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[Música] [Música] Bom, a gente segue com as notícias da Metrópole, porque interrupções com pipas na rede elétrica aqui da região de Campinas cresceram 57% só neste ano. Soltar pipa é uma paixão de muitas gerações. Essa tradicional brincadeira, além da diversão, exige uma atenção redobrada, ainda mais quando o assunto é a rede elétrica. Conforme os dados da CPFL paulista, concessionária responsável pelo serviço de distribuição de energia, a soltura de pipas causou um aumento preocupante de 57% nas interrupções de energia elétrica na região neste primeiro semestre de 2025. Foram 599 ocorrências provocadas por pipas contra 382 no mesmo período do ano passado. A cidade de Campinas é a mais afetada, registrando 249 interrupções devido a essa prática. Com isso, a CPFL alerta para que crianças e adolescentes soltem pipas longe da fiação elétrica. A gente percebeu esse aumento, né? tá falando aí do primeiro semestre de 24 com o primeiro semestre de 25, que não é a época de soltura de pipa, né? Esse volume aumenta agora nas férias escolares com o vento de inverno, né? Essa essa preocupação nossa de trazer com vocês aqui da TV Câmera essa conscientização. A principal dica é procurar o local seguro, longe da rede elétrica, longe do entorno das rodovias, da marginal da rodovia, longe da substração de energia, né? Essa é a principal dica. Mas vamos falar que tá próximo e aconteceu, enroscou sua pipa na rede. Nunca tentar resgatar, não usar nenhuma madeira, nenhuma ferramenta metálica, nada para resgatar. Não resgate sua pipa, vai fazer outro papagaio, outra pipa, outra mariola. Faz a brincadeira de novo. É super legal montar, faz a competição de quem faz a pipa mais bonita, mas não tente resgatar a sua pipa da rede. Esse é o principal ponto. Além da questão do risco de vida que o resgate das pipas oferece, a concessionária faz outra orientação para garantir a segurança e a continuidade ao fornecimento de energia. Essa interrupção pode ser numa área de comércio que todo mundo vai deixar de vender porque sua seu sistema não vai funcionar. Pode ser numa residência que tem uma UTI domiciliar em casa e a pessoa precisa da energia para sobreviver e pode afetar uma pessoa. Pode ser numa área hospitalar, né? Pode um hospital de um qualquer hospital de Campinas, se tiver o fornecimento interrompido, isso pode trazer sérios transtornos para quem tá internado, para um médico tá operando. Então assim, existem uma série de riscos, né? interrupção aconteceram 599 no período que não é o período forte de soltura de pipa e por isso a nossa preocupação. O uso de cerol, linha chilena ou qualquer outra linha com elementos cortantes é crime no estado de São Paulo. De acordo com a lei estadual número 12.192 que existe desde 2006. A segurança, né? Você pega, nós tivemos vários acidentes na nossa região de acidentes até fatais de motoqueiro com linha chilena, com cerol. Isso é um risco pra vida. Mas também existe o risco elétrico, né, de você enroscar uma linha dessa na nossa rede, conduzir energia, ou de você tá soltando a sua pipa no momento de chuva, de tempestade, uma descarga atmosférica pode ser conduzida e ter um choque fatal. A CPFL orienta que em caso de ocorrências as pessoas permaneçam o mais distante possível de fios partidos para evitar acidentes graves ou fatais. Havendo vítimas, o corpo de bombeiros ou SAMU ou outros órgãos de socorro médico devem ser acionados imediatamente. E para reforçar ainda mais essa conscientização, a concessionária possui a campanha Guardião da Vida. Essa campanha é uma preocupação da CPFL, não só agora na época de pipa, nós temos essa preocupação durante o ano inteiro. Queria convidar todo mundo a entrar no nosso site, conhecer a campanha do Guardião da Vida. Então nós falamos lá do maio amarelo, nós falamos da festa junina, nós falamos de quem trabalha, né, com no serviço de eh de pintura, reforma de fachada, pro pedreiro ali do dia a dia, pro eletricista do dia a dia. Então tem dicas de segurança para todos, né, quando você vai instalar sua antena em casa para ficar longe da rede e também fala da questão da pipa, né, dá essas dicas, traz essa conscientização. Eu acho que é legal um amiguinho falar pro outro da escola, o professor da escola trazer paraos seus alunos, os pais pros filhos, os avós. É uma brincadeira milenar, saudável e que tem que ser feita com segurança. Pela definição, lenda é uma história que cai no gosto popular e mistura fatos reais com ficção. E Campinas tem algumas lendas. Entre as mais famosas está a do boi que falou numa sexta-feira santa, quando um homem escravizado, o Toninho, ouviu com clareza: "Hoje não é dia de trabalhar." Essa história é tema do curta hoje não. Dirigido por Daniel Almeida, escrito por uma professora da rede pública e gravado nas fazendas da região e no cemitério da saudade. Uma das lendas de Campinas é a do boi que falou, atribuída ao milagreiro Toninho do cemitério, diz a lenda que numa sexta-feira santa, ao tocar a boiada, um boi teria falado com Toninho que neste dia não se deveria trabalhar. A história de Toninho e a lenda são temas do curta hoje não, dirigido por Daniel Almeida, que além de professor atuou como porteiro Marlon em Ainda Estou aqui, o único filme brasileiro a ganhar um Oscar. Em primeiro lugar de ser um trabalho a partir de um projeto de uma ex-aluna minha, né, de de cinema, é professora da rede aqui de Campinas. Isso me orgulha bastante por essa questão do cinema pedagógico, educativo. Eu acho que segundo essa história eh que me pega tanto, perpassa tanto, que é do Toninho milagreiro. Gosto de falar milagreiro porque quando a gente contém nas histórias sempre Toninho escravizado, exravizado. Não, para mim Toninho milagreiro. Gosto pontuar dessa maneira, né? e tá nesse lugar na onde o jazigo dele tá aqui, onde ele recebe homenagem até hoje, pessoas agradecendo as suas graças e tudo. Fazer essa homenagem através do cinema para essa pessoa tão importante pra cidade de Campinas é gigante, né? Além de Daniel, da atriz e roteirista Cláudia Garcia e do ator J Morais, grande parte da equipe de produção de filmmakers e sonoplastas é composta por pessoas pretas, marcando a mudança de um tempo. E aí você tem essa produção também que por trás das câmeras, né, você tem uma uma quantidade de trabalhadores pretos da cidade também é muito importante, né? Porque a obra em si, a gente fala, OK, depois ela vai pro mundo, vai atingir cada pessoa de uma forma, mas enquanto a gente tá fazendo, é tudo isso aqui, né, que vocês estão vendo, é essas pessoas trabalhando, construindo, trabalhadores, trabalhadores da cultura construindo a história da cidade, porque a gente de uma certa maneira vai passar, a gente tá no cemitério da saudade, vai passar, mas essa mensagem que é a imagem fixa, né, ela fica. Cláudia é professora da rede e frequentou as oficinas de cinema do Daniel para aplicá-las aos alunos. Mas hoje não, seu primeiro roteiro foi classificado pelo ProAC junto de outros 11 concorrentes, de um total de 500 inscritos. Quando a gente pensa na história do Toninho, né, a gente vê uma a construção dessa lenda muito ligada ao barão. E o Toninho meio que some da história, né? E isso daí me incomodava na história, né? Cadê o Toninho? E aí nas minhas pesquisas, além do Toninho, eu ainda encontrei a felicidade, que é a esposa dele. Esses personagens são reais. o Toninho, claro, vão ter outros personagens do no filme que não, mas o o o Toninho, o Barão e a felicidade são personagens que existiram. E aí eu trouxe essa mulher também pra história, né? Eh, da força da mulher negra também dentro dessa história e contar a perspectiva a partir do escravizado, né, que era uma perspectiva que a gente não percebia nas outras histórias. O único registro da história foi feito pela neta do barão Geraldo de Rezende. Ambos, Barão e escravizado, estão enterrados lado a lado no cemitério da cidade. Hoje, Toninho é considerado um milagreiro e seu jazigo tem inúmeras placas de agradecimento por graças alcançadas, dando uma meio de Tarantino do que você gostaria que fosse, como você gostaria que essa história tivesse acontecido, entendeu? foi um pouco pensando nisso. Os registros contam que Toninho já era um rezador reconhecido inclusive pela baronesa. Hoje um milagreiro. Talvez só alguém que tenha sentido na pele e na alma o sofrimento da escravização pode sentir a dor do próximo e auxiliar os que buscam por socorro. E a realidade de representar esse personagem é desafiadora. Tem sido um prazer, um aprendizado enorme, né? Eh, não só contar a história de Campinas, mas trazer também a história de um de um ancestral, vamos dizer assim, de um ancestral, né? Que também é uma alegoria de uma classe lutadora, né? De uma classe que resolveu dizer hoje não, né? E isso é maravilhoso. Tem sido um processo de aprendizado, né? Eh, trazer esse personagem eh tem me ensinado muita coisa, né? A gente tem que se despir de muita coisa para, eh, eu não gosto de dizer incorporar, né? Mas de representar, né? O Toninho, que é uma história de liberdade e de luta de classe, né? Vamos dizer assim. Além de resgatar a lenda do boi que falou, hoje não é um convite à reflexão de uma luta que é ancestral, mas também muito atual, porque o filme, para além de de falar dessa questão eh eh da história do Toninho e a história preta da cidade, mas fala sobre direitos de trabalhadores. Então uma pessoa também que não seja negra, preta, ela também se identifica porque a gente tá falando de direitos dos trabalhadores nesse filme. Então qualquer pessoa de repente até no outro país que não tem essa história escravização como a gente teve aqui, vai entender o que que a gente quer debater. E tem um ditado africano que diz que o leão vai ser sempre mal se você só ouvir a história do caçador. Então, né, bem no meio dessa concha de retalhos, nós estamos seguindo por uma visão eh dos próprios escravizados, né? uma visão eh trazida com a a etnia negra, né? Então é uma visão como se se fosse um negro falando de um negro, né? Não essa coisa eurocêntrica, né? Que tem na nossa cultura. Hoje não é um convite para um mergulho na história contada, recontada e ocultada da cidade e de nossos ancestrais. Quando eu converso com meus alunos sobre eh essa história e eu percebo que poucas pessoas conhecem, né? E é é assim, Campinas é uma das poucas cidades que tem uma lenda própria. E aí eu fico, né, tipo, eh, eh, assim, abismada. Como assim? As crianças não conhecem, né? Só que o que eu tenho também de referências, eu não me animava a a contar a história, entendeu? Então, eh, para uma base de uma educação antiracista, eu acho que é uma história perfeita, assim, né? E é o que eu pretendo trabalhar com eles, né? Com essa história na escola. Esse filme, eh, apesar de ser um curta, ele tá contando uma história que é muito longa e que ainda tem muitos passos aí pela frente, né? E aí uma eh o nome que se dá a isso, né? que é o hoje não. Eh, esse hoje não, ele é atual, né, para várias coisas, né, que a gente tem que continuar dizendo, né? O preto da periferia, ele tem que sempre tá dizendo: "Não, hoje não, cara, não vai fazer isso comigo, sabe? Eu não vou mais um preconceito, eu tenho que fugir de, sabe, hoje não pra fome, sabe? Hoje não, eu preciso dos meus direitos." Então esse nome para além do que o Boi fala, que é o dia sagrado que não pode trabalhar, é para que que a gente tá dizendo esse não atual e que liberdades que a gente quer, né? Então, para mim tá nessa, tá nesse ponto o filme. M. [Música] เฮ [Música]