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Começar o dia desse jeito é tudo de bom. Como é legal curtir numa feira. É comer um pastel aqui e levar um pouco também para pessoal da empresa, né? Começar o dia bem e aproveitar o frio. Um passelzinho vai bem, né? Vai bem, vai bem nesse friozinho, climinha frio. Nada melhor com pastelzinho de manhã. Pois é, na segunda-feira, na primeira reportagem da série, acompanhamos de perto a rotina de um feirante. Mostramos os desafios e as histórias por trás de quem mantém a feira viva. Na terça-feira, o foco foi o dia do feirante. Fomos à feira da Maria Monteiro, no Cambuí, para celebrar a data e conhecer um pouco mais sobre a importância dos trabalhadores para a cidade. Na quarta-feira, conversamos com estudantes da Unicamp, que desenvolvem um projeto acadêmico com uma pergunta central. Cadê a feira? Na quinta, apresentamos um estudo intitulado Mercado Varejista, que analisa o momento atual das feiras da cidade. O levantamento aponta uma redução significativa no número de barracas, mas também mostra que muitos feirantes seguem resistindo e mantendo essa tradição. Hoje encerramos a série. Bom, nós estamos aqui no bairro Ponte Preta, na rua General Setembrino Carvalho, numa feira que antes era super movimentada. Como vocês podem ver, hoje tem apenas duas barracas, uma de pastel e a outra de roupa. A pergunta que fica é justamente essa: será que esses espaços de convivência ainda resistem ao tempo? É o que questiona a dona dessa barraca de roupa que lamenta o momento que vive a feira. Dá duas bancas, uma de roupa e uma de pastel somente. Isso é ruim, né? Péssimo. Isso é sinal que o comércio tá parado, né? Mas enfim, vamos. Antes a senhora tava me contando que a feira ia até na longe, lá na farmacia custo. Lá na farmacia custo ela chegava e até ali a esquina tinha peixe, tinha frango, tinha tudo. Mas tudo vai acabando, né? E hoje qual o motivo disso? A senhora acredita assim, os feirantes velhos vão saindo, os os filhos não querem entrar na feira, todo mundo tem seus empregos e ninguém quer saber de ir pra feira. Então é isso, a feira tá acabando. Dona Arsênia sente o movimento reduzir. Por a feira estar reduzida, vem menos gente. Vem menos gente, muito menos. E aí, peser bolso. Sim, eu já tenho minhas fregas as antigas, mas os novos não vêm, né? A dona da barraca de pastel tem saudades dos bons tempos. Porque antigamente não tinha nada, né? Era só feira, né? Era super grande filha. Quantas barracas senhor? Você lembra? Mais ou menos. Ah, fazia até curva assim nas suas, né? Muito grande. E hoje sobraram duas. Isso aqui duas. Como que a senhora vê isso? A senhora que toca aqui a banca de pastel. A gente tem que ir tocando, né? Fazer o qu, né? E vai resistindo ao tempo. Resistindo, resistindo. Pelo que a senhora observa, esses espaços de convivência tem resistido ao tempo. Eh, se vai resistir isso. Ah, vou até quando der. Não pode parar, né? Não, se parar a gente não vive, né? E claro, os clientes notam a diferença. Isso aí tem falta. Que que você pediu aí? Para ser do quê? Carne com queijo, cara. Mas hoje a gente tava até conversando, antes a feira aqui era maior, né? Tinha mais barraca. Hoje são duas apenas. Assas estão acabando, né, jovem? Não sei se é Pedro a vai mudando. Os jovens de hoje gosta mais de pedir as coisas em casa e tem uma das feiras da noite também, né? Às vezes não sei se segue um pouco as feiras da noite também, mas estamos acabando as feira, diminuindo sempre as bancas, viu? E a gente que é da geração da das feiras fica até chateado com isso, né? Sim. A feira muito bom, né? Na nossa época a gente saía para passear nos final de semana os feriários que tinha feito. Feiro não pode ir no dia a dia que a gente trabalha, né? Então é muito bom. Só que a turma de hoje é diferente da turma da gente, né? É, mas não pode perder a esperança que dias melhores virão. Acho que nunca vai acabar, né? É tradição, né? เฮ