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Câmara Notícia | Guardiões da cultura: sebo casarão
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Câmara Notícia | Guardiões da cultura: sebo casarão

187 views Publicado 14/08/2025 HD · 11:14

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Os sebos são sim estabelecimentos comerciais de livros, vinis, revistas e objetos antigos, mas, muito além do negócio, os sebos proporcionam uma experiência orgânica onde é possível encontrar o que se deseja, mas também ser surpreendido pelo que o tempo guardou , preservou e valorizou. Na série Guardiões da Cultura de hoje vamos conhecer mais da história do Sebo Casarão, localizado na rua Barreto Leme, 994, no centro de Campinas.

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Quem caminha pela calçada da rua Barreto Leme, na altura do número 994, no centro de Campinas, se depara com as pastilhas azul marinho brilhantes, emoldurando a cena, que é um verdadeiro convite à viagem no tempo e no universo das artes. Livros, vinis, CDs e DVDs, objetos antigos e música boa dão o clima do que virá. [Música] Há 20 anos da Barreto Leme, sendo cinco somente neste endereço, o Cebo Casarão nasceu de um coletivo de expositores da antiga feira Alfa e se mantém forte com a mesma característica de boa organização, grande acervo e atendimento ímpar. eram várias pessoas que cada um tinha o seu espaço na feira e eles resolveram se juntar em um espaço só. E como havia um imóvel à disposição, eles alugaram o imóvel e se instalaram no imóvel, né? E ali foi criada então uma cooperativa, uma cooperativa debos, porque cada integrante tinha uma loja, tinha um sebo que era o sebo vali, o seo galpão, o sebo porão. E a partir dali surgiu o sebo casarão. Com o passar do tempo, essa cooperativa deixou de existir e eles fizeram uma sociedade. Então passou a ser uma loja só, ser lojão, com todos esses associados. Hoje em dia é somente o Fernando, é o único associado que é o proprietário do prédio. Apesar de controverso, o nome Cebo é atribuído ao fato de livros antigos ficarem engordurados pelo manuseio e, portanto, é um nicho para quem vê no livro e nos discos um valor para além do físico. Eu sempre gostei de livros e discos e eu trabalhava numa livraria e já essa livraria tava em fase de fechamento, né? E eu cheguei até lá, fui comprar um livro em um disco e conversei com eles. Fi: "Puxa vida, a gente tá precisando de uma pessoa que goste de disco de vinil e goste de livros, tá? Você não não quer vir trabalhar com a gente?" Ah, mas foi imediato, né? Então, deu met deu met. Se a cultura de Cebo guarda um tempo e um jeito de acessar a literatura e a música, o sebo casarão sentiu na pele o desmantelamento da preservação histórica com a demolição da antiga sede. Naquele prédio morou eh um as pessoas da família Zinc, inclusive a biblioteca de Campinas leva o nome de um deles que era o proprietário do prédio, morou naquele prédio e ele tinha duas filhas, tá? Ele foi embora pros Estados Unidos e com o passar do tempo ficou somente as duas filhas morando no prédio. Morreu uma delas e a outra ela ela eh disse que quando ela morresse ela ia doar o prédio pra Santa Casa de Misericórdia. E ela faleceu e assim e o prédio ficou sobre os cuidados da Santa Casa de Misericórdia. E aí vocês tiveram que sair depois de 15 anos, né? já estão há 5 anos aqui, estão muito bem estabelecidos, né? Mas como é que foi essa história? Deu uma dorzinha no coração? Puxa, muita dor no coração, porque aquele prédio é um prédio icônico, né? O pessoal dizia que ali era um ponto da cultura de Campinas. E o que aconteceu na realidade foi que em plena pandemia eh aconteceu lockdown, todos os estabelecimentos fecharam e a gente precisava eh fazer uma manutenção no prédio, arrumar o telhado e tal. E nós chegamos para eles e dissemos que nós eh queríamos fazer uma uma reforma no telhado e tal e a gente pediu um abatimento no aluguel. Daí no caso, o provedor na época ele disse que que aluguel era uma coisa sagrada, que ele não podia fazer isso, tá? Que se a gente não se nós não tivéssemos condições de pagar o o aluguel, nós que desocupássemos o prédio. Daí foi feita uma reunião entre os proprietários e tal e eles acharam melhor então a gente desocupar o prédio e a partir daí nós desocupamos. Seis meses depois ou um pouco mais o prédio foi invadido por moradores de rua. depredaram todo o prédio e aconteceu que por eh por essa depredação continuar incessantemente eh a Santa Casa tomou a atitude de demolir o prédio. Ali morreram sonhos e expectativas, pessoas que tinham aquele ponto, aquele local como um ponto de encontro da cultura, mas nós deixamos com que isso não morresse, tá? E a gente teve a grata sorte de encontrar esse espaço aqui e nós nos estabelecemos aqui. Estamos aqui já há 5 anos. Renascida das cinzas. No universo de todas as possibilidades dos cebos, é possível unir o passado e o futuro através das materialidades no presente. Um diferencial do Sebbo Casarão é que a gente tem muitas peças aqui antigas, né? Máquina de escrever, máquina de costura, mimiógrafo, telefone de riscar. E é um fato curioso. Uma uma menina veio aqui, ela falou assim: "Olha, você tem um um teclado manual". Falei: "Um teclado manual". Mas todo teclado é manual. Ela falou: "Não, moço, aquele teclado que você escreve e sai numa folha era máquina de escrever". Então, passou a ser uma coisa assim engraçada, né? Porque eles não conhecem isso. E mesmo os telefones de discar com disco, né? O pessoal desconhece essa nova geração, não sabe o que é isso, que é um mimiógrafo, né? Que vai, a gente vai se lembrar das escolas que as provas eram todas mimiografadas e tal. Isso é muito interessante. A gente sempre procura ter um gramofone que nó relata o gramofone é ele era acionado através de corda como um relógio. Tanto que quando o gramofone era quebrado, quem consertava o gramofone era o relojoeiro. Então é um fato que para eles é uma coisa assim muito impactante, né? Como que um relojoeiro vai cuidar de um de um aparelho que toca música, né? Então, é, faz parte da história e tem até relíquias. Acontece de vir muitas pessoas aqui e querendo se desfazer dos seus livros e tal. Quando a gente vai fazer as avaliações, às vezes existem algumas peças, como máquina de escrever, máquina de costura e tal, e a gente acaba arrematando todo o acervo da pessoa. E dentre elas aconteceu de que uma pessoa tem uma bússola, uma bússola antiga da da época da guerra, tal, acabou entrando no nosso acervo também. A outra foi uma caneca, era uma caneca interessante, bem velha, tal. Daí nós procuramos saber da onde era aquela caneca, porque ela tem uma chancela do império embaixo e realmente é uma caneca da época do império, do segundo império. Tem a chancela da da coroa, tal. É uma coisa muito interessante e outras coisas, um lampião da Primeira Guerra Mundial, uma máquina de costura eh manual que foi fabricada para atender o mercado da Espanha e de Portugal. Então, todas essas histórias a gente acumula e para nós ou para mim em particular é um prazer falar sobre isso, sabe? Informar as pessoas da da origem daquilo, da máquina de costura que tem 50 anos de garantia. O pessoal fica abismado. 50 anos de garantia. Sim, 50 anos de garantia. É a máquina de costura Vigorelli que não existe mais. Era fabricada em Jundiaí. Então são detalhes que enriquece, né? E muita gente aqui eh fotografa e quer ter aquela recordação e eu fico muito contente com isso. Os frequentadores têm os mais diversos perfis e motivações para garimpar textos, músicas e objetos. Sou muito curioso, gosto de ler muito. Quando você vem, você busca por que tipo de livro? né? Livro de de ciência principalmente, né? Ciências é o que te mais te atrai. Que legal. E você vem sempre, então, passar um tempo aqui, ler um pouquinho? Sempre de vez em quando, né? Que eu sou muito culpado também, né? Mas é um momento que você se permite vir para cá e se distrair um pouco. Gosta dos? Então, gosto. Eu conheci o Sebo, vindo aqui uma vez com meus amigos. A gente gosta dessas coisas mais vintage, mais antigas e a gente veio aqui uma vez procurar CD, disco, eh, livro. E eu comecei a vir aqui às vezes quando eu venho, eu estudo aqui no centro, né? E às vezes eu venho aqui para dar uma olhada e hoje eu vim comprar um presente. Presente para quem? O que que você tá buscando? Eu vim comprar um presente pro meu pai. Eu tô procurando umas coisas dos anos 80, anos 70, 80 para ele. Ele gosta de um vinil, então ele gosta. Então vai ter presente vintage pro pai no final de semana. Vai. E aí você aconselha as pessoas verem ao cebo? Quem é curioso, quem é quem gosta de história e quem gosta de de se surpreender, né? Eu aconselho sim. Eu já comprei aqui. Eu comprei um livro da Rita Autobiografia. Aqui tem muita coisa que é bem legal. que tem muita coisa de de diversos anos também, tem coisa dos anos 70, 80, dos anos 2000 também e tem muita coisa. Livro, CD, é bem legal aqui. Vida longa aos CEO de Campinas, que seguem como guardiões e promotores da cultura e de um jeito de viver mais analógico, onde era possível experienciar mais os cinco sentidos e até mesmo o sexto sentido, onde moram as memórias. E as emoções. Não sou eu como o Fernando, a Carol e cada integrante do CEO, que no fim fica conhecendo a história também. Eu faço questão que essa história seja divulgada para que as pessoas conheçam e saibam a funcionalidade, a funcionabilidade dessas coisas e o que ela representa pra cultura, né? เฮ [Música] [Música] [Música]
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