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A rede Mário Gatti abriu inscrições para quem deseja atuar como voluntário em dois projetos, o Leitura no Leito e o Arte Mágica. As iniciativas têm como objetivo levar cultura, descontração e alívio emocional aos pacientes durante o período de internação. São dois projetos. A gente tem o projeto de leitura no leito, onde o voluntário vai fazer leitura pros pacientes que estão internados. A gente, esse projeto ele funciona tanto pro adulto como paraa criança lá no Mário Gatinho. Qual é o perfil? Pessoas que gostam de fazer leitura, que tem uma boa adicção, né? E acima de tudo que gosta de fazer bem pro outro, porque com certeza ela estará fazendo um grande bem. Além de levar a cultura, ela vai tá levando conforto, atenção, acolhimento, que são coisas imensuráveis, né, para quem está acamado sobre tratamento de alguma doença. As inscrições para participar do programa de voluntariado seguem até o dia 20 de março. Antes de iniciar as atividades, os voluntários passam por um período de capacitação e acompanhamento. A proposta é preparar cada participante para entender a rotina e os cuidados necessários do ambiente hospitalar. Tudo isso a gente faz a orientação pros voluntários, tá? A gente acompanha os voluntários em todos os projetos. A gente faz uma capacitação para todos eles, tanto do leitura no leito, como os da arte mágica, né? Todos são preparados, orientados quanto aos cuidados que precisa se ter no ambiente hospitalar, né? E a gente acompanha no dia a dia. Pode parecer simples ler um livro ou propor atividades artísticas dentro de um hospital, mas ações como essas ajudam a humanizar o atendimento e criam momentos de acolhimento durante o tratamento. O ambiente hospitalar é um ambiente que ele é sempre estressante, né, para pro paciente, pro acompanhante, vários procedimentos são feitos, medicação. Então, através dessas atividades, a gente quer proporcionar um pouco mais de leveza. Ele sai daquele momento, né, estressante e faz uma atividade que vai buscar também levar mais esperança, mais eh vitalidade para se recuperar mais rapidamente. E a gente observa muito isso com todos os projetos que a gente tem, né? Helena é professora aposentada de português e literatura e faz parte do projeto Leitura no Leito desde o início. Ela conta que a sensibilidade é fundamental para compreender a história de cada paciente e escolher um texto que dialogue com o momento. Você encontra histórias das mais diversas possíveis. E você encontra um que tá lá desesperado, com medo de uma doença que vai ser dado um diagnóstico, mas já tem a suspeita. Então ele tá angustiado. Você tem pessoas que estão lá com receio mesmo da morte, tem pessoas que estão com dores, muitas dores da doença, outras cheias de esperança mesmo, que já está se sentindo bem, que está melhorando e que tem confiança que logo sairá. Então a gente encontra todo tipo de de pessoas em todas as situações e você ter aquela questão da empatia, a como eu sempre gosto da palavra percepção, de perceber o momento daquela pessoa para você poder introduzir um texto ou até não. Às vezes, às vezes eles querem só conversar, eles querem contar da história dele, desabafar, né? Então ganhar essa confiança também deles, né? Que a gente acaba também tendo um certo anonimato de tudo, né? Não não queremos as histórias deles ficam com eles, né? conosco ali naquele momento. Mas assim, são tantos momentos, tem um que até pediu para eu ir ler na casa dele, que ele mora numa periferia muito distante, que ele ia sair do hospital, eu queria que eu fosse ler para ele lá. Falei, é um pouco difícil para mim que no momento eu tava trabalhando, né? Então assim, você cria realmente um laço muito bacana, principalmente com quem fica aqui muito tempo. Em uma das salas do Hospital Mário Gate, encontramos o seu Valdir. Internado há quase um mês, ele relata que as leituras feitas pela voluntária Helena transformam um dia. A gente ser humano, né? Nós somos ser humanos. Então muda assim, muda a partir da coisa boa, a partir do lado bom, já muda o nosso dia. E para quem tem interesse em participar, o projeto é uma oportunidade de doar tempo e habilidades, um gesto que pode fazer a diferença em um dos momentos mais delicados da vida de alguém. Os relatos que a gente tem, eu também sou voluntária, são de muitos ganhos, né? a gente doa, mas a gente ganha muito também com esse trabalho. Então, venha, venha participar. é a oportunidade para você realmente fazer algo que possa mudar e trazer uma esperança para quem está aí precisando.