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+ ESPORTES - TIRO OLÍMPICO JÚLIO ANTONIO DE SOUZA E ALMEIDA
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+ ESPORTES - TIRO OLÍMPICO JÚLIO ANTONIO DE SOUZA E ALMEIDA

83 views Publicado 02/09/2019 HD · 42:26

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+ ESPORTES - TIRO OLÍMPICO JÚLIO ANTONIO DE SOUZA E ALMEIDA

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Música Olá, o programa Mais Esportes fala hoje sobre uma modalidade que exige concentração, precisão, grande capacidade intelectual e psicológica. É, não deu muito certo, vou deixar para quem conhece. Ah, vocês já perceberam, né? Tiro esportivo hoje no programa Mais Esportes, com o coronel da Força Aérea Brasileira, Júlio Antônio de Souza e Almeida. Muito obrigado por ter aceito o convite para esta entrevista. Primeiro colocado no ranking de pistola de ar, fogo central e pistola standard. Qual que é o panorama no Brasil nessas modalidades? Muito obrigado por ter aceito o convite novamente. Bom, hoje a gente tem as equipes de pistola nossa a nível pan-americano são fortes. A nível mundial a gente tem alguns atletas de destaque. Mas a nível Pan-Americano a gente está sempre brigando por medalhas Sul-Americano também E no Mundial, na modalidade de fogo central A gente tem conseguido resultados expressivos na última década Então nós fomos bicampeões dos Jogos Mundiais Militares Fomos campeões mundiais em 2010 Terceiro lugar no Mundial de 2014 Individualmente eu consegui duas medalhas nesses mundiais também Nessa prova de fogo central Nós vamos falar muito sobre essa modalidade Júlio, vamos nos sentar? Se você quiser pode tirar todo o seu equipamento aí, a viseira, o protetor, o óculos, são várias vestimentas aí que a gente vai abordar muito no nosso programa. E o Júlio Almeida que é vencedor de Panamericano, tem muitas medalhas, muitas conquistas, então vamos nos sentar para a gente ficar um pouco mais à vontade. Júlio, você tem no seu currículo ouro em Toronto em 2015, acabou de voltar do Panamericano em Lima, no Peru, onde conquistou medalha de bronze, tem dois bronzes em Guadalajara em 2011, prata no Rio de Janeiro em 2007 e prata em Mar del Plata em 1995. Vamos por partes. Primeiro agora em Lima, no Peru. Como é que foi essa experiência? Bom, para esse Panamericano eu estava muito bem preparado, a preparação foi bem adequada esse ano, participei de muitas competições, estava fazendo bem mais do que eu fiz lá em treino, então eu não fiquei tão satisfeito com o meu resultado. Fiquei muito satisfeito com a medalha, qualquer medalha em pan-americano é uma honra muito grande, mas o resultado em si, eu não gostei nem da minha prova, nem do resultado final da competição. Mas fica o aprendizado, a experiência, existem situações que você não consegue controlar muito, que é essa tensão da prova, né? Por mais que você simule ela em treino, você não consegue nunca simular o que é uma competição como os Jogos Pan-Americanos, com vaga para os Jogos Olímpicos. Então é muito complicado. E, no geral, foi satisfatório, vamos dizer assim. O Coronel Júlio, em relação ao Pan-Americano de 2007, eu queria que você falasse sobre instalação, sobre a vila, sobre trânsito, porque isso foi muito comentado aqui no Brasil. Olha, os atletas pegaram muito trânsito, a internet não funcionava, em outro país, em outra cidade. Agora em Lima, no Peru, fazendo uma competição com o Brasil. Eu acho que em termos de trânsito foi bem similar, porque em 2007 a gente não tinha Transolímpica ainda, então a gente tinha que sair da Vila Olímpica, era uma volta grande para chegar no estande nosso em Deodoro. Lá em Lima também a gente levava cerca de 40 minutos, Lima tinha umas curiosidades que os motoristas às vezes se perdiam. Primeiro dia de competição então, foi engraçado que o Tobaro acorda cedo, o Tobaro é o nosso técnico, ele acordou cedo e pegou o ônibus mais cedo que a gente, meia hora antes, Ele chegou meia hora depois do que nós no estande, porque o motorista se perdeu, rodou. Mas não de propósito? Não, ele se perdeu. O motorista se perdeu, entrou por outros caminhos e acabou chegando meia hora depois. Quer dizer, o pessoal que saiu às 6h23 chegou depois do ônibus que saiu às 6h53. Isso atrapalha o atleta? Você está 40 minutos no ônibus, a sua cabeça começa a falar, mas está demorando para chegar, o que está acontecendo? Ou a sua concentração é tão grande que você nem percebe há quanto tempo você está no ônibus? Se isso acontecer no dia da competição, atrapalha, porque você normalmente pega o ônibus que vai te deixar naquele horário que você precisa para se preparar, para aquecer. Mas isso aconteceu, graças a Deus, no dia de treinamento, não foi no dia de competição. Em relação às instalações do PAN, eu acho que foram muito similares. Eu acho que a gente foi bem instalado aqui no Rio de Janeiro e também foi bem instalado em Mima lá, eu não vejo problema. A parte de refeitório, eu acho que o nosso aqui estava até um pouquinho maior, mas fomos bem atendidos lá também, não tivemos problema nenhum. Em relação aos outros PANs, você participa desde 1995 em Mar del Plata. O que muda de um PAN americano para outro? Ou chega uma hora que fica tudo igual para você? Não, são diferentes. Porque os locais são diferentes. Por exemplo, em Mar del Plata, na verdade, nós ficamos em Buenos Aires. O PAN foi em Mar del Plata, mas o tiro foi em Buenos Aires. Então, nós não ficamos em Vila Olímpica. Então, nós ficamos em um quartel de formação do Exército Argentina. Ficamos em uma escola militar. Mas eram boas instalações. Sem reclamações, assim, estava muito bom Mas também muito longe do stand E em Mar del Plata Ainda existiam as provas não olímpicas no Pan Então quando eu fui para Mar del Plata Eu fui disputar fogo central e pistola estanda Eu ainda não focava nas provas olímpicas Naquele momento Depois eu fiquei dois Pan-Americanos sem ir Justamente porque de Mar del Plata Para a Winnipeg Cancelaram as provas não olímpicas E fizeram um calendário igual ao da Olimpíada E como eu estava muito mais focado nas provas não olímpicas, eu acabei que eu tive um tempo para poder me readaptar. Até 98 eu foquei praticamente só nas provas não olímpicas. E a partir de 99 eu comecei a tentar olhar um pouquinho mais para as outras também. Como que se classifica para um Pan-Americano? Bom, para esse último Pan agora, você tinha que conquistar a vaga. Antes, até 2011, o Brasil tinha três vagas em cada prova. Então ele fazia uma seleção interna, três vagas em cada prova. Até 1995 eram três vagas, mudou para duas e tirou as equipes em 1999. Cada vez que passa no Canadá, alguma coisa piora para a gente. Então é curioso, porque em 1999, o Winnipeg, quando foi no Canadá e o Winnipeg, eles tiraram as provas não olímpicas e a equipe. Então nós ficamos só com provas individuais. Quando passou em 2015, eles começaram a selecionar a quantidade de atletas que iam disputar. Então o Brasil não tinha mais as suas vagas, tinha que conquistar a vaga dentro das Américas. E aí normalmente essas vagas, a maioria delas, saem no Campeonato das Américas e uma vaga nos Jogos Sul-Americanos. Nesse ano, no Pan-Americano, em Peru, você ficou na terceira colocação, não conseguiu índice para os Jogos Olímpicos. Isso é uma frustração ou era algo que já estava distante? Deixa eu só dar uma corrigidinha. Eu não conquistei o quota place Porque nós temos o índice Que eles chamamos de MQS Que é o Minimum Qualified Score Esse índice, no solo de ar, que é a minha prova Ele é definido como 563 pontos Esse índice eu já tinha Já tinha sido conseguido ele nas Copas do Mundo Aí a quota place é que é dada Essa quantidade de cotas por competição Aquelas que premiam Então nos Jogos Pan-Americanos nós tínhamos duas cotas place Então só os dois mesmos colocados pegariam Salvo se um dos primeiros tivesse já esse Cota Place conquistado antes, o que não foi o caso. E eu fiquei em terceiro lugar e acabei não pegando porque fiquei em terceiro, os dois primeiros ainda não tinham. E existe uma possibilidade disso acontecer ainda ou não? Existe. Nós vamos ter uma Copa do Mundo aqui no Rio de 26 de agosto a 3 de setembro e são mais dois Cota Places que vão ser distribuídos também nessa Copa do Mundo. Além disso, caso nenhum dos brasileiros conquiste vaga, conquiste essa Cota Place Na Copa do Mundo, ou seja, nós somos três, eu, Filipe Vu e Filipe Chateaubriand. Se nenhum dos três conquistar o Cota Place, ainda existe uma possibilidade que foi aberta, é uma regra nova, que foi aberta para esse ciclo olímpico, que é o melhor atleta de um país que não tenha conquistado ainda nenhum Cota Place, o melhor atleta classificado no ranking mundial no final da última Copa do Mundo do ano que vem. Então ainda tem bastante oportunidade. É um só no mundo todo e essa vaga é a única cota que vai para o atleta. Essa cota é do atleta. Se o atleta não pôde atirar, morreu, faleceu, ficou doente, não pode ir, ela vai para outro atleta seguindo no ranking e não para o do país. E diferente dos cota places que são conquistados até agora, no PAN, no Campeonato das Américas, nas Copas do Mundo, no Campeonato Mundial, diferente desses cota places que vão para o Brasil, para o país que conquista e não para o atleta. Esse do ranking mundial é do atleta. É bem concorrido, então, essa vaga. Coronel, onde que você conheceu, descobriu essa modalidade? Em 1987, eu entrei na Academia da Força Aérea como cadete. E aí eu tinha vontade de ser atleta, eu gosto de competir. No meu período de EPICAR, da escola preparatória, os três anos anteriores, eu cheguei a rodar algumas equipes, mas nunca como titular, nunca consegui competir efetivamente nas competições que existem entre as escolas militares. E aí quando chegou na academia, eu falei, pô, vou tentar um esporte diferente, que ninguém já venha com essa bagagem de clube, que normalmente a maior parte do pessoal que pegava equipe vinha de clube. E aí eu fui tentar o tiro e a esgrima. E aí eu comecei a fazer na esgrima aquela escola de passe e no tiro, como a gente já tinha o tiro de carabina na escola, eu falei, vou tentar o pistola, que é novo, ninguém sabe, ninguém conhece, e acabou que eu já me classifiquei para a equipe da minha turma nas seletivas que tiveram. Aí larguei a esgrima de lado, fiquei só focado no tiro e fui continuando. Ou seja, quase que um dom, então, porque logo na primeira prova você já se deu bem e continuou. Existe uma seleção inicial que era de cinco atletas por turma, porque a gente tem um campeonato interno e depois tem a Nava Maia, que é uma competição entre as academias militares. Então, assim, na primeira seleção de cinco eu fui o quarto colocado. Mas no ano seguinte eu já estava como segundo da equipe, no terceiro, no quarto ano eu já era o primeiro da equipe. Agora, Coronel Julião Meida, não sou eu quem vai fazer a pergunta para você, E quem está nos assistindo tem a possibilidade, porque aqui o povo fala. Coronel, muito importante falar com o senhor. Eu já fui soldado na paraquedista do Rio de Janeiro. Eu fico muito feliz de falar essa mensagem para o senhor. O senhor, já aconteceu alguma coisa de viagem, alguma coisa? O senhor perder algum material do senhor? Muito obrigado. Já perdeu algum equipamento? Você viu que ele é fã, viu? Ele é paraquedista também, está na sua área. Bacana. Graças a Deus eu nunca perdi um equipamento em definitivo. Ele sumiu, nunca mais encontrar. Mas como a gente viaja muito, acontece de às vezes as bagagens se extraviarem, mas graças a Deus sempre foram encontradas e devolveram. Tem uma situação que foi interessante, que foi em 2010. Eu fui para a Alemanha para o Campeonato Mundial e minha mala com as armas se extraviaram. E nós chegamos aí quatro dias antes para poder fazer a adaptação, o horário e tudo. E elas só foram chegar depois que já tinham passado as provas olímpicas. Então eu fui obrigado nessa competição a competir com armas emprestadas para as provas olímpicas. E aí depois chegaram as minhas armas, eu atirei as não olímpicas. E graças a Deus eu consegui um ótimo resultado e consegui duas medalhas ainda nas provas não olímpicas. Com arma emprestada? Não, as armas emprestadas foram as olímpicas. Não fui muito bem nessas provas não. Quando eu peguei as minhas pras provas não olímpicas depois, eu consegui as duas medalhas. Fui medalha de bronze na pistola estándar e medalha de prata no fogo central. A gente tendo ganho ouro por equipe nessa competição. Isso é algo que, infelizmente, a gente já viu acontecer algumas vezes, né? Com a Fabiana Moura, na questão das varas, com outros atletas também. Essa é uma preocupação que você tem ou por não ter acontecido muito apenas dessa vez, não é algo que nem passa pela sua cabeça? Não, isso é uma preocupação a toda viagem. Cada viagem que a gente faz, a gente tem a preocupação até na escolha da companhia aérea, porque a gente sabe que tem companhias que são mais tranquilas de viajar e outras que são mais complicadas, viajando com armas, claro, né? Ô, Coronel, os campeonatos internos, você falou nessa época de 85 que você começou, os campeonatos internos foram muito importantes para você? Eu acho que as competições da academia, o foco nosso maior era a Nava Maia, Que é uma competição entre as três escolas militares É como se fosse uma olimpíada entre as três escolas de formação de oficiais Quer dizer, a Academia da Força Aérea, a Academia Militar dos Agulhas Negras e a Escola Naval Então, para mim, como cadete, meu sonho era ganhar a Nava Maia Então eu treinei bastante naqueles anos Para mim, tiro, eu sempre gostei Desde que eu comecei a praticar, eu adorava Para mim era o meu momento de terapia dentro da escola Porque a Academia Militar não é muito fácil Então era o meu momento de terapia Na hora que eu ia para o treino, eu abstraía do mundo e ficava ali só focado E, graças a Deus, eu consegui bons resultados nas competições, a ponto de, assim que eu me formei, a Força Aérea já me chamava para a equipe da Força Aérea no ano seguinte. Então, eu já comecei a disputar o Campeonato das Forças Armadas, que existe anualmente. Já como aspirante, eu já disputei o Campeonato das Forças Armadas. Hoje, como que é o seu dia a dia? Hoje, bom, ele é bem variável, mas eu estando aqui em Campinas, normalmente de manhã eu venho aqui para a escola para treinar, passo a parte da manhã aqui até 10, 10 e meia entre 7 e 15 que eu chego aqui até umas 10 e meia, depois eu vou para o círculo militar aqui embaixo onde eu faço a minha atividade física até meio dia, meio dia e meia e depois eu vou para casa e almoço e a tarde, normalmente nos dias normais que eu estou por aqui a tarde eu viro motorista da família tá certo, tem que também né, porque viaja bastante isso, isso de segunda a sexta E aí, nos fins de semana, quando tem competição, a gente faz as provas de fim de semana, normalmente pelo menos uma vez por mês tem, e nas viagens, né? Na viagem a rotina fica um pouquinho mais pesada, a gente costuma fazer camp trainings, e esses camp trainings a gente costuma treinar até duas, três horas da tarde, pra depois fazer a parte física, e aí eu fico à disposição o tempo todo só pra competir. Agora, Coronel Júlio Almeida, é hora da pergunta polêmica. Geralmente as crianças iniciam no esporte com 5, 6 anos Entram no futebol, as artes marciais, aprendem as filosofias Na sua modalidade, é indicado uma criança começar a pegar uma arma e treinar o tiro esportivo? Vamos fazer o seguinte, rápido intervalo, tem essa resposta do Coronel Júlio Almeida Quando será que pode iniciar no tiro esportivo? Mais sobre fogo central, pistola, estandarte O que são essas modalidades de esportivo É algo muito amplo Quais serão as provas que o coronel Júlio Almeida disputa Muito mais sobre a experiência dele Tem jogos olímpicos, mais de jogos pan-americanos Não sai daí que o intervalo é rapidinho Voltamos com o segundo bloco do programa Mais Esportes Hoje eu estou entrevistando o Coronel Júlio Almeida Ele que é primeiro colocado do ranking brasileiro de pistola de ar, pistola estandarte, fogo central E eu terminei o primeiro bloco com uma pergunta Geralmente as crianças iniciam nas modalidades com 5, 6 anos No tiro esportivo, uma criança já pode também começar a atirar? Então, meus filhos tinham curiosidade A partir de 10 anos eu deixei eles virem para o estande comigo para atirar ar comprimido Eu acho que ar comprimido sempre é a primeira modalidade que você deve começar a introduzir Primeiro que ele é mais barato E dois, porque ela tem menos impacto, não tem praticamente impacto Então é mais fácil você começar a trabalhar com isso Agora, aqui no Brasil, é interessante porque eu fiz um estudo há dois anos atrás e apresentei isso na confederação, numa reunião, numa assembleia, mostrando que a idade média de início do tiro esportivo no Brasil é 33 anos. Nossa, muito tarde. Então, assim, a maior parte dos praticantes começam com essa idade, a média, nessa idade, o que não é normal. Eu comecei com 17 por conta da academia. Mas se você chegar na Coreia do Sul, eu tive a oportunidade em 2011 de ir à Coreia e chegar cedo lá, chegar antes para treinar, me preparar para o fuso. E se você chegar antes da competição, você vê muitos garotos de 10, 11, 12, 13 anos já no stand. Você vê o stand lotado de garotada fazendo isso. Inclusive, na Coreia do Sul, você tem 40 stands eletrônicos situados em escolas de ensino médio e em universidades, distribuídos pelo país inteiro. Você acha que isso não acontece no Brasil por um preconceito, por um medo da relação com a arma? Existe uma série de razões. Houve, nesses últimos governos anteriores, uma política de desarmamentista que atrapalhou um pouco começar a adquirir o equipamento. Mas mesmo antes, a idade já era um pouco mais avançada. Eu acho que é muito por conta do custo. O custo do Brasil é muito alto. Então, para você fazer uma importação, para você começar a fazer uma prova olímpica, você tem que comprar uma arma, você tem que ter o equipamento, você tem que ter a munição, e tudo tem um custo inicial muito alto. Então, assim, a gente não tem uma estrutura de base. Se você procurar no Brasil, hoje quase não tem treinador. Poucos clubes oferecem a possibilidade de você treinar. Então a falta dessa estrutura dificulta, porque o esporte é muito atraente. Então se você começar a montar a estrutura de base e começar a convidar nas escolas mais caras, na escola do pessoal de classe média alta, de classe alta, se você começar a convidar, vai ter muita gente querendo praticar. Mas essa falta da estrutura atrapalha bastante. O tiro esportivo é algo muito amplo, eu falei que você é primeiro colocado no ranking brasileiro em três modalidades Para quem está em casa, não conhece o tiro esportivo, quais são as ramificações? Então, hoje o tiro você tem três grandes áreas, o tiro olímpico, são três grandes áreas Você tem o prato, você tem a carabina e a pistola Então você tem, das provas olímpicas, você tem cinco provas de cada uma dessas áreas Então você tem, no tiro ao prato, você tem o trap, também chamado de fossa olímpica, e você tem o skit. E tem agora uma, cada prova dessa, cada área dessa tem uma prova mista para esses Jogos Olímpicos, que no caso do prato é o trap. No caso da carabina, você tem a carabina de ar, masculino e feminino, o de prato também, masculino e feminino, e você tem a carabina 3x40, tanto um quanto o outro. Na pistola, você tem a pistola de ar, masculino e feminino, você tem o tiro rápido masculino e você tem a pistola esporte feminino. Essas provas são diferentes. Essas são as olímpicas. Além disso, você tem as não olímpicas. No prato não tem provas não olímpicas. Tem agora a fossa dublê, que era olímpica e deixou de ser para esses jogos. Mas no caso da carabina, tem a carabina deitada, masculina e feminina. A masculina era olímpica até a última edição e agora não é mais. E na pistola você tem o fogo central, a pistola estándar e agora a pistola livre, que também era olímpica e não é mais. O feminino só tem duas provas, são as duas que são olímpicas também. Dessas que você é o primeiro colocado do ranking brasileiro. Qual que é a diferença do fogo central para o estándar? A pistola de ar é feita no estándar de 10 metros, com chumbinho. Fogo central e pistola estándar são feitas em estándar de 25 metros. Muda a sequência da prova e muda o calibre Então vamos para o Foco Central primeiro O Foco Central é a mesma prova da pistola esporte feminina Que é a Olímpica, só que a masculina não é, infelizmente Porque é a minha prova mais forte Nós atiramos com o calibre 32 E ela é feita em duas etapas Uma etapa de precisão e uma etapa rápida Que a gente chama de duelo A etapa de precisão você tem Seis séries, são 30 tiros, divididos em seis séries de cinco tiros E você tem cinco minutos para cada série Na etapa de duelo, você tem uma silhueta que no stand convencional ela abre e fecha, e no stand eletrônico é uma luz que acende ou apaga, dando o tempo que você tem para disparar. Então essa silhueta, vamos falar no stand convencional, ela vai fechar, fica sete segundos fechada, ela abre e permanece três segundos aberta. Nesses três segundos você sai com o braço de baixo e tem que fazer um disparo. Então você tem três segundos para levantar e disparar. Aí ela fecha de novo, sete segundos depois ela abre e você faz mais um disparo. Então, você vai essa alternância até completar cinco tiros. Faz seis séries de cinco tiros também. Então, são 30 tiros de precisão, 30 de duelo, junto os dois resultados, dá o resultado de fogo central. Ou seja, acho que além da precisão, que é fundamental, mas a concentração tem que ser muito grande. Se em três segundos você demorar para levantar o braço, ou você pensar em outra coisa, acabou, já vai estar fechado de novo. É, existe um treinamento para você se automatizar a fazer isso, né? Então, por exemplo, eu quando levanto a mão, praticamente você tem mais ou menos o tempo na cabeça, então você já entra com todo o processo já decorado e treinado para poder fazer um bom tiro se não for assim, você pode não acertar nenhum alvo eu vi uma entrevista sua, dizendo que em uma competição 25 competidores tem a chance de ganhar eu diria que é o esporte mais concorrido do mundo, em nenhuma outra modalidade Fórmula 1, badminton tênis, pega qualquer esporte individual. Nenhuma outra categoria chega com tantos competidores com chance de ganhar. É tão concorrido assim mesmo? Cara, 25 é na Olimpíada. Porque na Olimpíada entram poucos atletas. Você tem ali, por exemplo, já na última Olimpíada foram 45, 46 atletas, não lembro o número exato. E desse você tem 25, 30 com chance de ganhar. Num campeonato mundial você entra com mais atletas, cada país pode levar três, você às vezes tem 40, 50 atletas que tem chance de ganhar. É muito concorrido, e era um detalhe. Só para você ter uma ideia, em 2008 eu fui para os Jogos Olímpicos. Eu terminei a prova em 13º, depois eu caí para 12º porque um atleta foi pego no doping. E eu ganhei uma posição, mas eu terminei em 13º. Do 9º ao 15º terminaram empatados, com a mesma pontuação, um ponto atrás do 8º que entrou na final. Caramba, então realmente é muito concorrido. Então é muito equilibrado. quando você chegou, e essa pontuação 580, foi a mesma pontuação que o Felipe já entrou na final olímpica aqui no Rio de Janeiro então isso varia é mais ou menos por aí é muito tênue então, dependendo da pontuação num torneio e no outro você poderia ter ido na final é um detalhe, é sempre um detalhe agora no Pan também, eu estava em primeiro dois tiros antes de fechar a prova pra mim porque na final nossa você é eliminado a cada dois tiros a partir do 12º tiro eu elimino o 8º mais dois eu elimino o 7º, mais dois eu elimino o 6º e assim vai Eu cheguei no vigésimo tiro, quando eu tinha um 4, eu estava em primeiro. Minto, quando sobrou 3, eu estava em primeiro. Na hora de eliminar o terceiro, dois tiros no 9, no 9. Não foi nem tiro muito longe. E encaixou do cubano-americano fazendo dois tiros bons e eu acabei perdendo por 4 décimos. É tudo no detalhe. Só para a gente esclarecer para o pessoal de casa, você tem 20 tiros e sobre essa pontuação, tem o alvo e tem o número 10, número 9, como é que funciona? Na pistola de ar, a prova inteira, você faz 60 tiros. E aí você tem 1 hora e 15 minutos para fazer esses 60 tiros. O alvo vai do 1 ao 10. Então você fez a somatória final e aí você vê o resultado final da prova. Os 8 primeiros se classificam para uma final. Então hoje você não leva mais o resultado da prova para a final. Você esquece aquela prova que passou, esses 8 vão começar uma nova prova. Essa nova prova são de 24 tiros. São duas séries de cinco e depois um a um Então você faz os dez primeiros Cinco, cinco Depois faz mais dois tiros e elimina o oitavo Faz mais dois tiros e elimina o sétimo Como eu fui explicando antes E aí você não tem tempo Se você deu o azar de dar um tiro ruim Depois pra você se recuperar é mais complicado Porque a coisa vai embolando Foi o que aconteceu comigo Na hora que eu dei o 22º tiro Eu fui ultrapassado por quatro décimos e fui eliminado O americano no tiro segundo mandou um oito Então assim, é o detalhe Essa é um esporte que tem muita pressão Porque décimo que você erra um pouquinho mais para o lado Talvez você já fica fora Como é que você trabalha isso? A frustração das vezes no primeiro tiro Não sair como você deseja E você não pode entrar numa onda ali de pessimismo Porque senão acaba a prova para você Como é que funciona esse treinamento? Cara, isso não é fácil não Porque nós temos momentos, né? Como a prova é demorada A nossa mente vai oscilando. Então você tem horas que você está mais concentrado e horas menos concentrado. Então você tem que procurar tentar trabalhar os seus momentos mais concentrados o máximo possível. Isso é a tática da prova. É você buscar os momentos que você está melhor. Então quando você começou a entrar, começou a ir mal, para, descansa, espera um pouquinho, respira, olha para o lado. Ok, vamos agora voltar. Volta, concentra e volta de novo. É assim que a gente tem que trabalhar. Mas quando você começa a ir muito para o buraco, às vezes é complicado sair. Você é aquela pessoa que começa a pensar na família, pensar em coisas boas, ou seu foco fica só na competição, ou às vezes fala, não quero pensar em nada, não quero pensar na competição, não quero pensar do lado de fora, não quero pensar em nada. Como é que funciona? O ideal é não pensar em nada. Tem dias que eu consigo fazer isso, ficar focado quase que o tempo todo, mas é muito difícil. Porque a nossa mente é muito arredia. Então, para você distrair, começar a pensar em outras coisas, é um detalhe. Então, assim, a gente tenta ficar o tempo todo focado. Tenta, mas nem sempre é possível. Coronel, só para não deixar passar, a gente estava falando sobre o esporte no Brasil. As pessoas começam muito tarde. Você falou sobre o custo, então eu queria que você falasse desse alto custo e se a burocracia é um entrave também, questão de arma entrar no país, se é fabricado tudo aqui, como que funciona? Bom, pouca coisa é fabricada aqui. Arma nenhuma. Todas são importadas. As armas que realmente têm condições de competir, todas são importadas. então você tem que trazer tudo de fora. Elas são caras. Elas vão sair na faixa de mil euros no mínimo. Uma arma nova, boa. Claro, você pode comprar uma de qualidade menor, por preço mais baixo. Mas uma arma de ponta vai ser no mínimo mil euros para você trazer. Se você for fazer uma importação direta, você vai pagar... O Brasil tem uma coisa engraçada, que o Brasil cobra imposto de você pelo preço do valor do bem e pelo preço do frete. Você paga imposto em cima do frete. Então, se você for trazer uma arma de fora, por exemplo, uma arma de mil, para ficar fácil a conta. Você vai gastar 300 euros de frete. Estou chutando o valor aqui, mas é mais ou menos por aí. Então você vai ter 1.300 euros que você vai pagar de imposto 110% em cima desse valor. Então uma arma que custaria 1.000, você vai estar pagando 2.500 euros mais ou menos por ela. Então isso aí é um valor alto. Se você trouxer em mãos, você vai pagar 60% de imposto em cima do que passaram de 500 dólares. E aí tem que fazer as contas. Então, às vezes, compensa você ir para trazer em mãos, sai o mesmo preço que se você tivesse que fazer a importação. E você ainda faz a viagem. Faz um passeio. Munição, a munição de carabina e pistola, de qualidade hoje, tem que ser importada. Hoje você não tem, infelizmente, tem munição no Brasil, dá para usar para treino, mas essa de carabina e pistola você tem que trazer fora, não tem a munição. Agora tem uma fábrica de chumbinho, que está fazendo um chumbinho bom, que pode ser que já esteja dando para utilizar. Mas nós não temos, tem que estar tudo de fora. Já o de tiro ao prato, nós temos uma fábrica no Brasil que já produz uma munição de qualidade para tiro ao prato. Ô, Coronel, da época que você começou no tiro esportivo para hoje, você acha que mudou os conceitos da sociedade em relação ao tiro esportivo? Vamos fazer o seguinte? Vamos fazer mais um rápido intervalo na volta. Você me responde se os conceitos da sociedade estão mudando em relação ao tiro esportivo. E tem muito mais, disputou Jogos Olímpicos em Beijing, disputou Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, Pan-Americano, tem chance de ir pra Tóquio, tem muitos assuntos, a gente vai fazer intervalo rapidinho, não sai daí. Voltamos com o terceiro e último bloco do programa Mais Esportes Em breve vai ter um quarto, viu Coronel Júlio? A gente está com o terceiro bloco, mas em breve vai ser uma hora de programa Mais Esportes Porque eu já estou vendo que vai ficar pergunta aqui sem resposta Mas eu terminei o segundo bloco com uma pergunta Da época que você começou, em 1985 para hoje, você acha que os conceitos da sociedade em relação ao tiro esportivo mudaram? Eu acho que em geral não mudaram. Nós tivemos um problema recente de uma campanha massiva de governos anteriores buscando um desarmamento forçado da população. Houve um plebiscito que foi contra esse desarmamento e ele acabou sendo imposto, apesar do plebiscito ser contra. Isso, quer dizer, não houve, quando o Congresso começou a fazer as leis, não houve uma diferenciação do atleta de tiro esportivo para o portador de arma normal. Isso foi um problema. Então, de 2005 para cá, 2002, 2005 para cá, houve realmente uma burocratização maior do processo de você ter o equipamento. E acabou que muita gente até parou de competir. Nós temos a esperança que essas coisas mudem agora e mais gente volte a praxar o tiro, Porque eu acho que a sociedade em geral gosta Claro que existe uma preocupação nossa Da confederação Em você mudar, por exemplo, o nome Então antigamente o atleta de tiro esportivo A gente chamava que era o atirador Hoje a gente está procurando não usar mais esse termo Porque às vezes a pessoa confunde o termo do atirador Com o atirador Um cara que faz um crime na escola Ou sai matando gente por aí Não é bem o caso Então você tem hoje a preocupação de dizer Nós somos atletas de tiro esportivo Então, somos praticantes de um esporte, um esporte não é violento. Você não vê, raramente você vai ver alguém machucado no tiro esportivo. E quando o cara se machucou é por imprudência. Porque não é como, por exemplo, o futebol, ou esporte de luta mais ainda, que você sempre tem alguém ferido, alguém machucado, alguém indisposto. No tiro isso não acontece. Pode se machucar por lesão de esforço repetido, né? Mas não lesões graves. Salvo por uma imprudência muito grande, que raramente acontece, eu particularmente nunca vi pessoalmente acontecer. Então assim, mas a sociedade em geral eu acho que recebe bem Quer dizer, se a mídia nos ajudar, vai ser mais fácil divulgar o esporte O coronel, no início do programa, eu tentei atirar, não consegui, não foi muito bem Você também atirou e eu vi que você estava com uma viseira, com um óculos, não sei se é esse o nome Qual que era o vestimento oficial? Então, eu na verdade não sou obrigado a usar o óculos de tiro, nem a viseira Eu sou obrigado a usar alguma coisa para proteger os ouvidos, isso é obrigatório. E a arma. Para a pistola, é muito tranquilo, porque você pode atirar com qualquer tênis, eu posso atirar com a bermuda, desde que ela ultrapasse o tamanho dos meus dedos, qualquer short que ultrapasse. E a camisa tem que ser pelo menos uma t-shirt, tem que ser uma camisa normal, não pode atirar de camisa regata. Então praticamente é só isso. Mas normalmente os atletas têm um sapato próprio, que faz com que você tenha uma base melhor e equilíbrio. Um óculos, principalmente nos estandes internos, ele é importante. Além de proteger, nesse caso, algum cartucho, salte, ele também tem a possibilidade de você poder botar uma íris ou botar um graude e uma íris ou um tapa-olho, porque o ideal é que você atire com os dois olhos abertos. E você fazer a mira com os dois olhos abertos é muito difícil. Eu não consigo, minha vista é embaraça. Então, o ideal é que você tenha um tapa-olho que te permita ter uma maior nitidez com o seu olho que vai estar mirando. E a viseira eu tenho usado recentemente, de 10 anos para cá, copiando o que alguns outros atletas renomados estavam fazendo, que ela ajuda a cortar a luz que vem de cima. Então dá menos brilho no óculos e na mira. Nós estamos em um ambiente interno. As competições são sempre assim, em lugar fechado, ou tem prova que é em céu aberto? Não, as provas normalmente, as provas de ar comprimido, carabina de ar e pistola de ar são em ambientes fechados. As provas de prato, obrigatoriamente, todas são em ambientes abertos. E as provas de 25 metros e 50, em geral, são em ambientes abertos. Mas nós temos alguns estandes indoor também. Mas normalmente é em ambiente aberto, mas pode ser indoor também. Por exemplo, hoje é um dia que está ventando bastante. E aí, por exemplo, no atletismo, o atleta do salto em distância, dependendo do vento, Se ele conquista um recorde, não vale por causa do vento. Estava ventando bastante, então essa marca não vale. Quando venta bastante no tiro esportivo, tem competição? Tem competição. Se o cara conseguir um recorde com o vento, ele merece um troféu a mais. É diferente, né? Ele merece ainda mais uma... Porque é difícil, cara. Aconteceu uma vez, eu fui competir em Fortaleza, e Fortaleza venta o tempo todo. E aí, o cara que era o responsável pelo stand, já conhecia, e lá você podia escolher o box. Ele pegou um boxe no cantinho Onde tinha um muro que protegia E um outro atleta também viu e correu pra lá Quer dizer, esses dois Praticamente não sofreram influência do vento O restante foi vento e chuva e tomando água na arma E no final da prova Não deu o outro, os dois por trás do canto Foram um resultado muito maior, a prova estava livre, que era 50 metros Eles tiveram um resultado muito superior do demais Porque nós pegamos o vento todo Ou seja, ficou uma lição Chegou na cidade e vê onde está indo a pessoa local Tem que analisar o ambiente Tem que analisar o ambiente, muito bom Qual que é a estrutura que você precisa? Fala, ó, a estrutura ideal para o tiro esportivo é essa O que você precisa ter? Cara, você precisa ter Para o tiro de pistola Você tem que ter a arma No caso da pistola de ar A munição, a arma, a munição E acho que um óculos adequado E um abafador Um protetor de ouvidos Essa é a estrutura básica que você precisa ter Um stand Agora, o stand, se você vai tirar o ar comprimido, ele é mais simples Para uma competição, ele tem que ter um transportador de alvos Se você for treinar em casa, você não precisa nem ter o transportador Você mesmo vai andando lá na frente e troca os alvos para treinamento Para competição, é necessário que você tenha um transportador Num stand de 25 metros, em geral, você precisa ter um mecanismo que abre e fecha Uma silhueta Porque todas as provas você tem A standard, por exemplo, você tem três etapas Você precisa abrir e fechar O duelo do fogo central, você precisa também O tiro rápido, obviamente, tem que abrir e fechar também. Então você precisa ter esse transportador. Você tem 1,80m e 49 anos? Confere isso? Confere. Quase 50. Mês que vem, 50. Altura, peso, isso interfere no tiro esportivo? Quem é mais alto tem vantagem? Quem é mais magro? Como é que funciona? Eu acho que não. Eu conheço tanta gente alta e baixa, com perfis físicos diferentes. Eu acho que, pelo menos, isso é uma coisa legal do nosso esporte. Ele é universal. Qualquer pessoa consegue praticar. Eu acho que tem outras qualidades que são mais importantes do que tamanho, peso. Às vezes o pessoal do COBE tinha dificuldade de entender quando eu falava que a parte física não é o mais importante. Eu destino, claro que é bom você fazer atividade física, é importante você fazer, mas eu dou assim 5% de valor à atividade física em relação ao meu resultado final. E eu mostro isso porque teve uma época que eu estava doente, mal e estava tirando bem. Eu já tirei de estar gripado, passando mal e fazer provas maravilhosas mesmo assim. E às vezes você está 100% fisicamente super bem e o resultado não sai. Então, é claro que é importante você fazer uma atividade aeróbica, é importante você ter um reforço muscular para você não se machucar com o volume de treino, mas a parte física é um percentual pequeno da importância do que você tem que fazer aqui. Você disputou dois Jogos Olímpicos, Rio de Janeiro e Beijing, na China. É o ápice de qualquer atleta? Ah, chegar nos Jogos Olímpicos é muito importante, é muito legal. É o mais difícil chegar. Ganhar também é muito difícil, mas chegar já é muito complicado. A seletiva no Mundial é muito forte, é muito complicada. Era um objetivo que você tinha, seria uma frustração muito grande se nunca tivesse disputado os Jogos Olímpicos? Cara, você sabe que quando eu fui para a primeira Olimpíada, eu não tinha essa preocupação? Em 2007, eu fui para o PAN, porque antes, na década de 90, eu focava nas provas não olímpicas. Então, o meu foco era ir para os Jogos Pan-Americanos. Quando tiraram a prova dos Jogos para o americano, eu falei, pô, tem que fazer outra coisa para poder voltar para o PAN. E a Olimpíada nunca foi uma meta final para mim. Eu tinha muito mais foco nas competições militares. Isso começou a mudar em 2004. Em 2003 eu não fui para o PAN. Eu tinha parado, eu tinha me afastado da confederação um período, fiquei três anos afastado. E eu falei, pô, talvez se eu tivesse treinado um pouquinho, talvez eu tivesse conseguido pegar essa vaga para o PAN em 2003. E eu falei, pô, em 2004 eu consegui mudar a organização que eu trabalhava, que era difícil naquela organização especificamente eu treinar. Voltei para a academia da Força Aérea, e lá é fácil, porque o stand está ali, próximo, é fácil treinar. Então eu voltei para ter condições de treinar e comecei a focar para ir para o PAN. E comecei a focar no tiro rápido. Quando eu teve a seletiva, eu não me classifiquei para o tiro rápido, eu fui o terceiro. E acabei entrando na pistola de ar. Eu falei, bom, agora meu foco é todo pistola de ar. E aí eu foquei, comecei a pensar mais nessa prova, o que era importante, Fiz alguns ajustes nos meus treinamentos Para que eu pudesse melhorar o meu rendimento E subir a pontuação que eu tinha E deu certo Quando chegou no PAN eu acabei em segundo lugar E aí de repente a vaga caiu na minha mão Porque o primeiro já tinha a vaga E quando eu vim para o Tono Olimpíada Mas não era uma meta que eu tinha definida antes não Eu estava indo para ganhar aquela prova do PAN E aí quando eu vim para o Tono Olimpíada Aí é uma alegria, sem tamanho Mas não era o meu objetivo específico nesse momento não Agora, Coronel Júlio Hora de mais um quadro no programa Mais Esportes O que ninguém sabe E aí, Coronel, uma história, uma curiosidade Pra alguém que está nos assistindo Uma coisa que ninguém sabe que você guardou Só para o programa Mais Esportes É difícil, assim, porque Eu acho que, eu não tenho muitos segredos, cara Na minha vida foram poucos segredos, assim Da parte do tiro do esporte em si Eu acho que nunca teve, porque Eu sempre compartilhei, até treinamentos, até essas coisas, eu sempre compartilhei muito O que talvez seja uma novidade, eu estou pensando muito O que eu vou fazer é que eu estou pensando em a partir de 2021 já não ficar mais tão focado na competição Eu estou pensando em fazer mais por lazer do que por treinamento Eu estou pensando seriamente em virar treinador Mas ainda está assim, 95% formada a ideia na minha cabeça Ou seja, a vida de atleta então, você já está começando a deixar de lado? É, porque a vista já está começando a atrapalhar, o corpo já começa a doer, depois de chegar nos 50, então já estou começando a pensar em começar a focar o que eu vou fazer depois. Mas quer continuar no esporte? Provavelmente sim, minha vida foi toda no esporte, devo continuar ou como treinador ou como dirigente, estou planejando ainda, mas eu estou com a ideia mais forte por enquanto de de repente investir para virar treinador. Você chegou a ter um contato com o Felipe Vu, treinava com ele, tem alguma experiência? Cara, eu conheço o Filipe Vu desde que ele tinha 14 anos de idade. Ele, na época, eu estava servindo na academia como oficial e ele ia novinho lá para participar das competições. E depois, claro, nós fomos da mesma equipe juntos, tivemos na Olimpíada juntos, tivemos em pães, jogos sul-americanos, treinamos bastante juntos. Existe rivalidade entre os atletas ou entre países? Cara, existe, claro que existe. Hoje eu acho que dentro da pistola existe uma rivalidade entre eu, Vu, entre Filipe Chateaubriand, que está aí agora. Isso não quer dizer que nós somos inimigos Não somos Adversários na prova Fora da prova, acho que tá todo mundo se dando bem Eu já vi casos de confusões assim Mas em geral, em geral não A pessoa vai pra competição Eu não vi ninguém muito desleal não Tem poucas histórias de deslealdade que eu conheço Tem a malandragem Porque todo esporte tem, né? A catimba de um lado, malandragem do outro No tiro esportivo tem isso? Alguém começar a falar alto, incomodar Ficar atrás, fazer alguma coisa que não pode não é normal, não é comum eu sei do caso de uma atleta uma vez que ela cortou as cordinhas do alvo pra ganhar os 15 minutos porque ia estourar o tempo e não ia conseguir dar um tiro eu não tava na prova de contar a história mas eu ouvi dizer que houve esse caso aí mas não é muito comum eu já vi o caso de um cara também que quando acabou os alvos ele começou a passar o chumbinho dentro dos alvos pra ver se aumentava o tamanho pra ganhar uns tiros de linha mas não é muito comum com alvo eletrônico não tem como você atirou e acabou a prova nos alvos convencionalmente você devolve o alvo logo depois, as vezes você até folheia um pouquinho pra ter noção de quando você fez devolve os alvos em geral, muito pouca malandragem assim não tenho visto muito não Coronel, queria agradecer muito a oportunidade que você nos deu de falar mais sobre o tiro esportivo, agradeço imensamente essa aula que você nos deu e até uma próxima oportunidade eu que agradeço a oportunidade de estar aqui poder falar um pouquinho do meu esporte. Tá certo. Programar Mais Esportes fica por aqui, prometendo voltar na próxima segunda-feira, sempre às onze e meia da manhã. Até lá!
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