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[Música] trânsito intenso para quem vem ao centro de Campinas é quase obrigatório passar por algum trecho dessa via que tem 2 Km e 350 metros já se chamou Rua do Rosário mesmo nome da igreja que ficava onde hoje é o Fórum da cidade começa na Rua da Abolição no bairro Ponte Preta terminando na Avenida Barão de Itapura no bairro Guanabara Apesar de o trânsito fluir no sentido oposto traz o nome de alguém que nasceu aqui e que foi uma das personalidades mais importantes da história do início da República no Brasil Francisco Glicério Cerqueira Leite filho da ex escrava Maria Zelinda Conceição Cerqueira e de Antônio Benedito de Cerqueira Leite uma das mais tradicionais e antigas famílias Paulistas é ele quem dá o nome a principal Avenida que corta o centro da cidade mas que durante a história pouco se tem registros da afrodescendência do ilustre campineiro é o que constatou a pesquisa da doutora em urbanismo intitulada o projeto ruas de histórias negras e a representação da matriz africana em Campinas a disputa do território Urbano um estudo de caso a antiga Rua recebeu o novo nome em 1889 uma homenagem dos vereadores Campineiros Dr Salvador Leite de Camargo Penteado e Antônio Álvaro de Souza Camargo na sessão de 25 de Novembro daquele ano muitos nomes de personagens negros estão dados em ruas da da Periferia da cidade quanto mais afastado o bairro mas nomes identitários tem ao mesmo tempo esses nomes ganham a centralidades como a maior Avenida que nós temos aqui de representação né de manifestação que a Francisco Glicério ela perde a Plenitude nós fizemos uma pesquisa de rua por exemplo pesquisamos mais de 5.000 pessoas para pesquisa perguntando se você conheceu Francisco Glicério que que você imagina que ele fosse né E como ele era e dava menos de 1% da pesquisa reconhecia para esse Glicério quando o personagem negro a maioria das pessoas do sério poderia ter sido um barão poderia ser qualquer coisa menos um homem negro hoje uma placa que fica em frente à praça do fórum traz a identificação da descendência de Glicério mas o personagem ainda tem essa parte de sua história pouco conhecida em Campinas uma escola estadual recebe seu nome na parede uma foto do patrono mas apenas recentemente o do político brasileiro ser negro é que veio à tona na comunidade escolar para mim foi uma surpresa sou moradora de Campinas há muitos anos e logo que assumir a direção aqui da escola como costume eu fui pesquisar o patrono Quem foi o que ele fez tudo mais e comecei a pesquisar e descobri que ele era uma personalidade ilustre da cidade e era negro e isso foi muito interessante eu não sabia disso depois passa até desenvolvemos um projeto valorizando as personalidades negras da cidade de Campinas a escola foi o primeiro grupo escolar de Campinas criado em 1897 período no qual a educação pública passava assumir um lugar fundamental na estrutura da recém criada República Brasileira coincidência ou não o fundo do prédio da de frente com Largo São Benedito um lugar importante para a comunidade negra da cidade a diretora lembra que a constatação também surpreendeu os alunos O que rendeu uma identidade visual na entrada dos dois portões da Unidade Escolar eles ficaram muito surpresas também se sentiram valorizados em saber que uma o patrono da escola que Eles estudaram estudavam era uma personalidade negra e eu acho que foi um trabalho muito bacana nós fizemos esse projeto aqui em 2019 e que nós trabalhamos bastante com os alunos se ele conseguiu porque aquilo Porque não vocês também não vão conseguir né então porque às vezes ai mas negro eles mesmo né ah eu sou negro para mim é mais difícil tudo mais então a gente sempre trabalha não espera um pouquinho o nosso patrono Ele era negro e olha a importância ele dá nome a avenida principal da cidade dar nome a nossa escola então todos têm condições de conseguir então a gente trabalha muito valorizando realmente ato de ser negro e ter conseguido um destaque importante na nossa cidade os alunos participaram ajudaram também fazer essa grafitagem e fizeram questão de colocar aquele era negro isso foi muito bacana Inclusive a gente percebe que uma dessas grafitagens é bem próxima ao trânsito ao ponto de ônibus já ouviu alguma conversa das pessoas nossa é isso mesmo como essa recepção das pessoas que passam por aqui olha é muito interessante porque às vezes você tá no Glicério eu não sabia que ele era negro eu fiquei sabendo justamente porque o meu ônibus passou porque eu vi isso foi muito muito gostoso pra gente que trabalha aqui e tudo mais em uma sala da biblioteca da Câmara Municipal a história de Campinas desde a sua formação são documentos tombados como Patrimônio Histórico cultural pelo Conde pack e que são objetos de um termo de ajustamento de Conduta ao Ministério Público do Estado para a preservação nos livros a posse de Francisco Glicério em 1881 a ata de uma sessão plenária em que o abolicionista se posicionou Justamente a respeito da nomenclatura de uma praça que foi cenário de castigos aos negros escravizados na cidade Glicério que foi empoçado em 7 de janeiro de 81 para servir até o quadriênio de 1884 teve esse embate na sessão de 1882 quando colega Dr Ricardo fez a indicação para que o atual Largo das Andorinhas mudasse de nome na ocasião o livro de ata registrou verso da folha 65 o senhor Dr Ricardo apresentou a seguinte indicação indico que o pequeno Largo quase fronteando o mercado situado entre as sessões da rua do caracol e da América que outrora foi chamado Largo de Carlos Gomes seja restituída sua designação primitiva Histórica de Largo de Pelourinho submetida a discussão os senhores vereadores Geralmente se manifestaram contra indicação que traz recordações desagradáveis propondo o senhor Francisco Glicério que se desse antes o nome que está de acordo com as aspirações da época de Largo da Liberdade posta fotos foi a primeira rejeitada contra o voto do Senhor Dr Ricardo sendo aprovada a emenda do senhor Francisco Glicério apesar da previsão daquela variância irá até 84 em 7 de janeiro de 1883 a câmara de Campinas tem uma nova formação desta vez sem Glicério nos registros históricos o abolicionista e Republicano ganha destaque na primeira república que começou em 1889 como o fim do imperialismo no país Retratos do Republicano fazem parte do patrimônio do Legislativo em imagens se pegar uma foto de Francisco Glicério para a gente conseguir aquela foto que tem uma foto na sala do presidente da Câmara dos Ministérios sentado no Largo do Rosário engraxando sapato Quando você vai procurar Francisco Glicério ele tem a pele branca barba branca tudo aí você tem que procurar lá que ela ele excelente fundador do PRP o Partido Republicano Paulista foi ministro da Agricultura Senador era o general das brigadas patente concedida no governo provisório em 1915 a câmara recebeu a inauguração de uma obra de óleo em tela de Glicério que já era Senador e informou em Telegrama ao então Prefeito Doutor Heitor Penteado que não poderia comparecer ao evento em sua homenagem pois estava doente tudo documentado no livro na obra um homem branco bem diferente das fotos originais do campineiro quando o nome é reconhecido imposto numa área central de reconhecimento ela passa também pelo processo de embranquecimento E aí de novo um apagamento Então tá por nossas representatividades sejam na parte das identidades dos personagens dos territórios e das memórias passam constante repor de um conjunto de informações que faz com que dentro da estrutura do racismo ela sofra pagamento a todo momento risco Glicério morreu em 1916 cinco anos depois a câmara municipal construiu um monumento Em sua homenagem no cemitério da saudade antigos Cemitério do Fundão história de um afrodescendente campineiro que muito contribuiu com o Brasil ele não escondia suas origens ele não escondia Carlos Gomes não escondia os irmãos Rebouças não me escondia ser mais divulgado inclusive quando quando eu fui fazer a pesquisa Eu verifiquei que em poucos lugares mencionava que ele era negro que ele tinha que a mãe dele foi uma ex escrava tudo mais e aí eu fui pesquisando que eu confirmou realmente o fato dele ser negro e isso foi assim muito gratificante [Música] [Música]