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Olá, o programa Mais Esportes entrevista hoje o campeão de florete da primeira Copa do Brasil. É também o campeão brasileiro em 2013, 2015, 2017 e 2018. Tem mais de 50 medalhas no currículo. Lenilson Tavares de Oliveira, tem uma história belíssima que deve ser contada, muito obrigado por você ter aceito o convite para essa entrevista, vou me sentar aqui ao seu lado que a gente vai falar muito sobre a modalidade que não é muito divulgada e também sobre a sua carreira. Esgrima de cadeira de rodas, na modalidade é dom ou é muito treinamento? Acho que um pouco de cada coisa Porque na verdade Meu conhecimento A esgrima em cadeira de rodas Nem existia, nem era meu conhecimento Eu sabia só do convencional Eu vim a ter conhecimento da esgrima em cadeira de rodas Só após o meu acidente Quando tive a amputação da perna e tal Aí eu vim a conhecer o esporte E eu vejo uma parte Tipo que É assim, tem que haver dedicação Porque não adianta você só vir Na academia por vir Porque como é que tem a dom? Se você não tiver dedicação da sua parte, você não vai conseguir atingir o seu objetivo. E já já a gente vai falar muito sobre esse seu acidente. Antes do acidente, você sempre foi um esportista na sua adolescência? Você tinha o desejo de ser profissional? Tinha algum esporte que você praticava ou era só hobby? Não, sim, sempre tive. Eu faço esporte desde meus 12 anos de idade. Sempre fiz luta, sempre fiz esporte E acho que como toda pessoa, sempre quis fazer parte de uma seleção brasileira E graças a Deus, aqui no esporte, mesmo após o acidente, fui conseguir atingir esse objetivo Você não se tornou nenhum esportista antes do acidente Em 1996 você entrou na polícia militar, como é que foi esse período? Isso, em 1996 eu entrei na polícia, aí fiquei até 2009 Aí, quando eu soube o acidente, aí após essa data que eu conheci a esgrima, né? Aí eu entrei na esgrima realmente em 2010, que eu comecei realmente a treinar firme. Então, na sua vida, você praticava luta, praticava outros esportes, em 96 entrou na polícia militar, 2009, o que que aconteceu? Em 2009, eu trabalhava na polícia, assim que eu saí do serviço, eu fui me deslocar para Serra Negra, onde minha mãe mora. E como eu estava trabalhando direto, porque eu tinha a intenção de ir embora para São Paulo, trabalhando em São Paulo. Nesse deslocamento de moto, eu acabei, acho que dormindo, tendo um mau subo, não sei, na moto, que eu acabei apagando e acabei colidindo contra um ônibus, no sentido contrário. E devido a esse acidente, eu fiquei quatro dias internado no hospital em Amparo, depois fui transferido para o hospital em São Paulo, que é o hospital da polícia mesmo. E nessa transferência, falaram que não tinha o que fazer com a minha perna, porque devido ao prazo, minha perna nem cruzou. Aí teve que se afeitar a amputação da perna. No momento que você teve a consciência Que você estava perdendo a sua perna esquerda O sentimento que vem é de pessimismo De perder todos os meus sonhos da polícia militar Ou naturalmente você falou Bom, eu estou vivo, tenho uma vida pela frente Vou fazer outra coisa Na verdade foram as duas coisas Foi assim, de imediato Eu sempre tive um sonho de trabalhar na polícia Então eu trabalhei na polícia praticamente por 15 anos E quando eu estava no hospital, foi após a amputação Eu lembro que eu ficava na janela E eu ficava olhando os atores de rota passando Os atores de tática passando E eu estava na frente da tática aqui em Campinas E eu via os atores E isso fez com que eu perdesse mais ou menos lá Quase 20 quilos Porque eu não comia, não dormia A única coisa que eu fazia é chorar Porque eu olhava para baixo e falava assim Eu nunca mais vou fazer parte daquele evento Que é uma coisa que eu gostava demais E a outra parte é exatamente isso Você fala, o que eu vou fazer da minha vida? Porque você acha que você não vai servir pra mais nada A verdade é bem essa Mas aí você começa a ver que Eu bati, foi um dia, foi exatamente assim Eu tava saindo da minha cama E fui até um corredor do hospital, lá em São Paulo E eu tava de muleta E reclamando pra caramba da vida Pô, tanta gente fazendo maldade Por que comigo, né? Até que nesse momento eu vi um rapaz Vindo de maca, sem as pernas Eu falei, pô, tá mal, né? Eu pedi uma parte da minha perna Depois eu vi os seus braços Aí eu vi um moto policial que estava inteirinho na maca Não tinha lesão nenhuma Só que ele só mexia os olhos Porque ele levou um tiro na nuca E ele perdeu todo o movimento do corpo Aí nesse momento Foi que eu olhei e agradeci a Deus Perdoa, eu estava reclamando Eu bati de moto contra o ônibus, no sentido contrário E eu só perdi uma parte da minha perna Então nesse momento foi que eu agradeci Por estar vivo E aí você começou uma volta por cima Você teve ajuda psicológica a ajuda da sua família? Como é que foi esse período? Não, a ajuda da minha família eu sempre tive. Psicológica eu não tive, né? Eu me lembro até que uma psicóloga, que era da polícia, eu tenho encontrado com ela uma vez, ela perguntou pra mim assim, Lenilson, já passou alguma besteira por sua cabeça? Aí eu falei assim, como, doutora? Ela falou assim, alguma besteira, e não entrou em detalhes. Aí eu falei assim, você tá falando tipo, eu pegar minha arma e fazer uma besteira contra a minha vida? Ela falou assim, olhou pra minha cara e não respondeu eu falei assim, já? a hora que eu falei já, ela olhou pra minha cara assim tipo, que ela não esperava aquela resposta minha aí ela falou assim, mas isso ia resolver o meu problema? eu falei não, se eu faço isso o que acontece? eu ia transferir o meu problema pra minha mãe, pras minhas filhas e o problema é meu, então eu tenho que resolvê-lo aí eu lembro que ela me abraçou, conversou e tal eu até conversei com vários policiais depois disso Então a situação não aconteceu E é até legal que esse tipo Muita gente acontece um acidente Acontece uma situação desagradável E a pessoa se desmotiva Não vou fazer mais nada da vida porque eu estou mal Então a gente tem que agradecer Porque a gente está mal naquele momento Vai mudar sim algumas coisas na vida Algumas coisas que vai poder fazer mais ou menos Mas sua vida está aí Então tem que ser vivida, tem que ser aproveitada Dá para se adaptar em qualquer situação Exatamente, dá para você voltar a viver com formas diferentes, locais diferentes mas até hoje, por exemplo eu estaria na polícia até hoje, se tivesse havido um acidente mas não teria conhecido o mundo como eu conheci depois da esgrima e já já você vai contar aí a volta ao mundo, que eu sei que você já foi até pra Hong Kong já foi pra outros continentes então já já você vai contar quais países você conhece através da esgrima em cadeira de rodas o rugby em cadeira de rodas tem alguma participação na sua vida no seu reinício esportivo não o rugby é só pra quem ficou na situação de tetra então é pra ser só tetra eu poderia fazer parte do handball que é pra deficiência também ou aqui na unicamp nós temos o rugby o handball e esgrima então do rugby é só pra tetra eu podia fazer de hand só que um dia eu vim pra conversar com um amigo que era policial militar também era um oficial e ele ficou tetraplégico e ele faz parte do rugby, e eu vim pra conversar com ele, nem sabia da Esgrima na verdade, aí eu tava conversando com ele e de repente o técnico da Esgrima na época, o Luizinho, veio conversar comigo, me ofereceu e tal, eu falei que não, que eu não queria conversar com meu amigo e tal, mas eu acabei não treinar com eles, e gostei, aí fomos fazer um treinamento fora, fomos fazer a primeira competição em Porto Alegre, fizemos, aí, falando bem claro assim, perdi 15x0 em uma arma, 15x1 na outra arma, eu falei assim, nossa, aí ele até Até falou pra mim assim brincando, viu só, fica tranquilo, é assim mesmo, é assim mesmo, agora eu vou treinar. Então foi naquele momento que eu comecei realmente a treinar de verdade e falar assim, vou recuperar esses pontos. Então foi através do Luizinho, o professor, que te convenceu e você começou a treinar na modalidade. Sim, na época sim. E rotina de treinamento daquela época pra hoje, mudou muito? Os dias Reduziram Porque aqui, por ser espaço da Unicamp Então tem muitas áreas Para serem aplicadas aqui dentro, então a gente não pode Ocupar tantos espaços Antigamente tinha época que a gente treinava quase todos os dias Depois reduziram os dias Hoje nós treinamos segunda e quarta-feira Mas o treino nosso é bem puxado Bem praticado, então dá para a gente Recuperar aqueles dias que a gente não treinava Que foram retirados anteriores Lenilson, agora não sou eu quem vai te fazer uma pergunta Quem está nos assistindo tem essa oportunidade Porque aqui o povo fala Eu gostaria de saber o porquê que quando eles estão em luta Eles usam um cabo travando o avanço deles Eu não entendo o porquê que tem aquele cabo lá E aí Lenilson, na esgrima em cadeira de rodas Também tem uma corda que segura o atleta? Sim, na convencional eles usam uma enroladeira que é retrátil Por isso que o rapaz desloca e volta e não enrola aquele fio Vai para frente, vai para trás e a corda vai acompanhando Sim, por ser retrátil Nós treinamos com esse material Que na verdade, esse aqui é passado no nosso corpo Ele é saído da luva e é preso na arma Ele é fixado aqui no cantinho da arma E essa outra parte é presa aqui Nessa partinha aqui Essa parte, ela é fixada no placar Correto Ou seja, então conforme você faz um toque na arma Deixa eu até mostrar pra vocês Quando você faz um toque nessa arma, tipo no floreto Na espada, faz uma pressão aqui Conforme fez essa pressão Ele manda um sinal que passa Pelo seu fio, passa por esse fio Que vai estar preso e acende uma luz no placar Onde marca o ponto e automaticamente O juiz ele para E ele marca o ponto pra quem foi, ou se foi em área não válida Ele vai parar também o movimento, vai dar área não válida E vai reiniciar o jogo novamente Para quem está em casa, não conhece muito a modalidade Você já explicou o que é o ponto Tem a ponta aí, a hora que bate no colete do adversário Por causa do fio, sai no placar o ponto ganho Como é que você tem um vencedor na esgrima? Então, na verdade a competição da esgrima funciona assim Todos jogam, todos jogam Numa situação chamada pule Essa pule é até cinco pontos é pra ver quem é o melhor classificado, o pior classificado e depois de todos esses jogos das pulleys aí começam as eliminatórias a eliminatória é até 15 pontos eliminatória não tem tipo igual algumas competições que você faz, tem repescagem eliminatória, perdeu levou 15 pontos, terminado, pode tirar a roupa e pôr o seu quarto então, lá é assim e vai fechando o quadro e como que eles fazem? O melhor classificado na pulley ele pega o pior classificado e assim vai, então vai fechando na verdade, no jeito que eles fazem eles fazem com que o primeiro pegue o segundo melhor classificado, para que seja uma final bem disputada Entendi, e quantos atletas tem mais ou menos em uma competição? Aqui no Brasil em modalidade nacional, na minha por exemplo nós temos tipo 15 atletas, 18 atletas, não passa muito mais que isso em competições internacionais, já tem competição que eu fui, que tinha mais de 120 atletas. Caramba! Você tem ideia? No Brasil, todos participam da pule e todos participam da eliminatória depois. Lá fora, só os que classificam na pule que vai pra eliminatória. Ou seja, então, mais da metade já cai na pule. Todo mundo fica ansioso olhando pra tela, ver se foi classificado ou não. E na competição, essa cadeira de rodas suas, ela é diferente da convencional e você fica preso, não tem nenhuma mobilidade? Não, exato. As cadeiras estão fixadas para não ter problema de sair. Então tem a presa da frente e as rodas, para nem virar para lá, nem para trás e não ir para os lados. E aqui na lateral dela, tem um ferro que é ligado no outro fixador. Que é onde aproxima as cadeiras ou afasta as cadeiras. Porque, por exemplo, a empregadura sua é maior que a minha. Se ficarmos na mesma distância sempre, você tem vantagem. Porque você é bem maior que eu. então seja, isso faz com que aproxime, então é feito na minha medida do braço menor, por que do braço menor? porque eu consigo chegar em você porque se não, o braço maior está na sua medida, você vai lá para trás por mais que eu consiga ir eu não vou chegar até você, e você vai me tocar então para ter um equilíbrio é feito sempre pelo braço menor, mas nada impede que eu com o menor braço faça o que eu quero jogar na distância dele, pode só que é risco seu uma questão de tática então aí você pode pensar em fazer isso aí, mas A responsabilidade é só sua Já já a gente vai falar mais sobre as estratégias Mais sobre as competições As suas andanças aí pelo mundo Mas agora, Lenilson, é hora da pergunta polêmica Lenilson, na mídia tradicional Nas grandes corporações A gente assiste muitos torneios De futebol, de vôlei, de basquete Mas a gente não assiste muitos esportes paralímpicos Principalmente a esgrima em cadeira de rodas Por que você acha que isso acontece? Vamos fazer o seguinte A gente vai para um rápido intervalo Na volta você vai me responder Por que a gente não vê esporte paralímpico Na televisão aberta Mesmo na TV fechada, nas grandes emissoras Nas mídias Essa é a resposta do Lenilson E muito mais sobre esgrima em cadeira de rodas Mais de 50 medalhas Já viajou muito Ainda tem o quadro que ninguém sabe Ele vai contar uma história aqui para a gente que ele não contou para ninguém, reservou aqui para o programa Mais Esportes. Não sai daí que o intervalo é rapidinho. Voltamos com o segundo bloco do programa Mais Esportes. Hoje eu estou entrevistando o Lenilson Tavares de Oliveira, multicampeão na esgrima em cadeira de rodas, Campeão brasileiro inúmeras vezes da Copa do Brasil Já já a gente vai falar sobre os títulos, sobre as viagens para fora do Brasil Mas não pense que eu esqueci não, terminei o primeiro bloco com uma pergunta Você liga a TV aberta, a TV fechada, é futebol, vôlei, basquete, atletismo Mas esporte paralímpico, ainda mais, a esgrima em cadeira de rodas, a gente não assiste Por quê? Então, infelizmente, é uma modalidade que é pouca divulgada mesmo. Mesmo na convencional, não é tão divulgada, mas ela aparece mais. Infelizmente, se puxarmos aí, não precisamos nem ir muito longe. 2016 teve o campeonato mundial, agora é o Jogos Olímpicos em Rio de Janeiro. Se pegarmos a pontuação de ranking, de classificação de medalhas que teve o convencional, Não chega nem perto do que teve o Paralimpo Só que infelizmente eles não investem no Paralimpo Eles investem no convencional porque Eu não sei de qual forma, acho que aparece mais a marca deles A imagem deles Então eles não investem muito na gente E mesmo na esgrima Acho que hoje, atualmente que está começando a aparecer Porque não é uma coisa brasileira Tipo, futebol Qualquer lugar o pessoal joga futebol Então o pessoal já cresce jogando bola Ganha uma bola Vamos por lá fora, vamos dizer assim um exemplo Tipo, você vai na França, o cara nasceu Não vai jogar bola Ele ganha uma espada, ganha um florete Pra fazer o treino, aqui não Então quem conhece aqui é porque Ou alguém da família já fez Ou tipo, infelizmente aconteceu algum acidente A pessoa acabou caindo na mão da galera Foi o meu caso Não faz parte da nossa cultura então Ele é um esporte caro? É um esporte caro É um esporte caro e o problema é falta de apoio. Então, para manter todo o material é complicado. E no campeonato nacional você pode usar tanto o material nacional, a roupa nacional, as armas nacionais. No campeonato nacional não pode, porque eles falam que não é padrão, não é padrão FI, então os caras cobram muita coisa. Você pode falar dos custos para a gente ter uma ideia? Claro. Se vocês pegarem, por exemplo, um florete, vamos assim, um florete nacional, se aqui é internacional, é da FII, FII All Star, é o que eles cobram lá fora. Uma arma dessa, nacional, você compra ela por uns 300 reais, mais ou menos. Só que o que ocorre com ela? Com o tempo, a lâmina dela começa a ficar preta. Então ela enferruja, então tem que comprar uma pedra para ficar limpando, lixa para limpar. As internacionais da All Star Ela não fica preta E ela dura mais tempo Só que também você vai pagar mil reais Pra você competir fora do Brasil Tem que ser a internacional Então mil reais Isso o florete, espada é um pouco mais caro Aí se você parar Um pouco pra ver Uma máscara Também tem que ser a All Star Porque eles falam que a pressão Que ela suporta é maior do que a nacional Uma máscara dessas são uns mil e quinhentos reais Um jubeto, essa roupa completa que eu estou Completa não, minto Calça, essa jaqueta E um colete que usamos por dentro Dá mais ou menos Quase quatro mil reais Esse colete é o de florete Só o colete Está hoje uns setecentos, oitentos reais Então, ou seja Luva, é uma só que vende Só luva, uma luva Então, ou seja, uma luva dessa Uns duzentos reais Cadeira Essa cadeira é oficial Você vai comprar mais ou menos por uns 4 mil Nossa, mais de 10 mil reais Então é mais de 10 mil reais Só para você ter o material adequado Sem dizer que Qualquer competição que você for Você tem que ter uma reserva Do jeito que eu estou aqui Com um florete e uma espada Se eu for campeonato internacional Eu não posso participar Eu tenho que ter uma reserva Se não tiver duas A sua de competição é uma reserva Você não pode lutar Você não é de pista Então isso é complicado Então, por mais que você esteja bem ranqueado, melhor no Brasil, uma coisa e tal, às vezes você não tem o apoio necessário para que você consiga suprir todas as necessidades. As competições que você disputa, a premiação é em dinheiro? Não, é em medalhas, é como estão as medalhas ali, somente em medalhas mesmo. Atualmente agora que mudou, mudou a gestão, então parece que nos brasileiros vai virar algum valor agora, Mas somente nos brasileiros As demais competições, apenas medalha Como é que é o calendário da Esgrima em Cadeira de Rodas? Tem competição todo fim de semana? É mensal? É semestral? Então, na Esgrima em Cadeira de Rodas Nós temos três competições Antigamente era chamado Primeira Copa do Brasil Segunda Copa Brasil e Brasileiro Agora mudou a gestão, então agora está Primeira etapa do Circuito Nacional de Esgrima em Cadeira de Rodas E segunda etapa De Esgrima em Cadeira de Rodas e Circuito Nacional também E no final do ano, em dezembro, temos o brasileiro. Em um ano são apenas três competições? Três competições. É muito pouco, não é? É pouco. E o convencional, se eu não me lembro exatamente, mas são cinco competições. Então, mesmo aí você já vê que eles dão mais crédito para o convencional que para a cadeira de roda. Qual que é a diferença do florete para a espada? Você compete nas duas? Sim. Qual que é a diferença? O florete, deixa eu ver, é uma arma, ela é mais leve. E a diferença dela é o seguinte Onde você faz a pressão Ela é meio quilo Pra fazer o ponto na pessoa Então não é apenas encostar na pessoa Tem que encostar e fazer uma pressão Que junta as duas pontas, os dois polos se juntem Pra que venha mandar o sinal Meio quilo A espada Só terminando o negócio do florete, é o seguinte O florete, ele só marca ponto nessa parte de colete Essa parte mais cinza Então se tocar em qualquer lugar, qualquer área que não esteja com o colete. No braço não é ponto. Era não válida. Tá. Só que como acende a luz no placar, o juiz vai entrar e para o combate. Para. Fala o movimento que foi feito. Tipo, área não válida. E reinicia. Dá uma bronca no adversário ou não? Não, não. Não tem. Ele só avisa que foi área não válida. E fala, enguarda prontos e combate. Inicia novamente. Correto. Já na espada é uma arma um pouco mais pesada. E é uma arma que você estuda um pouco mais, porque o florete você tem que buscar a pessoa, porque como só vale no tórax na espada não, na espada se você reparar, o copo ele é muito maior que o do florete sim, por que? o do florete, como só vale no tórax, então a pessoa tem que buscar lá, a espada é maior, por que é maior? a gente fala que a espada, ela é uma extensão do braço por que? em qualquer lugar que for tocado, daqui pra cá e daqui até aqui é ponto, inclusive na máscara então, ou seja se a pessoa vier, você vai fazer uma defesa, você erga um pouquinho o cara tocando na sua mão já é ponto então, ou seja, é uma arma que a pessoa está ali até se você ver a competição, o florete, a pessoa joga com a arma para cima a espada, a pessoa fica com a arma para baixo porque fica mirando na mão da pessoa qualquer movimento que ele fizer ele vai tocar na mão da pessoa porque é o lugar que não é mais ponto, ele não precisa vir buscar no tórax entendeu? Então volta aquela situação que eu te falei Da pessoa escolher a distância Se o braço menor ou maior Porque, por exemplo, a pessoa é pequena Mas a mão dele vai vir ter que vir em mim Eu toco a mão Mas é muito da técnica da pessoa E nessa questão de técnica, de estratégia Tem ser mais defensivo, mais ofensivo Ou de qualquer jeito é que nem vôlei Você é obrigado a atacar Tem a história de ficar esperando? É assim Cada competição, cada atleta Você joga de um jeito Você não tem como você falar assim Eu só vou atacar Porque tem atletas Que ele fala assim, ah o cara gosta de atacar Então eu vou esperar ele atacar e vai fazer o contra-ataque Então ou seja, vai ter situações que você Vai ter que ir buscar o ponto Você vai ter que ir para cima da pessoa, você fazer o ataque Só que é o seguinte, você fez um ataque e levou um ponto Fez um ataque e levou um ponto Você vai fazer o terceiro? Não Então você vai esperar a pessoa vir Para você tentar rever o teu ponto Porque se você vai levar um ponto Vai levar outro ponto A pessoa já sabe qual que é a sua fraqueza Então pra que você vai dar mais pontos pra pessoa, entendeu? Então você é obrigado a mudar a sua tática Então cada situação, cada combate Você tem que usar, ver o que tá acontecendo E mudar a sua estratégia Ele é um esporte, não sei se violento Mas machuca quando faz o ponto? Responde a verdade, hein Lenilson Machucar Ele chega a marcar Deixa um roxo no braço Fica uns roxinhos no braço Eu já vi a Raíssa ali, ela tá aqui com a gente Ela mostrou, viu? Ela tá com o braço roxo Chega a ficar uns roxos Não é intencional, mas acaba acontecendo sim Não vou dizer que não seja todo mundo Que não seja intencional, porque infelizmente Em todo local Temos profissionais e profissionais, é igual no esporte Temos atletas e atletas Tem pessoas maldosas? Tem, tem gente que Quer marcar ponto Não quer saber se vai te machucar ou não, entendeu? Mas uma força excessiva E é o que eu falei, no florete A pressão dele é meio quilo Na espada, a pressão é 750 gramas. Tem que fazer uma pressão? Tem. Mas não precisa machucar demais a pessoa para fazer essa pressão. São quantos árbitros em uma competição de esgrima? É um árbitro, na verdade, que é o que dá o comando. Só que, o que ocorre, vou mostrar para vocês, funciona assim. Essa parte da cadeira é onde você segura, para você fazer um movimento e você não cair. O que acontece Você pode levantar um dos lados Certo? Você pode fazer para cá ou para lá O que você não pode fazer é elevar da cadeira Tá Então o que acontece Às vezes você vai e você levanta E o outro atleta viu que está levantando E ele está sendo prejudicado Então o que ele pede é um árbitro De apoio, auxiliar Então fica um árbitro daquele lado e um árbitro desse lado Para acompanhar se você não está Elevando a cadeira Se você levantar, aí o árbitro está vivo, mostra para o árbitro de centro, que é o principal, para ele estar levantando, você vai levar um cartão amarelo. E na esgrima funciona assim, um cartão amarelo, um cartão amarelo, somente. Levantou de novo, cartão vermelho. Automaticamente, daí em diante, todo cartão que você levar é vermelho e automaticamente é ponto para o adversário. Entendi. E tem VAR também na esgrima, que está uma polêmica no futebol. Tem como voltar o lance e rever na esgrima ou não tem? Tem, tem sim. Até em campeonatos nacionais Até que está tendo às vezes nas finais Nos demais não Nas finais às vezes tem Internacional quase todos tem Tem até até que você pede tela Aí o árbitro vai lá e vê Como o movimento quem fez, como foi e tal E pode alterar o ponto Como pode fazer aí A tecnologia chegou antes então Lenilson, restando apenas dois minutos Ainda queria fazer um monte de perguntas Mas quais países você conhece através da esgrima e cadeira de rodas? Bom, eu fui para a seleção em 2014. O primeiro país que eu fui foi o Canadá. Depois fui ao Canadá, fui à Hungria, fui à Polônia, fui na Itália várias vezes. E o mais longo que eu fui, o mais longe, foi Hong Kong. Hong Kong foi o mais longe mesmo. Você cansa na viagem, você cansa lá. É a comida diferente, mas é uma cultura muito diferente. Antes de encerrar, Lenilson, eu quero saber agora o que ninguém sabe Para a gente poder encerrar o programa então, Lenilson Quero que você conte uma história para quem está nos assistindo O que ninguém sabe? O que ninguém sabe? Bom, eu entrei na polícia em 96 Eu me aposentei em 2009 Na verdade eu nunca pensei Eu sempre fiz esporte Mas como eu falei após o seu presidente Eu achei que eu nunca mais ia fazer esporte Era uma coisa que eu tinha comigo Não tem porque eu fazer esporte, não tem porque eu treinar Sendo que eu não vou Desenvolver nada Não vou fazer mais nada Então é uma coisa que eu falo assim Que me magoou demais Eu fiquei chateado demais Então eu ficava triste demais, chorava demais Mas hoje graças a Deus graças a todos os acontecidos eu consegui desenvolver demais, crescer bastante conquistar bastante e conquistar o meu espaço então as vezes eu vejo assim as pessoas falam assim, pô, não tem o que fazer você já está assim tipo, todo arrebentado, faltando parte e as vezes não é as vezes a gente passa que graças a Deus aconteceu isso eu deixei de fazer uma coisa que eu gostava demais que era a Polícia Militar eu gostava demais de ajudar o próximo Era uma satisfação pra mim A gente fala assim, mas vai ficar tanto tempo numa delegacia É uma coisa que eu gostava de fazer O bem pro próximo, entendeu? Mas infelizmente, aconteceu E hoje eu posso falar que Eu consigo fazer esse bem pra mim Na verdade Ir no Hospital do País, representar meu mundo Ali fora, representar o país ali fora E adoro representar a minha equipe, né? Eu fico feliz quando eu consigo conquistar o meu espaço E vejo toda a minha equipe Feliz, contente e tal É uma satisfação pra mim muito grande, sabe? Tipo que eu achei que eu nunca mais ia ter. Mas saiba que você continua ajudando muitas pessoas com a sua história de vida, com a sua superação e com essa mensagem que você passou. Então você pode ter certeza que você está se ajudando, está feliz, mas que você continua ajudando muitas pessoas, principalmente quem está nos assistindo. Muito obrigado, viu, Lenício, por essa entrevista e até uma próxima oportunidade. Obrigado. O programa Mais Esportes fica por aqui, prometendo voltar na próxima segunda-feira sempre às 11h30 da manhã até lá