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A CIDADE NO BRASIL Quatro horas da tarde em ponto, restando uma hora para o fechamento dos portões. Mas você que ainda não votou precisa correr. É a cobertura especial da TV Câmara Campinas nas eleições. E agora eu tenho dois convidados especiais. Marcel Cheida, professor de jornalismo na PUC Campinas, coordenador do curso de especialização em gestão e produção em jornalismo, possui mestrado em filosofia, fundador e diretor de redação na editoria Multisportes Campinas, Paulo Braga, advogado, vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, terceira subsessão de Campinas, doutorando em direito constitucional, também é professor, então nós estamos muito bem assistidos nessa cobertura das eleições, neste domingo especial. Professor Marcel Scheider, eu começo com o senhor, como é que assistiu esses 45 dias de campanha dos candidatos, das equipes, dos partidos? Seja bem-vindo mais uma vez à TV Câmara Campinas. Obrigado, Gabriel, obrigado aí à Câmara pelo convite a vocês e meus cumprimentos aí aos espectadores da TV Câmara, aos cidadãos que foram votar hoje, que estão votando ainda. Então, eu não sei, o meu olhar como cidadão dessas semanas em que houve a propaganda eleitoral, a disputa eleitoral, é que há um certo equilíbrio dos principais candidatos, dos dois principais candidatos, e essa eleição está afunilando muito para o voto para ambos, diferente de algumas outras eleições em que havia um pouco mais de dispersão dos votos. Estamos numa reta final em que há uma indefinição pelas pesquisas, Se bem que as pesquisas não são algo absoluto em termos de informação, em termos de dados Sempre tem que se fazer um filtro, uma leitura de relativização dos números que são obtidos, que são divulgados E o que é curioso nessa eleição também é que é uma variedade de institutos de pesquisas Dando números os mais diferentes possíveis Porém, se você pegar os principais institutos que em outras campanhas já também tiveram uma atividade ou uma participação mais ativa Nós vamos ver que há um equilíbrio e temos que comparar com o resultado das urnas Não significa que o que nós temos de pesquisa aí vai ser validado pelas urnas de modo absoluto, hipótese alguma E é uma campanha que tem um tom de polarização, mas eu tenho uma certa suspeita do uso desse termo, uma certa dúvida. Porque, geralmente, as campanhas eleitorais e as eleições no Brasil, desde 88, sempre convergiram para dois polos. Sempre convergido para dois polos. Então, o que ocorre nessa eleição, de certo modo, cumpre uma certa tradição nas campanhas eleitorais. é que hoje nós nos deparamos com o ânimo, vamos dizer assim, das redes sociais, que intensificam muito mais o debate e essa campanha, a outra para o presidente da República, já indicou, já teve esse tipo de estratégia, que eu chamo a estratégia do insulto. O que nós vimos nessa campanha foi muito insulto, muito discurso da depreciação do adversário, transformando numa visão ou num modelo de inimigo do que um debate sobre projetos para o país. Isso não é bom. Isso nasce num processo que é pensado por um grupo, por um segmento da política, de desmerecer a política e desmerecer os adversários. E não tem algo para propor, para debater de forma séria. O Brasil tem inúmeros problemas, precisa de projetos, a discussão tem que passar pelo processo político, é inevitável, porém essa estratégia do insulto e do desmerecimento, do menos preso do adversário, não contribui para a gente superar as nossas dificuldades. Olha só quantas informações importantes foram passadas aqui, né, em relação às pesquisas, polarização, ataques, redes sociais, nós vamos abordar ao longo aqui da nossa programação com o Marcel Cheida e também com o Paulo Braga esses assuntos. Paulo, também quero ouvi-lo sobre este mais de um mês de muitos ataques que nós tivemos nas redes, posts excluídos, judicialização, o que pode ser dito, o que não pode, o que é notícia, o que é falso juridicamente, falando qual é o limite entre essa liberdade de expressão do eleitor ou do candidato e uma manifestação que pode configurar propaganda irregular, ataque à honra ou até desinformação durante este processo eleitoral, seja bem-vindo mais uma vez aqui à TV Câmara Campinas. Muito obrigado, Gabriel. Agradeço a você, à TV Câmara, em especial ao nosso presidente, Luiz Rossini. Sempre um prazer participar aqui de temas que são tão relevantes à sociedade e à cidade de Campinas. Nós, uma campanha apertada, em termos de prazo, campanha rápida, mas que nós verificamos que, e esse não é um fenômeno desta campanha eleitoral, mas eu ouso dizer que já de tempos atrás, pelo menos nos últimos quatro anos, nos últimos oito anos talvez, em que se judicializou demais o debate eleitoral. Há uma regra, um princípio do direito eleitoral que é a intervenção mínima do poder judiciário, justamente para assegurar a liberdade do voto, assegurar a liberdade de opinião, o direito de manifestação, a propaganda eleitoral. É uma linha, é um limite muito estreito. Muitas vezes não é fácil você separar o limite da liberdade de expressão, da manifestação de pensamento, de opinião, aquilo que já passa a ser um ilícito eleitoral e, muitas vezes, um ilícito criminal. O debate eleitoral, a proposta eleitoral, ela tem que ser no sentido de oferecimento De uma discussão que não venha ultrapassar aquela barreira da pessoalidade do seu oponente É dizer o seguinte, eu devo fazer a minha proposta, eu devo apresentar o meu plano de trabalho meu plano eleitoral, meu plano de governo, fazer o debate, o debate muitas vezes acalorado, isso não tem problema nenhum, mas ele não pode chegar ao ponto da agressividade pessoal. E nós vivemos um tempo de muita dificuldade por conta das notícias, das informações inverídicas, as famosas fake news, que nos últimos anos ganhou uma proporção alarmante. A justiça eleitoral tem feito, e isso é verdade, um trabalho de conscientização e tem se dedicado, nos seus esforços, a impedir esse tipo de propaganda, esse tipo de notícia, melhor dizendo, que é extremamente nociva ao processo eleitoral, extremamente nocivo à democracia. Não é fácil. Não é fácil você, primeiro, fazer essa separação entre o lícito e o ilícito, que muitas vezes é uma linha bastante próxima, e desta maneira não ficar permitindo que a justiça eleitoral faça tantas intervenções, porque isso atrapalha o debate eleitoral. Mas, de outro lado, é o desafio também de manter a integridade do processo eleitoral, a rigidez da propaganda eleitoral para que as eleições possam transcorrer com o mínimo de transparência, o mínimo de confiabilidade. Cheide, eu quero ouvi-lo também, porque o judiciário ficou em evidência neste período, era Tribunal Superior Eleitoral, Supremo Tribunal Federal, tomaram decisões recentes, o ministro Cássio Marques liberou o Dallagnol, a informação surgiu hoje, ontem não havia, era nulo o voto para ele, aí hoje já está liberado, enfim, mas isso desde o início das campanhas elas utilizaram os tribunais. Como é que o senhor enxergou? Faz parte, é do jogo, foi exagerado, é ruim para a democracia, tem que ter essa interferência porque os partidos muitas vezes acabam aí passando dos limites, como é que o senhor enxergou essas questões e se faz parte da resposta anterior que você falou também, olha, foram muitos ataques, não tem propostas, é do jogo ou não? Bom, primeiro, nós estamos vendo que, ao contrário do que se dissemina pelas redes sociais às vezes, as instituições estão funcionando e estão abertas, estão de certo modo transparentes no que fazem. Eu acho que isso é um ponto altamente positivo para o país. Segundo, eu estava lembrando uma conversa aqui agora há pouco, que o Rui Barbosa, quando ele foi um dos cabeças para a formação, para configurar a fundação do Supremo Tribunal Federal, dizia que o Supremo seria o último a errar. O que significa que, mesmo no campo do direito, O erro integra as decisões judiciais. Por isso que a saída encontrada e a fórmula encontrada, que é sábia, é do contraditório e da decisão colegiada. Ocorre que essas decisões monocráticas geram muitas vezes essa polêmica, mas elas estão amparadas de algum modo. E o juiz interpreta, o ministro interpreta e aplica o direito, e isso tem que ser essencial. Ele argumentar, ele estruturar a sua argumentação, seja em favor ou seja contra, que vai gerar esse contraditório. Então, eu não estou vendo esse processo de uma forma angustiante para o país, em absoluto. Eu penso que o que está sendo exposto é uma certa característica que é o judiciário brasileiro, que é o contraditório. Nós temos que aprender a conviver com o contraditório. Ocorre que os próprios ministros também têm que se esforçar, e parece que estão se esforçando, para superar essas polêmicas que afetam a imagem do Supremo e que muitas vezes afetam de forma correta. porque os ministros tinham que ter uma atitude, uma conduta muito mais elibada do que nós temos visto aí recentemente. Algumas denúncias, envolvimento com esse caso Vorcaro, e outras também. Nós temos uma característica muito no judiciário, que é uma certa visão corporativa, uma conduta corporativa e também os benefícios familiares, entre os ministros ter filho, ter parente, ter esposa em escritórios de advocacia, que muitas vezes tem a pessoa como integrante da associação, do escritório, da sociedade, mas por ali ingressam ações que chegam ao Supremo. E aí há o conflito. Claro, e há o conflito de interesse. Nós temos que superar isso aí. Precisa haver uma ética muito mais rigorosa na conduta da magistratura. Concordo plenamente com aqueles que criticam isso aí. Porém, isso tem que ser resolvido pelo processo também jurídico, pela conduta ética e pela política. Quando, por exemplo, for eleito ou for indicado algum nome para o Supremo. Não como aconteceu recentemente, que os nomes indicados pelo Supremo geraram polêmicas em razão da qualidade jurídica daqueles que foram indicados. Mas eu queria fazer uma observação aqui, Gabriel, que eu acho muito importante também em relação ao Tribunal Superior Eleitoral, que é o sistema de votação no Brasil. Se atacou muito as urnas eletrônicas, não tanto dessa vez, mas da outra campanha se atacou muito Dessa vez parece que houve uma acomodação e uma aceitação da validade, da legitimidade das urnas Eu queria lembrar que, por exemplo, o Brasil, a extensão territorial, você tem, se não me engano, cerca de 517 mil sessões eleitorais para 570 mil urnas distribuídas no Brasil todo. Pensem vocês como que significa cuidar dessas urnas, dar as condições tecnológicas necessárias, a logística para que todas as urnas cheguem em todos os pontos do Brasil onde há cidadão com direito ao voto. Pegue a região norte do país, nas regiões mais extremas, A urna tem que chegar por barco, por helicóptero, tem que conectar com um satélite para fazer a transmissão das informações, dos dados. E tudo com questão de segurança. E com segurança e com agilidade. E com uma margem de erro extremamente pequena, muito pequena. Então, eu penso que essa eleição, apesar de todo esse ambiente de crítica, de aparentemente dramático, o sistema eleitoral, o aparato da votação no Brasil é muito seguro. É muito seguro e eficiente. Eu não vejo, pelo menos até o momento, nenhum tipo de crise envolvendo as urnas eletrônicas. E também o comportamento dos eleitores hoje nas sessões, diante das urnas, está sendo tranquilo, com algumas exceções. Tem alguns pontos aí que a gente tem recebido, tem sido divulgado, algumas denúncias de constrangimento de eleitor, mas, de modo geral, o processo eleitoral está funcionando com uma certa tranquilidade. E eu creio que o sistema de votação é muito relevante para a gente ter essa tranquilidade. Paulo Braga, quero ouvi-lo também nessa resposta do Marcel Cheida, quando ele fala sobre essa conduta de ética, se de alguma maneira isso é discutido na OAB, em outros órgãos, e também se quiser citar essa questão da confiabilidade das urnas eletrônicas. Sim, eu acho que o Marcel tocou num ponto muito relevante. Nós estamos em um momento, e a sociedade brasileira tem que ter essa consciência, os participantes do sistema de justiça, a magistratura, o Ministério Público, a advocacia, em algum momento temos que ter a humildade de reconhecer. Nós precisamos fazer ajustes ao sistema de justiça, e isso não tem mal nenhum. Temos que fazer as críticas quando as críticas devem ser feitas, mas temos que respeitar o poder judiciário, a crítica construtiva ao poder judiciário e, ao final, o Supremo Tribunal Federal é quem tem a legitimidade, e deve ser assim, de dar a última palavra acerca do que é e do que não é legítimo, do que é e do que não é constitucional. Esse é o ponto. Mas é preciso repensarmos, revisitarmos, e isso vale não só para o direito eleitoral, mas para o direito como um todo, porque as maiores críticas, muitas com alguma razão, outras sem qualquer razão, mas as críticas, Marcel, e não sei se você concorda, se constrói em cima das chamadas decisões monocráticas, que são aquelas decisões dadas por um único magistrado, um único ministro, em detrimento de uma regra que é o princípio da colegialidade. Essa regra não tem na primeira instância do juiz singular, mas tem nos tribunais de justiça, nos tribunais regionais, nos tribunais superiores. Prestigiar o princípio da colegialidade. Precisamos revisitar isso. Você, Gabriel, foi muito feliz em lembrar o caso de ontem. O ministro Floriano de Azevedo Marques caçou, indeferiu, esse é o nome correto, o registro de candidatura de um candidato ao Senado no estado do Paraná. E durante a madrugada, nessa manhã, o presidente do Tribunal Superior, Nisso Castro Nunes Marques, caçou a decisão. Isso gera um estado de insegurança jurídica a mais no poder. Você faz a seguinte indagação, se o Tribunal Superior Eleitoral não deveria ter decidido essa questão, ainda que no plenário virtual, de forma antecipada, o mesmo valendo ao Supremo Tribunal Federal. Então nós precisamos revisitar essa questão das decisões monocráticas Que me parece que não tem feito bem ao Brasil E é importante dizer isso, não tem mal nenhum É preciso reconstruir, revisitar isso Até que ponto a decisão monocrática pode ser dada e em quais circunstâncias Esse é um ponto que nós precisamos rever O sistema eleitoral é indiscutível a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, das urnas, no nosso modo de pensar, é um sistema absolutamente indiscutível. Também, eu acho que essa questão de composição dos tribunais superiores, o que pode, o que não pode, talvez também colocarmos um ponto a ser discutido. As regras, Marcel, de suspeição e de impedimento, em que momento o magistrado deve se declarar suspeito ou impedido. Ô Paulo, é muito utópico só poder virar candidato, quem tá legal, fazer esse exercício de forma anterior? Por que se não gera essa insegurança? Tem o caso do Garotinho no Rio de Janeiro, tem do Dallagnol no Paraná e tantos outros pelo nosso país. E essas eleições, elas acontecem a cada quatro anos. Então durante esse período não consegue-se fazer um filtro, uma rede, pro eleitor falar assim, bom, se ele é candidato é porque já tá legal. Tem algum pré-período aí para poder analisar isso e não deixar para a última hora? É muito tópico isso, é muito difícil. Não, não é um tópico. Eu acho que isso precisa de vontade política, no sentido de alterarmos algumas regras do sistema de eleição e algumas regras da Constituição. Veja que essa questão desse candidato do Paraná é uma questão que já foi decidida nas últimas eleições, há quatro anos atrás. E aí, será que nós não temos que ter um momento de registro de candidatura com maior antecedência, com um prazo um pouco maior, para que a justiça eleitoral possa decidir isso em definitivo, em tempo também, antes das eleições, antes do início da propaganda eleitoral? Não é utópico, mas é preciso também o nosso modo de pensar, a vontade política de alteração das leis. E eu queria aqui, se me permite, você disse muito bem o que a advocacia, que a Ordem dos Advogados do Brasil lê em tudo isso. A Ordem dos Advogados do Brasil é instituição prevista na Constituição e tem o dever de ser a voz do cidadão, da cidadã, na defesa da democracia. A Ordem tem feito um debate sobre todas essas questões, desde a conduta, de um código de conduta, aos membros da magistratura até o sistema eleitoral. E também, dentro das suas dificuldades, como qualquer instituição, tem também tentado corrigir os seus próprios erros. É importante também olharmos para dentro da nossa casa. A Ordem dos Advogados do Brasil também tem discutido e rediscutido o seu papel enquanto essa voz da sociedade. Então é um momento, Marcel, e falávamos isso até há pouco lá no café, é um momento de ajustarmos o que deve ser ajustado. Mas uma coisa eu acho que é incontroverso, temos que resolver todas as nossas dificuldades, são muitas, mas na política, na boa política, a boa discussão, o bom debate, que vale para nós enquanto membros aqui da sociedade, como também para os parlamentares, para os integrantes do Congresso Nacional, para os integrantes do Ministério Público, da magistratura. Afinal das contas, nós estamos todos, devemos todos remar a uma mesma direção. 4 horas mais 23 minutos, você vê aí na sua tela, 22 graus neste domingo, chuvoso nesta tarde, chuvosa aqui na cidade de Campinas, restando 35 minutos para o fechamento dos portões, e depois a gente já começa a apuração em tempo real aqui da TV Câmara Campinas, em todo o Brasil, avisa aí, hein, no grupo de WhatsApp, seus amigos, os vizinhos, aqui na TV Câmara Campinas, nós temos um mapa interativo aqui, e eu vou ao Brasil, eu vou do Rio Grande do Sul, a Roraima, a Rondônia, a gente vai falar sobre governo, sobre os senadores, deputado federal, deputado estadual, eu vou estado por estado, em tempo real, nesta apuração, pra deixar você sempre muito bem informado. Já já vou sonar a nossa repórter Mina Abreu, que está lá na escola, Carlos Gomes, mas eu quero tratar um assunto que eu considero polêmico também, Marcel Scheider, e depois com o Paulo Braga, que são as pesquisas eleitorais. O Scheider já trouxe na sua resposta um pouquinho sobre isso também, porque elas fazem parte do processo democrático, ajudam a mostrar o cenário de uma disputa, mas também existe o debate sobre a possibilidade delas influenciarem o comportamento do eleitor. Marcel Scheider, na sua avaliação, as pesquisas? Devem continuar sendo divulgadas normalmente e até que ponto conhecer quem está à frente ou atrás interfere na decisão do eleitor? Esse é um tema que eu estava conversando com um amigo meu que veio com essa. Olha, pra mim não tinha que ter pesquisa porque eu gostaria de votar num candidato, se está com 1%, eu já mudei meu voto. Então ele falou, isso interferiu na minha votação e ele estava reclamando sobre isso, quero ouvi-lo também sobre essa questão. Se é importante pra democracia a gente conhecer este cenário de quem está bem e quem está mal, e o quanto que isso interfere no voto. Bom, tanto a política como a campanha eleitoral, que pertence à política, são objetos de comunicação. É impossível fazer política sem comunicação. O que nós temos, no entanto, hoje, é que as pesquisas viraram, ou se transformaram, ou passam a ser adotados como objeto de propaganda. E a propaganda integra o processo da comunicação política, inevitável O que é necessário, que eu penso que o Brasil já tem isso aí de certo modo Pode ser aperfeiçoado, é a regulamentação disso aí Como que a lei define o comportamento dos órgãos de pesquisa Dos institutos de pesquisa e a sua divulgação Eu acho que isso é importante Segundo, é evidente que os candidatos, os partidos e até mesmo segmentos da mídia no Brasil vão utilizar essas pesquisas para a construção de determinados discursos, a favor, contrário, dos candidatos. Isso ocorre. Mas isso passa por um processo de educação política também da população. Como que eu vejo as pesquisas? Eu sei que isso é mais difícil, é mais complexo. Como que você, de certo modo, constrói uma educação política para que a pessoa tenha uma capacidade para filtrar aquela informação que ele colhe num determinado momento, ou que chega a ele? E hoje a gente vive, eu costumo chamar isso de babel digital pela internet. Por quê? Porque você tem uma oferta infindável de informação, anárquica, cacofônica, que chega para os leitores. O sujeito, qualquer pessoa, tem um celular na mão. E o celular canaliza esse volume de informação, que muitas vezes gera muito mais dúvida do que certezas. E a certeza, como é buscada? Pelo apelo ao desejo. Então, uma das estratégias que tem nesse mundo da comunicação, quer dizer, eu ofereço inúmeras informações infindáveis, mas se eu quero captar a sua atenção, eu tenho que mexer com o seu desejo. E aí eu posso construir as maiores fake news do mundo, que elas têm um apelo ao desejo. E as pessoas, o que é a logística? A logística é de eu me identificar com aquela mensagem. Então há todo o estudo também, e aí entra pesquisas de comportamento, verificação dos algoritmos, como você usa o celular, para eu construir, de certo modo, a mensagem que vai chegar a você. As pesquisas, muitas vezes, são usadas com esse sentido. Então, eu pego algum... Quer ver uma coisa que eu detectei na publicação das pesquisas pelos órgãos de imprensa? Raramente algum deles divulga a pesquisa espontânea. Sim. Predominantemente, a informação é sobre a pesquisa estimulada. A pesquisa estimulada é um condicionante, ela é condicionada Então o sujeito chega lá, mostra a lista de candidatos Vem na sua cabeça, ah, eu quero esse aqui Não há uma reflexão para discutir se aquele ali é o melhor ou não Na urna, o que vale é espontânea E há um outro fator também, que não é considerado muitas vezes Que é o nível de abstenção, que não tem uma aferição adequada pelas pesquisas Então, a combinação, primeiro, do voto espontâneo com o índice de abstenção gera um segmento do eleitorado que é obscuro, você não tem como antecipar o que vai ser. Só que se eu enfatizo a pesquisa estimulada, eu, de certo modo, desabilito ou, de certo modo, eu elimino a possibilidade de analisar a espontânea e também a abstenção. Então, você vê aí que há um tipo de manipulação na pesquisa. E você encontra em quase toda a mídia, principalmente a grande mídia, que conduz. Porque a grande mídia adota, ela tem mais recurso, então ela publica lá os principais resultados das principais agências de pesquisa ou institutos de pesquisa e a mídia de menor importância vai copiando aquilo. E mais uma coisa que tem nesse processo eleitoral é o aparecimento de certos institutos ou certos resultados de pesquisa que são fake news. Eu estava vendo agora, circulou uma pesquisa aí, na linha aí de um dos candidatos, que esse candidato teria vencido no exterior até agora e não procede. Foi exatamente o outro candidato que venceu nas primeiras urnas fechadas no exterior. Oxida, eles utilizam até o tracking, né, que é a pesquisa do partido, e fala como se fosse, olha, aqui no tracking de tal partido já está tanto, aí você vai ver a pesquisa dos institutos completamente diferente, e eles vão utilizando essa informação, aí vai bombardeando. É a Babel Digital, quer dizer, cada um está falando o idioma, Cada um está falando alguma coisa e qual é o caminho correto aí? Vai chegar num momento que não dá para você construir um grande projeto, que foi a Babel. Então, se você não tem uma discussão séria sobre os projetos do país, como que você constrói o país, o Estado brasileiro? Cheida, você estava falando, eu estava lembrando de uma charge que é sensacional. É assim, é a imagem de uma televisão, um candidato falando, um casal sentado, e o cara estava falando assim, isso é mentira desse político, aí a pessoa que estava do lado dele falando assim, como é mentira se ele está falando exatamente o que eu penso então é isso, a fake news ela está direcionada para o seu eleitor e aí precisa dessa educação do eleitor ele quer alguma coisa o partido, enfim a equipe capta o que ele quer vai lá e solta uma notícia, que muitas vezes não é verdadeira, e ele fala opa, é isso que eu queria ouvir e outra coisa, Gabriel, que eu acho muito importante Para a gente avaliar o que está acontecendo Como esses últimos tempos Predominou a política do insulto Combinou-se com um modelo estético Que no campo da comunicação é estudado já há um bom tempo Que é chamado de espetacularização Tudo vira espetáculo Tudo vira desempenho, performance na tela E aí você, de certo modo, cria uma inibição em quem recebe essa informação, para refletir. Porque o que vale ali é aquele momento em que você vê a imagem na tela e ela satisfaz, aparentemente, uma sensação do indivíduo. E a ideia do espetáculo. O espetáculo funciona assim. Então, vale muito mais eu insultar o adversário, eu criar uma piadinha anedota contra o adversário, porque isso aí, de certo modo, cola. Para quem está assistindo, precisa tomar um certo cuidado Porque é a mesma coisa de um sujeito ardiloso Querer enganar você mostrando uma nota de 30 E pede para você trocar uma nota de 30 Olha, troca essa nota de 30 para mim E a pessoa cai achando que a nota de 30 é verdadeira É a mesma coisa Paulo Braga, quero ouvi-lo também Se as pesquisas eleitorais têm a sua validade se elas podem ser questionadas, se elas precisam passar por uma mudança, algum tipo de regulamentação. A primeira coisa que eu vou depois pedir autorização para o Marcel, eu vou me apropriar do termo, até para as aulas, Pabell Digital, mas é um termo perfeito, é bem isso. É o grande problema, como ele disse, a questão da pesquisa estimular. Ela não dá uma reflexão Ela te apresenta Ela diz Veja isso Mas será que é isso que o eleitor quer? E dentro daquela pequena Daquele pequeno espaço Daquele quadrado Vamos usar a expressão assim Ela diz O que você escolhe? Mas ela não leva em conta O conjunto Uma reflexão eleitoral uma reflexão que, eventualmente, aquela pessoa que está respondendo queria efetivamente ter. E ela, então, coloca esse numérico planilhado na sua finalização. E aí vem uma questão que não é de agora, que realmente... gente ouve dentro de casa, de amigos, eu ia votar em fulano, mas eu vi a pesquisa e ele está em último colocado. Eu não quero perder o meu voto. Isso, não vou jogar fora o meu voto. Não vou jogar fora o meu voto. Ele vai perder mesmo. Esse é um pensamento manifestamente equivocado e que é preciso refletir sobre isso. Você tem que expressar o seu voto independente se o candidato vai ganhar ou vai perder. É o seu candidato, é aquele que você se identificou, que apresentou as propostas que você entende como boas, de modo que essa pesquisa estimulada e principalmente na semana que antecede as eleições porque uma questão muito interessante é que as eleições, é engraçado isso, ela acaba se decidindo naquela reta final, mas aquela reta final é crucial e muitas vezes essas pesquisas acabam por induzir o eleitor e acabam em alguma medida, influenciando no resultado das eleições. Precisamos talvez também ter em algum momento uma redefinição, uma rediscussão dos métodos de pesquisa. E outro ponto, que aqui o Marcel disse e com muita razão, institutos de pesquisa têm feito, sabe-se lá como, essas verificações. Isso é judicializado também, porque às vezes são poucos estados, poucos eleitores, ou é por telefone, ou é pessoalmente, isso é muito questionado, né? Muito questionado, existe um padrão, existe uma regra para se fazer pesquisa eleitoral, que muitas vezes não são seguidas, ou o determinado instituto diz, eu fiz de acordo com a regra eleitoral, mas ele não consegue demonstrar isso, ele não consegue provar isso, porque ele não fez, e isso é levado à justiça eleitoral, que determina que a pesquisa seja retirada da publicização. E, mais uma vez, a justiça é chamada para discutir isso. Uma questão também muito relevante que as pessoas dizem, não é, Marcel? Ah, mas a justiça eleitoral, a justiça, enfim. Existe uma regra que é o princípio da inércia. A justiça, ela não se movimenta A máquina jurisdicional Ela não se movimenta de ofício Ela depende de provocação De alguma parte Ou do Ministério Público Então se a justiça se pronunciou Sob algum ponto É porque alguém a provocou E aí vem uma decisão E decisão judicial nem sempre E nunca vai agradar Ambas as partes Quem ganhou está contente com a justiça Quem perdeu está amaldiçoando a justiça. É um ponto também, enfim, mas as coisas são assim. Mas, novamente, essa questão da pesquisa, principalmente por ser uma pesquisa que induz de alguma medida a resposta daquela pessoa que é ouvida ou por telefone ou mesmo presencialmente. Precisamos rever isso também. Cheida, a gente falou bastante sobre os partidos, sobre os candidatos, Falar um pouquinho sobre o eleitor também, porque hoje ele abre o celular, em poucos segundos ele recebe dezenas de versões sobre um mesmo candidato ou acontecimento. Como é que esse excesso de informação interfere na capacidade dele fazer uma escolha consciente? Bom, são as questões complexas da relação do eleitor com o mundo político. Os pesquisadores constatam E eles fazem uma afirmação O eleitor, de modo geral, vota pela emoção E a identidade, quando a gente fala da imagem Que chega do candidato Nós vamos buscar lá alguns pesquisadores Como um grande cientista político Que foi o Max Weber Que fala do carisma do político Quer dizer, o carisma é aquela expressão de simpatia que é expressa pelo líder político e é captada pelo eleitor que se identifica com aquela imagem, com aquela expressão, com aquele comportamento. Então, isso se soma ao desenvolvimento de uma série de apetrechos, ferramentas, estratégias do mundo político para estimular o voto do eleitor desejoso. O eleitor deseja, ele tem uma expectativa, eu quero mudar o país, eu quero mudar as coisas, eu quero combater a corrupção. Mas isso está aflorado num sentimento, e não numa reflexão de como fazer isso. A partir do quê? Não a partir de um diagnóstico claro do que é o problema do país. Então, esse desejo predomina, e eu concordo com o Paulo aí, que muitos decidem também na reta final, porque não tem uma preocupação, o que é processual com a política. E a política é, antes de tudo, processo. Há um antigo ditado que diz que os que não se interessam por política serão governados pelos que se interessam. A maioria das pessoas que não se interessam não acompanha o processo. Então não consome informação, não lê, não participa de processos políticos, de eventos políticos Nós temos um divórcio, de certo modo, de boa parcela do eleitorado, do cidadão brasileiro Com a sua própria condição política Mas tem aqueles que se interessam E esses que se interessam é que vão disputar o poder, ocupar o poder e governar Então, tem esse aspecto aí que eu acho importante para considerar uma análise do que é o eleitor. E o eleitor brasileiro, de certo modo, é plural. Você não pode dizer que o eleitor de uma cidade do interior de São Paulo, que está envolvida com o agronegócio, é o mesmo eleitor, por exemplo, de uma cidade litorânea de São Paulo. Ou se compararmos as várias regiões do país, o eleitor lá da cabeça do cachorro, lá na divisa com a Venezuela, Amazônia, é outro perfil. Não dá para comparar. São realidades diferentes. As nossas realidades são muito diferentes. Então não dá para você estabelecer um grau de homogeneidade no eleitorado brasileiro. Há uma diferença muito grande. Como também há diferença das gerações. Eu não sei a idade do Paulo Mas a minha geração Ainda viveu o período do regime militar Viveu a democratização Tem uma outra referência Do que as novas gerações vivem Então essa variedade Precisa ser considerada Nessa análise Quem que é o eleitor brasileiro Não tem um eleitor brasileiro Nós temos eleitores E o processo político Tem que avançar considerando essas diversidades. O que enriquece é a democracia. A democracia é a convivência do plural, do contraditório. E aí eu queria acrescentar, adicionar o que você falou, Paulo, desses conflitos jurídicos, que muitas vezes você tem quem censure aquele que peticionou ao judiciário. Peticionar ao judiciário é um fundamento da democracia, do Estado de Direito. Todos nós temos o direito de peticionar Eu não posso ser censurado num discurso que diz Ah, mas aquele sujeito entrou na justiça, judicializou Aliás, eu tenho, vamos dizer assim, esse termo para mim é um pouco complicado Porque ele obscurece um direito básico Mesmo que você entenda que é seu direito e você não tenha razão Mas é um direito básico você peticionar Então quando falam, ah, vamos judicializar Não, esse termo eu acho que precisa tomar um certo cuidado, Gabriel, porque você vai censurar quem tem o direito de petição, que é um direito fundamental, é um princípio fundamental da democracia e do Estado de Direito. E mais, o que ocorre é que nós temos também um congresso letárgico, um congresso que parece que não está à altura para os desafios do Brasil. É necessário você mudar a legislação ou a lei orgânica da magistratura? Quem é que tem que tomar iniciativa? É o Congresso Nacional Você tem que melhorar o sistema Da regulação Dos processos políticos eleitorais Quem que tem responsabilidade? O Congresso Eles não querem ou não conseguem? Várias coisas, primeiro É a cultura que hoje Está presente no Parlamento Brasileiro O Parlamento Brasileiro Como nós conhecemos é muito novo Ele começa a se formar A partir de 1988 Então ele é muito novo Nós não temos ainda um amadurecimento democrático parlamentar. O que faz o parlamentar hoje? Ele está preocupado com a emenda, com a emenda impositiva. Mas não é esse o papel essencial do parlamentar. Tudo bem que o parlamentar consegue uma emenda, traz dinheiro para o município, mas não é esse o papel fundamental. O papel fundamental é mexer com as estruturas políticas do Estado de Direito, do município. Por exemplo, aqui, se você pegar o município de Campinas, pouco se discute sobre a estrutura que organiza o município de Campinas. Campinas tem problemas também sérios. Agora, projete isso para o Brasil. E qual é a preocupação muitas vezes do parlamentar? Ah, eu quero mandar dinheiro para uma instituição lá, porque o dono é meu amigo e tal, mas eu mando porque eu vou atender. É essa preocupação, e não foge disso, o que não é bom. Não que ele não tenha que se preocupar em destinar, às vezes, recursos. Mas não é a prioridade. Mas não é a prioridade, porque quem tem que fazer essa gestão é o Poder Executivo, não é o Parlamento. o parlamento tem que se preocupar com outras coisas, que são mais graves, mais necessárias para discutir a superação dos nossos desafios. Então, eu vejo que muitas vezes também o eleitor e o parlamentar, eles têm uma certa conivência nesse aspecto aí. Porque um aspecto também, um fator que está muito presente no perfil do eleitorado brasileiro É a visão messiânica da política, o que não é bom O sujeito vota na pessoa e não vota nas ideias, no projeto, no programa político E isso é reforçado pela ação dos políticos quando enaltecem a figura da pessoa, do político E não dos projetos, do que é necessário, dos problemas. E por isso que nós estamos nesse mundo do insulto, porque é fácil insultar o outro, vira espetáculo. E aí o que eu faço? Eu deixo de lado as grandes discussões dos problemas complexos do país, mesmo porque muitos não têm cabeça ou não têm intelecto suficiente para discutir grandes questões do país. Não sabem mesmo, não é? Exatamente. E não querem aprender, que é a letargia que eu chamo do parlamento. E isso é sério, o Brasil precisa superar isso aí. Porém, eu insisto que nessa perspectiva nós somos ainda muito novos. Nós estamos de 1988 para cá, discutindo como que a gente quer essa democracia. E isso em termos históricos é um tempo muito diminuto. Nós precisamos amadurecer, avançar, discutir, negociar, educar, educar para a política, é muito importante. Você entender a diferença, o contraditório, e são fatores aí importantes para a gente superar esses desafios. Paulo, a vontade para repercutir o que o Cheida disse, e só quero acrescentar aí, porque nós estamos vivendo uma época em que as pessoas, elas são protagonistas também, o eleitor passou a ser produtor de conteúdo, ele compartilha, ele comenta, ele grava vídeo, ele influencia outras pessoas, até onde vai essa responsabilidade jurídica de quem simplesmente compartilha uma informação falsa, recebida em um grupo ou uma rede social? Pois é, eu acho que são vários aspectos. A primeira coisa é a questão do interesse pela política. Nós temos que nos interessar pela política. O homem é um ser político, nós precisamos viver a política. E, lamentavelmente, muitas vezes a política é relegada, a discussão, a boa discussão política, é relegada a um segundo momento ou a nenhum momento. Muitas vezes as pessoas não querem discutir a política, não querem entender o que se passa no Brasil, o que se passa em Brasília, o que se passa no seu estado e no seu município. É um ponto também de reflexão. Uma outra questão é que eu digo sempre, Gabriel e Marcel, Em uma democracia... Nós temos 38 anos de redemocratização, em 1988. A Constituição é de 5 de outubro de 1988, nós estamos em outubro de 2026. Em uma democracia, não há assunto proibido, tem espaço para todo mundo, e a divergência de opinião não faz daquela pessoa meu inimigo. Uma democracia não tem assunto proibido. É preciso estabelecermos isso, termos essa consciência que a divergência de opinião não faz daquela pessoa o meu inimigo e, infelizmente, é isso que se tem construído no Brasil nos últimos anos. Isso é muito ruim para a sociedade brasileira, muito ruim para o Estado democrático. A internet, ela deu voz, e às vezes a gente até faz uma indagação, se isso foi bom. Porque eu recebo uma informação, não tenho a responsabilidade de checar a veracidade daquela informação, a rigidez daquela informação, e repasso isso no meu Instagram, no meu Facebook, no meu grupo de WhatsApp, pregando como verdade, influenciando outras pessoas que também não têm a mesma cultura. E eu provoco um efeito dominó, um efeito cascata de informações ruins, de detrimento ao processo democrático, ao processo eleitoral, às instituições. O sistema brasileiro pune criminalmente condutas como estas que a gente vê aí todo dia. Mas é difícil, não tem como você alcançar uma infinidade, é tudo muito rápido. Eu consigo transmitir a milhões de pessoas, mil pessoas, rapidamente informações sabidamente falsas, sabidamente verídicas. Então, é uma questão também de responsabilidade, de consciência enquanto cidadão. Muitas vezes é fácil você cobrar o governante, o deputado, o senador, o seu vereador, o prefeito. Mas você fez a sua parte, enquanto cidadão, não fez. E a sua parte, enquanto cidadão, é impedir que a informação ruim, que a fake news, que a mentira se propague. Você tem um dever de fiscalizar e dizer, eu não vou repassar isso porque eu chequei e isso é mentira. Mas, às vezes, é muito mais fácil você ir em um efeito cascata. E tem a impunidade, porque as pessoas não são punidas. As pessoas não são punidas e o sistema, e aí eu vou fazer uma defesa ao sistema de segurança, ao sistema de justiça, não consegue alcançar com a mesma rapidez em que a informação é dispersada, é disparada. É difícil, sem contar que muitas vezes as contas que propagam essas informações, inclusive o WhatsApp, são contas inexistentes, falsas. Isso é muito complicado. Exatamente sobre este assunto, então, só o seguinte, restando sete minutos para o fechamento dos portões, a Mina Abreu está posicionada no Colégio Carlos Gomes, eu já vou chamá-la. Antes, rapidamente, Marcel Cheira, como se fosse aqui um debate, o senhor vai ter três minutos para poder dar essa resposta para mim, porque depois eu vou acionar a Mirna para a gente poder pegar aí as últimas pessoas chegando aí para essa votação. Eu vou querer saber previsão do tempo, trânsito, questão de acessibilidade. Tem muitos assuntos para eu poder abordar com a Mirna Abreu. Hoje, um vídeo de poucos segundos, ele pode alcançar milhões de pessoas. O que se ganhou e o que se perdeu com essa mudança nesse período eleitoral? reflexão se perdeu muito a reflexão o senso crítico porque essa velocidade Paulo e Gabriel é estratégica o que essa velocidade traz uma sucessão de informações que vai dando aquilo que eles chamam do looping, você vai mexendo na tela do celular isso não permite que você o seu cérebro tenha o tempo de reflexão, porque é o estímulo, aquele prazer da tela que o cérebro recebe e ele se acomoda, ele não precisa de esforço. Você não assimila nada, vai passando. Vai passando, daí a pessoa só se lembra daquela imagem. Ah, eu vi tal coisa acima, o que significa? É isso. Não tem a reflexão. Então, hoje esse sistema do celular, da mensagem do celular, tem um arcabouço, tem uma engenharia de estímulo ao desejo em que a velocidade é uma das estratégias. Não dá tempo para você pensar. Então eu vou jogando informação sucessivamente. Percebe? E aí a pessoa não para, não para para refletir sobre o que ela recebe, as mensagens. E o mundo político é complexo. O mundo político não é simples. Ulisses Guimarães dizia não se faz política com o fígado. Você tem que digerir. E digerir é processo. O fígado é a bilis, é o veneno. Então, o que acontece? Quando você recebe uma informação política, como você reflete sobre ela? Tem validade, não tem? A terminologia é adequada? A fonte de onde você recebeu é adequada? É crível, não é? Como é que é? Isso exige esforço mental. E as pessoas, muitas vezes, estimuladas pelo sistema, não querem pensar. Quer dizer, fica naquele estágio muito mais emocional do que outra coisa. tanto que hoje em dia a gente vive o discurso do clichê, do estereótipo, você não aprofunda, não vai além do clichê muitas vezes, por exemplo, você usou o termo judicialização, virou clichê para muita gente, poucos entendem o que significa isso aí. Exatamente. Então, eu acho que isso é um problema. As pessoas precisam ficar mais atentas, em que não devem receber, tomar cuidado com as notas de 30. É isso. E se me permite, aqui em pequena parte, as pessoas muitas vezes falam as coisas sem saber. Vêm determinados conceitos que leem na internet, nos grupos, e propagam isso sem saber o que é isso. Exatamente. E só encerrando aí o raciocínio, hoje as instâncias jurídicas do país estão muito mais expostas, coisa que não havia há algum tempo atrás. Eu acho que isso é positivo, para a gente conhecer um pouquinho mais e esses juízes, os togados, entenderem que eles devem satisfação à sociedade também. Eu acho isso importante. Mas e do lado positivo, ter acesso a essas informações, é algo que a população está preparada? Olha, eu creio que os grandes eventos históricos aí, as grandes mudanças, nunca nós estamos preparados. Há uma imprevisibilidade que não dá para dominar. A internet tem toda uma cultura atrás dela de transpor o mundo analógico para o mundo digital, inclusive o Estado. O que a internet, aqueles criadores, aqueles sujeitos mais extremos da defesa da cultura digital, ele entende que tem que ter um autogoverno pelo sistema digital. E isso gera um conflito, porque primeiro, nós temos o Estado de direito, queramos ou não. É onde a gente recorre. Segundo, esse Estado tem um certo poder e busca uma soberania. Então, como que a internet vai concorrer com essa soberania do Estado? E aí nós temos um conflito, temos uma tensão. A questão é que essas grandes rupturas da história, elas ocorrem, mas elas têm uma consequência que leva tempo para fazer uma adequação, um ajuste, uma acomodação. Eu creio que isso vai demorar ainda, principalmente agora com a entrada de inteligência artificial, como que isso aí está sendo uma novidade, tem poucos anos, tem 4, 5 anos aí, não mais que isso, que nós estamos aí convivendo com essa ferramenta. Algo bom, mas muito perigoso. Então, é aí que entra o processo reflexivo. Eu creio que se você não investir em conhecimento, as pessoas precisam ler, precisam estudar, precisam refletir, entender, estudar os clássicos, por exemplo, porque o que hoje está ocorrendo na política, os clássicos já descreveram lá. Tem que ler Maquiavel, você vê muita gente aí no mundo parlamentar nem sabe quem foi Maquiavel, tem que ler esse pessoal aí, e os mais recentes, os estudiosos, tem que ler sobre direito constitucional. e é um fenômeno isso é engraçado mas é um fenômeno que se você vê também nas faculdades, nos bancos de faculdade as pessoas não querem ler os clássicos clássicos que são assim é que a leitura é indispensável nada contra o que se tem de novo mas algumas questões são basilares E, infelizmente, e talvez agora com essa questão de inteligência artificial, tenhamos tempos ainda mais difíceis por conta de que as pessoas às vezes procuram mais fácil. Às vezes o mais fácil é eu pesquisar lá no chat, do que você manusear o livro Maquiavel, Hobbes e tantos outros. Nós precisamos talvez fazer uma reflexão e um olhar para o passado. Perdemos o sinal da mina abriu, ela chegou até a aparecer aqui na minha tela, estava com capa de chuva, mas perdemos o sinal, ela volta daqui a pouco então, apenas para informar às 5 horas da tarde, então, fechamento dos portões neste momento, já já, assim que nós tivermos aí o início das apurações, nós vamos mostrar aqui. Eu já vou encerrar já já aqui com o Marcel Cheida e o Paulo Braga, que eu fiz aqui a promessa, que era uma hora de conversa, de informação para você que está nos acompanhando, já cheguei aqui nesse tempo, o Paulo, para encaminhar para este final então. Nós temos então, de um lado, muitas pessoas falando assim, internet não é terra sem lei, isso tem que ser punido, muitas vezes elas são processadas, acaba se encontrando as pessoas nos perfis falsos. Do outro lado, nós temos muitas críticas, as pessoas falando assim, olha, essas big techs, elas precisam ser responsabilizadas porque um tipo de post acaba não viralizando e o outro, agora na época de eleição, de um candidato ele chega e o meu não, o meu perfil foi excluído e tal. E aí, muitas vezes, acaba parecendo que a gente não sabe se essas empresas são punidas ou se as pessoas que fizeram os posts são punidos e fica tudo ali. Como é que você enxerga a questão de responsabilização e o que nós temos hoje? As empresas podem ser penalizadas por um post que uma pessoa fez, é só essa pessoa, existe esse controle, demora-se muito para poder analisar, porque hoje em dia, como a gente está falando, jogou a informação, circulou. Se daqui 72 horas tirar do ar, já foi, essa informação já permeou ali, já chegou até a casa das pessoas. E para desmentir é muito mais difícil. Demora-se muito. Como é que você enxerga isso? Não tem como Gabriel, não tem como desver aquilo que já foi visto. Sim. Esse é um problema. O Supremo Tribunal Federal foi muito feliz no julgamento em que se encaminhou no sentido de responsabilizar as big techs. Existe uma regra de que quem colhe o bônus arca com o ônus. As big techs recebem bilhões e bilhões de dólares, de reais e euros por conta de publicidade, divulgação de produtos e etc. Então, natural que sejam responsabilizadas como agora se decidiu no Supremo Tribunal Federal. Mas é uma briga grande, porque há inúmeros interesses atrás de tudo isso. Então, sim, as big techs são responsabilizadas e devem mesmo ser responsabilizadas, e mais que isso, devem submeter à legislação de cada país. Então, essa questão, a internet é uma terra sem lei. Talvez possa ser o sonho destas plataformas, mas elas devem sim se curvar, é por evidente uma questão de soberania, a lei de cada país e a medida de sua culpabilidade sentar nos bancos dos réus para que possam ser penalizadas quando não tiverem adotados os mecanismos para coibir, os mecanismos de prevenção às notícias, às informações falsas, a mensagens que desestimulem o que é normal da sociedade. Nós temos notícias de questões que até estimuladoras, de agressões, de suicídios, que a gente vê em tantas notícias. É inquestionável que essas empresas têm que sim ser responsabilizadas. E no processo eleitoral não é diferente. Elas devem ter uma responsabilidade eleitoral. Estão colhendo o bônus, tem que arcar com o ônus. Professor Schade, existe uma discussão importante sobre o papel da imprensa, principalmente nesta época de eleição. Se uma informação falsa já viralizou, O jornalista deve necessariamente falar sobre ela ou existem situações em que o silêncio é uma forma de não ampliar o alcance de uma mentira? Bom, aí, uma perspectiva de fundamento do jornalismo, o que o jornalista tem que fazer é apurar o que é verdadeiro, o que é factual e que corresponda ao discurso. Então, vamos dizer assim Denunciar uma fake news Eu acho que é parte também do jornalismo Tanto que você hoje tem várias agências de checagem E os próprios grandes jornais têm seus sistemas de checagem Para não cair na armadilha, na cilada das fake news Que exerce uma pressão enorme pela oferta de informação e pela adesão de segmentos do público a uma verdade que, na verdade, é ilusória. Eu costumo dizer que as fake news ampliaram a crença na terra plana. E isso se aplica ao mundo político também. Então você se depara com um monte de informação do mundo político que são tratadas como fake news. A questão é como o jornalismo ingressa nesse universo para fazer jornalismo e não entrar na cilada das fake news, do discurso, da propaganda, que ocorre. E isso ocorre. O jornalismo erra também. Podemos dizer aquele último debate que não houve. Ali se perdeu uma oportunidade de fazer jornalismo. Eles ingressaram numa vitimização, atacando o que aconteceu, eu entendo que ali houve uma reação extremamente negativa ao próprio papel deles como jornalistas, naquela situação. Como também houve aquele caso da TV Cultura do debate, em que o Datena jogou a cadeira no Pablo Marçal, e aí veio a direção e falou, olha, corta, quer dizer, deixa de fazer jornalismo ali, para mostrar o que está acontecendo ali, as pessoas vendo um sujeito dando cadeirada no outro. Quer dizer, faltou ali esse comedimento da profissão. E também eu entendo que as redações muitas vezes são influenciadas, como um caso aí também que foi polêmico, do PowerPoint, que apresentaram um programa aí, de um canal a cabo, né, que era totalmente falso, né, então as redações são contaminadas, o que falta também filtro crítico, muitas vezes, para os jornalistas, né, que trabalham nessas redações e que precisam ter uma certa independência ali dentro, para olhar criticamente o que chega, né, E hoje, o que eu recomendo é tentar consultar, quando você recebe informação, consultem as agências de checagem, que elas são importantes e elas têm um papel hoje muito chave para a gente diluir a presença das fake news nesse mundo digital. Paulo, para a gente poder encerrar A própria justiça eleitoral Precisa se comunicar mais Combater a desinformação Não é apenas retirar conteúdos falsos Ela precisa também explicar melhor Para a população Como é que funciona todo esse processo eleitoral A justiça eleitoral Ela tem se preocupado Isso é uma verdade, Gabriel Nos últimos anos em combater E trazer a boa informação Hoje nós temos no site do Tribunal Superior Eleitoral do TSE, mecanismos de verificar se uma informação é verdadeira ou não é verdadeira. Então, a Justiça Eleitoral tem feito, sim, é claro que há sempre espaço para o aprimoramento, mas a Justiça Eleitoral tem feito, sim, a sua parte. Mas é preciso que a pessoa tenha essa vontade. A Justiça Eleitoral não tem como me pegar pelas mãos e dizer, verifique que isso. Eu tenho que ter essa consciência. Nós temos mecanismos. Temos a Justiça Eleitoral, o site do Tribunal Superior Eleitoral e também agências independentes. Agências independentes. E a própria obrigação de todas as organizações político-governamentais no Brasil terem o site Transparência. Quer dizer, quando você acessa qualquer portal das instituições, vai lá na aba de Transparência porque ali você tem informações Exatamente, para verificar se aquilo é ou não verdade. Mas, muitas vezes, é tudo que discutimos aqui ao longo do programa, já parabenizando, Gabriel, pela condução do programa e agradecendo a TV Câmara. Eu digo que o jornalismo tem um papel, é uma das bases da democracia. A liberdade de imprensa é inegociável. Mas é muito mais fácil, Gabriel, às vezes, eu espalhar aquela notícia, colocar no grupo de família, no grupo de amigos, do que eu entrar lá num site de qualquer agência, de qualquer instituição governamental e lá na minha transparência, no site do TSE, no aplicativo do Tribunal Superior Eleitoral. É preciso também que nós, enquanto cidadãos, façamos a nossa parte. Temos que ter a consciência. Nós não vivemos sozinhos. Nós vivemos em uma sociedade em que cada um tem a sua parcela de responsabilidade. É preciso ter essa consciência. Muitas mensagens chegando. Quero agradecer aqui a Raíssa Tebaldi falando excelentes ponderações. O grande problema da manipulação das pesquisas é que a população nunca checa as fontes. Ninguém quer votar em time que está perdendo. Numa dessa pessoa severamente influenciada pela pesquisa. política muito complexa, tem muita psicologia envolvida, quero agradecer a Maria Vitória, a Mariana, o Fernando, muitas pessoas estão comentando aqui, então quero agradecer pelo YouTube para quem está nos acompanhando e tem o nosso WhatsApp também, viu, 19 é o nosso DDD, para você que é de Campinas e região, pode ir direto, 978293776, em breve nós vamos começar, em hora que tiver urna apurada, ao vivo aqui em tempo real, Brasil inteiro. para governo, para Senado, para presidente, deputado federal, deputado estadual, nós vamos acompanhar aqui em tempo real. Marcel Cheida, muito obrigado pela aula que você deu aqui para a gente, disponibilidade do tempo, as informações de grande valia para o nosso telespectador. Já faço um novo convite para o senhor retornar, não só em época de eleição, aqui ao longo da nossa programação, e fica aberto às suas considerações finais. Então, isso que você diz aí é muito importante, Gabriel, Porque a expectativa do eleitor hoje é saber o resultado. E hoje a internet permite que esse resultado seja o mais transparente, seja o mais ágil possível para chegar até a casa dele, pelo sistema. Então, esse lado aí é altamente positivo, como também da validação do processo eleitoral do Brasil, que nós temos que apoiar. Paulo Braga, também muito obrigado novamente pela disponibilidade do seu tempo aula que você deu aqui para os nossos telespectadores informações de credibilidade de grande valia também faço um novo convite para o senhor retornar aos nossos estúdios e fica aberto às suas considerações finais eu que agradeço, é um prazer sempre participar dos programas da TV Câmara parabenizo mais uma vez, Gabriel, em seu nome toda a equipe de jornalismo E, novamente, nós temos que ter uma imprensa livre para que a democracia seja cada dia mais fortalecida. Foi um prazer participar aqui ao lado do professor Marcel, professor de todos nós. Eu digo que todas as vezes que venho aqui é certeza de aprendizado. Sempre tem alguém ao meu lado que eu aprendo muito. Muito obrigado. E tenho certeza que a cada processo eleitoral, a cada eleição, a democracia brasileira sai mais forte e nós também. E, se me permite, faço um apelo às pessoas no sentido de que cada um chame para si a sua responsabilidade política, a sua responsabilidade social, checar a boa informação, de participar das eleições, de dar a sua opinião, de discutir. A boa discussão. Temos que ter a boa discussão. Na democracia, novamente, tem espaço para todo mundo. A minha opinião, sendo divergente da sua, do professor Marcel, não nos faz inimigo em hipótese alguma. pode ser alguma. É isso, assina embaixo. O Marcioco foi para o professor também na universidade em 2009. Bom, olha só, só uma atualização antes de chamar um rápido intervalo, porque a Defesa Civil registrou mais duas ocorrências relacionadas à chuva. Queda de galho de uma árvore na Avenida Aquidabã, próximo ali à Via Expressa Valdemar Pascoal e uma queda de árvore no Jardim Conceição, no Distrito de Sousas. Não há vítimas e as equipes de remoção já foram acionadas. vento que chegou a 50 km por hora, com rajadas máximas de 68,5 km, isso por volta das 2 horas da tarde, uma chuva que persiste em muitos bairros da cidade de Campinas. Vamos fazer o seguinte, rápido intervalo, na volta, já vamos começar então com a apuração, mina abriu diretamente do cartório, assim que as mídias chegarem, nós vamos mostrar os bastidores para você, É um trabalho muito bacana no computador, apurando esses votos chegando até São Paulo e chegando até Brasília e também aquele giro pelo Brasil do norte ao sul, passando por todos os estados do nosso país. Fique por aqui a cobertura da TV Câmara Campinas nestas eleições. A CIDADE NO BRASIL E aí