóstico de uma doença terminal, eh, o luto já começa naquele momento, né? Porque a pessoa, ela sofre não apenas com a possibilidade da morte, mas com as coisas que ela não vai conseguir vivenciar mais, né? Sonhos que ela não vai realizar, tendências que às vezes ela não vai conseguir resolver. Então é um luto de vários aspectos e não apenas da morte em si. Muito bem. E olha só, algumas vezes existe a tentativa de proteger quem está doente, evitando as conversas difíceis, né? Mas o silêncio, gente, nem sempre reduz o sofrimento. Em alguns casos, ele pode até aumentar a sensação de isolamento e de insegurança. Agora, por que, Talita, você que convive diariamente com a situação, porque trabalha também na oncologia, por que falar sobre a morte ainda é tão difícil pra maioria das famílias, né? Para mim também, se eu for parar para analisar e eu ter eh sentir, tiver a necessidade de falar sobre a morte, eu vou sentir uma dificuldade, eu vou sentir uma barreira, porque isso acontece com a gente, porque quando que a gente vai aceitar ou nós não temos a tendência de aceitar algo que a gente tem certeza? Uhum. Acho que a maior dificuldade de falar sobre a morte não reside no tema de uma maneira filosófica em si, mas em a gente se deparar com as nossas limitações enquanto ser humano, né? Quando a gente pensa que algum dia nossa história vai ter fim, que um dia a história de quem a gente ama vai ter fim, isso dá uma sensação de insuficiência, né? A gente sempre fica imaginando o que poderia ter sido melhor, o que a gente gostaria de ter realizado e que não foi realizado. Normalmente pensar sobre a morte acaba eliciando uma série de arrependimentos, reflexões profundas e isso mobiliza muitas emoções diferentes dentro da gente. Por que que é importante a gente falar da morte cada vez de forma mais responsável e adequada a cada contexto, a cada pessoa dentro das suas singularidades, né? A gente precisa entender que como nossa única certeza em vida Sim é pensar que algum dia essa história terá fim, é pensar em o que a gente quer fazer, o que a gente quer construir e como a gente quer experimentar a vida enquanto essa certeza não chega. É, e isso nos traz muita responsabilidade. Uhum. Então, a gente se responsabilizar pela nossa história, nossas escolhas e como a gente vai contribuir para uma vida melhor de quem a gente ama, de quem a gente conhece, de outras vidas que nos atravessam, isso traz responsabilidade. Então, faz com que a gente tenha que ser mais ativo, né, mais compreensível com a vida e conseguir tomar decisões, posturas, atitudes e comportamentos que honrem a nossa história enquanto ela tá acontecendo. Verdade, né? Agora, eh, essa questão da gente não conseguir falar sobre a morte, eh, provoca impactos emocionais. Eles podem surgir quando a gente não consegue abordar eh abertamente a gravidade da situação, né? Aí eu pergunto então para a Dra. Júlia, esses impactos emocionais, a pessoa está passando por uma situação e que ela tem um diagnóstico, só que a família não consegue conversar sobre isso e também de repente até solicita que a o paciente não seja eh informado sobre a situação dele. Quais os impactos, doutora, emocionais que podem surgir nesse contexto? Então, eh, o paciente, muitas vezes, a família pode não ser muito clara quanto ao que tá acontecendo, mas muitas vezes ele próprio sabe que tem alguma coisa errada, que que às vezes o tempo dele ali tá tá acabando mesmo. E esses esse silêncio ele costuma gerar mais sofrimento ainda tanto pro paciente quanto a pessoa, porque ele gera fantasias muito catastróficas do que está por vir, né? Muitas vezes quando a gente fala abertamente sobre o assunto, eh, não quer dizer que a gente tá perdendo as esperanças, mas a gente tá ressignificando essa esperança de que pode existir um conforto, pode existir ali uma resolução de conflitos, pode existir eh um afeto nesse momento mesmo e não ser tão catastrófico quanto as pessoas pensam. Então você privar o paciente de poder vivenciar isso, eu acho que isso gera mais sofrimento do que realmente pôr as cartas na mesa e falar abertamente sobre o assunto. Muito bem. Agora a gente eh tudo isso que vocês falaram eh vão em conexão com o caso do advogado Thiago, né, que chamou atenção eh eh da mídia, das redes sociais, enfim, ele fez justamente o contrário do que costuma acontecer. Eh, em vez de evitar o tema, ele decidiu encarar de frente e transformar a sua despedida em um encontro com amigos e familiares. Olha só, todo mundo acho que parou para pensar sobre essa situação, sobre essa ação que o Thiago fez acontecer. Agora, Talita, do ponto de vista psicológico, o Thago, ele fez um veló em vida. Isso pode ser saudável para elaborar uma despedida. A gente percebeu pela ação e situação que aconteceu ali na festa do Thago, que as pessoas estavam comemorando a vida dele, mesmo sabendo que ele iria partir. Uhum. Exatamente. Pode ser saudável, desde que faça muito sentido paraa pessoa que está se despedindo, pro contexto social e cultural no qual ela está inserida, o que o Thiago fez, né, foi entender que ele estava de fato encerrando a sua história naquele momento. Isso é bastante doloroso, difícil, mas ele escolheu comemorar a vida e isso trouxe pras pessoas do seu entorno e pras pessoas que conheceram essa história as reflexões sobre como viver, como transmitir o afeto, como verbalizar coisas antes que alguém não esteja mais aqui. E os processos de despedida podem acontecer de diversas formas. A maneira como a gente ritualiza, né, essa despedida é muito particular, mas é importante que a gente use essa história tão bonita do Thago para pensar como a gente gostaria de lidar com a nossa finitude. Quando a gente prepara, entre várias aspas, uma família para uma despedida dessa, o movimento que acontece é de colocar na mesa eh pendências a serem resolvidas, pedir perdão e perdoar. acolher sentimentos que nunca foram dito antes e muitas vezes inclusive contar para essa pessoa a falta que ela vai fazer. Isso mobiliza, é triste, sensibiliza, mas é fundamental para que as pessoas possam sentir que essa perda está sendo cuidada, amparada e que de alguma maneira tem uma transmissão de sentimentos muito verdadeira enquanto a pessoa ainda consegue receber todo esse carinho. Nossa, você falando assim, a gente percebe a importância, né, de de repente eh falar abertamente sobre o assunto e ter a oportunidade de expressar o seu sentimento, nomear os seus sentimentos, falar da importância daquela pessoa, falar para ela que ela vai sim fazer muita falta na sua vida. Porque o que a gente vê é que quando as pessoas se vão, né, quando a finitude chega, aí todo mundo começa: "Ah, mas a pessoa era tão importante para mim. Ah, mas ela vai fazer falta." Mas aquela pessoa já se foi, ela nem sabe mais o que você está e falando. E essa sua fala ela se vai com o vento. E que bom seria se todos nós reconhecêssemos a importância de expressar os nossos sentimentos e as nossas emoções enquanto a pessoa está do nosso lado. Eu sempre digo para minha filha, é uma coisa que a gente carrega e é por conta até de uma música, né, de Zezé de Camarg Luciano, a minha filha me dá sempre flores e eu falo para ela: "Eu quero flores em vida, pode me trazer? Eu amo flores porque depois que eu for, eu não vou ver aquela flor e nem receber aquele carinho que você tá me dando. Então, em vida, né? Só que a gente precisa de um entendimento, Júlia, um entendimento. Essa atitude que nós estamos falando aqui, essa ação do Thago, né? Ela revela a importância de reconhecer sentimentos, falar sobre sobre os medos relacionados à morte, mas a gente precisa ter aí um amadurecimento, né? A gente tem que ter um entendimento, porque tem duas vertentes essa situação, né? Tem um lado bom, mas também tem um lado que vai impactar. E se você não está preparado para receber isso, você pode ter um impacto muito forte. gostaria que você falasse pra gente sobre essa ação do Thaago. Eh, eu acho que é muito interessante como a psicóloga esqueci seu nome, desculpa. Talita. Oi, Talita. Talita. Desculpa. Como você falou, é uma oportunidade ainda em vida de resolver as pendências, de demonstrar o afeto, demonstrar um carinho. Isso é muito rico, né? Infelizmente nem todo mundo tem essa oportunidade de se despedir da forma correta. Então eu acho essa atitude dele genial, assim, que a ideia não é celebrar a morte, mas como falou no início do programa, é celebrar a vida, né? Tudo que foi vivido, todo o carinho que recebeu, todo o amor que deu e recebeu. Eu acho essa atitude fantástica. Não é todo mundo que vai conseguir fazer isso, claro, né? Tem gente que que prefere vivenciar de forma mais isolada, que prefere ter uma reflexão ali mais interna, mas eu acho que que morrer sem a chance de se despedir é muito triste, né? Às vezes as pessoas são pegas de surpresa e aí gera isso, né, que que a Rúbia falou do de falar: "Nossa, mas a pessoa era tão importante e eu amava tanto" e às vezes nunca teve a chance de falar isso para ela. Então você dar a chance do paciente de ouvir essas coisas, de receber esse afeto, isso é muito importante. Bem, pode, por favor, pode completar. Não, só gostaria de complementar, acho que a Dra. que a Júlia trouxe também nos traz uma certa reflexão. Tem condições onde a gente consegue eh entender que a finitude se aproxima, processos de adoecimento, mas um dos grandes fatores, né, de risco para lutos patológicos, né, para esse luto que é um processo natural, se tornar um processo de adoecimento mental, emocional, é justamente quando não tem essa condição de preparo, né? E eu tô usando as aspas porque nada nos prepara para perder quem a gente ama. Mas eh quando a gente tem uma morte iminente que não foi eh não tinha como ser prevista, não tinha como ser entendida, ela não estava no horizonte, isso traz maior risco para quem fica de adoecer no processo. Até vou fazer um paralelo com o início do programa onde você trouxe a previsão do tempo. Quando a gente fala da previsão do tempo, não dizer, né, anunciar que vai chover. não vai fazer com que a chuva não venha, mas nos dá a condição de levar um guarda-chuva, de não lavar roupa naquele dia, escolher outro momento. Então, quando a gente tem a condição de perceber que a finitude se aproxima, a gente vai lançando mão de recursos para lidar com ela, mas o sofrimento virar, a chuva vai cair, né? Então é importante que a gente use a vida para fazer essas comunicações, transmitir esses afetos, sinalizar o quanto a pessoa é importante, né? Porque a gente nunca sabe o dia de amanhã. Exatamente, né? O que nos pertence é o hoje. E a gente está falando aqui eh eh de pessoas que receberam um diagnóstico, mas isso pode acontecer com qualquer um de nós, porque a única certeza que nós temos nessa vida é que nós teremos uma finitude, mas nós não sabemos quando. Agora, durante muito tempo, os cuidados paliativos, muito se fala em cuidado paliativo, né? Eles eram associados apenas a momentos finais. Hoje, eh, eh, especialistas eles trazem uma nova visão sobre os cuidados paliativos. Então, gostaria de perguntar para você, Talita, eh, o que realmente são esses cuidados paliativos e qual que é o papel do acolhimento, né, emocional desses pacientes, eh, nesses momentos dos cuidados paliativos? Porque quando você fala cuidado paliativo, tem gente que já fala: "Poxa vida, cuidados paliativos, né? E agora que que vai acontecer?" E o paciente também pode ser impactado quando ele ouve essa palavra paleativo. Mas hoje é um pouco diferente. Explica pra gente. Acho que estamos num processo, né, não só no Brasil, mas no mundo todo, de desmistificar os cuidados paliativos. Cuidado paliativo é toda intervenção, todo cuidado que se volta principalmente para aliviar o sofrimento e criar condições de mais bem-estar. Uhum. Muitas vezes o cuidado paliativo só foi introduzido na trajetória de alguns pacientes quando a finitude se anunciou de forma mais proeminente. No entanto, a ideia, né, o proposta não só filosófica, mas técnica dos cuidados paliativos, é que desde o início de qualquer diagnóstico que ameace a vida de um paciente, ele seja, né, inserido como mais uma das linhas de cuidado de tratamento. E ele pode coexistir com os tratamentos que propõem a cura. Isso é um mito muito grande, né? Só a partir do momento que não tem mais o que fazer, que é uma fala lamentável que, infelizmente, alguns colegas da saúde, a Júlia pode confirmar para mim ainda falam, né? Mas não é a partir do momento que não tem mais o que fazer que entre os cuidados paliativos. Os cuidados paliativos trazem muito o que fazer, né? E acho que hoje em dia a gente tenta trazer essa perspectiva pros profissionais de saúde que estão em formação, mas também pra população geral. Tudo que vai melhorar a qualidade de vida, diminuir sofrimento, é válido. A intervenção precisa que precisa ser feito. E acho que agora a gente tá trazendo cada vez mais estratégias para inserir esse cuidado na trajetória do paciente de forma antecipada. Muito bem. Agora, falando em eh profissionais de saúde, né, doutora, como é que a equipe de saúde pode contribuir para reduzir a ansiedade e sofrimento emocional nesse processo, né? a equipe de saúde, ela precisa ser preparada, eh, no seu ponto de vista, a questão da psiquiatria, a questão da saúde mental para essa equipe, ela é fundamental e como que que é a sua avaliação sobre a preparação da equipe para lidar também com essa situação de morte, porque nós falamos do paciente, nós falamos da família, né? Mas e a equipe que está ali tentando eh eh e fazendo eh eh de tudo para aquele para que aquele paciente possa ter um conforto e uma qualidade de vida nesse momento? Então, educar a equipe, né, treinar, eu acho que é fundamental, mas é muito falho hoje em dia, pelo menos na minha época da faculdade, não se falava sobre isso. Eh, ninguém ensinou a gente a como dar notícias ruins paraa família. pro paciente, como lidar ali com as nossas próprias emoções naquele momento, porque com enquanto profissionais a gente cria um um carinho pelo paciente também e a gente também sofre, né? Então, acaba que que a gente precisa aprender a lidar com isso. No meu caso, eu tive que aprender por conta própria, né? Infelizmente não teve alguém que pegou e me ensinou ali como lidar com aquilo e eu senti falta disso na minha trajetória. Isso me lembra um caso quando eu tava na minha residência de pediatria de uma paciente com que tinha 1 ano e 10 meses na época e ela recebeu um diagnóstico de leucemia muito agressiva e no momento do diagnóstico, a mãe desabou. E eu eu lembro que eu não consegui dar a notícia pra mãe, que foi meu preceptor que deu por justamente por não existir esse preparo. E ele deu essa notícia de uma forma que aos meus olhos foi muito fria, sabe? E eu fiquei pensando, poxa, como que poderia ter sido melhor, né? A criança obviamente não entendia o que tava acontecendo, mas os pais sofreram muito. E durante o tratamento dessa criança, eu me afeiçoei muito a ela e eu ficava pensando como que seria se chegasse o momento, né, da morte dela, porque a gente ainda não sabia como que seria a resposta. À medida que o tratamento foi evoluindo e a gente foi vendo que não teve resposta, eh, foi tendo essa sensação, né, esse luto. A gente começou a vivenciar essa perda antes dela acontecer. O que, por um lado foi positivo, porque eu lembro que no dia que, de fato, a menininha morreu, a mãe tava com um olhar muito sereno, ela conseguiu se preparar, foi praticamente um ano de tratamento, né? Eh, e e foi mais interessante ainda porque a mãe me confortou naquele momento, porque enquanto profissional a gente fica querendo fazer tudo para salvar, tudo para dar certo, né? E é difícil pra gente aceitar que a gente também tem nossas limitações enquanto profissional de saúde, né? nem tudo que a gente vai fazer vai dar resultado. Então eu senti falta desse de ter alguém para falar abertamente, de conseguir falar abertamente com o paciente. Eu acho que deveria ter uma disciplina na faculdade de medicina sobre a tanatologia, sobre como dar notícias ruins pra gente se preparar, porque na verdade eh como é um tabu muito grande, a gente não se prepara para isso e acaba, eh, eu sinto que as famílias às vezes ficam desamparadas se a gente não tem uma postura mais confortadora, mais afetuosa, né? Muitas vezes a gente precisa disso enquanto paciente, enquanto familiar. E os médicos que não têm isso, acho que deixam muito a desejar na medicina, né? Acho que falta uma medicina um pouco mais humana nesse sentido. Excelente. Que depoimento. Com certeza. Fiquei até pensando aqui, Júlia, que as pessoas imaginam que os médicos oncologistas ou paliativistas são os médicos que precisam aprender a comunicar mais notícias. Mas na verdade todo profissional de saúde, principalmente os médicos Uhum. que vão estar em contato com situações ameaçadoras da vida, precisam desse letramento, precisam desse treinamento e gostaria muito que outros profissionais tivessem a sabedoria e a inteligência emocional de se perceber como você teve, doutora, de buscar o conhecimento e se treinar, porque o luto que vai ser vivido pelos familiares e pelo próprio paciente em alguma instância depende de vários fatores, mas Um deles que vai ter grande impacto é a comunicação da aproximação da finitude. Então, se a gente conseguir comunicar de forma mais acolhedora, objetiva, clara, responsável, mas ainda assim muito afetuosa, a gente melhora a condição desses lutos. Uhum. Olha só, né, gente? E importante o depoimento, né, da doutora, importante a sua fala também. E aí a gente eh permeia por todas essas mudanças profundas, né, e os impactos que o luto causa em todos nós seres humanos, né, além do paciente, a equipe, né, que trabalhou, eh, os médicos, os enfermeiros, eh, toda aquela equipe que esteve envolvida, a família, né, que passa por mudanças profundas, as rotinas são alteradas, os papéis são reorganizados, né, os sentimentos um pouco confusos, que não conseguiram ser validados de repente. E aí depois que isso tudo passa, vem um sentimento de culpa, né? Como é que a gente faz para lidar com esse sentimento de culpa? Talita normalmente, né, na maior parte das vezes, a culpa tá muito atrelada a algumas fantasias. Uhum. Mas a gente diz, né, que o amor nos ilude um pouco, porque quando a gente ama muito, a gente quer acreditar que a gente pode fazer tudo por aquela pessoa e a gente não pode, né? Muitas vezes a gente fez o que tava no nosso alcance, a gente expressou o que a gente conseguiu. E lidar com essa culpa pode ser uma tarefa árdua, né? Quando essa culpa se prolonga, quando ela se conecta com outros afetos, como o arrependimento, como uma tristeza muito avacaladora, muitas vezes a gente precisa contar com o suporte profissional, tanto da psicologia quanto da psiquiatria, muitas vezes, para amparar essa vivência, o luto. Quando a gente diz que é comum, né, a gente tá falando que isso acontece recorrentemente. Agora, dizer que é comum não significa dizer que não merece cuidado, não merece atenção, não merece que essa culpa seja ouvida, acolhida, entendida, né? Então, sempre digo, né? Se alguém está vivenciando o luto e além da tristeza, além da saudade, a culpa começa a prevalecer de uma maneira muito intensa, paralisando a vida, essa é uma boa hora de buscar os profissionais de saúde mental. Exatamente. Agora, falando em profissionais de saúde mental, a Dra. Júlia pode falar pra gente como é que a gente faz, né, para equilibrar a esperança e adaptar a questão eh da realidade e a aceitação sem abandonar nenhuma das duas, né? Então, eh, passei por um luto, então, preciso equilibrar a esperança, preciso com a aceitação e, e seguir o meu caminho. É possível isso? A a Talita acabou de falar pra gente que sim, mas que se passa eh um determinado tempo e você não consegue e ter esse sentimento de uma forma equilibrada, a importância de se procurar um atendimento de um profissional de saúde mental, porque isso pode causar um impacto muito profundo na nossa saúde mental, não é, doutora? Sim. Eh, é importante a gente diferenciar o que que é um luto saudável do que que é um transtorno do luto e até mesmo uma evolução para uma depressão, né? Geralmente a pessoa que vivencia o luto saudável, ela a tristeza, o sofrimento é muito ligada à pessoa que morreu, mas ela consegue ter momentos ainda de rir, de conseguir viver a vida, de aproveitar, né? Eh, muitas vezes é aquela saudade que vai se transformando lá na frente naquela saudade gostosa, né, de vir com lembranças boas. A pessoa consegue elaborar ali aquela perda. Quando a gente fala de um transtorno de luto, a pessoa ela tem um prejuízo funcional muito grande, né? a pessoa, ela, ela paralisa, ela às vezes não consegue mais trabalhar, ela tem insônia, ela perde o prazer em todas as atividades, vem com esse sentimento de culpa que a Talita falou, né, muito pesado, que que faz a pessoa querer às vezes muitas vezes parar de viver mesmo, né? às vezes ela ela vem com essa culpa, com essa sensação de que não fez o suficiente, de que poderia ter feito diferente. Isso gera um adoecimento psíquico, muitas vezes precisa de uma intervenção da psiquiatria e da psicologia, né? Às vezes a gente lança mão de medicamentos, mas acho que o mais importante nesse momento é um acompanhamento terapêutico paraa pessoa aprender a lidar com aquilo. Muito bem. Agora, eh, vamos colocar aí a família e lembrar que dentro das famílias, além dos adultos, existem as crianças e os adolescentes. Então, ah, como que a gente deve agir com as crianças? Qual a melhor maneira, né, de incluir os pequenos ou os adolescentes nesse processo de despedida? Quais as consequências eh podem surgir quando os mais jovens são totalmente afastados das conversas sobre a doença ou a morte? tá ali. Acho que muitos adultos procuram proteger a criança e o adolescente. Então eles sabem o quanto está sendo duro, sofrido, vivenciar aquele processo de perda e aí na intenção de preservar, né, emocionalmente essas pessoinhas, eles afastam, eles não comunicam, eles não eh agregam, inserem essa criança, esse adolescente no contexto. En tanto, isso é uma uma armadilha para nós mesmos. A gente numa boa intenção acaba fazendo exatamente o oposto, né? A gente acaba deixando com que essas crianças não entendam o que tá acontecendo, né? E não tenham a oportunidade de lidar com aquilo da maneira que elas conseguem. Algo muito importante no processo de comunicação com as crianças e com os adolescentes é a gente entender que por mais que a gente ame e a gente cuide, a gente não sabe tudo. Às vezes é a criança que sabe o quanto que ela tá entendendo e o quanto que ela não tá entendendo. Então, mais do que uma fala, né, um passo a passo, uma receita de bolo para como comunicar uma criança que o familiar vai falecer ou faleceu, a gente precisa primeiro perguntar para ela, né, falar: "O que que você tá entendendo do que tá acontecendo? Você notou mudanças aqui em casa? Você tem visto que a vovó, o vovô, papai, a mamãe, a titia já não tá mais tão presente? O que que você tá entendendo?" e sempre procurar eh adequar nossa linguagem à linguagem da criança. Quando ela nos conta um pouquinho do que ela tá percebendo, a gente consegue direcionar melhor a nossa fala e a gente pode fazer pausas ao longo da conversa para perguntar como você tá, né, se sentindo com isso que eu tô falando, né? Achei que você ficou triste. Você tá triste, né? fazer pausas, dar um colo, acolher da forma como a família tá mais habituada. Mas eu sempre digo, é uma conversa progressiva, mas que a criança precisa dizer o que ela tá sentindo e percebendo. Com os adolescentes tem uma outra delicadeza. Muitas vezes, por questões do processo de desenvolvimento deles, do processo hormonal que os atravessa, existe uma resposta de maior irritabilidade ou respostas mais explosivas aos eventos. né, de perda. E aí mais do que a gente tentar controlar esse adolescente, a gente precisa acolher, né? Então são lutos diferentes. A gente tem gente que diz: "Não, mas o meu sobrinho nem sentiu, né? A minha filha nem notou". A criança e o adolescente vivem o luto, mas eles vivem de forma diferente do adulto. E a gente precisa ter essa compreensão, esse olhar mais apurado para não, né? se iludir, achar que a criança não tá sentindo nada e que é melhor só seguir em frente, daqui a pouco passa. Uhum. Isso acaba muitas vezes mascarando processos de maior dificuldade de processamento emocional, maior dificuldade de elaboração. Então é um olhar diferenciado. Muito bem. Até porque eh as crianças, né, elas percebem e muito as mudanças no ambiente, mesmo quando a gente tenta esconder o que está acontecendo. Então, é como você pontuou, o diálogo adequado à idade, né? Eh, eh, acaba protegendo. É mais protetivo, doutora, esse diálogo eh eh adequado à idade? Ele é mais protetivo do que o silêncio absoluto. Assim como a Talita pontuou, a gente precisa aprender a conversar, mas a gente precisa comunicar a situação, até porque se a gente não comunica, eles estão entendendo e vão eh ter o entendimento da forma deles. Então, a gente precisa explicar o contexto. A importância dessa explicação é muito importante, porque a criança ela é uma esponjinha, né? Eu sempre falo isso, ela absorve tudo que tá no ambiente. Então, por mais que às vezes as coisas não sejam escancaradas ali para ela, ela tá percebendo e muitas vezes criando fantasias eh de uma situação que às vezes é muito maior do que do que é de fato, né? E aí eu gostaria de dar mais um depoimento que agora eh diz respeito a mim mesma. Quando eu tinha 13 anos, eu tive uma irmã que faleceu de uma forma muito brusca, assim, ninguém esperava. E eu sofri muito com aquilo e eu não tive nenhum acolhimento porque as pessoas estavam preocupadas mais com meu pai, com a mãe dela. E aí foi isso mesmo que a Rubia falou. Pensaram assim: "Ah, não, ela nem tá sentindo, tá tudo bem, né?" E a verdade é que eu não tive como conversar sobre isso com ninguém, nem com os meus amigos, assim, eu eu eu conseguia me abrir. Eu não tive acolhimento, eu não tive um espaço em que eu podia falar abertamente sobre isso. E eu fui viver esse luto. Na verdade, eu falo assim que eu não tive oportunidade de viver esse luto, né? Eu engoli aquilo que aconteceu e isso foi se refletir mais na frente com quadros depressivos, ansiosos, transtornos alimentares, né? Então, é muito pior quando a gente não fala sobre o assunto, quando a gente acha que a criança ou adolescente não tá sentindo, às vezes porque ele não tá expressando, às vezes ele tá engolindo tudo ali sozinho e isso tá gerando um sofrimento muito maior do que se o assunto fosse falado, do que se existisse um acolhimento, né? Então eu acho muito importante a gente ter esse diálogo aberto, muitas vezes perguntar pra criança e pro adolescente que que às vezes não tá demonstrando nada se tá tudo bem, né? falar que tá tudo bem, você demonstrar, você chorar, você ficar triste, que você não tem que ser forte. Isso era uma coisa que as pessoas me falavam muito. Ai, você tem que ser forte com seu pai, você tem que ficar bem para ele tá bem. E e eu era uma criança, né? Eu não tinha obrigação nenhuma de estar bem para ninguém. Eu tinha que viver meu luto e eu não pude viver esse luto. E eu considero que isso foi muito nocivo para mim. Hum. Lamento, Júlia, pela sua perda. E acho que com todo respeito e carinho, gostaria de dizer que nunca é tarde, né? Acho que você sabe bem disso. E para quem tiver nos ouvindo e também passou por perdas ao longo da vida, não pense que é porque passou muito tempo que você não pode revisitar esse sentimento, cuidar disso, olhar. E a gente trouxe mais cedo a história do Thago, que pôde se despedir é de quem ele amava, mas mesmo quando a pessoa já foi, a gente pode com amparo psicológico, muitas vezes, fazer o nosso processo interno de de despedida, de reconexão. E é isso, né? A gente tá falando aqui sobre o processo do luto de uma maneira geral, mas a gente vai, a vida vai acontecendo, a gente vai ressignificando as memórias. a gente vai ressignificando o processo da perda e nesse caminho, eh, o luto não deixa de existir, mas a gente vai crescendo em torno dele, né? E por isso que nunca é tarde para revisitar. Às vezes nas datas comemorativas, às vezes quando o assunto vem à tona, isso nos pega de novo. E isso é só o sinal do nosso amor, né? O luto muitas vezes é o preço que a gente paga pelo amor que a gente teve. Uau! Muito bom. Agora 8:44. Eh, eu gostaria de perguntar pra Júlia sobre o caso do Thago, né, do advogado Thago, que comemorou a sua vida sabendo que estava próximo da finitude. Qual eh reflexão para você, eh, doutora, que é psiquiatra, né? Eh, qual reflexão a história do Thago deixa eh para pessoas que costumam adiar conversas importantes, adiar demonstrações de carinho ou então adiar um simples telefonema? Qual é a a ideia, né? Qual o que deixa eh qual a reflexão que essa história do Thago deixa pra gente sobre o olhar da psiquiatria? Eu acho que essa oportunidade de resolver as pendências, de tá com a quem a gente ama, eu acho que ela não precisa esperar chegar num extremo tão grande como foi o caso do Thago, né? Tá diante da finitude pra gente se dar conta daquilo que a pessoa representa, do que a gente sente, do que a gente gostaria de fazer. Acho como você falou, a questão das flores em vida, né? Eu acho importante a gente ter essa consciência e demonstrar esse afeto, esse carinho no dia a dia, não esperar chegar numa situação eh tão tão sofrida, né, para poder fazer isso. E eu acho que isso acaba minimizando muito sofrimento mental, né? Porque às vezes as pessoas vão engolindo aqueles sentimentos, enolem uma mágoa, às vezes tem medo de se estressar, isso gera adoecimentos mentais também. Então, quando a gente consegue vivenciar plenamente os nossos sentimentos, as nossas emoções, isso acaba sendo mais saudável e dá uma oportunidade pra gente vivenciar esse afeto, né? Resolver nossas questões ainda em vida e sem estar com aquela sensação de que o tempo tá acabando, que eu tô fazendo isso só porque o tempo está acabando. Não, a gente tem que viver isso plenamente na nossa vida, sem necessariamente estar ligada a essa pressão da finitude, né? Muito bem, doutora Júlia Talita, acrescenta pra gente sobre essa reflexão do programa de hoje, né? Porque nós estamos falando de despedidas que curam, mas será que essas despedidas curam mesmo? A gente teve aí eh eh o exemplo da da situação, né, da festa do Thago, que assim eh a primeira vista é um impacto. Daí você para e pensa, a primeira coisa que a gente pensa, gente, e é assim, porque somos seres humanos, vamos falar a verdade, né? Tem a questão do julgamento, infelizmente. Fala: "Nossa, mas ele tá com uma situação eh eh já, né, com um caso já que tá desenganado, está já se aproximando da finitude, vai fazer uma festa, mas depois quando você olha o resultado daquela festa, você fala: "Poxa vida, eu acho que ele é uma inspiração". Não é? Hum. É verdade. E acho que muitas vezes esse julgamento ele até vem de um lugar que não é de maldade, às vezes é de um lugar de bom, eu tô vivendo algo semelhante ou tem alguém perto de mim vivendo algo semelhante. E com tanta dificuldade hoje de passar por esse processo, eu falo: "Como que eu iria comemorar? Como que eu iria eh estar no meio de uma roda de samba ali?" E às vezes esse julgamento vem deste lugar de incompreensão. Sim. E às vezes o processo de despedida não nos permite uma festa. Uhum. Mas se permitir que ela não aconteça só no final, que ela aconteça ao longo da vida, né? Comemorar, agradecer. É um papo que às vezes pode soar um pouco positivo demais. idear, mas a ideia é pensar que enquanto há coisas boas, que a gente comemore, que a gente agradeça, que a gente valorize. Eh, eu gosto também de dizer que quando a gente pensa sobre esse processo de lutar-se, a gente pensa muito em quem está ficando. Mas a gente não pode esquecer que quem está partindo também tá vivendo o seu próprio luto, o luto das experiências que não vai concretizar. Uhum. Mais cedo a Júlia falou, né, dos sonhos que não vão ser realizados. Eh, e é importante que a gente também escute esse autoluto, que a gente acolha esse luto da pessoa sobre tudo aquilo que ela imaginou que ainda seria, que ela ainda viveria e que agora não vai mais estar ali. Então, esse espaço de escuta, de compartilhamento dentro da própria família, muitas vezes, eh, pode tornar o processo menos sofrido. Gostaria ainda de acrescentar que nem sempre a gente vai verbalizar com clareza, né? Olha, te amo por isso, você vai fazer falta por aquilo, né? Me perdoe por tal coisa, agradeço por isso, isso isso. Muitas vezes verbalizar é desafiador. Uhum. Mas se a gente se permite na presença, estar do lado, trocar um olhar. Eu tenho uma vozinha de 102 anos. Uau! E eu sinto que ela já não está mais muito conosco aqui. Parte dela parece que já está indo. Uhum. E ela não consegue mais se comunicar. Então, quando eu tô junto dela, estive nesse fim de semana, eh, eu seguro a mão dela e sorrio e olho para ela. Não tem palavra ali, mas tem uma troca de amor muito sincera. E naquele olhar que a gente troca, nos olhinhos azuis que eu puxei dela, tem um afeto grande de despedida. E e é isso, né? Paraas crianças isso funciona também. Às vezes a criança não pode, não consegue ainda elaborar e verbalizar, mas ela consegue estar junto, dá um carinho, dá um olhar. Isso faz todo sentido, né? A presença, o toque, o afeto. Gente, que programa, que ensinamento, né? E é isso. A gente precisa falar sobre a morte em vida, né? precisamos, é, a gente tem que aprender e claro que eh cada um passa por pelo processo de maneiras diferentes, mas com ensinamentos, de repente a gente consegue minimizar e ter um esclarecimento melhor sobre essa situação e e minimizar as dores, né? Eh, diminuir um pouco e poder, eh, nomear os sentimentos, expressar com mais clareza e entender a importância das nossas expressões, né? seja da nossa fala, seja do nosso olhar, seja do nosso toque, isso vale muito e é isso que fica pra gente, né? Agora 8:51. Bom, vamos lá. Temos algumas perguntas do pessoal de casa. Eu tinha mais perguntas para fazer aqui. É um assunto que que eh eh a gente acaba tendo dúvidas, né? porque vai surgindo. É algo que a gente precisa entender. Mas vamos atender você de casa porque você também tá com a gente. É muito importante saber que você tá do outro lado. Produção, pode colocar a primeira pergunta na tela pra gente, por favor? Vamos lá. Luciana Ribeiro do Parque Prado. Minha avó fala com tranquilidade sobre a própria morte, mas a família sempre muda de assunto. Como aprender a escutar sem tentar corrigir, consolar ou interromper o que ela deseja dizer? Pois é, principalmente os idosos, né, eles têm uma uma ideia da morte, que eu vivo isso também, a minha mãe, a minha tia, elas já começam falar da situação de morte. E pra nossa família é algo meio que desconforta e sim, a tendência nossa é mudar de assunto. Eu gostaria que você, Júlia, trouxesse pra gente a importância, de repente de escutar sem tentar corrigir, sem tentar mudar de assunto, às vezes dialogar ou às vezes só ouvir, porque eh geralmente as pessoas mais idosas elas têm a tendência de falar um pouco da própria morte, não é? Sim, com certeza. Eu acho que tá tudo muito conectado ao tabu, que é falar sobre a morte, né? A gente se prepara para tudo na vida, menos pro fim dela. Por mais que a gente saiba assim que se tudo der certo, nossos avós, nossos pais vão antes da gente, quando toca nesse assunto, é um assunto desconfortável que a gente não quer encarar ali naquele momento, né? A gente acha mórbido falar sobre isso e muito pelo contrário, às vezes é muito saudável a pessoa já ter essa noção, já se preparar e preparar quem tá em volta para esse momento, porque ser pego de surpresa é muito ruim, né? Acaba gerando muito mais sofrimento do que se o assunto tivesse sido falado anteriormente, elaborado em família. Eu acho que às vezes, se a gente não se sente confortável, pelo menos deixar a pessoa falar, ouvir. A gente não precisa tentar mudar de assunto, não precisa às vezes tentar confortar, porque às vezes a própria pessoa tá muito confortável com aquele assunto, né? Ainda mais quando são pessoas mais velhas, elas já estão aceitando que uma hora vai chegar. Então eu acho que às vezes só ouvir o que a pessoa tem a dizer, aceitar que que o que ela tá falando ali é verdade, né? sem tentar ficar convencendo do contrário, de que, ah, não, isso não vai acontecer, isso vai acontecer, né? E que bom que a pessoa tem essa noção e tá se preparando e tentando preparar os familiares para esse momento de uma forma saudável. Sim, a gente tem que cuidar para não invalidar, né? Invalidação do sentimento, gente, é algo que principalmente pra pessoa idosa, né, que ela quer falar sobre aquilo. Então, ouve, acolhe e valida o sentimento, mesmo que doe em você, né? Mas é importante validar, né, Talita? Perfeito. E muitas vezes a gente acaba até infantilizando um pouco os idosos, né, de de tentar tratar eles como a gente trata muitas vezes as crianças, de voz, né? ali momento, é difícil, mas imagina o esforço emocional que aquela pessoa tá mobilizando para dizer sobre a morte dela. Então acho que é uma atitude de respeito, às vezes a gente segurar um pouco as nossas emoções e dar encaminhamento para isso depois, mas ouvir, né? Muito bom. Muito bem, gente. Aprendendo todos os dias aqui no nosso estúdio Câmara, agradecendo você que tá aí do outro lado conosco agora 8:54. Pode colocar mais uma pergunta na tela pra gente, por gentileza? Produção, Vanessa Lima de São Bernardo. Minha mãe não aceita ajuda psicológica porque diz que tristeza não é doença. Como conversar sobre acompanhamento profissional sem fazer com que ela se sinta fraca ou pressionada? Vanessa, olha só a oportunidade de conversar aqui com a Talita e com a Dra. Júlia, por favor, Talita, essa é uma ótima pergunta, Vanessa. Eh, e acho que tem algo do que a tua mãe diz que é verdade. Ela tá certa. Tristeza não é doença. Tristeza é um sentimento, faz parte da vida. Agora, a confusão que talvez esteja acontecendo é imaginar que o suporte psicológico, né, o acompanhamento terapêutico ali do psicólogo, é necessariamente só para pessoas que estão adoecidas mental e emocionalmente, né? talvez desmistificar isso com a sua mãe possa ser um caminho de acolhimento. Eh, eu gosto de dizer que o jeito mais fácil de explicar o que é psicoterapia para alguém é dizer que se a vida fosse fácil não existia a nossa profissão, né? Ter um espaço para entender essa tristeza, acolher essa tristeza, né? dá outras outros formatos para esse sentimento. Isso pode trazer bem-estar para ela, isso pode fazer com que muitas coisas do comportamento dela mudem, da percepção de vida dela mudem. E ela não precisa estar necessariamente diagnosticada com o transtorno para procurar o psicólogo, nem o psiquiatra, né? Então é importante que também escute ela, né? Você disse de não pressioná-la, né? Acho que é bom entender quais são as percepções que ela tem sobre a psicologia, o que que ela já viveu próximo disso, talvez contar da tua experiência, se você faz terapia, né, e manda de repente o programa para ela também, né, quem sabe não ajuda a ampliar o olhar, né, a para ela e para outras pessoas entenderem que o suporte psicológico tá aí para todos nós. A gente vai fazer bom uso dele para viver melhor. Exatamente. Eu sempre falo que a terapia é um entendimento, né, que a gente acaba tendo, eh, pra gente viver a a vida de uma forma mais leve, porque quando você tem o problema sem o entendimento, você acaba ficando confuso. Mas aí quando você tem o problema, esse problema ele vai surgir. Nós temos problemas e altos e baixos na vida, mas quando a gente tem o entendimento, aí a gente consegue contornar a situação, pega o problema, coloca na caixinha, aí tem o momento certo de resolver, tem o momento certo para todas as coisas. E a terapia nos ajuda a a levar uma vida mais leve e com mais entendimento, não que vai resolver os nossos problemas, né? Porque o problema tá aí e vão estar aí todos os dias nas nossas vidas. Mas o entendimento, gente, referente a quem somos, como manejar as situações, isso é maravilhoso. E não pensa que é em uma, duas, três sessões de terapia ou assistindo programa que você vai resolver. Não, porque nós estamos em plena mudança e os problemas também vão estar mudando. Você resolve um, vai aparecer outro. resolve um, vai aparece outro e a gente vai aprendendo a manejar os nossos problemas, né, os percalços da nossa vida e vivendo com um pouquinho de mais leveza e entendimento. 8:58 pode colocar mais uma pergunta na tela pra gente, produção. E aí é a última. Se tiver mais me avisa aqui, tá bom? Vamos lá. Paulo Henrique do Jardim Garcia. Tem gente que passa a trabalhar demais ou preencher todos os horários para não pensar na perda. É isso mesmo. Manter-se ocupado ajuda a ou apenas adia os sentimentos que vão aparecer mais tarde. Doutora, essa questão de preencher, principalmente com trabalho, né? Porque o trabalho nos foca e aí a gente acaba, entre aspas, esquecendo o problema, mas depois quando a gente volta para casa é algo que nos sufoca daí, né? essa essa situação de preencher esses momentos com um trabalho eh um pouco mais exacerbado. Eh, nós vamos ter problemas depois com isso. Como é que a gente pode responder o Paulo Henrique? Sim, eu acho que é saudável a pessoa voltar às atividades dela, né, trabalhar, ter seus momentos ali do dos seus afazeres, mas quando se torna um excesso e uma fuga, não é saudável, porque acaba adiando o sofrimento que ele vai aparecer às vezes muitos anos depois, né? às vezes não vem ali na hora, a pessoa vai engolindo, mas eventualmente vai aparecer, vai voltar e muitas vezes na forma de um transtorno, de algo que poderia ter sido evitado caso a pessoa tivesse oportunidade, respeitasse seu tempo e vivenciasse o luto naquele momento. Muito bem. Essa questão é é algo assim que acontece, eu acho que até de maneira eh inconsciente, né, Talita, da gente acabar preenchendo o nosso dia, se debroçando no trabalho para evitar o sofrimento. Uhum. Acho que em alguma medida isso é até protetivo, mas a Júlia brilhantemente sinalizou, né? Quando o excesso se estabelece, quando a gente não dá nenhum espaço para colher a tristeza, né? As dores que estão ali latentes dentro de nós, isso invariavelmente vai em algum momento nos pegar, né, no futuro. É, porque vai transbordar em algum momento, né? Com certeza. Vamos lá, pontualmente 9 horas, a última pergunta do programa de hoje. Vamos ver quem tá conosco. Gustavo Nunes do Nova Europa. Algumas famílias guardam objetos, olha isso, interessante. Áudios e cartas de quem está partindo. Criar essas lembranças pode ajudar ou existe risco de tornar a separação ainda mais dolorosa? Bom, agora nós vamos ter a resposta das duas especialistas, das duas profissionais, porque é lidam, né, com esse tipo de situação. Doutora, por gentileza, esse tipo de ação, né, ele tem o lado bom e o lado não tão bom assim? Gostaria que a doutora explicasse pra gente, por favor. Eu acho que o lado bom é porque a pessoa ainda sente que um pedacinho daquela pessoa que se foi ainda tá ali com ela, né? é uma forma de materializar o vínculo, né, da pessoa sentir que tem que ainda tá próxima de certa forma. Eu acho muito saudável para para falar a verdade assim da minha experiência pessoal. Eu acho interessante ter algo ali que lembra que vai ser um um pedacinho mesmo da pessoa que você vai sentir que não tá sozinho, que ela não se foi totalmente, que ela ainda existe no seu coração e existe algo ali para materializar esse afeto. Hum. Agora, tem um lado assim que a gente pode eh parar para pensar que isso também se você não estiver preparado para essa situação de luto, eh isso também pode trazer um sofrimento ainda maior, né? Porque você vai revisitando, você vai revivendo. Mas isso é diferente do que a doutora falou. Se você não está preparado para aceitar toda aquela situação, né, Talita? É, acho que existe algo eh importante de ser sinalizado, né? Quando a gente guarda algum objeto, enfim, alguma lembrança material, essa materialização do vínculo que a Júlia falou, ela pode ser um um disparador de uma memória, algo que conforte, mas é importante que a gente lembre que o que fica da pessoa com a gente são as memórias, as histórias, né? aquela representação material, aquele objeto, ele é um uma forma de concretizar, mas o importante tá dentro da gente. Por que que é importante falar disso, né? A gente acompanha muitos casos diferentes. Imagino que a Dra. Júlia também tenha lembrado de várias várias famílias aí que deve ter acompanhado, mas a gente vê cenários como, por exemplo, famílias que não desfazem o quarto da pessoa falecida, guardem guardam absolutamente todas as coisas. Isso pode ser adoecedor no sentido de não permitir que aquela perda eh seja ressignificada, né? A gente mantém aquilo como uma presença que acaba machucando. E também tem as situações onde emas circunstâncias de catástrofe, por exemplo, né? a gente teve as lamentáveis enchentes no Rio Grande do Sul há pouco tempo atrás. Eh, não se tem o objeto, não se tem nada para guardar de quem se foi. E aí é importante que a gente faça esse trabalho de consolidar e, né, fortalecer as memórias para além dos objetos, para além daquilo que é físico que fica. Muito bem. Programa de hoje eh falando sobre despedidas que curam. Nós nos embasamos na história do Thago, né, o advogado que em fase terminal aí do seu processo de luta contra o câncer, ele diz que venceu todos os dias. Ele diz, e que bom que ele pode dizer isso pra gente, porque isso nos anima a entender até que ponto a gente pode chegar e que o Thiago ele conseguiu, mesmo eh tendo a certeza da sua finitude, comemorar em vida eh perto das pessoas que o amavam e que ele amava também. Uma demonstração de amor, de afeto, de carinho, de aceitação incrível. e digna de louvor, porque precisa de ter acho que muito entendimento sobre o que é a vida, o que você viveu, quem é você e saber e aceitar que você está partindo é algo que a gente precisa eh aprender. Acredito que ficou assim um exemplo muito grande eh que o Thiago nos deixou, tanto é que viralizou e e nas nas redes, né? Eh, todo mundo ficou sabendo dessa ação do Thaago. Então, o programa foi embasado eh na festa de despedida do Thago, que foi uma festa, digas de passagem muito alegre e que depois também nós tivemos a oportunidade, né, de vê-lo no hospital, eh, se despedindo e e fazendo a sua passagem. Então, a gente precisa aprender um pouco mais a falar sobre a morte e valorizar a nossa vida. A gente vai encerrando o programa de hoje. Quero agradecer a presença da Talita, gostaria que você deixasse uma orientação final pros pacientes, paraas famílias, né, que estão enfrentando aí esses processos de despedida, de luto antecipatório e a importância, a importância de falar sobre isso no momento que a gente tá vivendo, que é no aqui, no agora. Uhum. Eu gostaria de deixar um recado muito sincero para quem tá vivenciando qualquer processo, né, que se assemelha ao que a gente foi conversando hoje. Procure ajuda, né? Não fique sozinho nesse caminhar, eh, tanto os cuidados paliativos quanto os cuidados com o luto. Se conversam muito e estão à disposição. Existem muitos canais possíveis. Hoje em dia a gente tem mais profissionais capacitados, ainda bem. Mas não fique esperando a coisa agravar, o sentimento dominar, o sofrimento se impor para buscar ajuda nesse caminhar. Então não tenho medo. Os psiquiatras, os psicólogos estão aqui, né? E é difícil, é duro, é triste, mas é possível cuidar do luto. Muito bem, muito obrigada pela sua participação, pela sua presença, viu? Maravilhoso a troca, né? a troca de informações, de experiências entre vocês duas profissionais. Gratidão, tá? Obrigada, doutora. Quero agradecer também a disponibilização do seu tempo, né, os seus depoimentos e eh quão importante é a gente aprender que nós precisamos valorizar, né, a nossa vida, mas precisamos também falar da morte. E isso nos ensina muito como viver aí o aqui e o agora, mas também ter todo o entendimento de que a única certeza que nós temos é da nossa finitude. Gostaria que a doutora deixasse uma mensagem pros nossos telespectadores e quero agradecer demais a sua participação e a sua presença conosco. Eu que agradeço. Foi muito bom. Então eu acho que a gente precisa naturalizar falar sobre a morte, né? Porque ela faz parte da experiência humana. Quando a gente consegue falar com menos tabu, com mais acolhimento, com honestidade, a gente consegue viver esse momento com mais dignidade, né? O sofrimento ele não vai desaparecer, mas ele deixa de ser um sofrimento solitário. E eu acho que talvez esses sejam dos maiores presentes que a gente pode oferecer para quem tá partindo e para quem fica. Muito bem, doutora. muito obrigada pela sua participação e agradecemos você também que tá em casa, né, que participou conosco, que esteve com a gente aqui no programa. Quero lembrar que ele tá disponibilizado lá no YouTube. Você pode compartilhar com a sua família, com pessoas que de repente estejam precisando desta informação e deste acolhimento do programa de hoje. E talvez a principal mensagem eh dessa história do do Thago, que foi o personagem, né, que nós embasamos o tema desse programa, seja que a vida acontece agora ou amanhã é uma possibilidade e não é uma garantia. E reconhecer a finitude pode ser justamente o que nos ajuda a valorizar melhor o tempo, as relações e os encontros que ainda nos resta. Tá bom? Um grande abraço para você, fique bem, se cuide, uma ótima quarta-feira e nós temos Estúdio Câmara amanhã. Quero te convidar para estar conosco a partir das 8 da manhã nós vamos falar sobre um chamado eh efeito Cinderela, né? é um comportamento, gente, cada vez mais presente nas redes sociais, que impulsiona a busca da transformação pessoal por meio do consumo, né? São produtos de beleza, skincare, procedimentos estéticos e tendências que prometem autoestima e realização e passam a a fazer parte da rotina de muitas pessoas, principalmente de nós mulheres. Mas até que ponto esse consumo ele é uma escolha consciente? E quando a busca por o bem-estar e a aceitação acaba comprometendo o orçamento. A gente vai falar do impacto desse comportamento na vida financeira e quando as compras deixam de atender uma necessidade real para preencher demandas emocionais. Então, o tema do estúdio Câmara de amanhã é efeito Cinderela, consumismo, redes sociais e o desafio aí do equilíbrio financeiro. A gente te espera amanhã a partir das 8 da manhã ao vivo em mais uma edição do estúdio Câmara. E ao meio-dia nós temos Gabriel Castro trazendo informações do legislativo aqui da cidade de Campinas no Câmara Notícia. E sem falar que a programação da TV Câmara Campinas está sempre produzida com muita qualidade, eh muito carinho e muita responsabilidade de toda a nossa equipe do grupo Mais especialmente para você que tá aí do outro lado. Um grande abraço, muito obrigada pela sua audiência e pela sua companhia. Se cuide, uma ótima quarta-feira e até lá. Ciao. Ciao.
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