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CÂMARA NOTÍCIA - SÉRIE HISTÓRIAS DE RUAS NEGRAS - LAUDELINA DE CAMPOS MELO
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CÂMARA NOTÍCIA - SÉRIE HISTÓRIAS DE RUAS NEGRAS - LAUDELINA DE CAMPOS MELO

223 views Publicado 29/11/2022 HD · 18:43

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Reportagem da Série “Histórias de Ruas Negras” fala de Laudelina de Campos Melo, fundadora do primeiro Sindicato das Trabalhadoras Domésticas que viveu em Campinas e dá nome a uma rua que fica no Parque Itajaí 2.

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[Música] ativista sindical e trabalhadora doméstica uma trajetória marcada pela luta contra o preconceito racial subvalorização das mulheres e exploração das empregadas domésticas laudelina de Campos Melo é citada no livro ruas de histórias negras de Edna Lourenço e também na tese de doutorado da urbanista Alessandra Ribeiro intitulado o projeto ruas de histórias negras e a representação da matriz africana em Campinas a disputa do território Urbano um estudo de caso a placa biográfica desta mulher é uma das 43 indicadas pelos trabalhos e a única de uma mulher negra que é homenageada os meninos ainda TM a referência do futebol aqueles que gostam de jogar bola as meninas elas têm algumas referências quando ela tem o espelho da mãe e do pai que orienta e que mostra Olha esses são as nos Essas são as nossas heroínas negras sen não a gente só sabe quais são então nós precisamos que as nossas crianças tenham uma autoestima elevada na sala de aula a rua com o nome da mulher que representa a luta pelos direitos trabalhistas das empregadas domésticas no Brasil fica no Parque Itajaí do em Campinas um bairro de moradia Popular que recebeu então um ttem que conta um histórico da fundadora do Sindicato da categoria E é nessa rua que nossa equipe encontrou o casal que fez o pedido para que hav viia recebesse o nome desta mulher uma história de luta sindical e amizade que começou nos anos 80 quando todos moravam na Vila Castelo Branco chamada de Vila Bela em Campinas eternizada com pedido deles após serem contemplados nos anos 90 com a moradia da COHAB no distrito do Campo Grande a categoria das empregada doméstica a qual a Marquesa foi incentivado a participar a época também não tinha organização nenhuma tava tudo estagnado né Foi aí que começou se procurar quem é quem tava sobre a responsabilidade né é da associação com quem tava o documento né então ficou tempos procurando esse documento foi até na parda do Norte Fei pesquisa eh no no Rio de Janeiro porque a a Dona Nina antes ela participava da frente Negra também há muito tempo já atrás né aí depois que descobriu quem era a dona nina tava junto da gente aí lelin nós já se conheceu já começou a participar da do movimento né articulando as coisas né então não foi difícil que é uma casa de vila e a gente foi contemplado a época a gente veio morar para cá enquanto a gente foi morar para cá como a gente já eh participava de movimentos a gente falou assim vamos mudar lá pro bairro né a gente vai ter de se organizar porque na época enquanto entregou esse bairro aqui ele só foi entregue com as guia com os poes de rua mas sem sem luminária e sem pavimentação quando a Dona Nina faleceu é que foi no começo dos anos 90 né a gente achou pelo histórico que a gente conhecia dela que a gente devia homenagear ela com o nome da rua aonde a gente morava porque era antiga Rua 15 não tinha nome a gente juntou a a documentação e deu a denominação pelo nome dela E aí vocês chegaram a conversar com os outros moradores da Rua falando olha vamos vamos pedir para que se chame Rua laudelina de Campos Melo como que foi isso a a conversou e na época também a gente tinha um tipo de a gente fazia panfleto né jas passou para os morador e explicando na época Quem era a dona nina né qual a importância que ela tinha então houve não houve problema com os moradores houve a concordância ho envolvido sabe aí a gente participava junto das coisas né da organização do bairro e a gente foi se descobr o pessoal né aceitou né porque você tinha que conversar com o povo né E aí foi feito foi rápido foi assim né e não foi difícil foi difícil não não não é porque nós já estava no bairro nós já tinha feito assim muita muita coisa aqui no bairro então a gente era bastante conhecido né então não foi difícil não e ela também foi merecedora que não ia dar o nome de uma pessoa assim do nada né então acho que foi bem importante a lei de 1991 é de autoria do ex-vereador Arlindo Dutra que hoje fala com orgulho da homenagem que concedeu a uma mulher que representa muito a classe das trabalhadoras domésticas dado histórico de luta e de participação dela na construção do movimento sindical sindicato das domésticas fundador sindicato doméstica me solicitaram que homenageasse essa a laudelina com a rua no bairro deles o que me deixou muito honrado de poder ser o propositor desse projeto e denominar aquela rua laudelina no Parque Itajaí Imagina a minha gratidão de poder homenagear uma pessoa negra mulher e Sindicalista algo que era difícil na oportunidade você vê hoje o movimento sindical se pensa em homens né Eh o negro até hoje ele é não é aceito na sociedade como um todo tem essa discriminação o preconceito são nossos irmãos são construtores da sociedade a minha família é de origem Negra e e mulher também que sempre foi discriminada na sociedade não tem seus valores respeitados Então para mim foi Muita honra dar poder homenagear uma mulher negra Sindicalista com a rua no município de Campinas Mas afinal de contas Quem foi essa mulher que viveu na Vila Bela em Campinas sem herdeiros laudelina doou o imóvel ao Sindicato das empregadas domésticas de Campinas e região e que teve um resumo de sua luta neste livro infanto juvenil o autor conta como foi conhecer a história de uma mulher que viveu à frente do seu tempo eu sentia falta né de ter referências negras na minha vida na minha história desde muito cedo desde muito pequeno eu senti a falta de ter esses elementos que me AJ ajudasse na construção da minha personalidade e aí fiz uma pós--graduação em 2019 comecei ela em 2019 que era uma pós-graduação em matriz africana E aí foi me dando alguns elementos da nossa cultura e isso foi me ajudando nessa construção em 2021 eu era repórter de um jornal aqui da cidade e me tornei colunista também era uma coluna bem importante que existia 20 anos e nenhuma pessoa preta nunca tinha ocupado aquele espaço nunca tinha escrito ali e e todo domingo saía foto do colunista junto com a com a com a coluna e eu achei importante sendo uma única pessoa negra ocupando aquele espaço que eu trouxesse também eh a comunidade Negra junto né pessoas da nossa da nossa da nossa Negritude da nossa raça acho importante ocupar aquele espaço e aí eu comecei a fazer pesquisas de pessoas negras ou de fatos históricos ligados aos negros que pudessem ser descritos ali naquela coluna E durante essas pesquisas em 2021 apareceu delina E aí primeiro me foi um choque assim porque uma pessoa que fez tudo que ela fez e que não foi só localizado em Campinas ela fez história aqui ela fez história em Santos ela fez história em poos de Caldas que foi Onde ela nasceu e a luta dela mudou a realidade do país porque foi a partir dela que as mulheres negras aliás todas as mulheres né tiveram empregadas domésticas tiveram direito à carteira assinada aos benefícios previdenciários então assim ela fez uma grande mudança depois de 40 anos de luta porque ela lutou por isso desde da década de 30 isso foi aprovado na década de 70 e ninguém sabia dela a gente não sabia dela aí eu achei muito importante trazer então eu eu escrevi sobre L audelina nessa coluna E aí a editora mostarda viu essa essa reportagem entrou em contato comigo pra gente fazer um projeto junto de escrever essa história para o público infanto juvenil para apresentar essa figura que é tão emblemática no sindicato objetos e peças do acervo de laudelina uma mulher que amava a cultura e que não se contentava com a segregação racial que existia na época CL Adelina era uma mulher negra que nasceu em 1904 ou seja pouquíssimo tempo depois a libertação dos escravizados então a gente imagina que sociedade era aquela na época o racismo se hoje ele ainda é chocante e muito presente na nossa sociedade imagina naquela época em 1904 e numa cidade pequena como posos de caudas em Minas Gerais que é tem toda aquela questão escravagista e fazendo até hoje né então você imagina o o que foi o ambiente que essa menina nasceu e cresceu e aí ela desde pequena a partir dos 7 anos começou a trabalhar como empregada doméstica ela perdeu o pai muito cedo e ela ajudava a mãe a cuidar dos irmãos Então ela não pode estudar por conta disso também mas ela já era muito antenada ela era uma pessoa muito à frente do tempo dela então ali já com 16 anos ela criou um clube chamado 13 de Maio que era para dar cultura divertimento para as pessoas negras porque porque ainda era muito segregado não podia entrar em clubes não podia participar de festas Então ela criou esse clube e ela virou a presidente com 16 anos de idade uma mulher negra é sempre bom frisar isso ela já começou a fazer essa diferença ali naquela comunidade e ela dizia que ela não fazia política ali mas só o fato dela ocupar aquele espaço criar aquele espaço esse corpo já é um corpo político ela já estava fazendo política mesmo que talvez ela ainda nem soubesse aí muito cedo com mais ou menos 19 anos ela foi morar em São Paulo já casada e ela começou a perceber que as mulheres empregadas domésticas trabalhavam 20 30 anos na mesma casa na mesma família e quando ficavam velhas eram literalmente jogadas na rua ficavam ali com a canequinha pedindo dinheiro e ela começou a cuidar dessas mulheres ela percebeu que ela tinha que lutar por esse tipo de público e aí lá lá em Santos ela criou na década de 30 a primeira associação para as empregadas domésticas porque ainda não existia sindicato né então ela criou a primeira associação que foi fechada na ditadura Vargas passa-se um tempo ela veem morar aqui em Campinas na década de 40 E ela percebeu que na cidade existia um aparti muito grande então tinha Praça que os negros só podiam caminhar na parte interna e os brancos na parte externa e ela fazia um zigue-zague já para provocar uma discussão mostrando que ela não aceitava aquilo as meninas não podiam por exemplo entrar em clubes então não podiam debutar aí ela criou o concurso Pérola Negra que era para que essas meninas ao fazerem 15 anos pudessem também debutar e ser apresentadas pra sociedade como acontecia na época e o que ela fez foi tão grandioso que esse concurso ele aconteceu dentro do teatro municipal da cidade então na história do Brasil era a primeira vez que um evento de negros acontecia dentro de um teatro municipal A revista O Cruzeiro na época que era mais importante que existia veio para cá para cobrir o evento de tão espantoso queera aquilo acontecer o uniforme do tempo em que serviu na força de paz no porto de Santos durante a segunda guerra com decorações ela teve contato durante a segunda guerra com o livro azul do Hitler onde ele descreviam os ideais dele aqueles horrores e principalmente O Extermínio da Raça Negra e quando ela viu aquilo ela ficou chocada e ela resolveu se alistar nas Forças de paz no Brasil para combater os ideais do Hitler Então ela realmente se tornou uma soldada ela não pegou em arma mas ela se tornou uma soldada e ela atuava ali dentro de de Santos eh na ordem da cidade parava caminhão e ela Fazia tudo que um homem fazia então tem até uma passagem que um caminhoneiro passou e ela viu que ele tava com a com o camião com mais carga do que deveria e ela pediu para ele parar ele ignorou as ordens dela de parada e ela correu atrás desse caminhão até que ele parou e quando ela perguntou por que que ele não tinha parado quando ela deu a orden ele respondeu porque ele não tinha enxergado ninguém mas não é que ele não tinha visto É que ele não tinha ele uma mulher negra dando uma ordem para ele era praticamente nada e ela falou ah então tá bom agora você vai me enxergar ela chamou outros soldados que levaram esse homem pra delegacia e ele ficou com esse caminhão parado mais de 12 horas dando explicações de onde vinha para onde ia nota fiscal Por que que tava carregado daquele jeito até resolver toda a situação ela conseguiu fazer esse homem ficar parado então ela disse agora acho que ele me enxergou né fotos revelam momentos grandiosos E também o respeito que laudelina tinha em toda a sociedade nos encontros com políticos ministros e presidentes ela já tinha uma questão que é essa coisa da profissão da profissionalização Então ela dizia por exemplo a empregada doméstica ela não é a babá então a empregada doméstica ela tem que entender de limpeza ela tem que saber como a casa funciona ela tem que entender um pouco de química para saber dos produtos que tipo de de junção vai dar o qu qual tipo de produto serve para qual tipo de limpeza Então tinha que ser profissional então babá tinha que entender de pedagogia ela falava não tem como ser formada mas tem que ter noções de pedagogia para entender como criar uma criança e a babá não é a cozinheira a cozinheira tem que ter noção de como guardar os alimentos de como conservar os alimentos tem que ter noção de Nutri de de de nutrição De qual alimento combina com qual o que que aquela família precisa porque a criança precisa de uma coisa a pessoa mais idosa precisa de outra então cada um dentro do seu quadrado sendo profissional e cada cada um sendo bem pago de acordo com a sua especificidade então ela já tinha essa noção Desde aquela época ela começou a lutar para que fosse reconhecida essa profissão como qualquer outra e tivesse benefícios como qualquer outra então ela começou essa luta desde a década de 30 por toda essa luta dela ela era conhecida pelo pelo ministro da do trabalho como o terror das patroas de tanto que ela trabalhava essa causa não só em Campinas né mas aqui foi o ápice E aí com toda essa luta dela ela ia paraa Brasília ela participava de criação de Sindicato de associações de empregados domésticos no país todo ela era chamada para vários lugares para fazer esse tipo de levantamento esse tipo de construção Até que em 1972 foi realmente eh colocado que esses profissionais tinham direito à carteira assinada e aposentadoria então começou com uma luta dela depois de 40 anos e a gente viu que só em 2013 teve a PEC das domésticas que equiparou a profissão de empregado doméstico a qualquer outra profissão no Brasil então agora tem direito a férias remuneradas a jornada de trabalho eh afastamento tudo que qualquer outra fundo de garantia tudo que qualquer outra profissão também tem direito ela ia usando de vários elementos que ela tinha disponível à época para fazer as coisas acontecerem por exemplo as rádios de Domingo tinham matinês então faziam filas para crianç PR as crianças entrarem brincarem os negros eram sempre colocados no final da fila e a hora que chegava a vez deles a moça descia e falava que não tinha mais vaga não podia entrar então L Lina chegava lá com o advogado e falava Olha é uma concessão pública ou as crianças negras vão entrar ou nós vamos fechar essa rádio aí é contra goosto tinha que deixar entrar então ela sempre muito perspicaz as crianças negras não tinham instrução não tinha não tinha escola de música ela criou a Escola Santa Efigênia de bailados buscava professor em São Paulo porque aqui ninguém queria dar aula PR os negrinhos como eles chamavam ela buscava a gente lá em São Paulo que se dispunha a vir até aqui nem que fosse uma vez por semana para dar aula para essas crianças eh e aqui de novo ela criou outra Associação PR as empregadas domésticas que acabou fechando mas na década de 80 já com o final da ditadura eh as amigas dela chamaram ela de volta para fazer o sindicato E aí ela foi e criou o primeiro Sindicato das empregadas domésticas que foi aqui em Campinas ela sempre falava a respeito da educação que era uma coisa muito importante porque as pessoas tinham que ter consciência de classe ela sempre diz isso para poder lutar pelos seus direitos porque se você não se conhece você não sabe qual é o seu papel na sociedade Como que você vai exigir alguma coisa Falar de laudelina eu não tô falando de algo distante eu tô falando da da minha realidade porque a minha mãe tem oito irmãs e ela e as oito irmãs ou são Ou foram empregadas domésticas então eu e meus primos A gente cresceu na casa das patroas A gente cresceu brincando com os filhos das patroas eu sei dessa realidade eu sei o que que essas mulheres passam porque é a realidade da minha família né então falar de laudelina eu tô falando da minha mãe eu tô falando das min minhas tias tô falando das minhas avós a minha avó morreu esse ano com 84 anos ela trabalhou como empregada doméstica até a última semana da vida dela com 84 anos na mesma família fazia mais de 40 anos então é uma realidade muito próxima então saber que essa mulher existiu e que o legado dela continua vibrando aqui até hoje eh esse livro Fazendo diferença chegando pras crianças mudando a minha vida então assim a laud delinda ela não tá presente fisicamente mas ela tá muito presente ainda através do seu legado através da sua luta [Música] [Música]
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