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[música] [música] Nas feiras livres, a compra de alimentos faz parte da rotina, mas entre uma barraca e outra [música] Também estão as prosas, os encontros e os hábitos de quem frequenta esses espaços. A feira é acima de tudo isso, assim, é muito mais do que uma relação comercial e econômica, assim, a feira é um lugar onde as pessoas vão para se encontrar, tanto que hoje em dia a gente tem chamado esse espaço da de frequentar a feira e de ir pra feira de cultura de feira. Então é uma terminologia que a gente tá usando agora para explicar mesmo como a feira é um ambiente que que é mais do que compra e venda, né? Então as pessoas vão para comer pastel, às vezes tem pessoas músicos ao vivo que as pessoas vão e é uma relação muito cotidiana, né? Foi para conhecer melhor essa realidade que um grupo de estudantes da Unicampo Cade [música] Feira. A iniciativa surgiu em 2024 dentro da disciplina [música] de extensão universitária e tem como objetivo mapear e descrever esses pontos. A ideia surgiu ali de uma conversa entre o nosso grupo de amigos, né? A gente foi pensando o que que a gente pode fazer, né, na disciplina de extensão, que é uma disciplina de de troca com a comunidade externa, é a comunidade entre a comunidade acadêmica e a comunidade externa, né? um diálogo entre essas duas comunidades e a gente pensou no no mapeamento das feiras de Campinas e na divulgação, porque a gente foi perdendo essa cultura de ir pra rua, né, de pra feira, de conversar com as pessoas. foi tudo eh a gente vive uma cultura de imediatismo, né? Hoje em dia a gente às vezes vai no supermercado, nem nem conversa com as pessoas, a gente vai no caixa eletrônico. Então acho que foi mais pra gente e retomar esse convívio, né? Eh tentar influenciar as pessoas a voltarem pras feiras, a voltar a conviver, a conversar, a comer comidas de verdade, que muitas vezes a gente vai no supermercado e a gente compra comidas que não são de verdade, né? Ultra processados, enfim. Para fazer o levantamento, os estudantes consultam informações [música] públicas, conferem os dados e visitam as feiras. A gente tem o nosso Instagram, né, nossa principal nosso principal meio de divulgação. Então, lá no Instagram a gente eh divulga as feiras que tem em Campinas. A gente vai até as feiras, a gente faz mídias, a gente coloca o que tem nas feiras, coloca o endereço pras pessoas. A gente tá também criando e os pins no Google, né? Por exemplo, se você pesquisar no Google Feira dos Alecrins, esse PIN foi criado por nós, né, pelo projeto. Segundo Pedro, o grupo já mapeou mais de 10 feiras da cidade e eles [música] têm percebido a diminuição no número de barracas e também de frequentadores. E algo que chama muita atenção é como as feiras realmente poderiam receber mais atenção mesmo, porque a gente percebe como não é tão movimentado quanto a gente talvez esperava, né? Eh, hoje em dia a gente tem ideias de tentar fazer um mapeamento realmente de quantas pessoas estão indo na feira, quantos clientes. Hoje em dia a gente mapeou, salvingando, 11 feiras que estão descritas no nosso Instagram e entre todas elas, o poucas a gente percebe e grandes barra é muitas barracas. Então acho que os próprios fees também não recebem tanto incentivo mesmo para trabalharem com isso, porque é um trabalho muito familiar, né, que passa de pai para filho, de de filho para filho depois. O levantamento dos estudantes mostra que para entender como as feiras funcionam é preciso ir além dos dados. O projeto também aborda as histórias de quem trabalha aqui, de quem compra e as relações que são construídas ao longo dos anos. Desde que eu me conheço por criança, eu vim aqui, ficava empilhando as laranjas. Aí todo mundo me conhece. Essa feira aqui no Cambui a gente faz há pouco tempo, mas tem feira que eles fazem já há 40 anos. Aqui faz mais ou menos uns dois anos, então a gente tá começando a conhecer o pessoal agora. E uma cliente passou aqui, falou que você fala bem, você costuma conversar com os clientes, tem uma relação de troca com quem frequenta. Sim, você vai criando uma amizade, né, com as pessoas, você vai vendo todos os dias, tá cuidando querendo ou não, da alimentação das pessoas, que comer fruta é uma forma de viver saudável. Então você vai criando essa amizade, tem gente que você vem, você já sabe o que que a pessoa vai pedir, a pessoa aparece ali, você fala: "Ah, cinco bananas, um melão". Então você já sabe o que que a pessoa vai pedir e vai criando essa amizade, sabe da vida das pessoas, as pessoas sabem da gente. Então essa rotina faz a gente ficar mais próximo das pessoas, né? Porque é diferente dos mercados de hoje em dia que é tudo mais rápido, é tudo mais, como que eu posso falar? Tudo uma forma mais mecânica de atendimento, né? E a feira é uma coisa mais descontraída. Eu acho que é uma coisa muito mais eh eh personalizada. Você vai no supermercado, cada hora é uma pessoa e aqui não. São sempre as mesmas pessoas. Eles identificam você, ele sabem o que eles querem, é o que você quer. Então eles já às vezes até trazem. Olha, eu trouxe isso para você. É muito legal. É uma experiência completamente diferente. Na verdade, vir à feira para mim é uma experiência. ir ao supermercado é uma obrigação. A vendedora Betina é um exemplo de como essa convivência pode virar amizade. Isso porque há [música] mais de 10 anos ela compra queijo toda semana na barraca do feirante Marcos sem falta. Há 14 anos que eu trabalho aqui e há 14 anos que eu venho toda quinta comprar o queijo do Marcos. [risadas] E eu vi que o Marcos te chamou aqui pelo nome, você já se conhece há muito tempo, cria essa relação de amizade também com ferante. Sim, com certeza. Ele já sabe o que a gente compra semanalmente. Quando a gente não consegue vir, ele entrega pra gente ali no prédio. É, são muitos anos de amizade, né? Muitos clientes, a gente conhece pelo nome, trata como pel com pelo nome deles tudo, né? E já tem aquele vínculo assim que criou uma amizade, não é só cliente, é bem com amigo mesmo, viu? Da família até. เฮ [música] [música] [música]