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A ascensão das mulheres no serviço público no Brasil é um espelho da luta feminina pela liderança no mercado de trabalho. Na iniciativa privada, em geral, elas ocupam 39% de cargos gerenciais. Na pública, este número fica entre 38 e 45%, dependendo da esfera de poder. Na Prefeitura de Campinas, as mulheres representam 69% dos servidores, dos quais 45% tem algum cargo de coordenação ou gestão com 11 mulheres no alto escalão. A gente tem uma uma facilidade de imaginar onde as mulheres podem ou não podem estar. Então, naturalmente a gente imagina a educação é mulheres, né? Afinal de contas, o cuidado, não é, aproxima mais do que eh das características que são femininas. A saúde, a mesma coisa. A assistência, a mesma coisa. O desafio é a gente repensar isso, esse paradigma, né? Então, assim, existe lugar para as mulheres ou a gente pode ocupar qualquer lugar. E essas características de cuidado, elas só cabem nos lugares onde se presta o cuidado direto? Ou o cuidado também pode ser feito visto nas finanças? O cuidado pode ser visto também numa obra, numa engenharia. A nova secretaria criada em 2025, inclusive tem como tema as políticas públicas para as mulheres. Tem sido um grande desafio, né, estar à frente dessa secretaria. Eh, eu nunca tinha trabalhado num ambiente onde realmente só tem mulheres. Era o contrário, né? Eu venho da iniciativa privada, eu sou engenheira, eu venho de indústria automobilística, ou seja, predominantemente homens, né? E de repente agora eu me encontro nessa situação. Na Câmara Municipal, a atual legislatura conta com cinco vereadoras eleitas pelo povo. As servidoras efetivas e comissionadas somam um pouco mais de 37% do total de colaboradores do legislativo da cidade. Cargos de chefia em gabinetes, as mulheres representam 33% e 28.6% estão em cargos de coordenação ou diretoria de setores. Dos 427 servidores, 161 são mulheres, incluindo concursadas e comissionadas. São 10 ocupando coordenadorias e secretarias. 11 dos 33 gabinetes parlamentares são chefeados por mulheres. Na alta gestão, encargos de diretoria são três que estão à frente de trabalhos que impactam diretamente no funcionamento do legislativo. A Jaqueline, que atuou como coordenadora em outro setor, assumiu recentemente a diretoria de gestão de pessoas. Essa ideia dessa responsabilidade é uma construção, né? Hoje eu assumo mais com uma questão de coragem do que entendimento exatamente amplo do que é esse significado. Eu tenho o significado de já ter participado como coordenadora e o que eu pude assistir é que é uma direção que trata muito da vida funcional e da vida até pessoal, né? porque tem a parte do acolhimento, de toda a situação eh de saúde, qualidade de vida, desempenho, desenvolvimento funcional, folha de pagamento, que a gente sabe que é de extrema importância também, né, toda a parte de gestão funcional do servidor. à frente da escola do legislativo. Apesar da experiência acadêmica, Nelli diz que se deparou com muitos desafios que vieram ao longo da carreira na Câmara. Quando eu cheguei aqui, eu nunca tinha ouvido falar em escola do legislativo. E aí eu cheguei, a escola do Legislativo da Câmara de Campinas já estava constituída dentro da resolução, no papel ela já existia. E eu cheguei com a missão de fazer ela acontecer. No início era só eu na lista legislativa, depois veio uma outra técnica legislativa, não só nas duas. Um desafio imenso, porque ingressaram junto comigo mais de 150 servidores de carreira. No ano seguinte, 2015, houve mudança de legislatura. Então eu tinha que aprender a ser pedagoga, construir a nossa escola do legislativo, ajudar a capacitar todas essas pessoas ainda. A procuradora, a chefe da Câmara, que atua no departamento jurídico do legislativo, lembra que a conquista feminina é desafiadora desde a graduação. É tudo uma questão histórica, né? Então, primeiro você tem as mulheres chegando na faculdade, que vem lá de trás, que é um ponto importante, as mulheres conseguirem chegar, você ter mais uma igualdade das mulheres na faculdade com os homens, a faculdade de direito, todos os quadros que você vê antigos são homens lecionando para homens. Quando as mulheres têm oportunidade de chegar na faculdade, depois de se tornar iguais ou às vezes até maioria em muitas salas, eu acho que isso é uma decorrência lógica de que você vai disputar igualmente um cargo de chefia. Então, se você achar que tem condições de atuar junto naquele momento, naquele período, com aquela visão, você continua e e se adequa, né? Agora, se você acha que não tem também é flexível, é um cargo que eu posso estar agora no momento, no próximo ano também não se e depois eu me adequo o outro. Então eh é uma questão de você tá alinhado e haver respeito e cumlicidade com o seu chefe de cima. Apesar dos avanços aumentar a representatividade feminina em cargos de liderança no serviço público, ainda é um desafio. E equiparar as gestoras também aos homens que fazem parte desse processo. É um trabalho que tem sido realizado aqui em Campinas. No executivo, o lidera programa implantado em 2023 na prefeitura, é focado na formação de uma rede de líderes para colaboração, melhoria contínua e mudança na cultura de gestão. Quando a gente discute lideranças, é preciso, como a gente tem feito com o programa Lidera, que a gente passe a cada vez mais comprometer, né, os gestores públicos na indicação de outras mulheres para ocupação desses espaços, que a gente possa levar em conta que as mulheres, pela característica às vezes de serem mais multitarefas, pelas características muitas vezes de ter essa essa concentração ah de maior sensibilidade, leva com que juntando com a racionalidade necessária, a gente pode possa ter um o combo perfeito. Orgulhosas de serem lideranças femininas, elas almejam que mais mulheres possam estar à frente de diversos setores, tanto no poder executivo quanto legislativo. Precisamos ter avanços mais rápidos, mas estamos tendo avanços. Eu acho que isso é bastante importante de considerar. E eu acho que a outra mensagem é que a gente precisa se desafiar, né, primeiro enquanto instituição, no sentido de a gente diversificar essa possibilidade da gente ter esse esse crescimento em todas as áreas, né, da gestão, que a gente não pense automaticamente o lugar da mulher, mas que a gente possa pensar a capacidade da mulher de ocupar lugares diversos, diferentes dentro da gestão. E é por isso que as políticas públicas e a política afirmativa, ela é muito importante. desde 1995, né? Eh, o uma obrigatoriedade de quantidade de cotas dentro dos partidos para mulheres, mas assim, isso também não reflete quem nós vemos hoje ocupando os lugares, ocupando as cadeiras na política ou que são líderes de partidos, não. Continua sendo os homens. como as decisões pro nosso país e na nossa sociedade seriam diferentes se tivéssemos mais mulheres em cargos de liderança. Ter mais mulheres apenas na composição do serviço público não basta. É preciso que elas escalem, né, as hierarquias de decisão cada vez mais. Mas é princípio, é preciso também que a gente rediscuta os comportamentos com essas mulheres dentro da instituição e que a gente possa a partir dessa rediscussão, a partir dessa compreensão, a gente ter maior capacidade, probabilidade, capacidade institucional de fazer com que a gente alcance os 50% no mínimo de equidade dentro da instituição. É um orgulho muito grande tá eh nesse número e podendo representar as mulheres, a força feminina, né? Eu acredito que a casa ela reconhece bastante e tá cada vez mais reconhecendo o valor do trabalho de destaques das mulheres, né, com os programas e toda a forma de tá eh sempre desenhando a gestão com com mulheres em em muitos lugares estratégicos, né? A gente sabe que o legislativo é um ambiente muito masculino, né? reflexo disso na própria nas legisladoras, né, da casa. Não é colocar uma mulher num cargo de liderança pelo fato de ser mulher, mas olhar para as mulheres que são servidoras da casa e enxergarem nelas possibilidades sim de assumir esses cargos de liderança. Eu vejo que elas têm uma liderança meio que nata de ir lá fazer organizar. O que antes a gente falava era uma atribuição de dona de casa, ser responsável por tudo. Você consegue trazer essas habilidades domésticas, digamos que a gente sempre foi preparada para isso, para dentro de um de um trabalho, né? E quando você reconhece isso, você só tá mudando a o que que você tá liderando, o que você tá fazendo, eu acho que é bem é bem fácil. A questão é aceitação, que eu acho que passa mais pela aceitação de outras pessoas verem você como não como aquela mulher que vai liderar a casa e filhos. E ó, eu também sou capaz de liderar meu ambiente de trabalho. Por isso não provoque. É cor de rosa choque. Oh, não provoque. É cor de rosa choque. Não provoque. É cor de rosa choque. Isso não provoque.