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TV Câmara, Campinas. Olá, uma boa tarde a você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Agora são 3 horas e7. Eu estou ao vivo do plenário José Maria Matozinho e onde vai iniciar uma roda de conversa sobre doenças silenciosas do pâncreas e do ovário com a participação de médicos oncologistas do grupo Sonhe. É uma iniciativa do vereador Paulo Hadad, presidente da Comissão de Política Social e Saúde, a quem eu passo a palavra. Muito boa tarde a todos. Boa tarde aqui aos presentes. Quero saudar a mesa, Dr. Leonardo Silva, oncologista do grupo Sonho. Seja muito bem-vindo. Dr. Davi Cunha, oncologista também do grupo Sonho. Seja muito bem-vindo. O André Sass, também oncologista do grupo Son. todos eles já familiarizados com essa casa, né? Mais um uma vez a alegria de tê-los aqui conosco e já agradecendo a presença e a disponibilidade de trazer mais dois importantes assuntos, dois temas de extrema relevância e importância para essa casa. Uma saudação especial paraa Renata Sácia, diretora executiva do grupo Son. Já estávamos saudosos da sua presença, viu, Renata? Que bom que você está presente, se faz presente. Giovana da Silva Ferreira, enfermeira oncológica, seja muito bem-vinda, viu? Um prazer tê-la aqui com a gente de novo. Raquel Alves de Matos Ramos, da assessoria de imprensa do grupo Son. Muito agradecido pela presença. Todos os nossos colaboradores, assessoria da Câmara, assessoria de gabinete, sejam todos muito bem-vindos. Vocês que nos acompanham pelas redes sociais, nos acompanham também pela TV Câmara, hoje iremos falar de dois temas extremamente importantes, relevantes e talvez pouco discutidos, né, pouco eh falados, né, na na assim no dia a dia, né, no cotidiano, né, nós temos vários outros temas que são amplamente abordados, né, câncer de próstata, câncer de mama, enfim, outras doenças. Mas essas especificamente a gente não tem muito, né, muitas palestras e é a primeira vez que que nós iremos apresentar. Então, muito importante, muita novidade a ser passada pros nossos telespectadores, as pessoas que nos acompanham aqui nesse plenário. Então, como foi dito, é uma roda de conversa, doenças silenciosas, o câncer de ovário e câncer de pâncreas. Teremos aqui o Dr. Leonardo, Dr. Davi, Dr. André, que irão eh fazer a apresentação desses temas e iremos ter um debate, né, uma uma roda aqui de de conversa. Nós temos uma realidade, pode passar, que são alguns números que nos impactam, né, que são as pessoas que nós nos despedimos, eh, especificamente aqui do câncer de ovário, né? O o tamanho do problema no Brasil são 8.020 novos casos por ano. Estimativa do Inca, Instituto Nacional do Câncer, para cada ano, de 26 a 28, 7,33 novos casos a cada 100.000 1000 mulheres, 3,1% dos novos cânceres em mulheres é o oitavo câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, excluído eh pela câncer de pele, né, ou não melanoma. Mortalidade em 2023, 4.44 mortes por câncer de ovário, correspondendo aproximadamente 4,1 mortes por cada 100.000 1000 mulheres. Pode passar o câncer de pâncreas também. São 13.240 novos casos por ano. A estimativa para cada ano do trênio 20 26 são 6.330 novos casos, né, homens ao ano. 6.910 910 casos mulheres, novos casos de mulheres ao ano. É uma incidência eh é estimada, ela é bastante semelhante entre os homens e mulheres, com um número absoluto ligeiramente maior entre as mulheres. A mortalidade é que nos chama muito atenção, são 13.507 mortes em 2023, 6.589 1589 mortes entre os homens, 618 entre as mulheres. Taxa de mortalidade praticamente idêntica nos dois sexos, 6,38 mortes a cada 100.000, né, pessoas. Enfim, algo extremamente impactante. Iríamos debater isso ao ao longo dessa nossa roda de conversa. E eu já passo a palavra, Leonardo, Dr. Leonardo, para que você já possa fazer as suas considerações. Vai começar com com câncer de ovário. É isso mesmo. Então, seja muito bem-vindo, muito obrigado pela presença. Bom, boa tarde a todos. Agradecer imensamente o convite, a oportunidade de estar aqui presente nessa casa. É sempre um prazer, uma alegria poder estar aqui com vocês, vereador Paulo Odade, todos os colegas, obrigado pela oportunidade. Então, como já foi introduzido, né, a gente vai começar falando sobre essas doenças silenciosas sobre o câncer de ovário. Bom, eu acho que começar com essa com essa frase, né, se não dói, está tudo bem. Mas será que está, né? Se o tema nosso de hoje é falar sobre doenças silenciosas, a gente sabe que culturalmente a muitas vezes a maioria das pessoas acaba buscando eh uma ajuda, um atendimento em saúde, muitas vezes quando a gente tem um sintoma mais intenso, né? Então ou uma dor muito intensa ou uma uma sensação, né, de uma urgência, eh sintomas que tradicionalmente a gente consideraria mais graves, né? Mas a gente tem que lembrar que nem sempre a gente precisa aguardar um sinal de alerta mais grave para procurar ajuda, né? Às vezes o nosso corpo ele vai nos dar alguns sinais que são mais sutis, que são mais leves e que a gente inclusive pode considerar como sendo um sintoma relacionado a eventualmente ai eu comi alguma coisa diferente que eu não tô acostumado. Então é por causa disso. Então a gente atribui alguma questão benigna, mas eventualmente isso pode ser um sinal de uma situação de uma doença mais grave, né? Então, o objetivo hoje da nossa conversa, tanto nesse primeiro momento, quando a gente for comentar sobre o câncer de pâncreas, é justamente gerar conhecimento, percepção de autoconhecimento e também desenvolver algumas habilidades de tomar atitude, mas sem provocar medo, né? O nosso objetivo aqui não é causar pânico, é sim trazer informação de qualidade. Quando a gente fala em doença silenciosa, a gente não tá falando de uma doença ou de algum problema de saúde que não tenha sintomas, né? Não significa que não tem nenhum sinal lá. É que o sinal às vezes é muito vago, né? é muito eh indeterminado, é muito inespecífico e aí a gente não consegue atribuir ele a algo muito palpável, muito objetivo, né? Então, a gente pode ter sintomas discretos como mudanças pequenas na nossa rotina do dia a dia. É o hábito intestinal que ficou diferente. Ou estou mais constipado, meu intestino está mais solto, ou eu tenho às vezes eu me alimento e depois que eu como eu sinto às vezes alguma dor abdominal ou eu fico sentindo um empachamento, né, que às vezes pode ser um embachamento leve. E isso pode realmente ser um indicativo de uma condição benigna, mas em algumas situações isso pode ser um sinal de uma doença mais séria. Sintomas vagos, como eu comentei, né, inespecíficos. Então, algum desconforto que às vezes a gente nem consegue localizar aonde esse desconforto está especificamente. Então, isso é difícil às vezes a gente localizar e direcionar para alguma suspeita que a própria pessoa possa ter, né? sintomas que são parecidos com outros problemas cotidianos que a gente já atribui a questões benignas ou sintomas que são percebidos mais tarde. E aqui é um dado importante, é uma questão que a gente vai frisar bastante, né? Então, às vezes os sintomas eles são inespecíficos, eles são vagos, eles são leves, né? e são eh a gente não consegue determinar a fonte, a origem imediatamente, mas se ele persiste sem melhora, aí sim é um sinal de alerta, né? Então, a mensagem chave aqui é prestar atenção no seu dia a dia, no funcionamento do seu organismo e sintomas que você tenha, se são sintomas novos, se é alguma coisa que mudou e que persistiu. Então, o bem-estar ele começa a partir daí, a partir do autoconhecimento. E a gente só vai conseguir identificar esses sintomas vagos e atribuí-los a alguma questão que precisa de uma avaliação médica. se a gente conhece o nosso próprio corpo, se a gente sabe como ele funciona, qual que é a nossa rotina corporal, nãoé? Então, a gente vai ter dois momentos hoje aqui nessa tarde. Vamos, eu vou falar inicialmente sobre o câncer de ovário e depois o Dr. Davi vai conversar um pouquinho sobre o câncer de pâncreas. Bom, separando aqui as duas os dois tipos de câncer, as duas neoplasias. Então, do lado de cá, a gente tem o câncer de ovário. Quando a gente fala em câncer de ovário, quais são os sinais e sintomas que que são inespecíficos, mas que a gente pode geralmente estão mais associados à doença? Sinais pélvicos e abdominais. Então, é uma dor abdominal, é um inchaço abdominal, às vezes na parte mais inferior do abdômen, né, que a gente chama de pelv, inchaço abdominal, como eu comentei, e às vezes uma saciedade precoce. E o que que é isso? você já tem um hábito alimentar, mas de repente você eh começa a se sentir muito empaxada ou que você come uma quantidade menor do que aquilo que você está acostumado a comer e você já se sente satisfeito, né? Então isso é um padrão diferente do habitual, que quando persiste pode ser um sinal de câncer de ovário. E se a gente, por outro lado, fala pro câncer de pâncreas, a gente tem sintomas digestivos e sistêmicos que muitas vezes são inespecíficos também. Então, às vezes é uma dor abdominal, um desconforto, paciente pode ter náusea, perda de apetite ou até mesmo uma uma sensação de empaixamento, né? Isso tudo vai depender muito de como que a doença tá se apresentando. E perda de peso, a perda de peso inexplicada também pode ser encontrada no câncer, nas pacientes com câncer de ovário também. Então é um sintoma, né, um achado, né, que é comum à duas situações. Alguma alteração no funcionamento? Aquilo que eu comentei, né? o seu organismo já tem um funcionamento e você já conhece como ele funciona. Então, a gente pode ter mudanças às vezes de hábito intestinal também. E é a percepção, ó, lá como eu coloquei, de mudanças que você não encontra uma explicação, né? e principalmente se elas são persistentes. Então, está sempre atento a esse tipo de situação. E falando agora especificamente de câncer de ovário, então, eh, os sintomas e sinais mais frequentemente observados são o inchaço do abdômen. Então, é uma sensação de que o abdômen aumentou de volume, então a barriga uma sensação de que ela tá maior, né? eh eh e de forma persistente. Então, às vezes a gente pode ter uma situação em que a gente se alimenta de uma forma inadequada ou come um alimento diferente. Às vezes a gente tem uma super proliferação bacteriana ali no intestino, produz mais gases, a barriga, o abdômen fica mais distendido, mas isso passa, né, a medida que que os dias passam. Isso aqui a gente tá falando de um inchaço abdominal que não retorna ao padrão habitual. Então o abdômen incha, aumenta de volume e persiste naquele tamanho. Aqui uma coisa, um achado interessante com esse inchaço abdominal é o acúmulo de líquido na cavidade do abdômen, né? Então ele às vezes aumenta de volume porque tá acumulando o líquido ali. Esse líquido que acumula dentro do abdômen tá relacionado à presença do tumor, do câncer de ovário na membrana que envolve os órgãos abdominais, que é o peritônio. Então quando a gente tem a presença de focos do tumor ali, a gente tem produção de líquido. Ali é uma cavidade fechada, ele não tem para onde ir e ele vai se acumulando e o abdômen aumenta de tamanho. Dificuldade para comer. Então a doença, a gente sabe, né, o câncer de ovário e outros tumores também, eles podem eh reduzir o apetite. Então eles produzem várias substâncias inflamatórias, levam o nosso organismo a produzir essas substâncias e isso pode eventualmente diminuir o apetite. Então você pode reduzir, né, a a a alimentação por causa disso ou porque você tem dificuldade para se alimentar, seja por causa da saciedade precoce, isso pode ser causado também pela compressão do estômago, até por causa daquele próprio líquido que eu comentei previamente, né? Então a gente tá aumentando a pressão ali dentro da barriga e o estômago ele começa a ficar mais apertadinho. Então não cabe mais tanto alimento quanto cabia antes. Então na hora que eu como uma quantidade menor, eu tenho essa sensação, né, de empaixamento. A dor pélvica ou abdominal, que a gente já comentou, né? Então às vezes é só um desconforto, uma sensação um pouco vaga, nem sempre é aquela dor aguda. Isso geralmente acontece quando já a doença já tá mais avançada. e a urgência urinária. Então eu fal, a gente comentou sobre alteração de hábito intestinal. Às vezes o intestino fica mais preso ou fica mais solto, mas alteração do hábito urinário também. Então, às vezes a paciente pode falar que tá tendo uma necessidade mais urgente para urinar. Então, ela vai mais vezes ao banheiro ou ela sente a vontade de ir ao banheiro e ela tem que correr porque senão se ela não vai correndo, ela pode ter perda urinária. Então, são todos achados que podem ser encontrados. E vejam que são sintomas inespecíficos. Lembrar que na barriga a gente tem um monte de órgãos, né? Então às vezes a gente não consegue identificar só pelos sintomas a origem deles, né? E a chave, a palavra chave, ó, persistência. Claro, lembrar ter algum sintoma desses isoladamente não é diagnóstico de câncer, mas é um sinal de alerta, principalmente se eles são persistentes, para que seja procurada a avaliação médica e aí então o sintomas ser investigado. Mas será que existe algum método pra gente diagnosticar precocemente o câncer de ovário? A gente fala sempre, né, mês que vem outubro rosa, a gente vai falar sobre mamografia de rastreamento, que é um exame que a gente utiliza para identificar o câncer de mama nos seus estágios mais iniciais e com isso a gente permitir uma maior chance de cura. Mas quando a gente fala de câncer de ovário, até o momento, nós não temos nenhum exame que tenha demonstrado benefício do ponto de vista populacional no rastreamento. Então, seja a pesquisa do exame de sangue, que é um marcador tumoral CA 125, já foi estudado em alguns estudos e mostrado que a gente fazer a dosagem desse exame em intervalos regulares não nos permite diagnosticar o câncer de ovário precocemente. Da mesma forma, o ultrassom, ultrassom transvaginal, que é um exame rotineiramente feito, né, muitas vezes pelas mulheres, os ginecologistas acabam pedindo para acompanhamento às vezes de outras questões. Do ponto de vista de rastreamento de câncer de ovário, ele não é um exame que é recomendado para esse fim. Agora, se a mulher tem sintomas sugestivos, como a gente comentou, persistentes, é um exame que a gente faz justamente para inicialmente, né, paraa investigação desses sintomas. Então, né, retomando, né, esse assunto, a gente não tem um rastreamento de rotina. Pro câncer de mama, a gente lembra da mamografia. Pro câncer de colocolau quanto da pesquisa de DNA do HPV. Mas para câncer de ovário, infelizmente, até o momento, a gente não tem nenhum exame. Isso impacta no quê? Como a gente não tem um exame que nos permita diagnosticar precocemente o câncer de ovário, a grande maioria dos casos são diagnosticados quando a doença está mais avançada. E é por isso que a gente trouxe aqueles números lá no início, mostrando, vocês lembram, né, a taxa de mortalidade relacionada ao câncer de ovário, o número de mortes é extremamente alto. Por quê? Porque na maioria das vezes a gente diagnostica em fase tardia. Então, cerca de 2/3 das pacientes são diagnosticadas quando a doença já não está localizada somente no ovário. Ela já se espalhou principalmente pela cavidade abdominal. E é importante a gente trazer que existem algumas questões e algumas condições que aumentam o risco da mulher desenvolver o câncer de ovário. Isso é uma questão que a gente comenta, isso é uma pergunta que muitas mulheres normalmente fazem nas consultas, né? Então, trazendo em primeiro a questão da varia da mutação genética, isso tá relacionado a uma alteração em alguns genes que a gente tem, né? E são genes que estão associados a a processos de reparo dentro das células. Quando a gente tem algum defeito nesses genes de reparo, a gente tem aumento do risco de câncer de ovário. Eh, às vezes não só de câncer de ovário, mas também de câncer de mama, câncer de pâncreas, câncer de próstata, entre outros tipos de câncer. Então existem algumas variantes patogênicas, né, algumas mutações que estão associadas e toda mulher com diagnóstico de câncer de ovário idealmente deveria ser investigada. Dos genes mais comuns, o BRCA1 e o BRCA2 são os principais, né? E nas pacientes, se a gente pega todos aqueles números, todas aquelas pacientes com diagnóstico de câncer de ovário, né, 8.000 1000 mulheres por ano. Cada ano a gente pode estimar que aproximadamente 20 a 23 24% delas podem ter alguma variante patogênica, principalmente BRCA1 e BSA2. Então isso é um achado muito importante, né? Não existe uma recomendação pra gente fazer teste genético em pessoas que não t diagnóstico de câncer, a não ser que tenha um histórico familiar muito forte. ou que tenham já algum parente que fez o teste porque teve câncer e descobriu que tem essa variante. Esses casos sim a gente faz a pesquisa, mas em forma de forma populacional para todas as mulheres não existe essa indicação. E a endometriose. Endometriose é uma afecção benigna que acomete aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva, é extremamente frequente e muitas vezes não é diagnosticada. Então é uma condição benigna, não é um câncer, mas é muito subdiagnosticada. E hoje a gente sabe que a endometriose tá associada aumento do risco de câncer de ovário. Todos os tipos. Existem vários subtipos de câncer de ovário. Se a gente pega os subtipos epiteliais, que são os mais frequentes, todos eles estão associados, né, à endometriose, né? Não é que só quem tem endometriose tem câncer de ovário. Muitas mulheres que têm câncer de ovário não t endometriose, mas as que têm endometriose, especialmente aquelas que têm endometriose nos ovários ou nos tecidos pélvicos fora, né, ali do útero, na parede intestinal ou na pélve, essas pacientes têm um risco extremamente alto que pode chegar até 20 vezes maior de ter câncer de ovário. Então, essas pacientes com endometriose hoje elas precisam de um acompanhamento ginecológico bem regular, né? Não tem uma indicação de rastreamento, como a gente viu, não existem exames aprovados para isso, mas ela precisa ser acompanhada mais de perto. Então, eh, essa é um resumo, né, desses dados que a gente comentou. Então é importante a gente para as pessoas que têm um histórico familiar de câncer, especialmente câncer de ovário e câncer de mama, né, que tem uma conversa, né, com o ginecologista para que isso seja avaliado de forma, né, mais cuidadosa e eventualmente discutir caso a caso como será o acompanhamento dessas pacientes e assim como a gente tem no caso da endometriose. Então é importante que seja um acompanhamento mais regular. Vou passar a palavra então agora pro Dr. Davi. Obrigado, Leonardo. Eu quero também aqui eh agradecer a presença dos nossos residentes de oncologia da PUC, o Luís Fernando, a Jéssica, o Paulo Miguel e a Sara. Sejam muito bem-vindos, viu? Fica à vontade, Davi. Olá, boa tarde a todos. Primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade ao Dr. Paulo Hadad aqui pra gente poder conversar sobre esse assunto tão importante. É um prazer estar aqui com o Dr. André, Dr. Leonardo, dividindo esse palco para trazer informações para todos vocês. Vamos dar andamento, né, naquelas doenças oncológicas silenciosas. Eu acho que o Leonardo comentou muito bem sobre o câncer de ovário. Eu acho que a gente vai perceber que tem muitas semelhanças do diagnóstico do câncer de ovário como de pâncreas quanto aos sintomas, ao diagnóstico tardio. Eh, um ponto importante que eu acho que talvez tenha passado, desapercebido nos dados que o vereador Palaudade passou, não sei se todos perceberam a quantidade de casos novos por ano estimado para 2025. Ele comentou 13.240 casos novos para 2026. Quantas mortes ele comentou? 13.000 500 mortes. Isso não quer dizer que todo mundo que fez diagnóstico ou que fará diagnóstico em 2026 vai morrer do câncer de pâncreas em 2026, né? O cálculo é diferente, usa cortes diferentes, mas isso traduz uma realidade. É um câncer muito agressivo, né? E de todos os cânceres que a gente hoje conhece na oncologia clínica, o câncer de pâncreas, ele tá hoje no topo dos tumores mais agressivos, dos tumores mais letais que nós temos. Então é difícil. E por que que é tão agressivo, tão letal? é a fisiopatologia, ele é um tumor agressivo, mas muitas vezes o diagnóstico tardio leva essa alta mortalidade que a gente tem hoje eh na nossa rotina. E por que que é tão difícil fazer diagnóstico? Porque é tão difícil perceber que a gente tá com câncer de pâncreas? Primeira coisa é a localização do pâncreas, né? né? O pâncreas, ele fica no andar superior do abdômen, mais profundo. Então, é um local que muitas vezes demora para trazer qualquer sintoma. E quando traz sintomas, a gente vai ali olhar, poxa, sintomas muito inespecíficos. Quem nunca teve uma dor na parte superior do abdômen, quem nunca ficou com falta de apetite por algum momento, quem nunca teve uma perda de peso, então são sintomas extremamente vagos, né? Então, se a gente olhar, poxa, olhando aqui, todo mundo já passou por algum momento da vida tendo algum desses sintomas e na grande maioria das vezes isso não é câncer de pâncreas, felizmente. Mas a gente tem alguns outros pontos que são mais visíveis, que chamam mais atenção, que são a alteração da cor da pele, que a gente chama deiterícia, né? Acho que todo mundo já escutou, já percebeu aquela pessoa que pode estar com a cor da pele muito mais amarelada. E vocês sabem o que que significa isso? Por que fica mais amarelo? Que acontece? A a bilha que é produzida no fígado, armazenada na vesícula, ela sai dessa região, passa ali pel canalículo que passa dentro do pâncreas e vai para intestino que dá cor escura às feeses. Então a cor amarelada, amarrusada das feeses é por conta dessa bile. Se esse trajeto tá obstruído por alguma coisa que ocupa a posição do pâncreas, isso não vai pras feeses e acumula na pele, né? Então a pele fica amarela, a urina escura e as feeses mais claras. Então quando a gente percebe isso, algumas vezes a gente tá diante já de um diagnóstico tardio, mas isso sempre é um sinal de alerta. Então como que a gente deve perceber e investigar esses sintomas que na maioria das vezes é inespecífico. Então a gente vai dividir aqui basicamente em três pilares, né? O pilar dos sintomas digestivos. Então o pâncreas ele é um órgão relacionado à digestão. Então perda de apetite, desconforto abdominal, aquela dor que irradia pras costas, isso também é comum com outras doenças, mas essa dor que persiste durante duas, três semanas e não melhora, isso já não é normal. Isso merece sim uma investigação adicional. Quando a gente percebe mudanças mais objetivas no nosso corpo, então a gente começa a emagrecer e a gente vê isso na balança. Então, poxa, isso é real, eu tô perdendo o peso. Então, quando a gente vai juntando fatores de dor, desconforto, perda de peso, a gente vai somando. Isso aumenta o risco e a necessidade de uma investigação mais detalhada. Mas sintomas visíveis, isso nunca é normal. Então, ia normal, não é normal. Pode ser que não seja relacionado ao câncer de pâncreas. Então, algum cálculo que migra ali da vesícula e para na região da viaícia. Isso é uma coisa benigna, precisa ser tratada, mas merece investigação imediata. Então, quem tem esses sintomas não vai ficar esperando, talvez vai melhorar, vou tomar um medicamento em casa, não. Isso é necessário, uma investigação muito mais rápida e profunda. Então, a gente escutou sobre câncer de pâncreas vários fatores. É uma doença agressiva, alta letalidade, uma grande parcela das pessoas que fazem diagnóstico morrem desse diagnóstico. Os sintomas são inespecíficos, são difícil fazer o diagnóstico. Então, poxa, vamos fazer o exame já, né? né? Vou sair daqui hoje e vou fazer um exame para investigar. Existe exame, né, como o Dr. Leonardo comentou, de rastreamento significa o quê? Eu não tô sentindo nada, estou assintomático e eu devo fazer algum exame para investigar câncer de pâncreas, assim como câncer de mama, como câncer de intestino, que a gente tem mamografia, tem colonoscopia. E a resposta, infelizmente, é não. Hoje não temos nenhum exame recomendado, padronizado paraa investigação de rastreamento de câncer de pâncreas. Então, tomografia de abdômen ou marcador CA199, que algumas vezes a gente utiliza para acompanhar, não é indicado de uma forma geral do ponto de vista populacional. Lógico, algumas pessoas com muito alto risco, história familiar, algumas mutações que são a exceção, a gente vai acompanhar de forma diferenciada, mas isso é uma coisa que a gente considera como exceção. Então, a gente parte do pressuposto, poxa, agressivo, sintomas inespecíficos, não tem nenhum exame de rastreamento recomendado. Você, poxa, que que eu posso fazer, né? existe algo como indivíduo, né, que eu posso talvez minimizar o risco de desenvolver esse tipo de câncer. Infelizmente, agora a resposta é sim, né? E o que que a gente pode fazer para minimizar? Evitar a exposição a fatores que sabidamente aumentam o risco de desenvolvimento. Então, idade não tem como, né? Todo mundo aqui quer envelhecer e viver, viver muitos anos de vida. Isso é um fator de risco, mas ele não é evitável. história familiar, a gente nasceu naquela família com aquela genética, isso invariavelmente a gente não modifica ainda. Talvez no futuro isso possa ser modificado, mas no momento não. Então o que que eu faço? Eu evito o que a gente sabe que causa câncer. Não só câncer de pâncreas, mas câncer de pâncreas a gente sabe que isso tá aumentado. E o principal fator evitável é o cigarro. Então o tabagismo aumenta quase duas vezes a chance da gente desenvolver um câncer de pâncreas. A obesidade é um fator importante, o sedentarismo, então a pessoa que come mal, não faz atividade física, tá acima do peso, eventualmente faz hábito de do tabaco, poxa, esse é um paciente de maior risco, né? Então, evitar a exposição a esses fatores hoje é o que a gente pode realmente fazer para fazer um diagnóstico precoce. E é isso, e é só isso que aumenta a chance de cura a partir do momento do diagnóstico. Não é os novos tratamentos que a gente pode discutir depois que chegaram, estão chegando. Não é uma cirurgia maior do que a gente já faz. Nada aumenta mais a chance de cura do que um diagnóstico precoce. E é por isso que a gente tá aqui hoje para tentar trazer esse sintomas de alarme, esses sinais de alerta para que todos investiguem no momento adequado e para que a gente consiga fazer o diagnóstico, né? fazendo paralelo, né? A gente, o câncer de pâncreas, ele é silencioso e e a ideia é que a gente não espere ele gritar pra gente procurar, né? Quando começa alguns sinais que chamem atenção, ele começou a falar ali, a gente precisa investigar. E essa investigação só é possível se a gente tem orientação, se a gente tem informação a respeito para que a gente consiga procurar o profissional e fazer o diagnóstico adequado no momento adequado. Agradeço aqui a oportunidade e agora passo a palavra para Dr. André. Obrigado Davi. Dr. André, fica à vontade. Boa tarde a todos. Primeiramente agradecer, vereador Paulo Hadad, pelo convite, por abrir mais uma vez a Casa do Povo para que a gente possa discutir, conversar um pouco sobre saúde, eh sobre como a gente pode falar sobre acesso, sobre informação responsável e sobre como a gente pode mudar realmente aí a vida das pessoas. Agradeço também a companhia do Davi, do Leonardo, falando sobre duas doenças tão importantes e a a todos aos residentes eh da PUC Campinas de Oncologia, a aos aos colegas e aos interessados aqui da Câmara e dos colegas demais do do sonho. Ah, o que que câncer de pâncreas e ovário nos ensinam? E por que que é importante falar às vezes de doenças que não são tão eh tão midiáticas ou tão faladas ao longo do ano? nem sempre se falam nos meses eh relativos às conscientizações. H, primeiro a respeito dos sintomas, dos sinais de sintomas que são inespecíficos, como já foi falado. Nem sempre os sintomas eles são chamam tanto atenção das pessoas que para que procurem auxílio médico desde cedo. Tanto o câncer de ovário quanto o câncer de pâncreas apresentam sintomas é leves no início e que se confundem. Então, alterações gastrointestinais, abdominais, perda de peso, aumento do volume de abdominal, normalmente não são nada que chamem atenção, como em outros tipos de tumores que chamam muito mais atenção com nódulos, como alterações tão perceptíveis. Os dois talvez tenham relação com um pouco com a genética, com história familiar positiva, mas não é sempre que isso tá presente. e também às vezes alguns hábitos de vida que podem sim e aumentar o risco e talvez seja o caminho que a gente possa alterar hoje para educar as pessoas, para diminuir a incidência desses tipos de tumores e talvez trazer mais saúde pra população como um todo. E a ideia aqui, já que a gente não tem exames de rastreamento para fazer pra população geral, o que a gente pode fazer é orientar para buscar ajuda no momento certo. Então, quando existe alguma alteração que vai cronificando algum sintoma que não vai embora, que é persistente, então tudo que é novo eh não é o seu normal, ou se virou um novo normal e persistente, entre aspas, normal. Precisa ter algum médico que precisa ser eh buscado, especialmente quando esses esses sintomas são progressivos. é uma dor que começou leve, ela vai se intensificando. O o abdômen começou a aumentar e ele continua persistentemente eh eh mudando e principalmente quando não tem explicação. Não é normal ter dor, não é normal ter aumento de volume abdominal, não é normal isso não passar. Eh, às vezes alguma gastrite, algum sintoma agudo, gastrointerite, ela passa em poucos dias ou alguma semana. Ela é persistente, ela precisa buscar ajuda. E o principal é que é é como buscar ajuda e como fazer o diagnóstico. O câncer de ovário, o câncer de de pâncreas, o de pâncreas especialmente tem um diagnóstico às vezes mais difícil. E quando a gente fala em na saúde hoje, tanto a saúde pública dentro do SUS, quanto saúde desenvolvimentar, quanto a medicina privada mesmo, todos os cuidados médicos em geral hoje eles são muito fragmentados. Quando alguém tem uma dor abdominal, raramente vai num clínico geral ou em alguém que vai investigar, vai num, às vezes se procura um gastroenterologista, vai num especialista de alguma área que às vezes descarta alguma alteração daquele ponto. Então, se tem alguma dor abdominal, a pessoa vai num gastroenterologista, vai fazer uma endoscopia, às vezes na endoscopia é normal, mas ele descartou aquele problema único, pontual. E de novo, essa fragmentação do cuidado, a fragmentação do do do da das responsabilidades médicas, às vezes implicam que um médico descarta um único problema e às vezes aquela pessoa fica fica com uma falsa sensação de que aquele aquela suspeita ela foi embora e às vezes demora mais para fazer o diagnóstico justamente por conta disso. O os diagnósticos, uma vez feitos de câncer de ovário de pâncreas, apesar da mortalidade ser muito alta, eh não é o fim da linha. Existem tratamentos que precisam ser feitos. Então, a cirurgia, a quimioterapia, os tratamentos inovadores que podem envolver imunoterapia, as terapias alvo, tudo isso precisa ser coordenado justamente numa medicina que não pode ser fragmentada raramente, o, de preferência, nunca uma um tratamento de câncer deve ser feito, deve ser eh eh seguido com um único médico, com uma só especialidade. essa essa desfragmentação do cuidado, essa coordenação do cuidado, a gente dá o nome de uma oncologia multidisciplinar. Envolve várias especialidades médicas e não médicas, envolve a enfermagem oncológica, a psicologia, a nutrição, mas também cirurgia, oncologia clínica, a cirurgia pélvica, a cirurgia oncológica e oncologia clínica. Tudo isso precisa ser coordenado e quanto mais eh unificado e quanto mais fácil for esse cuidado multidisciplinar, melhor vai ser o cuidado dos pacientes e melhor a chance de cura ou de controle da doença por um tempo eh mais longo. Então, novamente, o diagnóstico não é o fim da conversa, não basta só fazer o diagnóstico. O tratamento precisa ser feito especialmente porque cada paciente é único e muitas vezes há diferentes tipos de doenças, especialmente o câncer de pâncreas. Se a gente for falar na al no alto número de de de mortes relacionadas ao número de diagnósticos, a gente sabe que em alguns tipos de câncer de pâncreas, o prognóstico nem é tão ruim assim. alguns tumores que a gente chama neuroendócrinos um tipo diferente de câncer de pâncreas, os tratamentos são diferentes e a cura é muito mais provável. Então o diagnóstico feito através da biópsia adequada, a compreensão do subtipo do tumor é muito diferente em câncer de ovário, mais ainda, existem diferentes tipos de câncer de ovário, às vezes alguns mais agressivos, outros menos. e a importância de diagnóstico adequado, eh, e saber fazer o diagnóstico adequado. E aí envolve, inclusive, de novo, cirurgia, oncologia, a patologia, a radiologia adequada, tudo isso envolvido num mesmo ambiente, num sistema de saúde preparado para isso, funciona muito melhor. Então, entender o diagnóstico perfil do tumor permite que a gente tome uma decisão sobre qual é o tratamento mais adequado, que a gente exerça o tratamento mais adequado e que depois eventualmente a gente faça um acompanhamento e periódico sobre a eficácia do tratamento, o controle da doença para aquele paciente e a preservação da qualidade de vida eh daquele paciente também. E a oncologia vem mudando cada vez mais. Ah, a gente precisa, repito o que eu falei, a gente precisa entender a individualidade tanto do paciente quanto a a questão única de cada doença. Algumas doenças podem responder muito melhor a determinados tipos de tratamento, enquanto que outras doenças não. E a o grande avanço da oncologia nos últimos anos foi justamente a compreensão molecular e genética de cada tipo de doença e o desenvolvimento de terapias alvo para cada tipo. Então, às vezes, o prognóstico pode mudar radicalmente por conta disso. Então, a cirurgia oncológica mudou, a cirurgia, às vezes, a cirurgia concílio robótico melhorou o o acesso e a e a chance de diminuir as sequelas cirúrgicas. A a quimioterapia moderna e a terapia alvo também respeitando as individualidades e, de novo, entendendo que não são todos os cânceres iguais e tratados da mesma forma. Isso melhorou muito o prognóstico de alguns pacientes com algumas doenças e que aquela mutação foi identificada. A imunoterapia hoje é uma grande revolução, eh, que, infelizmente, a gente ainda tem uma dificuldade muito grande de introduzir na saúde pública, mas a discussão sobre incorporação de tecnologias, isso na saúde pública também tem sido feito. E de novo, o cuidado multidisciplinar para não deixar fragmentado o cuidado. Meus pacientes de consultório sabem que eu envolvo todas as especialidades no cuidado deles. Isso é a chave do de um cuidado bem feito. Eh, eu não posso tomar uma decisão sozinha e eu não posso deixar que uma decisão também seja feito por um cirurgião ou por um gastroclínico ou por qualquer ou por um ginecologista cirurgião. A gente precisa ter times de cuidados de tratamento de pacientes com câncer. Dito isso, entendendo todo o o contexto de cuidado multidisciplinar do câncer de ovário, do câncer de pâncreas, a gente tem que entender também o caminho que a oncologia vem tomando nos últimos tempos. Então, de novo, a desfragmentação é o primeiro cuidado que a gente tem que ter. a gente precisa eh eh trazer isso e às vezes dentro do SUS é mais fácil a gente ter um cuidado unificado. Eh eh até porque a construção das unidades de saúde é voltadas para um cuidado unificado, embora o acesso à tecnologias seja mais difícil. Do outro lado, na saúde suplementária, na saúde privada, é o contrário. Às vezes a gente tem acesso mais fácil a tecnologias, mas às vezes um cuidado ultra fragmentado, em que às vezes um super especialista às vezes toma decisões sozinho de maneira que não é a mais adequada. Mas do ponto de vista também de inovações, a gente tem desafios muito grandes na saúde pública e a gente tem que ter, de novo, não só médicos cuidando de pacientes, mas instituições cuidando de pacientes. A gente precisa ter uma visão institucional, ou seja hospitalar, seja do sistema de saúde como um todo. a gente precisa ter uma agilidade técnica da incorporação de tecnologias para diagnóstico adequado, para tratamento mais adequado, para que esse paciente possa ser tratado como ele precisa ser, como um ser humano que tem aquele momento de sofrimento e que precisa ser tratado. Não, acho que quem acompanha noticiários de saúde eh ouviu no primeiro semestre desse ano, junho desse ano, eu tava lá no Congresso eh Americano de Oncologia, em que foi apresentado um novo tratamento eh para câncer de pâncreas avançado. Traduzindo rapidamente para vocês eh o que foi visto ou o que foi estudado, uma terapia alvo, especificamente para uma mutação muito frequente no tipo de câncer de pâncreas muito agressivo, que é o adenocarcinoma, é o mais comum. Hã, foi apresentado nesse congresso e resultados de um estudo que comparou pacientes que receberam quimioterapia em em pacientes que já tinham recebido quimioterapia e ela não tinha funcionado bem. Então, foi só trocado o tipo de quimioterapia para um segundo tipo versus uma terapia alvo, moderna, especificamente desenhada para aquela mutação genética. Esse é o grande avanço que se tem de resultado concreto. Eh, eh, e o que foi eh extremamente celebrado por médicos, pela comunidade científica como um todo, é que a expectativa de vida dos pacientes dobrou com a nova terapia, só que ainda não curamos pacientes com esse tratamento novo. E dobrou porque a expectativa de vida dos pacientes que é em que tem doença avançada metastática e a primeira quimioterapia não funcionou, a expectativa de vida média era em torno de 6 meses apenas e ela dobrou, ela foi para um ano. OK? É um ganho significativo, é um ganho que a gente precisa celebrar e a gente precisa entender até como um primeiro passo para desenvolvimento de novas terapias. Entendemos como bloquear essa mutação genética. Mas ainda é um passo muito pequeno, mas há um custo muito alto no Brasil. Hoje eu tenho reportes de pacientes que importaram esse medicamento, acabou de ser disponibilizado nos Estados Unidos. Esse tratamento hoje custa assim importado cerca de R$ 450.000 R$ 1.000 por mês. E se a gente coloca o custo versus o que a gente espera de benefício desse tratamento, eh, eu acho que nenhum tratamento deveria custar R$ 450.000 R$ 1000 por mês. Desculpe a indústria farmacêutica que precifica, desculpe as os agentes regulatórios que permitem que esse custo chegue nesse valor, mas não pode. Obviamente seis meses de vida a mais de um ente querido, de pessoas queridas, a gente tem pessoas queridas que morreram de câncer de pâncreas, todos têm próximos. É numa doença que não é tão rara assim, mas desculpe, esse custo tá longe de ser aceitável. Então, a gente precisa de alguma forma trabalhar para que o preço dos remédios seja rediscutido, o acesso seja melhor eh feito de maneira mais responsável, que a própria indústria farmacêutica traga inovações, mas a um custo mais acessível e que a velocidade da da inovação seja realmente maior, para que eu não traia não tenha um tratamento em fim de linha de tratamento, para que eu traga isso de início. Eu quero curar mais pacientes. Eu quero que esses que essas investigações sejam mais pra frente, eh, que sejam trazidas mais para para realmente início de pacientes, quando eu realmente vou curar mais e não dar mais pouco tempo de vida, mas sim mudar a história eh natural da doença como um todo. Trazendo pra realidade que a gente tem hoje, o nosso grupo de oncologia, o grupo sonhoado, tentando pegar esses últimos 4 meses que a gente tem do ano, que é setembro, outubro, novembro e dezembro. Então o BR bro, os brô dos dos quatro últimos meses eh do ano, que a gente traga uma campanha de conscienciação que faça sentido para as pessoas pra realidade de hoje, não olhando para pra frente. Então é bem-estar, rotina e orientação. A questão de de desses três lemas é é tentar tirar de campanhas pontuais a busca por saúde. Então, ainda são importantes. O outubro rosa ainda é muito importante de mamografia, de conscientização dos exames. O novembro azul é importante para lembrar que é importante buscar o a a a saúde, mas a ideia talvez seja trazer isso pra rotina, trazer isso o a a vida normal da pessoa tem que ser mais saudável. Um dos grandes aumentos do risco de câncer de ovário e de pâncreas é por obesidade também. por tabagismo, por uso de álcool. Então, não adianta a gente um mês fazer um algum exame e achar que tá saudável, que tá tudo bem. A gente precisa conscientizar as pessoas que você precisa mudar o estilo de vida. O estilo de vida, o novo normal precisa ser mais saudável. As pessoas têm que controlar alimentação, tem que controlar peso, tem que evitar o o cigarro, evitar cigarro eletrônico, que é uma nova forma de vício muito difundida hoje entre os jovens e que precisa ser muito falado. E de novo, essa rotina, o bem-estar e a rotina, eles têm que ser ligados no nosso dia a dia. E a rotina, outra coisa, questão de atividades físicas também, você não precisa ser atleta para ser saudável, você precisa fazer atividade física regular e encaixar atividade física na sua rotina. Então, fazer da atividade física regular 150 minutos por semana é o ideal fazer parte isso da sua rotina. Você não tem rotina de trabalho, você não tem rotina de estudo, você não tem rotina de vida habitual, você não dorme durante algum tempo, você precisa fazer atividade física regular. Não pode ter a desculpa de não tenho tempo disso. Tem que ter tempo. Você tem que entrar na sua rotina. E a questão de orientação é buscar orientação adequada. Consulte fontes confiáveis de informação. Não vá atrás de rede social, de da das mídias onde a as pessoas são mais valorizadas pelo número de seguidores do que pela informação técnica que ela pode passar para cada um. Então, cada informação precisa ser checada e precisa ser passada por alguém que tem a a confiabilidade e tem uma segurança técnica para ser ouvido. E do outro lado também, nós médicos precisamos sair do consultório e vir aqui falar pras pessoas sobre a sobre saúde. As pessoas não podem esperar informação confiável em saúde somente no consultório. A gente precisa est falando fora, a gente precisa est falando sobre rotina, sobre prevenção, sobre diagnóstico precoce, sobre como se cuidar adequadamente fora do consultório. No consultório as pessoas vão quando tem algum problema. E para evitar problema, pra gente fazer a nossa parte como médico, como oncologista, para diminuir a incidência de câncer, a gente tem que est aqui. E por isso esse esses bros aí do do final do ano vão ser importantes para esse tipo de conscientização. Com isso, agradeço de novo o tempo que foi me dado aqui. Espero ter tocado um pouquinho o coração de vocês. Espero ter passado um pouquinho de informação adequada, confiável e que eh nos mexamos para tornar essa rotina de vida de cada um mais saudável. Muito obrigado. Muito obrigado, André. Vamos incorporar esse bro, né? Esse nosso BRO é o novo normal, né? O nosso cotidiano. Eu acho importante, né? tudo isso que foi colocado pelo Leonardo Davi, por você, sempre focando, né, o o bem-estar geral, né, esse eh direcionamento multiprofissional para você fazer a abordagem de determinadas patologias, enfim, eu acho que é muito bacana, muito importante. Cada vez vem com uma novidade, né, André? Essa dobrou. Gostei. Vamos abrir agora as perguntas. Glisson, por gentileza, você leva o microfone. O DJ tem perguntas, por favor. Bom, a primeira que a gente sempre faz pergunta nossa e às vezes algumas que chegam por redes sociais. Aí eu vou identificar conforme essa aqui é minha mesmo. Uma curiosidade, essa discrepância entre casos novos e mortalidades, né? Eh, pegar aí ovário 8.000 casos que o doutor falou, novos por ano, por ano e cerca de 4.000 mortes por ano. Quer dizer, cai pela metade. Enquanto do de pâncreas é 13.000 e e e é praticamente igual os novos casos e as pessoas que morrem, talvez até um pouco mais que morrem. Aí a pergunta é a seguinte, eh, isso tem alguma coisa, ver ovário, obviamente é um câncer que só vai dar em mulheres e mulheres tem mais, pegando as palavras do Dr. André aqui, tem mais o o o cuidado como hábito do que os homens. Isso tem alguma coisa a ver com eh o fato de ovário ter menos mortalidade ou é meramente com o perdão da palavra agressividade do câncer de pâncreas? Bom, tá ligado? Acho que tá, né? Eh, quando eh com relação ao câncer de ovário, é assim, como o Davi colocou, quando a gente faz o cálculo da mortalidade, a gente inclui no cálculo da mortalidade não só aqueles novos casos que são diagnosticados no ano, né? A gente inclui todos os casos diagnosticados ao longo do tempo, né? Então a gente pega uma prevalência com base na prevalência. Então você inclui os casos dos anos anteriores. No caso de ovar é um pouco diferente de pâncreas, mas eu acho que tem muito a ver com a questão da agressividade mesmo. Lembrando que como o Dr. André colocou, o quando a gente fala de câncer de ovário é um grupo grande de doenças. A mesma coisa no caso de pâncreas, né? Eh, então, em câncer de ovário, a gente tem os tumores epiteliais, que são os mais frequentes, mas dentro de tumores epiteliais, a gente tem vários subgrupos e alguns com prognóstico muito bom, que muitas vezes a cirurgia sozinha já resolve o problema e cura a paciente. Algumas vezes a gente não precisa nem fazer quimioterapia. E a gente tem alguns outros tumores menos frequentes que também podem ter um prognóstico muito bom. No caso do câncer de pâncreas, aí Davi, se eu falar alguma coisa, você me corrige. Como o André colocou, o adeno cancinoma é o mais frequente, né? e é o que tem um comportamento mais agressivo. Então essa diferença em termos de mortalidade de acordo com o número de casos novos reflete muito essa questão não só da agressividade da doença, quanto também de resposta ao tratamento. Porque embora o câncer de ovário muitas vezes, na maior parte das vezes, a gente diagnostica ele tardiamente, se a gente tá diante de dos do do mais comum, que é o ceroso de alto grau, tumor epitelial, ele costuma ter uma boa resposta com o tratamento, mesmo quando ele tá avançado. É claro que quanto mais avançado a chance de cura é menor, mas hoje com o avanço dos tratamentos e a gente tem hoje terapias alvo direcionadas principalmente para aqueles casos que a gente tem as alterações genéticas, a gente tem medicamento que atua especificamente nesse nesse alvo, eh isso mudou a história natural do câncer de ovário. Então, hoje, casos avançados que t alterações genéticas, quando a gente utiliza essa medicação, a gente tem uma sobrevida muito, muito, muito mais longa. No caso do pâncreas, né, a a gente avançou ao longo dos últimos anos, mas a gente não viu ainda esse passo tão grande. A gente tem esse passo inicial agora, como o André colocou, talvez se isso, trazendo isso para um cenário mais inicial, talvez possa mudar. A gente não tem esse dado ainda, né? Mas eu acho que é mais relacionado essas questões, tá? Eh, a segunda pergunta é a seguinte: em relação a políticas públicas, existe, não sei se o Dr. André falaria sobre isso, mas enfim, existe a necessidade de se criar ou de se pensar novas políticas públicas para lidar com esses dois tipos de cânceres? E essas políticas, eh, inclusive imunoterapia, essas políticas elas precisariam ser federais ou elas poderiam ser, por exemplo, estaduais ou municipais? Tem alguma na esfera de Campinas, por exemplo? Eu vou eu vou vou tentar responder isso. É, é bem complica é bem complexo, política pública, né, vereador, mas eh eu acho que especialmente nessas duas doenças, em câncer de ovário, de pâncreas, o que mais avançaria, é o que eu falei rapidamente, mas repetidamente também na minha fala inicial, que é a criação de núcleos de especialidade para desfragmentação do cuidado. Então, uma coisa que eu ouço no consultório e que me dói o coração é quando eu escuto pacientes que chegam, que passaram por vários médicos que falaram: "Não, isso não é problema meu, eh, isso não não não é comigo. Vai, procura outro especialista que isso não é não é o não sei o que fazer ou não, pior ainda, não é problema meu. Eh, o médico precisa se apropriar do problema e às vezes ele tem que tá dentro de um sistema de saúde que permita ele se apropriar do problema. Então, os núcleos de especialidades ou os núcleos de cuidado precisa envolver cirurgiões especialistas e adequados naquele naquele diagnóstico, naquela doença, oncologista apropriado que saiba eh especificamente profundamente aquela doença. E muitas vezes o radiologista, o patologista, o radiologista intervencionista que vai fazer a biópsia adequada para conseguir fazer a retirada do material, tudo isso em tempo hábil para que o paciente receba o tratamento adequado no tempo certo. Quando um paciente fica num sistema de saúde solto, procurando primeiro um gastro, depois um clínico, depois um gastro cirurgião, depois um oncologista, ele volta para outro gastrocirurgião, todo esse processo demorando meses para fazer o diagnóstico, ele perde oportunidades de cura. Eh, e daí das duas situações, independente do sub do tipo de câncer. Então, uma organização do cuidado, geralmente isso envolve esfera municipal. Embora o SUS seja construído para ter núcleos unacons, cacons e especialidades, mas a organização do cuidado de eh básico da atenção primária de saúde, que vai fazer o acolhimento do paciente com sintoma, identificação do paciente de risco para encaminhamento para biópsia, para diagnóstico, para diagnóstico numa unidade secundária. E quando o paciente faz o diagnóstico paraa unidade terciária, essa organização é é responsabilidade do município, né? depois o acesso às tecnologias. Aí sim a gente vai falar em incorporação de tecnologia que vai para nível federal. Então, eh eh aí aí é outra questão, é o o medicamento, a terapia alvo, que é de altíssimo custo, como que a gente vai incorporar na nossa realidade? E aí isso é é discussão em nível de Ministério de Saúde e regulamentação eh dentro de Anvisa, CONITEC, ANS e outras agências regulatórias. Mas de nada disso adianta se eu realmente só chegar com pacientes em estágio avançado, buscando incorporação de tecnologias que vão tratar a doença ou tentar controlar a doença, aumentar um pouco o tempo de de expectativa de vida dos pacientes. Organizar o cuidado é a responsabilidade que a gente tem que ter aqui eh eh municipalmente. Como falar? Eh, boa tarde. Eh, eu tenho uma uma questão, uma dúvida aqui. Como a nossa audiência é composta por muita gente que assiste a TV Câmara e nem todo mundo tem um conhecimento médico, um conhecimento eh de palavras mais difíceis, você poderia explicar para mim e paraa nossa audiência o que é endometriose e quais são os sintomas e esse tipo de como é um fator de risco, acho que é importante esclarecer. Excelente pergunta. Bom, a endometriose, como eu comentei, é uma doença benigna, né? Então vamos pensar no útero. O útero ele tem uma cavidade, né? Então ele tem duas camadas principais. A camada de dentro, que a gente chama endométrio, que é a camada interna, e a camada de fora, que é o miométrio. O miométrio é a camada muscular, que aqui contrai, né? Quando a mulher entra em trabalho de pato, tem a contração, essa musculatura que é extremamente forte. A camada de dentro, o endométrio, é aquela que descama quando a mulher menstrua. Então o endométrio, quando a mulher ovula, ele vai ser preparado pelos hormônios para receber aquele, né, o óvulo fecundado. Se ela não engravida, esse endométrio, ele desfaz e sai o excesso. Não sai todo, né? sai o excesso. Então, a endometriose ela vai acontecer quando esse tecido da camada interna do útero, ele não tá dentro do útero. Claro que ele vai ter lá dentro do útero, mas ele vai ter fora. Então, por exemplo, eu vou encontrar tecido de endométrio dentro do miométrio, na parede de uterina. Hoje isso já não chama muito endometriose, eles chamam de adenomiose, mas entraria no espectro. ou se eu acho essas células, esse tecido de endométrio dentro do ovário, é um lugar que não é para ter, é para ter endométrio, essa camada interna só dentro do útero. Às vezes ela pode se espalhar ali na pelv, né? Então existem várias teorias que tentam explicar por que tem endometriose fora do útero, por exemplo, que não seja no ovário ou que seja na pelf, né? Porque uma das teorias acredita que quando a tem o descolamento do endométrio e a mulher menstrua, parte desse tecido, dessas células do endomério, elas ao invés de descerem pel pra vagina e serem eliminadas, elas sobem sobem pela tuba, pela trompa e caem, porque a trompa, lembrar que ela é aberta e ela abraça o ovário. Então ela tem uma cavidadezinha aqui. Então essa célula ela vem subindo pela tuba e cai ali. E aí ela pode cair dentro do ovário ou ela pode cair por fora e aí ela cai na cavidade e ali ela vai se proliferando. Lembra, né, que eu falei com o ciclo menstrual, os hormônios vão estimular o endométrio dentro do útero e onde tiver endomério? Então lá fora, lá na parede do intestino grudadinho, eu posso ter focos lá dentro do ovário, eu posso ter focos, eles vão ser estimulados. E acontece o quê? Sangra da mesma forma que sangra aqui. Então é essa e sangue dentro da cavidade abdominal dói porque é irritativo. Então o principal sintoma de endometriose é dor abdominal. Então, por exemplo, uma mulher que durante o ciclo menstrual tem dores de forte intensidade, né, que não responde a tratamentos de rotina, essas dores muito inexplicadas, às vezes é um sinal de alerta pra endometriose. E lembrar que a endometriose é uma das principais causas de infertilidade, então feminina, né? Então, eh, uma das coisas que ele sempre pesquisa. Então, endometriose seria isso, a presença de tecido do endométrio, que é a camada interna do útero, fora do lugar normal, né? pode estar no no ovário, pode estar dentro do miômetro, que é a musculatura uterina, ou pode estar fora da cavidade. E aí quando ela tá fora, né, na cavidade peritoneal ali fora ou se ela tá dentro do ovário, a gente chama de endometriose profunda. E aí são esses casos de endometriose profunda que estão mais associados ao risco de câncer de de ovário. Quer dizer, são as que estão com risco maior, mas qualquer endometriose aumenta o risco. Obrigado. Uma outra questão, eh, uma um dos fatores, por exemplo, da diabetes é a perda de peso. Eh, ela pode ser confundida com a perda de peso, por exemplo, do câncer de pâncreas. Eh, tendo em vista a questão da fragmentação que que foi colocada aqui, eh, existe algum risco do paciente até um até um um estágio ser diagnosticado como se fosse uma diabetes? Na verdade era câncer? Como é que você consegue diferenciar um do outro? Vamos lá. Excelente pergunta, porque os sintomas do diabetes pode ser pode ser confundido ou pode ser relacionado ao câncer de pâncreas, né? Então, um dos sintomas que eu acabei não comentando é aquela pessoa que sempre teve a glicemia controlada e eventualmente abre um quadro de diabetes, que é glicemia. Eh, isso eventualmente pode ser um câncer de pâncreas, sim, né? O pâncreas ele é um órgão relacionado à digestão, né? ele ajuda ali na digestão de alguns alimentos, mas ele também tem uma ação hormonal. E então quando tem essa alteração no pâncreas, pode causar uma disfunção dessa parte hormonal e a pessoa desenvolver um diabetes, uma alteração glicêmica da glicemia, né, por conta do câncer. Então isso é um fator importante. Então aquela pessoa que não tem alteração da glicemia, não tem um diabetes, evolui com essa alteração, acompanhado de perda de peso e aquele todos aqueles outros fateiros que eu comentei, isso é um sinal de alerta e merece ser investigado, né? Então fatores que a gente fala alteração da glicemia, perda de peso, isso tem que ser investigado para descartar a possibilidade de um câncer de pâncreas, né? Então acho que a questão do cuidado realmente, como o Dr. André comentou, tem que ser eh ele é fragmentado e mas o cuidado oncológico do câncer, quando a gente fala em câncer, a gente fala de várias doenças no mesmo nome, né? E cada câncer tem sua particularidade. O câncer de ovário e o câncer de pâncreas tem isso. Eles são tumores que devem ser tratado de forma individualizada. Tem que existir campanhas direcionadas porque o tratamento é diferente, né? Hoje a gente sabe que para câncer de pâncreas e ovário também, se esse paciente é tratado num ambiente treinado, com número de cirurgias já realizadas naquele centro, esse paciente tem maior chance de cura, maior chance de sobreviver mais, porque existe treinamento direcionado. A expertise daquele serviço traz uma taxa maior de sucesso, tanto para diagnóstico precoce, como a cirurgia, como acesso a tratamento. Então, é fundamental políticas locais mais simples, vamos dizer assim, de estruturação, que é totalmente possível e factível a gente fazer, mas exigem a necessidade também de políticas federais com a intenção de incorporações de muito alto custo, que aí a gente tem que negociar com outras esferas para conseguir chegar no acordo. Uma só queria complementar ainda o que o Davi falou quando a gente eh eh fala de exames para rastreamento de de para rastreamento de câncer de pâncreas, eles não existem, mas paraa investigação de suspeita, eles existem e às vezes eles precisam ser direcionados pra suspeita diagnóstica. Um ultrassom de abdômen normal, um ultrassom de abdômen feito por checkup, por rotina, muitas vezes pode deixar passar o diagnóstico de um câncer de pâncreas. Porque como o Davi falou também rapidamente no início, o pâncreas é um órgão que fica escondido, fica escondido um pouco atrás do estômago, atrás do doeno. São órgãos ali que tem ar dentro, que tem alimentos muitas vezes. E um nádoro pequeno dentro do pâncreas, ele pode ficar escondido ali atrás. E às vezes o ultronografista ele passa o o o aparelho, o transdutor, e ele não vê nódulo nenhum, passa como normal. Então, e por isso aí eu falei, às vezes é importante ter um médico, um radiologista especializado nisso, que vai poder olhar com mais cuidado, eventualmente com mais técnica, com cuidados diferentes para poder investigar. Então, um ultrassom de abdômen feito para investigar eh eh cálculo renal, pedra nos rins, é diferente de um ultrassom feito para suspeita de câncer de pâncreas ou para algo eh alguma dor inespecífica. Então, por isso sempre todos os pedidos de exame tem que ter uma hipótese diagnóstica feita pelo médico para que haja a investigação mais adequada possível. O estado estado. Ah, vamos lá. Eu vou tentar resumir um relato aqui, tá? Eh, a Marta diz que teve câncer, caso de câncer de ovário na família, que ela tem inchaço abdominal quando, normalmente quando ela tá menstruada e que toda vez que quando ela tá tá com esse inchaço e tem algum problema intestinal, a irmã insiste para ela correr pro hospital para fazer exame, etc. e tal. e que aí diante do que foi falado pelo doutor eh pelos acho que pelos três, né, da questão de persistência, eh ela pergunta persistência por quanto tempo? Acho que é uma forma de acalmar aí talvez a irmã. Muito obrigado pela disponibilidade aula. Eh, quando a gente fala em persistência, geralmente são sintomas que persistem mais do que duas a três semanas, mas sem períodos de melhor e pior. Às vezes uma melhora discreta, mas não resolução, né? Mas geralmente não, mas se é um sintoma, às vezes dependendo de de da gravidade, da intensidade, né, também às vezes pode ser intermitente, porque ele pode ter relação com a alimentação. Então, por exemplo, eu posso ter implantes ali na parede do intestino por fora que podem ah causar sintoma, causar mais dor, desconforto depois que o paciente come durante o trânsito intestinal mais acelerado. Então, pode ser, mas sintomas que persistem duas a três semanas geralmente. Agora, no caso especificamente, ela tem uma ela vê uma associação muito parece e clara assim para ela com o ciclo menstrual, né? Então acho que o importante é discutir com o ginecologista que acompanha, né? eh e avaliar quanto tempo existe isso, se ela já tem um exame de imagem, né, um ultrassom, alguma coisa, se ela seria uma paciente, por exemplo, que seria a a que que o sintomas justificaria, por exemplo, uma investigação de endometriose ou algum outro contexto ginecológico, mas é importante, se é algo que é recorrente todo mês, né, é importante sim avaliar com o ginecologista. Aqui tem uma outra. Eh, a Marlene pede apenas um acredito, um reforço aqui. Diz que quando ela tava vendo que pro pâncreas foi falado que hábitos que podem evitar o pâncreas é não fumar, eh, se alimentar bem, fazer exercício, se o mesmo vale para evitar câncer de ovário. É, eh, a reduzir chances, né? Acho que evitar não é a palavra, né? Sim. É os hábitos. Hoje a gente a gente já tem hoje evidências mostrando a hábitos saudáveis de vida, eles têm um potencial importante de reduzir risco de desenvolvimento de câncer. Lembrar que o câncer ele é uma doença multifatorial, né? né? A não ser nos casos e mesmo nos casos em que a gente tem uma mutação genética, né, que aumenta risco de câncer, é importante falar que não é uma sentença. Então, às vezes a pessoa fala: "Nossa, mas, né, eu tenho uma mutação, será que eu vou ter câncer?" Não necessariamente, porque não é só esse fator genético que vai aumentar, que vai causar necessariamente o câncer. outros fatores e aí entra a questão do estilo de vida, eles contribuem, eles atuam em conjunto com esses fatores. Então, geralmente são múltiplos fatores e, claro, não só para câncer de pâncreas, câncer de ovário, mas outros tumores, né, a gente tem um impacto positivo das mudanças de estilo de vida, seja se eh evitar o tabagismo, não existe consumo seguro de cigarro, então até um cigarro por dia ou um cigarro eventualmente aumenta o risco de câncer. É o consumo de álcool também, embora para alguns tumores essa relação ainda não esteja tão fortemente estabelecida, mas para alguns cânceres sim, né? Existe uma relação muito clara em alguns casos de uma magnitude maior, outros menor, mas a gente tem um um estudo relativamente recente que foi feito na Inglaterra, que eles avaliaram especificamente mulheres e aí eles e eles compararam diferentes padrões de consumo de álcool. Então, mulheres que consumiam mais de duas, três vezes por semana, mulheres que consumiam uma vez, né? Eles eles dividem por dose, né? E eles viram que mesmo aquelas mulheres com consumo de uma dose a cada 15 dias, 20 dias, tinham um risco um pouco aumentado de câncer. Então hoje, do ponto de vista puramente científico, com a evidência que a gente tem na literatura, a gente não tem um consumo que a gente possa dizer seguro do ponto de vista de aumentar risco de câncer. Lembrando que junto com o consumo de álcool a gente tem outros fatores. Então a alimentação saudável, que é uma alimentação ah pobre, não é que tem que excluir carne vermelha, mas que tenha menor componente de carne vermelha e priorização de carne, né, de peixe, né, e frango, eh, mais rica em olhaginosas, né, nozes, castanhas e principalmente legumes e verduras. A recomendação assim, se a gente for, né, avaliar o que que seria o mais adequado em termos de alimentação, seria a gente ingerir por semana pelo menos 30 tipos diferentes de legumes, oleaginosas e grãos também, né? Então, feijão, grão de bico, tudo entra nessa conta, né? Então, a gente tem que variar bastante e consumo de frutas também é importante. E a prática de exercício físico, né? Como o Dr. André colocou, o mínimo recomendado é 150 minutos por semana de atividade moderada. Se for uma atividade muito intensa, né, se for alguém que tem um perfil mais de atleta, alguma coisa, né, mais intensa, aí é 75, baixa para 75 minutos por semana, pelo menos. E aí você pode dividir ao longo da semana, conforme a sua rotina, como o Dr. André colocou, né? É importante que entre na rotina, porque isso facilita a aderência. né? E aí, se possível que seja o exercício de força, quando a gente fala exercício de força, tem que ter peso, então musculação e aeróbico. E aí o aeróbico é mais variável, né? Você pode ter corrida, você pode uma esteira, uma bicicleta, dança, hidroginástica, né? Então, todos esses esportes entram, alguns esportes de equipe, né? Então, o próprio Bitis ou outros esportes nesse sentido também entrariam como atividade aeróbica e seria interessante as a combinação das duas coisas, mas para ovário existe sim, né, evidência de que prática de exercício, porque isso vai permitir, além do efeito que o exercício tem o controle de peso, como Dr. André colocou, questão da obesidade, né? Então, o controle de peso, ele tem um impacto muito importante sobre redução do risco de câncer. Hoje a gente sabe que a obesidade é um dos principais fatores de risco modificáveis para câncer no mundo todo. Tem mais duas aqui. Eh, Otávio, ele diz que ele já teve um câncer, não fala qual tipo, tá? E ele pergunta se um câncer puxa o outro, ou seja, se o fato de dele ou qualquer outra pessoa ter tido um câncer significa que tem mais tendência a ter outro câncer. Não, né? Não necessariamente. A gente sabe que o risco da gente ter mais de um câncer é relativamente raro na população que não tem uma mutação específica, né? Então, geralmente quando a gente fala do ponto de vista de risco, desenvolvimento de câncer, a gente se relaciona, principalmente o fator principal a idade, histórico, familiar e a exposição aos fatores de risco que o Dr. Leonardo acabou de comentar. A partir do momento que a pessoa tem outro câncer, né, diferente daquele que ele já foi tratado, a gente começa a levantar a possibilidade de ter algum tipo de mutação que favoreça a ele desenvolver outros tumores. Aí é necessária uma investigação direcionada. Então, de uma forma geral, para ele que já tratou, tá em acompanhamento, né, tá sem evidência de de recidiva, a probabilidade de ter um segundo tumor é baixa, né? Lógico que nesse contexto é fundamental uma avaliação mais ampla. e olhar o histórico familiar, se na família teve outras pessoas com diagnóstico de câncer, com alguém na família que teve mais de um câncer, que isso começa a aumentar a possibilidade de ter alguma alteração genética e ele precisa de olhar direcionado. E fundamental também saber qual tipo de câncer que ele teve, né? né? Alguns tumores a gente sabe que tem uma chance maior ou menor, mas de forma mais ampla e sem muita informação, a chance dele ter outro tumor relativamente baixo. Eu eu queria só reforçar do que o Davi falou agora. Acho que todo paciente que teve câncer, ele precisa saber o nome ou sobrenome do câncer que ele teve. H, para saber o tratamento para eventualmente daqui a a 10 anos, quando ele não tiver mais eh cuidando daquilo e saber informar o o seu médico do câncer que teve, até para saber o risco de recidiva num longo prazo da volta do câncer, né, ou até essas questões de de predisposição individual, genética, mas eh hoje com com o cuidado médico que a gente tem, é fundamental que o paciente seja informado, que ele seja parte do seu cuidado, que ele que ele entenda bem o subtipo de de tumor que ele teve. E a última que eu tenho aqui, João Paulo, eu acho que é mais pro Dr. André mesmo. Eh, qual hoje no Brasil é o acesso a terapias alvas? Acho que ele ficou impressionado com os valores, né? se é possível conseguir via SUS ou até um processo na justiça. Olha, é uma pergunta bem pertinente. A gente tem tem ah passou por muitos anos, talvez décadas de atraso de incorporação de tecnologias no SUS. Eh, talvez na década de 90, o começo dos anos, entre 90 e 2000, a gente teve uma reformulação do cuidado do câncer no Brasil, em que foi instituído um sistema de de pagamento e reembolso pelo Ministério da Saúde que cuidou das da dos tratamentos sistêmicos do câncer, quimioterapia e tudo, numa época em que quimioterapia era mais ou menos o mesmo preço. Ah, mas desde o começo dos anos 2000 até até recentemente, praticamente nada foi incorporado. Então, se eu se se a gente colocar eh fora um ou outro medicamento, eh praticamente todos os cânceres eram tratados iguais a eram e a a forma de tratamento no início dos anos 2000. Nos últimos dois anos, talvez, a gente eh começou a ter um trabalho integrado entre a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, o Ministério da Saúde e outras agências regulatórias, buscando incorporação de tecnologias no SUS mais rápido. E talvez no último ano agora a gente tem uma uma visão um pouco mais ampla e uma tentativa de incorporação de de medicamentos de terapias alvo envolvendo imunoterapia e terapias alvo específicas para mutações específicas. Então, hoje hoje a gente tá com dentro de de um sistema de assistência farmacêutica eh de oncologia no Ministério da Saúde, a gente tá com um processo de incorporação na prática de 26 novos medicamentos. Eh, isso eh tem sido feito a discussão de como o governo disponibiliza essa aquisição de novos medicamentos. Algumas, alguns medicamentos são vão ser comprados pelo Ministério da Saúde e disponibilizados pela distribuição organizada pelo Ministério da Saúde. Outras vai ter uma negociação centralizada de preço, uma renegociação de preço para que as instituições vinculadas ao sistema público possam comprar, mas mediante um acerto e uma regulação. É, e outra forma é é é é de de eh negociação de preço por cada hospital é vinculado ao SUS de maneira descentralizada. Eh, isso tem sido, isso não é fácil, isso envolve o aumento do orçamento federal para tratamento do câncer como um todo. E, como eu disse, em negociação de preços, eh, porque aos preços que chegam de mercado hoje, se a gente deixar o livre mercado ah eh eh regular os preços de oncologia, isso a gente vai deixar muitas pessoas de fora e sem acesso, de fato. Então, isso é uma prioridade que tem que ser feita. Agora, independente de de eleições ou não, deve ser uma política de estado que precisa ser feito e precisa ser tomado como prioridade eh para para realmente a gente mudar a a vida dos pacientes oncológicos no Brasil. Desafio grande, né? enorme. Não é não é pouco. Eu vou eu tenho um questionamento aqui. Eh, câncer de ovário, também a gente pode falar um pouquinho sobre o pâncreas. Eh, se a gente tem aí estatística em termos de cura, né, de diante dos procedimentos cirúrgicos, né, o ovário, claro, são vários subtipos, né, de ou tipos de de câncer de ovário, o índice de sucesso dentro da da das terapia, seja cirúrgica, seja eh quimioterapia, imunoterapia, gostaria de saber se tem alguma estatística disso. E, né, com o câncer de pâncreas, eu acho que já é muito mais complexo as os procedimentos cirúrgicos, eles muitas vezes eles não trazem resultado. Então, talvez por isso essa diferença, né, entre a mortalidade e eh também a expectativa, né, de vida dentro da do desde o diagnóstico até o início do tratamento. Então, só que para que vocês passem aí algumas informações que talvez seja importante, né, quando da da de diagnóstico mais precoce, algo que pode ser sugerido por algum outro profissional, como já foi dito, né, coisa muitas vezes o profissional fala que isso não é da competência dele, acha um outro que possa eh propor algo que não é tão tão bom, tão indicado. Então, para que a gente faça essa última rodada aqui e a gente caminha pro pro final da nossa conversa. Perfeito. Bom, quando a gente fala de câncer de ovário, eh uma coisa que é muito importante, é claro lembrar que não só em ovário, mas em outras neoplasias, o tratamento cirúrgico é um tratamento extremamente importante que traz o potencial curativo, né? Então eu vou falar de forma geral sobre ovário, mas focando principalmente no que no que é mais frequente, né, que é o tumor epitelial, ceroso de alto grau. Um ponto fundamental em câncer de ovário é o tratamento cirúrgico ser realizado de forma adequada. Existem vários princípios cirúrgicos que precisam ser seguidos e a técnica cirúrgica é muito bem detalhada, mas a gente sabe que precisa ser feito num centro que tenha profissionais que sejam capacitados para isso, treinados para isso e que tenham alto volume de cirurgias. Então tem que ter experiência, tem que ter mão. Isso já foi demonstrado já há muitos e muitos anos. Eh, estudos mostrando que as pacientes tratadas em centros especializados, elas têm uma maior chance de cura, né, quando se comparado a centros que não têm experiência ou cirurgiões que não têm o treinamento adequado. Então, isso é um fator importante, né, que a paciente seja tratada num centro que tem experiência, que a cirurgia seja feita de forma adequada. O tratamento com quimioterapia, que é o que a gente utiliza na maioria dos casos inicialmente, né? Eh, associado à cirurgia, ele tem uma taxa de resposta via de regra muito boa. Se a gente pega esses tumores mais comuns, a taxa de resposta é alta. E é interessante a gente ver que às vezes a paciente chega, como a gente viu, os sintomas e sinais, né? Então ela perde peso, ela tem muito cansaço, fica emagrecida, o abdômen, né, inchado por causa do acúmulo líquido, ela faz o primeiro ciclo de quimioterapia, ela vem pro segundo, é outra mulher. Então isso não é infrequente a gente ver, né? Elas já voltam a se alimentar, já diminui o volume abdominal, tá se sentindo melhor, tá mais disposta. Então a taxa de resposta costuma ser boa e costuma ser rápida. A gente precisa ter o timing certo, o momento certo. A gente, o ovário tem, é muito delicado essa, essa linha de cuidado e ela precisa ser muito adequada nos seus tempos. Então, se a paciente não começa pela cirurgia, que muitas das vezes a gente começa pela químia por causa do volume de doença, tem o momento certo de fazer a cirurgia. Então a gente não, o ideal seria fazer três, quatro ciclos de químio e aí operar e depois continua com a quimioterapia. Mas quando a gente segue todos esses parâmetros, isso traz um resultado muito bom. O que a gente tem que lembrar é que quando a doença já tá mais avançada, nos estágios mais avançados, aí a gente já tem um impacto mais negativo. Não que não responda com tratamento responde, mas essa essa resposta às vezes não dura tanto tempo. E uma coisa importante de a gente eh ressaltar que a gente recentemente teve já uma um parecer favorável de incorporação de uma nova medicação para os pacientes com câncer de ovário e que tem mutação de gene BRC1 ou BRC2. E a gente sabe que nessas pacientes o tratamento com essa medicação nova que já tá inclusive incorporada no PCDT de câncer de ovário, que tava em consulta pública até recentemente, ela traz uma mudança muito grande de paradigma e de história natural da doença. Então, para essa população especificamente, o impacto realmente é muito grande. Claro que a paciente ainda continua passando pela quimioterapia, pela cirurgia, mas o uso dessa medicação adicional traz um resultado muito bom. Falando em em câncer de de pâncreas, acho que tem um pouco de semelhança, mas aqui acho que tem muito mais diferenças quando a gente pensa em tratamento complementar, né? Eu acho que a cirurgia para câncer de pâncreas é a base do tratamento curativo. Então, a cirurgia é sim ali o tratamento principal quando a gente pensa em cura. A gente sabe, assim como câncer de ovário, se essa cirurgia é feita num ambiente eh treinado, com uma equipe especializada, a taxa de sucesso é muito maior. Então hoje para câncer de pâncreas, todos os pacientes deveriam ser tratados num ambiente eh especializado. Então, não é uma cirurgia eh de baixa complexidade, não falando que outras cirurgias não sejam, mas câncer de pâncreas dentre os tumores gastrointestinais, eh pâncreas, vias biliares e isôfagos são os top três das cirurgias mais complexas que a gente pode ter. Então, tem um cirurgião especializado é fundamental. A diferença é as opções de tratamento complementares ou terapias alvas que a gente tem para câncer de pâncreas e hoje a gente não tem aprovado nada que traga uma mudança radical no tratamento. E como é um tumor muito agressivo, diferente do ovale, que alguns subtipos a gente ou estágios iniciais, que nem quimioterapia algumas vezes a gente indica, no tumor que é o adenocarcinoma, que é o mais frequente, mais de 90% das vezes é o adenocarcinoma. mesmo naquela fase mais inicial, depois da cirurgia, a gente obrigatoriamente faz quimioterapia, porque além, né, de tudo que a gente comentou, é um tumor de alta agressividade. Então, o tratamento com quimioterapia é necessário em quase 100% dos pacientes quando isso é permitido. E pensando em opções além, né, terapia alvo, terapias direcionadas, hoje no Brasil a gente não tem nenhuma aprovação direcionada a câncer de pâncreas, né? Tem o Dr. André comentou a respeito dessa droga nova, mas não tem aprovação no Brasil ainda, tá? em vias, né, de incorporação, de aprovação no Brasil, mas isso a gente não tem. Então, hoje a gente tem basicamente quimioterapia como única opção adequada e aí as respostas são muito mais inferiores, né? Realmente é um tumor com agressividade muito maior. Obrigado, Leonardo. Obrigado, Davi. Só peço que você fale o seu nome e e a sua pergunta. Boa tarde a todos. Liz Fernando, residente de oncologia aqui da PUC. Eh, durante as palestras a gente ouviu falar muito sobre medicações para pancarras, teste molecular, mutação de BRCA1 e agora no final da discussão a gente vê que a melhor forma de tratamento muitas vezes é a cirurgia, que muitas vezes a cirurgia é modificadora de desfecho. E aí a minha pergunta chega até a ser um pouco provocativa, mas como que a gente pode melhorar o acesso dos pacientes do cenário público à cirurgia? Na nossa prática clínica, muitas vezes a gente vê uma demora, a gente fica angustiado de não ter as novas tecnologias, de não ter o dinheiro paraa incorporação dessas tecnologias e o que a gente poderia fazer seria mudar coisas simples como a celeridade e o acesso desses pacientes à cirurgia. Quais políticas ou protocolos poderíamos pensar para esses pacientes terem algum acesso, tá? Eu vou tentar ser bem objetivo, porque isso daria uma sessão só para isso, só pra gente discutir acesso e é uma um assunto que eu gosto muito. Eh, primeiro, eh, eu concordo com você, a gente a gente briga muito por incorporação de tecnologias. O próprio Leonardo falou de de uma decisão recente por incorporação de tecnologia em câncer de ovário, mas às vezes essa decisão de incorporação, essa decisão favorável, ela não chega no paciente. Então, por isso que existe essa essa discussão de 26 medicamentos para entrar na assistência farmacêutica do SUS, novos medicamentos, né, de como vai ser feito, porque a CONITEC, que é um órgão nacional de incorporação de tecnologias no SUS, às vezes ela diz que precisa ser incorporado, mas o medicamento fica tr a gente tem tem medicamentos que ficaram na fila para serem eh oferecidos pros pacientes na prática por 8 anos eh após uma decisão favorável de incorporação. Então, esse é um ponto que precisa ser prioritário e tá sendo, eh, mas que isso é de lado. Eu concordo com a sua com o seu posicionamento de que não eh incorporação de de ou priorização de de de tratamentos para pacientes com câncer precisam ser eh individualizados e focados no que é importante em cada momento da doença, né? a gente tem pacientes com doença metastática que precisam do tratamento sistêmico, mas eh o que mais muda a vida dos pacientes seria a cirurgia adequada no tempo certo. Eh e a talvez esse seja o mais delicado, porque isso envolve uma arquitetura do cuidado como um todo, então a disponibilização de centros de de alta capacidade tecnológica de treinamento desses cirurgiões. Então, não é a cirurgia de ovário não é um ginecologista que vai tirar o ovário da paciente e a cirurgia de pâncreas não é um gastrocirurgião simples que vai tirar um nódulo do abdômen, não. São cirurgias ultra complexas eh e que envolvem e de novo uma estrutura hospitalar adequada para isso. a gente tem estruturas de ponta desenvolvidas. Eh, no, o estado de São Paulo é um celeiro de de eh de estruturas hospitalares para tratamento do câncer. Eh, mas a gente precisa ampliar esse canal. O a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo tentou viabilizar isso melhor, chamaram de a PAC paulista. Então, seria uma a a Secretaria de Saúde do Estado, ela suplementou o valor que o Ministério da Saúde paga para essas cirurgias para que os hospitais consigam organizar os seus cuidados eh eh de maneira mais adequada para tratamento de câncer, de maneira mais rápida e que fossem valorizados por tratar adequadamente o câncer. Então essa isso é uma questão de remuneração também adequada, eh, mas isso ainda envolve tempo. Então, treinar um cirurgião para que ele seja capaz de tratar adequadamente câncer leva muito tempo. E criar estruturas multidisciplinares com vários cirurgiões, times de cirurgiões, isso também envolve mais tempo ainda. Eh, mas se a gente não tomar essas decisões eh no tempo certo, a gente a gente nunca vai resolver o problema. Então, acho que é eh até voltando à pergunta inicial, né, o que que é envolve verba federal, municipal, estadual, eh, isso envolve organizações estaduais para desenvolvimento de eh estruturas multiprofissionais capazes de tratar de maneira mais adequada. Então vamos lá, né? O hospital metropolitano já já inici iniciaram as obras, então a gente ainda, se Deus quiser, a nossa parte aqui nós estamos fazendo, cobrando, viu? Fica tranquilo. Nossa parte aqui a gente tem feito cobrando a a a os gestores, sejam municipais, estaduais, federais, é um grande desafio, né? Hoje a gente fala em cirurgia robótica, são poucos os centros que o fazem. Nós, enquanto o o André sabe disso, o grupo Son sabe disso, enquanto vereador destinamos recursos lá pro Mário Gate, um laser de Túlium e também dois aparelhos para diagnóstico de de câncer de bexiga. Enfim, eu acho que são essas ações que nós temos aqui, elas nos despertam para realidades, né, que são duras. Infelizmente elas são duras, elas muitas vezes elas chegam a ser até cruéis, né, com a população, mas nós estamos caminhando, né, temos aí a certeza de que a o nosso papel, né, mesmo que pequena, a nossa contribuição, mesmo que pequena, ela lá na frente ela vai se somar a outras e teremos bons resultados, como tivemos em outras palestras que estivemos aqui com com a PUC, enfim, né, fizemos algo muito muito importante, bacana, bom e que trazem uma qualidade de vida paraa nossa população, pro nosso paciente. O Leonardo, você quer deixar alguma mensagem, fazer uma consideração final, já deixo, né, já vamos encaminhando pro final da nossa conversa. Então faça aí as suas considerações, deixa a sua mensagem, enfim, importante pra gente. Eu acho que a mensagem que fica é autoconhecimento. Então, conheça o seu corpo, conheça o funcionamento dele e qualquer sinal de mudança, especialmente se mudança persistente, busque ajuda. É sempre importante ter esse gatilho, né? dentro de um cenário que a gente é uma doença que a gente não tem rastreamento, a gente tendo esses sinais de alerta, como comentamos hoje, é o gatilho para buscar ajuda. E só para finalizar, agradecer vereador Paulo Adat pelo espaço, agradecer a todos aqui presentes, todas as pessoas envolvidas nesse evento. Eu acho que extremamente importante trazer conhecimento pras pessoas e motivar atitudes, né, mudanças e que isso impacte na vida das pessoas. Davi, acho que para não ser muito repetitivo, eu as minhas palavras são praticamente igual iguais a do Dr. Leonardo. Acho que diante de um câncer tão agressivo, sem possibilidades de exames de rastreamento preconizadas, né, eu acho que a ideia é a gente nos cuidar da melhor maneira possível. o Dr. André apresentou o nosso projeto, né, o BRO, que é trazer ali uma vida saudável, trazer isso pra nossa rotina e ter orientações. Então, a ideia a gente ter vida saudável no nosso dia a dia, manter isso não só nos meses, né, de recomendados, no outubro azul, outubro rosa, novembro azul, é que o ano inteiro a gente consiga se cuidar e se tiver qualquer um dos sintomas é necessário uma investigação precoce com um médico especializado. Obrigado, André. finalizar primeiro agradecendo, né, Paulo, Adad pelo pelo espaço aqui. Acho que é sempre fantástico poder falar com você. a mediação é também de alta qualidade e e e nos deixa muito à vontade para falar eh de maneira até com coração mesmo. Eu acho que a minha mensagem final seria de a gente buscar responsabilidades individuais para trabalhar no coletivo. Então, eh, como até como eu falei, o paciente que tem câncer, ele precisa saber os tipos de câncer que teve. As pessoas elas precisam ser responsáveis pela sua própria saúde. Então, é isso que bem-estar, né? bem-estar, rotina e orientação. Cada pessoa é responsável por si só e ela precisa conhecer seu corpo e buscar o auxílio médico quando necessário e as orientações quando percebe que alguma coisa tá errada, nem que seja para descartar que seja algo muito grave. E o poder público e o sistema público de saúde, o sistema de saúde como um todo, ele precisa ser capaz de absorver essas pessoas com as suas dúvidas. Então aí isso é responsabilidade do do poder público facilitar a vida das pessoas para dar esse tipo de orientação e dar os exames adequados e a sequência de cuidados necessários quando eh quando preciso e não atrasar sem demora, sem atraso, sem fila e sem fragmentação do cuidado. Então, é sempre que possível ter toda uma uma sensação de responsabilidade de quem tá responsável naquele momento por aquele problema eh individual, não deixando ninguém de lado nunca. Obrigado. Então, agradecer mais uma vez ao colega Dr. Leonardo, Dr. Davi, Dr. André Sass, aos nossos residentes da PUC. Sejam todos bem-vindos. Venham mais vez aqui, acompanhe uma sessão plenária as segundas ou quartas-feiras, se tiverem oportunidade. É importante ter esses jovens aqui, viu, André? Eles fazem a diferença e com certeza eles herdarão, né, boa parte dos nossos problemas, mas também muitas das soluções que nós iremos elencar aqui e procurar resolvê-las. Enfim, muito bom tê-los aqui, viu? agradecer o grupo Sonho na pessoa da Renata, esse todo esse staff, né, desse pessoal capacitado, gabaritado, qualificado. obrigado por eh nos dar a oportunidade de sermos esses esse por eu ser, né, por sermos, quando eu falo sermos, é, eu falo eh em nome do meu gabinete, do meu mandato, né, de sermos esse facilitador para que esses assuntos, essas eh esses temas sejam elencados, debatidos, discutidos e passado passados à nossa população. A gente agradece muito agradecer a assessoria das coordenadorias, das comissões sempre presentes, né, na nas nossas reuniões. É muito importante tê-las aqui. minha assessoria de gabinete. Também quero agradecer, quero agradecer aos nossos eh funcionários da TV Câmara que nos ajudaram, nos auxiliaram para que essa nossa reunião se fizesse, né, presente, a gente pudesse tocar essa nossa reunião. O cerimonial Gleisson, o a foto Álvaro, o a nossa repórter a Débora, o son da sonoplacia, o Júlio segurança, a Norma e o Aíton da Copa, Ariane Geni da TV o Nei e da de Líbas, Aleteia e Amanda. a vocês que nos acompanharam pela pelas redes sociais, nos acompanharam nesse plenário e pela TV Câmara, o meu muito boa tarde e que Deus continue nos abençoando dentro daquilo que nós escolhemos, né, para poder ser aí instrumento de melhoria para que as pessoas tenham uma vida mais digna e mais justa. Muito obrigado. Uma boa tarde a todos. E aí, tá me escutando? Bom, encerrada a roda de conversa sobre doenças silenciosas que focou em câncer de pâncreas e ovário. Essa iniciativa foi do vereador Paulo Hadad, ele que está aqui ao meu lado. Vereador, tudo bem? Eh, depois desse debate tão esclarecedor, qual a principal mudança que o senhor gostaria que esse evento provocasse a partir de hoje, tanto na população quanto entre os profissionais de saúde? Bom, Débora, primeiro, boa tarde. Boa tarde aos nossos telespectadores, né, aos nossos telespectadores que acompanharam essa roda de conversa. Isso é importante que nós tenhamos aí mudanças, né, de hábitos, mudança no nosso cotidiano, na nossa eh no nosso dia a dia. Primeiro, que nós não tenhamos hábitos nocivos, tabagismo, etilismo, sedentarismo, obesidade, que a gente tem o corpo como algo que ele tem que ser cuidado, né, com extrema cautela para que tenhamos uma saúde, não só uma saúde física, mas também uma saúde mental, trazer eh profissionais capacitados, qualificados, com muitas informações é muito importante para que a Câmara Municipal ela exerça o seu papel enquanto facilitador e divulgador de algumas informações que muitas vezes elas não chegam, né, até nós. Então é importante que nós tenhamos essa leitura do nosso papel dentro da Câmara Municipal de Campinas. E é isso que a gente tem procurado fazer aqui com essas palestras, com esse ciclo de palestras. Tivemos eh palestras sobre o pâncreas, sobre ovário, já tivemos também sobre eh câncer de bexiga, teremos o outubro rosa, né, com câncer de mama. o novembro azul também que é o câncer de próstata. Enfim, nós enquanto presidente da comissão de política social e saúde a gente procura trazer informações importantes e precisas paraa nossa população. Tá certo, vereador? Muito obrigada. Uma boa tarde. Boa tarde. Eu que eu agradeço. Encerrando então o evento, eh, agradecendo a sua audiência e continue com a programação da TV Câmara Campinas. TV Câmara, Campinas. P.