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e TV Câmara Campinas. Olá, bom dia, nós estamos ao vivo do plenário da Câmara Municipal de Campinas de onde vai começar a reunião extraordinária da Comissão de Educação e Esporte da Câmara Municipal. Hoje, esta reunião cedia o oitavo EJA em debate realizado pelo NAED Noroeste e as atividades no período da manhã acontecem aqui no Legislativo, sob a presidência do vereador Gustavo Peta. Bom dia a todos, a todas, a todos. Eu quero iniciar essa nossa quinta reunião extraordinária da Comissão de Educação Esporte, que tem hoje a alegria, a honra de receber parte dos debates do oitavo EJA em Debate, realizado pela ANAED Noroeste, pelo grupo de professores, pela GT Noroeste, e nós já estamos aqui também com a presença da vereadora Guida Calisto, do PT, que é integrante titular da Comissão de Educação e Esporte aqui da casa. E hoje a gente vai ter essa alegria de receber esse evento. O evento vai acontecer também durante todo o dia, o período da tarde vai ser transmitido pelas redes sociais, vai ser explicada aqui ao longo da manhã toda a programação desse importante evento, que também faz parte da comemoração do centenário do legado do professor Paulo Freire. Eu queria então já passar para fazer uso da palavra Antes disso, eu queria anunciar as pessoas que já estão comigo aqui na mesa O professor Niraldo José da Silva, que é representante regional da NAED Noroeste Professor Nilton Miranda, supervisor educacional da NAED Noroeste Professora Dejanira Fonte Basso, supervisor educacional do NAED Noroeste o professor Wagner Romão, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, a professora Raquel Guzzo, da Faculdade de Psicologia da PUC de Campinas, a professora Mara de Sordi, da Faculdade de Educação da Unicamp, a professora Débora Maza, da Faculdade também da Educação da Unicamp, e a professora Nima Espigolon, professora da Faculdade de Educação da Unicamp. Além disso, também anuncio a presença da professora Ana Mussi, Supervisora da ANAED Noroeste, Thais Penteado, Supervisora da ANAED Noroeste, Lucila Pereira, Vice-Diretora da EMF EJA Clotilde Barraquete e Marcos Alves, Professor do Espaço Concórdia. Então, anuncio a presença de todos. Damos início aqui oficialmente a esse debate. Já passo para fazer uma fala de abertura, o professor Niraldo José da Silva, que é o representante regional do NAED Noroeste. Professor Niraldo. Deixa eu ver o microfone aqui. Bom dia a todos e a todas. Agradeço ao vereador Gustavo Peta pelo convite do NAED Noroeste estar participando nesse momento dessa reunião com a apresentação do oitavo Eje em Debate. Em nome do secretário de Educação, professor José Jorge Tadeu, eu agradeço a todos os convidados da PUC, da Unicamp, professores que estão aqui também para poder juntos debatermos. Agradeço ao trabalho dos supervisores responsáveis, Dona Ed, que durante todo esse ano vem trabalhando em cima desse encontro e que hoje fazemos de forma online devido ainda à pandemia. Se Deus quiser, o ano que vem podemos voltar a fazer presencialmente, como sempre foi feito. Então, em nome do professor José Tadeu, eu agradeço a presença de todos e declaro aberto o oitavo eixo em debate. Obrigado. Bom, gente, agradeço as palavras de abertura do professor Niraldo. Na informação para todos, todas, que nós estamos também sendo transmitidos ao vivo pela TV Câmara, pelas redes sociais da Câmara, e o evento também faz parte oficialmente dos trabalhos da Comissão de Educação Esporte. Eu e a vereadora Guida vamos aqui ajudar nesse período da manhã junto ao evento de vocês. Eu queria, então, antes de passar já a palavra ao professor Miranda e à professora Dejanira, que vão fazer a mediação do debate, destacar o quanto essa casa, o quanto essa comissão tem acompanhado um trabalho muito interessante que tem sido feito na região noroeste, do ponto de vista intersetorial, com diversas secretarias envolvidas, movimentos sociais, entidades, um trabalho que deve ser, inclusive, visto como um exemplo para o conjunto da cidade. O Espaço Concórdia é fruto disso, a experiência do EJA na região também é fruto disso, e a gente tem que valorizar, destacar, para que a gente possa fortalecer essa ideia dessa política intersetorial, envolvendo não só as instâncias municipais, mas também todos os outros aparatos que nós temos na região, públicos, como as universidades, como o Instituto Federal. É muito interessante ver essa mesa repleta, vamos dizer assim, de autoridades acadêmicas, de pessoas que possuem muito conhecimento nas áreas de educação, de psicologia, envolvidos também no debate do EJA na região noroeste. Então, eu queria parabenizar mesmo essa iniciativa que já dura anos e que é uma referência para a cidade, graças ao esforço dos professores, de funcionários, de educadores que se envolvem no tema, além de outros profissionais. E dizer que já há uma iniciativa nessa casa, dos vereadores vinculados mais à bancada da esquerda, de nomear o novo prédio do espaço da Noroeste, do Naede Noroeste, e do professor Paulo Freire. Essa iniciativa foi tomada aqui na casa, a partir, inclusive, de uma reunião com representantes do Naede. Já teve o aval e a aprovação da Secretaria de Educação, inclusive a partir de uma relatoria feita pelo professor Niraldo. Então, agora, em breve, nós vamos submeter aqui à votação essa homenagem justa, Mais uma homenagem ao professor Paulo Freire, aqui na cidade de Campinas, que tem sido tão atacado nesses momentos difíceis que nós estamos vivendo no nosso país. Gente, então, era isso. Passo o professor Nilton Miranda, professora de Janira, para fazer a mediação do debate. Bom dia a todos e todas. É com muita alegria, com muita satisfação que nós iniciamos esse evento, que é um evento culminância sobre a EJA, o EJA, a Educação de Jovens e Adultos, que durante todo esse ano letivo, nas escolas, nos encontros online, nas aulas, puderam fazer esse debate, o bom debate, e aprender e ensinar sempre com Paulo Freire. Agradecer imensamente aos vereadores, principalmente o vereador Gustavo Peta, da Comissão de Esporte e Educação, a vereadora Guida Calisto. Também agradecer imensamente à Secretaria Municipal de Educação, aqui representada na pessoa do professor Niraldo José, que é também nosso representante regional lá no território, lá no Naé de Noroeste. Então, com essa alegria, com esse trabalho feito, trazendo a questão do debate da visibilidade da educação de jovens e adultos do nosso território e da nossa cidade, quero apresentar, para introduzir os nossos trabalhos, uma cordelista, a Rosa Regis, que lá de Natal, lá em Rio Grande do Norte, nos presenteou com um cordel para homenagear Paulo Freire. Então abrimos com Rosa Regis e que todos vocês que estão aqui no nosso plenário da Câmara Municipal e aqueles que estão nos acompanhando pela TV Câmara, que a gente possa ser saudado nesse momento pela Rosa Regis e o seu cordel. Olá pessoal, eu sou Rosa Regis, de Natal, RM, na realidade uma potibana, poteguá, paraibana E aí eu venho hoje fazer a minha homenagem ao nosso querido Paulo Freire, no seu centenário e ao Eja, como todo, que está fazendo essa belíssima festa. E eu trago para vocês uma poesia em formato de cordel, que diz assim, Pedagogia da Esperança, um incentivo à luta pela liberdade. Freire diz que a esperança nunca nos pode faltar, Mas a esperança tida no modo de esperançar Não de ficar esperando, mas continuar lutando Não desistir, não parar Esperar é para quem não tem coragem de agir Em busca dos seus direitos para tentar conseguir O que sabe que merece é ficar somente em prece É da luta desistir Esperançar ao contrário, é ir atrás, é correr É levantar, construir, é enfrentar sem temer É dentro do seu conceito, saber que está no direito De lutar para vencer É não deixar se fisgar pelas garras do opressor Que o tornará oprimido, o não ser exposto a dor É procurar descobrir novas vias a seguir É entregar-se ao amor Amor pela liberdade do seu eu que deixaria De ser escravo do outro também o libertaria Oprimido e opressor, libertando o cidadão Um ser cada um seria É que o opressor ligado A ambição por poder Ao desejo de mandar Em quem tem que obedecer Tornou-se um ser desumano Um explorador tirano Ou na verdade Um não ser Obrigada Até a próxima Se Deus quiser Ele há de querer Obrigado Rosa Regis Que ela também esteja nos assistindo E esse presente que ela nos dá hoje Nesse evento culminância do oitavo Ejo em Debate O Ejo em Debate ele nasce em 2014 Ele nasce de encontros dos supervisores Com gestores nas escolas do território noroeste e também nas conversas intersetoriais com os serviços que fazem o atendimento e garantem o direito social dentro do território. De 2014 até 2021, nós chegamos à oitava edição desse evento Cuminância. Por que evento Cuminância? porque nós entendemos que as escolas, durante todo o ano letivo, as escolas de educação de jovens e adultos, elas se organizam para fazer, nos seus currículos oficiais e também nos seus projetos de curricularização, todo o debate necessário para que se aprofunde e para que se construa uma escola e uma comunidade baseada na liberdade e na crítica. Então, nesses oito anos, o evento tem feito muito bonito, como dizia Paulo Freire, ele tem trazido uma boniteza para o território, porque ele, de fato, organiza os estudantes, os professores, os gestores, os supervisores, toda a equipe da supervisão. Então, é com essa história que precisa continuar, porque é uma história que visibiliza e que traz, de fato, para todos nós que somos servidores públicos a necessidade e o compromisso de estarmos atendendo a essas demandas que a nossa comunidade, que a nossa população traz para nós lá do território e também na nossa cidade de Campinas. Então, o evento tem um significado e ele, para nós, se tornou e tem, com certeza, o objetivo central de fazer com que a qualidade da educação, da educação de jovens e adultos, seja referência e seja também uma luta de todos nós. Bom dia a todos e a todas Eu gostaria de agradecer a presença das professoras e do professor da universidade Que representam aqui toda a rede intersetorial que o território noroeste conseguiu construir Lá no nosso território nós temos os serviços da saúde, da assistência social que estão, nesse momento, trabalhando e que, ao longo do ano todo, constroem, em conjunto com a educação, ações, pensam políticas, pensam objetivos comuns para que a gente possa melhorar a vida daquela comunidade. Esse é o objetivo do território noroeste. Nós estamos, desde 2013, pensando na construção de um território educativo, um território onde todos os servidores públicos, todos os equipamentos se veem como sujeitos que educam e que proporcionam uma educação ao longo da vida. Por isso que nós olhamos para todas as ações que são feitas no território A partir de princípios que são compartilhados por todos que vivem e atuam naquele território Hoje no período da tarde, a gente vai conversar com outros parceiros Que também fazem parte dessa história E as pessoas que estão em casa, eu gostaria de lembrar que vão poder conversar conosco a partir do telefone, que é um número de WhatsApp, e vão poder estar ao longo da manhã e da tarde, e estar mandando questões, que é o 3261 1599. E, para começar o nosso primeiro bloco de conversa de hoje, nós vamos conversar falando um pouquinho sobre o legado do Paulo Freire, Quais contribuições o Paulo Freire trouxe para a nossa educação, o quão ele foi importante para a vida da educação no mundo todo e o quanto ele representa para o território noroeste. Para isso, nós vamos ouvir, então, o vídeo do professor Luciano Marcos da Silva, que atua no Ceileia Estrechman e também é professor da FUMEC. Eu sou Luciano, eu estou professor na FUMEC, que é a Fundação Municipal de Educação Comunitária, desde 1998, trabalho e moro no território noroeste. E quando a gente fala em afetividade, o que pensar? Eu valorizo muito algo que Paulo Freire sempre apontou, que é reconhecer a singularidade de cada educando, Reconhecer o dia a dia, os seus movimentos Então eu vejo isso como algo muito importante, muito prazeroso Porque para o desenvolvimento da autonomia deles Eles precisam se reconhecer enquanto cidadãos Para depois assumirem que também estão no território Que esse território precisa ser transformado E a partir do nosso cotidiano em sala de aula Essa transformação vai acontecendo e isso é muito bom de se ver. O território noroeste tem trazido os princípios do Paulo Freire como norteadores do trabalho e das reflexões que a gente faz. E eu gostaria de chamar aqui a professora Nima, que vai poder nos ajudar e tem nos auxiliado no trabalho cotidiano lá do território, trazendo um pouquinho dessa história do professor Paulo Freire, do legado e da importância dele, do pensamento dele na educação. Obrigada, professora Dejanira Fontebaço, no nome da qual eu cumprimento a todas as pessoas presentes aqui na mesa e também que estão nos acompanhando nos mais diversos e distantes rincões, Não só de Campinas, do Naé de Noroeste Mas por que não dizer da nossa região metropolitana de Campinas Eu vou iniciar trazendo o próprio Paulo Freire Canção óbvia Escolhi a sombra desta árvore Para repousar do muito que farei Enquanto esperarei por ti Quem espera na pura espera vive um tempo de espera vã Por isto, enquanto te espero Trabalharei os campos e conversarei com os homens, as mulheres, as pessoas Soarei meu corpo que o sol queimará Minhas mãos ficarão calejadas Meus pés aprenderão o mistério dos caminhos Meus ouvidos ouvirão mais Meus olhos verão o que antes não viam Enquanto esperarei por ti Não te esperarei na pura espera Porque o meu tempo de espera é um tempo de que fazer Desconfiarei daqueles que virão dizer-me em voz baixa e precavidos É perigoso agir É perigoso falar É perigoso andar, é perigoso esperar na forma em que esperas, porque esses recusam a alegria da tua chegada. Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me, com palavras fáceis, que já chegaste, porque esses, ao anunciar-te, ingenualmente antes te denunciam. Estarei preparando a tua chegada Como o jardineiro prepara o jardim Para a rosa que se abrirá na primavera E nessa primavera de 2021 Nós nos reunimos em todo o país Em todas as partes do mundo Em inúmeras instituições Que já desde o ano passado se organizam em atividades diversas, por meio de eventos, shows culturais, artísticos, que ocupam as praças com as medidas protocolares de saúde respeitadas, que realizam ciclos de cultura, inauguração de estátuas, ruas, nomeação de prédios, aulas inaugurais via remoto, cursos massivos online e tantas outras manifestações dessa profusão viva de esperança, de criticidade, de reflexão, de uma profunda amorosidade pelo humano em torno do pensamento, da vida e da obra do professor Paulo Freire, para celebrar a sua vida, a sua obra. E o município de Campinas, como o tem sido, de uma forma vanguardista, não poderia se omitir diante deste fato histórico, no qual o mundo todo se reúne em torno de um motivo que renova em nós a concepção de um outro mundo possível, intermediado pela educação. Portanto, organizações políticas e educacionais, sobretudo, aqui eu destaco, o NAED Noroeste, não estão sendo diferentes, não estão sendo indiferentes a esse acontecimento histórico. Ou seja, celebrar, defender, conhecer e vivenciar o legado e a memória de Paulo Freire. Assim, é importante destacar que, antes do centenário de Paulo Freire, Ele, no ano de 2012, por meio da Lei 12.612, foi declarado patrono da educação brasileira, por iniciativa da deputada federal Luísa Erundina. Aqui eu faço uma ressalva, que quando alguém é convidado, uma personagem histórica é convidada a ocupar essa égide de patrono, de nomear algum espaço, ela se compromete ainda mais nas muitas dimensões da vida de ali estar em muitas formas de relacionamento humano, afetivo, estar ali na forma de agregar outros sentidos à existência. Portanto, freireanamente, a educação brasileira tem como patrono o professor Paulo Freire, recifense, brasileiro, latino-americano, cidadão do mundo, patrono da educação brasileira. E, portanto, em Campinas não seria diferente. Paulo Freire no mundo, no Brasil, esteve na Unicamp, esteve na PUC de Campinas e em Campinas também se envolveu com vários movimentos sociais. Portanto, revisitar nesse momento, mas além desse momento, A memória, o legado de Paulo Freire é se aproximar cada vez mais do outro e das questões que secularmente trazem uma angústia existencial, política a todos os seres viventes. Revisitar Paulo Freire é fortalecer os princípios fundantes do seu pensamento. Seja esse pensamento espraiado para os campos do conhecimento Da arte, da vida, das relações humanas De todas as manifestações de vida Desde o mineral, o vegetal, o animal, o humano e o espiritual Porque ele nos disse que gostaria de ser lembrado E ele está sendo lembrado como alguém que amou o mundo as pessoas, as plantas, os animais. Ele não disse que gostaria de ser lembrado pelos seus mais de 28 títulos de doutor honoris causa. Volvendo, iniciativas como essa reforçam o compromisso histórico que a Faculdade de Educação da Unicamp, que o NAED Noroeste, que o Poder Legislativo de Campinas, com a luta em defesa da educação pública, laica, gratuita, popular e comprometida com a construção de um mundo digno, com a justiça social, com a transformação das sociedades e a superação de todas as formas de opressão, violência, silenciamento, censura, tortura, conservadorismo, obscurantismo. Portanto, esse momento de hoje tem início há muitos meses atrás. Parabenizo, assim, a presença viva de Paulo Freire nos nossos pensamentos, nas nossas ações, nas nossas palavras e, sobretudo, nos projetos que nos unem. Na Ede Noroeste, Faculdade de Educação da Unicamp, PUC de Campinas e todas aquelas outras instituições que aqui não foram nomeadas, que hoje se encontram. Que possamos todos esperançar, que possamos todos, em cada um de nós, sentir Paulo Freire cada vez mais vivo. Viva o patrono da educação brasileira. Obrigada, professora Nima A gente observa, na fala da professora Nima O quanto Paulo Freire é importante E no território noroeste, durante esse tempo Em que a gente tem feito um esforço De ressignificar o estudo do Paulo Freire Porque o próprio Paulo Freire dizia que ele gostaria que tudo o que ele escreve e que ele pensa fosse ressignificado e reinventado no território. As parcerias foram construídas ao longo desse tempo sempre com esse objetivo de ressignificar e repensar o território. Eu gostaria de conversar um pouquinho agora com a professora Débora e pedir para ela contar um pouquinho como é que esse ressignificar Paulo Freire, no território noroeste, tenha acontecido ao longo desse tempo de trabalho? Bom dia a todos, todas e todes. É com imensa honra que estou aqui nessa Câmara dos Vereadores, essa Casa do Povo, a convite inicialmente dos colegas da região noroeste e ratificado pelo professor e vereador Gustavo Peta. Agradeço também os colegas que compõem a mesa comigo, da Universidade Pública, da PUC de Campinas, da Rede Municipal de Educação, da Secretaria e a todos que nos acompanham, moradores, moradoras de Campinas e da região metropolitana. Penso que, do ponto de vista da universidade, nós temos já há anos inventado e reinventado muitas formas de nos enraizarmos nos territórios de vida, nos territórios de práticas significativas dos cidadãos, das cidadãs, das crianças, dos jovens, dos adultos, dos bichinhos, a Nima lembrou dos bichinhos e das plantas, de todo esse meio ambiente que nos circunda e que nos dá mais ou menos condições dignas de desenvolver práticas culturais, práticas sociais, práticas políticas, práticas educacionais e dinâmicas econômicas significativas para todos e todas no território. Penso que, do ponto de vista da universidade, nós temos tentado exercitar, criar e recriar espaços de acolhimento de profissionais, professores e professoras que atuam no território e que são acolhidos pela universidade nas mais diferentes atividades por ela realizadas, Atividades de formação no âmbito da graduação, do mestrado, do doutorado, do mestrado profissional, que tem uma relação direta com os professores e as professoras da rede, que estão no chão das escolas. também a partir de atividades de extensão, de atividades de pesquisa, que acolhem projetos de pesquisa, que acolhem professores e professoras interessados em repensar as suas práticas, em aprofundar a reflexividade sobre as suas inserções e enraizamento no território. Acho que são muitas as ações Em outro momento a gente pode estar esmiuçando elas E também temos intensificado E a professora Nima já está há algum tempo Através da EJA E de um tempo para cá nós temos também intensificado No âmbito da educação infantil Do ensino fundamental Da educação média a presença de estudantes e estudantes da universidade nos cursos de graduação, fazendo os seus estágios, os seus relatórios de reflexão, descrição e observação e o seu empoderamento, a sua devolução desse trabalho que a universidade faz para o território e para os sujeitos, os atores que estão nesse território desenvolvendo práticas significativas e qualificando o lugar através de manifestações culturais de múltiplas e variadas formas. Obrigada. A gente sabe também que o trabalho da universidade não está só dentro da escola. O trabalho da universidade também está no território, junto às comunidades. O professor Wagner Romão tem um trabalho junto à rádio comunitária da região noroeste. Ele está muito próximo da comunidade. Então, gostaria que o professor Wagner falasse um pouquinho para a gente agora desse trabalho junto à comunidade noroeste. Bom dia a todos, a todas, a todes. Bom dia, vereador Gustavo Peta. Bom dia, vereadora Guida Calisto. Ao professor Miranda, à professora Djanira, também a todas as pessoas que estão nos assistindo. Estava comentando com o professor Miranda no início da nossa, antes da nossa mesa aqui, como faz falta os espaços presenciais, a gente poder estar junto na escola, na comunidade, Mas também como é importante a gente ocupar os espaços da Câmara E aqui a Comissão de Educação faz frequentemente esse trabalho Para fazer a discussão daquilo que está acontecendo na base, na ponta Então queria agradecer a comissão e agradecer também essa oportunidade A gente tem uma conexão muito forte com a Rádio Comunitária Noroeste é uma rádio que se iniciou em 2013, na região da Vila Boa Vista, do Jardim Eulina, do Parque Vianote, e faz um trabalho muito importante de comunicação no nível comunitário, um trabalho de serviço para a comunidade, e que tem uma postura política também que acho que é muito importante dizer, ela tem tudo a ver com Paulo Freire, com essa postura franca de que aquelas pessoas, sobretudo a Cris e o Jerry de Oliveira, que são ali os líderes, os comunicadores principais da rádio, sempre se posicionaram com muita franqueza e muito próximo daquilo que o Paulo Freire chamava do sentido da politicidade da educação, educação, que a gente também tem que transferir para comunicação. Então, vou lembrar um pouco aqui essa característica e essa conexão, quando a gente está pensando em educação, quando a gente está pensando em comunicação comunitária, a gente necessariamente está pensando em educação também, em formação, em um diálogo que tem que ser um diálogo fraterno, generoso, mas que tem que ser um diálogo posicionado. E eu queria aqui fazer uma menção também ao fato que o Gérard de Oliveira, nesse momento, também a Cris, a Cristiane, estão sofrendo uma situação bastante difícil ali, ameaças por... como é que eu posso dizer? Por pessoas que têm uma visão política diferente ali, naquela região da cidade. Então, há toda uma campanha, que é uma campanha da comunidade, mas também é uma campanha em nível da cidade de Campinas em uma campanha em nível nacional, pela preservação da segurança e do direito das pessoas que atuam nas rádios comunitárias de também se posicionarem politicamente, entendendo que aquela pessoa que se posiciona politicamente, que não se transveste na ideia de neutralidade, eu vou falar um pouquinho mais sobre isso daqui a pouco, no outro bloco, aqueles que não se escondem sob o manto de uma neutralidade que é impossível no mundo, no nosso mundo, seja o nosso mundo na escola, seja o nosso mundo na comunicação, mas seja o nosso mundo no país que nós vivemos, com as extremas desigualdades que permanecem no nosso país, essas pessoas, por vezes, elas se situam em uma situação de fragilidade, de vulnerabilidade. É muito difícil nós sermos francos e sermos diretos e preservarmos as nossas posições, defender as nossas posições, e exatamente no sentido de, acho que o Paulo Freire fala uma coisa muito importante, que é essa ideia da integralidade, do estar no mundo de uma maneira integral, de uma maneira plena. Aquela pessoa que não está no mundo, não se coloca com franqueza, com clareza, com a verdade, com aquilo tudo que é no mundo, ela não pode comunicar, ela não pode educar, porque ela está fechada para a possibilidade do diálogo e, às vezes, até do confronto, porque o confronto também é algo positivo, desde que feito numa perspectiva dialógica, numa perspectiva de construção conjunta, coletiva, de uma postura democrática, de uma situação democrática. Então, acho que a Rádio Noroeste é um exemplo ali, talvez não por acaso ela se situe ali na região noroeste e haja essa conexão com essa região da cidade mas acho que ela simboliza também algo que é extremamente importante que é a possibilidade de que a própria comunidade tenha os seus veículos de comunicação utilize esses veículos de comunicação como espaços de divulgação de ideias de serviço à comunidade, mas também de ideias e de posicionamentos políticos, porque, afinal de contas, todos somos, todas somos seres políticos e políticas. Então, é isso, queria contribuir dessa maneira. Obrigado. Obrigada, professor. Dentro desse trabalho, nós também contamos com o apoio da professora Amara e do laboratório do LOED, que nos ajudou nesse processo a ressignificar o nosso trabalho olhando para os processos e podendo avaliar tudo aquilo que nós estávamos vivendo. Então, o trabalho do LOED foi fundamental para ajudar que todas as equipes e todo o nosso trabalho pudesse ser avaliado, ressignificado, nós pudéssemos olhar para as fragilidades e potencialidades do trabalho. Então, eu chamo a professora Mara aqui para falar um pouquinho da relação do Paulo Freire e do Loed no território noroeste. Bom, eu gostaria de saudar todos os presentes Agradecer, assim, o privilégio de estar nessa mesa Isso é importante eu comentar, Djanira Porque o evento culminância, na realidade, me remete à ideia De todo o processo que permitiu chegarmos aqui para celebrar Então, dentro de uma lógica de avaliação que me é confortável como é bom ter um processo tão robusto quanto esse que vocês constroem no Naé de Noroeste. E a gente percebe aí as marcas da historicidade, da implicação com uma causa que é comum a todos. E eu diria assim, esta mesa aqui, que hoje tem esse privilégio, na verdade, é pouco, ela é pouco expressiva para representar toda a luta dos atores que estão ali no território. Por isso que eu digo, é uma celebração, e essa celebração só é possível porque existe realmente implicação com o projeto educativo, implicação com uma visão de uma educação humanizadora, com qualidade social, e assim eu gostaria muito de homenagear a todos que estão nos ouvindo e dizer que estamos juntos nessa luta, inspirados pelos princípios freirianos, inspirados pela esperança e pela teimosia, que é o que faz com que a gente não desista nunca de lutar por aquilo que é fundamental na vida das pessoas, que é o se saber cidadão no mundo, com direito a voz, com direito a ser respeitado, com direito a permanecer humano no mundo que tanto nos desumaniza. Muito obrigada. Já que a professora Mara falou em teimosia, Quem nos ajudou a resistir e manter a teimosia o tempo todo foi a professora Raquel Guzzo e o trabalho do Ecoar, que esteve lá presente o tempo todo, nos auxiliando, auxiliando as equipes, que, nesse momento de pandemia, fez um trabalho maravilhoso com as equipes, com a comunidade. E aí eu passo a palavra agora para a professora Raquel contar um pouquinho desse trabalho. Não sei se está ligado, está ligado. Bom dia a todas e todos. Eu tenho um entusiasmo muito grande por estar aqui nessa Casa do Povo, junto com o vereador Gustavo Peta, com a vereadora Guida Calisto, com os educadores e educadoras que são compromissados com a educação pública e com o desenvolvimento das crianças, enfrentando sem temer. que eu estou usando até as palavras da pessoa que apresentou aquele cordel no começo da nossa fala. Nós temos sido resistentes em agir para que a educação pública seja um espaço por excelência, onde as crianças e jovens possam aprender e se desenvolver para viverem construindo um mundo melhor e enfrentando as dificuldades e ameaças que certamente não deixarão de existir. Não somos inocentes em imaginar que a mudança do mundo acontecerá sem resistências E um esforço constante e persistente daqueles que compactuam com a mesma leitura do mundo Ler o mundo hoje significa ver opressão, ver desigualdade social, ver violência Ver desprezo pelo humano e pela sua vida cotidiana Ler o mundo hoje significa olhar para o avanço da pobreza, da fome, e entender que nada disso deve ser naturalizado. Essas condições de vida são produzidas por um projeto em curso de país e de mundo que prioriza o lucro, que concentra a riqueza e coloniza o pensamento. Nesse momento, estamos no limite. Olhar ao redor e entender o que está avançando em nossa direção Exige de nós posicionamentos firmes e fortalecidos Pelo conjunto daqueles que tem consciência clara de seu papel transformador Por isso que estamos aqui hoje Para mim esse encontro, além de estabelecer e celebrar o centenário de Paulo Freire É um chamado para que possamos juntos e juntas reagirmos e propormos mudanças e avançarmos na defesa de uma educação pública que pode acreditar na mudança, no planejamento e no esperançar por dias melhores. A minha contribuição nesse momento era assim, refletir um pouquinho em cada bloco. Então, eu só vou falar mais um pouquinho aqui em relação ao primeiro bloco que foi deflagrado pela professora Ninho. A minha reflexão sobre o professor pensador associa uma relação importante da psicologia que estamos defendendo, a qual considera as pessoas como sujeitos de suas próprias vidas. Nós somos humanos e, como tal, temos uma capacidade potente de pensar e agir, de criar e inovar por meio de diferentes formas. Pensar é uma atividade humana por excelência e é na linguagem e no pensamento que fazemos aflorar a possibilidade de nos humanizarmos. No entanto, as práticas humanas que visam o desenvolvimento das crianças e jovens se utilizam de uma proposta que embota a criatividade, que embota a liberdade de pensar. E é o que o Paulo Freire chamou de educação bancária. A consequência desse processo é a dificuldade que estudantes apresentam de pensarem criticamente e de se prepararem para a vida com criatividade e de uma maneira autônoma. Essa é a minha contribuição para esse primeiro momento. E viva Paulo Freire! Muito bom ouvir o professor e as professoras trazendo aí a importância de Paulo Freire, não só para a educação, mas para a vida. Porque Paulo Freire transforma a vida de todos nós a partir do momento que eu entendo que os processos educativos precisam ser libertadores. Nós agora vamos passar para três temas freirianos, nós vamos fazer a conversa em cima desses três temas, e aí eu vou dizer para os professores, professoras e professor, que durante a conversa eles se coloquem voluntariamente para ir fazendo esse debate e esse círculo de cultura. E os nossos telespectadores que estão lá no território noroeste, na região metropolitana de Campinas. Vão participando conosco. Nós temos um telefone de WhatsApp para vocês fazerem perguntas, para vocês fazerem considerações. Vou repetir o telefone aqui. O telefone de WhatsApp é o telefone 3261-1599. Vou repetir. 3261-1599. Faça a sua pergunta, faça a sua conversa conosco nesse Círculo de Cultura, que é o evento culminância do oitavo EJA em debate. Temos aqui uma participação já da Daniela Caetano, e aí vou dizer para a Daniela aqui, ao vivo, que lá no final, Daniela, nós vamos retomar a sua questão. Ela fala aqui das práticas de educação, das relações étnico-raciais desenvolvidas no Naé de Noroeste. Então nós vamos tratar dessa questão. Por enquanto, obrigado, viu, Daniela, pela sua participação. Essa questão já vai estar aqui guardadinha, vai ser a primeira questão lá no finalzinho para a gente fazer a conversa com o professor e com as professoras que estão aqui conosco nesse Círculo de Cultura. E para a gente falar da... Professor Miranda. Sim, sim. Peço só licença, só para ter a satisfação de chamar a vereadora Guida Calisto para acompanhar aqui os trabalhos a partir da mesa. Nós estamos aqui revezando. Mais tarde, também, o vereador Paulo Búfalo, que tem participado também, estará também junto com o debate, está bom? Vamos saudar a vereadora Guida Calisto com uma salva de palmas. Muito bem, nossa vereadora. Muito bem, bem-vinda, Guida, para o nosso Círculo de Cultura. Ela já estava nos acompanhando, mas agora ela acompanha a mesa conosco, essa mesa central aqui. Obrigado, Guida. Obrigado, vereador Gustavo. Nós vamos, então, para o tema da politização. que é um tema que nós, lá no GT Janouro, entendemos que é um tema importante para conversar dentro do território. E para a gente começar, professor e professoras, nós vamos escutar, assistir um vídeo. O nosso vice-diretor, Marcos Moura, lá da MFE, já Padre Leão Valerrier, Eu digo lá porque a MFE, já Padre Leão Valerrier, fica lá no fundão do Naé de Noroeste, já na divisa com Hortolândia. E esse vice-diretor é uma pessoa muito engajada e muito comprometida, principalmente com a educação de jovens e adultos. E ele traz aqui uma questão muito linda, porque ele diz que politicidade é luta de todo mundo, é luta juntos, é luta coletiva. Vamos escutar, vamos assistir o nosso querido vice-diretor Marcos Moura. Meu nome é Marcos Moura, sou vice-diretor da MF Padre Leão Valerier, na Edna Noeste, região do Campo Grande, Campinas. A politicidade para mim é esse ato de estar junto, é caminhar junto, é construir uma educação justa, humana, é a construção de uma eja mais digna, uma eja territorial. Estar com vocês é um ato político e politicidade é estar de mãos dadas no caminhar nessa construção. Quando aquele pé de pitaia der fruto, eu vou querer, hein? Vocês viram que lindo aquilo ali? Muito bem, Marcos Moura. Para dar o pontapé inicial nesse tema da politicidade, a gente escolheu o professor Wagner Romão, Ele já contava aqui desse compromisso dele com a Rádio Noroeste, com o Gerry e toda a equipe da Rádio Noroeste, que fazem um trabalho que não é partidário, mas que é político. E aí o professor Wagner Romão vai até poder dizer para nós como é que nós todos, moradores do território noroeste, servidores públicos do território noroeste, como é que nós, politicamente, estamos responsáveis e comprometidos com essa transformação e com esse nível de consciência política? Então eu passo a bola para o professor Wagner Romão. E, professor Wagner, terminado, a palavra fica aberta, professoras, para nós irmos fazendo as nossas intervenções e as nossas colaborações. Professor Wagner, com você, Politicidade, Estar e Viver o Mundo Integralmente. Obrigado novamente, professor Miranda. Eu quero iniciar essa conversa sobre politicidade e saudar esse título bonito que ficou para esse bloco, Politicidade, Estar e Viver o Mundo Integralmente. Eu quero iniciar com um trecho de um texto do Paulo Freire, ali do início dos anos 90, que se chama Alfabetização como Elemento de Formação da Cidadania, está em um livrinho chamado Política e Educação, que reúne alguns textos dessa época, em que ele vai trazer essa ideia da politicidade. Então, eu vou ler um trecho, que é o seguinte. A compreensão dos limites da prática educativa demanda indiscutivelmente a claridade política dos educadores com relação ao seu projeto. Claridade política. Demanda que o educador assuma a politicidade da sua prática. Não basta dizer que a educação é um ato político, assim como não basta dizer que o ato político é também educativo. É preciso assumir realmente a politicidade da educação. Não posso pensar-me progressista se entendo o espaço da escola como algo meio neutro, com pouco ou quase nada a ver com a luta de classes, em que os alunos são vistos apenas como aprendizes de certos objetos de conhecimento aos quais empresta um poder mágico. Não posso reconhecer os limites da prática educativa ou política em que me envolvo, se não sei, se não estou claro em face de a favor de quem a pratico. Ou a favor de quem pratico, o ou a favor de quem pratico me situa num certo ângulo, que é de classe, em que divisa o contra quem pratico e necessariamente o porquê pratico, Isto é, o próprio sonho, o tipo de sociedade de cuja invenção gostaria de participar. Eu acho que esse trecho é muito... ele elucida bastante o que Paulo Freire está nos trazendo quando ele enfatiza essa ideia da politicidade. E, como eu já tinha falado quando estava falando da rádio noroeste, sobre essa falsidade da própria ideia de neutralidade que nós vemos muito nos debates, não só no campo da educação, mas também no campo da imprensa, no campo da ciência, da própria construção da ciência. E acho que o que Paulo Freire nos convida a fazer e nos convida a refletir é assumirmos essa ideia de que o ato da educação, mais do que isso, Eu acho que o ato do estar e viver o mundo integralmente, ele é necessariamente um ato político e que tem que ser assim considerado, tem que ser considerado dessa forma. E acho que isso tem absolutamente tudo a ver com a ideia da educação como um ato de entrega plena, de generosidade, um ato de encontro, um ato em que nós, como educadores e educadoras, mas também os educandos e educandas, a comunidade como um todo, os funcionários da escola, as pessoas que estão no entorno, os profissionais da educação como um todo, também têm que ser considerados e consideradas como atores e atoras políticas também. É dessa forma, com essa espécie de franqueza, dessa espécie de, como diz o Paulo Freire aqui, a claridade política dos educadores com relação ao seu projeto, a explicitação de posições e de onde vem, afinal de contas, a nossa visão sobre como educamos, as opções que fazemos, as opções teóricas, as opções pedagógicas, as opções didáticas que nós fazemos, as nossas opções nas relações que nós estabelecemos com a comunidade escolar, tudo isso tem a ver com o que nós somos e com o que é o nosso projeto de sociedade. Então, acho que essa claridade é fundamental e é isso que dá forma, como eu entendo, à ideia de politicidade. Então, reconhecer a politicidade do ato educacional me parece que tem a ver com essa dimensão. Nós temos ouvido muito, acho que um elemento que eu quero destacar, essa ideia do nosso compromisso ético como educadores com a mudança. Então, aquilo que está colocado no nosso contexto, no nosso país, na nossa cidade, o como estamos no mundo, e a nossa posição sobre isso, ela acaba se refletindo exatamente nesse nosso ato educativo e nesse nosso encontro em que nós ensinamos e aprendemos ao mesmo tempo, em que os estudantes, em que os educandos e educandas também nos ensinam. E essa ação não é nada fácil. Eu acho que é importante também que nós não consideremos que tudo isso que nós estamos aqui conversando e que vamos conversar muito é algo que nos prova muito enquanto educadores, educadoras e pessoas humanas. Não é nada fácil a gente, ao mesmo tempo em que nos colocamos com muita franqueza e com muita clareza a respeito das nossas posições políticas, aceitar também e respeitar as posições, eu digo políticas no sentido mais amplo da palavra políticas, no sentido do nosso estar no mundo, do nosso estar na cidade. Porque, sobretudo, eu nunca fui professor de EJA, imagino que deva ser uma experiência fantástica, assim como as crianças na educação infantil, quer dizer, nos trazem coisas absolutamente fantásticas, e isso eu já tive a oportunidade de fazer, de praticar. A educação de pessoas já mais maduras deve ser algo absolutamente desafiador, porque tratam-se de pessoas que têm uma experiência de vida que vai para muito além, sobretudo as pessoas com mais idade, que vai para muito além da nossa própria experiência de vida enquanto educadores e educadoras, enquanto pessoas. E o Paulo Freire nos diz isso, que eu acho que é algo muito importante também, Ele diz algo mais ou menos assim, essa é uma anotação que eu fiz aqui. Os educandos também têm o direito de ter, o dever de ter os seus sonhos também, mesmo que distintos ou opostos de nós, educadores e educadoras. É ético e democrático dizer aos educandos como pensamos e por que pensamos, mas, ao mesmo tempo, respeitamos suas opções, às vezes, em oposição às nossas. Então, essa prática, que é essa ideia da educação como liberdade, como uma prática de liberdade, como uma prática de generosidade, como uma prática de encontro, e como uma prática de entender que, a partir desse encontro, surge algo novo e algo, quer dizer, a construção do conhecimento sai exatamente desse encontro, e que tem que ser um encontro generoso, sempre. E aí eu queria também fazer uma conexão aqui, eu acho que é muito importante a gente dizer isso, porque Paulo Freire, ao mesmo tempo que é o nosso patrono da educação, ele tem sido muito vilipendiado, a sua memória, a sua trajetória. Nós temos passado um período, sobretudo no governo federal, mas também no âmbito das cidades, dos municípios, dos estados, um período em que essa memória e essa incompreensão do que Paulo Freire representa e das suas ideias, ela está muito colocada para as pessoas, assim como também lá na década de 60, quando ele foi perseguido pela ditadura, pelas forças conservadoras autoritárias desse país, nós estamos vivendo novamente um momento como esse. Mas a força do Paulo Freire é tão intensa e a sua presença no mundo, no coração das pessoas, mas no mundo todo, ela é tão intensa que ele nos dá força também para fazer a defesa da sua trajetória, dos seus escritos, das suas ideias. Mas eu queria dizer aqui que um dos movimentos Que são exatamente contrários a essa perspectiva É o chamado escola sem partido É um movimento que se utiliza de uma ideia Que a princípio é uma ideia positiva A ideia de uma escola que não seja vinculada a nenhum partido E a gente sabe que infelizmente na sociedade brasileira e até em nível mundial. Os partidos políticos, infelizmente, não gozam de uma grande popularidade entre as pessoas, enfim. Mas eu queria aqui, e tento sempre dialogar, quando estou dialogando com essas pessoas que defendem esse tipo de opção, que é muito esperado e é muito desejável que todos os professores e professoras, assim como Paulo Freire está dizendo aqui nesse texto, nessa perspectiva da politicidade, expressem muito claramente as suas posições. E eu não estou, de novo, não estou dizendo aqui de posições político-partidárias, eu estou dizendo a sua visão de mundo como um todo. Não deixem de conversar sobre isso quando estão em sala de aula, quando estão em relação com seus educandos e educandas, desde que, é claro, estejam preparados e dispostos a se colocar em uma posição também de respeito às diferenças e de respeito às diversidades. Eu lembro que nos debates mais quentes com o pessoal do Escola Sem Partido, eu sempre dizia o seguinte, olha, não é possível se falar em doutrinação ideológica, psicológica, porque nós somos, tentava fazer as contas sobre quantos professores e professoras eu já fui aluno na minha vida, na minha trajetória de vida. Fazia as contas, chegava a mais ou menos uns 50, acho que ainda é uma conta baixa, devo ter sido aluno de uns 80, 100 professores e professoras. E nós, além da nossa experiência de vida, nós somos também o resultado de todas essas influências, que vão ser influências dignas, democráticas, francas, com essa claridade política que Paulo Freire está falando, e nós, afinal de contas, vamos ser um pouco do produto disso, daquilo que é a nossa trajetória educacional. Então não se trata de trazer a ideia de neutralidade E se trata de ao contrário Dizer que essa neutralidade é primeiro impossível E segundo que nós devemos ser fruto de toda a diversidade Que possa ocorrer nas escolas Eu queria concluir essa parte Trazendo um outro texto E aqui eu vou fazer uma citação um pouquinho mais longa mas eu acho que é importante, até para eu tentar responder à provocação do professor Miranda, com relação à comunidade e ao espaço da escola, como a escola pode se relacionar com a comunidade e como é que nós pensamos esse elemento de politicidade e de participação, quando nós estamos pensando em educação. E aqui vou citar um trecho, um trecho muito bacana do texto Educação e Participação Comunitária, que está também nesse livrinho Política e Educação. E Paulo Freire vai dizer o seguinte, vocês sabem, Paulo Freire foi secretário de Educação em São Paulo, no governo da Luísa Erundina, no final da década de 80 e início da década de 90. E ele diz o seguinte, Quando fui secretário de Educação da cidade de São Paulo, obviamente comprometido com fazer uma administração que, em coerência com o nosso sonho político, com a nossa utopia, levasse a sério, como devia ser, a questão da participação popular nos destinos da escola, tivemos, meus companheiros de equipe e eu, de começar pelo começo mesmo. Quer dizer, começamos por fazer uma reforma administrativa para que a Secretaria da Educação trabalhasse de forma diferente. Era impossível fazer uma administração democrática em favor da autonomia da escola, que, sendo pública, fosse também popular, com estruturas administrativas que só viabilizavam o poder autoritário e hierarquizado. Esse é o grande problema dos gestores públicos do campo democrático popular, quando chegam as posições de secretaria de educação, as posições de poder, porque o Estado brasileiro foi montado dentro de uma perspectiva autoritária, burocrática e assim por diante. Do secretário aos diretores imediatos, destes aos chefes de setores que, por sua vez, estendem as ordens às escolas. Nestas, a diretora, juntando às ordens recebidas alguns caprichos seus, emudece enzeladores, vigias, cozinheiras, professoras e alunos. Claro que há sempre exceções, sem as quais o trabalho de mudança restaria demasiado difícil. Não seria possível pôr à rede escolar a altura dos desafios que a democracia brasileira em aprendizagem nos coloca, estimulando a tradição autoritária de nossas sociedades. sociedade. Era preciso, pelo contrário, democratizar o poder, reconhecer o direito de voz aos alunos, às professoras, diminuir o poder pessoal das diretoras, criar instâncias novas de poder com os conselhos de escola deliberativos e não apenas consultivos, e através dos quais, num primeiro momento, pais e mães ganhassem ingerência nos destinos da escola de seus filhos. E, num segundo momento, esperamos, é a própria comunidade local que, tendo a escola como algo seu, se faz igualmente presente na condução da política educacional da escola. Era preciso, pois, democratizar a secretaria, a secretaria de educação, descentralizar decisões. Era necessário inaugurar um governo colegiado que limitasse o poder do secretário. Era preciso reorientar a política de formação dos docentes, superando os tradicionais cursos de férias, em que se insiste no discurso sobre a teoria, pensando-se em que, depois, as educadoras põem em prática a teoria de que se falou no curso pela prática de discutir a prática. Esta é uma eficaz forma de vivermos a unidade dialética entre prática e teoria. Já estou finalizando. O que quero deixar claro é que o maior nível de participação democrática dos alunos, dos professores, das professoras, das mães, dos pais, da comunidade local, de uma escola que, sendo pública, pretende ir tornando-se popular, demanda estruturas leves, disponíveis à mudança, descentralizadas, que viabilizem com rapidez e eficiência a ação governamental. As estruturas pesadas de poder centralizado em que soluções que precisam de celeridade as arrastam de setor a setor à espera de um parecer daqui, de outro acolá, se identificam e servem a administrações autoritárias, elitistas e, sobretudo, tradicionais de gosto colonial. Sem a transformação de estruturas, assim que terminam por nos perfilar à sua maneira, não há como pensar em participação popular ou comunitária. A democracia demanda estruturas democratizantes e não estruturas inibidoras da presença participativa da sociedade civil no comando da res pública. Então, desculpe a longa citação, mas eu acho que ela é muito preciosa exatamente com essa experiência desse educador, dessa nossa referência, dessa nossa grande referência, como uma pessoa que também foi à prática, que também se dispôs a ser secretário da educação, que também não é uma tarefa fácil, e que encontrou inúmeros desafios e tentou, à sua maneira, dar conta disso, coisa que, enfim, acho que na nossa prática, enquanto professores, professoras, na nossa relação com os educandos e educandas, a gente tenta fazer todo dia. E concluo aqui esse meu comentário. Obrigado. Obrigado, professor Romão, pela contribuição. Eu escutei durante toda a minha vida, e eu acredito que muitos de nós também escutamos, que futebol, religião e política não se discute. Eu acho que vocês escutaram isso também, alguma vez na vida. Lá nas aulas da EJA, a gente escuta muito isso dos nossos estudantes. A religião não se discute, a futebol não se discute, política, de jeito nenhum que a gente discute política. E o professor Wagner traz a questão aí. discutir visão de mundo. O que é isso? Passo a palavra, a palavra está circulando, então, para as professoras da mesa. Podem abrir seus microfones e conversem conosco, conversem com o nosso telespectador, que está lá no território noroeste. Eu quero pedir licença para abrir a reflexão que foi colocada sobre politicidade, estar e viver no mundo integralmente. Essa questão, para mim, é um dos pontos mais importantes para a gente pensar um mundo onde sujeitos libertos e integralmente desenvolvidos precisam entender o sentido mais amplo de política. Eu acho que tem essa discussão do que é política no sentido restrito, estrito, e o que é política no sentido amplo. A vida que se organiza pelo impacto das ações e decisões têm organizações e impactos coletivos. Isso é política. Decisões pensadas por uma pessoa ou por um grupo de pessoas que orientam a vida social e comunitária impactam diretamente e diferentemente a vida de um coletivo. Mesmo que as pessoas não percebam. A política afeta o modo de viver. Por isso é importante entender e participar de decisões comunitárias. Acho que o professor Wagner colocou bem aqui. A política afeta o modo de viver. E a educação é política. A ciência é política. A psicologia é política. Porque todas têm consequências para a vida coletiva e individual. A neutralidade não existe, gente. Porque existe intencionalidade em cada ato. E a intencionalidade é parte integrante do processo de aprendizagem e desenvolvimento, sobretudo das crianças, com quem os educadores mais diretamente trabalham. Por esse motivo, para mim, a participação é um instrumento poderoso de organização social. Ao tomar parte e participar nas instâncias distintas da vida cotidiana, as pessoas constroem possibilidade para sua autonomia e libertação. E para participar é preciso aprender. E para aprender é preciso existir espaço de participação, o que normalmente não acontece em algumas escolas, em algumas instâncias sociais que têm uma marca mais autoritária do que democrática. Essa ideia de viver integralmente e de se desenvolver integralmente está relacionada à potencialidade do ser humano. Esse é o que pode ser traduzido, do ponto de vista da psicologia, como um bem-estar subjetivo. Ou seja, viver em um mundo de um modo integral, onde você pode ser quem é, expressar o que sente, expressar o que pensa, sem sofrer ameaças e sem sofrer opressão. Palavra circulando. Posso falar agora, então, um pouquinho, já bastante provocada pelos disparadores do Wagner e da Raquel, Eu acho que uma das coisas que me chamou a atenção na última leitura que o Wagner faz, diz respeito à oportunidade que Paulo Freire teve de estar num lugar capaz de afetar destinos, capaz de afetar futuros. E aí me veio a ideia de que nós não somos objetos da história, nós somos sujeitos da história. E dentro da visão de sujeito de história, é necessário, algumas vezes, muito mais do que denunciar o que nos amargura, o que nos faz sofrer, é atuar sobre as circunstâncias. Evidentemente, não de uma forma individualista ou numa perspectiva ingênua de que vamos resolver sozinhos o problema, mas do ponto de vista de conseguir construir possibilidades de organização dos sujeitos, dos atores, quaisquer que sejam eles. E eu acho que isso é muito importante, que você percebe, na forma como ele relata, por onde começa, e por que faz, e por quem faz isso, percebe-se que é realmente um gesto de basta. Se esse modo, como eu vejo, não favorece uma relação, uma gestão democrática de fato, não potencializa a emancipação desses sujeitos que estão na escola e são já cidadãos em desenvolvimento, eu não posso simplesmente repetir o modelo. E essa é uma questão que, quando você é alçado em algumas condições nas quais você tem um pequeno poder, muitas vezes você também se submete a uma forma convencional de usar esse poder. E eu acho que, na fala da politicidade, da forma como Freire coloca, ele nos convoca, nos desafia a usar esse poder em favor do desenvolvimento pleno das pessoas, no resgate dela como um ser de respeito, de palavra no mundo. Mas qual seria o sentido da palavra nova no mundo se ele não afetar o nosso jeito de existir. Quer dizer, a minha palavra tem que produzir um mundo melhor. Senão, ela é simplesmente uma retórica inofensiva, até perigosa. Porque parece que você fala das coisas que todo mundo concorda, mas você não faz concretamente algumas aproximações que permitam algumas rupturas possíveis no horizonte. Então, eu acho que essa questão da politicidade implica reconhecer-se a si no mundo e o que eu quero e posso fazer para esse mundo se aproximar do meu desejo utópico, de uma sociedade mais justa, socialmente falando. Mas implica também essa politicidade você reconhecer que existem outros no mundo, não eu, que têm, inclusive, necessidade de serem respeitados na sua alteridade. Esses não-eus, esses outros Curiosamente eles são algumas vezes tão iguais a mim E outras vezes tão diferentes de mim E exatamente por serem diferentes de mim São tão necessários para a minha própria constituição Para a constituição da sociedade, do mundo E eu acho que essa é a politicidade Tanto na defesa do mundo que a gente quer construir E em condições de absoluto constrangimento, na medida em que ela se afronta com interesses de diferentes ordens, ela nos coloca a necessidade de aprender a trabalhar com o outro. E um exercício de tolerância, que não é apatia, indiferença, ou até escárnio. É de reconhecer que esse outro também é fruto das aprendizagens da história, das circunstâncias de vida que o afetam. E, eventualmente, ele precisa ser chamado para a possibilidade de examinar outras possibilidades de mundo, outras concepções de educação, outras relações humanas. Então, acho que isso é muito importante. Políticidade aqui, eu vejo que é não só viver integralmente o mundo, mas não permitir que o outro, para que a minha forma política de pensar o mundo, seja esmagado por isso. Ele precisa, de uma forma conjunta, produzir esse outro mundo. E ele não será feito por gestos individualistas, será feito por meio de ações coletivas, organizadas e compreendendo o horizonte. Somos um ser de relações, então não há possibilidade de pensar a política como fora de um processo de comunicação com o outro, de diálogo e de acolhimento às suas visões, que, eventualmente, se afastam completamente das minhas, mas nem por isso elas devem ser descartadas, devem ser silenciadas. Senão, que tipo de politicidade estou exercendo quando simplesmente quero também submeter os outros a essa concepção de mundo? Que é exatamente o que mais negamos. E, finalizando já a minha contribuição, Então, eu me lembro de uma das falas que o Carlos Brandão, numa dessas lives que a gente assiste e se enriquece, ele disse que uma das falas que Paulo Freire dizia a ele é que ele se sentia um colecionador de fracassos. E eu achei isso fantástico. Porque, para você colecionar fracassos, o colorário disso é que ele não teve medo de tentar. Então, eu acho que o grande problema da politicidade é que a gente não pode ter medo de tentar. A gente deve ter medo de desistir. Que boniteza, professora Mara. Obrigado. E você que está aí, telespectador, nos acompanhando, faça também esse diálogo conosco. Mande sua pergunta, mande a sua contribuição pelo telefone do WhatsApp. 3, 2, 6, 1, 15, 9, 9. Vou repetir. 3, 2, 6, 1, 15, 9, 9. E a palavra está circulando. Vereadora Guida Caliço também convidada a contribuir conosco aqui. Bom, então, circulando aqui a palavra, eu vou me aproximar dela no ato político. Então, eu, politicamente, estou mostrando aqui um exemplo do que é a politicidade. Eu estou me saindo do fazer neutro para posicionar-me nesse circular da palavra, a largar o diálogo em torno da categoria politicidade. Um dos eixos condutores da proposta política, pedagógica, humanizadora de Paulo Freire, é a politicidade. Ele traz, ou ele atribui, ele desenvolve a educação em interface com a política. Para Paulo Freire, há um caráter indissociável entre educação e política. Talvez esse seja um dos elementos que, ao serem mal compreendidos ou apropriados pelas concepções de mundo e visões de mundo das pessoas, provocam aí esse movimento opressor em torno do Paulo Freire. Porque é indissociável a política da educação. Educação é um ato político. E política é um ato educacional. Então, a concepção de educação e política em Paulo Freire traz uma concepção democrática, humanizadora, dialógica. E por que não dizer plural? Freireanamente, instaurar essa categoria de politicidade em Paulo Freire E aí eu destaco que é uma categoria fundante no pensamento dele Portanto, ele cria, ele cunha essa palavra politicidade é abarcar-se dessa política, desse veio da política na educação e da educação enquanto política nos vários campos da humanidade e do conhecimento. É estabelecer incansavelmente com o outro desconhecidas relações. Porque esse é o grande exercício do politicizar-se É você, com o outro, ir ao desconhecido E o desconhecido tem a dialética do concreto, da realidade, do cotidiano Então, estabelecer incansavelmente desconhecidas relações com o mundo, com o outro e consigo, é que possibilita uma consciência crítica e amorosa do mundo em que se vive e do mundo no qual nós estamos inseridos, tendo em vista a transformação das realidades, das sociedades e das comunidades. Assim, pensar freirianamente, essa concepção de educação é também materialista, materializar uma política de desejar a vida. Gente, isso é bonito demais. Uma política, pensar freirianamente a politicidade, é criar, é materializar uma política que deseja a vida. Com toda a sua pungência. É pensar uma política e realizar uma política educacional que seja cunhada pela paixão do ato de ensinar e aprender. Estabelecer relações políticas é conviver. Para Paulo Freire, ensinar e aprender são mãos duplas. É um vice-versa. Nós ensinamos ao aprender e aprendemos ao ensinar. Portanto, se não buscarmos políticas com objetivos coletivos, estamos fadados a presenciar momentos longos de aridez política nacional, como estamos vivendo. Alargando um pouco mais essa questão de politicidade, de política Nós, enquanto sujeitos fazedores de história Portanto, sujeitos políticos Compreendemos que... Aí eu vou ao encontro do Naé de Noroeste Dessa proposta de território A educação está no conjunto das políticas sociais. Então, pensar política, discutir política, realizar no campo político é algo que reúne vários outros campos. Portanto, uma política social, uma política comprometida com a comunidade, com a ética, no desejo da vida, ela agrega a educação, a saúde, a segurança, o saneamento, a segurança, o lazer, a previdência. Por isso que a politicidade, enquanto categoria freiriana, incomoda tanto. Porque ela nos convoca a partir de uma maturidade de pensamento, de uma sensibilidade para com o outro, com o mundo, com o cotidiano, as mudezas do cotidiano, ao coletivo. Portanto, uma política pública, popular, tem que ser pautada com todos esses campos em inter-relação. Por isso que nós vemos que a escola abarca todas as outras políticas. O dentista está na escola, o porteiro é a segurança, quer dizer, os sindicatos com a Previdência. Quer dizer, esse posicionar-se é você não ser indiferente, mas, sobretudo, você fazer diferença. E essa politicidade, freirianamente falando, é defender um Estado que tenha como princípio uma política que seja um Estado de direito, como gestor de políticas, como idealizador de políticas. E aí eu quero, para finalizar a minha fala nesse item da politicidade Que a educação, ela se antecipa a uma política ética, estética, popular e pública Porque o Paulo Freire, a partir da sua categoria politicidade nos sugere e nos mostra a possibilidade de utopias e horizontes que passam pela coletividade. E hoje, esse momento, por exemplo, é viver a politicidade em Paulo Freire. Abundante. Quer dizer, nós temos aqui, no meu corpo de professora, o exemplo do que é vivermos a politicidade, categoria freiriana, no contexto de uma proposta de política de desejar a vida, no teor político da educação, das propostas de Paulo Freire. Hoje, aqui, é um exemplo vivo de politicidade. Obrigado, Nima. Nós temos algumas participações pelo canal do YouTube, gostaria de comentá-las aqui rapidamente para que vocês, professoras e professor, percebam como que os nossos ouvintes, os nossos telespectadores vão se empolgando e se encantando com as falas de vocês. O Rodrigo Barbosa diz assim, na pedagogia de Paulo Freire não tem espaço para tiranos e ditadores. A Patrícia Rosman diz lá no YouTube, Resistir, existir. Educadores na luta, acreditar na educação e no poder, sempre. A Emiliane Marques diz, viva Paulo Freire e a possibilidade de esperançar juntos no território noroeste. A Helen Queiroz, Paulo Freire vive na realidade de uma educação que eleva, dignifica, transforma e nos indica o caminho do esperançar. A Maria Rosali diz lá no YouTube A educação, qualquer que seja É sempre uma teoria do conhecimento posta em prática E lá no YouTube também se manifestando Várias EMEFs Padre Silva, Padre Leão Geni Rodrigues, Padre Melico O Espaço Concórdia, Silvia Simões Edson Luiz Chaves Os seis Maria Amélia Amélio Rocinha, Hermínia Risse Marília Mantorano, Otávio Borghi, Jardim Amapate, Gasparzinho, o João Herma, Elcio Feijó, e também a participação lá no YouTube da nossa FUMEC Noroeste. Então, obrigado, telespectadores. Nós também recebemos aqui no plenário da Câmara o vereador Paulo Búfalo. Bem-vindo, vereador Paulo Búfalo. Nós estamos aqui discutindo no nosso Círculo de Cultura sobre a politicidade. E aí, quero saber da mesa se tem mais alguma fala aí. Vamos lá? Circulando a palavra. Vamos lá, então, professor Miranda. Posso fazer, então, aqui o uso da palavra bem rapidinho? Primeiro, enquanto presidente interina dessa comissão, o vereador Gustavo Peta teve que se ausentar, ele presidiu essa comissão até a primeira parte, e ele teve que se ausentar, então eu estou aqui o substituindo. E aí eu quero também fazer aqui o registro da presença também do vereador Paulo Búfalo, que também compõe essa comissão permanente de educação aqui dessa casa. Como o vereador Paulo Búfalo, Gustavo Peito e os demais vereadores que compõem essa comissão, assim como eu, Essa comissão para nós é uma comissão extremamente importante. Então, eu fico muito feliz por estar aqui ajudando, contribuindo nesse debate e que vocês também nos sentimos honrados, e eu me sinto honrada, por esse grupo de profissionais, de educadores, ter escolhido esse espaço para poder fazer esse importante debate. Rapidamente, gostaria de falar, porque eu fui provocada aqui várias vezes por várias falas. Eu sou da Rede Municipal de Educação, sou monitora de educação infantil há 23 anos e sou da região noroeste. E aí, quando a gente fala região noroeste, para mim ela é muito mais simbólica, muito mais afetiva quando eu falo ainda especificamente do Campo Grande. Isso, para mim, toca bastante no meu coração e, muitas vezes, aperta muito o meu coração, porque a gente sabe o quanto a gente tem feito luta ali naquele território. Eu fico muito feliz, agradeço muito vocês pela luta que a gente tem enfrentado nessa parceria. A fala inicial aqui que mais me provocou foi da professora Mara, quando ela falou que essa mesa aqui pouco representa o trabalho que é feito ali. Eu acho que pouco representa e pode representar muito mais também. O espaço ali do território do Campo Grande, só para vocês terem uma ideia, é historicamente um espaço, é um berço ali de muitas lutas. Ali se travaram várias lutas históricas, na cidade, luta pela duplicação da Jumboi, luta pela saúde, para que aquele território, aquele espaço, tivesse ali a implementação de um pronto-socorro, que é extremamente importante, que nós estamos numa luta aqui, inclusive aqui nesse parlamento, junto com o vereador Paulo Bufalo, Gustavo Petro e os demais vereadores que acompanham a bancada, para garantir que aquele serviço de saúde seja, continue sendo público, sendo fornecido com qualidade para aquela população. Ali nós temos uma luta histórica também por moradia, luta histórica por serviços públicos. Nós temos, é um território que foi muito abandonado pelo poder público, do ponto de vista do fornecimento de serviços, é uma região que tem uma presença de uma população muito vulnerável. Então, ter vocês aqui com esse olhar, entender o quanto é importante o papel da educação naquele território nos enche de orgulho. O território do Campo Grande foi o território também que inaugurou, por exemplo, é a luta aqui contra a reforma do ensino médio. Foi ali que foram as primeiras escolas ocupadas por alunos que ocuparam as escolas e que enfrentaram essa política de desmonte também na educação. Então, não estamos falando de qualquer território. É óbvio que nós, enquanto vereadoras e vereadoras, lutamos para que a cidade seja uma cidade que os serviços públicos, que o orçamento, que tudo que é construído a partir do trabalho dos trabalhadores seja revertido para a nossa população. Mas a gente sabe o quanto a região do Campo Grande, onde vocês estão, inclusive com o projeto maravilhoso, que é o projeto do Espaço Concórdia, é importante para territórios como esses. Então, esse realmente é a prática, o legado que Paulo Freire nos deixa. E com isso, quero provocar também, como eu já falei em uma outra reunião que eu estive aqui, na semana passada, que nós temos muito o que avançar ainda. A gente tem muito o que avançar, a gente sabe disso. A escola precisa avançar nessa questão De sair desse campo da estrutura De representar, de ser uma estrutura conforme a sociedade ainda está calcada Calcada na exclusão, calcada no abandono Então a gente tem que continuar essa luta Eu tenho falado um pouco aqui Que eu conto muito com a colaboração, a ajuda Que eu conto muito com o projeto que é desenvolvido Nessa região do Campo Grande principalmente Para um projeto que a gente tem feito muita discussão Que é a questão da extrema exploração Que acontece com as trabalhadoras domésticas, por exemplo Nós tivemos vários debates e estudos que apontam o quanto essas mulheres ainda sequer Teve qualquer acesso à educação, qualquer acesso a meramente aprender a ler, escrever ou assinar o seu próprio nome Temos várias experiências contadas aqui para nós Que nos deixam muito tristes, mas também nos impulsionam para a luta Essa luta que Paulo Freire nos ensinou Então, no caso das trabalhadoras domésticas Nós temos exemplos que nos foi dado pelo próprio sindicato da categoria O quanto essas mulheres são exploradas E o quanto essas mulheres são oprimidas o quanto essas mulheres são violentadas, que na sua ampla maioria são mulheres, mulheres negras, o quanto a gente continua ainda, muitas vezes, ficam num plano do esquecimento. Então, a gente conta com esses educadores que estão aqui para a gente poder avançar também na luta dessas mulheres, para que elas possam ter um direito à conquista, efetivado do seu direito, que é o direito à educação. Um exemplo rapidinho para terminar Exemplo que nos foi dado de uma trabalhadora doméstica Eu até já citei aqui na semana passada A professora Débora estava aqui Também já conhece essa história Mas eu não canso de repetir Só para a gente poder ver o grau de exploração O grau de violência Uma trabalhadora doméstica Sempre recebe a orientação do sindicato Para que não assine nenhum documento em branco Nenhuma folha em branco Não assine nenhum documento sem estar ali Apoiado, acompanhado pelo advogado do sindicato E a fala da folha em branco Ficou muito marcada Fica muito marcada para essas trabalhadoras Foi quando uma trabalhadora doméstica Recebeu da sua patroa Uma folha de sulfite cor de rosa Aí falou o seguinte Olha, o sindicato fala que você não pode assinar Nenhum papel em branco Mas o rosa você pode assinar Ela falou que era em branco, então eu vou assinar o Rosa Assino o Rosa e quando ela assinou Ela estava renunciando todos os direitos dela enquanto trabalhadora Então isso é muita violência E nessa provocação que foi nos colocado aqui A gente conta muito com vocês nessa luta inclusive nessa pauta da educação, da educação antirracista, para a gente poder, de fato, mover essas estruturas do capitalismo que tanto tem aqui atingido, violentado o povo brasileiro, e o povo aqui da nossa cidade e dos nossos territórios. Obrigada, parabéns, conte conosco, e é isso. Muito bem, vereadora Guida, obrigado. E para a gente fechar esse bloco, saber se a professora Débora quer fazer uma falinha. Professora Débora. Sim, eu queria complexificar um pouco aqui, e talvez lembrar, Paulo Freire sempre nos convida a pensar de modo radical as palavras, e pensar de modo radical é ir à raiz das palavras. Então, eu gostaria só de lembrar que política vem da palavra polis, que significa cidade. Então, que o exercício da política, de um modo muito radical e, ao mesmo tempo, muito acessível, é a disputa pela construção da cidade. E ir para o território, estar nas regiões, estar nos bairros, nas comunidades, é a gente saber identificar, diagnosticar quais são os grupos sociais que estão presentes naquele território, quais são os seus projetos de futuro, ou, como diz o Paulo Freire, os seus sonhos possíveis. E lembrando que esses sonhos possíveis, eles estão profundamente vinculados às nossas condições existenciais. E é por isso que todo sonho gera os seus contra-sonhos. E é por isso que o mundo da polis, o mundo da política, não diz respeito somente ou estritamente à disputa político-partidária. E isso, o cidadão e a cidadã que nos acompanha e nos ouve têm que tomar consciência disso. Tomar consciência de quê? Fazer política é disputar a construção da cidade a partir dos sonhos possíveis. E sem nenhuma ingenuidade, porque isso vai contra também os princípios freirianos. Disputar sonhos possíveis implica sempre em enfrentar os contra-sonhos. Paulo diz claramente isso na Pedagogia da Indignação. E gostaria de encerrar lembrando um texto clássico do Max Weber, que se chama A Vocação Política, que deixa muito claro que a vocação política, a vocação de construção da cidade, de construção da polis, é a vocação dos homens e das mulheres que perspectivam a sua vida, o seu trabalho, os seus projetos e as suas ações para os interesses coletivos dos grupos, das classes, das comunidades que os colocam nos espaços e nos cargos e nas funções da política nas diferentes esferas. Então, pensar a política é pensar a construção da cidade que nós sonhamos, sabendo que os sonhos possíveis têm que ser disputados por contra-sonhos e que o exercício da política é o exercício de construção do bem-estar coletivo e que o bem-estar coletivo não é um universal, ele é sempre um particular de grupos e de coletivos que disputam entre si o que entendem por bem-estar. Então, é isso, é isso que é a política. Obrigada. Obrigada, professora Débora. A prosa está boa. E, se deixar, a gente vai ficar aqui até o final da tarde. Mas o reloginho está virando, então gostaria de lembrar que as pessoas podem participar e estão participando pelo telefone 3261 1599. E para não ficarmos sem responder os nossos colegas que estão mandando perguntas pelo telefone, nós vamos ter que encurtar um pouquinho as nossas falas a partir de agora, fazer uns blocos de falas menores, para poder dar conta dos dois últimos blocos de prosa e poder atender às perguntas que estão chegando. Então, nós vamos começar o nosso terceiro bloco de conversa, que se chama Leitura de Mundo da Tradição Popular à Criticidade Humana, Conheça-te e Conheça-os, Processos de Emancipação Humana, com um vídeo que traz o depoimento da vice-diretora Lucila, da MFE, Eja Clotilde Barraquê, que ela vai contar um pouquinho sobre o que ela pensa sobre leitura de mundo. Eu sou Lucila, sou uma das vice-diretoras da MF Clotilde Bach e Vão Zubem, no Jardim Florenci II. Estou há quase três anos trabalhando com a educação de jovens e adultos no território noroeste. Penso que leitura de mundo está relacionada à compreensão de que somos acumuladores de histórias E dentre tantas as histórias, vamos todos, profissionais da educação e alunos Construindo afetos, nos alegrando com a presença, valorizando a experiência Ao tempo em que deixamos de lado os julgamentos, desconstruímos preconceitos E vamos assim coletivamente nos transformando em algo que nunca imaginamos que poderíamos ser Entender o que é a leitura de mundo é um dos conceitos muito importantes em Paulo Freire. E quem vai ajudar a gente a pensar um pouquinho sobre a leitura de mundo e iniciar esse bloco de bate-papo é a professora Débora Maza. Vamos lá. A gente está aqui, na verdade, em um círculo de cultura. A gente está exercitando a metodologia de trabalho de Paulo Freire, não é, Guida? Então, eu queria reflexionar, dar continuidade a esse círculo de cultura e a essa reflexividade crítica que nós estamos exercitando aqui, a convite de Paulo Freire e também dos colegas aqui da casa, e dizer que eu vou trazer um trecho longo aqui do Paulo Freire, Dizendo o que ele queria dizer com leitura de mundo Então ele diz A leitura do mundo antecede a leitura da palavra O que eu quero dizer com a dicotomia entre ler as palavras e ler o mundo? Minha impressão é que a escola está aumentando a distância entre as palavras que lemos e o mundo em que vivemos. Nessa dicotomia, o mundo da leitura é só o mundo do processo de escolarização. Um mundo fechado, isolado, isolado do mundo real, aonde vivemos, nossas experiências, sobre as quais muitas vezes as escolas não as leem. Ao ler palavras, a escola se torna um lugar especial, artificial, que nos ensina a ler apenas as palavras da escola, E não as palavras de realidade O outro mundo, o mundo dos fatos, o mundo da vida O mundo no qual os eventos estão muito vivos Esse mundo é o mundo da luta É o mundo da discriminação É o mundo da crise econômica Da fome, da miséria, do analfabetismo de todas essas coisas que estão aí. Não tem contato algum com os alunos na escola. Através das palavras que a escola exige que eles leiam. Você pode pensar nessa dicotomia como uma espécie de, entre aspas, cultura do silêncio. Importa aos estudantes, a leitura da escola mantém o silêncio a respeito do mundo da experiência e o mundo da experiência e da dramaticidade existencial dos alunos e das alunas é silenciado. sem que seus textos críticos e próprios sejam alvo de ensino e de aprendizagem na escola. Esse texto está no Medo e Alusadia, o cotidiano do professor, página 164. Então eu queria começar pensando nessa dicotomia que o Paulo está nos provocando acerca da leitura do mundo que antecede a leitura da palavra. E queria dizer que ler o mundo e a partir da leitura do mundo produzir textos, artigos, cartas, escritos, leituras significativas significa se enraizar dia após dia no território, nas práticas em que as crianças, os jovens, os adultos, os idosos, as demais formas de vida que existem no território, o meio ambiente, o lixo, o córrego, o terreno baldio, a luz apagada, o asfalto que falta, etc., etc., etc., é isso que é ler o mundo. E é isso que é romper essa dicotomia que Paulo está nos apresentando entre o medo e a ousadia e a prática cotidiana do professor e da professora. Paulo vai dizer no seu texto A Educação como um Sonho Possível que tudo o que ele escrevia era um relatório de experiência. Eu gosto dessa palavra, é uma palavra muito forte. Paulo diz, eu não consigo escrever nem uma quarta, quanto menos um artigo e os meus livros, sem falar do que eu vi, vivi e participei. E é a partir dessa leitura do mundo que eu tenho condições de fazer leituras da palavra e reflexividade sobre o mundo no qual eu me encontro. Sendo assim, entendo que na perspectiva de Freire, ler o mundo antes da leitura da palavra e usar a palavra como uma mediação entre os sujeitos sociais, Mas as suas condições concretas de existência e as suas capacidades de luta e de resistência significam simplesmente comprometer o professor e a professora, engajar o professor e a professora, alinhar o professor e a professora, seus projetos de trabalho, suas atividades, com a dramaticidade da vida dos nossos alunos e das nossas alunas. Isso significa dilatar a escola para o ambiente das famílias, das comunidades, do meio ambiente, da ANAED Noroeste, das outras regionais que compõem o município de Campinas, dos 20 municípios que compõem a região metropolitana de Campinas, e fazer diagnósticos de realidade. diagnósticos de realidade, a partir da percepção dos sujeitos sociais que estão enraizados nesses territórios. E seguindo a linha do Paulo Freire, de que a gente reflexiona sobre o real a partir de experiências vividas, eu gostaria de trazer dois casos Relatados por Paulo Dois ou três aqui que eu trouxe Não sei A partir do qual A gente pode tirar Algumas lições De vida O primeiro deles Paulo diz assim De janeiro a abril De 1963 Com recursos da Aliança para o Progresso Que eram recursos internacionais Vindo inclusive da USAID, dos Estados Unidos Paulo realiza o seu experimento Das 40 horas de aula em Angicos Alfabetizando 300 moradores E aí ele vai relatar Que quando ele ministrou a última aula ele contou com a presença do então presidente da república que era o João Goulart vários governadores do nordeste representantes da aliança do progresso existiam elementos de agências internacionais e a segurança do presidente foi feita pela presença de um general que se chamava general Humberto de Alencar Costa Castelo Branco O general Fardado, comandante da região militar do Recife, ao final da última aula da experiência de Angicos, chamou o professor Paulo Freire e lhe disse, meu jovem, você com esse método, com essa história de conscientização, está engordando cascavéis nesses sertões. Dois meses depois que Paulo concluiu a experiência de Angico, a cidade de Angicos foi surpreendida com a primeira greve de trabalhadores e trabalhadoras. acontecimento que levou os proprietários rurais da região a se manifestarem publicamente nos jornais da cidade e a denominarem a experiência de Paulo Freire de praga comunista. Então, só para a gente entender e se conscientizando que fazer diagnósticos de realidade, tomar consciência das nossas condições de opressão, de exploração e expressar sonhos possíveis por meio da luta, da resistência e da utilização da política, ou seja, da construção da cidade, tendo em vista melhores condições de vida e condições dignas para todos e todas, há muitas décadas no Brasil é intitulada de praga comunista. Praga comunista que era só um grupo de trabalhadores e trabalhadoras Exigindo melhores salários para que a fome, a miséria, o desemprego E as condições de vida existenciais melhorassem Então assim, isso é leitura do mundo antecedendo a leitura da palavra Tem uma outra experiência de vida que eu quero trazer aqui Seguindo essa proposta de Paulo De que ler o mundo antes da leitura da palavra É trazer textos contextuados historicamente Eu quero trazer uma experiência que Paulo viveu na Tanzânia No final da década de 70 Paulo diz em alguns dos seus textos que ele assessorou vários projetos de educação popular e de alfabetização de adultos na Tanzânia. E uma das visitas que ele fez a uma universidade da Tanzânia, ele chegou na universidade e foi surpreendido por um cheiro que o reportava a uma memória afetiva da infância. E aí ele chegou na universidade e começou a sentir um cheiro ali na sala onde ele foi recebido, e falou para a equipe que o recebia, vocês têm pé do quê aqui nessa universidade? Ao que um dos colegas da casa disse, a nossa universidade tem uma região, tem uma parte do nosso terreno que tem uma plantação de cajueiro. E aí Paulo ficou, porque Paulo sempre dizia que uma das saudades que ele sentia nos 16 anos de exílio que o golpe civil militar o cometeu era a saudade dos cheiros dos cajueiros e das mangueiras que existiam no quintal das suas casas. E aí Paulo diz que pergunta para a equipe que o recebia eu posso caminhar por essa plantação de cajueiros antes de iniciar o meu trabalho? E ele então é acompanhado por um senhor da universidade, um professor, que o leva para ver a plantação de cajueiro. E quando Paulo está andando pelos cajueiros e sentindo aquele cheiro que lhe remetia a uma sensação de infância, a uma memória afetiva do Brasil, das suas terras, dos homens e das mulheres e da vida cotidiana, o homem, então, pega na mão do Paulo e começa a caminhar de mãos dadas com o Paulo, balançando a mãozinha, como os namorados do Nordeste fazem. E diz que Paulo ficou desesperado e olhou para ele e pensou. Se algum familiar meu de Recife, do Nordeste, ver essa cena, eu estou frito. E diz que ficou duro, desesperado, segurando a mão. E a primeira vez que o rapaz soltou a mão dele, ele imediatamente enfiou as duas mãos no bolso para que não tivesse chance de acontecer aquele constrangimento com ele novamente. E aí, então, Paulo vai dizer, essa experiência existencial me levou a revisitar uma das reflexões mais refinadas e abstratas que se encontra no primeiro volume do Capital, Que é quando disserta sobre o fetiche, a alienação, os constrangimentos que nós, homens e mulheres, somos submetidos em uma sociedade atravessada por discriminações, desigualdades, racismos. é esse feitiço que envolve as mercadorias na sociedade, mas também os seres sociais e a nossa capacidade de ser mais, de ser inteiro, de ser um ser social que se conscientiza, que se engaja e que luta pela melhoria, pela mudança, pela transformação, tendo em vista a construção de um mundo em que caibam todos e todas. Eu penso, região noroeste, que ler o mundo antes da leitura da palavra é isso, é trazer para o debate escolar, para o texto escolar, para o currículo escolar, as histórias, as experiências, à dramaticidade existencial dos nossos alunos, das nossas alunas, das nossas famílias, das nossas comunidades, dos grupos sociais e das disputas pelos sonhos e pelos contra-sonhos e pelos interesses dos diferentes grupos sociais que se debatem entre si no território e que ocupam, sim, os espaços da política, incluindo essa casa do povo. Eu acho que era isso que eu tinha a dizer E provocar aí do ponto de vista de uma leitura de mundo Que antecede a leitura da palavra Obrigada Muito obrigada, professora Débora Agora a palavra está circulando Entre os professores que compõem a mesa Para debater aí com a provocação da professora Débora Posso começar? Vamos lá, eu fico empolgada com a coisa aqui, com a conversa. A minha perspectiva é uma perspectiva que parte de toda essa colocação que a Débora fez, porque para a psicologia que a gente trabalha, que chama Psicologia da Libertação, que foi forjada por um jesuíta salvadorenho, numa época de intensa agressividade e ameaça ao povo de El Salvador, é uma condição necessária para o pensamento crítico. E sem pensamento crítico, existe uma porta aberta para a opressão, para a manipulação, para uma condição desumana das pessoas, para uma direção que elas não estão planejando e não estão querendo ir. Então, o que ele diz é que o pensar crítico não significa apenas conhecermos a nós mesmos, mas nos conhecermos em relação com a humanidade da qual fazemos parte e aí assim, eu vou ser bem breve porque já pediram para o tempo que nós estamos com um problema de muita falação, o professor gosta de falar e de refletir a leitura que nós fazemos do mundo ela deve estar sempre circunstanciada por uma ideia de que nós fomos colonizados e a cultura e a civilização não são universais. O processo de colonização está presente na nossa vida atual, não foi uma coisa histórica que ficou, ela deixou marcas. E o modelo de sociedade, o modelo que nós vivemos hoje, é um modelo econômico e social não foi produzido por nós do terceiro mundo, nós da América do Sul. Ele foi produzido pelo primeiro mundo com a sua ciência, com a sua filosofia, com a sua política, principalmente pelo canal das universidades. Por que eu estou dizendo isso? Eu sou uma professora universitária e eu tenho exata dimensão de como a universidade pode quando ela não reflete, quando ela não critica, quando ela não desenvolve o pensamento crítico, ela pode interferir nesse processo de desenvolvimento e autonomia das pessoas. Por isso, uma leitura do mundo que contemple a nossa realidade, que a represente fielmente, precisa se fundar em uma leitura política, uma leitura histórica e uma leitura crítica. Assim como nos ensinou Martim Baró, a partir da psicologia da libertação, é preciso que nós nos libertemos das nossas próprias amarras para que nós possamos construir um caminho de libertação emancipador. É preciso problematizar o que está posto na vida para pensarmos sempre na produção de um outro tipo de conhecimento para que seja possível a vida de todos e da natureza. Então, eu fico por aqui, porque é muita coisa para a gente refletir, mas a ideia de que se a gente se coloca, aproxima a concepção de mundo da concepção da palavra ou de uma outra leitura mais organizada mais fundamentada no processo educativo formal, a gente consegue entender a posição do sujeito no mundo, e essa percepção é libertadora, desde uma criança pequena, até entender como as coisas funcionam, entender o lugar que eu ocupo, entender como eu me relaciono com os outros, e a gente vai passando. A escola passa por cima dessas coisas, e a sociedade também, enquanto outros estão pensando muito claramente em como levar essas experiências comunistas que a Débora colocou aqui para todos, para uma sociedade um pouco mais amadurecida e mais democrática. Muito bem, a palavra está aberta. Vou tentar também ser bastante breve, porque não dá para tentar explicar o que já está tão bem colocado pelas minhas colegas. Mas eu vou fazer a pergunta, como nós educadores, quando a gente olha o mundo, lê o mundo, o que a gente vê? Eu acho que é necessário parar um pouco para também não cair na cilada dos jargões que a gente fala e não presta atenção. E eu comecei a redizer essas ideias e me veio a música da Adriana Cocanhotto no esquadro. Quer dizer, eu vejo tudo enquadrado, remoto controle. E aí eu imagino, será que a gente realmente está imobilizado ou a gente tem um controle que a gente não usa? E aí eu acho que é importante trazer ao debate a indissociabilidade da ideia da politicidade, da lei do mundo e tantos outros. O pensamento de Freire não é fragmentado, ele tem uma coerência condutora ali muito importante. Então, quando eu olho o mundo que eu vejo, me desafia a dizer como é que eu explico isso coletivamente, como é que eu faço a partilha para que as pessoas possam ter uma leitura de um mundo que não seja necessária a minha, mas seja um compósito de várias visões e de vários saberes. Então, isso é bastante importante, para que a gente não faça da leitura do mundo simplesmente um momento de indignação, mas transforme a indignação em uma digna ação. O que eu faço com essa leitura do mundo? e aí, ouvindo a Raquel, que foi minha colega, minha inspiradora na PUC, me fez lembrar da época em que eu era enfermeira. Eu digo era, porque a minha graduação é na enfermagem, e aí eu fiquei pensando, na área da enfermagem, quando você está diante de uma miséria social, de uma ferida, uma das ações técnicas é debridar a ferida. E debridar a ferida parece que não tem nada a ver com ferir, Mas tem, porque debridar é retirar aquilo que está podre. É não ficar colocando por cima... Panos quentes. Panos quentes. Fazendo de conta que não existe, porque dói ver aquela miséria humana. Portanto, eu fiquei pensando, nossa, nunca tinha pensado no debridamento de uma ferida, quando transportada para o campo da ferida social, da miséria social, como ele é um ato pleno de amorosidade. A amorosidade aí é ir fundo É ir retirando aquilo que não faz sentido para a gente E essa questão de retirar o que não faz sentido Coloca para nós educadores, para a escola, para a forma de gestão Uma responsabilidade muito grande Que é recuperar o tempo da reflexão sobre Que eu acho que é uma das questões que mais se peca Muito se critica, mas muito pouco se atua sobre o tarefismo que caracteriza o nosso jeito de viver, a educação. E que, portanto, nesse tarefismo, muitas vezes, isso nos subtrai o tempo de fazê-lo a leitura do mundo. E por não fazê-lo de uma forma ampliada, abrangente, pacienciosa, provavelmente a gente não consegue produzir atos de eliminação daquilo que não faz sentido. Então, a gente se contenta muitas vezes em fazer denúncias, mas não ter anúncios. Então eu acho que fundamentalmente a leitura do mundo exige uma releitura do tempo. Quais são os tempos vivos e os tempos mortos? E por que a gente aceita a imposição de um tempo que nos remete a não pensar o mundo? O sentido do nosso projeto. E aí fica difícil você falar de uma pedagogia do engajamento, do compromisso, se você simplesmente não tem tempo para vivenciar isso no mundo, em ato, em situação. Então, mais ou menos, é essa a minha reflexão. Posso embalar aqui? Só um minutinho, professor Wagner. Pode ir lá, por favor. E eliminar o que não faz sentido é doloroso muitas vezes, não é, professora Mara? Eu gostaria de registrar aqui que nós alcançamos lá Niterói, no Rio de Janeiro. Tem uma UMEI Áurea Trindade assistindo a gente lá pelo canal do YouTube. Muito bacana. e registrar o Sey Cláudio de Souza Novaes, que também está nos assistindo pelo canal. Legal. Bom, eu queria aqui contribuir de uma maneira bem pessoal. O primeiro livro de Paulo Freire que eu tive acesso foi o Extensão ou Comunicação. E a fala da Débora me lembrou essa ideia da leitura do mundo que antecede a leitura da palavra. Me lembrou bastante aquele livro, porque eu estava começando a minha graduação lá em São Paulo, na USP, em Ciências Sociais, e fui fazer um trabalho de extensão rural, em Veracruz e Espírito Santo do Turvo, lá no meio do estado de São Paulo. E a professora Fabiola Zioni, que era a minha orientadora na época de iniciação científica, primeiro ano de faculdade, ela me passou esse texto. Então, ele me marcou muito. E esse texto é fruto do trabalho do Paulo Freire lá no Chile. Ele é publicado em 1969, a primeira edição, e é exatamente um diálogo com esses agrônomos extensionistas que pretendem ir lá na zona rural, lá no campo, ensinar para os campesinos como se deve fazer a coisa. E é interessante isso Porque a gente tem discutido na Unicamp Nós estamos, acho que todas as universidades no país Estão discutindo a questão da curricularização da extensão E é algo que é uma demanda já antiga E que agora se tornou uma urgência E eu tenho conversado bastante lá no meu instituto Com os colegas e acho que essa imagem da leitura do mundo que antecede a leitura da palavra ela serve muito para a postura que a universidade tem que ter quando vai, primeiro que Paulo Freire já dizia que é um equívoco, a própria ideia de extensão ela já é um equívoco em termos de concepção política do que deve ser feito, uma visão que vê a universidade como detentora de um, ou a universidade, ou o extensionista, como detentora de um saber que não existe na ponta, que vai ser estendido, portanto. Estou absolutamente de acordo. Então, trata-se de um grande aprendizado para a universidade, para os docentes, para as docentes, para os professores e professoras de maneira geral, e para os estudantes, Porque agora nós temos essa tarefa também de, ao promover a extensão, entre aspas, como uma atividade da universidade, fazê-la de uma maneira que nós possamos considerar a leitura do mundo, essa necessidade de articular a leitura do mundo, que anteceda a leitura da palavra. E esse é um exercício pessoal, de vida Que acho que é muito interessante Que a gente precisa aplicar nas nossas atividades E também penso que isso é muito importante Quando a gente está trabalhando a questão da interação com a comunidade Mesmo na escola, no ensino médio, no ensino fundamental porque também há uma certa visão de que a escola é detentora de saberes. Ela realmente é, mas ela precisa estar absolutamente aberta a que possa haver uma articulação, uma visão que seja mais democrática e que anteceda essa... que a leitura da palavra seja antecedida por uma leitura de mundo que seja compartilhada por todos e todas. É isso. Bom, essa leitura do mundo freirianamente compartilhada e refletida, dialogada, é uma leitura proposta para além dos olhos físicos. É uma leitura realizada pelo corpo. Talvez uma leitura como a professora Débora trouxe Nas memórias dos relatos de experiência do Paulo Pelos nossos pés, pelas nossas mãos Pela inteireza do nosso ser Nas suas múltiplas dimensões Cabe também problematizar, outra categoria freiriana as lentes que nós colocamos, ou no momento, sejam os olhos turvos pela angústia existencial, sejam os olhos brilhantes pela alegria quando aprendemos a ler os fonemas, quais essas lentes, não apenas um ato mecânico de codificar e decodificar letras, palavras, números, operações matemáticas, geométricas, mas essa leitura que o corpo, nas suas múltiplas dimensões, realiza. E isso me conduz, nessa interesse do corpo, nessa boniteza do nosso corpo, nas suas múltiplas dimensões, a uma leitura crítica e histórica da realidade. E aí nós temos atualmente exemplos que borbulham. Imaginem uma leitura, a crítica e a partada da história que propõe que a Terra ainda é plana. Então, essa leitura realizada pelo corpo Nas suas múltiplas dimensões É escavar essa história, os fatos As tramas que envolvem a vida Os processos sociais As tragédias, as discriminações, opressões Mas, concomitantemente Aquela leitura realizada pelo corpo Nas suas múltiplas dimensões que se abre, se achega, aberto para a escuta, para a percepção sensível, a generosidade do interagir, a indignação com as injustiças, uma insurgência ante o descaso para com a vida, ler o mundo e se permitir ser lido pelo mundo. e estabelecer leituras compartilhadas. Aí, freireanamente falando, a potência emancipatória do diálogo, que nos impede de desistirmos da esperança. Isso nos convoca às leituras plurais do mundo ou dos mundos E aí problematizar a partir de mim mesma A ser conversões nas leituras do mundo Que me acometem anteriores e posteriores a Paulo Freire Nós não somos os mesmos e as mesmas O nosso corpo, a partir de uma leitura crítica e histórica da realidade De mãos dadas com Paulo Freire Há um giro epistemológico com Paulo Freire Como o campo grande lida ou lê aquela realidade, aquele mundo, aquela parte constituinte e constituidora do mundo com Paulo Freire. E eu vou terminar esse momento trazendo um fragmento da música do Chico César, até quando o professor Amara citou a Calcanhoto, eu já tinha escrito aqui, porque eu falei, se eu esquecer algum trechinho da música, é musicalizar é bom, mas beiradeiro e com esse trecho eu termino porque é uma leitura do mundo que antecede a palavra mais ao lado do Paulo Freire que percorre o meu corpo nas suas múltiplas dimensões abre aspas e o sem amor o sem teto O sem paixão, o sem alqueire No peito do sem peito uma seta E a cigana analfabeta lendo a mão de Paulo Freire Muito bom, professora Nima A gente vai se emocionando, né? E querendo que isso não acabe Ah, Deus Essa mesa, essa casa As pessoas que estão aqui Sabem um pouquinho Das grandes dificuldades que nós tivemos para chegar aqui Nesse oitavo Eje em Debate com Minância Mas a gente resistiu, a gente teimou E hoje de manhã eu tinha um estômago Sabe aquele estômago sentindo aquela dor, aquela tensão Mas a gente vai chegando às 11h35 E a gente vai aliviando Porque o sucesso daquilo que vocês trazem nas falas A amorosidade e a intensidade com que essas falas chegam lá no nosso território. Viu, Guida, conversando com você, a universidade, claro, ela não representa todas as lutas que acontecem no território, mas a Unicamp e a PUC, as pessoas dessas professoras e desse professor, têm feito muita diferença nas nossas vidas, e nas nossas escolas e nos nossos currículos. Então, nós vamos para o quarto bloco. No quarto bloco, nós falamos sobre educação como prática da liberdade, e nós vamos para a pedagogia do oprimido. Lembrando que nós, servidores, o que essa rede desenha é que nos diálogos, no pertencimento, nas ações, nós possamos construir uma comunidade, um território cada vez mais livre. E para nós abrirmos o quarto bloco, nós vamos trazer dois vídeos rápidos, professora Maria Laedna, da MF Eja Padre Leão Valerrier, e o professor Rodrigo Barbosa, da MF EJA, professora Silvia Simões Magro. Eles falam o que eles compreendem da educação como prática da liberdade. Vamos ouvir a professora Laédna primeiramente. Eu sou Laédna, da EJA Padre Leão, e educação como prática de libertação, para mim é acolhimento e sistematização do saber humano, das ideias, dos projetos a serem construídos, das vivências, é a educação autêntica de Freire em Pedagogia do Oprimido. Falar em Paulo Freire é falar de uma educação libertadora Não é mais uma educação que chamava de educação bancária A gente faz depósitos para o aluno sem nenhum tipo de questionamento É uma educação coletiva, onde tanto o educando, tanto quanto o educador faz parte dessa construção. Quando a gente fala da educação libertadora, falamos também da pedagogia do oprimido, temos uma mudança radical de ponto de vista. A famosa frase, quando a educação não é libertadora O sonho do oprimido é ser um opressor Então a pedagogia de Paulo Freire não tem espaço para educar um tirano Não tem espaço para educar um ditador Por isso que Paulo Freire anda sendo tão bombardeado nos últimos dias Por aqueles que pouco conhecem de educação Obrigado professora Laedna, obrigado professor Rodrigo Por nos provocar nesse início do quarto bloco E agora, digo ao Círculo de Cultura Aqui presente nesse plenário Que a gente chama a professora Mara e a professora Raquel que ficaram responsáveis para fazer as provocações iniciais, para falar sobre educação como prática da liberdade, e, na sequência, a gente abriria, então, para as questões e para a participação que veio lá do território. Ok? Então, vamos lá, professora Raquel e professora Mara. Eu combinei com a Mara aqui, que eu começo e ela termina, porque ela dá aquele arremate. Sempre assim, não é? Então, eu vou dizer assim, olha, assumir a educação como prática da liberdade é o fim máximo do processo de desenvolvimento humano integral, no qual se filia a psicologia da libertação que eu trabalho. No fundo, uma psicologia freiriana. Educação como um processo que nos deve fazer entender como se produz e se reproduz a vida humana. Se ainda existem as relações de produção econômica, onde a produção da riqueza implica na produção da miséria, e a produção em larga escala da miséria. Essa compreensão decorre de um exercício constante de reflexão sobre o mundo e como estão vivendo as pessoas. Nós temos exemplos de sobra aqui no Brasil, onde o mundo real se impõe, onde não se pode mais esconder a desigualdade, onde não se pode mais esconder o sofrimento e as imensas dificuldades na vida cotidiana. Para a conquista de uma sociedade democrática e libertadora, as classes populares precisam se organizar para saírem da subalternidade e se educarem para a autodeterminação. É preciso libertar-se do colonialismo e aprender a reinventar a vida. Essa tem sido a principal tarefa da educação para a liberdade, romper com qualquer tipo de opressão. E as cinco faces da opressão, que são as faces que estão trabalhadas e apresentadas por uma autora que estamos estudando agora, que se chama Iris Young, é a exploração, em primeiro lugar, a marginalização, em segundo lugar, o desamparo sentido por sujeitos singulares, o imperialismo cultural, que determina como as pessoas se organizam, valorizam e pensam a vida cotidiana, e a violência. Então, quando a gente educa para a liberdade, a gente educa para o enfrentamento dessas cinco faces da opressão. Bom, eu quero acrescentar em cima dessa fala da Raquel, que quando eu penso em educação como prática de liberdade, primeiro, a necessidade de resgatar o sentido de educação, num tempo tão marcado por compromisso com processos de instrução, que são incompatíveis. Se eu trabalhar na perspectiva da educação, eu posso pensar como uma prática de liberdade, porque rompe com as contradições daquele saber padronizado, que uniformiza, que classifica, que ritualiza, a partir de uma determinada concepção de homem, de um mundo de sociedade, numa perspectiva inclusive imperialista. Então, a educação orientada pelo desejo de produzir uma formação humana ampla, ela tem como seu primeiro princípio para a liberdade a luta para impedir que se aceite como natural a desumanização do homem, seja por aqueles que sofrem o processo ou por aqueles que o praticam, porque também foram desumanizados. Apesar de eles serem eles e nós sermos nós Na verdade eles também cometem contra si Esse crime de desumanização É muito ambivalente, é muito contraditório Mas é assim que eu entendo a partir das leituras do Paulo Freire Então pensar a educação libertadora Como prática de liberdade Implica sim a liberdade de pensar sobre o mundo E de atuar sobre ele E a única forma de ser mantido para a desumanização é você romper com esse processo. E romper desse processo incluindo as vozes dos oprimidos, as experiências dos oprimidos, o sentido de estar no mundo dos oprimidos. E essa é uma questão importante, porque se não existisse essa separação, a educação não será uma educação com E maiúsculo. Porque ela, na verdade, está trabalhando em prol da escravização, da subalternização, do desvalor daqueles saberes que não são considerados e que, na verdade, existem, estão aí, estão na realidade, como foi mostrado. Quer dizer, a leitura do mundo antes da leitura da palavra mostra isso. Tem muitos saberes aí desperdiçados, conhecimentos que são subjugados, cuja inexistência e desvalor foi historicamente produzido. E aí eu concordo quando o Raquel lembra a necessidade de dar uma postura de decolonização. Então, a única forma de lutar em favor dos oprimidos é contestar que eles devam ser alfabetizados na leitura do mundo a partir da nossa lógica. Freire fala muito nisso na forma de uma pororoca sociocultural, onde ele coloca em relação a essas várias perspectivas e nega radicalmente a monocultura do saber. E eu acho que esse é um grande desafio para nós, enquanto defensores de uma educação como prática da liberdade, olharmos de novo quais os saberes entram pela porta da frente da sala de aula e quais aqueles que são subtraídos e retirados. Porque eles acabam, muitas vezes, nos levando na direção contrária daquilo que professamos enquanto discurso político. Em favor de quem? Nós estamos ensinando e aprendendo com os nossos alunos. Freire fala que esse pensar certo é plural. Ele é dialogal, ele é polissêmico. E só a partir dessa nova perspectiva, associando com a gestão do tempo que eu já mencionei, recuperando o nosso controle sobre o tempo para pensarmos sobre as coisas que de fato fazem diferença, nós vamos conseguir uma educação como prática da liberdade e produzir essa transitividade crítica, saindo da consciência ingênua para uma consciência engajada, Lutando, portanto, por uma outra forma de estar no mundo E fazer diferença no mundo Só fazer um complemento aqui Eu queria colocar que o Inácio Martim Baró era um psicólogo Era um freio jesuíta Ele foi assassinado pelas forças que invadiram o Salvador naquela época E ele trabalhou muito com Paulo Freire Então, a proposta de psicologia da libertação dele tem muito aprendizado e muita relação com aquilo que eles construíram a partir da teologia da libertação. Eles construíram uma perspectiva integrada de processos de tomada de consciência. E aí, quando a gente fala isso, que a gente precisa tomar consciência do que é o mundo hoje e viver para modificá-lo, a gente precisa, em primeiro lugar, desideologizar, porque a impregnação ideológica é alguma coisa que não se dá no nível da consciência. Então, quando a gente entende que a gente está vivendo um mundo que foi colonizado e que tem padrões e demandas de uma outra ordem, que não foi a ordem que surgiu da nossa realidade, essa ideologia é impregnada sem a gente tomar consciência, sem a gente perceber. Então, o processo de desideologização, que o Martim Mauro fala, é um processo que dói, é um processo que faz sofrer, mas é um processo que liberta. E aí ele trabalha junto com o Paulo Freire nessa perspectiva da libertação. É muito bacana a gente poder conversar sobre isso. Que bom. Agora eu passo a palavra para o vereador Paulo Búfalo, para ele conversar um pouquinho com a gente. Legal. Obrigado. Eu quero já me desculpar, Eu cheguei atrasado aqui, porque com o final da nossa greve sanitária e a determinação de retomar as aulas, hoje eu tive lá um encontro com parte dos meus alunos. Eu acho muito positivo que, mesmo com todos os percalços, nós estejamos conseguindo realizar aqui na Câmara, nesse espaço. E não vou me alongar aqui até pelo tempo, mas vou trazer aqui uma provocação para essa mesa. Porque tramita aqui, lógico que discutindo como educação, como prática libertadora, enfim. E aí tramita desde 14 de julho nessa casa, um projeto de lei que é o seguinte, olha. institui o programa comunismo, não, destinado a orientar e ensinar os alunos da rede municipal de ensino de Campinas sobre os malefícios desta ideologia. O indivíduo, no artigo 3º, prevê o seguinte, que para atingir esses objetivos, os objetivos que ele pretende na lei, serão realizadas palestras, encontros, reuniões ou qualquer outro meio de forma semestral, com ampla participação de professores, pais e alunos em todas as escolas da Rede Municipal de Campinas. Para poder, o programa tem o objetivo de demonstrar aos alunos o que é o comunismo e as consequências desastrosas para uma sociedade democrática. Então, eu queria trazer esse debate, porque há poucos dias atrás esse projeto vem à casa, e essa casa que já teve aqui as suas moções contra Simone de Beauvoir, contra o que diziam, não, aplaudindo o combate à ideologia de gênero, enfim. Mas, supostamente, a humanidade tende a avançar. Então, nesse debate que nós estamos travando, qual é a leitura que vocês fazem de projetos como esse e na prática da educação libertadora em Paulo Freire. Eu posso só fazer uma complementação bem rapidinha? Prometo. O vereador Paulo citou um dos peles que correm nessa casa, mas esse não é um dos únicos que temos aqui, com esse conceito. Não tem nem como muita gente qualificar, mas vamos lá. Tem um outro, que também é do mesmo autor, que fala sobre a proibição da linguagem neutra. Que é proibindo a rede municipal de educação que os professores utilizem a linguagem chamada neutra. Então, esse é um também dos projetos maravilhosos, com muita, mas muita, muita, muita aspa, desculpa a ironia, gente, que tramita aqui nessa casa, mas que com certeza deverá passar por essa comissão, e a gente vai analisar com bastante critério. Agora, a gente vai trazer como contribuição também algumas perguntas do território, além das que os vereadores colocaram, e como o nosso tempo está bem curtinho, a gente vai trazer as contribuições do território e aí já passa para os convidados fazerem as respostas e considerações finais, lembrando o pessoal que está assistindo que nós temos a nossa programação no período da tarde, que vai ser online, nas redes sociais, no canal do Naede Noroeste, começando às 14 horas. Então, a professora Daniela Caetano, que foi a primeira que trouxe a contribuição, que gostaria de conhecer um pouquinho mais sobre as perspectivas da prática de educação de relações étnico-raciais desenvolvidas lá pelo Naede Noroeste. e a educação antirracista. O professor Luciano Pereira, da MF Eja Leão Valerri, que fala um pouquinho sobre Paulo Freire, que nos ensina a ocupar a cidade, e essa ocupação da cidade também dá sentido, e é a leitura do mundo que sempre nos é falado no NAED Noroeste, e aí relaciona essa ocupação da Câmara aqui, do espaço da Câmara a essa leitura do mundo. Juliano, professor adjunto e vice-diretor também lá da região Noroeste, ele pergunta para os representantes da SME se haverá uma ação organizada organizada de chamamento nos territórios para o retorno presencial às escolas, principalmente para a oferta da EJA. A professora Márcia, do Padre Silva, coloca que, considerando os pensamentos do Paulo Freire, porque a educação não é descentralizada em todos os âmbitos, desde as esferas política e administrativa. A Maria Rosali, que é uma estudante da EJA, lá do Espaço Concórdia Pergunta, por que não tem ensino médio com método Paulo Freire? O Geraldo, professor do Silvio Simões Magro Traz alguns comentários Os ataques sofridos por Paulo Freire Nada mais são do que uma forma de desmobilização E aí ele tece uma crítica que o Instituto Federal situado lá no Campo Grande, mudou a forma de isenção de taxa esse ano e, com essa mudança, ele está excluindo muitos dos estudantes do próprio território da possibilidade de acessar o Instituto Federal. Então, vai ter um Instituto Federal no Campo Grande que os estudantes do Campo Grande não conseguem acessar. A Amélia Barbosa, que trabalha na MF Silva Simões, Ela diz o seguinte, que a humanização e o acolhimento das questões políticas e burocráticas não ocorrem apenas na sala de aula. A excelência e educação como direito começam também no atendimento de cada família. Então, o profissional que pauta seu trabalho em atender e acolher as suas necessidades, as necessidades dos que procuram a escola, também exerce um papel político e educativo. Foram essas as contribuições que vieram. Tem mais alguma coisa aqui? A Soraia Teles traz a seguinte contribuição. São diálogos necessários do chão da escola ao MEC. Pensar o mundo, nosso papel está imbricado no exercício da educação, que pensa, ensina, conversa, respeita e luta por condições de vida melhores a todos. A Érica Galvão, é sempre importante pensarmos em uma educação significativa, libertadora e capaz de investigar a reflexão, instigar a reflexão e a criticidade nos alunos. A Patrícia Rosman, a releitura do mundo requer uma releitura do tempo. A Lúcia Helena Cunha, sobre o relato do passeio de Paulo Freire pelos cajueiros. Como ele aprende e propõe análises com todas as suas vivências e experiências. Ele é um mestre. Agora eu passo a palavra às professoras convidadas. A gente vai fazer uma ordem, começa aqui pela Raquel, e vai seguindo na sequência aqui, para a resposta e contribuições finais. Bom, eu agradeço a participação de todos que mandaram comentários E questionamentos, etc Mas a gente tem uma limitação nas possibilidades de resposta Eu queria responder a Daniela sobre a questão étnico-racial E dizer que essa é uma das primeiras possibilidades de você situar essa leitura do mundo antes da leitura da palavra. Uma experiência que a gente tem no trabalho da psicologia no Ecoar, dentro das escolas, é fazer com que as crianças se conheçam, conheçam as suas origens, conheçam as suas famílias, se identifiquem na cor da pele, se identifiquem no gênero. E essa é uma situação que a gente tem encontrado com muita dificuldade. Eles praticamente têm um pensamento distante daquilo que eles verdadeiramente são. Então, o trabalho tem sido muito interessante de fazermos as crianças se representarem, se conhecerem, dialogarem entre si, trazer a origem das suas famílias. E eu acho que, quando discutimos as relações étnico-raciais, discutimos a ausência do preconceito, a ausência da marginalização, e, de certa forma, estamos trabalhando com uma educação para a liberdade, que é uma educação contra todo o tipo de opressão. No mais, eu quero dizer que é difícil exercer na ação aquilo que a gente fala na palavra. Essa era uma máxima do Paulo Freire também. Aproxime as suas ações daquilo que vocês falam. E essa é uma preocupação muito grande que a gente tem no nosso espaço de pesquisa de fazer a gente escrever e falar aquilo que a gente pratica. Porque a academia é um espaço também que dá um gap nessa situação. E aí, assim, exercer o Paulo Freire na prática demanda uma série de condições, principalmente partindo da própria pessoa. E eu acho que a gente precisa se juntar em visões de mundo, em cosmos-visões que são semelhantes para nos fortalecermos e podermos continuar nessa caminhada. Porque obstáculos como um PL como esse vão chegar, muitos, porque as pessoas pensam diferente mesmo. Até não pensa, porque uma proposta como essa mostra, a primeira leitura que eu faço é uma incompreensão muito grande do que é o comunismo, talvez pela experiência que a pessoa teve com algumas pessoas, enfim, propor um projeto de lei como essa, posso fazer uma leitura muito subjetiva daquilo que está proposto, mas tem que se discutir, tem que se demonstrar para as pessoas como é diferente, porque a legislação, quando ela atinge a liberdade do pensar e do se posicionar, ela está demonstrando uma outra sociedade, que é a que temos que combater, uma sociedade totalitária. Então, vamos deixar para os serviços das câmaras fazerem o debate, nós estamos à disposição se vocês precisarem, mas é uma questão que nós vamos torcer muito para que esse colegiado aqui possa debater e discutir os encaminhamentos a partir desses projetos. Bom, eu acho que, evidentemente, várias questões mereceriam um tempinho maior para a gente aprofundar. A gente faz escolhas, e eu fiz uma escolha a partir de uma das provocações que foram feitas do ataque ao Paulo Freire e o sentido da desmobilização em termos dessa luta por uma educação libertadora, como é aquela que nos une aqui. E eu acho que não foi à toa que se tenta fazer, pela desqualificação do nosso patrono e das ideias que ele defende especialmente, que mostram o sentido da sociedade, do mundo que a gente quer construir, que tem que ter resposta. E eu acho que várias respostas vão na direção de dizer que vai ter luta. Eu acho que a luta pela educação como prática de libertação Ela não pode ser uma questão morna Ela vai partir sim para o enfrentamento Onde nós vamos precisar estar de uma forma organizada, coletiva Pautando, e aí eu acho que a escolha do Naide Noroeste Para este oitavo Engem Debate foi fundamental Porque ela traz as categorias sobre as quais a gente quer discutir E isso garante uma possibilidade de usar bem o tempo para capilarizar essas ideias, para provocar o debate com os coletivos, para que a micropolítica no território também esteja nutrida por esses elementos e não seja simplesmente um pensar teórico. Eu acho que essa foi uma questão que eu acho muito positiva, muito bem escolhida e faz a diferença. Então, eu acho que quando eu digo que vai ter luta, é a luta mesmo das palavras, a luta por uma leitura de mundo diferente e que está ecoando mundialmente. É fundamental a gente também saber que não são movimentos isolados, está crescendo. E eu volto a insistir, quer dizer, é fundamental que a gente não desista da luta, porque senão nós teremos de fato permitido que eles desonrem o pensamento de Freire, que foi esse lutador que nos inspirou tanto a ponto que no momento de tanta opressão, de tanta miséria humana, a gente precisa dele uma vez mais para dizer, estamos aqui e vamos tomar o nosso lugar no mundo. Então, eu desejo simplesmente agradecer tudo o que eu tive a oportunidade de ouvir e aprender com todos os colegas e desejar que o ONU ONU EJA em debate seja tão frutífero e fecundo e provocativo quanto esse e que possamos estar na forma presencial, com saúde, não é? Juntos. Obrigada. Bom, o tema dessa rodada está nesse livro do Paulo Freire. Professor, eu trouxe o livro para mostrar. Quem quiser conhecer um pouco mais onde o Paulo Freire inicia a sistematização dessa concepção de liberdade e educação, que até deixo registrado os vereadores que fizeram essas propostas, que leem um pouco para argumentar os projetos em curso. Então, professora, aqui o livro existe. Educação como Prática da Liberdade. Então, a concepção de liberdade, na perspectiva de Paulo Freire, traz uma pedagogia, mas não apenas uma pedagogia, o pensamento do Paulo Freire, o conjunto de propostas de Paulo Freire não são restritas ao campo da educação. Isso que é muito provocador, e as pessoas ficam se questionando, mas como um recifense tomou essa proporção mundial? Porque o pensamento do Paulo Freire, o conjunto da sua obra, da sua vida, não está restrito, não está demarcado por uma área que é a educação. De lá ela se espraia para todas as demais. Então, essa concepção de liberdade, em Paulo Freire, traz, e aí vou fazer um movimento mais calidoscópico, uma pedagogia que se posiciona para atribuir sentido a uma prática educativa, um conjunto de práticas educativas que só podem alcançar efetividade e afetividade, porque tem uma potência amorosa no conjunto da obra do Paulo Freire, e isso também incomoda, essa amorosidade, na medida da participação livre e crítica dos educandos, dos educadores, dos sujeitos fazedores de história. E aí é um dos princípios para a fundamentação dos ciclos de cultura que nós vivemos uma experiência aqui nessa manhã, no oitavo Oeja, em debate. E os ciclos de cultura trazem a democratização dos tempos e espaços do ensinar e aprender. a partir daquele universo vocabular do sujeito. Porque somos seres de relações. Não apenas estar no mundo, mas Paulo Freire nos convoca a estar no mundo. Se, de um lado, nós temos o retrocesso estampado nos projetos citados, isso em Campinas, Nós temos também o vanguardismo nos projetos do território Campo Grande Estampados nos projetos do NAED Noroeste Que esses projetos em realização, em gestação ou já realizados São atravessados por uma educação como prática da liberdade Isso me atravessa e eu quero publicamente enfatizar isso Se por um lado esse retrocesso Mas o vanguardismo desses projetos do NAED noroeste Que são atravessados por uma educação como prática da liberdade E caminhando para as finalizações, como foi pedido essa prática da liberdade, essa educação como prática da liberdade nos leva, com Paulo Freire, a uma fertilização de uma praxis onde teoria e prática não se separam. São feitas de um amálgama de gente, de povo. E isso nos leva a uma outra categoria freiriana, que é a coerência. e eu tenho dito nos outros espaços que nesse tempo do centenário a gente tem sido muito convidada às vezes a ocupar mais que eu não posso terminar qualquer fala que seja acerca do professor Paulo Freire sem manifestar publicamente a coerência que ele teve durante todos os dias da sua vida terrena Um compromisso com o povo, um compromisso com o outro mundo possível, digno, com a justiça social. Um sentimento de humanidade arraigado no seu corpo. Então, durante todos os dias da sua vida Nós podemos ter essa educação como prática da liberdade E eu comecei a minha participação no oitavo Ejo em Debate Falando sobre o centenário de Paulo Freire Sobre o patrono da educação no Brasil e eu quero terminar dizendo que Paulo Freire é também patrimônio da humanidade. Muito bem. O bom de falar no final é que tudo já foi dito. Então, a gente agradece os colegas da mesa, agradece a Câmara, Agradece também a todos aqueles que nos acompanham E que estão aí em processo de formação Como nós aqui, estamos em um círculo de cultura Em processo de crescimento e de aprendizagem E eu queria aceitar a provocação do Paulo Búfalo O que a gente faz com o projeto de lei comunismo ou não? Muito interessante esse projeto de lei Eu acho que é muito equivocado da nossa parte a gente menosprezar as nossas disputas políticas narrativas. Eu acho que a gente tem que dialogar qualitativamente com os nossos interlocutores e não interlocutores também. E aí eu queria lembrar que Paulo Freire, seu trabalho, suas ideias, a sua andarilhagem pelo mundo, ele sempre deixou claro que, por detrás da sua resistência à crítica, ao determinismo, ao fatalismo de uma economia de mercado, à sua luta contra a alienação da sociedade, a favor de processos de conscientização, de resistência e de engajamento, existia por detrás desse conjunto de práticas um projeto político, econômico e cultural. Então, acho que temos que ter claro isso. Quem tem medo de Paulo Freire? Quem tem medo de Paulo Freire? Qual era esse projeto político, econômico e cultural? Acho que, do ponto de vista econômico, Paulo, desde seus primeiros escritos, deixa muito claro que o projeto econômico do Paulo era um projeto de inserção da população pobre, miserável, faminta em uma ordem social competitiva, porém inclusiva, e que conferisse bem-estar e vida digna a todos e todas. Então, existe claramente desenhado nos artigos de Paulo e na sua prática, nas suas ações, um projeto econômico. Existe também um projeto político, claro, claro, em todos os textos de Paulo, que é o fim do autoritarismo, o fim do patrimonialismo, que leva a que poucas pessoas e poucas famílias mandem e se beneficiem dos recursos públicos e privados de modo arbitrário, conservador, violento, decidindo sobre a nação em nome de todos. Paulo clama em todos os seus trabalhos por democracia, pela participação do povo nos rumos e nos ritmos das mudanças, das transformações e das revoluções. E existe um projeto cultural claramente desenhado, que é o acesso de todos e todas à educação como um direito fundamental e inalienável do ser humano em sociedades modernas civilizadas. Quem tem medo de Paulo Freire? O que é comunismo não? Porque comunismo não é dividir o meu quarto, dividir o meu jardim, não é fechar a igreja, não é comer criancinha, isso é fake news. Isso é fake news, a gente tem que dizer isso. Comunismo é essa visão de que todos e todas tenham acesso aos bens materiais e imateriais, materiais socialmente e coletivamente produzidos. Dalmo Dallari, um jurista brasileiro que muito participou da construção da República Brasileira e do fortalecimento das instituições democráticas, escrevendo sobre Paulo Freire, eu disse isso semana passada, eu acho excepcional essa frase do Dallari, o Dallari diz, no Brasil, o sistema educacional é parte de um projeto permanente de dominação política, discriminação social, e que passa, inclusive, pelo controle do acesso aos serviços essenciais, aos cargos públicos, gerando uma plutocracia travestida de burocracia que impede a consolidação da democracia. Paulo Freire foi contra todos esses processos. É uma fala de Dalmo Dallari analisando quem tem medo de Paulo Freire. Então, eu acho que é isso, Paulo. É muito claro. E ser contra o comunismo é ser contra o acesso de todos e todas aos bens socialmente produzidos, tanto aos bens materiais quanto imateriais. E Paulo era a favor do acesso de todos e todas aos bens socialmente produzidos. Então, quem tem medo de Paulo Freire, a gente tem que responder isso. Quem são essas pessoas? Quais são os seus interesses? E o que elas defendem? Obrigada, gente. Um bom dia aí a todos. Bom, muito bom, Débora. Faço minhas as suas palavras. Parabéns. Só queria, assim, nosso tempo realmente já está avançado Eu queria só concluir falando um pouco dos meus educandos e educandas desse semestre Que é o pessoal que faz a licenciatura em ciências sociais lá comigo Em políticas públicas e educacionais E a pergunta da, eu não me lembro o nome da pessoa Que perguntou por que não tem ensino médico com o método Paulo Freire Achei muito bacana essa pergunta E a gente estava outro dia discutindo em sala de aula, não dá para dizer Mas pela nossa interação, que ainda estamos em aulas remotas, por meio remoto Nós estávamos discutindo aquela disciplina projeto de vida Que é uma dessas mudanças que tem esse caráter bastante individualista Uma perspectiva muito individualista contrária a isso tudo que a gente conversou aqui hoje pela manhã. E é muito interessante o modo como esses nossos educandos e educandas se preparam para essa disciplina. E é muito bacana porque a gente percebeu que o que acontece de fato é que há uma subversão dos princípios dessa disciplina quando a prática educacional dos nossos estudantes e das nossas estudantes vão exatamente ao encontro da ideia da leitura do mundo. Que não é possível a gente fazer uma leitura de nós mesmos sem que antes a gente faça uma leitura do mundo. E nisso, às vezes, a gente está fazendo aquilo que Paulo Freire nos indica, nos provoca, até mesmo sem saber, porque essa dimensão do Paulo Freire consegue abarcar muito dessa indignação, muito dessa percepção de que nós precisamos ousar transformar o mundo, ousar trazer a realidade para as nossas salas de aula, para a nossa prática enquanto educadores e educadoras e na nossa relação com os nossos educandos e educandas. Então, dizer que pode ser que, e eu tenho certeza que esse trabalho todo que é feito lá no NAED da região noroeste, ele está provocando exatamente essa freirianização, esse processo de a gente pensar uma educação democrática, uma educação conectada com a realidade, conectada com as leituras de mundo que a gente precisa fazer. Então, eu termino lembrando dos meus estudantes, das minhas estudantes, e parabenizando toda essa atividade. Thais, Miranda, Dianira, quem mais apoiou essa atividade também, a vereadora Guida Calixto, o vereador Gustavo Peta, o vereador Paulo Buflo, que está aqui presente, Então, um grande abraço para vocês, que manhã gostosa e viva Paulo Freire. Antes de passar a palavra para a vereadora Guida Calisto, para ela encerrar o nosso evento de hoje, a gente gostaria mais uma vez de agradecer a Comissão de Educação e Esporte da Câmara, a Comissão de Cultura, nas pessoas do vereador Gustavo Peeta e do vereador Paulo Búfalo, Agradecer a Secretaria Municipal de Educação Ao NAED Noroeste Ao Grupo GT Janouro Que nos ajuda a organizar o evento E nos ajuda a pensar a educação de jovens e adultos As unidades escolares que estão nos assistindo E que participam do nosso trabalho A rede intersetorial As universidades que estão aqui conosco representando os professores que estão representando as universidades, a PUC e a Unicamp. E aí eu passo a palavra agora para o Miranda, que vai conversar um pouquinho sobre a programação da tarde. Isso, convidar todas e todos as nossas unidades escolares, a intersetorial, o território noroeste, para nos acompanhar na segunda parte, quando nós estaremos, então, reunindo os serviços garantidores de direitos para continuarmos num segundo círculo de cultura a trazer esse debate para o nosso território. E também lembrando que no dia 27 nós temos o terceiro momento do EJA em Debate, que são diálogos com os nossos estudantes da EJA dentro do território noroeste. Também teremos o companheiro Eduardo, do Projeto Ecoar, a Raquel está sabendo, que vai nos acompanhar lá nos diálogos com os estudantes no dia 27 de outubro, que é a próxima quarta-feira. E passo, então, a palavra para a vereadora Guida Calixto, dizendo viva Paulo Freire ontem, hoje e sempre. Obrigada, professor Miranda. Bom, a gente já vai, então, caminhando para o encerramento. Antes de encaminhar, só quero responder rapidamente uma questão que veio sobre o Instituto Federal. Eu me sinto aqui até na obrigação de responder, porque eu sou presidenta de uma comissão de estudo que debate a importância e o fortalecimento do Instituto Federal na cidade de Campinas. O vereador Paulo Bufalo, que está aqui presente também, compõe essa comissão. O vereador Gustavo Peta, que também é presidente dessa comissão de educação também compõe essa comissão de estudos. Nessa comissão de estudos, a gente tem debatido muito projetos, programas, os cursos e toda a discussão que envolve a presença do Instituto Federal aqui no nosso município. A gente detectou alguns pontos bastante importantes, alguns elementos muito importantes, que a importância do fortalecimento do Instituto Federal, que tem a sede na região do Campo Grande, passa também pelo fortalecimento da discussão, de uma interação maior com a rede municipal de educação. Nós estamos no mesmo território, e muitas vezes essas instituições, esses espaços não se conversam. Então, nós detectamos lá essa importância desse fortalecimento e dessa interação maior. Nós detectamos também que estamos em um território onde é um território ocupado muito por mulheres, mulheres negras, mães solos, e que talvez o currículo que é discutido no Instituto Federal pudesse contemplar mais esse segmento, esse setor também. E nós temos feito várias ações de divulgar, de fortalecer, até porque o Instituto ainda permanece como sendo um espaço que é pouco conhecido para todo o território do Campo Grande. Então, a gente tem fortalecido também, inclusive a gente fez um HQ, que é uma história em quadrinhos, falando um pouco da história do Instituto Federal e trazendo aqui os canais de comunicação, de acesso a esse importante Instituto de Educação, de Educação de Qualidade aqui no nosso município. Dizer que a questão sobre o acesso a partir do pagamento da inscrição Realmente foi algo que chegou para nós a partir da reitoria A unidade aqui em Campinas não tem autonomia para discutir sobre isso Então ela tem que acatar Mas é importante que isso já esteja chegando no nosso território As pessoas estejam perguntando, provocando, questionando E a gente fica bastante feliz com isso Bom, então eu vou rapidamente encerrar aqui, agradecer muito, falar mais uma vez que essa comissão se sente muito honrada por ter sido escolhida como um espaço importante para dar visibilidade para o oitavo Eje em Debate. Agradecer a Djanira A Miranda, a companheira nossa aqui A professora Mara, maravilhosa A Raquel, maravilhosa Toda essa maravilhosa aqui A Niva, a Débora Maza também Professor Wagner Romão Com a companheira nossa aqui, meu De lutas aqui Quem esteve presente aqui A Ana, que é da rede também A Lucila O Marcos E a Thais também, outra maravilhosa Que a gente faz muita luta junto, a gente vai continuar fazendo luta, que a gente já está sabendo que vai ter bastante luta aí pela frente. Agradecer ao vereador Paulo Búfalo, também é um vereador aqui que a gente está sempre junto aqui, contando com várias lutas, a gente está caminhando sempre juntos aqui. E ao Carlão aqui, que assessorou, que teve aqui a agradecer. Então, nesse momento eu declaro encerrada a reunião da Comissão de Educação e Esportes da Câmara Municipal de Campinas. Viva Paulo Freire. Encerrada a reunião extraordinária da Comissão de Educação e Esporte da Câmara Municipal de Campinas, que hoje sediou o oitavo EJA em debate. Continue com a nossa programação, não saia daí, porque daqui a pouquinho tem o jornal Câmara Notícia ao vivo e a gente conta com a sua audiência. Uma boa tarde. Legenda Adriana Zanotto