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No emaranhado de ruas e avenidas do centro de Campinas, entre os edifícios que desenham a paisagem urbana, mais precisamente na rua Barreto Leme, na altura do número 1265 a 36 anos, desde o dia 7 de setembro de 1988, existe um vibrante universo artístico, literário, musical, pronto para ser explorado, criado por um ex-jornaleiro, o sebo e lojão. Eu trabalhava numa banca de jornais ali na em frente à catedral. Eu eh resolvi abrir. A gente não tinha noção de como seria, né? Aí eu tinha um irmão que tinha sofrido um acidente e ele tava sem trabalho. Pediu para mim que eu viesse, se eu lhe se ele pudesse vir aqui trabalhar aqui comigo, né? E eu continuei na banca uns tempo e ele ficou tomando conta. Ele falou: "Pode largar da banca que já deu certo." Quando eu comecei a a cadastrar livro, você louco cadastrar livro velho. Aí eu não dei bola, né? Porque começou e adiantar o expediente para mim, né? Falei: "Deixa o louco trabalhar, né?" E deu certo. Estamos aqui até hoje, graças a Deus. [Música] Hoje os 300 m² do Sebojão, tomados por prateleiras possuem um acervo encantador com mais de 15.000 exemplares de livros, revistas, HQs e gibis que todo leitor campineiro deveria conhecer. A gente tem os HQ e tem os gib antigo, mas é muito antigo, não é coisa coisa de agora não. E os livros literatura estrangeira é os mais vendidos. Lembra tem os técnicos, tem os espírita, tem de todas as áreas, mas o que vende mesmo é a literatura estrangeira dos livros. Tem os clássicos, eles vendem mais quando é é tá tá na lista de vestibular. Eh, aí aí vende bastante. Bem organizadas cada obra é numerada para ser facilmente localizada, com preços entre 5 até R$ 1.000 em casos de edições especiais. O estabelecimento ainda trabalha com venda de discos de vinil, DVDs, CDs e Blu-rays. Os CDs vende bastante de rock ainda. E música popular alguma coisa. Tá voltando a vender os discos de rock e MPB tá vendendo alguma coisa, mas pouco em disco de de LP. [Música] [Música] Nos corredores do Sebojão, os livros carregam consigo histórias que resistiram ao longo do tempo. De acordo com o seu Vítor, o maior prazer da clientela é passar horas passeando pela loja, folando as obras que há muito tempo deixaram os catálogos das editoras. Tem bastante gente que vem aí fica 2 horas, 3 horas aí dentro da loja procurando as coisas. Cevo não precisa ser uma coisa eh bagunçada, suja. Tem pode ser uma coisa bem organizada. E não pode também ser coisa, só se for clássico, coisa muito boa, ter coisa antiga, tem que ser coisa mais atual. Eu gosto, faz parte da minha história, eu acho que tem a questão da memória afetiva. Vim aqui com meu pai desde adolescente. Tô sempre aqui ou a caminho de trabalho ou passeando no final de semana. Então, a questão da memória afetiva, da cultura, do cheiro do livro, de você pegar um papel, de você ter o tato nos materiais, que é muita coisa que a tecnologia não pode oferecer, eu fico feliz porque tem muita coisa boa, muita coisa rica, muita coisa engrandecedora que acaba sendo negado, acaba sendo esquecido do meio de tanto excesso de tecnologia. Então, essa simplicidade, ao mesmo tempo tanta riqueza, atrelados, eles trazem uma felicidade rara. Eu [Música] descobri esse sebo quando eu tinha 13 anos e foi assim uma grande descoberta porque eu sempre gostei muito de ler, mas apesar disso os livros na internet são muito caros. Então, encontrar aqui foi tipo assim um grande tesouro para mim. E saber que tem esses lugares era o tipo de lugar que a minha mãe frequentava quando era criança e que ela achava que não existia mais, porque hoje em dia as pessoas não dão mais tanta atenção pros livros, não dão mais tanto carinho. E eu acho que hoje em dia nos cebos eles dão muito, muito esse carinho pros livros, justamente porque tem essa desvalorização hoje em dia com as leituras. E eu acho que esse lugar é como um refúgio para mim. essa questão de sentir um cheiro de livro, acho que todo leitor tem isso, de gostar de sentir o cheiro do livro, saber que ele tem uma história, não só a história que o livro conta, mas saber que passou por outras mãos. Eu acho, eu gosto muito dessa parte de saber que o livro teve outros donos, que teve outros sentimentos e outras pessoas sentiram, eh, tiveram outros sentimentos pelos livros. É uma coisa que eu gosto muito. [Música] Para o seu Víor, o Sebo e Lojão é mais que um ponto de venda de livros e objetos usados. O lugar é um espaço que guarda a cultura, onde a música, a literatura e a arte se conectam. paixão de de gostar do dos livros, dos, das revistas. Eu fui útil, eu acho que devo ter ser ainda que para muitas pessoas eu ajudei bastante, muita gente formar com meus livros técnicos. Isso aqui, ó, para mim teve grande significado. Eu eh eh dei educação paraos meus filhos e cada um tá se virando bem. E isso para mim foi uma uma coisa maravilhosa. [Música]