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Mais do que um professor de matemática, Wilson Queiroz é uma referência e inspiração para os alunos da Escola Municipal de Ensino Oziel Alves Pereira, que leva por meio do projeto Africanidades a essência da história e cultura africana [música] e afro-brasileira desde quando chegou na instituição de ensino. 2010 eu chego e começo a pensar já via na rede municipal um programa chamado MIPID, memória, identidade e promoção da igualdade na diversidade e eu participei. Posterior ao MIPID, eu num determinado momento eu eu entendi que precisava construir um cotidiano e um trabalho com africanidade. Eu sempre falo que eu sou do do GEPEC, que é o grupo de estudo e pesquisa em educação continuada. Sou orientando do professor Guilherme Doval, porque eu acho que essas coisas são importantes pra gente entender como que chegou até aqui. E eu trabalho com narrativas e esse trabalho total a gente tem se sistematizado na forma de tese de doutorado. Então a minha tese tô para defender, ela chama informar aplicativo e o cotidiano escolar e as práticas pedagógicas em africanidades. O projeto também busca estimular a empatia e o compromisso social dos estudantes, promovendo ações que podem impactar positivamente a comunidade. Eu uso o termo africanidades pela percepção daquilo que me é de direito e intransferível. Então, em em sendo intransferível, eu tô falando de mim e das coisas que somente por mim, pelos meus podem ser feito. Então, do ponto de vista conceitual e humano, há uma cultura negra que precisa ser vivenciada na escola, criada, construída, elaborada, filosofada pela população negra. E a isso agrega-se a luta pelo enfrentamento ao racismo que vai constituir as africanidades. Então tem essas duas dimensões, aquilo que é intransferível e ao mesmo tempo o que o outro diz de mim que não é verdade, que me diminui, que me desumaniza. Uma das atividades desse projeto é a construção do origami e outros navios, mostrando a diversidade de pessoas e culturas que foram trazidas do continente africanicando cada um com o nome africano e que esses nomes poderiam ser os nomes deles. Eles poderiam todos aqui ter vindo diretamente e se não veio diretamente, ancestralmente eles estão vinculados a esses navios. Os alunos participam ativamente das tarefas em sala de [música] aula. Eles foram divididos em três grupos, cada um com uma atividade. Uma delas é o vocabulário de africanidades, que tem a ver com o letramento racial ou conhecimento de africanidades para além da superficialidade. Então, cada edição eles repetem esse procedimento que é retirada dessa fonte do informe aplicativo uma palavra com cada letra. Então, uma palavra começada com a letra A, africanidades, uma palavra começada com a letra S, semba, uma palavra começada com a letra P, preconceito, para que eles tenham dimensão de quanto é importante esse lugar do conhecimento para fazer o enfrentamento ao racismo, ao preconceito, ao bullying, todo esse conjunto de violências que no projeto nosso a gente tem África como referência para buscar possibilidades de superação e de conhecimento de como que essas coisas se interligam, como que essas violências se interligam. A confecção das bonecas, a Biomis também faz parte do projeto que tem a referência da Lena Martins, uma artesã maranhense. Mas na escola a boneca ganhou uma identidade diferente e possui algumas características particulares. O princípio é o mesmo da Bomi, mas elas, por exemplo, a nossa, a gente conseguiu colocá-las de pé, faz com um material um pouco diferente, com modo de fazer amarração um pouco diferente, mas potencialmente interessante, porque eu acho que das coisas que me interessam e que eu acho que tem um ganho de diferença, de possibilidade, é o fato de que elas ficam em pé. E aí eu eu faço sempre referência a Maia Angelu, que ela vai dizer: "Eu me levanto, eu me levanto, eu me levanto". Então a gente conseguiu na metáfora de colocá-las em pé através de um cone, estabelecer essa consciência. Eu queria esse nome para uma personagem que é um nome que tem significado para mim, que é abidemir. E ele tem significado importante, pois a minha avó, ela gostava muito desse nome e ela tinha uma boneca com esse nome e aí eu acabei dando para essa personagem da história qual eu criei. E essa personagem, ela tem orgulho de ser negra, ser uma menina negra, é ser terços de negra e não tenho vergonha disso. O nome a princípio, da boneca é a Baomi, mas eu dei como abidemi. É algo que realmente pegou na escola inteira e ficou como abidemi. As atividades são realizadas de forma lúdica, como sessões de vídeos educativos sobre cabelos, documentários, oficinas e leituras teóricas sobre a importância da estética negra e do amor próprio. O cabelo é um aspecto muito, muito, muito marcante e num determinado momento eu eu tenho me perguntado e construído com as alunas negras em particular o que significa não precisar mais alisar o cabelo. E em quanto tempo essa representação do estereótipo imposto pelo cabelo liso alisado é expurgado ou é problematizado cada uma em seu próprio corpo. Mas eu acredito que isso demanda um conhecimento de si que não é instantâneo. E aí eu tenho me perguntado e a gente tem uma parceria de em quanto tempo eu me autoconheço para não precisar me autoflagelar em função do estético? A importância da temática sobre o racismo dentro da escola é compartilhada pelos alunos. fazer racismo com a pessoa sem nem conhecer ela, xingar a pessoa de uma coisa que você nem sabe se ela é ou não. É muito importante essa aula para te evitar o racismo. Racismo não deveria ser algo existente, né? já que tipo vai zo vai zoar uma pessoa só por causa de cor de pele. Ah, eu acho muito importante que não pode ser racista, tem preconceito nenhum com cor, cor de pele, cabelo, qualquer tipo de cabelo. Aprendi muitas coisas sobre a Baumi, pessoas negras, mulheres. O professor explica que as africanidades não acontece de forma instantânea e milagrosa. É uma luta diária e um desafio, mas que tem trazido bons resultados. Acho que de uma certa maneira eh eh tem uma dimensão de uma realização não não imaginada, porque eu sou professor da casa há 10 anos e esse projeto há há 10, não, desculpa, há 15 anos e há 15 anos a gente tem feito as lutas para que esse esse cotidiano seja menos bruto do ponto de vista racial. mensalmente é lançado o informe africativo, um projeto que surgiu após um episódio de racismo com o aluno. Cada edição a gente lança um tema e esse tema vai ser uma possibilidade de diálogo com os alunos. Para o professor, o sucesso dos projetos está no comportamento dos alunos, que demonstram uma relação de proximidade com ele, com as referências positivas das africanidades e também com a família, além do combate ao racismo. Nem todo mundo precisa gostar do samba, o que não pode ademonizar. Nem todo mundo precisa gostar dos orixais, o que não pode mais é demonizar. [música] E aí todo esse processo ele demanda uma didática, uma construção didática. E eu tenho feito também a dimensão de que assim dentro da escola a gente precisa proteger a dimensão da aprendizagem do portão para fora. Talvez eles precisam ser eh tomados pra responsabilidade do do que é um crime de racismo. Mas aqui a gente tem que dormir tranquilo de que eles foram educados para não praticar. E eu acho que o projeto ele tem essa intencionalidade, mas como a gente tá lidando com a dimensão do racismo, né, eu acho que duas coisas muito importantes que a gente fez aqui foi a ruptura do silêncio e da invisibilidade. Essas duas coisas são imprescindíveis para que o racismo reduza e as africanidades ocupem o seu lugar na formação das pessoas. [música] [música]