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35ª Audiência Pública debate sobre a anistia humanitária. Vereadores realizam ato em defesa da paz em Gaza e pelo fim do genocídio do povo palestino na reunião 39 do Legislativo campineiro. O vereador Wagner Romão promove a quarta reunião da Comissão Especial de Estudos sobre o complexo de cinemas municipais da cidade de Campinas. Reconhecimento ao esporte campineiro. Sensei Luís Antônio Júnior é homenageado na Câmara de Campinas. Olá, boa tarde. Chegamos ao meio da semana, quarta-feira, 25 de junho de 2025. Começa agora o jornal Câmara Notícia. Muito obrigado pela sua companhia, pela sua audiência e participe, mande a sua mensagem para o número do nosso WhatsApp. 19 é o nosso DDD. Para você que é de Campinas e região, já sabe, né? Pode ir direto 978293776 ou você tem a opção de enviar esta mensagem apontando a câmera do seu celular para o Qcode. E a gente abre a edição de hoje com as notícias do legislativo, porque esta semana foi realizada uma audiência pública sobre anistia humanitária. Presidida pelo vereador Nelson Oseri, a reunião teve como objetivo discutir sobre a situação das pessoas detos ocorridos em 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Durante o evento, especialistas abordaram questões como as prisões preventivas prolongadas, os impactos psicológicos e os possíveis excessos na condução desses processos judiciais. Intitulada Cruzada pela anistia, a 35ª Audiência Pública debateu sobre a possibilidade de anistia humanitária aos envolvidos nos atos ocorridos no dia 8 de janeiro de 2023 em Brasília. A audiência foi uma iniciativa do vereador Nelson Os e reuniu especialistas das áreas jurídica, política e científica. A anistia ela vem com grande significado, né? consertar injustiças eh realizadas com inúmeras inúmeros patriotas brasileiros eh hoje presos às vezes no sistema prisional, outros com a tornozeleira presos em casa e outros refugiados. Eu faço a nossa comparação. A irmã da Débora tá aqui, a Cláudia com a Débora Rodrigues. E eu uso como exemplo porque ela escreveu Perdeu Mané com uma perigosíssima arma em suas mãos, um batom. E por que que eu vou dizer isso? Porque são dois crimes impossíveis que foram eh impelidos a ela, como se ela tivesse cometido. Quando ela escreveu Perdeu Mané, ela não deteriorou o patrimônio público, porque a deterioração ela tem que ser ela tem que se manter no tempo. E o que ela fez ao escrever foi apagado no dia seguinte com uma Lava-Jato, com água. Nós estamos vendo penas abusivas. em cima de atos tão insignificantes. Por outro lado, presos, eh, estupradores, assassinos, sendo libertados, andando nas ruas com total liberdade, com mais liberdade do que nós. Também participaram do debate realizado no plenário da casa de leis o vereador Ben Lima, o ex-deputado federal Alexis Fontain, o jornalista Marcos Vanusci e a neurocientista Cláudia Heiken, que abordou os impactos psicológicos da prisão e do encarceramento prolongado. 68 dias, 66 dias de prisão, mais 2 anos e 3 meses, 2 anos e 4 meses de tornozeleira. acompanhar esses pacientes ou esses assistidos, como a gente chama, com orientação jurídica lúcida, lógica, baseada sobre a importância de respeito à lei, não é? Tem sido uma tem sido uma um roldão muito difícil, muito importante. A independência de poder no Brasil praticamente não existe. Nós não podemos falar nada que é tudo o tema de CP, é tudo o tema de cassação. O evento ainda faz parte de uma série de ações que vêm sendo conduzidas por movimentos da sociedade civil, parlamentares e juristas, em defesa de uma análise criteriosa sobre os casos decorrentes dos atos de 2023. Vale, é uma questão de uma audiência pública para que a gente possa ouvir também eh não só esses técnicos, mas aqueles que estão sentindo na pele, na carne, como inúmeros presos, detentos aqui do 8 de janeiro. O que nós encontramos aqui foram mais de oito pessoas com tornozeleira, tendo que ir embora por conta de horário. Então isso tudo e traz uma reflexão para que a gente possa trazer justiça, não só para essa para essas pessoas, mas mais do que isso, mais do que justiça, a liberdade pro Brasil. Ato em defesa da paz em Gaza e pelo fim do genocídio do povo palestino é tema da primeira parte da 39ª reunião ordinária. Por iniciativa do vereador Gustavo Peta e da vereadora Paola Miguel, a primeira parte da 39ª reunião ordinária contou com um ato em defesa da paz em Gaza e pelo fim do genocídio do povo palestino. É um momento que a gente tá muito preocupado, né? É uma escalada que a gente não sabe ainda quais são as consequências e isso deve preocupar todos nós, toda a humanidade, todos os líderes políticos, todas as pessoas. E o que a gente conclama é a luta realmente pela paz. O que a gente acha que deveria ser feito agora é um cessar fogo em todos esses conflitos. As grandes potências deveriam agir muito mais nesse sentido do que promover ações que podem ampliar o conflito, a guerra e as mortes. Não é a faixa de gás. O que a gente quer também é a paz. O que tá vendo ali é realmente um genocídio. O povo palestino tá sendo massacrado porque não há um confronto entre nações do mesmo porte. O que nós estamos vendo é um massacre em relação a um povo que tem o direito de viver ali, que tem o direito de constituir seu estado. A atividade aqui na primeira parte foi nesse sentido, solidariedade ao povo palestino, um um pedido de paz, né, para que a gente possa resolver os conflitos. na diplomacia, no diálogo e não a partir do confronto de guerras e de mortes. Nós não podemos nos calar e normalizar aquilo que acontece contra o povo palestino em Gaza. Com essa guerra insana e brutal. Nem podemos esquecer dos palestinos que cotidianamente têm as suas terras invadidas por colonos fundamentalistas do Israel. O vereador Wagner Romão e as vereadoras Fernanda Solto e Guida Calisto marcaram presença no encontro. Além dos parlamentares, o coordenador do Comitê Campineiro da Solidariedade com o povo palestino, Abidel Latif Rassan, também esteve presente na primeira parte da reunião. Quase 2 anos de genocídio em Gaza. Mais de 56.000 1 assassinados, 70% deles, mulheres e crianças, 90% de Gaza destruída. Quando morre um israelense, o mundo para quando milhares do árabes morrem assassinados, são apenas números. Não somos números. Somos como qualquer um ser humano. Temos famílias, queremos criar. Nenhum palestino, nenhum árabe quer enterrar seu filho, o que resta do filho. Antes de tempo, queremos criar nossos filhos em paz. Queremos ter liberdade em nossa pátria. Que não temos outra pátria senão Palestina. Queremos paz para todos. Queremos um mundo diferente, um mundo onde todos muçulmanos, cristãos, judeus vivem em paz, mas com respeito, igualidade. A gente acha que a Câmara de Campinas, por mais que tenha como atribuição principal discussão dos temas da cidade, mas temas internacionais também impactam na nossa vida e a gente precisa também manifestar as nossas posições. A Comissão Permanente de Administração Pública se reuniu pela quinta vez neste ano. Confira como foi. Na pauta da quinta reunião da Comissão de Administração Pública da Câmara de Campinas, presidida pelo vereador Rubens Gás, o parecer dado pelo vereador Nick Schneider, favorável ao projeto do vereador Permínio Monteiro. É um projeto que que joguei de muita relevância, senhor presidente, dada a importância da população ocupar os espaços públicos, em especial da para área da cultura e a área esportiva. Então, nesse projeto, o vereador dá algumas diretrizes, alguns incentivos para ocupação. Não, não vislumbrei nada que pudesse atrapalhar o projeto sobra pública e por isso relatei de maneira favorável. na reunião que contou também com a presença do vereador Igor Diego, que é membro da comissão, que foi favorável também a proposta que cria o programa municipal de ocupação cultural e esportiva das praças e equipamentos públicos municipais. Eu também analisei o parecer dado pelo vereador Nick Schnaida, a qual parabenizo o senhor e sua assessoria. Eh, o senhor destacou claramente a importância do mérito e também da questão legal do projeto, né? Não identificamos através dessa comissão nenhum para impedir o procedimento do projeto. Então, eu também sigo o relator. O meu voto é favorável, presidente. O presidente Rubens Gás também acompanhou o parecer e com três votos favoráveis a proposta segue tramitando na Câmara. Eu também acompanho. Então os votos dos pareceres aqui, nós formamos três e o projeto está aprovado pela comissão. A gente segue aqui com as notícias do legislativo nesta quarta-feira. Muito obrigado pela sua companhia, pela sua audiência. E olha só, a comissão especial de estudos do complexo de salas municipais de cinema esteve reunida pela quarta vez neste ano para apreciar e trocar experiências com representantes das cidades de Búzios, Maricá e também de Santos. A quarta reunião da Comissão Especial de Estudos sobre o complexo municipal de Salas de Cinema de Campinas contou com a presença de representantes das cidades de Santos, de Búzios e Maricá, no Rio de Janeiro. As cidades têm uma boa experiência com o cinema público e a reunião serviu justamente para essa troca de informações. O presidente da comissão, vereador Wagner Romão, conduziu os trabalhos que contou também com a presença do vereador e membro da comissão Carlinhos Camelô. A gente tá nesse momento em que na nossa comissão nós fomos ver as experiências municipais. A gente precisa ter essa concretude das experiências, entender as dificuldades, entender os objetivos de cada de cada gestão, né? Na verdade, mais do que isso, não se trata só de uma questão de um governo, mas de uma proposta de como as cidades se entendem na relação com cinema. Lá em Búzios, eh, em 2013, eh, tinha um espaço que ele foi desapropriado pela prefeitura. Na época, o prefeito eh tinha também uma contrapartida da da concessionária de água e ele pediu que aquele espaço fosse revertido no cineatro. Eu acho que é o eh até onde eu sei, posso tá falhando na minha pesquisa, é o único a única igreja que se tornou cinema no Brasil. Assim que foi ter o primeiro prefeito, se inaugurou dentro do da dos postos e salvamentos que nós temos lá na cidade, são sete. Três deles foram eh colocados à disposição da cultura, um para uma biblioteca, outro para uma gibteca e um para um cine arte, né? Então nós temos uma sala pública que é única, acho que fica na orla da praia. Então quando você abre assim, você vê o mar, né? Somente na capital paulista, um estudo da SPCINE identificou que para cada R$ 1 investido na produção de filmes ou séries, o setor audiovisual tem um retorno médio de R$ 20 e os cofres públicos recebem R$ 1,9. Acho muito interessante como é que isso pode se articular como política pública, como é que a gente pode, quer dizer, a gente não tá discutindo aqui, aí acho que isso é interessante, apenas as salas de exibição, apenas o debate sobre o cinema, né? Ela articula uma série de outras políticas públicas no campo da educação, né, no campo da da própria economia da cidade, do desenvolvimento econômico da cidade. O cinema é uma indústria, é uma área de eh de empreendimento, de de fortalecimento econômico da cidade. Para o vereador, a cidadania também ganha com o fortalecimento da cadeia produtiva do audiovisual. é uma área que tem tudo a ver com a questão da formação, da cidadania, né, das crianças, dos adolescentes, das pessoas idosas, né, eh, que gostam do cinema e que podem se eh se formar enquanto pessoas pelo cinema. Acho que isso que é a coisa mais apaixonante do cinema, é aquele você lembrar do filme que você viu quando você era criança, isso te trouxe um sentimento, né, e aquilo te traz uma experiência, te te responde questões, dúvidas da sua própria vida. No próximo dia 30, a comissão se reunirá novamente e já tem pauta definida. Dessa vez tratando dos circuitos comunitários, de como é que as comunidades podem se articular, o cine que é uma maneira autogestionária de lidar com a questão do cinema, né, que tá é muito diferente da gente do do circuito dos shopping centers, né? Então o cine clubismo tá vivo, tá muito forte em Campinas. a gente vai trazer essas experiências também e eu queria que as pessoas pudessem continuar acompanhando a nossa ação aqui nessa comissão de estudos. Vereadora Guida Calisto faz requerimento direcionado à prefeitura e pede informações sobre a prática de combate ao câncer de pele na população negra. A vereadora Guira Calisto pede informações sobre a prática de combate ao câncer de pele na população negra. Existe um mito, né, que é muito veiculado, eh, que a população negra, porque ela tem uma quantidade, né, de melanina, né, na pele a mais, ela não é o público vulner um público vulnerável ao câncer de pele. Isso é o mito. A várias pesquisas nacionais, científicas já têm comprovado que a população negra, sim, ela pode ser afetada pelo câncer de pele, sim. E esse mito vem muito, inclusive por conta do racismo institucional que a gente sofre, né? as instituições, as instituições brasileiras t olhar para a população negra que o negro é mais forte, que a mulher negra aguenta dor. Então essa é mais um desses que o povo negro não tá suscetível a ter câncer de pele. A parlamentar questiona o executivo se Campinas oferece atualmente algum programa de capacitação ou aperfeiçoamento médico voltado ao diagnóstico e acompanhamento do câncer de pele, especificamente do tipo melanoma da população negra. O primeiro é que a gente tá perguntando para o poder público municipal se a formação, se os médicos do SUS aqui que atende a população dermatologista tem esse olhar, tem essa formação, tem essa capacitação para poder olhar isso. E o segundo ponto é os dados, a população negra, tem muito negro eh sendo afetado aqui no município com câncer de pele. Quais quais são os dados disso? E isso é porque os dados são importantes? a gente não pode nem nem menusprezar os dados, nem esconder os dados, porque são os dados que são elementos para poder formular a política pública. Então é nesse sentido que a gente apresentou esses dois requerimentos. Como o município define as estratégias e o público alvo das campanhas de câncer de pele também é um dos questionamentos da vereadora que defende parcerias e políticas públicas. detectar o número de pessoas eh negras que são suscetíveis, que pegaram o câncer de pele, né, que tiveram aí o diagnóstico do câncer de pele e depois a gente quer apresentar um uma proposta junto ao núcleo da de consciência negra da Unicamp, que já tem um estudo sobre isso. E também a gente quer sentar com a secretaria, fazer uma parceria entre Unicamp e Secretaria Municipal de Saúde para pensar políticas públicas e combater essa doença. A Câmara de Campinas realizou mais uma solenidade para a entrega do diploma de mérito esportivo Sérgio José Salvuse. O homenageado da noite foi o Sansi Luís Antônio Júnior, responsável pelo projeto social Olho de Tigre, que vem revelando jovens talentos do judô aqui na cidade. Acompanhe. Por iniciativa do vereador Carlinhos Camelô, a Câmara de Campinas realizou a 31ª reunião solene para a entrega do diploma de mérito esportivo Sérgio José Salvus. Quando a Câmara faz uma homenagem a essas pessoas, é porque algum trabalho relevante eles fizeram e contribuíram para nossa cidade de Campinas. Vocês sabem disso, que um projeto de honraria, ele passa aqui através da Câmara, ele é votado por todos os vereadores, entendeu? E esses projetos, tanto do Luís como da Ninha, do Edson, eles foram eh aprovado por unanimidade por todos os vereadores. A honraria foi criada pelo legislativo campineiro em homenagem ao saudoso radialista esportivo. O homenageado da noite foi o sensei Luís Antônio Júnior, idealizador do projeto Olho de Tigre. Desde 2017 já atendeu cerca de 1000 crianças em Campinas, oferecendo aulas gratuitas com qualidade, disciplina e acolhimento. Luiz é daquele que veste o quimono com o mesmo orgulho com que se assume a responsabilidade de firmar os cidadões. Ele acredita que no tatame não é apenas um espaço de luta, mas é escolha de vida. E não apenas ensina os golpes, mas ensina valores. Seu trabalho inspira, acolhe e transforma. E dentro desse projeto que desportaram dois jovens talento, que hoje também são homenageados. E com muita alegria eu falo aqui da Ana Vitória e do Edson Victor Soares de Castro, irmãos gêmeos, campineiros, apenas com 8 anos de idade e uma trajetória impressionante no judô. Em 2024, juntos somaram mais de 20 medalhas em torneios. oficiais, conquistando posições em destaque no ranking da Federação Paulista. Ana, mesmo enfrentando fratura na tíbia durante uma competição, voltou com a garra determinação e entre os melhores do estado. E já o Edson brilhou em vários torneios e também foi homenageado pela federação como um dos destaque do ano. Os irmãos Ana Vitória e Edson Victor, destaques do projeto, também receberam a honraria pela trajetória nas competições. Uma noite muito feliz para mim, para minha família. Eh, agradecer o vereador Carlinhos, né, pela pela honraria, pela lembrança, pelo carinho, né, pelo reconhecimento dessa da minha trajetória. Não é uma trajetória muito curta, já é uma trajetória bem longa no judô e eu fico muito feliz de ter esse reconhecimento hoje. É uma honra para mim est aqui nesse nessa tribuna aqui e do meu lado ter dois alunos, né, que até ontem estavam comigo crescendo, aprendendo. E a gente tá compartilhando esse momento. É um, é, para mim é muito gratificante saber que um pouquinho do meu trabalho, um pouquinho da sementinha que eu coloquei dentro deles germinou ao ponto deles estarem aqui compartilhando esse momento comigo, né? Porque é meu e é deles também, né? Não, eu não posso deixar de salientar. grandesportistas que mereciam e merecem todo o crédito. E essa casa, como legislador, eu gostaria de falar aqui que é uma singela homenagem que a gente faz, mas é um reconhecimento do poder legislativo que é dado a cada um de vocês aqui através dessa homenagem. Como eu disse aqui do começo, são projetos votados por unanimidade por todos os vereadores que vocês vão carregar o resto da vida de vocês. Bom, e se hoje é quarta-feira, é dia de reunião ordinária. A partir das 6 horas da tarde, os vereadores vão se reunir para discutir e votar 12 projetos. Entre eles está em definitivo o de autoria do presidente da Câmara, o vereador Luís Rossini, que garante estacionamento gratuito em clínicas e hospitais públicos e privados por 15 minutos para embarque e desembarque de pacientes ou visitantes. Para você conferir todos os projetos que serão discutidos e votados, é só acessar o site da Câmara, campinas.lege. Vamos com as notícias da Metrópole, porque diante da Frente Fria que está aqui em Campinas, a prefeitura ampliou as vagas emergenciais para acolhimento na Casa da Cidadania, que fica na Vila Industrial. São 180 vagas de acolhimento destinadas à população em situação de rua. Desde o início da operação invero, no dia 1eo de maio, já foram distribuídos mais de 7.000 cobertores e realizados quase 4.000 atendimentos. O Samim contabiliza até o momento 731 acolhimentos. Bom, a gente segue aqui com o general câmera notícia porque o maior prêmio da alimentação mundial, World Food Price, é da engenheira agrônoma brasileira, a Mariângela Hungria. Fruto de mais de quatro décadas de dedicação à agricultura biológica, reconhecidamente mais sustentável, por tornar o solo mais fértil e a produção mais rentável, além de sequestrar o carbono do meio ambiente. E este tema você acompanha a partir de agora no nosso quadro O Giro Ambiental. [Música] No giro ambiental de hoje, a gente vai falar sobre o trabalho da engenheira agrônoma Mariângela Hungria, que ganhou o prêmio mundial da alimentação, Word Food Prize, equivalente ao Nobel da alimentação. Quem recebe esse prêmio é porque contribuiu qualitativamente, quantitativamente e também pra disponibilidade dos alimentos no mundo. Muito obrigada pela sua participação aqui com a gente, Maria Ângela. Ah, eu que agradeço essa oportunidade de poder falar um pouco sobre o nosso trabalho. Mariângela, são três décadas aí debruçadas sobre a produção de bioinsumos, que foi uma coisa muito nova quando com você, quando você começou, né? Eu queria saber se você encontrou resistências e o que que te fez persistir nesse caminho. Ó, na verdade sou até mais velhinha, tá? São quatro décadas, um pouquinho mais que quatro décadas. E aí, eh, olha, é uma coisa, sabe isso que é uma coisa de vocação desde criança. Eu realmente adorava a parte de eh biológicos. E quando eu tinha 8 anos, eu li um livro que minha avó me deu sobre eh sobre vida dos microbiologistas e resolvi ser uma microbiologista. Logo depois, ela me deu um livro sobre a Madame Kiri e eu falei: "Nossa, então mulher pode ser cientista". Mas eu queria eh eh eu ficava muito triste assim quando eu vi uma pessoa passando fome na rua e daí eu falava assim: "Não, eu quero fazer alguma coisa para eh contribuir para que não exista uma pessoa passando fome". Então, naturalmente, eu fui fazer o curso de engenharia agronômica, só que eu fui numa época que era metade da década de 1970, onde a gente tava no auge da Revolução Verde, que era que foi muito importante, que até tirou o Brasil eh da posição de importador de alimentos, mas era filosofia de adobação química muito pesada para aumentar a produtividade das culturas. E eu tinha essa vocação pros biológicos e acreditava muito que a dubação química podia ser importante, mas que devia ter um lugar para os biológicos na agricultura. Então eu terminei a agronomia, era uma profissão majoritariamente masculina e querendo trabalhar com biológicos numa época que as pessoas só pensavam em químicos. Então foi assim um começo de carreira difícil, porque quando você tá no início da carreira, né, nossa, você tá com todo aquele gás cheio de sonhos, quer realizar muita coisa. E eu estava decidindo por uma área que as pessoas nem achavam que ia ser importante um dia. Mas engraçado, por isso que eu falo que a advocação que tava definido lá desde criança, apesar de ter muito mais dificuldades e de me oferecerem outras áreas, eu nunca nunca pensei em mudar. Eu nunca desviei 1 cm daquilo que eu acreditava. E acho até que esse prêmio que eu também jamais imaginei na vida que poderia ganhar, eh, foi por resistência, persistência, resiliência, sabe? Por realmente ter acreditado numa época em que ninguém acreditava. E fico muito feliz que nessas quatro décadas eh a gente poôde contribuir. Trabalhei intensivamente e hoje acho que tem essa contribuição do Brasil. eh ser o maior eh utilizador de tecnologias de bioinsumos na agricultura, eh, e e de receber esses benefícios pelo uso dos microrganismos da agricultura. Maravilhoso, muito inspirador. Mas para quem tá assistindo, eu só queria que a gente fizesse um pequeno, uma pequena legenda aqui para entender o que que é o bioinsumo. Ele substitui o químico tanto na fertilização do solo quanto na defesa eh também biológica, né? Em vez de usar um um defensivo químico, você usa um defensivo biológico. Teria como resumidamente falar pras pessoas qual é essa diferença? Sim. Olha, então os biológicos, conforme você falou, existem essas duas utilizações dele. A minha carreira, eu dediquei aos biológicos que poderiam substituir total ou parcialmente os fertilizantes químicos. E eu vou dar um exemplo, né, porque existem vários exemplos, mas um exemplo que eu vou dar eh do processo de microrganismos que eu que eu mais eh estudei toda a minha vida, que chama fixação biológica do nitrogênio, com a cultura aqui, que é o carro chefe, eu trabalho na rapa soja, com a cultura da soja, mas ele é aplicável para várias culturas. O que que acontece aqui no ar que a gente respira? 80% quase é de N2. E a gente precisa muito de nitrogênio porque ele tá DNA, RNA, aminoácidos, proteínas. Então, as plantas precisam muito nitrogênio. E olha só que coisa, a gente respira 80% de N2 e a gente não consegue usar esse N2 porque ele tem uma ligação muito forte entre os átomos de nitrogênio. E pra planta aproveitar teria que ser só N, não? Então lá na indústria eles desenvolveram um processo que gasta muita energia para quebrar essa ligação tripla que é muito forte. uma média de seis barris de petróleo para fazer uma tonelada de amônia. E o que que acontece? Algumas bactérias, antes até que tivesse qualquer planta na face da Terra, elas evoluíram para ter uma enzima que faz a mesma coisa que precisa ser barris de petróleo. E surgiram as plantas na evolução, elas passaram a se associar às diferentes plantas com diferentes graus de especificidade. Daí ela fica pertinho da planta, pá, pega o nitrogênio do ar, transforma em noo planta. aqui ele é sem poluir o ambiente, porque o fertilizante nitrogenado, nesse caso, ele não é uma coisa natural que evoluiu com a planta, então ele não é eficiente como processo biológico. Então a gente perde esse nitrogênio muito eh poluição que vai para pras águas, pros rios. Às vezes a gente vê até como resultado disso proliferação de plantas nos rios que consomem o oxigênio, matam os peixes e muito eh eh também gases de efeito estufa. Então, para ter uma ideia de como essas bactérias são maravilhosas pra gente, só no caso da soja, a gente não colocando o fertilizante químico e sim o biológico, que foram essas tecnologias que eu passei minha vida eh dedicando a esse estudo, desenvolvimento tecnológico e e explicando pros agricultores. Só na última safra a gente economizou 25 bilhões de dólares, deixando de comprar fertilizante nitrogenado. E tão importante quanto isso, não emitimos 230 milhões de toneladas CO2 equivalente. Então eu posso garantir para você, sem dúvida nenhuma, que se não fosse essas bactérias, o custo da soja no Brasil para produzir a ser tão elevado que nós não produziríamos soja e não seríamos o que somos hoje, o maior produtor e exportador de soja do mundo. Maravilhoso. E eu queria saber se existe a possibilidade da transição, então do químico para o biológico, se essa transição é tranquila. E também queria que você falasse agora desse acesso aos pequenos agricultores que estão sendo promovidos pela cooperativa, né? É exato. Eh, hoje a gente, e olha que eu dedico, né, mais de 40 anos a pesquisa com biológicos. Hoje, para essa agricultura de larga escala que a gente tem no Brasil, nós somos, já somos o terceiro maior produtor de grãos do mundo. A gente ainda não tem o conhecimento, a tecnologia para fazer 100% biológico. Então, a gente precisa dos químicos. Mas qual que é a importância dos biológicos? a gente todas as possibilidades que tiver de substituir o químico por biológicos, a gente substitui e a gente pode aumentar muito, porque a gente pode aumentar hoje, por exemplo, na no caso da soja, essas bactérias que eh que eu trabalho, já de toda a área com soja no Brasil, que são hoje 47 milhões de hectares, já usa esses biológicos. Mas a gente pode avançar muito em outras culturas, em outros microrganismos, porque eh 10 a 15% hoje da nossa agricultura é com biológicos. Então eu eu acredito que com o conhecimento que a gente já tem hoje, a gente pode subir para 50, 60%. E o resto vai ter que ser tipo de tecnologias disruptivas, investimento de pesquisa, pra gente avançar além dos 60%. E o que que é maravilhoso desses biológicos, né, que eu falo assim que realmente a vida me presenteou com uma tecnologia que é tão maravilhosa de de trabalhar, por quê? Porque ela serve para pequeno, serve para grande, serve para todo tipo de agricultura e agricultores. Um exemplo aqui no eu sou aqui do Paraná, de Londrina. O Paraná é um país, é um estado fantástico de agricultura e são, a grande maioria são pequenos e médios agricultores. Então, nós fizemos aqui um, a gente tem um trabalho de 7 anos já de extensão, onde a gente vai, mostra esses biológicos, faz parcelas demonstrativas, faz dias de campo e em 5 anos eh eu fiz uma compilação dos primeiros 5 anos, olha, são agricultores de no máximo 50 ha de soja, são agricultores pequenos agricultores. E o que que deu em 5 anos de de 3.000 agricultores que nós atendemos, deu que não só eh melhorou o solo dele, porque é vida no solo, né? E a vida do solo é muito importante, como muito importante para esses pequenos agricultores, é que eles tiveram um ganho econômico médio de 11$11 por hectare. Então, 111 por um agricultor de 50 ha é é nessa cultura que demora 4 5 meses, tá? é o dinheiro que ele vai poder comprar um novo trator, colocar uma internet melhor na casa pro filho não ir paraa cidade e e essas coisas. Então, é a possibilidade dele eh melhorar a vida dele e assim conseguir ficar no campo. E também além disso, né, ele vai ter mais sete meses para pôr as outras culturas que ele precisa, como arroz, feijão, frutas. Então, é um ganho muito importante que ele tem com o uso desses biológicos, sustentabilidade ambiental e financeira, né? Isso não não precisa nem de legenda, né? E eu não podia deixar de falar, de te perguntar da importância das grandes mulheres que te marcaram. Você já falou da sua avó, teve a pesquisadora também e da sua fala, né, de que as mulheres cientistas precisam de apoio também, principalmente no período da maternidade, para que possam continuar sua carreira sem interromper e muitas vezes até desistir eventualmente, né? É verdade. Infelizmente, ainda hoje eu vejo muito preconceito, eh, principalmente em relação à maternidade, sabe? E isso é realmente eh, eu tenho procurado falar isso. Eu fui mãe muito jovem, sabe? perfume de duas na faculdade. Eh, tive muito preconceito com isso e e minha meu depoimento é o seguinte. Eu jamais acho que eu seria uma cientista que chegou onde eh chegou hoje, que jamais esperaria chegar nisso se eu não fosse mãe, porque eu não ia ser feliz. E é muito importante ser feliz para você desenvolver o seu trabalho bem também. E eu jamais seria uma boa mãe se eu não tivesse podido ser uma cientista eh feliz e realizada. Então, a gente não deve ser pressionado ou sentir medo de ser tudo que a gente quer. E isso inclui ser mulher, ser mãe, ser pesquisadora. É claro que na vida eh tem épocas, por exemplo, que eu realmente tive que dedicar mais à família porque tinha algum problema de saúde. Teve épocas que eu tive eh que me dedicar mais ao trabalho porque o trabalho tava mais puxado, mas no balanço a gente consegue o equilíbrio e consegue chegar longe. Então não é para se apavorar se de repente uma época você tem que se dedicar mais à família, entendeu? ou se você tem que se dedicar mais ao trabalho. A família, se não, a família me inspirou a fazer o trabalho de sustentabilidade que eu sempre quis, porque eu quero uma um mundo melhor paraa minha família. Eu quero que minha família tenha orgulho da de eu trabalhar tentando fazer um mundo melhor, sustentabilidade, entendeu? e do mesmo modo, né, eh, no trabalho. Então, eh, a preconceito que as pessoas têm, eu acho assim, maternidade dá muito foco, tá? A gente, quando a gente é mãe, eu era super dispersiva, eh, passei a ser mãe, tive mais foco, porque a gente sabe que quer trabalhar naquele tempo para poder depois e ficar com os filhos. minhas alunas, sempre incentivei minhas alunas falando assim: "Não fica planejando muito, que você planeja muito, você não tem filho, quer ter filho, tenha." E as coisas se ajeitam, né? E e eu vejo também nessas alunas que eu tive um aumento na capacidade de focar, de resolver mais problemas. Eu acho que é uma coisa que a maternidade nos traz. Então, quem tem preconceito contra a mulher, eh, porque a mãe principalmente, não tem nada a ver, tá maravilhoso. Maria Ângela. Maria Ângela Hungria, é um grande prazer te receber e você é uma grande inspiração para todas nós mulheres, para que a gente não desista em momento algum. Eu queria saber se você tem rede social para que a gente possa te acompanhar. Sim, eu tenho o LinkedIn, né? Tenho Facebook e sabe, minha filha é jornalista moderna e ela fala: "Eu não uso muito o Instagram porque eu falo: "É muita foto e pouco texto". Mas eu também tenho Instagram, eu vou ter vou procurar me modernizar. Minha filha falou que eu tenho que me modernizar, que hoje é Instagram que eu tenho que usar mais. Tá bom? Mas eu gosto muito do LinkedIn, né? né? O Liding pra gente eh de carreira eh de pesquisa, de trabalho, de tudo, eu acho um veículo excepcional. A gente vai colocar aqui então para que o pessoal possa acompanhar os seus artigos, as suas publicações. Eu quero agradecer mais uma vez pela sua presença aqui com a gente. Eu que agradeço essa oportunidade. E para você que nos assiste, muito obrigada pela companhia. Na semana que vem a gente volta com mais giro ambiental. [Música] Madrugada muito fria em Campinas. De acordo com o Cepagre, os termômetros registraram 4º às 5:40 da manhã na estação da Unicamp. Não era registrada uma temperatura tão baixa desde julho de 2021. Hoje o dia todo vai fazer frio, mas claro, né, que com a presença do sol vai esquentando ao longo do dia e os termômetros podem chegar aos 21º. Frio intenso deve ser hoje mesmo, viu? Porque pra amanhã, quinta-feira, o dia segue estável, pouca nebulosidade, sem chuva e as temperaturas sobem bem em relação a esta quarta-feira. Mínima de 17º, ao longo do dia, a temperatura sobe, podendo chegar aos 27º aqui na cidade de Campinas. O jornal Câmara Notícia fica por aqui. Muito obrigado pela sua companhia, pela sua audiência. Continue na nossa programação e nos vemos amanhã na quinta-feira. Até lá. Ciao. Ciao. [Música]