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[música] [música] Começa hoje no Jornal Câmara Notícia uma série de reportagens especiais até sexta-feira, chamada Feiras Livres, entre barracas e prosas. E para começar, nós fomos até a feira do Jardim Auréliia, que acontece às quartas-feiras aqui em Campinas, para conhecer [música] a rotina de quem trabalha nas barracas e as histórias de quem passa por lá. [música] Enquanto muitos dormem, antes da rua ganhar movimento, o trabalho de quem vive da feira livre começa. Ainda no escuro, é preciso separar as mercadorias, carregar os produtos no caminhão e pegar a estrada. Aqui no Jardim Auréliia, há mais de 40 anos, essa é a rotina do Fernando. Preparar tudo para que algumas horas depois a barraca esteja pronta para receber o consumidor. Cada caixa tem seu lugar. Cada produto precisa ser organizado. A montagem faz parte de uma rotina que se repete semana após semana e que exige esforço, planejamento e disposição. Algo que mistura a própria história pessoal desse feirante. Bom, eu trabalho todos os dias, mas na feira eu trabalho terça, quarta. Eh, sexta, sábado e domingo. Eh, depende dos horários. Tem dia que eu levanto 2 horas, tem depende a feira, sabe? Tem feira que eu levanto 4:30, tem fe que levanto 3, entendeu? Depende do dia. E no Ceasa eu vou de segunda e quinta, não tem horário também, eu vou e fico, demora mais do que aqui na feira até. Aí eu levanto cedo, levanto uma hora mais cedo, 1 hora, 1 hora meia mais cedo. Aí eu carrego as coisas da geladeira, carrego as mercadoria e depois eu saio para pra feira. Depois da preparação, é hora de esperar o público chegar. Entre uma venda e outra surgem as conversas, os [música] cumprimentos e as relações que vão muito além da compra de um produto. E é quando a feira começa a ganhar movimento que todo o trabalho realizado durante a madrugada aparece para o consumidor. Mas para quem está atrás da barraca, a rotina também é marcada por desafios. Desafio assim são bastante, né? É no tempo de chuva, tempo assim, sabe? Enchurrada, essas coisas. É complicado. Tem lugar que a enchorrada passa 1 m, entendeu? Não é fácil, não é complicado. E o desafio é o dia a dia, né, do as mercadorias, tem que ser mercadoria boa. Então a gente tem sempre pensando nas mercadorias melhor para ter é aquele um desafio. Se eu escolher a mercadoria, sabe? É um desafio. Desafio superado pela relação de confiança com os clientes que não abandonam a feira livre. Geralmente os fregues confiam na gente o que a gente fala, né? Então é uma confiança, né? Eles têm uma confiança na gente, porque hoje você vê tem mercado em todo lugar, tem cada esquina tem um mercado, tem um varejão, né? Mas a confiança, né? Venho toda, toda quarta-feira. Toda quarta-feira. E o que a senhora mais gosta de comprar aqui? Banana, laranja, abacate. Aqui as frutas são muito boas. E o dono da da banca também é uma pessoa muito agradável, trata muito bem toda todas as pessoas que vêm aqui comprar, né? Então ficamos amigos até. Olha, eu venho sempre porque eh basicamente é fruta minha alimentação. Assim aqui a fruta do irmão aqui que é especial, a banca ali da dos vegetais ali que é muito boa também. Aqui a feira é pequena, mas é ótima. Conta pra gente o que que o senhor mais gosta de comprar aqui. Ah, eu pego pro meu irmão mamão, lima, a uva, morango e agora hoje tava pensando em pegar um caquinho. Hoje não veio caquinho, irmão? Não, o Caqu não veio. Hoje fertou o Caquin. [risadas] Em Campinas, as feiras livres fazem parte da história da cidade há décadas. A regulamentação foi publicada em 1962, quando havia 15 feiras distribuídas pelos bairros. Aí eu comecei na feira em 85, junho de 85 com a Kombi, eu nós fazia duas, três viagens, descarregava aqui, ia vol pegar outra carga e voltava, descarregava três vezes mais ou menos. Aí a minha mãe me ajudava, as minhas irmãs me ajudava na época, né? E assim, mais do que um lugar que ainda encontra quem faz questão de frequentar, a feira também é espaço de encontro, memória e afeto. E tem quem apareça simplesmente para conversar. Tenho inclusive minha mãe, né, já falecida, infelizmente. Eh, eu amo minha mãe até hoje, né? E ela ela me ensinou muitas coisas assim em relação à compra na feira, como escolher uma fruta, um legume, entendeu? E hoje eu dou graças a ela porque, graças a Deus por ter a minha mãe, né? E a e pela que ela me ensinou esse aprendizado de como escolher uma fruta, como escolher uma um legume, tomate, sabe? Eh, qual que é o tomate ideal para se comprar, como que é, né? quando que não deve comprar tal fruta, tal legume. E eu aprendi muito, sabe? A mãe vinha, né, quase sempre pegar batata, cebola, eh, a gente vinha comer pastel e a gente lembra de muitas senhoras também, né, que foram passando pela nossa vida, né? Hoje eu tô com 58 anos, naquela época eu tava com 10 anos. Então, e foi crescendo vendo a feira, né, toda quarta-feira. Eles não não falha, né, de jeito nenhum. Nem nem no Natal, né, irmão? Quando era Natal, fazia a feira tarde na véspera do Natal. Nunca nunca falha. [risadas] Nossa, muitos anos. Feira é uma delícia. Feira é uma coisa que devia voltar sempre, porque é tem lugar que é pequenininho, né? Eu, eu era de São Caetano do Sul, São Paulo. A feira era gigante. Acho que tinha umas cinco, seis quadras. Eu tenho saudade de lá. O que que o senhor mais gosta de comprar na feira? É pastel, né? Que velho, velho. Gosto de pastel. [risadas] Tem o costume de vir toda semana? Toda semana. Pastel é tradição, então? A tradição é o pastel. Desde criança, desde pequenininho, o senhor tem costume de participar, de ir na feira? Tem. Desde quando mor ramos na feira, né? Acabar a feira eu chego em casa, descarrego e carrego pro outro dia. As coisas que que não é perecível e as outras descarregam para pôr na geladeira. pro outro dia. Feira para mim, eu já tô 40 anos, foi tudo na minha vida, né? Foi o começo, agora tá quase no finalzinho, né? Mas tá indo ainda. [risadas] [música] [música] [música] [música] Amanhã nós vamos mostrar a feira livre do Cambuí que acontece na rua Maria Monteiro. [música]