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Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando. Estúdio Câmara no ar aqui na TV Câmara Campinas no YouTube e também na Rádio Web TV Câmara Campinas. Rádio Web Câmara Campinas. É, gente, hoje é quinta-feira, dia 29 de outubro. Nós queremos agradecer você pela audiência, pela companhia. Quero te perguntar, tá tudo bem por aí? Por aqui tudo ótimo e nós vamos convidar você para uma conversa sobre um dilema muito comum nos lares, né? Onde termina o amor e onde começa o mimar? É entre amar e mimar os nossos filhos. Cuidar é oferecer afeto, atenção, proteção. Mas na correria do dia a dia, entre a culpa e a falta de tempo, muitos pais acabam fazendo pelos filhos o que eles já poderiam aprender a fazer sozinhos. Entre o cuidado e a super proteção, a linha é bem mais tênue do que parece. aquela frase, ele não pode passar à vontade, né? Ou então eu faço porque é mais rápido, tá tudo tão corrido, eu preciso de agilidade, então eu vou fazer por ele. Ou então aquela frase típica, né? Quero dar tudo que não tive para o meu filho. Bom, você já ouviu ou já disse uma dessas frases? E o que fazer quando os pais sentem que não tem ferramentas para lidar com os desafios da educação? Hoje então a gente aborda o tema amar e mimar. Será que existe um limite paraa educação dos nossos filhos? Então eu quero te convidar, participe com a gente, mande a sua dúvida, a sua experiência. O WhatsApp tá aqui, ó, na sua tela, 19979377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. As nossas convidadas já estão aqui no estúdio. Daqui a pouquinho vamos apresentá-las. Enquanto isso, vamos atualizar informações e já já a previsão do tempo. E olha só que notícia legal, gente. A Rádio Câmara Campinas entrou oficialmente no ar ontem, quarta-feira, às 11:30 da manhã, inicialmente pela internet. A emissora funciona 24 horas por dia, vai transmitir reuniões e votações da Câmara, notícias do legislativo e programações sobre cultura, saúde, esportes, além de músicas de diferentes estilos. Para ouvir a Rádio Câmara Campinas, basta você acessar radiocamaracampinas.com.br. BR. Lembrando que isso é o início, porque a mesa diretora da Câmara já solicitou ao Congresso Nacional a concessão para transmissão em frequência FM. Então, logo em breve, notícias, né, de comunicação, é um um marco eh na história da Câmara de Campinas e também da comunicação aqui da nossa metrópole. Então, a partir de agora, aliás, a partir de ontem, né, desde ontem às 11:30 da manhã, nós estamos transmitindo aqui na TV Câmara Campinas, no YouTube e também na Rádio Câmara Campinas. Acesse, fique bem informado. E mais uma informação chegando, porque a Câmara eh realiza no dia 6 de novembro, sexta-feira, às 7 da noite, a audiência pública que vai debater o projeto de lei orçamentária, que prevém investimentos de mais de R bilhões 600 milhões deais no município. A população poderá participar presencialmente no plenário, a entrada pela Avenida Engenheiro Roberto Mange, número 66, Ponte Preta. Também é possível enviar perguntas, sugestões, questionamentos por meio do formulário disponível no site da Câmara, tá? Câmara, eh, Campinas, perdão, campinas.lege. Durante a audiência, o debate será transmitido ao vivo pela TV Câmara Campinas, no canal 11.3, na TV Aberta, canal 4 da Claro, canal 9 da Vivo Fibra. A transmissão também estará disponível nas páginas da TV Câmara, da Câmara de Campinas, no Facebook, no streaming do site do legislativo e no portal da TV Câmara Campinas e também no canal da emissora. Você percebeu então que as transmissões, né, em massa para que a população possa participar aí eh de mais esta reunião que vai definir o orçamento da prefeitura para o ano que vem. E é importante que você participe, importante que você esteja presente e importante também que você intervenha sobre determinados assuntos. A sua eh o seu posicionamento é muito importante para essa decisão. Então, participe. Previsão do tempo chegando. Vamos lá. Choviscando hoje de manhã. Choviscou à noite também, pelo menos lá em casa, né? Não sei aí na sua casa, mas a previsão do tempo ela tá assim hoje, a mínima de 16, a máxima de 23. E aí, eh, chuva, né, em qualquer local, eh, de Campinas. Então, são chuvas esparças no decorrer do período. Pode ser que chova aí e não chova aqui, tá? E assim vai ficar o nosso tempo. Mínima 18, máxima 23. Então, chuviscando bem fresquinho. Vamos nos cuidar no trânsito, né? Sempre eh hidratação e bora viver um dia de cada vez. Então vamos pro hoje, vamos pro aqui e pro agora, porque nós vamos trazer o nosso tema central do programa e vamos falar entre amar e mimar, né, na educação dos nossos filhos. Alguns pais acreditam que poupar os filhos de qualquer contrariedade é uma forma de demonstrar amor. No entanto, especialistas em psicologia e educação apontam que o excesso de mimos e a ausência de frustrações não protegem as crianças e podem gerar insegurança e dificuldade para lidar com a vida em sociedade. quando fazemos pelo outro o que ele já consegue fazer sozinho, ou seja, arrumar o quarto, calçar o sapato, né, ou resolver um conflito por pressa, nós tiramos dele a chance de construir a autonomia e tentar compensar a ausência ou a falta de tempo com permissividade pode se informar adultos mais frágeis diante dos tombos inevitáveis da vida. Então, a gente precisa entender sobre isso e, de repente aprender a manejar a educação dos nossos filhos de uma forma mais assertiva. Então, para conversar com a gente, nós recebemos hoje Mariana Contente, psicóloga formada pela Unespos de experiência em atendimento infantil, orientação de pais e psicoterapia de adultos. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua participação e presença. Obrigada. Bom dia. Maravilha. Para completar a nossa dupla de hoje, Ana Carolina Galo. Ela é psicóloga, pedagoga e psicopedagoga, mestra em educação e doutora em psicologia, professora da UNIP e coordenadora pedagógica. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua participação. Obrigada pelo convite. Eu sou coordenadora pedagógica do Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima, que também é um centro educacional. Maravilha. Uma satisfação estar aqui com você, com a Mariana. Muito obrigada. Muito obrigada a vocês. Nós que agradecemos a participação, a orientação, né, que será dada aqui no no estúdio Câmara de hoje referente a um tema que permeia pelos nossos lares, porque a gente sempre está tentando educar os nossos filhos dael da melhor forma e por amar tanto, a gente acaba excedendo os nossos limites, né? Então, a gente precisa entender o limite entre amar e mimar. A gente começa então com a Mariana. Eh, onde que tá a linha, né, entre amar e mimar? Por que que nós pais, na maioria das vezes, a gente confunde afeto com a a permissividade, né? Então, se eu amo, eu permito. Eu acho que a gente tem algumas questões, né? Eu acho que é muito delicado isso, porque muito dessas pessoas que estão fazendo esse processo de amar demais, de ser permissivo, elas vêm de uma educação que elas sentiram que fizeram mal para elas. Uhum. Né? Que elas apanharam, que gritaram com elas, que trataram elas mal. Então, eh, e aí a gente, né, os profissionais, a gente acabou também contribuindo para dizer: "Olha, você tá traumatizando a criança, eh, não grite, não bata. Eu não tô dizendo que a gente deve gritar e bater. Uhum. Mas eu acho que isso acabou criando um efeito contrário, né? Em que a as pessoas acabaram entendendo que não gritar e não bater é igual a não pôr limite e são coisas muito diferentes, né? Eh eh a gente o o amar, né? A gente também, né? Tem uma outra coisa, acho que tem essa preocupação da gente não ser como os nossos pais. Uhum. Que eu acho que muita gente repete isso. Sim. E eu acho que tem uma outra coisa que a gente foi tendo cada vez menos filhos, né? E aqueles filhos viraram muito mais importantes do que eles eram antes, né? Então eles viram às vezes o centro da nossa vida. Exato. E a gente quer ser amado pelos nossos filhos. Uhum. E é muito difícil quando eles eh tão frustrados, tão gritando, às vezes falam que não gosta da gente, né? Tão irritados com a gente, a gente colocar o limite, né? Eu acho que se as pessoas entendessem a importância do limite e entendessem que você pode dar afeto e limiteum e que o limite também é um afeto. Sim. Eh, também é uma demonstração de afeto, né? Quando você tá ali vendo a criança, ela vai fazer uma coisa que é ruim para ela e você vai dizer: "Não, aquilo também é amor." Sim. Eu gostaria de complementar, entendendo que esse limite eu acho que é o mais difícil de nós oferecermos, porque amar é você oferecer suporte, afeto, respeito, suprir as necessidades desta criança no presente, entendendo que o limite, como a Mariana falou, ele é necessário para que essa pessoa tenha um futuro seguro. Uhum. Quando você mima, você só se preocupa com o agora. E é muito difícil, ao dar limite você conseguir sustentar o desconforto de um limite, porque é desconfortável. Essa criança chora, ela faz birra, às vezes estamos cansados. Então, saber diferenciar o quanto você pode oferecer sem deixar de amar é realmente algo que precisa ser pensado o tempo todo. Então, eu gosto de fazer essa distinção no sentido de pensar que quando você mima, você está se preocupando com o presente, mas desprezando o impacto que isso terá no futuro. Excelente. E aí fica a pergunta, né? Será que existe um limite pra educação dos nossos filhos? amar e mimar. E aí, qual que é a conexão, né, dessas duas ações ou sentimentos? Eh, de repente você tá nessa vida corrida e a gente acaba tentando trocar, né? É uma troca que às vezes a gente nem percebe que tá fazendo. E é algo assim que sem julgamento, gente, porque a mãe, o pai, o cuidador, ele tá na correria, ele precisa sustentar a família, então para isso ele tem que trabalhar. E aí ã para trabalhar ele acaba ficando longe desse filho. E para compensar essa distância muitas vezes a gente acaba mimando de uma forma sem limites, né? Aí eu pergunto pra Ana Carolina, nesse mimar e nessa correria, a gente acaba fazendo pelos nossos filhos o que eles já conseguem fazer sozinhos e a gente nem percebe? Isso atrapalha a autonomia da criança. O que que a criança absorve nesse momento? E tendo a visão desse ambiente que nós construímos, na maioria das vezes de forma que a gente não percebe, né? a gente está inserido ness nesse movimento e a gente constrói esse ambiente pra criança sem perceber, mas a criança observa e absorve. Então, eh, a autonomia da criança, ela acaba tendo um impacto nessa maneira de viver tão corrida que a gente está tendo ultimamente? Certamente acho que é bem desafiador nós pensarmos nesta falta de tempo dos pais, dos cuidadores, de uma forma geral. E quando você faz pelo seu filho aquilo que ele já tem condições de fazer, você manda para ele uma mensagem diferente daquela que você acredita que está mandando. Você imagina que está dizendo para ele: "Eu te amo". E meu filho está reconhecendo que fazer por ele, por exemplo, um trabalho de escola que eu digo: "Filho, você consegue, mas deixa que eu faço por você". Você acha que ele entende? Meu pai está dizendo que me ama, mas a mensagem que chega é contraditória. Se ele diz que eu sou capaz, mas ele faz por mim, então esse pai não acredita que eu seja capaz. Esta é a mensagem que nós mandamos. E nós precisamos sempre refletir sobre as nossas próprias experiências. Aprender não é confortável. Aprender é um processo desconfortável. Lembre-se da sua primeira aula de direção. Nós tínhamos que pensar na nossa época, pelo menos na minha, acho que vocês também, nós não tínhamos a oportunidade de tirar carta num carro automático. Então, nós tínhamos que trocar a marcha e você pensava: "Para sair, eu tenho que sair em primeira, eu tenho que pisar na embreagem antes de trocar a marcha." Com o passar do tempo, você acertou, você errou, o carro morreu várias vezes e hoje você dirige automaticamente. Você é capaz de dirigir conversando, resolvendo, pensando em algumas questões. Com os nossos filhos, o processo é o mesmo. O processo de ensinar, ele passa pelo desconforto. E quando eu permito que ele se frustre ao colocar um tênis, uma criança de 5 anos tentando calçar e fazer o laço do seu tênis, às vezes ele vai levar 5 minutos para fazer isso. E na pressa, como nós já dissemos, eu preciso acelerar esse processo. Eu coloco em 30 segundos. Mas então eu privo o meu filho da chance, da oportunidade de aprender, de desenvolver a coordenação motora, de aprender resiliência, de aprender que o processo é tão importante quanto o resultado. Olha só que interessante e importante, né, a fala da Ana, porque a gente nem pensa que a gente tá fazendo isso e a gente nem imagina o que nós estamos transmitindo aos nossos filhos a partir de um ato que a gente acha que é de cuidado, né, que é de carinho, que então a gente precisa aprender o o que nós transmitim, nós transmitimos com os nossos atos, com as nossas falas, com as nossas ações paraas nossas crianças. E eu gostaria de complementar dizendo que a mensagem que eles recebem é uma mensagem ainda maior. Quando os pais fazem por eles, eles entendem que o mundo vai se adaptar a eles. E isso é gravíssimo, porque esta criança que não se frustrou, não passou pelo processo de entender que precisa errar várias vezes até conseguir aprender, ela não desenvolve essa autonomia que foi dita no início. Então ela não se percebe capaz. E aí chega na vida adulta, ela desiste de um projeto porque aquilo é muito desafiador. Ela entende que alguém vai resolver por ela. Então tudo aquilo que nós fazemos na infância necessariamente vai impactar no desenvolvimento do nosso filho quando ele for adolescente, adulto, e isso vai gerar possivelmente algum sofrimento. Muito bem. Olha, no primeiro momento do programa a gente tá entendendo a diferença, né, entre amar e mimar. E agora eu pergunto pra Mariana, aquela frase típica, né, dos pais e cuidadores, não, ele não pode passar vontade de nada, né? O que eu não tive, eu vou fazer de tudo para oferecer ao meu filho. Como é que a gente aprende a diferenciar uma necessidade do nosso filho de um desejo passageiro, né? Por exemplo, você tá andando com a criança lá, ela quer porque quer, porque quer, beleza, ele não pode passar vontade de nada, eu vou lá e compro. Mas e aí? Isso é uma necessidade? É um desejo passageiro, é um desejo da criança ou é um desejo do pai, da mãe, do cuidador? Explica pra gente, porque tem um pouquinho a ver com o adulto aí ou com a criança interior desse adulto, não é? Não tem tudo a ver com essa, olha aí, com essa criança anterior, interior. Eu acho que assim, muitas vezes é esse adulto eh que não teve, né? Uhum. E que quer propiciar para essa criança uma uma desejo sem fim, né? Eh, e a criança às vezes ela muitas vezes, né, a gente tá com o filho andando, ah, eu quero isso, eu quero aquilo, se você der tudo, vai querer tudo, né? O que a gente vê de experiência em casa? Usou 2 minutos, 5 minutos e brincou com a caixa e brincou com outra coisa, né? Eh, muitas das coisas, né? Eh, você vê, né, repetidamente as pessoas falando: "Ah, eu vou dar um carrinho de controle remoto ou eu vou dar uma casinha porque era o que eu queria quando eu era pequena, né? O que a gente pede muito nisso é que assim, eu acho que todo esse movimento que tá sendo feito, a gente tá olhando muito, os pais estão olhando muito para eles mesmos. E pra gente ter um bom resultado, você tem que pensar no que que essa criança precisa mais do que é uma relação. Você tem a sua história, o que você aprendeu, que você precisa. Então, ah, eu gostaria que meus pais tivessem me dado mais coisas ou me abraçassem mais ou falassem mais comigo. E eu aprendi isso. Legal. você assim com meus filhos. Mas aí cada criança, cada pessoa é uma pessoa diferente. E você tem que também ter o cuidado de olhar paraos seus filhos e pensar o que que esse essa criança precisa, né? Às vezes você você o seu pai foi muito rígido, isso para você foi um problema, uma dificuldade, mas às vezes você tem uma criança que precisaria de mais limite, de que precisaria que você fosse também um pai mais rígido, não agressivo, mas que precisasse de mais limite. Então você precisa olhar para essa criança e ver as necessidades dela, né? Eu vou complementar uma coisa que a Ana falou eh sobre essa questão da percepção, né? Eh, então você faz tudo para que a criança te ame, para que você se sinta amado por essa criança. Mas na verdade, quando você faz muito pela criança e você mima muito a criança, você não vai criar uma relação de afeto. Uhum. Vai ser uma relação desproporcional. você vai ser uma pessoa que a criança usa, não que ela tenha afeto. Porque para que esse afeto seja desenvolvido, você precisa fazer parte da relação com a criança. Então, você precisa também estar cansado, também não ter dinheiro, também ter desejos, necessidades, sentimentos para que a criança saiba também amar a outra pessoa. A outra pessoa tem que fazer parte da relação de afeto. Quando tudo é sobre a criança, o afeto é só da criança. Ela não aprende a se relacionar com o outro, a olhar pro outro, pras necessidades e desejos do outro. Então, às vezes, né, que ela falou que é eh você pensa que você tá fazendo uma coisa e você tá fazendo outra. Então, na ânsia de de ser amado por essa criança, às vezes você consegue o contrário, né? Tanto que a gente vê muitas famílias que mimam muito os pais, os filhos desrespeitando e distratando os pais. É uma moeda de troca, né? O afeto vira uma moeda de troca, né? Eu amo você se você me oferecer. Se você não me oferecer, você é mal. Se você não me oferecer, você não tá cuidando de mim. Porque eh é na verdade a gente ensina que eles eh a gente faz com que eles entendam dessa forma, né? Mas é na maioria das vezes é uma uma forma que a gente faz que é meio que a gente não percebe e aí vem a questão do excesso que que esconde uma falta, né? Porque se eu ofereço demais, se eu compro demais, se eu mimo demais, se você parar para analisar, de repente te faltou isso lá e você já tá grande, você não vai comprar um brinquedo para você. Então você vai fazer isso para quem, né? Para o seu filho. Então a gente precisa eh ter um certo entendimento. E às vezes esse entendimento ele não vem assim quando você tá sozinho. Você precisa de alguém que vá lá e cutuque, né? fala assim: "Olha, eu acho que tem algum probleminha aqui, mas que a gente pode abrir um campo aqui, uma luz no fim do túnel para você entender e melhorar de alguma forma aí a a o manejo dentro da sua casa com a educação dos seus filhos, né? Agora, nós pais, nós temos medo da frustração, né? Então, qual que é o papel do não, eh, Ana Carolina, no desenvolvimento das crianças e esse medo da frustração que nós temos? também arremete a nossa infância. Certamente o não é fundamental, né? Eu digo que quem escuta vários nos dentro de casa, que é o lugar mais seguro para nós nos frustrarmos, provavelmente vai lidar melhor com os nos que a vida nos der. Eh, então essa frustração, esse cuidado que nós temos que ser que ter é uma frustração eh segura, né? São pequenas frustrações. É uma frustração afetiva. Por exemplo, você vai até o supermercado com a sua criança e diz: "Hoje nós não vamos comprar nada". Não precisa nem explicar. "Hoje não vamos comprar nenhum doce". E chegando lá, seu filho te pede um chocolate. Se você não sustenta isso, ele entende que sempre é possível estender um pouquinho o limite que você deu. Se você sustenta, ele vai se frustrar. Nós não estamos negando o sentimento. O sentimento pode e vai acontecer, mas é uma frustração que você diz assim: "Eu entendo que você esteja aí vamos nomear, né? chateado, bravo, irritado. Não sei qual é a expressão que vem naquele momento, depende da criança, mas eu estou aqui com você. Então, quando nós ensinamos a frustrar-se, nós mostramos que a atenção ela tem que ser para o comportamento, não para o sentimento. E conforme eles vão se frustrando mais, eles vão aprendendo a desenvolver. A frustração é como se fosse um músculo, uma musculatura. Então, quanto mais eu treino, pequenas frustrações, né? Não tô dizendo que a gente tem que frustrar esse filho o tempo inteiro, mas de repente ele te pede: "Mãe, faz a o meu leite com chocolate e você tá terminando de fazer uma sopa". Você fala: "Sim, daqui a 5 minutos eu te dou". Isso é uma pequena frustração que ele vai aprender, como a Mariana falou, que o mundo não gira em torno dele somente ali, também tem uma família, tem irmãos, depois na vida profissional ele vai se relacionar com outras pessoas e não vai ser tudo sobre ele. Então é importante que a gente trabalhe desta maneira. Muito bem. a gente agora aprendendo sobre a frustração e o papel do não, né, na vida dos nossos pequenos e dentro do nosso ambiente familiar, porque a frustração e o não eh vão seguir, né, a nossa durante perdurar durante toda a nossa vida. Então, é importante a gente ensinar as nossas crianças sobre o não e a frustração também. Agora a gente precisa eh pontuar algo aqui que eu acho bem interessante sobre essa questão do não, sobre a frustração. A Ana pontuou também eh que essa frustração deve ser em pequenas doses, né? Frustrações assim mínimas para que a criança entenda, não para que ela se machuque. E quando a gente fala do papel da frustração e do não, a gente precisa colocar aqui em pauta o papel da comunicação, né? a gente precisa ter um limite saudável aí entre a rigidez, né, o autoritarismo e a comunicação para que a gente não traumatize essa criança, porque a comunicação ela tem eh várias situações, né? Você pode comunicar de uma forma e a criança entender de outra. Então, eu gostaria que a Mariana explicasse pra gente um pouquinho a importância da forma de se comunicar. Eh, nesse período onde a gente está ensinando a nossa criança sobre a frustração, o papel do não e ela entender que sim, ela vai ter que esperar, que ela vai levar um não e que tá tudo bem, mas a gente tem que saber comunicar também para não traumatizar essa criança que tá em fase de desenvolvimento. Assim, não é porque, né, existe o limite, existe o não, que isso tem que ser feito ou deve ser feito de forma agressiva, de forma nenhuma. Uhum. né? Eh, uma vez eu ouvi uma coisa que para mim me chamou muita atenção, né? Parece que quando a gente tá com os nossos amigos ou com os nossos colegas, a gente tem muito mais cuidado, né? Por exemplo, aconteceu um acidente, aconteceu alguma coisa, a gente fala: "Ai, nossa, tá tudo bem, vamos conversar", né? E parece que com a criança a gente já é que aconteceu, né? Tem uma reação bem mais eh assim agressiva mesmo, né? Uhum. Mas com certeza o cuidado ele é muito importante com a criança, porque a criança diferente do seu amigo, do seu colega, ela tá em desenvolvimento e isso eh faz toda a diferença, né? o cérebro dela tá se desenvolvendo, como a Ana falou, aquilo mais para frente vai virar um adulto. Exato. E o que a gente puder investir na educação dessa criança vai refletir o resto da vida dela. Então, eh, a gente tem que ter um cuidado para que ela entenda o quê, né, que até tem a ver com uma questão de autoestima que depois, eh, resulta em muito problema no consultório, que ela entenda que você a ama independentemente do que ela fizer, porém não é tudo que ela vai fazer que você vai aceitar. Uhum. Então tem o que ela sente que você tem que validar, como a Ana falou, olha, eu entendo que você tá frustrado, que você tá chateado, que você tá triste, né? Às vezes é uma situação que deixaria todo mundo triste. Às vezes a gente pede um jogo na escola, pede uma caneta que gosta, né? Eu entendo que você tá triste, mas porque você tá triste, você não pode chutar o amiguinho. Uhum. Né? O sobre o comportamento a gente tem eh controle. A gente não tem controle. sobre o que a gente sente. Então, é importante vocês ensinarem issoos pros filhos, né? E também fazer um trabalho, não só quando dá errado, né? É importante que vocês ensinem a criança a entender, a a discriminar os sentimentos delas. Então, existem vários livros hoje em dia no mercado sobre sentimento. Vocês podem explicar: "Olha, é assim que você tá se sentindo?" Então tá. Você tá triste, você tá frustrada? Tudo bem, não tem problema. É assim, a gente fica triste, a gente fica frustrada, a mamãe fica triste, mamãe fica irritada, mas dá pra mamãe então chutar a cadeira? Uhum. Né? Como que você se sentiria se você me visse chutando a cadeira? Porque eu tô nervosa, né? Não faz sentido a cadeira, né? Então assim, a gente tem controle sobre o que a gente faz. Então você pode explicar pra criança. E também eu acho que antes a gente tinha muito acesso a crianças da família. Uhum. muito contato com criança. Eu acho que está se perdendo. Verdade. Então hoje que que eu vejo, né? Muitas mães elas não têm essa ideia do que é uma criança, então às vezes fica muito irritada com coisa que é só de criança, tem dificuldade de de discriminar. Olha, isso daqui é uma coisa de criança ou isso daqui é um problema de fato. Sabe que a criança tá se comportando mal, porque a criança ela bagunça, ela se comporta mal, a criança faz bagunça mesmo. O o natural da criança é isso, né? Sim. Então, a gente tem que tomar um certo cuidado também de observar a situação, né, e entender ali. Agora, você tem que ter limites claros, eu acho, que na sua família, e isso tem que tá claro para criança. Eu sou sempre a favor das regras da casa serem colocadas numa cartolina na parede. Uau, interessante, muito bom. Tipo assim, colocar lá não bater, não xingar. Como eu falo pros pais, as regras t que servir para todo mundo, né? O pai também não pode gritar, também não pode bater na criança, porque às vezes os pais tão ali eh punindo a criança, tão brigando com a criança, a criança nem sabe que aquilo era um problema. Então eu acho que tanto as regras quanto as consequências devem ser claras. Uhum. E aí e entender que é um processo. É lógico que a criança menor vai ter mais dificuldade de autocontrole. É lógico que ela vai fazer mais birra, né? Só que se você for intervindo ao longo da vida, ela vai tendo cada vez mais autocontrole, vai desenvolvendo tolerância, frustração, como Ana Carolina falou. Eu complementando a ideia da Mariana, eu também acho fundamental que a comunicação seja clara, seja objetiva. Gosto também da ideia de colocar isso expressamente em casa. E eu penso que uma comunicação respeitosa, quando nós pensamos em ensinar limites, regras e frustrações, por exemplo, uma comunicação respeitosa, ela vem muito desse modelo parental. Nós não podemos confundir um modelo de autoridade com o modelo autoritário. O modelo de autoridade ele explica: "Não faça, porque isso vai te machucar". O modelo autoritário diz: "Você não vai fazer porque eu tô mandando". E aí essa criança não entende a razão para fazer aquilo. Por este motivo, essa comunicação, ela tem que ser bastante clara, acessível, de modo que a criança entenda quais são as razões para que aquele pai deixe ou não fazer determinada coisa. Até também não pode ficar oscilando num pêndulo. Dias pode, dias não pode. Isso não funciona. Muito bem. Olha só que interessante, né? a gente aprendendo a manejar e a educação dos nossos filhos e o limite entre mimar, né, e amar. Amar tem limite? Será mimar? Mimar a gente sabe que tem, né? Agora vamos lá. Como é que a gente faz para lidar com a culpa agora? Por quê? porque nós não eh colocamos limites, a nossa criança está mimada e aí em algum momento eh essa ação nossa de mimar a nossa criança vai ter uma reação. E essa reação pode não ser bem vista e pode acontecer em locais que não deveriam acontecer. E aí nós vamos sentir culpa, nós vamos sentir frustração, nós vamos até de repente sentir vergonha, dependendo da situação que ocorreu. Como é que a gente faz para lidar com tudo isso? Agora a gente tá falando do adulto, lidando com a consequência do mimo e que ele nem imaginou que ele teria que passar. Como é que a gente faz? Vamos lá, Ana. Eu penso que eu sempre, eu tenho uma máxima, né? Eu digo, desde o momento em que nós descobrimos que estamos grávidas, nós nos sentimos culpadas. Então você pisa no chão diferente, você atravessa a rua diferente com medo de fazer algo ruim, não é verdade? Mas o fato de nós nos sentirmos culpados, tanto mães quanto pais, não importa. Não significa que você esteja fazendo alguma coisa errada. Uhum. Então, a culpa, primeiro eu tenho que entender, eu me culpo do quê? Hoje a maior causa de culpa que eu identifico na clínica é a ausência. Os pais estão culpados pelo pouco tempo que eles têm disponível para dedicar aos seus filhos e quando chegam já chegam muito cansados, muito estressados e então se culpam por isso. Pensar a culpa. Então eu entendo que é interessante a gente pensar o que é que nós fazemos com a culpa. A culpa nunca pode determinar um comportamento seu. Se você se sente culpado e por isso você, eu vejo duas possibilidades quando tem muita culpa, uma delas, você é extremamente permissivo. Então, olha, eu vou te dar doces, eu vou liberar o uso do celular, hum, enfim, você é muito permissivo porque você se sente culpado pela sua ausência ou então você acaba ficando um pouco displicente na nos limites, nas regras, entendendo, ai hoje ele foi desrespeitoso com o avô, mas eu nem vou chamar atenção porque também ele tá cansado. E não pode, a gente nunca pode agir e educar com base na nossa culpa. Porque aí nós estamos educandoos como se nós fôssemos a criança, né? Então acho que vale a pena pensar nisso. Esta decisão de orientar, ela está baseada em algo que eu refleti, eu raciocinei sobre isso ou ela está baseada na minha culpa? Qualquer decisão que venha da culpa não é legal, porque aí você está tentando compensar algo que você acha que está fazendo errado. E convenhamos, nós também estamos aprendendo a ser pais. Uhum. Ainda que você tenha quatro filhos, você precisa aprender a ser pai de cada um deles, porque cada um é diferente. A maneira como você se relaciona com cada um é diferente. A forma como cada um te devolve essa troca é diferente. Então, não existe a possibilidade de nós acertarmos sempre. Nós também precisamos saber pedir desculpas na hora que sentimos que passamos do limite, nos perdoar também em alguma medida, sempre naturalmente cuidando para que não sejamos agressivos, né? até, se eu não me engano, acho que foi a partir de 2014 que a Lei Bernardo determinou que as crianças não podem sofrer nenhum tipo de agressão no processo educacional e nem humilhação. Então isso é muito importante para balizar a nossa postura em relação aos nossos filhos. Excelente. Muito bom. Posso, posso por favor? Posso complementar? Eu acho que uma coisa muito importante é eh que vem do da fala da Ana é a constância. Uhum. Né? Eh, eu acho que muitos pais têm dificuldade de entender que é muito é muito ruim paraa criança uma variação de regras, limites, eh, que que a criança ela precisa de segurança. Uhum. Então, tudo precisa ser sempre previsível. Então, se você falou, eh, não é bala depois do almoço, não é bala depois do almoço. Aquilo tem que valer sempre. Por isso a importância das regras serem claras, né? Ela tava falando assim da, a gente tava falando da questão da culpa, né? Eu acho que assim, não tem como, concorda? A gente não sentir culpa, virou mãe, tem culpa. Mas eu acho que se você tem claro o projeto de educação que você quer pro seu filho, as regras que tem na sua casa, né, a hora que vem a culpa, você pode pensar: "Nossa, mas isso eu tô sentindo culpa, é porque eu trabalhei demais ou é porque realmente o que eu tô pedindo dele é muito ou o que eu quero dar eu poderia dar, né? você avaliar a situação baseado nas suas regras e nos seus limites que você já pré-estabeleceu. Você não vai estabelecer naquele momento que você tá fragilizada, que você tá cansada, que você tá triste ou que você tá se sentindo culpada, né? E uma outra coisa eu, eh é a gente também assim não ser tão tão cruel com a gente, sabe? Hum. Eu acho que a gente vive um momento que assim, a gente tem que trabalhar, cuidar da casa, cuidar do filho, de um monte de coisa. Então assim, é lógico que eu como psicóloga, eu quero que nossa, você dê uma educação dentro do possível super respeitosa, maravilhosa, perfeita pro seu filho, mas isso não é possível, né? Então assim, a gente vai fazer coisas ruins, né? A gente vai fazer coisas que vão prejudicar de alguma forma. A gente, o que que a gente tem que fazer? o esforço para que isso seja a exceção, para que de forma geral você consiga lidar com as adversidades e fazer as coisas da melhor forma. Mas um dia que você tiver cansado, estressado, pode ser que você deixe de fazer uma coisa que, né, não deveria, sei lá, não. Ou não, você acreditava que não devesse, mas a educação, a criança que ela, a pessoa que ela vai se tornar, ela não vai se tornar pelo pela exceção, ela vai se tornar pela regra, pelo que você faz mais vezes. Então você tem que se preocupar não daquele dia que você fez errado, você tem que se preocupar com todo o dia. O que que você tá fazendo? O que que você tá ensinando para aquela criança todos os dias? Todos os dias você tá ensinando que é você que vai arrumar o cadarço. Todos os dias você tá ensinando que é você que vai fazer a lição. É isso que você tem que pensar na no sempre, porque na verdade a gente tem uma tendência de comportamento e é isso que a gente vai repetir todos os dias. Então é isso que você tem que prestar mais atenção, né, nas coisas que você repete e faz todos os dias que vão nessa relação ajudar a formar o adulto de amanhã. Uau, vocês são maravilhosas, né? E a gente tem que lembrar também que a gente é espelho, né, pras nossas crianças. Você já viu aquela criancinha que de repente imita o pai indo trabalhar ou imita a mãe ou cuidadora, enfim, né? Coloca lá o sapato de salto, quer passar a maquiagem, às vezes a gente nem entende falar: "Ai, que bonitinho, né? Tá imitando, tá fazendo igual". Por que será que ela está fazendo igual? Porque ela vai repetir o seu comportamento. Nós somos espelhos para os nossos filhos, né, para as nossas crianças. E aí, dependendo do seu comportamento, a criança vai repetir e você vai se assustar. Você falar: "Mas como é que pode essa criança desse jeito, né? Eu não ensinei isso, mas você se comportou dessa forma e a criança tá lá paradinha só observando o que tá acontecendo em volta dela. Então, é por isso que a gente precisa eh nos orientar e nos atentar também sobre as nossas ações, né? eh, no momento em que a gente tá em casa, momento que a gente às vezes está eh que a gente baixou a guarda e às vezes a gente tem eh ações, movimentos, falas que não condiz com as regras que nós colocamos na nossa casa. Então, a gente tem que também tomar cuidado com isso, assim, um pouquinho de cuidado para depois não se assustar com a reação das nossas crianças. Você concorda, Ana? Certamente. Acho que é fundamental nós estarmos atentos a isso, porque somos modelo, né? Eles aprende. Eu costumo dizer que quando você diz para o seu filho, você é capaz e você faz por ele, ele não acredita naquilo que ele escutou, ele acredita naquilo que ele viu. Então, concordo plenamente que temos que estar atentos a nós de novo, reiterando aqui o que a Mariana já falou. sendo muito respeitosos também com as nossas possibilidades, os nossos limites, mas essa constância de nos portarmos da constantemente na maior parte do tempo, da forma como nós entendemos que é o correto, o adequado, vai ensinar muito. Ensinamos tanto pelo modelo quanto pelo antimodelo. Então, que o modelo prevaleça na maior parte do tempo. Muito bem. E é importante lembrar também que ser mãe, ser pai, ser cuidador não vem com manual de instrução, né? A criança ela tá ali, a gente tá aprendendo todo dia, a gente às vezes eh nem sabe o que fazer. Você olha uma reação, uma ação, você fala: "E agora?", né? Mas tá tudo bem falar e agora? Porque a gente tá aprendendo, nós estamos em movimento, a gente aprende todos os dias a tudo, não só cuidar da dos nossos filhos, né? Mas a todo momento você tá em mudança, você tá em aprendizado e tá tudo bem a gente errar hoje e amanhã a gente acerta, depois a gente tenta, a gente não consegue, mas depois você vai vendo que as coisas vão tomando um rumo, né? Certo? E não se desespere nem se frustre tanto, porque o erro faz parte do acerto. Você precisa errar para acertar. Porque se você erra hoje, você vê que aconteceu errado, amanhã você não vai repetir aquele erro e errar está tudo bem. Principalmente quando a gente fala em educação dos nossos filhos, porque ninguém vem com manual de instrução, né? E a gente aprende todos os dias. Vamos lá. 8:48. Produção tá me avisando. Temos perguntas, então vamos ver o que que o pessoal de casa tá falando, querendo saber aí da educação das nossas crianças, né? Que interessante a gente lembrar que a infância, né, eh, é algo que perdura por toda a nossa vida e às vezes a gente nem para para pensar nisso e você tá mimando seu filho, de repente é porque tá comprando algo que sua criança nem quer, mas você queria, né? Então não se culpe por isso também, tá? Vamos lá. 8:48. Pode colocar na tela. Produção. Fernando Lopes do Jardim Proça. Minha mãe costuma liberar coisas para o meu filho que eu não permito em casa. Coisa de vó é como conversar com os avós sem perceber que estamos afastando a criança deles. Hum. Delicado, hein? Começar, por favor. bem delicado e cotidiano às vezes. É, acho que é desafiador, principalmente porque nós dependemos de uma rede de apoio, de uma rede de suporte, assim como nós combinamos dentro de casa com os responsáveis ou no caso de uma família, por exemplo, cujos responsáveis são divorciados, precisa haver um combinado, principalmente com relação às condições básicas de educação. aos valores, às noções básicas. Com esta rede de suporte tem que ser feito da mesma maneira. Nós temos que explicar para eles, da forma como estamos fazendo aqui com vocês, explicar para eles o porquis eles não nos desautorizem, porque é que existe regra de tempo no celular, que isso vai trazer um prejuízo para essa criança, não momentâneo, naquele dia, ela vai passar mais de 2 horas no celular, mas que isso vai causar um impacto pra vida quando ele tiver num ambiente de trabalho. e naquele ambiente disseram: "Olha, você tem que permanecer 8 horas aqui dentro, ele não vai dar conta porque em algum momento lá na infância ele entendeu que ele podia infringir regras, limites." Então eu penso que o combinado com essa família, com a avó, é sempre o principal. Agora, nós também não podemos deixar de pensar que a avó também está oferecendo para esse neto possivelmente aquilo que ela não conseguiu oferecer para você. Então, acho que ela tenta minimizar uma culpa de algo que não deu conta de te oferecer. Isso é muito clássico, não é? A gente vê bem isso. Elas falam isso, inclusive, né? Elas falam assim: "Eu tô, eu, eu, eu, eu quero mimar meu neto." Eu não pude porque com você eu tinha uma responsabilidade. Você era meu filho ou minha filha, né? E agora me deixa mimar meu neto, porque é isso que eu quero. Eu quero fazer a comida, eu quero dar o doce, né? Eu eu acho que é uma questão muito delicada, porque assim, isso às vezes eu acho que acaba incomodando mais quando é mais frequente, né? Quando, né, como você falou, às vezes os avós são os cuidadores às vezes no outro período. E eu acho que é uma situação delicada, porque eles estão se disponibilizando a cuidar, ao mesmo tempo eles passam muito tempo com a criança, né? Então eles vão acabar interferindo mesmo nessa educação da criança, né? Então o ideal seria isso, que houvesse uma conversa e todo mundo se entendesse. Talvez eh dentro da regra havilização, né? A regra já em uma flexibilização. Olha, na casa da avó de tal hora a tal hora, tal coisa, tal coisa pode, né? Porque o problema não é dar ou não dar, o problema é ser escondido, ser contra o combinado. Uhum. Né? eh, talvez flexibilizar o combinado, fazer outro combinado. Se, né, os avós não seguem as regras, talvez seja melhor, porque o que que é complicado em termos de educação? É ter um adulto de referência, de afeto, dizendo: "Que a regra dos seus pais". Uau! Isso é complexo porque assim, dependendo da criança, isso pode dar uma ideia que mais para frente é bom. Se se meu avô tá falando que eu posso fazer uma coisa que meu pai falou que não, então talvez eu possa fazer outras coisas que meu pai fala que não, né? Porque é inocente quando é um doce, né? Mas a gente vai crescendo, né? Isso. E você vai aprendendo conforme foi ensinado para você, né? Então, se eu posso quebrar essa regra aqui, foi autorizada, eu vou poder quebrar aquela ali também, porque ah, tá autorizada, né? Então, é importante mesmo esse combinado que vocês falam sempre para para que as pessoas tenham essa comunicação e para que não fique eh de aquela situação ruim, né, entre as famílias, né, e pra criança também, que a criança ela fica confusa. Chega uma hora que, tipo assim, tá, eu posso na avó aqui, não posso e eu quero morar, quero morar na avóim, né? Então, ah, não, não quero mais ir paraa casa da avó, porque a avó é rígida comigo, mas é por conta da mãe e do pai, é por conta do cuidador, que que tá acontecendo, né? Então, o combinado entre os adultos vai causar o impacto positivo ou negativo naquela criança, né? Vamos lá. 8:53, mais uma pergunta pra gente? Pode colocar na tela, produção, pode colocar. Vamos lá. Mimar e amar. Ô, dilema, né? A gente mima, a gente ama, mas precisamos de regras, de limites, né? para tudo na vida. Rafael Nogueira, eh, Jardim das três pontinhos. Opa, obrigada das bandeiras. Eh, dar mesada para uma criança, ajudar na tarefa de casa é uma boa ideia ou isso pode fazer ela achar que toda responsabilidade precisa ter uma recompensa? Vamos lá, então. As duas, né? Falar, foi isso. Ó o combinado, ó o combinado das duas. Vamos lá. Eh, bom, isso pode ser eh conflituoso, né? Eu eu particularmente não gosto, tá? que eu não gosto, porque eu não gosto de recompensar o que é obrigação. É, eh, eu sei que eu sou, né, de uma abordagem comportamental, que as pessoas vendem aqueles quadros de recompensa, de colocar estrelinha, tudo, mas eu não gosto. Eu acho que ajudar nas tarefas de casa é uma coisa das pessoas que moram na casa. Uhum. E eu acho que isso tem que ficar muito claro. Então, eu não acho que é uma coisa que, ah, eu vou fazer e eu vou ganhar algo. Você vai ganhar uma casa arrumada. Você vai ganhar um convívio com seu com seus familiares, né? Você vai ganhar, fazer parte desta família que se cada um faz um pouco fica melhor para todo mundo. Tem mais tempo também, né, de qualidade. Eu eu não sou a favor, então, deu, pessoalmente recompensar ajudas em tarefas de causa, em coisas de causa. Concordo, concordo. Porque quando você recompensa, acho que tem sim, exatamente o que a pessoa colocou na questão, a criança vai entendendo que ela só age quando existe uma contrapartida. E eu questiono até o termo ajudar. Uhum. Porque quando você ajuda, aquilo não é sua responsabilidade. E na verdade dentro de casa, as pessoas não ajudam, as pessoas têm responsabilidade compartilhada. Então, o pai tem responsabilidade com a tarefa do filho, a mãe tem responsabilidade com fazer alguma outra atividade dentro de casa. E esta criança também tem responsabilidade em arrumar a sua cama, tirar o lixinho, colocar o prato na pia. Porque no momento em que eu digo: "Obrigada por você me ajudar", eu estou dizendo para ela que ela me fez um favor e ela não fez. Ela faz parte daquilo. Então eu gosto da ideia de mesada para a criança aprender a lidar com dinheiro. Eu acho que educação financeira é importante, mas não vinculada às tarefas de casa. Jamais. Uhum. Muito bem. Acho que ficou bem claro, né, essa questão de ajuda dentro de casa. Você faz parte daquele universo e cada um tem a sua função ali dentro, né? E imagina uma casa onde todo mundo sabe a sua função e todo mundo executa essa função. Quando você vê, tá tudo certo, tudo maravilhoso e você pode ter um tempo de qualidade, né, com todo mundo que faz parte desse universo da casa. Então, é muito bom, a gente precisa mudar alguns termos e é importante a gente saber o porquê. Essa questão de ajuda, eh, fica um pouco pesado quando a gente fala da da do convívio, né, entre as famílias. Muito se fazia antes isso, né? Ah, porque eu tô ajudando, não, hoje já é diferente. Que bom que a gente pode mudar. Tá vendo? A mudança, o movimento, né? O movimento de todos os dias, a aprendizagem de todos os dias. E a gente vai entendendo como a gente pode eh melhorar, né, a nossa qualidade de vida e a nossa socialização, seja fora de casa, seja dentro de casa, o trabalho também, muito importante o aprendizado. 8:57, mais uma perguntinha na tela pra gente, por favor, produção, pode colocar. Vamos ver quem é que tá conosco. Deixa me ver. Felipe Moura do Jardim Nova Europa. Algumas crianças fazem atividades como esporte, música, idiomas, porque os pais querem oferecer tudo. Será que ter tantas oportunidades também pode ser um excesso? Criança fica confusa, né? Que eu faço só porque a mãe, o pai, o cuidador tá colocando eu para fazer, mas na verdade eu nem queria fazer tanta coisa. E aí, como é que fica? Eu acho que daí é um daqueles casos que eu tava falando antes que vai depender da criança. Uhum. né? Eu acho que a gente, o que que a gente não pode se fazer? Se perder no que a gente quer. É isso mesmo, né? A gente vai ter que olhar pra criança. Aquilo é muito para aquela criança. Uhum. Ou aquela criança gosta, aquela aquela não fica cansada, não atrapalha nos estudos, porque a gente não pode dizer que a para todas as crianças é ruim e nem para todas as crianças é bom, né? Eh, o que que eu acho que é ruim? Ah, eu queria ser bailarina, então coloquei minha filha no balé. Ela odeia o balé, mas assim, daqui a 5 anos ela vai gostar do balé. Aí não, né? Assim como a questão de estudo, né? Ah, minha minha filha gosta da estuda, tá? Tudo bem, então vai ficar estudando. Mas assim, né? Até um limite, mas se você tem que olhar para a sua criança Uhum. O que que aquilo tá causando de fato? Ah, então ela só dorme, não aprende, eh, tá tendo um prejuízo para ela. Talvez para ela seja muita atividade. Uhum. Né? uma outra criança que talvez é mais ativa, ela precise talvez de mais tempo de atividade. Muito bem. Eh, esse negócio de eh oferecer paraa criança aquilo que a gente queria, né? Igual a vai lá, você vai fazer medicina. Ah, mas eu não tô, não quero, não é isso que eu gosto, né? Ah, mas eu quis, eu não tive oportunidade. Agora eu estou te dando a oportunidade de se formar um médico, você vai perder essa oportunidade, né? Mas não, ela não quer. Então assim, tem a tendência de parar na metade do caminho, de não exercer a profissão, né? Faz por quê? Porque eu não quis decepcionar os meus pais, os meus cuidadores. Investiram tanto em mim, eu preciso concluir, pegar o canudo, mas depois disso, como já tem autonomia, aí parte para outro outra outro emprego, paraa mudança, né? vai fazer aí a transição de carreira importante e bem eh sério quando a gente fala sobre isso, né? O nosso gosto de repente não é o gosto do nosso filho e a gente tem que respeitar. Vamos lá, só comentar isso e assim além de mudar de carreira, além de, né, a gente tem que pensar no sofrimento que você tá causando para essa criança e para esse adolescente ou para esse adulto, né? A gente vê no consultório vários casos de pessoas que perderam anos da vida delas sofrendo, estudando uma coisa que elas não queriam, trabalhando com uma coisa que elas não queriam. Isso é muito triste, né? Por um eh eh porque quando os pais fazem isso, eu não acho que eles querem prejudicar a criança, eles querem que ela tenha essa oportunidade que ela não teve, né? Mas aquilo acaba, né? Às vezes a pessoa demora anos para entender, putz, eu só fui, né? fazer aquilo porque meu pai queria e eu não me identifico com aquilo. Então aquilo tem um prejuízo assim, um sofrimento, sabe? E às vezes a pessoa faz a vida inteira, né? E às vezes faz porque acredita que a única forma de receber a admiração e o amor desses pais é realizando a expectativa dos pais. Então veja o peso que nós podemos colocar nos nossos filhos, né? De fato, me parece que com o passar das gerações, as possibilidades foram ficando aumentadas. Aquilo que nossos avós não tinham, nossos pais tiveram, que os nossos pais não tiveram, nós já tivemos. E a intenção sempre é que a gente tenda a proporcionar mais para os nossos filhos do que o que nós tivemos, mas não realizar neles a nossa expectativa e o nosso sonho de vida. Esse compete a cada um realizar o seu próprio. Muito bem. Agora 9:1, a gente vai encerrando por aqui. Nossa, gente, quanto conteúdo maravilhoso, né? Quanto ensinamento, aprendizado pra gente. E a nossa conversa mostrou que amar um filho é prepará-lo para o mundo e não blindá-lo contra a vida, né? dependendo do que a gente tá fazendo, a gente acaba segurando o nosso filho e quando ele precisar voar, ele vai ter muita dificuldade. O afeto verdadeiro, ele caminha junto com os limites, com a escuta e com espaço paraa criança aprender a errar e se levantar. Estabelecer regras com carinho não é falta de amor. É garantir que esses filhos se tornem adultos seguros, autônomos e capazes de cuidar de si mesmos e aí depois cuidar dos outros. Bom, quero agradecer demais a participação aí de vocês. Que show de conhecimento, né? Que gostoso, he? Olha, eu eu fico assim de boca aberta. Quero lembrar que esse programa tá eh disponibilizado no YouTube e que é legal se você aí de casa quiser compartilhar para alguém que faça sentido para você, faça isso, porque é muito conhecimento, é muito aprendizado e a gente precisa repassar. Isso é coisa de ser compartilhado com toda a certeza. Então, Mariana, muito obrigada pela sua participação, pelo compartilhamento de informações e por tanto ensinamento no programa de hoje. Considerações finais, por favor. Ai, muito obrigada. Eu gostei muito de participar do programa. É um bate-papo gostoso, né, de conhecer também a Ana R. Foi muito legal. Eu acho que assim, o que que eu gostaria que vocês pensassem? Ah, se você viu o programa e pensou assim: "Nossa, eu tô fazendo tudo errado, né? Eu eu tô mimando, eu tô estragando, eu não tô desenvolvendo tolerância e frustração meus filhos. Eh, eu sei que você pode passar para esse, né, para essa fase, mas assim, a criança em desenvolvimento, ela tá em desenvolvimento. Então, se a partir de hoje, se a partir de amanhã você resolver colocar regra, colocar limite, organizar, eh, falar de forma educada e e pedir as coisas e mudar numa direção que vai eh ajudar seu filho a ser um adulto mais funcional, um adulto com tolerância, frustração, um adulto que possa ter, né, ali respeito pelas outras pessoas, afeto e limite, a partir de amanhã você pode fazer isso, né? É lógico que no primeiro momento a criança vai ficar mais frustrada porque ela tá acostumada com o mimo, mas é possível, né? Quanto antes você fizer é melhor e a criança tá em desenvolvimento, então ela tem uma chance muito grande de se adaptar a essas mudanças, né? Quando fica adulto, você precisa que o adulto queira mudar, queira fazer diferente, queira fazer a terapia, por exemplo, né? Que é uma possibilidade. Aí eh a criança, o adulto, ele tem muito controle sobre o comportamento da criança, né? como se a gente controlasse a vida inteira dela. Então você pode mudar isso caso você tenha identificado que você faz dessa forma e gostaria de mudar. Muito bem, maravilhosa. Obrigada mais uma vez, viu, Mariana? Agora agradecendo Ana Carolina, muito obrigada pela sua participação e por compartilhar conhecimentos tão preciosos com a gente hoje, viu? Gratidão. Considerações finais. Eu agradeço pela oportunidade. Eu disse paraa Mariana quando nós nos encontramos hoje pela manhã que o que eu mais ganho nestas possibilidades é a chance de conhecer pessoas incríveis. Então, agradeço por vocês. Foi um encontro realmente isso me atravessou. E para vocês, responsáveis, pais, eu penso que nós sempre educamos com amor e limite é uma forma de amar. Então, pensemos que o que nós fazemos hoje vai impactar no futuro dos nossos filhos. E sempre que você tiver dúvida do que está fazendo, lembre que você está fazendo por amor. Isso torna mais leve o processo de educar. Obrigada. Muito bem. Nós que agradecemos, né, vocês duas, agradecemos você aí de casa, né, pela audiência, pela companhia. Quero lembrar que mais uma vez tá disponível lá no YouTube e no site da TV Câmara Campinas também você encontra todos os programas, tá? É tvcamaracampinas.com.br. E agora, né, nós também estamos na rádio, então eh rádiocamarcampinas eh.com.br. br, você pode ouvir a rádio e também os programas estão sendo transmitidos, então de repente você tá no carro, você pode ouvir a rádio lá por enquanto pela internet, mas logo em breve no FM, tá bom? Bom, gente, amanhã tem mais Estúdio Câmara e nós vamos falar sobre a atenção plena e a busca pelo bem-estar. Em meio à nossa rotina, eh, você já parou 5 minutinhos para respirar e aí nesses 5 minutos para respirar, você vem na sua cabeça lista de tarefas, mensagens no celular, os problemas de trabalho. Pois é, amanhã a gente vai falar sobre os exercícios de mindfulness, realmente, será que eles ajudam a reduzir o stress? O que que é isso, né? 5 minutinhos faz a diferença no meu dia. Hum. Hum. Será que parar para respirar funciona? Vou te fazer uma pergunta. Você percebe que você está respirando? Não, né? A gente respira sem perceber porque nós não estamos com a atenção voltada para nós. E em um momento que você para do dia e você sente a sua respiração, eu te garanto que pode mudar o seu dia, sim. Mas amanhã, a partir das 8 da manhã, você vai descobrir isso com profissionais que estão aptos a falar sobre esse assunto. E nós, claro, esperamos por você em mais uma edição do Estúdio Câmara. Daqui a pouquinho ao meio-dia Câmara Notícia com Gabriel Castro. A programação da TV Câmara Campinas segue feita com muita responsabilidade, com muito carinho, especialmente da nossa equipe do grupo Mais para você que tá aí do outro lado. Um grande abraço, fique bem, se cuide e até amanhã. Ciao