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organizar e dar visibilidade ao trabalho das transcistas de Campinas e região. Esse é o objetivo de uma iniciativa encabeçada pelo Instituto Trançando Informação, que realiza um mapeamento detalhado para identificar essas profissionais e integrá-las à rede de economia criativa. De acordo com a fundadora Marcela Reis, o projeto surgiu a partir de uma vivência pessoal, depois que a filha dela sofreu um episódio de racismo na escola por estar com o cabelo trançado. Ela usava trança na escola, sempre usou, né? Eu faço trança. E aí um dia na sala de aula a professora fez uma brincadeira e não escolheu ela e ela se sentiu ali eh excluída e a professora não falou nada para ela e naquele momento ela chegou em casa chorando, falando que a professora não tinha colocado a mão no cabelo dela, não tinha chegado perto dela. E a gente foi entender o que aconteceu e a professora disse para mim que ela já estava com o cabelo lindo, que ela estava de trança. Só que naquele momento eu entendi que a professora não sabia também o que era a trança. Então eu fiz um projeto onde eu estou nas escolas hoje e também nas periferias dialugando o que é a trans. A proposta do transçando informação é fortalecer identidades por meio do conhecimento e, principalmente transformar o trabalho técnico e cultural das transcistas em ferramentas de autonomia financeira. Olha, eu acho que essa questão precisa partir eh de uma discussão sobre eh financeiro, né? Como que a gente vai precificar, como que a gente vai identificar essas transcistas, como que a gente vai fazer uma rede de apoio para que elas tenham aí um, vamos dizer, um aporte financeiro, né? Porque a partir desse momento elas vão entender o que é o seio, o que é a regulamentação e como elas podem se beneficiar nesse processo. E você falou que a ideia do projeto surgiu a partir de um episódio de racismo que a sua filha sofreu. O intuito do projeto também é combater o racismo também, principalmente na questão da da mulher negra, né? Da autoestima da mulher negra, da criança, porque quem usa mais trança é são as pessoas negras e quem faz também são pessoas negras. Antes de se tornarem uma tendência estética, as tranças já eram usadas como forma de comunicação, identidade e pertencimento em diversas culturas do continente africano. Vai além de uma estética, né? Eu, por exemplo, gosto muito de trança porque é um processo hoje, entendendo que a trança é um processo cultural, né? Um processo de resistência, mas para quem não conhece é apenas um uma transição. Mas a trança ela fala do algoritmo, né? É, foi um uma das primeiras linguagens que nós tivemos sobre algoritmos. Então, a gente precisa entender um pouco mais da onde que a trança vem. E mesmo ao longo dos anos e diante de apagamentos históricos, essa prática segue viva como expressão cultural e também como fonte de renda para muitas famílias, como a de Talita, que atua há mais de 20 anos na área. Que você mais gosta é nesse trabalho como transcista que você tá há mais de 20 anos? a variedade, a diversidade, que a mulher negra, ela pode ser o que ela quiser, a hora que ela quiser, pode usar o cabelo que ela quiser, a cor que ela quiser. Para Talita, o mapeamento pode contribuir para o reconhecimento do trabalho como uma arte e também para a profissionalização da categoria. As pessoas não vem que tenham gasto que é tempo, é tudo, é o local, é tudo. Tudo envolve o valor e as pessoas não entendem isso. Acho que é só vir, vai fazer trancinhas no cabelo dela e tá tudo certo. E você acredita que essa iniciativa de mapeamento pode ajudar no seu trabalho? Ah, com certeza. vai dar mais visibilidade, vai valorizar bastante, vai profissionalizar bastante a um todo, sabe? Vai ser muito bom mesmo. Para participar, a profissional precisa preencher um formulário digital, relatando a trajetória e os desafios enfrentados no mercado de trabalho atual. a gente criar uma rede de apoio, onde a gente possa dialogar quais são os desafios, entender onde elas estão, como que a gente consegue ajudar, principalmente mulheres que já têm essa profissão consolidada. Por exemplo, a Talita já tem essa profissão consolidada há mais de 20 anos, está na região central, assim como outras mulheres, quais foram os desafios que ela enfrentou para estar aqui, né? Então, a gente precisa entender e ajudar as outras transcistas também. M.