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A programação do dia das mães destas quatro mulheres deve seguir a rotina de todos os dias. Elas estarão juntas. Uma parceria cheia de sentimentos que começou ainda no ventre. Eu sempre fui muito cuidadora com ela, sempre muito cuidava da alimentação, dava bronca, porque o colesterol estava alto. Então assim, foi muito gradativo. É o carinho da gente estar junto com ela. É o meu bebê. É o meu bebê crescido. A Daniela assumiu todos os cuidados com a mãe, a dona parecida de 74 anos, depois que aposentada teve um AVC, um acidente vascular cerebral, em 2014, e passou a ser cadeirante. Passou o lado esquerdo dela, que paralisou. A designer chegou a trabalhar na ótica da família durante muitos anos, Mas por conta da rotina, acabou fechando a loja e começou a fazer home office para ficar com a mãe. A gente sempre foi muito unida, então agora a gente ficou ainda mais unida depois de tudo isso. E agradecer, porque minha mãe já passou por tantas, a gente já quase perdeu ela tantas vezes, que cuidar dela, na verdade eu tenho que agradecer, tenho que ser grata por ela estar aqui e a gente poder cuidar. Sem filhos e marido, a convivência da Daniela com a mãe é ainda mais intensa e até algumas características acabaram trocadas. Hoje em dia a gente briga muito menos, porque ela sempre foi uma andona, agora inverteu. Ela me serve aquele cafezinho quentinho, com pão crocante, muito carinho. Eu agradeço a Deus todos os dias. Eu não tenho anjo melhor que Deus me deu. Faz sete anos que a Ana Maria também cuida integralmente da mãe. Reducina, carinhosamente chamada de Redô pela família, tem 95 anos. Seu quadro de saúde, principalmente psíquico e emocional, se agravou com a perda do marido, o seu Jorge. Após quase 66 anos de união matrimonial De manhã a gente ajuda a tirar ela da cama, dá o banho, dá o café para ela E a rotina dela é assim, senta ela na cadeira e fica com ela, pode conversar, cantar O casamento deu origem a uma família grande A Ana é a terceira filha entre os sete do casal São 17 netos, 14 bisnetos e dois tataranetos Ela cuidou de nós todos com muito amor, com muito carinho, então tudo que a gente fizer por ela, que eu fizer por ela, meus irmãos fizerem, é pouco. É pouco porque ela foi super mãe, super amiga, carinhosa, é muito amiga, é um exemplo de mãe. Eu sempre chamei ela de mamãe, agora ela que me fala, mamãe, cadê a mamãe? O censo demográfico de 2022 apontou que o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em 12 anos. Até 2060, o Brasil pode atingir 19 milhões de pessoas com mais de 80 anos. Acaba rolando uma inversão de papéis entre mãe e filha. Então, se numa época da vida a mãe cuidou bastante da gente, à medida em que a população está envelhecendo e está ficando mesmo com uma longevidade maior, as filhas, por convenção social, acabam assumindo esse papel. Não que os filhos também não façam, mas acaba ficando mais comum com as mulheres. E é claro que isso traz uma série de desafios. Uma coisa que acontece na inversão do papel é a reprodução de padrões disfuncionais de um passado. Então, se a mãe era muito dura, a tendência da filha ser muito dura com a mãe é muito grande. Então, tomar consciência desses padrões, estabelecer limites para aquilo que a pessoa dá conta ou não de fazer, no caso da filha, porque ela acaba tendo uma sobrecarga muito grande, porque ela não é só filha, né? Ela tem que equilibrar vários papéis da vida, mudar a dinâmica familiar, e da parte da mãe entender que essa ajuda é uma forma de amor, porque a mãe também acaba tendo uma resistência a receber essa ajuda e ter essa autonomia cerceada. A psicóloga, especialista em neurociência do comportamento, também chama a atenção para o risco de sobrecarga das mulheres que cuidam. Por isso, pedir ajuda quando se sentir cansada é fundamental. Essa mulher precisa estabelecer limites, priorizar um autocuidado, afinal de contas, como é que ela vai cuidar se ela não se cuida? Quem cuida de quem cuida, não é? Quando tem que dar o medicamento para ela, a água que ela não quer beber, que a gente tem que falar mais duro com ela, dói. A gente sente que dói, mas a gente faz tudo pelo bem dela, não é peso. Isso para mim é o maior prazer de poder fazer para ela. Às vezes o pessoal fala para mim que eu tenho que sair mais, sair. Não, eu prefiro largar de sair, mas ficar do lado dela. Da mesma forma, Sabrina ainda destaca o quanto é importante, quando possível, as mães terem sua autonomia resguardada. É o cuidado e envolvimento da mãe nesse processo, dando para ela autonomia e escolhas, quando é possível. Então, quando a mãe ainda está lúcida e não tem, por exemplo, um Alzheimer envolvido, trazer a mãe nessa tomada de decisão e explicar os porquês dos cuidados. É o caso da dona parecida, animada, adora contar piadas para tirar uma risada da filha e garante, mãe é sempre mãe. Ainda cuido assim um pouquinho, mãe é mãe, né? A gente fica sempre preocupada, vai sair, vai com Deus o juiz. A mãe é o nosso primeiro vínculo, né Ana? Eu acho que ela é a figura de autoridade e de afeto que vem a ensinar pra gente aquilo que é certo, os nossos modelos de relacionamento, a maneira como a gente se expressa e se coloca emocionalmente no mundo, a mãe traz isso. E Redô não foi só a mãe da Ana e dos irmãos, foi a mãe de leite de muitos. Solidariedade que rendeu a ela uma homenagem do movimento negro de Campinas com a medalha Força da Raça. E qual característica assim você destacaria na sua mãe que você segue aí como exemplo para a vida mesmo? É o amor. Primeiro lugar que ela ensinou para a gente, o amor, o respeito, o próximo, então assim, a Deus é o próximo. Muito religiosa, ela ainda lembra de todas as rezas. A doença de Alzheimer levou sua independência, mas não conseguiu apagar a mãe de fé. Pai, sempre Jesus, seja louvado. Amém. Mas emociona de ver o jeito dela fazer, porque a gente vê assim que ela ora, mas assim, coisa do coração, então é um doce. Isso é um presente de Deus para a minha vida, da vida da minha família, dos meus irmãos, dos amigos, isso aqui é um presente de Deus.