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O Universo Épico no ar e hoje nós vamos bater um papo sobre livros. E o nosso convidado já está aqui, olha só, conectado comigo, R. Collini, tudo bem? Tudo jóia, tudo ótimo. Perfeito. É um prazer estar aqui com vocês. Sensacional, a gente vai bater um papo sobre o seu livro Curva de Rio Curva de Rio, vamos lá Bom, eu amo acima de tudo os livros Desde criancinha, como diria uma escritora fabulosa A Marguerite Ocenar O meu primeiro local de nascimento foram os livros O momento que a gente lança pela primeira vez um olhar sobre nós mesmos Através da introspecção e da reflexão que o livro traz literatura sempre teve dos meus planos mas eu tive que trabalhar muito não foi possível naquela juventude de 20, 21 anos que eu queria e finalmente eu consegui bons momentos de paz e tempo disponível já tenho três romances escritos essa é a primeira publicação que chega no mercado estou muito feliz, está repercutindo nas redes, são principalmente leitoras e eu quero leitores também, cadê os homens cadê a literatura, vamos retomar esse hábito e estamos na luta aí. O livro está nas livrarias, nas redes e estou aqui. Pessoal já está curioso, eles querem saber do que se trata. Conta um pouquinho para a gente da sinopse. O livro, ele fala de uma menina de nove anos de idade que está no interior da Bahia e durante aquelas crises das secas cíclicas que ocorrem naquela região, o pai tem que imigrar e o pai vai a contra gosto precisa arrumar maneira de subsistência para a família e promete voltar repentinamente ele deixa de mandar notícias há um mistério, um desaparecimento fica mãe e filha naquele pedaço de mundo sem saber o que aconteceu com o pai E elas migam na direção da cidade Da cidade grande, como eu chamo no livro Um mito da cidade grande Entre esse povo E elas vão em busca Do pai e do marido E ela vai passar muito tempo Procurando esse pai E não vou fazer spoiler Mas é sobre busca Sobre remissões, o livro Ela vem pra cidade, essa menina Vai se confrontar Com outro universo vai sofrer preconceito e vai crescer, ela vai importar na educação uma maneira de garantir a sua liberdade, o seu crescimento pessoal e ela vira uma acadêmica. E o livro todo, A Busca pelo Pai, continua presente. Para você chegar em toda essa história que você detalhou para a gente, você buscou alguma referência? Quais foram suas inspirações? A inspiração é interessante porque eu gosto muito de um artista, de um cantor, de um compositor chamado Eleomar Figueira. Na voz, uma canção do Eleomar na voz do Xangai, é um cantor regional também, há uma música chamada Curva do Rio. Essa música fala do momento que o pai precisa migrar e deixa a filha no sítio e promete que vai voltar. Eu sempre ouvi há décadas essa música E eu sempre pensei O que acontece com essa menina? O pai está se despedindo Promete voltar e acaba a música Eu continuei a história da música Imaginei aquela menininha Esperando o retorno do pai O que aconteceu com ela? Essa foi a inspiração E na vida real eu migrei de Brasília De Taguatinga, uma cidade satélite De Brasília para São Paulo Com uma idade aproximada Da personagem Eu estou falando 9, 10 anos de idade E vivi aqui No estranhamento de uma cidade grande O comportamento das pessoas Diante do migrante As oportunidades E as dificuldades De uma cidade grande Que a gente não estava acostumando Eu nunca vi elevador nem escada rolante na vida Então eu chego aqui Estou num bairro operário Vou para um bairro humilde Mas é com uma meninada Que tem outro pique, outro conhecimento de vida Eu me adaptei e imaginei a menina morando nesse mesmo bairro, um bairro operário, e traçando seus caminhos diante da vida. Quem leu, qual retorno já deu para você? Rapaz, sabe o que está pegando muito? Mais uma vez, o público feminino, espero que os meninos leiam também, a ausência paterna pega muito. Esse tema da falta do pai. O pai não abandonou, no caso do meu livro, mas muitas meninas, uma influenciadora digital também teve experiência pessoal de abandono. Isso está pegando muito. Me surpreendeu, porque eu estou falando da história da década de 80, a chegada da AIDS, o comportamento da juventude diante dessa doença que retrocedeu e aumentou o preconceito no país, a hiperinflação. Eu estou trazendo esse cotidiano dos 80, principalmente, que foi quando eu me tornei jovem, mas a ausência paterna é uma coisa que está marcando bastante. E os relacionamentos amorosos, né? Abandonos e encontros também. Apostar nessas temáticas do cotidiano, você acha que dessa maneira você consegue se aproximar do leitor e buscar essa identificação? Sim, o mundo muda de forma muito rápida, ninguém sabe o que foi a inflação E ninguém imagina como foi doloroso se defrontar com a AIDS e como a gente retrocedeu Nós estamos falando dessa personagem, ela chega pós-revolução sexual Ainda a juventude engajada, lutando contra a ditadura também Esse momento passa muito rápido E hoje a AIDS não é tão mortífera, mas quem viveu o começo dela passou por um isolamento social, o preconceito aumentou e um sofrimento atroz. Era muito duro, você ficava doente de tudo ao mesmo tempo, isolado e abandonado. Então eu trago isso, eu trago questões que foram muito presentes na década de 80, da Constituição de 88, das meninas que engravidavam, o que fazer, enfim, esse cotidiano que eu procuro trazer, contando histórias tão próximas, mas também tão distantes, durante os anos, poucos anos que se passaram, mas a pegada paterna ainda é universal, a relação com o pai, com a família ainda pega mais. E as paixões, a minha personagem vai se apaixonar, vai casar, vai se parar, mas o pai é central na obra. Foi uma surpresa para mim, eu achava que a história ia encantar mais o leitor, mas foi a figura paterna. Coline, você aqui na abertura do programa, logo no início, falou a respeito dos livros que você tem, das histórias que você já escreveu, E do tempo que levou até a publicação ali, por que demorou tanto tempo? E por que só agora você conseguiu se organizar, não sei, a disciplina, para poder chegar e estar com o livro publicado? Tem um escritor francês, eu não consigo lembrar, eu descubro quem foi esse escritor. Ele deu a seguinte declaração, Olha, eu vi meus amigos escritores O perrengue que eles passam A situação terrível que eles passam Eu decidi escrever meu primeiro livro Só depois que eu tivesse a casa própria É uma posição dele, mas é um grande escritor Um molier da vida É alguém dessa estatura, um dia eu pesquiso E no meu caso Foi isso, eu tive que trabalhar muito Eu construei a vida, eu venho de um bairro muito pobre Nasceu meu filho Eu era muito jovem ainda, com 24 anos e fui à luta, fui office boy, bancário, entregador, jornalista durante dois anos. E montei uma empresa nos últimos 15 anos que conseguiu mais estabilidade e tempo. O tempo, olha, tempo a gente sempre tenta arrumar, pode escrever nos intervalos, mas nem isso eu conseguia não, agora eu estou mais tranquilo e retomei esses projetos. Eu acho interessante e legal você falar, contar isso para o nosso público, Porque às vezes tem alguém em casa querendo escrever com uma ideia, tem uma ideia legal, né? E aí não tem o tempo. Ou às vezes tem ali algum obstáculo, mas eu acho que nunca é tarde, né? As pessoas precisam investir. Se é o sonho dela, vai lá, arranja esse tempinho, se organiza, né? Ou espera esse momento adequado chegar, porque ele chega, né? Ele chega. E sempre assim, foram 20 anos, 25 anos Desde os primeiros textos que eu escrevi E dei uma parada, mas sempre dava uma corrigida Às vezes um conto, um parágrafo Nunca fiquei parado É que agora eu tenho tempo realmente para me dedicar Em tempo integral à literatura Mas sempre há tempo para escrever e para abraçar as paixões Sempre tem tempo A gente consegue Livro pronto Você foi lá, entregou Já está com o leitor Só que, sei lá, cada leitura que você faz Está do jeito que você imaginou Você está satisfeito Como autor Ou você ainda mudaria Alguma coisa no livro, na história Esse, em particular Esse livro foi um pouquinho difícil A construção do personagem E eu não posso mexer Não tem como eu transformá-lo diferente Ele é um pouco árido A história de vida da autora, eu não vou dar spoiler, mas ela tem inclusive uma discussão com o marido, que é um personagem mais classe média, mais elitista. Ela vem de uma família de um meio social que a manifestação do afeto é um pouco mais, vamos chamar de travada, mais enxuta, mais econômica. E ela vai ter uma filha, ela vai se colocar diante do mundo como? naquela origem que ela teve, árida de manifestações sentimentais, ou ela vai conseguir agir de forma diferente com a filha? Então, é um livro de memórias de uma acadêmica, de uma professora, que está acostumada com a linguagem analítica, e ela vai fazer memórias sentimentais. Então, como é que uma mulher que é travada sentimentalmente vai escrever memórias afetivas? Então, é sempre o personagem que você não pode dar muita corda nesse sentido, não pode ir muito para o lirismo. Então, eu diria, eu gosto de escrever de uma maneira mais lírica, mas essa personagem me segurou e eu não tenho mais o que fazer em relação a esse livro e o comportamento dessa personagem. Outros livros eu dou mais vazão a essa parte lírica, eu acho importante, sentimental, afetiva. Ela não, ela é travada e foi muito difícil construir um personagem que quer agir de uma maneira e não consegue, porque tem suas amarrações de vida, a sua experiência, famílias que não demonstravam tanto afeto, porque ele viveu em meio de dificuldade e sobreviver talvez fosse mais importante. Então, respondendo, eu não mudaria nada e não poderia mudar nada, senão eu teria uma personagem que não convenceria o leitor. E a jornada dessa personagem encerra nesse livro ou você ainda pretende continuar essa história? Não, essa se encerrou Estou publicando outro livro agora Que vai um pouquinho mais longe Eu vou para a Guerra de Canudos Essa daqui teve a sua história de vida da mãe São três gerações de mulheres A mãe, no sítio A protagonista e a filha dela E a relação entre essas três Essa daqui está bem resolvida Ela não vai voltar Já contou sua história Coline, aproveita e já dá uma pitadinha Para a gente um gostinho da próxima história que você já vai trazer logo logo então, eu sou apaixonado pelo conflito de Canudos pelo que ele tem de absurdo pelo pouco que foi contado dessa história Canudos foi parar embaixo d'água o governo militar, a ditadura e os governos que antecederam enterraram essa história, não tem memória e mataram todo mundo na ponta da faca com as degolas E eu acho que é uma história que tem que ser contada a cada 10 anos. Um pouquinho diferente das pessoas que contaram Canudos, eu estou contando essa história a partir de um soldado, um soldado da República que vai lá com aquele sentimento que o Brasil inteiro colocou na cabeça das pessoas, que a mídia, os jornais da época divulgavam, vamos matar, vamos matar, vamos exterminar esse enclave de fanáticos. e ele é militar vou contar a história do ponto de vista de um soldado que vai todo empolgado para aquela campanha e depois ele vai parar do outro lado esse soldado vai parar do lado de Camus então mais que isso é quase spoiler então vou economizar um pouco aqui na história, mas é fundamentalmente isso eu vou contar do ponto de vista de um soldado e as transformações que esse soldado passa quando ele vai parar do lado do inimigo E será que o inimigo agora vai virar o novo? O inimigo vai mudar de lado? É isso que eu estou provocando. Ele vai parar no meio dos jagunços, da população de canudos. Ó, para o pessoal de casa, então, acompanhar o seu trabalho, acompanhar as suas histórias. Como é que faz? Tem TikTok, Instagram, Facebook? A chave é R. Coline. Tem um blog meu, rcoline.com.br E a partir dali tem os links para todas as redes Eu estou aí publicando um pouquinho a cada dia Alguns artigos e a repercussão do livro também Pessoal de casa, não pode perder então o livro Curva de Rio É isso aí, por favor Olha só, Coline, muito obrigado pela sua participação aqui no Universo Épico E separar esse tempinho para bater esse papo aqui e dividir a sua história com a gente. Ok, sou de vocês. Valeu, um abraço. Outro. A gente vai para um rápido intervalo e no próximo bloco, você já sabe, tem mais. Estamos de volta a segundo bloco do Universo Épico E a gente segue aqui falando sobre histórias Histórias que vocês gostam bastante E ó, nosso convidado já está aqui diretamente de Minas Gerais André, tudo bem? Tudo jóia e vocês? Tudo bem por aí? Tudo jóia. André, a gente vai falar sobre a sua obra, O Coelho. Isso aí. Esse livrão aí que chegou esse ano. Perfeito. Bom, o pessoal já quer saber, né? Eles querem saber do que se trata a sua história. Bom, O Coelho é uma releitura de Alice, certo? O que ela tem de diferente de outras releituras? Porque eu sou o primeiro, não vou mentir a fazer isso O diferencial aqui é que a história se passa no Brasil A gente tá nessa vibe de valorização do nosso território, da nossa cultura Então a história começa em São Paulo E nós temos uma Alice brasileira Porque a ideia de O Coelho é que a Alice faz as maravilhas E através do espelho não era uma simples história pra criança dormir Na verdade, era uma espécie de predição do futuro, uma espécie de Bíblia escrita, porque várias Alices ainda estavam por nascer. Eu pego ali um gancho, quem conhece a história da Alice sabe, tem aquele grande questionamento da lagarta, aquela mais pergunta para Alice, você sabe quem é você? Você é a Alice certa? Então eu imaginei, poxa, isso nunca houve a Alice certa. Várias Alices foram nascendo até que a certa nascesse e pudesse enfrentar o grande mal, o grande ser do mal, que eu não vou falar quem é, porque é um mistério, faz parte do mistério da história. Eu gosto muito de deixar mistério, o leitor quebrar a cabeça, e agora, o que ele quer dizer com isso? Bom, você contando um pouquinho da história, né, pra gente, acho que deu pra perceber o quanto você tem afinidade com a história da Alice, né? Então, foi essa afinidade, e eu quero saber mais detalhes, o que fez você escolher para fazer essa reeleitura, né? Olha, a minha infância, eu cresci, eu nasci na zona rural e eu falo muito assim, eu era a criança esquisita da família, toda família tem que ter uma, era eu, no caso. E assim, a galera toda sempre empolgada com as questões de crescer em fazenda e continuar o negócio dos pais, eu tenho um irmão mais novo, mas a gente tem pouca diferença de idade. E o meu irmão já estava todo nessa vibe, eu sempre falando para o meu pai, eu não quero isso não, eu quero morar em outro país, eu quero morar fora, falar outras línguas, eu quero escrever roteiro de filme, eu tinha 5 anos, eu já falava isso para o meu pai. E a galera, meu, que menino está falando isso aqui na fazenda, escrever roteiro de filme, nada a ver. E foi o primeiro filme ao qual eu assisti, eu tenho uma lembrança muito vívida, porque eu me identifiquei muito, aquela menina que também não se identificava muito com a família, com os ideais da família dela. E aí quando vê ela entra num buraco E vai parar num mundo de sonhos demais De onde tudo que ela queria acontece Eu falei, caraca, se eu tivesse um buraco aqui Pra eu entrar também E não me sentir tão diferente Então assim, foi uma empatia muito legal E com 5, 6 anos você não faz muita diferença Ah, mas era um desenho Você compra como verdade Então eu sempre tive muito essa afinidade Era um sonho meu E quando eu comecei a escrita mesmo Na verdade eu escrevi outros materiais antes Esses materiais foram rejeitados por editoras Eu não tinha maturidade Eu fiz curso, estudei depois E aí quando eu estava em Londres Eu comprei um exemplo lá em inglês Eu queria muito um original de Alice em Pais das Maravilhas E voltei a ler E aí despertou tudo aquilo Eu falei, caraca, agora que eu já fiz curso Me profissionalizei, entendi como funciona o mercado da escrita Por que não retomar Alice em Pais das Maravilhas? E aí eu criei a obra aí já, né, com essas ideias de valorização do Brasil, mistério e tudo mais. E fui, eu fui, tiro certo. E você carregou ali na mão, né, eu quero saber se você, ou não, economizou, porque no seu release, né, que você enviou aqui pra gente, eu dei uma lida, né, sobre do que se tratava a história, e lá fala de dark fantasy, né? Então, esse dark fantasy, né, você carregou a mão ou economizou, que nem a Disney economiza? Não, não, não. Eu equilibrei, mas eu não economizei. Coisas diferentes, certo? Inclusive, tem até uma influenciadora do TikTok, que estava trabalhando em cima do livro, e ela falava, André, eu vou pôr mais quanto a idade, né? Eu falei, põe mais 12. E ela, não, mais 16, senão o povo vai ficar bravo comigo. Mas não é a visão do autor Não é a mesma do leitor Principalmente se ele for mais jovem Mas assim Eu digo que é uma dark fantasy Junto com a editora também Porque pelo fato de que Eu distorço as personagens As personagens nem todas São amigas de Alice nessa versão Eu trago também outros Folclores brasileiros Ou de fora também A história conta com lobisomens, vampiros muito... A pegada é essa, né? O grande inimigo da Alice Certa, agora, que é a brasileira, ele é um ser sobrenatural, ele comanda todos os seres sobrenaturais. Então todos eles existem nessa história. Então tem uma galera bacana, mas tem uma galera que não é tão bacana, né? A gente tem suspense, morte, uma pitadinha de terror, mexer um pouco com o psicológico, a imaginação do leitor. Sabe o que eu gosto de perguntar para os entrevistados que passam por aqui? Porque é legal, durante a entrevista, a gente sente o quanto vocês têm a facilidade de contar, claro, porque vocês escreveram as histórias de vocês, mas eu gosto de saber também as fragilidades. Então, por exemplo, nesse processo, qual foi o seu obstáculo? O que deixou você ali meio que fragilizado ou com dificuldade no processo? Foi se organizar para escrever? Ou, sei lá, tive um bloqueio criativo para sair de algum trecho da história? Olha, bloqueio criativo eu acredito que todo mundo deve ter, sabe? Invejo, se alguém não tem. Isso acontece comigo. Só que eu não sou da turma, porque tem uma galera que dá cursos de escrita por aí e fica martelando que tem que escrever todo dia, todo dia, todo dia. Eu discordo totalmente, o dia que eu não estou bom, eu estou bloqueado, eu não vou escrever Porque não vai sair nada de bom dali, eu sei disso Pra que eu vou me forçar a fazer isso? Então acontece, mas assim, o meu maior desafio é conciliar a vida pessoal e o trabalho com a escrita Certo? Eu assim, graças a Deus, hoje eu tenho acesso a muita informação Livros, séries, várias plataformas, que é o que nos alimenta Quem escreve fantasia, né, precisa de se alimentar muito do além do mundo real, porque a fantasia não tá palpável aqui pra gente, tem que ir além. Mas, assim, como escritor novo, iniciante, eu ainda não consigo me sustentar com a escrita. Então, o meu maior desafio é realmente conciliar o trabalho que eu tenho e quantas horas por dia eu vou poder estar escrevendo, revisando o trabalho ou na divulgação, né. Esse, pra mim, é o maior desafio O bloqueio criativo, como eu disse, ele existe Mas ele, dois, três, quatro dias Você pega um livro pra ler, assiste uma série, alguma coisa Troca uma ideia com alguém que é do mesmo universo que você Dá um estalo, você conserta Mas o maior é o tempo e o trabalho mesmo E livro pronto, ficou do jeitinho que você imaginou Do jeito que você queria Ficou, ficou, fiquei muito satisfeito, certo? Porque, na verdade, eu tive uma pré-experiência antes do lançamento com a Editora Cabana Vermelha com uma gráfica, uma prestadora de serviços antes. E, nossa, foi muito decepcionante. Muito mesmo. E aí, quando eu conheci a pessoa que me levou para a editora, me apresentou, apresentou o meu trabalho, que é de Campinas, inclusive. Olha só! A gente se conheceu por redes sociais, indicação de outras pessoas que já escreviam. E, nossa, foi assim Eu fui acolhido É como se ela fosse uma mãe O tratamento que ela deu pro trabalho As pessoas que trabalharam em cima A capa Porque capa pra mim é muito importante, sabe? E eu falei, eu não quero capa montada com computador Que foi a minha maior frustração Com a primeira impressão desse livro Eles, não, a gente vai contratar um desenhista pra você E, assim, tudo fluía tão bem O desenhista conversando comigo E, sabe, o papel, a qualidade e eu tinha uma proposta que eu não sei se outros escritores já fizeram, eu não vou dizer que isso é invenção minha porque eu não li todo livro que existe no mundo e também nem acho que seja uma grande sacada imagino que alguém já pensou nisso, mas eu sou uma pessoa muito musical, tenho muito contato com a música e a Alice Brasileira, ela tem um... como eu trabalho com adolescentes, eu sou professor de ensino médio eu vejo muito assim das desilusões, dos obstáculos, de como eles se comportam o fone de ouvido o tempo todo, o capuz, para esconder algum sentimento. Então, eu trabalho muito, meu livro se identifica muito com os adolescentes, é bem fiel. Só que eu queria que o livro mostrasse, que o leitor sentisse o que a minha Alice estava ouvindo. Não só narrar que ela estava com fone, mas ela está num momento muito cruel, o que ela está ouvindo, num momento muito apaixonante. Então, eu falei para o editor, eu quero mostrar isso. eles falaram, beleza, vamos fazer uma playlist no Spotify gera um QR Code vamos botar o QR Code no livro poxa, isso foi uma sacada muito bacana então assim, a editora me ouvia e comprava as ideias comigo me deram toda a liberdade pra falar, eu quero a capa assim essa paleta de cor e tudo mais foi muito bacana eu estou muito apaixonado pelo resultado Sensacional E quem leu, os adolescentes Que já leram o seu livro Qual foi o retorno Que eles deram? Aquela frase, né? Filho feio Não tem mãe De verdade, eu tenho uma coisa muito bacana É muito legal porque Como eu sou um escritor iniciante É a minha primeira experiência Eu não imaginaria que eu ia receber mensagens Em rede social minha de pessoas Em Pernambuco No Pará, no sul do Brasil, Rio de Janeiro Eu recebi essa semana de duas garotas do Rio de Janeiro Sabe, falando Puxa, é muito legal Eu tive que ler de uma vez só Numa tacada só Porque é viciante, não para Eu tenho que Não é também ser muito justo Eu fiz o curso pro escritor André Vião Por tudo culpa dele Ele que me ensinou a fazer isso Esses métodos de escrita que prendem o leitor, sabe? E assim, o resultado pra mim tá sendo muito bom Eu só tive um jovenzinho de uns 12 a 13 anos Que falou assim, ah, eu não consigo mais ler seu livro, eu fiquei com medo Falei, calma, não é tão assim não, prossegue Essa seria assim, não diria negativa, né? Uma crítica negativa Que até por um lado você pode absorver essa ideia Ou ter um termômetro dessa resposta E aí você, negativo, construtivo, você teve alguma? Olha, eu sempre sou uma pessoa que me cobra muito Assim que o livro ficou pronto Ele foi lançado na última semana de maio Mas eu fui tê-lo nas minhas mãos mesmo só na Bienal de São Paulo que é o PXP, a editora participou, e aí voltei para Minas, trouxe o meu exemplar, a primeira coisa que eu fiz foi sentar e me ler, eu nunca tinha me lido, a não ser para as correções, aquela coisa técnica, mas eu li o livro mesmo e senti a vibe, foi a primeira vez. Então assim, eu mesmo já me faço, sabe? O que eu preciso mudar, eu não fico, ai, como eu sou maravilhoso. Eu acho que ninguém pode ser assim, eu posso escrever 10 livros, eu sempre vou ter algo a aprender. Então, por exemplo, eu vi algumas questõezinhas até ortográficas que escaparam, mesmo passando por corretores, talvez o leitor não vai perceber, né? Mas eu, sendo muito exigente comigo mesmo, falei, ui, isso aqui eu tenho que prestar mais atenção, isso não pode escapar. Ah, tem muito gerúndio, poxa, isso aqui poderia gerar mais mistério. Eu sou desse tipo, que sempre vai remoer, poxa, eu poderia ter feito diferente, sabe? Mas, de leitores, eu não recebi ainda, mas eu sempre falo pra eles. Quando alguém entra em contato comigo, eu falo, me fala o que você não gostou. Que você não gostou Eu estou totalmente aberto a isso Eu quero ouvir Porque eu estou escrevendo mais Eu já tenho mais 11 originais escritos Na pandemia eu escrevi pra caramba E eu falei, meu, eu preciso saber o que eu tenho que melhorar Nossa, 11 originais É uma boa quantidade aí E aí o livro Serviu pra alguma coisa, entre aspas, né? O livro O Coelho Ele encerra por aí? ou você ainda continua? Não, encerra. Encerra? Encerra. Eu recebi, inclusive, isso de algumas pessoas. Nossa, vai continuar, né? Falei, não, não vai. Eu não gosto assim, de quando você tem uma coisa já concebida, você já tem aquele universo, aquilo e pronto. E aí, mesmo que os leitores... Nossa, poderia continuar. Aí eu acho que você vai mais pra uma coisa até, talvez, comercial. Eu não gosto disso. Eu acho que quem faz isso fala, ó, o povo gostou, se eu escrever mais, vão comprar. Então, se um dia vier assim do coração mesmo, eu sentir que, poxa, dá para continuar. Porque, inclusive, o universo da Alice no País das Maravilhas não é tão amplo assim, né? A gente tem ali a Alice no País das Maravilhas através do espelho. Quando o original chegou para a editora, e eles fizeram a primeira leitura crítica, avaliação, eles falaram, olha, o seu livro é muito focado só no Alice no País das Maravilhas. Ele parece que ele ignora a existência através do espelho. Eu tive que corrigir, tive que reescrever, então isso também já foi consertado, certo? Então assim, eu não enxergo neste momento, até porque eu já estou envolvido com os outros projetos, uma continuação. E na continuação desses projetos, o próximo, desses 11, o que você vai trazer aí no cronograma, no planejamento? Eu sei que o coelho ainda está fresquinho, acabou de lançar, mas e aí? Quais são os planos? Então, o plano é ficar ainda esse ano, até o resto do ano, correndo aí atrás, divulgação e tudo mais com o Coelho. Mas eu já tenho um livro que vai ser lançado para o ano que vem, uma distopia, um público um pouquinho mais velho, uma coisa mais crítica. Mas o projeto é esse mesmo, para o ano que vem essa distopia e para 2023 já começar uma saga. Eu falo os 11 livros, um é a distopia e os outros 10 já são do mesmo universo. Aí vem uma saga, tem muita continuação. Sensacional. Bom, então vamos fazer o seguinte, o pessoal de casa aqui gostou do Coelho, ficou interessado nessa distopia e nessa futura saga, como é que faz? Tem TikTok, tem Instagram, como é que acompanha? Eu sou bem ativo, é do Instagram mesmo, sabe? É o arroba André L. Nascimento, certo? É o meu nome de autor mesmo, que tá na capa do livro, mas eu tive que botar um ozinho. Já existia um André L. Nascimento lá. O TikTok, eu ainda tô começando a navegar por essas águas, tô apanhando. Eu sou da geração que ainda tá... Ih, como é que funciona isso aqui? Certo? Mas também é o mesmo nome, é o André L. Nascimento. Sensacional Ó, quando o papo é bom Passa rápido Nosso tempo já estourou Precisamos encerrar aqui, mas eu quero agradecer A sua participação Em dividir aí o coelho com a gente Nossa, eu que agradeço muito Pela oportunidade, espero que as pessoas Tenham gostado, se interessem O link pra venda do livro Tá na minha bio do meu Instagram Também, Teleeditor Cabana Vermelha, é bem tranquilo de achar Certo? Espero que a galera tenha se apaixonado, dê uma chance aí nas minhas redes sociais tem trailer a gente produziu um trailer pro livro e é muito muito legal, vale a pena conferir galera e eu vou correr A CIDADE NO BRASIL A CIDADE NO BRASIL A CIDADE NO BRASIL Música Let me out, let me out here now Let me out, and I'm a woman, I'm a woman Let me out, let me out here now A CIDADE NO BRASIL Música O que é isso? Quando tiver coisa nova, vem aqui contar pra gente. Com certeza, gente. Valeu, André. Obrigado. Ponto final no Universo Épico e a gente volta na próxima semana. Tchau. Transcrição e Legendas Pedro Negri