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Estúdio Câmara | Democratização dos Influencers: Diferenças Entre Fama e Influência
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Estúdio Câmara | Democratização dos Influencers: Diferenças Entre Fama e Influência

104 views Publicado 25/08/2026 HD · 54:03
Resumo editorial

Discussão sobre a diferença entre fama e influência no contexto da era digital. Explora questões éticas de autenticidade quando influencers monetizam seu trabalho e a importância da congruência entre valores pessoais e conteúdo promovido. Questiona se ser influenciador digital constitui uma profissão legítima e debate as responsabilidades envolvidas.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

O Brasil concentrava cerca de 3,83 milhões de influenciadores no Instagram em 2024, 15,8% do total global analisado e 14,5% dos posts patrocinados, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo o Influencer Marketing Benchmark Report 2025 baseado em dados da Hype Auditor. O debate sobre a economia da influência discute a diferença entre fama, audiência e influência real, do conteúdo feito por hobby ao mercado que hoje movimenta marcas, agências e plataformas.

Transcrição completa do vídeo

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Olá, [música] bom dia. 25 de agosto, começa agora o estúdio Câmara. ao vivo para você aí, porque hoje a gente vai falar sobre um tema bem importante. Durante [música] décadas, para alguém se tornar conhecido, era preciso passar pela televisão, [música] pelo rádio, pelo cinema ou pelos grandes veículos de comunicação. [música] Hoje, uma câmera de celular e uma conexão com a internet [música] podem ser suficientes para transformar uma pessoa comum em referência [música] para milhares ou milhões de outras pessoas. Mas existe uma diferença importante entre ser famoso, ter audiência e ser influente. Hoje vamos discutir a democratização em ser influencer. E claro, você participa com a gente pelo WhatsApp da TV Câmara Campinas no 1997829377. Mas antes nós vamos às [música] notícias do dia. Olha, sexta-feira começa a virada esportiva e vai até o domingo. Serão 72 horas de atividades. De acordo com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, estão confirmadas 116 ações esportivas, [música] que além da secretaria nós temos a participação de organizações da sociedade civil, clubes e academias [música] que dão apoio ao evento. Quem quiser participar e registrar essa participação, deve fazer a inscrição até esta quarta-feira no site da [música] prefeitura, que é o campinas.sp.gov.br. No ano passado, foram mais de 60.000 pessoas envolvidas direta indiretamente na programação. E a expectativa é que este ano a marca seja superada em pelo menos [música] 10%. Vamos falar agora da Câmara porque ontem à noite os vereadores aprovaram em primeira discussão durante a 45ª reunião ordinária o projeto que autoriza o município a parcelar e reparcelar os débitos com CPREV, [música] que é o Instituto de Previdência Social de Campinas. A proposta autoriza o município a parcelar e reparcelar esses débitos em até 300 vezes. De acordo com o texto, o objetivo é a viabilidade de maior previsibilidade ao fluxo financeiro da prefeitura, sem abrir mão da preservação dos recursos destinados ao regime previdenciário dos servidores. Também foi aprovado [música] em definitivo o projeto que torna obrigatório o uso de focinheira durante passeios em vias, [música] praças e demais logradouros públicos por cães considerados de grande porte. O texto também atribui à Guarda Municipal a fiscalização da medida estabelece penalidades em casos de descumprimento. Segundo o autor, o vereador Oto, a proposta busca reforçar uma obrigação que já existe em âmbito estadual e ampliar os mecanismos de fiscalização no município. De acordo com o projeto, o descumprimento da regra [música] poderá gerar uma multa de 300 unidades fiscais por animal. Em caso de reincidência, esse [música] valor será dobrado e poderá, inclusive acontecer o recolhimento do animal [música] pela vigilantes isonoses, mediante um laudo de autoridade competente. [música] Se o animal atacar uma pessoa, a multa é prevista de 1000 ufix, que equivalem [música] a mais de R$ 5.000, sem os em demais prejuízos e também as penalidades aplicáveis aí pela polícia. Vamos à previsão do tempo. Para esta terça-feira, o céu deve permanecer [música] claro e o tempo aí também, olha, a gente tem aí algumas questões [música] em relação às chances de chuva, que não deve ter, hein? Ou então a gente permanece com essa tendência que a amplitude térmica diminua, isto é, a temperatura mínima deve subir e a máxima deve diminuir. Então a gente vai ficar entre 15 e 27º. Agora vamos ao tema do dia. O Brasil é um dos principais mercados mundiais dessa chamada economia da influência. Segundo o influencer marketing benchmark Report 2025, baseado em dados da Hype Auditor, o país tinha cerca de 3.83 milhões de influenciadores no Instagram, 15.8% do total global analisado em 2024. O Brasil também respondeu por 14,5% dos posts patrocinados ou potencialmente patrocinados, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Mas como aquilo que começou como produção de conteúdo por hobby se transformou em um mercado que envolve publicidade, marcas, agências, plataformas, vendas e profissionalização. Hoje uma câmera de celular e uma conexão com a internet podem ser suficientes para transformar uma pessoa comum em referência para milhares ou milhões de outras pessoas. E para falar sobre esse tema, a gente recebe aqui no estúdio Câmara o neuropsicólogo Cleiton Araújo. Ele que é psicólogo clínico forense, é membro da sociedade de neuropsicologia, doutorando da Unicamp, professor universitário e mestre em filosofia. Também aqui ao meu lado a atriz influenciadora lifestyle Laura da Nica, que é formada em artes cênicas pela Unicamp. Filha também de um influenciador e motoboys, João Danica. E olha, ela tem 60.300 300 seguidores e conectada com a gente via plataforma digital, nós temos aqui a Adriana Silva Coelho, que é colunista e influenciadora, ela tem 60 anos, se reinventou profissionalmente algumas vezes, criou o Viva Coroa em 2018, é colunista da VOG Brasil e TEDEX speaker. É fascinada pela descoberta de uma vida produtiva surpreendentemente na maturidade. Olha, tem 525.000 seguidores. Então, a gente vai aqui falar com todo mundo. Gente, sejam bem-vindos. Que tema bem legal, né? Bem, como se diz, para cima que a gente vem com esse tema. E aí eu vou falar primeiro com os as duas influenciadoras. Começo com a Laura. Seja bem-vinda. Muito obrigada, Mina. Quando eu li o seu currículo, tá escrito lá atriz. Em que momento essa atriz se tornou influenciadora e você hoje encara isso como uma profissão? Me fala um pouquinho dessa trajetória. Então, eu entro pro teatro muito por conta do meu pai, como você também falou. Ele também é influenciador e ator. Tá aqui no estúdio, viu, gente? aqui no estúdio com a gente aqui no estúdio e no teatro desde cedo entrei pra faculdade. Quando meu pai começa a fazer vídeo pra internet, eu vou na onda também participando dos vídeos, desenvolvendo a minha carreira como atriz. a gente trabalhou na televisão juntos durante 4 anos, mas hoje em dia eu trabalho 100% com internet, se não for com criação de conteúdo pro meu próprio perfil que eu faço eh divulgando outras empresas, serviços e produtos, eu crio conteúdo para outras empresas publicarem no perfil deles também, porque hoje em dia o Instagram é uma principal ferramenta de trabalho da maioria das pessoas pra gente colocar o nosso trabalho na rede, né? Quem não é visto não é lembrado, né? A gente tem essa essa grande eh potência hoje em dia com as redes sociais e aí o lugar de atriz acaba ficando muito como comunicadora, né? Sim, o que eu aprendi aí na faculdade, nos anos com um teatro, é o que eu aplico na hora de comunicar pro meu público de forma clara, objetiva e muito sincera, né, sobre todo esse trabalho. Então, o trabalho como atriz e influenciadora caminham juntas aí nessa parte da comunicação. Muito bem, agora Adri Coelho com a gente. Dri, obrigada por participar conosco. E a mesma pergunta vai para você. Em que momento da sua profissão? Você até coloca aqui, olha, se reinventou profissionalmente algumas vezes. Em que momento você pensou, por que não usar ao meu favor essa reinvenção? Inclusive essa esse nicho quando você fala aqui no seu currículo, olha, eu tenho 60 anos. Em 2018 eu resolvi ter um canal chamado Viva Coroa. Como é tudo isso para você? Oi, bom dia. Obrigada pelo convite. Oi também, Laura Cleiton. Estou muito feliz de estar aqui com vocês. E o Viva Coroa nasceu em 2018. Eh, vocês estão me ouvindo bem? Sim, estamos, estamos ouvindo bem, sim. O Viva Coroa nasceu em 2018, não foi com essa intenção de eh ah, como eu vou aproveitar isso a meu favor. Na verdade, eh eu estava precisando falar sobre as minhas questões, né? Eu tinha 52 anos naquele momento, isso foi 2018 e já estava com a série de já estava na menopausa, mas não me dava conta que algumas questões minhas pessoais tinham a ver com isso, com as mudanças hormonais. E os meus filhos já estavam criados. Eu vim de um de uma de uma dessas mudanças de carreira que eu comentei. Então, eh, eu tinha fechado um negócio de decoração, estava com muito tempo livre e de repente não dei mais conta de ter tanto tempo livre e resolvi ocultar esse tempo com alguma coisa que também eh endereçasse essas minhas questões pessoais, né? E foi aí que eu comecei eh, foi aí que eu tive essa ideia. Bom, vou falar com mulheres que também querem falar sobre esse assunto. Sim. Então, quer dizer, o seu já foi meio que proposital e o da Adriana foi no início meio, digamos assim, eu não sei o que vai dar, mas e aí, Cleiton, seja bem-vindo aqui com a gente, o neuropsicólogo, eu queria que você falasse justamente dessas questões, como hoje eh faz esses trabalhos, faz com quem esteja do lado de lá, ela confia na opinião dessas pessoas que tão tantos seguidores para consumir, para mudar o estilo de vida, para até muitas vezes seguir algumas dicas ou muit quando a gente fala em tantos seguidores, a maioria das dicas que esses influenciadores passam, o que é ser um influenciador? OK. Primeiramente, bom dia a todas, né? Eu estou aqui, né, no meio de rosas, né? [risadas] Muito bom estar aqui com vocês. Eh, a sua pergunta, ela é muito pertinente e tem uma relação eh que impacta diretamente eh a saúde mental das pessoas na sociedade, né, contemporânea. A gente no consultório, né, que eh eu quero conversar também com os meus colegas psicólogos que estão assistindo, estudantes de psicologia, eu comentei que estaria aqui porque muitos assistindo aqui o programa. Eh, infelizmente a gente observa muitas pessoas dependentes de de telas. Há uma dependência tecnológica muito grande, principalmente por parte de adolescentes. Eh, e diante disso, a figura de um influenciador, ela é assim muito importante e muito potente, né? vocês, eh, como diz o nome, vocês influenciam o comportamento e muitos influenciadores têm esse essa compreensão, esse senso, essa responsabilidade social, eh, enquanto outros não têm muito essa noção, essa compreensão. E então esse é um esse é um componente importante que gostaria de de falar aqui rapidamente em relação o que é ser influenciador, né? O próprio nome já diz, né? Influenciador é aquele que influencia um determinado tipo de comportamento, né? Só e por si só essa definição já gera, né? muitas responsabilidades, né, psíquicas, emocionais, tanto por parte de quem está assistindo, de quem consome, né, essas eh e esse esses produtos, né, tecnológicos, esses produtos da mídia, quanto também de quem é produtor disso. Então, isso aqui é é um ponto pra gente começar a refletir, né? Sim. E aí, nesse sentido, há inclusive uma questão que é falada que é a relação parassocial. E aí, pois é, esse aqui é muito interessante. Esse esse elemento parassocial, eh, antigamente, como você falou na introdução, as pessoas, quem era famosa era quem assistia, né, eh, que era as as os atores, as atrizes, as novelas, né, e tal. Eu sou dessa época, né? Eu sou garoto da década de 80, né? [risadas] Sim. Né? Então que eu tinha uns meus referenciais ali. Nossa, eu lembro muito bem lá na minha cidade, uma vez foi um ator da novela e nossa, o aeroporto ficou assim parado, a cidade ficou comovida e tal. Hoje isso mudou radicalmente, tá? Eh, um influenciador, ele tem atualmente mais impacto social do que esses atores, esses atrizes, porque vocês vivem ali uma realidade que não é eh que é da maioria das pessoas que estão assistindo vocês. Vocês se conectam emocionalmente, vocês se relacionam. Às vezes quando alguém manda mensagem no DM, no direct, vocês respondem. vocês estão ali meio que acessíveis das pessoas e há essa proximidade, esse vínculo, tá? Isso ao mesmo tempo pode produzir eh elementos assim muito importantes de de representação, como também pode produzir uma falsa noção que a pessoa te conhece. Uhum. E isso em si pode trazer implicações psicológicas, tanto pro influenciador quanto para a pessoa que tá sendo influenciada pro consumidor, pro usuário ali da rede social. Sim. Mas e aí, Laura, você quando pensou em trabalhar dessa forma, eh tem essa questão dessa dessa intimidade, dessa proximidade com o seu público? você nichou o seu público, como é isso também? E até para responder muitas vezes a essa expectativa do público que quer a sua resposta para alguma coisa que você posta e onde você divide o conteúdo que você vai mostrar a marca de alguém, a sua rotina, por exemplo? Então, eh, eu acho muito interessante isso, como realmente a internet aproxima as pessoas, né, e causa essa sensação de você conhecer, né, você tá ali dentro da rotina da casa da pessoa e ao mesmo tempo acho que gera uma certa identificação, que é aquilo que você falou de que hoje em dia uma pessoa com um celular e uma conexão, ela também pode chegar lá. Então, acho que tem um outro lugar de uma admiração que é quase um espelhamento, né, de ver uma pessoa comum que alcançou lugares, que alcança um certo tipo de reconhecimento que da minha geração a gente cresceu assistindo essas pessoas antes no YouTube, né, e hoje em dia no Instagram com muito mais essa proximidade. [roncando] E é sempre uma busca para encontrar como eu vou falar sobre uma empresa de uma maneira que eu não me distancie totalmente da minha rotina também para não perder a minha autenticidade. Então eu não posso ter um jeito quando eu tô falando sobre a minha rotina e não posso assim, né? Cada um fez o que quer, mas de ter uma outra personalidade para falar sobre uma marca. Eu gosto de estar sempre juntando essas coisas, trazendo a marca realmente pra minha rotina, pro meu dia a dia. Mas essa relação de proximidade, ela às vezes é até um pouco assustadora, né? Porque eh as pessoas às vezes, sei lá, eu tô num evento, depois eu recebo uma mensagem de alguém falando: "Te vi nesse evento" e eu não sei quem é essa pessoa. Eu não vi essa pessoa me vendo. Ela sabe quem eu sou, mas eu não sei quem é ela. Então são muitas. É gostoso o reconhecimento e sentir que o trabalho tá caminhando, que as pessoas estão reconhecendo a gente pelo nosso trabalho, mas ao mesmo tempo tem sempre uma cautela. Eu evito muitas vezes publicar onde eu tô em tempo real. Acho que isso é algo importante. Segurança também. A segurança. Exato. Mas é um campo que eu cresci nesse meio, né? Eu tenho 25 anos, então eu assisti toda aquela primeira geração de youtubers, né, que vieram. E é incrível como hoje em dia, né, a gente tem milhões de influenciadores. Às vezes a gente vê uma notícia, ah, tal influenciador com 1 milhão de seguidores, 3 milhões de seguidores, foi preso. Uma coisa assim, você fala: "Gente, mas quem que é essa pessoa que eu nunca tinha visto e ela tinha ali 2, 3 milhões de seguidores, né? Então, quantas pessoas elas estão influenciando? Como que as pessoas lidam com a responsabilidade de estar influenciando tantas pessoas, né? Porque é uma grande responsabilidade. As pessoas estão dentro da casa delas passando às vezes por dificuldades que a gente nem imagina e você tá ali às vezes incentivando ela a consumir outro produto, a comprar uma outra coisa, mudar o comportamento dela. O meu lifestyle justamente é porque eu gosto de influenciar as pessoas a coisas que eu também gosto. E é muito mais sobre dicas. Eu gosto muito de falar sobre viagens, gosto muito de falar sobre experiências, trilhas, gastronomia, coisas assim que me interessam, mas eu não sei a realidade de cada um dentro de casa para est assistindo aquilo e como isso chega nas pessoas dentro de casa, né? É um lugar de admiração, um lugar de queria também ou um lugar de comparação? Eu mesma já deixei de seguir influenciadores que eu começo a me comparar. Eu tô lá 3 horas da manhã, devia estar dormindo e tô assistindo ele vivendo a vida que talvez eu gostaria de viver também. E aí, como a gente busca tentar separar isso e abandonar às vezes alguns costumes, por mais que a gente admire, mas é um mundo de comparação muito forte, né? Daqui a pouco, inclusive, o Cleiton vai falar sobre essa questão da comparação, mas Adriana, quando você diz que lá em 2018 você partindo das suas próprias dores, né, tem esse canal e hoje como que é para você também, a Laura colocou o ponto de vista dela, mas influenciar tanta gente, qual é essa responsabilidade para você? Pesa também? Quais são os momentos em que você fala: "Ai, que maravilha". E tem momentos que você fala: "Poxa, que responsabilidade". Olha, eu acho que fama é alcance, influência é impacto. Então, eu vejo, eu vi ao longo desses 8 anos vários atores e atrizes irem por esse caminho da influência, talvez justamente para estarem eh mais próximos da sua audiência, né? Porque antes eles ficavam lá encastelados na na TV, no teatro. a gente não sentia tanto essa proximidade. Hoje em dia, isso nós nos sentimos assim quase participando da vida das pessoas, né? E e eu percebo que que tem uma questão mesmo da índole da personalidade, porque se você pegar, por exemplo, o Arifontoura, que é um um grande exemplo que foi lá e se se reinventou durante a pandemia e nos traz conteúdos maravilhosos. E aí a gente tem, claro, outros exemplos, né, como a própria Laura tava falando, de repente você acorda e o influencer X tá sendo preso. Então nós temos aí, claro, um mundo de gente entre esses dois exemplos que eu dei. No Viva Coroa, o meu desafio eh é equilibrar o conteúdo. Então, como eu sou uma mulher de 60 anos e gosto de falar sobre eh Vocês estão me ouvindo? Eu não tô ouvindo vocês, mas ouvindo, pode continuar. Que bom, que bom, que bom, desculpa. Eh, então, no meu caso, o meu desafio é buscar um equilíbrio no conteúdo, né? Como eu sou uma pessoa de 60 anos e o meu objetivo do do da plataforma Viva Coroa é trazer esses assuntos do feminino, das mulheres maduras, né? Então assim, menopausa, os nossos desafios, falar sobre saúde mental, falar sobre saúde em geral, mas isso não pode se tornar um uma estruturante, né? Você entra ali naquele influencer e você só ouve a mesma coisa. Então, eu acho que o desafio é trazer eh pessoas que inspirem, né, preferencialmente mulheres, porque eu falo muito mais para mulheres do que para homens. e tento trazer exemplos nacionais, além de alguns exemplos eh internacionais, tenho um super cuidado de colocar todo o conteúdo em português. Então, quando eu faço uma curadoria e trago vídeos, por exemplo, em outras línguas, eu coloco as legendas em português numa tarja e num tamanho de de fonte ali que seja possível para as pessoas lerem, né? Porque não adianta a gente ficar eh colocando um conteúdo com as letras eh com design super bacana e chique e que as pessoas que são a minha audiência não conseguem ler. Então também tenho esse cuidado. Eh, eu adorei quando você falou: "Ah, eu não sei onde isso vai dar". realmente não tinha a menor ideia, mas eu eu tinha certeza que eu não estava sozinha, né, nesse nesse momento de menopausa, do envelhecer, da dos 50 anos, dessa de todas essas novidades. E com o tempo eu fui vendo nesses anos todos, mudou muito essa essa percepção da menopausa, do envelhecer. Hoje nós falamos sobre tudo com muito mais abertura, naturalidade e querendo trazer paraas nossas vidas, né, essa essa mudança, olhar para envelhecer de uma forma positiva. Sim. Mas aí, Cleiton, olha quanta coisa a gente tem. a gente tem a questão que a Laura colocou justamente sobre esse comportamento e que ela tem a questão da comparação, ou seja, qual é a expectativa de quem acompanha um influencer? Uhum. É comparar a vida dele com a com a própria vida? é falar: "Poxa, essa pessoa pode me ajudar em algumas questões, já que ela fala de temas que eu que eu gosto. É simplesmente passar o tempo, porque a gente também tem os influenciadores que trazem o humor, como o pai da Laura, inclusive. E por outro lado também essa cobrança que a Adriana coloca de certa forma de ter esse cuidado de como eu, já que ela tem um público, ela tem o cuidado, por exemplo, olha, eu tenho que colocar uma fonte grande porque meu público tem para ler a a minha mensagem quando eu coloco a legenda. Então, toda essa curadoria, quanta coisa envolvida quando a gente pensa em influenciar o comportamento para fazer o bem pro outro, porque como a Laura diz, inclusive ela deixou de eh acompanhar, né, de seguir um influencer justamente porque essa comparação em certo momento fez mal. Quando como a gente consegue mensurar tudo isso? A sua pergunta, ela é muito interessante e eu acompanhei atentamente o que a Adriana e a Laura falaram e a gente realmente vive em um contexto social, principalmente pós-pandemia, eh onde a saúde mental ela ela está sendo duramente atacada por inúmeros fatores, sejam sociais, políticos e n nxtos, né? né? Eh, e respondendo objetivamente a sua pergunta, é o depende, tá? Depende, depende da classe social, né? Quem tá recebendo aquela mensagem, depende da faixa etária, OK? depende eh da do contexto familiar de quem tá recebendo essas informações aqui, por exemplo, e aqui é um elogio sincero, eh eu tô no meio de mulheres empoderadas que produzem conteúdos inteligentes, que que t essa preocupação em analisar ali o produto que vão estar divulgando, que que percebem qual é o contexto, né? eh, de suas produções, né, eh sejam artísticas, sejam ali sociais e tudo. Mas, infelizmente, no geral, o que que nós observamos? Observamos essa falta de curadoria. O que que nós observamos? são pessoas eh despreparadas emocionalmente para produzir, né, um conteúdo, pessoas que estão ali eh em um contexto emocional de instabilidade. E quem muitas vezes recebe isso tem esse contexto parassocial que você citou anteriormente. Ali há um MET perfeito e uma produção industrial. de adoecimento mental. OK? Então esse é um ponto crítico de análise que precisamos fazer, né? O que a gente observa nesse canal e com estas mulheres distintas que estão aqui, que é um elogio, tá? [risadas] Eh, infelizmente é uma bela exceção. Eh, tem muita gente produzindo conteúdo legal, né? produzindo eh informações científicas, produzindo um entretenimento saudável. Sim, certo? Isso tem, tem muita gente. A Adriana comentou acerca do Arifontora que eu sou fzaço dele, adoro ele de paixão, tá? Mas olha só quanto de conteúdo machista que a gente tá tendo. Verdade. Olha só o o Redpill, o movimento Redpill, né? o a galerinha ali do eh eu esqueci daquela bebida do Campare, né? [risadas] E e por aí vai e produz machismo, misogenia, eh, muita galera que tá produzindo preconceito. Então, mas aí nesse contexto quem é mais influenciável? é o jovem, é a questão também de camadas sociais, é a mulher mais velha, eh, digamos, mais experiente, né, Adriana? Já tô corrigindo aqui, viu? [risadas] A mais experiente é a criança, porque inclusive hoje, quando a gente já teve até um programa aqui falando sobre isso, muitos falam assim: "Eu não quero estudar, eu quero ser influencer". Pois é. Uhum. Sabe? Então, quem é esse influenciável que acaba não conseguindo fazer, de certa forma uma triagem do que realmente é importante que ele se deixe influenciar? Geralmente, pelo que eu observo na clínica e pela pela observação social, são as crianças e adolescentes e também essa faixa etária dos 60 a mais. Por isso que eu que eu ass eu não te acompanho, viu? Eu vou começar a te acompanhar, né, na sua na sua rede social, eh, porque muitas pessoas se aposentam e não tem ali um tempo, eh, um tempo, uma ressignificação de sua vida, né, no estudo e fica em casa só consumindo, eh, produtos digitais e fazendo encaminhamentos de vídeos e por aí vai, tá? Sim. Então, eh, o que eu consigo assim observar dos relatos dos meus colegas psicólogos e, eh, dos alunos e da minha clínica é e crianças, adolescentes, ali é uma faixa etária de jovens e essa e esse público se assenta mais, mas no geral eh é massivo isso, tá? Não tem assim uma faixa etária específica que é muito mais é é assim é muito próximo quantitativo e qualitativamente, mas o o ponto principal que é é que essa comparação geralmente ela é muito nociva emocionalmente. Uma coisa eu acompanhar o o seu o seu canal e ver uma dica de viagem, uma comida gostosa e tal, né? Uhum. como você mencionou, achei muito interessante. Outra coisa, eu falei: "Poxa, eu deveria estar lá. Poxa, minha vida é uma porcaria. Que vida horrorosa que eu estou tendo." Mas aí depende do influenciador ou de quem tá recebendo a mensagem? Ó, na psicologia a gente utiliza muito essa palavra depende. [risadas] Sempre sempre a palavra depende. Mas eh eu observo que há muita simbiose aí, há uma retroalimentação, porque geralmente quando há uma uma proposta de um de um conteúdo inteligente, de um conteúdo leve, geralmente pessoas que estão inclinadas para esse tipo de formação vão assistir. E geralmente quando a mensagem ela é ruim, ela é uma uma coisa que faz mal para saúde emocional, geralmente pessoas susceptíveis, vulneráveis emocionalmente vão se alimentar desse tipo de canal. Então acontece muitas vezes essa retroalimentação que é muito injusta. Sentindo? Tá? Então eu quando eu estou mal psicologicamente, emocionalmente, quando eu estou rolando infinitamente ali no meu feed, não sei se tá certo esse no meu feed ali, eu vou estar eh consumindo coisas muito ruins. Uhum. Sim. Mas e aí? Qualquer pessoa consegue criar conteúdo, mas qualquer pessoa consegue ter influência? Que pergunta. Eu acredito que, infelizmente, qualquer pessoa consegue ter influência. Entendi. Infelizmente, por nós vivemos em uma sociedade adoecida mentalmente e essa esse adoecimento perpassa, atravessa contextos sociais, políticos, culturais, né? E e geralmente ocorre essa retroalimentação. Eu utilizei esse termo e eu tô repetindo. Quando eu estou mal emocionalmente, eu estou vulnerável. E o algoritmo, tem esse detalhe do algoritmo, né, que a gente não que não tocou. Geralmente o algoritmo estuda esse meu comportamento e ele vai jogando aquilo ali para mim, sugerindo dentro daquela linha que eu já pesquisei alguma coisa. Exatamente. Então, por exemplo, vai ser muito difícil o algoritmo, se eu estou e consumindo pornografia, por exemplo, eh enviar eh pro pro meu feed um conteúdo eh cultural, uma exposição no MASP, por exemplo, vai ser praticamente impossível. Sim. Certo? Então, há essa retroalimentação, os algoritmos e aqui há um debate não somente no Brasil, mas em muitos países do mundo. Por exemplo, a Austrália, a Inglaterra já tem leis muito rígidas. E eu concordo plenamente disso, de limitar redes sociais para crianças e adolescentes. Inclusive, não é limitar. Esses países inclusive estão proibindo, né? E aqui é uma uma dica pros nossos políticos que estão assistindo aqui essa nossa esse esse nosso programa, porque realmente é um é uma questão de saúde pública, sim. Tá? Eh, então é muito importante a gente pensar, refletir e entender. Inclusive tem eh o parlamento norte-americano, eu tô acompanhando isso, eles estão eh uma das propostas é acabar com essa rolagem infinita de Feed. Uhum. Olha. E isso seria ótimo, porque ali é dopamina liberada pro cérebro constantemente e e essa e esse esse estímulo gera compulsão. Então tem pessoas que ficam 4, 5, 6, 7, 8 horas. O caso aqui da Laura, acordar 3 horas é porque o cérebro tá pedindo. Os mesmos efeitos neurobioquímicos que ocorrem no cérebro de uma pessoa dependente química é o que acontece numa pessoa dependente eh tecnológica, dependente de mídia. Tanto que somos chamados de usuários, né? Dizem isso, né? que esses dois mercados, né, tanto eh da dependência química quanto das redes sociais, nós somos tratados como usuários. Sim. E é um vício mesmo, né? A gente, eu achei muito interessante você falar sobre a produção industrial de adoecimento mental. Mas e aí para você que produz, já que a gente tá falando de adoecimento mental, tem um momento que você chega, Laura, e fala assim: "Eu eu vou comer hoje, eu vou no restaurante hoje, mas eu não quero postar nada, eu não quero mostrar nada". Você se dá esse luxo ou não. Você sempre, ai, não, preciso mostrar que eu tô aqui nesse restaurante aí, mesmo que não seja uma públ Ah, eu preciso mostrar que agora eu vou fazer tal coisa. Em que momento você se dá esse tempo ou não, você também acaba ficando um pouco refém disso? Eu acho que eu já fui muito mais refém, mas até por eu trabalhar com telas, né, como eu falei, quando eu não tô criando para mim, eu tô criando pros outros, eu necessito de tempos em tempos, eh, ou de uma pausa no dia, na semana, e às vezes até por meses eu dou uma sumida das redes sociais. Eu entendo que isso tudo é uma questão pros influenciadores, né? Se você sumir um tempo, seu engajamento diminui. Tem toda uma, aí tem aquela autocobrança, tem uma autocobrança. Mas a minha vida, embora eu trabalhe, né, com o celular, com as redes sociais, a minha vida tá para muito além disso. A minha saúde tá para muito além disso. Então, se eu sentir a necessidade de ficar um mês sem postar nada, eu vou ficar um mês sem postar nada, hein? Você já conseguiu? Já inclusive para eu conseguir terminar minha faculdade, eu deixei as redes sociais de lado, porque eu não conseguia estudar. Eu tava no ensino médio ainda, já criava conteúdo desde essa época, né? [roncando] e não tava conseguindo ensino médio. Falei para terminar a faculdade. É, tava na faculdade, precisava terminar a faculdade, tava nessa criação de conteúdo, precisei tomar uma decisão. Se eu não der um tempo agora, eu não consigo focar e terminar minha faculdade, que foi o meu sonho lá de trás. Hoje em dia tô com novos sonhos, mas aquele foi o meu sonho. Eu vou honrar com aquele compromisso que eu fiz comigo mesma quando eu consegui passar no vestibular, deixei a internet de lado, terminei minha faculdade e agora voltei para as redes sociais. Então eu percebo o quanto esse até a própria ação de parar de seguir algum influenciador que por mais que você goste, se você percebe que tá te fazendo mal em algum lugar, que em vez de você tá vivendo a vida que você quer viver, você tá vendo outra pessoa vivendo essa vida e se comparando e se cobrando, isso não te leva a lugar nenhum, sabe? você se perde você mesmo, você não sabe mais exatamente o que te faz feliz, onde você quer chegar, quais são suas metas. Então, mesmo trabalhando com isso, inclusive e eu e meu pai, às vezes a gente vai fazer alguma viagem, alguma coisa, almoçar em algum lugar e a gente fica assim, será que a gente entra em contato para fazer uma parceria ou a gente só vai almoçar? É tão gostoso almoçar sem precisar fazer story. É tão gostoso poder chegar, comer, não ter que gravar nada, se preocupar em editar o vídeo depois. Então eu valorizo muito também os momentos em que eu posso viver sem precisar tá gravando e depois ter que editar e compartilhar com as pessoas a nossa individualidade, né, gente? Esse bate-papo tá bom demais e a gente já tem participação do nosso telespectador pelo 1997829377. Vou pedir pra produção colocar quem é participa com a gente agora. É o Lucas Ribeiro do Jardim das Bandeiras. Hoje uma pessoa de Campinas pode produzir algo que chega ao Brasil inteiro. As sedes diminuíram a importância de estar nos grandes centros para conseguir visibilidade. Laura, com certeza, né? A gente é isso, né? Como a gente deu o exemplo mais cedo do meu pai, João Danica, né? que é um motoboy e ele começou a fazer vídeos falando da rotina dos motoboys. E hoje em dia no YouTube ele tem meio milhão, meio milhão de seguidores. No Facebook também tem quase 1 milhão. Motoboy. Então, nos últimos anos ele parou com as entregas, ele tá com 53 anos, né? Sempre dizia: "Até quando que eu vou conseguir ficar em cima da moto?" Era uma preocupação que ele tinha, né? Até quando eu vou conseguir fazer esse esquema de ficar subindo e descendo da moto e passar o dia inteiro fazendo entrega? sofreu diversos acidentes, né? A vida dos motoboys já era precarizada e tá cada vez pior, às vezes, parece, né? Uhum. E era uma preocupação que ele tinha. E ele do centro ali de Campinas com o celular na mão, começou a fazer os vídeos, alcançou um número enorme de motoboys que se identificavam com ele e hoje ele teve a oportunidade de parar de trabalhar com isso e poder viver da publicidade, da influência. Então sim, da onde você tiver, você não precisa mais estar no centro, na televisão, né, para você ser reconhecido como uma figura de sucesso, de influência. Você com o seu celular na sua casa, você pode já estar nesse centro. Sim. Mais uma pergunta do nosso telespectador. Quem participa com a gente agora, vamos pedir pra produção colocar aí no ar. Quem tá com a gente agora é a Renata Oliveira do Cambuí. Muita gente acha que depois de certa idade é tarde para começar algo novo. Ter mulheres 50 mais criando conteúdo para ajudar a mudar essa visão. Eu acho que ela quis dizer, né, que é importante. Fala um pouquinho para mim dessa mudança, inclusive da sua trajetória e dessa decisão e coragem justamente de vamos mudar essa visão. Eu quero me reinventar, eu não quero fazer nada do que eu fazia antes e vou seguir. Adriana. Oi, Renata, tudo bem? Olha, eu me reinventei com 52 anos e não foi a primeira vez na vida que eu me reinventei. Então, como a gente vive muito mais hoje, porque nós vivíamos, né, na época dos nossos avós e desavós, nós temos mais oportunidades de nos reinventarmos algumas vezes ao longo da vida. E e hoje realmente, né, quando você tem disponibilidade, coragem e vontade de fazer uma mudança e um telefone celular, como foi dito aqui, você pode fazer sim essa mudança, né? Agora, um uma frase que foi dita, que que chamou minha atenção foi assim: "Ah, não vou por algumas adolescentes, né? Não vou estudar, vou vou me tornar influência". Isso já mostra um pouco dessa dessa venda equivocada sobre o que é ser uma influencer, porque se você quer ter responsabilidade sobre o conteúdo, dá muito trabalho. Não é simplesmente ficar ali fazendo caretas e performando na frente do telefone, né? Se você quer impactar positivamente a vida de outras pessoas e e oferecer uma coisa de qualidade mesmo, né? levar, honrar, levar a sério isso como uma, como uma profissão, não é simples, né? Não é, eu vejo às vezes, eh, umas coisas pejorativas em cenas às vezes de filmes, de novelas, com influencer só fazendo eh caretas como se fosse isso que a gente faz o dia inteiro, né? E a Laura tá comigo aqui para dizer o quanto a gente trabalha para oferecer uma coisa de qualidade. Então, acho que a gente pode se reinventar a qualquer momento, mas tem que ser verdadeiro, tem que ser autêntico, tem que levar a sério e acho que nada que dá certo é fácil. É, a gente tá chegando já nos últimos minutos do nosso programa, tem uma última participação. Vamos ver quem vai falar com a gente agora. Olha, é o Ricardo Almeida do Chapadão. Ele diz o seguinte: "Quando vejo várias pessoas diferentes recomendando a mesma coisa, começo a achar que aquilo deve ser bom. Nosso cérebro pode confundir repetição com verdade?" Acho que o Cleiton pode dizer com certeza. Um abraço pro Ricardo, né? Esse bairro é maravilhoso no Chapadão. [risadas] Chapadão. Com certeza. Com certeza. Eh, e aí entra o contexto do algoritmo, né, dentro, pegando essa essa pergunta dentro desse recorte que nós estamos conversando. Sim, eh o algoritmo ele vai viciando você porque ele já descobriu uma via para despertar dopamina no teu cérebro. E ao despertar isso, isso gera uma emoção e uma emoção influencia eh tomadas de decisão. E tomadas de decisão gera comportamentos. Sim. E isso com certeza gera compulsão. E compulsão é o quê? É um é um ato, [roncando] é um uma é um adoecimento em que você não consegue mais se controlar. Então aqui entra o ponto importante, até que ponto é entretenimento e OK, entretenimento é importante, a gente dá uma relaxada. Eu mesmo de vez em quando gosto de assistir alguns influenciadores ali com algumas piadinhas ali, eu dou umas risadas, eu adoro, curto, curto. Mas até que ponto e e isso vai me dar ali uma boa risada? Até que ponto isso vai tirar o meu tempo para uma leitura? Até que ponto isso vai tirar meu tempo para eu namorar? Até que ponto isso vai tirar meu tempo para eu eh fazer uma caminhada? Até que ponto não pode substituir. Exato. E o que acontece que na compulsão substitui. Entendi. Você substitui comportamentos saudáveis por um comportamento muito, mas muito prejudicial para saúde ficar o dia inteiro, horas e horas intermináveis, sentado ou deitado na cama, rolando vídeos intermináveis. Isso realmente é uma repetição que é claramente uma compulsão. Aí que entra então, meninas, a responsabilidade dos influenciadores. Até porque nesse contexto, o que que vocês percebem? que as pessoas querem alguém que fale alguma coisa que ela precisa ouvir, de alguém que ela acaba se sentindo meio amigo ou amiga daquela pessoa. E nesse contexto, uma última pergunta, vocês já chegaram inclusive a negar algum trabalho justamente porque ele não ia ao encontro daquilo que vocês acreditam, Laura? É claro, quando a gente fala aqui sobre o perigo do algoritmo, né, que te vicia, a gente também tem nas redes sociais o neuromarketing comendo o cérebro de todo mundo nesse lugar de como cada propaganda, cada patrocinado que aparece para você é pensado para te gerar algum sentimento de necessidade, comparação, eh escassez, né? todas essas questões eh que as empresas querem também para se promover e quem vai promover dentro do mundo das redes sociais são os influenciadores. Então, quando uma empresa chega em você com uma proposta muito bem desenhada, é importante que o influenciador tenha o senso crítico de olhar para aquilo e pensar qual a responsabilidade que eu tenho com os meus seguidores. Exato. Essas pessoas confiam em mim. Se acontecer um problema, eu posso só me tirar da jogada, falar: "Ah, não, resolve você com a empresa". Eu não posso fazer isso. Eu tô colocando a minha imagem, a minha voz, até por isso que às vezes é um mercado que pode ser até um pouco caro assim, né? Às vezes as empresas querem fechar trabalhos eh com permuta, com troca ali de produto e tudo mais, mas não, eu tô vendendo a minha imagem paraa sua empresa, a minha imagem, a minha voz, a minha responsabilidade com os meus seguidores. Então eu eu já fui divulgar uma vez uma uma hospedagem que quando eu cheguei lá, a hospedagem estava caindo aos pedaços. E por mais que eu pensasse, né, assim, tipo, como que eu vou dizer para ele de uma forma amigável que a hospedagem dele tá incabível de eu falar pros meus seguidores: "Venham para cá, vocês vão passar dias incríveis aqui". porque tava péssimo. Então, eh, desde coisas menores assim até grandes empresas que eu tomo muito cuidado para pelo que para o que eu vou falar pros meus seguidores, pro que eu vou indicar, porque ninguém merece passar por isso, né? Quando você ouve ali pela repetição falando que é bom, que vai ser tudo de bom e aí quando você chega lá, não é aquilo. Eu não posso, como influenciadora, me isentar dessa responsabilidade. E para você, Adriana, como que é essa questão dessa proximidade? da amiga, de quem você influencia e o produto que você muitas vezes passa a divulgar. Eu concordo com tudo que a Laura falou, né? Acho que é uma grande responsabilidade com quem nos acompanha, mas também é uma grande responsabilidade com a nossa verdade, né? Porque quando você passa por cima dos seus valores, você vai se modificando, isso não vai dar certo, né? não vai dar certo no curto prazo, talvez, mas assim, não vai dar certo no médio prazo, nem no longo prazo, porque você tá ferindo o que você acredita e isso acaba transbordando, né? Eu também já já neguei o trabalho, não porque o produto era de má qualidade, mas porque a forma como me foi proposta de de levar o produto até até os meus seguidores era uma forma como se o produto fosse um milagre, né? E e não, obviamente não é bem assim. Então eu tive que dizer se não, porque não, eu percebi que eu não gostaria de de comprar aquele produto e não ter o resultado tão maravilhoso que estava sendo oferecido. E acho importante a gente falar a verdade, porque é aquilo que eu disse, né, o o a fama é o alcance, mas assim, a influência é o impacto real que você gera, né? E aí, se você eh não condiz com com que você vende uma coisa que não condiz com que você acredita, eh você vai ser desmascarado hoje ou amanhã, né? Olha, gente, com tudo isso, a gente ficaria mais uma hora aqui, com certeza. Mas, infelizmente, nosso tempo tá acabando. Eu agradeço a participação de todos e até uma próxima oportunidade. Adriana, que tá conectada com a gente direto lá de São Paulo, né? a Laura que está aqui conosco, Cleiton também. E eu acho que a gente pode colocar essa questão que influenciar deixou de ser exclusividade das celebridades. Qualquer pessoa pode criar uma audiência, mas olha [música] só, audiência não é necessariamente influência que envolve, como eles colocaram aqui, [música] confiança, identificação, credibilidade, capacidade de mobilizar comportamentos. [música] E quando essa influência vira trabalho, surgem aí novas oportunidades, mas também novas responsabilidades e desafios. No fim, talvez a pergunta não seja apenas se influenciador digital é uma profissão, mas a pergunta seja que tipo de profissão queremos construir quando também o produto somos nós mesmos. E assim nós encerramos o estúdio Câmara de hoje convidando você para estar com a gente amanhã, porque nós vamos falar sobre comunidades formadas na internet em torno de interesses como música, esportes, livros, jogos, hobbies ou estilos de vida e como isso estão criando encontros e amizades no mundo presencial. É aí [música] encontrar uma tribo social, como grupos da internet estão levando as pessoas para fora das telas. Então eu espero você amanhã 8 horas da manhã. Tenha um bom dia e até [música] mais. [música] เฮ [música] [música] [música]
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