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ajudar no entendimento daquela paciente. A seguir, TV Câmara ao vivo. Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando mais uma edição do estúdio Câmara no ar. Hoje é terça-feira, dia 4 de agosto. Vamos falar sobre a recompensa do cansaço. A gente vive em uma época que estar ocupado virou motivo de orgulho, né? Muitas pessoas acordam cansadas, passam o dia correndo, resolvem uma tarefa atrás da outra e mesmo assim terminam a noite com a sensação de que não fizeram nada. É, fomos ensinados que descansar é uma recompensa para quem produz bastante, quando na verdade o descanso é uma necessidade física, mental e emocional. E quando ele não acontece, o cérebro procura outras formas de compensação. A comida, as compras, as redes sociais e outras recompensas rápidas podem se tornarem em tentativas de aliviar uma exaustão que continua presente. Será que estamos realmente cansados ou estamos presos a uma cultura que nos faz acreditar que nosso valor depende do quanto produzimos? Interessante, não é? Participe com a gente desta conversa. WhatsApp na tela para você. Queremos te ouvir. Vamos lá. 1997829377. Conta pra gente, você consegue descansar sem sentir culpa ou alguma vez você já eh sentiu a necessidade de descansar, mas para compensar aí todo esse cansaço, além de descansar, você inseriu algo no seu descanso? De repente sair para as compras, de repente até uma comida, né, que te traga um conforto, uma sensação gostosa. Conta pra gente. Vamos conversar sobre a recompensa do cansaço. WhatsApp na tela. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. As nossas convidadas já estão no estúdio. Daqui a pouquinho vamos apresentá-las, mas agora vamos à atualização de informações e já já à previsão do tempo. Olha só, gente, os vereadores eh de Campinas aprovaram em segunda discussão o substitutivo ao projeto de lei 31 de 2025 do vereador Herbert Ganém, que altera a lei 15.449 1449 de 2017 para proibir a reprodução de cães e gatos com risco comprovado de transmissão de doenças hereditárias ou de prejuízos à saúde da PROL. A constatação deverá ser feita por laudo de médico veterinário escrito no CM CRMV, perdão. O texto prevê multa de 100 a 3.800 unidades fiscais de Campinas, apreensão dos animais em situações de risco e também para as pessoas jurídicas tem a cassação da inscrição municipal e do alvará com multa em dobro em caso de reincidência, tá? Na mesma sessão que foi ontem, também foi aprovada em primeira discussão o substitutivo do projeto de lei 194 de 2025, que impede a investidura em cargo, emprego ou função pública de pessoas condenadas por maus tratos animais, tá? A informação completa da reunião ordinária que aconteceu ontem você confere no Câmara Notícia ao meio-dia com Gabriel Castro. Mais informação chegando e agora vamos falar de saúde. Gente, olha, a Secretaria de Saúde de Campinas passou a oferecer desde ontem, segunda-feira, a segunda dose de reforço da vacina inativa contra a poliomelite para crianças de 4 anos. A medida segue orientação do Ministério da Saúde e amplia a proteção contra a doença. Também poderão eh atualizar o esquema vacinal de forma excepcional crianças de 5 a 6 anos que ainda não completaram a vacinação. A imunização é realizada nos centros de saúde, sem a necessidade de agendamento. A inclusão da nova dose ocorre durante a campanha de mulivacinação, que segue até o dia 1o de setembro para crianças e adolescentes de até 14 anos. Não é preciso agendar para vacinar contrapólio nas unidades básicas, tá? Então basta comparecer no centro de saúde mais próximo da sua casa, com o documento de identidade com foto, né? E a carteira de vacinação, se houver. As salas de vacina funcionam conforme o horário de cada unidade. Endereços contatos estão no site vacina.campinas.sp.gov.br. Previsão do tempo chegando agora. Vamos ver como é que fica o tempo para hoje aqui na metrópole. Olha só, o tempo tá meio diferentão, né? é meio carrancudo, mas ó, a previsão diz que nós teremos sim um dia nublado, é um sol com muitas nuvens, mas nada de chuva, não. A mínima de 14, a máxima de 26º. Então, que nós podemos fazer dessa terça-feira um ótimo dia e lembrando sempre de se hidratar, né? Enche a sua garrafinha e bora que bora produzir nesta terça-feira maravilhosa. Agora a gente volta ao tema central do nosso programa. A gente fala sobre a recompensa do cansaço, porque durante muito tempo a gente aprendeu que descansar era uma recompensa reservada para quem trabalha bastante ou trabalhou bastante. Mas é importante entender, gente, que descanso não é prêmio, é uma necessidade biológica, mental e emocional. Ao mesmo tempo, cresce também o número de pessoas que vivem permanentemente cansadas, sobrecarregadas e com dificuldade de desacelerar. Em muitos casos, a exaustão deixa de ser apenas uma consequência da rotina e passa a fazer parte da identidade das pessoas, como se estar cansado fosse uma prova de competência, dedicação ou importância. Quando isso acontece, o cérebro passa a buscar uma forma rápida de alívio, comida. compras, redes sociais, séries, álcool e outras recompensas imediatas que podem funcionar como tentativas de compensar uma exaustão que continua presente. Então, hoje a gente precisa falar sobre o ciclo do cansaço, a cultura da produtividade e os impactos dessa exaustão na nossa saúde mental. É por isso que nós temos hoje duas psicólogas especialistas que vão nos explicar e conversar com a gente sobre esse assunto. Então, vamos dar as boas-vindas à psicóloga e psicanalista Natasha. Seja muito bem-vinda, Natasha. Bom dia. Obrigada pela sua participação. Bom dia. Obrigada, né? Um prazer estar aqui com vocês. Prazer é todo nosso. E com a gente também a psicóloga e psicoterapeuta integrativa sistêmica, a Tatiana Moreno. Tati, seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada. Bom dia. Um prazer estar aqui com vocês. Muito bem, gente. Prazer é todo nosso e você aí de casa também. Uma satisfação ter você aí do outro lado. Vamos conversar sobre a recompensa do cansaço. Então, a gente já começa com a Natasha perguntando, Natasha, eh, o que que a psicologia traz pra gente eh referente às pessoas que sentem que nunca descansam de verdade? Por que que a gente, algumas pessoas sentem que sempre estão cansadas? Isso realmente é reação do nosso corpo ou faz parte de algum desequilíbrio da nossa cabecinha? Então, eh, eu particularmente entendo, né, que essa relação com o cansaço, ela diz muito de um movimento que a gente tem apresentado, de um desaprender a descansar. Uhum. Né? a gente vive numa lógica, né, que ela não é dissociada do meio social onde a gente tá inserido. Então, não dá para falar do desaprender a descansar sem pensar numa lógica de alta produtividade que a gente tá inscrito no meio social. Então, a gente naturalizou o viver cansado, naturalizou a exaustão, como se fosse um mérito pessoal, né? Assim, em qual contexto a gente tá inscrito, em que as pessoas não se queixam ou não falam como se fosse a coisa mais natural possível? Tô cansada, não aguento mais. Hoje eu não parei um minuto, nossa, eu esqueci de almoçar, eu esqueci de jantar. Então, é como se fizesse parte do nosso cotidiano o não descanso. E e acho que, como foi colocado aqui, eh o descanso ele além de uma necessidade, uma necessidade, ele é um direito, né? Ele é um direito que é necessário, inclusive, né? Tanto pra questão biológica, né? Então, a gente tem um ciclo circadiano no qual a gente precisa dormir, acordar, fazer as nossas atividades. O nosso corpo tem as suas demandas e o descanso ele entra como um adicional. E quando, né, se faz essa pergunta, como é que a gente desaprendeu a descansar? Sim, né? Então é quase que algo sistêmico, né? Então, ah, é como se mesmo no tempo vazio, a gente tende a ocupá-lo, né? Então, como pelas, eh, mídias sociais, né? Então, a gente sempre se mantém ativo, sempre com atenção. Então, é como se a gente não pudesse fazer o rompimento, a ruptura com a produtividade, né? Muito bem, muito bem explicado e faz todo sentido. Tenho certeza que você aí se identificou em algum momento, né, com a fala da nossa psicóloga. Agora eu faço pra Tatiana e pergunto para você, Tati, o que que na sua avaliação o que mudou no nosso estilo de vida ou no estilo de vida moderno, né, para que o cansaço se tornasse tão comum, porque a gente desaprendeu a eh descansar e a gente romantiza o cansaço. Então, é algo natural. É, é igual a fala da Natasha. Nossa, hoje eu esqueci de almoçar, não deu tempo para nada, eu preciso de mais 24 horas, o meu dia tá muito curto, então é uma romantização do cansaço. Por que que é tão comum na sua avaliação? Eu não diria que é uma romantização do cansaço, mas é uma justificativa plausível para que eu possa descansar. Então, ao longo do tempo, quando você olha paraa história, paraa perspectiva cultural, comportamental, nós nos regulamos socialmente um com o outro. E o que que nós percebemos? Que houve uma mudança da leitura do tempo. Antes era o corpo era dentro que nos regulava. Então, eu tava na agricultura usando o corpo, eu sentia a luz solar, eu sentia o o desejo de tomar água, eu me cansava as estações e isso passou a ser ponderado pelo relógio. Então, o ritmo não é mais ditado pelo nosso próprio corpo, pela nossa própria leitura, mas sim por algo que está externo. E aí as famílias foram se adaptando a isso ao passar das gerações. Então nós tivemos lá os baby boomers que foram, né, o sacrifício pelo futuro, eh, em que eu possa descansar, em que eu possa ter uma casa, em que eu possa ter algo. Qual a leitura dessas crianças que conviveram com pessoas que se sacrificavam tanto e que o e o e o descanso não era possível? E aí foram vindo, né, geração X, o trabalho também era muito importante, a ausência em casa. Então, qual a leitura cultural, né, dessas pessoas? O que eu aprendi a respeito de cansaço e descanso com os meus pais? O que é permitido? Então, hoje na clínica a gente vê muito essa questão da produtividade dentro da própria família, não é exclusivo ao ambiente de trabalho. Hoje eu faço a leitura do burnout como algo cultural e não como algo clínico voltado somente pro estado de produtividade dentro dos contextos de trabalhos. Porque dentro de casa, uma das maiores feridas infantis que eu faço um trabalho muito forte com a criança interior é justamente a busca pela adaptação, né, pela obediência. Você só é bom se você faz. É o amor pela troca, pela condição, né? E a criança, ela fica viciada em produzir. E também tem o contexto histórico cultural da entrada da tecnologia. né? A ausência dos pais, da mãe, que teve uma jornada dupla de trabalho, e isso é muito comum, né? Então, a economia já colapsando, não dava conta financeiramente de um só pai, né, trazer o sustento. A mãe foi pro mercado de trabalho, não é nada contra isso, né? Mas essa ausência, né, eh, a presença que regula a criança, que deixa segurança na criança, já não estava. E essa mãe, ela não deixa a carga horária dela, né? Uhum. Ela é 21 horas. 4, se eu não me engano, a pesquisa encontra os homens, 11 horas de trabalho. Então, mesmo estando em casa, ela se torna ausente e aí entra os mimos e aí entra a tecnologia e aí entra a exaustão infantil com o número de de estímulos. É judô, é natação, é inglês para preencher algo que só nós poderíamos ter dado. Uau! Muito bom. Olha só, então estar ocupado deixa de ser apenas uma condição de rotina e passa a ser para muita gente um símbolo de competência e sucesso. E aí quando eh a Tati traz pra gente essa questão das crianças, né? Eh, às vezes a gente nem percebe, a gente tá inserindo as crianças nessa rotina do cansaço, porque a criança levanta, ela vai paraa escola, depois ela volta, aí ela vai paraa natação, vai pro inglês, vai pro judô, vai pro balé, quando vê já é à noite, tem que ir para casa e aí já tem que fazer a tarefa e tá de noite, essa criança tá cansada e dorme em cima dos cadernos muitas das vezes, no outro dia levanta cedo, analisa, né, o que que nós estamos fazendo. é uma cultura que a gente traz, né, lá lá de longa data e que hoje a gente começa a analisar ela de uma outra forma porque ã tá todo mundo cansado e às vezes a gente nem se dá conta que a gente precisa parar para descansar, porque fomos ensinados, né, a os nossos avós ensinaram os nossos pais que nos ensinaram e nós estamos inserindo isso na rotina dos nossos pequenos de uma forma que às vezes nem percebemos inserindo atividades no dia a dia dessa criança para deixar a criança ocupada, porque também nós estamos ocupados. Tá vendo só como o ciclo ele vai, né, se repetindo? a gente precisa parar para analisar sobre essa questão da recompensa do cansaço, dessa rotina cansativa que a gente acaba levando. Agora, quando essa produtividade Natasha, ela deixa de ser uma escolha e passa a definir quem somos, você acha que eh você avalia que nós já chegamos nesse patamar, essa produtividade ela deixou de de ela já nos define? Sim, com certeza, né? Hoje a gente tem discutido cada vez mais a ideia de um processo subjetivo, né, no qual as pessoas eh elas se colocam como sujeitos eh sujeitos laborais, né? Tem até autores que denominam dessa forma sujeitos que se constituem enquanto processo identitário a partir da lógica da produtividade. São muitas as discussões feitas a partir desse pressuposto, né? tem um eh dois autores que eu gosto bastante, que são Dardó e Laval, né, que eles têm um livro chamado A Nova Razão do Mundo, que eles discutem eh inclusive num capítulo desse livro, eles nomeiam como sujeitos neoliberais, né, como uma forma da gente se enxergar. É um sujeito que ele faz a gestão de si. Então, hoje a gente não precisa mais necessariamente de um chefe que diga as horas que a gente vai trabalhar, o momento que a gente vai trabalhar, porque a gente mesmo impõe, né, coloca esses imperativos da produção. Então, a gente coloca como nós precisamos entregar, não preciso mais ter uma pessoa na nossa cabeça o tempo todo cobrando. A gente faz isso por nós mesmos, né, nesse imperativo da exigência, da competitividade, né, do desempenho constante. Então isso entra como uma forma de ser, né? Isso é, não digo que é uma captura da subjetividade, né? Porque a subjetividade não pode ser capturada, mas é uma transformação de quem nós somos e somos, né? Então a gente vê esse processo, acho que pegando um pouco da fala da Tati, então desde criança a gente começa a perceber as patologias da tensão, né? Então, as crianças apresentam cada vez mais diagnósticos de TDAH, por exemplo. Então, são crianças e adolescentes que não conseguem mais ter manter a atenção na vida. São tantos estímulos que desde cedo, como colocado aqui pela pela colega, isso é colocado como uma demanda, uma forma de ser no mundo, uma forma de ser, uma forma de agir, uma forma de pensar, uma forma de se relacionar. E aí a gente vê as pessoas tendo muitas dificuldades de se encontrar, por exemplo, né? Então, a gente vive uma sociedade hoje que se relaciona muito menos porque se relacionar com o outro, o Né é cansativo, eu tô cansada, eu tenho coisa para fazer, ah, eu não vou sair para um barzinho na quinta-feira porque amanhã é o trabalho, então eu não vou, vai, vai me cansar, vai me prejudicar no trabalho, eu não vou sair para paquerar porque isso daí eu tô cansado para isso. Inclusive, a gente tem vivido uma redução da vida sexual, né? Então, a gente tem evisto pessoas e casais e pessoas no ciclo social, pessoas jovens, tendo cada vez menos relação sexual, porque para ter relação sexual a gente precisa parar, né? Não é focar no outro, é encontrar o outro, né? Então a gente vê esse modo de ser que opera tanto as relações de trabalho, mas também as nossas relações e os laços sociais, né? Perfeito. Perfeito. Agora, e por que, eh, Tati? tá tio na nossa psicóloga. Por que que a gente sente tanta culpa quando a gente não tá produzindo? Porque o que a Natasha trouxe é que, né, você vê as pessoas tem cansaço, ela tem e eh não é não é, eu já ouvi gente falar que tem preguiça de se relacionar, né? Então, mais ou menos, explica o que você trouxe pra gente, porque você precisa eh de de estar vulnerável, de de estar ali presente em um momento e isso vai honerar o seu tempo, né? E o tempo tá muito precioso. E aí a gente sente culpa quando a gente não produz. Por quê? Porque, poxa, eu deveria estar produzindo, mas não, eu vou sair para um almoço com a colega. Não, não posso. Eu preciso produzir, eu não posso parar. De onde vem essa culpa, Tatiana? Por que que a gente sente isso? Eu digo a gente porque eu sinto. Então, eu acredito que, ah, vamos colocar 80% das pessoas em algum momento, né, da sua semana, do seu mês, deve sentir alguma culpa por estar descansando ou estar eh tirando um cochilo, um passeio e não estar produzindo. Sim. E isso é extremamente real, né? Acontece e são várias camadas, tá? Então, eh, a gente olha desde essa criança, ela não aprende em casa o que a gente diz sobre isso. É importante descansar. Ela aprende o que ela vê, o que ela sente. Então, começa aí, passa pela perspectiva de pertencimento, né? Então, se o mundo todo tá fazendo, então eu me valido através daquilo. Eu preciso pertencer. Então, se hoje virou luxo você estar cansado, virou status você estar cansado e falar: "Olha, quanta coisa, quanta tarefa eu tenho para fazer", para pertencer você faz aquilo. E tem coisas mais fortes, né? As lealdades invisíveis. Então, se eu tive pais que tiveram que ralar, que trabalhar muito para me dar o que eu tenho hoje, eu fico com alerta interno, um termômetro interno o tempo todo. Se eu fizer o contrário, o que eu vou estar sendo? Então eu estou indo contra aquela perspectiva, eu estou traindo quem teve que trabalhar muito. Então são são questões muito inconscientes, mas eu tenho essa voz interna o tempo todo tomando decisões inconscientes. E eu tô muito ativado porque isso gera uma ansiedade muito grande. Essa questão de estar sendo monitorado. Filha, você já fez a tarefa? Filha, você já fez isso? você já fez aquilo, você já terminou aquilo, então você tá constantemente ativado. Então a questão da recompensa, né, eh, do cansaço não é o descanso, é a permissão. Será que eu me permito descansar? Ou há algo dentro de mim que diz é preguiça, não faz parte, não tem não tem lugar na sua vida. Mas o corpo necessita. A vida é feita de ativação, pausa, descanso. Olha o nosso corpo, a gente necessita dormir, né? Então assim, olha, uma plantação, ela é, você planta semente, existe um tempo para colheita, então os estados naturais eh seria o ponto que a gente deveria se balizar, mas a gente não consegue. Então eu diria que o ponto é a permissão. Então se eu não tenho permissão, eu sinto culpa. E a justificativa legítima é estar fazendo alguma coisa que o pseudo descanso, só que não, né? que é ali uma comida, um comfort food, rolar a tela, maratonar séries, mas eu continuo com o meu sistema nervoso ativado. Eu não descanso, eu não tô segura, porque eu não eh regulo o meu sistema, o vagal ventral, que é de conexão pura, real, que é um sono profundo, reparador, né, com uma alimentação saudável. Muito bom. Agora completa pra gente, Natasha, o que que acontece com a nossa capacidade de tomada de decisões quando a gente tá nesse ciclo vicioso de não descansar. A gente tá exausto, mas a gente tá acostumado com isso, né? Com essa exaustão. Muito bem. E aí, como é que fica a nossa nosso processo de tomada de decisões? Ele é afetado? Tem algum impacto? Então, eh, acredito que a gente vê muito presentificado na clínica, por exemplo, a gente que tá nesse lugar, né, de atender muitas pessoas, principalmente dois extremos assim, né, aquela pessoa que entra num estado de muita agitação. Uhum. né? então que entra, né, nesse lugar de um movimento exacerbado que aponta, né, claramente pro excesso. Então, o excesso do cansaço, o excesso do trabalho, o são excessos, né? Então, é aquela pessoa que tá sempre em agitação, né, que a gente caminha mais para esse lugar do que se entende aí pela ansiedade num outro extremo, né, não que a gente tá categorizando pessoas, né, mas pensando de uma forma eh a gente vê a paralisação também, o congelamento, né? Então, aqueles que frente a tantas demandas chega um momento que paralisa, não sabe mais o que fazer. com tanta angústia, né? Porque a angústia ela é um sentimento, ela é um afeto motriz, né? E a partir da angústia se desdobra, né? Para um algo mais ansioso, a frustração, a sensação de insatisfação e incapacidade, porque por mais que se faça, parece que nunca chega lá. Eu faço, faço, faço, faço, dou, dou, dou, dou. E para quê? A custo de que eu faço tudo isso? Então, é como se a gente vivesse para chegar num lugar e não como se a vida ocorresse na travessia, né? Então é uma constante sensação de frustração, porque é uma energia como se a gente tivesse constantemente correndo em uma esteira. Corre, corre, corre, corre, usa, usa dessa energia, mas não chega em lugar nenhum aparentemente, né? Ou o resultado que isso traz parece ínfimo, perto de todo o esforço que se tem. Então é um desgaste, é físico, um desgaste mental, é a sensação de um consumo das energias vitais, né? É uma sensação que eu dei tudo, eu não tenho mais para dar. Então por isso que entra ou essa agitação, porque entra o excesso como uma forma de evitação do vazio, né? Tem até uma autora, Maria Rita Kel, que ela diz assim: "Eh, o tempo vazio ele é um escândalo no nos tempos de hoje. É como se a gente não pudesse suportar o vazio. E é justamente o vazio que permite a gente entrar em contato com o nosso desejo, né? que tira a gente daquele lugar, das listinhas do Porque mesmo quando a gente supostamente tá descansando, voltando aquela pergunta inicial, porque que a gente não consegue descansar, é como se a gente tivesse nas listas mentais. Então, pera lá, eu tô aqui, eu tô deitada no sofá, aparentemente descansando, mas eu tô pensando, ah, amanhã eu tenho que entregar aquele relatório, as crianças têm que ir pra escola e depois tem aquela lição de casa, aí depois eu tenho que, nossa, eu tenho que fazer academia, aí eu tenho, ah, eu não tô conseguindo, eu engordei, eu emagreci. Então é como se tivesse sempre fazendo esse processo de cobranças, né? Então entra aí nessa forma de de não conseguir sair do lugar essa sensação, né, de impotência frente à própria vida. E eu digo até mais, isso produz um cansaço, não só da vida, mas um cansaço de si mesmo. Uhum. Né? A gente se cansa de si. super explicativo. Dá pra gente entender e se identificar eh na fala, né, da Natasha, tanto da Natasha quanto da Tatiana. Agora, o que que o nosso corpo pede, Tati? Eh, quando a gente procura essas recompensas, a gente acha que é recompensa, né? Vamos lá, um dia exaustivo, ah, eu mereço uma pizza. Um dia exaustivo. Ah, eu mereço ir pro bar com os meus amigos e, né, tomar alguma coisa para relaxar. um dia exaustivo. Ah, hoje no fim da tarde eu vou pro shopping, vou fazer uma compra, porque eu mereço esse merecimento. De onde vem essa essa essa vontade de eh comprar, comer, eh fazer alguma coisa para que de repente eu sinta que isso para mim é recompensador por conta que eu trabalhei o dia todo e eu estou merecendo. O que que acontece? Por que que a gente vai para esse lado? Eu creio que a gente se autossabota, sabe? pegando um pouco do gancho da colega eh Natasha, né? E falando um pouquinho, né, sobre a tomada de decisão, por que que não é possível ter clareza? Porque a gente não tá com neocórtex livre, seguro, claro, para tomar decisões, tá sobrecarregado, né? Então assim, é difícil você ter clareza e aí você acaba eh delegando pro que tá fora. Lembra da questão do relógio? Sim. Dear o seu ritmo, ditar a sua condição. Então fica mais fácil ali se algo fácil, rápido, que me gera dopamina. Então lembra, o ser humano, ele foge da dor e busca prazer rápido, né? E essa condição faz com que eu busque atalhos fáceis, né, que me anestesem. Essa eu acho que é a grande questão. Eu eu eu fujo dessa questão de de ficar comigo mesmo, de ficar no vazio, no silêncio, porque isso socialmente nem é aceitável. Então veja, eu tenho esse reforço, né? Se eu ficar, mas o que que a gente deveria buscar, né? Ao invés de coisas fáceis, atalhos rápidos e e não é que a tecnologia ou a bebida ou álcool, as drogas, elas fazem isso propositalmente. Elas dão o que a gente busca e eles lucram com isso. Exato. Então, só que a gente busca esses atalhos. É mais fácil eu me deitar ali na caixinha do nada e ficar pseudo descansando, só que não, né? Do que eu fazer, por exemplo, parar e fazer um exercício de respiração, de fechar as caixinhas que foram abertas, as listas de tarefas durante o dia, né? Então, está feito. Agora eu estou aqui, eu estou presente com o meu corpo, eu tenho filhos, eu vou passar um tempo de qualidade olhando pros olhos dos meus filhos, né? Então isso dá trabalho, isso requer uma pausa, requer consciência e nós nunca estamos presentes em nós mesmos. Nós tomamos banho, lavamos louça, comemos pensando em outras coisas. Verdade. A gente não para, respira e saboreia o alimento e mastiga e percebe essa mastigação, né? A gente não toma banho sentindo o contato da água com a pele, a temperatura. é aquela coisa assim, a preciso fazer, preciso terminar, então a gente precisa fechar momentos, né? Fez um uma lista de tarefa, OK, faz parte a produtividade também, né? Não é eh os o mal do século, não é isso, mas está feito. OK, agora eu mereço um descanso. Pequenas pausas de 30 segundos, uma respiração profunda, né? Então eu puxo em quatro, seguro dois, solto pelo dobro do tempo, solto em 8 segundos, me conecto comigo, com o meu coração, com o movimento da respiração, né? Então são pequenas coisas, mas que dão trabalho porque eu preciso voltar para mim, eu preciso estar presente em mim mesmo. E nós estamos o tempo todo fugindo do silêncio, fugindo das coisas que merecem, né, essa atenção. Impressionante quando, perdão, gente, quando você fala, eu fico imaginando e eu me vejo, né? Ã, a gente vai descansar. Vamos lá. Domingo à tarde você, né, todos os afazeres estão OK, você precisa descansar porque você vai, né, trabalhar na semana que vem, então o seu checklist já tá pronto, tudo. Aí você deita, você nem percebe que você respira porque tá no automático, né? Aí você liga a televisão, mas aí você também pega o celular e aí você tá ouvindo a TV, você tá rolando o celular, você tá recebendo estímulos e você acha que você tá descansando e aí você tem dificuldade para dormir, você não consegue dormir bem ou então você apaga, você não dorme, você apaga, é diferente. E aí você levanta para trabalhar, você acorda na segunda-feira, você fala assim: "Poxa vida, o fim de semana passou e eu não descansei nada. Estou mega cansado. Olha só como que nós estamos nos tratando, né? Essa questão de rolagem de tela e e essa atenção que a gente tem de eh dupla, tripla, né? A gente tá deitado, acha que tá descansando, tá no celular, tá na TV, isso compromete o nosso descanso, Natasha. Ah, com certeza, né? E isso não é à toa assim, né? Não é um acaso, né? que a as mídias sociais elas vêm nessa atenuante, né? Então, se a gente lembrar, né, o Instagram a uns, né, eu lembro isso em 2012, o Instagram ele tinha um formato completamente diferente, né, ele tinha fim, ele tinha fim. Hoje ele não tem fim, não. Então, e assim, você vê até o que você não procura. É, fala alguma coisa. Isso já tá vendo, né? Os algoritmos estão nos ouvindo agora. Exato. Então você vê até o que você não procura, né? Porque de alguma forma eh identifica-se, né, a partir dos algoritmos possíveis demandas suas, né? E aí acho que vem justamente essa sensação, né? Porque aí você tá olhando, sua vida tá lá cansada, esgotada, exausta, você se sentindo uma meia sola, como se diz, né? Sim. E e aí você entra no Instagram, no TikTok, vê alguém que tá viajando, fazendo um tour pela Europa, outra pessoa que parece que, né, eh, tá super em dia com a vida, tá fazendo academia, tá fazendo uma dieta. Então, assim, é uma hipervorização de uma vida idealizada ali dentro, né? É, é por quem fica apostando, né? Engraçado que nos na nas conversas corriqueiras do cotidiano a gente fala, né, dessa dessa sensação de esgotamento, mas em geral nas redes sociais isso não é apresentade. Né? A gente vê uma contradição muito marcada da vida real e dessa vida. É como se a as mídias sociais fossem ocupassem esse lugar de uma imaginário, né, de como eu deveria ser e aquilo que eu não sou, né? e vai marcando essa diferenciação do que eu poderia e do que eu não tenho, né? E vai trazendo essa sensação de um esvaziamento ainda maior dessa impotência, né, dessa falta de sentido, dessa eh desvalorização do que se tem, inclusive, né? Muito bem. Agora, como que a gente percebe, eh, Natasha, que a gente tá usando, né, eh, esses atalhos, a comida, compras, redes sociais como compensação, né, como recompensa do nosso cansaço, uma compensação emocional. Ah, em que momento que a gente pode acender um alerta, por exemplo, né, eh, na nossa dinâmica de vida, né? Todo dia eu preciso de uma compensação pelo meu descanso, né? Como é que eu consigo entender que isso já está passando do normal, se é que tem normal para isso, para algo que precisa ser eh visto e e orientado por especialistas? Uhum. Normalmente isso aparece muito forte nos discursos, assim como uma justificativa, né? A pessoa ela traz, por exemplo, ah, eu vou fazer, eu preciso de um docinho, né? Quem não precisa de um docinho, né? Então chega e é uma procura, normalmente isso vem, né? Não, não tô falando que é uma regra, mas isso aparece principalmente à noite, né? Então naquele momento que passa o dia e é como se a pessoa chegasse no contato, né, com com a situação de de esgotamento ali, ali ela sente, então ela busca, ela abre a geladeira, ela começa a caçar, abre armário. Quem nunca fez isso, né? Então você tá lá, abre o armário, ai não tem nada. Ah, minha geladeira, não sei. E e fica nessa busca. E às vezes tem, a gente nem quer aquilo que tem porque a gente quer mais, né? Exato, né? E aí procura o chocolate, procura e sempre assim, né? Igual a Tati falou, os comfort foods, eh, a isso, né? Ainda dentro de um escopo que vai trazer prejuízos, mas fora, né? O que a gente vem eh percebendo como um aumento do consumo de psicofármacos. Então, essa é outra questão muito importante, né? No meu doutorado agora eu tô estudando a questão, né, da relação de do saúde mental e trabalho, como e como os psicofármacos entram como uma saída, né, eh, atenuante de atenuar o sofrimento mental, porque é muito comum a gente receber na clínica, por exemplo, pessoas que se utilizam, precisam da medicação. Então, eu preciso de um hipnótico porque eu preciso desligar, eu não preciso descansar, eu preciso sair de mim, eu não aguento mais. Uhum. ou eh e hoje a gente tem no Brasil, o Brasil é o país com maior consumo de bensodiaepínicos per cápta, né? Então assim, nós vivemos num país de ansiosos e de que naturaliza o consumo, né, de de psicofármacos. Então, como a gente percebe? A gente percebe muitas vezes quando já tá numa situação devastadora, né? Quando a gente chega e fala assim: "Não aguento mais". Quando vem um paciente e fala: "Eu percebi que eu tomei uma medicação e a hora que eu vi eu tava dirigindo um carro e nem sabia, né, porque tava fazendo uso de hipnótico." Ou por exemplo, quando uma pessoa diz, né? Eu eu começo a a vomitar porque eu não aguento mais, eu comi em excesso, né? E a gente vê dessas tentativas, né, de uma supressão da falta, uma tentativa de amenizar a a falta do do descanso real, né? Não, esse fake com essa essas doses de pamaminégicas, né? Muito bem. E Tatiana, o nosso corpo, né? A gente percebeu com a fala da Natasha, eh, quando nós estamos passando do limite na questão da recompensa, né? a recompensa do nosso cansaço. Agora, o que que o corpo ele tá pedindo pra gente ou a mente também quando a gente procura essa recompensa? Ela ilustrou muito bem, né? Eh, no fim da tarde, no início da noite, você lá na olhando a geladeira, querendo alguma coisa, um comfort food, né? Você abrindo o armário, tem as coisas, de repente tem pipoca. Não, mas eu não quero pipoca, eu quero chocolate, né? De repente tem a pipoca, o chocolate, não, mas eu quero pizza. o que que o nosso corpo tá procurando, eh, o que que ele tá querendo quando ele busca essas recompensas? Legal, ótima pergunta. E só fechando aqui, né, a Natasha falou sobre os psicofármacos. Agora imagina a quantidade eles podem ser controlados, né, estatisticamente. Agora imagina os compostos, hormônios sintéticos como melatonina e tantas coisas que a gente nem sabe que vão nessas composições que as pessoas estão tomando. Sim. Agora vamos lá, né? Diante dessa circunstância, desse pedido de recompensa, são perguntas básicas. a gente precisa voltar para si mesmos, né? E a gente está desconectado, descolado, sempre olhando para fora. Pergunta básica é: Eu realmente estou com fome? O que o meu corpo precisa agora, né? Porque às vezes é sono. A criança mesmo, até ela aprender que o que ela tá sentindo é cansaço, é sono, o adulto tem que ajudá-la isso. Sim, porque ela começa: "Eu tô com fome, eu quero isso, eu quero uma fruta, eu quero salgadinho, eu quero." Então assim, mas não é sono, é cansaço. Então nós precisamos fazer essa higiene mental também, criar uma rotina. Então observar. Eu acho que o observador em nós deve ser fortalecido. É como se a gente olhasse de fora o que que tá acontecendo comigo aqui agora. Nossa, eu tô ansiosa, eu tô procurando alguma coisa para comer. Mas é isso que eu preciso? É o se questionar para que eu faço o que eu faço? Por que eu estou buscando isso agora? É fome, mas para isso precisa entrar em contato com o seu próprio corpo e observar. ou é sono, eu preciso de 20 minutos apenas fechar o olho e descansar, né? Então, exige esse esforço de observar de fora, né? O que que tá acontecendo comigo? É ansiedade, por que que eu tô buscando? É fome do quê? Uau! Entende? Porque essa busca insana nem sempre é fome. Uhum. Nem sempre é descanso, às vezes é realmente um sono e a gente precisa ter o entendimento, né, para sentir o que o nosso corpo está querendo nos dizer. E a gente não consegue esse entendimento porque estamos correndo, né? Correndo para onde? Correndo para que? Correndo por quê? Eu não sei, mas nós estamos numa corrida, né, incansável. E aí a gente busca recompensa por conta de um cansaço que às vezes a gente nem percebe, já tá no automático, né? Já é algo assim que, ah, não, tô cansada, vou ali comer uma pizza que já passo o cansaço, será, né? Precisamos de orientação. E é por isso que a gente traz eh duas pessoas que têm, né, a ciência para nos orientar referente a coisas do nosso cotidiano. Hoje a gente tá falando da recompensa do cansaço. Quem nunca? Eu acho que 90% das pessoas se identificam, né, com esse tema e a gente tá aqui para poder orientar vocês a partir das nossas convidadas. Eu quero agradecer já a sua companhia, a sua audiência, porque a produção tá me avisando que nós temos algumas perguntas, então vamos a elas. Claro que temos muito que falar ainda, mas você que tá aí do outro lado, tá participando com a gente, vamos eh responder você. Vamos ver quem é que tá falando conosco e o que diz. Lucas Ribeiro do Jardim Chapadão. Para aguentar a pressão do expediente no escritório, passa o dia à base de café e energético. À noite tomo remédio natural para dormir. Como sair desse ciclo sem perder a rotina? Lucas não tá sozinho não, hein? Tem gente que vive nessa, né? É um um uma coisa que é uma que todo dia é a mesma coisa assim, né? Você acaba entrando num ciclo que parece que não tem fim. Nata, é impressionante isso. Sim, sim. É o que a gente estava falando, né, da naturalização. A gente naturaliza uma vida automática. É como se a gente colocasse o carro ali, né, no ponto de de partida e só acelerasse a vida, né? Então, não entra num lugar de o não parar. Uhum. Isso que eh é o Lucas, isso que o Lucas colocou realmente é é algo muito comum. E eu acho que a partir disso, né, Lucas, acho que o ponto é isso que você vem relatando, não é uma questão individual sua, né? Não é um sintoma só seu, né? Então a gente fala que é um sintoma social, né? Então você e milhares e talvez milhões de pessoas ao redor do mundo t sentido a necessidade de tomar estimulantes pela manhã e tomar calmantes à noite. Então a gente procura, né, seja por psicofármacos ou algum outro tipo de recurso, né, você foi aí paraa cafeína para se estimular e depois precisa descansar. Então, ah, lógico assim, né, a gente enquanto psicólogas, né, eh, profissionais que atuam na saúde mental, a gente vai trazer um olhar assim da importância de ter um espaço eh psicoterapêutico, um espaço de análise para também se escutar, mas pessoalmente não acho que essa é a solução de todos os problemas, né, porque a gente tá com um problema de ordem maior, né, um problema que é principalmente depois da pandemia. Sim, a relação com os tempos, né, eh, mudou muito, porque a gente vive um tempo que, eh, o tempo social e o tempo de trabalho, eles se cindiram. Então, a gente sai do trabalho e continua respondendo o WhatsApp, a gente continua acessando os e-mails. Então, por isso que a gente volta na ideia de não naturalizar, de não achar que isso é normal, né, assim, porque o entra como algo normativo, socialmente é imposto como normativo. É pra gente entender que faz parte da vida. A vida é assim, né? Quantas vezes a gente escuta, ah, é assim, né? Já escutei muito de, né, de pais assim. Ah, é assim a vida. como se eh a gente naturalizasse processos de vida que produzem sofrimento e adoecimento mental, né? Então, a primeira coisa é não naturalizar e procurar eventualmente rompimento com as formas aí de exploração da vida cotidiana. Muito bem. Exatamente. A gente acaba naturalizando, né, situações que eh são prejudiciais pra gente, mas que todo mundo vive, né? E é aquele negócio, se ah, se ele tá conseguindo, por que que eu não vou conseguir? se ele tá fazendo, por que que eu não vou fazer? Mas muito bem pontuando na taxa, que depois da pandemia a gente adaptou uma um novo estilo de vida, né? Todo mundo correndo e aí a internet acabou sendo algo que faz parte do nosso dia a dia 24 horas, né? Porque tem gente que acord dorme do lado do celular, acorda, a primeira coisa que faz, abriu o olho, pá, olha ali, já vai receber os estímulos, estímulos, estímulos e a gente acaba nessa de cansaço ininterrupto, né? faz parte da vida e a gente acaba se dando recompensas que acabam causando impacto na nossa saúde física, saúde mental e aí precisamos nos olhar com mais carinho, né, e aprender separar, colocar tudo nas caixinhas, aprender respirar, aprender parar um pouquinho e olhar para você, sentir você. Uau, que dificuldade, né? É bem desafiador, mas a gente consegue, a gente precisa tentar. 8:48. Mais uma pergunta na tela pra gente, por favor, produção. Agora a gente direciona paraa Tati. Marcos Silva do Barão Geraldo. Olha só, Tati, trabalho o dia todo no computador e ao deitar fico horas no celular aí, ó, vendo vídeos idiotas. No outro dia, acordo sempre exausto. As telas estão estragando nosso momento de descanso. Então, ai, a gente acha que tá descansando, olhando no celular, deitado na cama ou no sofá. Não estamos. Então, né, estamos completamente ativados, né? Você está num estado de alerta, isso não te traz segurança. Então, crie uma rotina, né? Eu falo assim que muitas vezes o que que a gente ganha ou perde Uhum. com o cansaço ou com o descanso. Então, muitas vezes é mais fácil delegar as circunstâncias externas o que eu estou vivendo. Então, ah, tá todo mundo assim, então tá tudo bem, eu sou aprovado, eu sou validado e a sua vida vai escorregando pelas mãos. você não toma uma atitude, uma ação, uma responsabilização. Então é mais fácil, né, se vitimizar, porque aí é o outro que tá fazendo, não sou eu. Agora, fazer o movimento de eh exige decisão, exige entrega, exige responsabilização. Então, se eu já sei disso, inúmeros estudos apontam para isso, é questão, né? Não é só de força de vontade, mas é de olhar e falar: "OK, isso não me faz bem". Do que eu realmente preciso? Criar uma nova rotina. Então, desliga o celular. celular nunca perto da cabeceira porque tem o campo eletromagnético e isso estimula, continua estimulando também, né, o Wi-Fi. Então, coloca em outro ambiente e comece a criar uma rotina. O vazio vai gerar um incômodo, mas é uma questão de se acostumar com aquilo, né? ir pro quarto, criar um convívio social, tem filhos, cria uma brincadeira, cria um jogo de contato visual, respiração e aí você vai estabelecendo aquilo. Com certeza você vai conseguir descansar melhor. É isso aí, Marcos. Lembrando que o nosso cérebro ele só se acostuma se a gente repete a ação. Então é repetição. Não adianta você hoje tentar e amanhã você não tentar e e você quebra o ciclo. Então a gente precisa repetir. Repetir vai causar uma situação é ruim, um negócio chato, mas no outro dia já melhora, no outro dia minimiza e daqui a pouco você acostumou porque você foi repetindo. A gente tem que insistir, né, em nós mesmos. Agora 8:51 última pergunta, a gente direciona paraa Natasha e a gente já vai para as considerações finais, tá bom? Estamos aqui falando, né, da recompensa do cansaço. Quem nunca, quem nunca chegou em casa e se permitiu uma pizza? O Márcio Silveira da Vila Nova. É possível mesmo esvaziar a mente de preocupações do trabalho e do futuro durante a noite ou acabamos sempre presos a esses pensamentos que não nos deixam relaxar? Eh, o Marx tá pedindo como é que a gente faz para esvaziar a mente, na verdade, né? Porque são preocupações ali que isso faz parte da minha vida, da sua da nossa vida. Ô, ô, Márcio, a gente leva, né, paraa cama essas preocupações, é, é trabalho, é o futuro, é uma conta, é o boleto que não para de chegar. E a gente sempre tá preso a esses pensamentos e a gente não consegue relaxar. É possível, né, eh, esvaziar a mente com essas preocupações. Será que a gente consegue, Natasha? Eu eu acho essa pergunta do Márcio bem bem complexa assim, né? Assim, pode parecer simples, mas ela tem uma complexidade, né? Porque é possível, possível é, né? Mas como que é isso para você, né? O que que significam essas preocupações? Em que lugar que elas se ocupam, né? Qual que é a questão da realidade? Porque a gente além de questões subjetivas, a gente também atravessa questões concretas, né? Sim. A gente vive uma sociedade que eh mulheres estão mais cansadas do que homens, eh negros vivem mais cansados do que brancos. Então a gente também tem um atravessamento da realidade concreta. Não dá para dizer que são 24 horas para todo mundo, que essas 24 horas elas são eh divididas de uma maneira igualitária, né? Quem a a senhora que acorda 4 horas da manhã para pegar um ônibus, para trabalhar de cozinheira do outro lado da cidade e que depois ela chega em casa e aí os filhos ela ou ela cuida dos filhos dos outros, mas ela não consegue cuidar dos próprios filhos. E aí ela chega, ela limpou a casa dos outros, ela cuidou do filho dos outros, mas ninguém limpou a casa dela, ninguém cuidou dos filhos dela. Então a além, né, é por isso que eu tô trazendo isso de uma questão sensível, porque isso é muito singular também a cada realidade, né? Qual que é a conjuntura no qual essa pessoa tá inserida, no seio social, né? E a gente vê aí cobranças cada vez maiores. Então, possível é, mas eu acho que é importante entender de que realidade a gente tá falando, de qual contexto. Não, eu não consigo eh atribuir respostas simples a perguntas complexas. Sim, exatamente. É verdade. E essa questão da preocupação é algo que permeia, né, durante toda a nossa vida, gente. E a gente precisa, a gente a gente precisa descansar de alguma forma. A gente vive numa época em que estar ocupado virou sinônimo de importância, né? Mas o corpo e a mente tem limites. Então, descansar não é fraqueza, preguiça ou falta de compromisso. É uma necessidade fundamental para viver com mais saúde, equilíbrio, qualidade de vida. Que bom seria se todas as pessoas pudessem entender isso, se todas as pessoas pudessem descansar, né? Talvez uma das mudanças mais importantes que a gente possa fazer seja deixar de enxergar o descanso como recompensa e começar a enxergar o descanso como parte do cuidado da gente mesmo. Nem que seja e ah 20 minutinhos, né, 15 minutos, para um pouco, respira um pouco, né, se sente um pouco, se permite um pouco, mas permita realmente descansar, voltar para si. De repente isso já vai fazer a diferença aí no seu dia, tá bom? Bom, 8:55 a gente já vai para as considerações finais. Quero agradecer a participação de vocês. Tão importante conversar com vocês. Vocês abrem assim a nossa mente, nos iluminam, né? Fala assim: "Opa, o caminho é por aqui, vamos seguir." Muito obrigada, viu, Natasha? Considerações finais. Gratidão pela sua participação e pela troca de conhecimento com a gente. Eu que agradeço, né? Foi um momento bem gostoso tá aqui com vocês. Eh, acho que é uma discussão pertinente a gente falar sobre o cansaço e a a não autorização do descanso, né, que a gente tem vivido. Não dá para falar sobre esse tema assim, discutir os pontos que a gente comentou sobre produtividade. E aí também seja por meio, né, de pensar em soluções subjetivas, né, de de procurar espaços de cuidado pra saúde, mas também é possibilidades concretas, né, de a gente precisa para falar de possibilidades de mudanças reais, a gente precisa de movimentos reais na nossa vida social. Então, redução de jornada, revisão das metas, né? Então, a gente tem discutido aí o fim da escala 6, né, como uma questão importante. Então são vários pontos que não dá para individualizar essa problemática, como a gente tava falando em uma da das perguntas, né? Esse é um problema que não atinge só um ou outro brasileiro, mas assim uma camada imensa de pessoas que estão em profundo sofrimento. É, e cada um tem aí o seu círculo social, a sua maneira de viver, o seu perfil, né? E aí fica bem delicado para poder eh eh distribuir essa esse descanso a todos, né? Então, eh independente da forma como você vive, lembre-se, 15 minutos do seu dia para você já faz a diferença. Nem que seja na hora do banho, né? Você precisa estar presente no aqui, no agora. Tenta fazer isso que eu tenho certeza que vai fazer a diferença no seu dia. Quero agradecer também a presença da Tatiana com a gente. Muito obrigada. Olha só quanto compartilhamento de informação necessário e precisa para o nosso dia. Obrigada por nos ensinar e por estar presente com a gente aqui hoje. Imagina, eu que agradeço e lembrar que é uma construção diária, né? Faça-se a pergunta e veja como você se sente ao dizer: "Eu posso descansar". Perceba no seu corpo se isso é autorizado ou não, se isso te causa incômodo ou não. E talvez você precise realmente de novos recursos, aprender o conceito e a estabelecer esse novo significado do que realmente é descanso, do que realmente é importante para você. Porque quando você tá nesse ciclo de automatismo e autossabotagem, você não consegue perceber, você não consegue ter visão. E às vezes é necessário você buscar ajuda para ampliar os seus recursos, mas é uma construção, não é uma pílula mágica. Eu tive que abrir mão da carreira corporativa de muitos anos depois da chegada do meu filho, de hérnia de disco, então, e de estress, muito estress. E eu tive que tomar uma decisão, renunciar muitas vezes à carreira, o prestígio, né, a liderança, mas eu preferi isso. Então, é difícil muitas vezes você tomar essa decisão, né, e voltar-se à responsabilidade para você. Uhum. Então, eu tenho essa história. Eu sei como é estar do outro lado, como é mover-se a cafeína, a base de cafeína, né, a reuniões, a prazos, a metas. Isso cria realmente um ciclo vicioso e a gente precisa se reprogramar e é possível. Muito bem. Nossa, gente, que maravilha, né? Obrigada, viu, pela participação de vocês. Você que tá em casa, muito obrigada pela sua audiência, pela sua companhia. Quero lembrar que ao meio-dia Gabriel Castro chega trazendo informações, né, no Câmara Notícia e a programação da TV Câmara Campinas segue, preparada com muito carinho de toda a nossa equipe. Responsabilidade, claro, especialmente para você que tá aí do outro lado. E amanhã nós vamos conversar sobre algo bem interessante. Você já se apaixonou por um personagem de livro, série ou filme, né? Esse sentimento tem nome. Fitofilia. Um termo usado para por especialistas que afirmam que o encanto por personagens fictícios pode revelar necessidades emocionais e afetivas presentes na nossa vida. Mas por que figuras que nem sequer existem conseguem despertar tantos sentimentos intensos? No próximo estúdio Câmara vamos discutir porque personagens de ficção conquistam tantos admiradores. A gente te espera amanhã a partir das 8 da manhã em mais um estúdio Câmara. Beijo grande para você. Se cuide, se permita, se olhe com carinho. Nada de assaltar geladeira de noite e até amanhã. Ciao เฮ Quando a gente fala de modulação intestinal, eh estamos necessariamente falando eh das bactérias presentes no nosso intestino, que são microrganismos vivos, que eles também se alimentam. Yeah.