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De autoria do mandato da vereadora Paula Miguel, Campinas foi palco da terceira edição do Caminhando Juntos, evento que valoriza as tradições de matriz africana e reforça o combate à discriminação racial e religiosa. A programação marca duas datas importantes: o Dia Racional das Tradições de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé e o Dia Internacional de Luta pela eliminação da discriminação racial reconhecido pela ONU. Para mim é uma grande honra estar na terceira edição, né, desse evento. A iniciativa começou por conta eh do dia 21 de março, que é o dia da do do combate intolerância religiosa e a nações do candomblé. Então, a gente decidiu aqui no município, né, já que existe uma lei a nível federal do deputado federal e Vicentinho, a gente queria no município também marcar essa data. Então a gente tem tentado realizar essas atividades que são de homenagens para pessoas principalmente relacionadas ao candomblemas, as religiões matricana que tenham se destacado não só, né, por ser pai de santo, mãe de santo, bairá, né, mas por também muitas vezes eh estarem dialogando sobre política pública, abrindo seus terreiros para espaço de acolhimento, conseguindo fazer com que o município também pense sobre isso, né, e reflito de Qual que é o papel da religião na nossa sociedade? A mesa da cerimônia reuniu representantes dos campos político, acadêmico e religioso em um diálogo que evidencia a diversidade e a importância dessas representações. Nossa religião é de matriz africana, portanto é uma são religiões eh de origem negra e Campinas tem um contingente muito grande de de de negras e negros. E a religião é um um momento aonde a gente se reúne, se une, porque a nossa religião é uma religião comunitária e que acolhe não só nós negros, mas acolhe pessoas de todas as origens, de todas as as matrizes, enfim. É uma grande satisfação de estar aqui hoje participando da terceira caminhada, porque isso representa uma um posicionamento muito importante do poder público no respeito do aché. Eh, de extrema eh gratificação, esse evento está com a casa cheia. A, o Aché tem uma voz importante nessa cidade, como também em toda a região. Isso é um reconhecimento público, tá? maravilhoso e que não deveria terminar, porque isso é um reconhecimento à nossa raiz, né, a nossa a nossa matriz africana. Então, sem palavras, eu acho que é a melhor homenagem e a maior homenagem que qualquer sacerdote ou sacerdotisa poderia ganhar e ser homenageado. Lideranças religiosas foram homenageadas durante o evento, histórias marcadas pela fé, pela transmissão de conhecimento e pela atuação direta nas comunidades. Esse evento ele começa a desmistificar um monte de coisas que são ditas, eh, que são horríveis em relação à nossa religião. Esse evento mostra realmente que somos cultura, não bagunça, fortalece a o antiracismo, o racismo religioso. Nós aqui somos pessoas que Ganomblé é cultura, que é cultura, que a religião é cultura e ela é progressista, ela é uma religião de evolução. Sentimento muito gratificante no mês que eu faço 24 anos de santo, né? Eu acho que um reconhecimento tanto do meu chá, mas o quanto, né, do poço que a gente toma desde quando a gente inicia e a chegar ao cargo que a gente está e que eu estou hoje. Além da dimensão religiosa, muitos dos terreiros também atuam como espaços de formação cultural, assistência comunitária, enfrentamento ao racismo e a intolerância religiosa. Campinas assinou um protocolo antiracista e há mais de 10 anos vem fazendo um trabalho, né? E a gente tem outras atividades voltada à matriz africana. Então, Campinas sempre foi à frente, a vanguarda de realmente trazer a população, né, independente da sua crença e do seu credo, para que seja olhado como cidadão e não simplesmente pela crença. Num cenário ainda marcado por casos de intolerância religiosa no Brasil, encontros como esse ganham um papel que vai além da celebração, se tornam um espaço de visibilidade, pertencimento e, acima de tudo, de resistência. Eu acho que esse evento ele mostra o quanto nós ainda eh temos que superar, né? Hoje nós estamos falando da religião matriz africana que vem sendo aí rechaçada perante a uma comunidade, perante a sociedade. Então, quanto mais a gente se reunir, né, mais mostrarmos a nossa força enquanto religião, eu acho que isso nos torna cada vez mais forte. Yeah.