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Na construção de uma nova família, o pai, por meio da adoção junto com a mãe, tem o desafio de construir um novo sentido paraentalidade, superando possíveis fantasias e expectativas iniciais, tanto para os pais quanto para os filhos. São várias histórias dessas pessoas por meio do amor. A do Vladimir com os filhos começou há quase 40 anos com o Bruno. Depois que o jovem casal tentou ter filhos por anos e após abortos, inclusive de gêmeos, a ideia foi deixada de lado. Foi uma tristeza muito grande pra gente e resolvemos que não teríamos mais filho, que filhos não fariam parte da nossa vida. resolvemos adotar o Bruno. Ele tinha aproximadamente uma semana, um tempo que ficou na maternidade, tudo foi feito tudo legal e chegamos em casa com o Bruno, né? E tem até uma história engraçada que quando nós chegamos no prédio onde nós morávamos lá em São Paulo, a Débora com o Bruno no colo, tal, e a Lady Murphy novamente, eh, tinha umas vizinhas no elevador, no hall ali. Nossa, você de bebê? Ah, é, acabei de chegar, tal, não sei o quê. Aí virou me falou: "Nossa, mas eu não tive grávida". Então, naquela hora é assim: "E aí? V falar a verdade, não, nós acabamos de adotar". Ah, aí desmonta todo mundo, né? A verdade sempre foi base na história dessa família, que de maneira lúdica contou ao filho sobre esse amor que vai além da árvore genealógica de uma pessoa. Mas uma coisa que sempre pautou o nosso relacionamento foi a verdade. Tinha um casal que vivia muito triste e encontrou uma moça e ela perguntou: "Por que é que vocês estão tristes?" "Ah, porque a gente quer ter filho, mas não consegue não sei o quê". Ela: "Ah, mas sabe o que eu vou fazer? Então eu vou dar meu filho para vocês, né? A moça boazinha. E o Bruno sempre pedia para contar essa história. É lógico que a Débora conta essa história com muito mais requinte de detalhes aí. Eh, e ele sempre pedia: "Mãe, conta a história da na moça boazinha, tal". Até que um dia ele um pouquinho maior, ele falou: "Mãe, a moça boazinha que dava o menino, o menino era eu, não era?" A segunda filha veio para o novo lar com 27 dias a partir do pedido do irmão que tinha acontecido um tempo antes. O Bruno já com uns 7 anos mais ou menos. Aí ele fez um pedido. Pai, posso te fazer um pedido? Falei: "Pede, filho. Ele falou assim: "Pai, eu quero uma irmã." Aí eu ri, né? Brinquei com ele, falei: "Filho, pede um videogame, pede alguma outra coisa." né? Aí, bom, depois da brincadeira tudo, na época existia aqui em Campinas uma associação chamada APA, associação dos Pais Adotivos. E nós nos inscrevemos lá, tinha todo um procedimento, tal, como naquela época você podia se inscrever em várias varas, né? Então, nós fizemos acho que 14 processos. Isso inclusive com visitas aqui de assistente social, acompanhamento jurídico, tudo muito bem. distribuímos esses e essas eh, como é que eu vou dizer assim, essas inscrições, a gente pode dizer assim, faltou a palavra, essas inscrições. E depois de se meses aproximadamente, aí nós recebemos um telefonema eh de que havia uma havia nascido uma criança, né, em Curitibanos. Isso. E nós fomos para lá. Vimos a Giovana e foi amor à primeira vista, porque nós não temos laços sanguíneos. Nenhum de nós tem aqui na família e eles não têm o sangue da Débora, não tem o meu sangue. Ninguém tem o sangue de ninguém. O que vale é o amor, né? E quando eu digo que é um amor incondicional, não tem a menor dúvida. Eu me emociono um pouco a falar disso porque é verdade, é natural, é sincero, né? E e a coisa acontece, é recíproco. Com os compromissos da vida adulta, os filhos fizeram questão de participar da reportagem, mandando um recado para o pai. Oi, pai. passando aqui, primeiramente para te desejar um feliz dia dos pais e também para agradecer por todos esses anos, toda parceria, toda amizade, tudo que você sempre representou para mim. Você para mim, você sabe muito bem que é um grande exemplo de de marido, de pai, de homem e eu espero poder chegar perto do que você é quando for a minha vez, tá bom? Muito obrigado. Um beijo, te amo. Beijo, filho. Obrigado. Como que é para você pensar que hoje você é essa referência pro Bruno? Ah, para mim é motivo de orgulho. Oi, pai. Tudo bem? Oi, fia. Feliz dia dos pais. Obrigado. Muito obrigado por ser quem você é, por tudo que você me ensinou ainda me ensina, né? E sua força, seu amor me inspiram muito todos os dias. E muito obrigada por ter escolhido. Um beijo. Te amo. Feliz dia dos pais. Beijo, filho. Beijo também. E essa escolha, quem escolheu quem, hein? É, eu acho que só Deus pode explicar isso, né? Mas e eh eu acho que é múo, né? Talvez eles não tivessem essa consciência, mas isso vem com o tempo, né? Eu acho que realmente é Deus quem escolheu isso daí, quem proporcionou esse presente para mim e pelo que eu vi para eles também. A palavra pai vem do latim patter. É a figura masculina responsável por cuidar, proteger e orientar a criança e a família. E no caso do pai, por via de adoção, isso não é diferente. Além de ser o provedor financeiro, cabe a ele atuar no desenvolvimento integral de seus filhos. No Brasil, há mais de 30.000 candidatos à adoção e cerca de 5300 crianças e adolescentes para serem adotadas. De acordo com o painel de acompanhamento do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento do CNJ, o Conselho Nacional de Justiça, entre os pretendentes ativos, a 12.115 115 casais com casamento civil, 2689 casais com união estável e 1857 pretendentes, pais ou mãe solo. Em Campinas, 294 famílias são pretendentes e estão na fila de espera da adoção. 63 casais com casamento civil, 14 em união estável e quatro pais ou mãe solo. Desde 2019, foram adotadas 27.479 crianças no país. Bem antes disso, o Cléber se tornou pai por meio da adoção de uma maneira jamais projetada pelo casal. Minha esposa não poderia gerar filhos, né? Mas é, eu já tinha minhaada, meu minha entiada cresceu comigo, então eu me tornei pai dela em primeiro lugar, né? E quando ela tinha uns 16 anos, Deus me presenteou com o Víor, chegando na nossa família por um serviço de acolhimento e depois ele se tornou o meu filho. Tava com medo, né? Um lugar novo, tinha acabado sair de um lugar que não é não era muito agradável e tinha acabado, tinha alguns traumas também. E eu tava um pouco tímido, né? não conhecia ninguém, não sabia o que fazer, então eu tá bem mais retraído. O reconhecimento aconteceu de forma inesperada, pois o Cléber se percebeu pai a partir de uma ação e fala daquele menino retraído e um pouco assustado. Em menos de 24 horas eu senti que eu era pai dele. A gente saiu para fazer um passeio e ele chegou para nós por volta de 3 da tarde. No outro dia a gente tava num parque, num zoológico, com uma família de amigos meus que tinha um menino da mesma idade dele na época. E o Víor do nada querendo me mostrar um jacaré, grita pra minha esposa, fala: "Chama o paizão, chama o paizão". E eu tava de costa e ele gritando: "Paizão, paizão". E eu não vi. para mim não era comigo. E o meu amigo viu que era ele que tava pulando, me chamando. Ele parou, falou: "Ó, tá te chamando lá". Quando eu virei e vi que ele tava: "Paizão, paizão, vem cá. Meu coração disparou, minhas pernas ficaram moles e eu achei minha esposa que falou para ele me chamar assim. E quando eu cheguei perto, ele me mostrou o jacaré e fiquei ali com ele tudo. E de repente falei: "Mas por que que ele me chamou de pais?" Eu falou: "Não sei". Eu fiquei trêmula na hora que ele falou: "Olha o jacaré". Falou: "Olha que bonito, chama o paizão, quero mostrar para ele". Eu não sabia o que fazer. Falei: "Então chama você." E ele saiu gritando: "Paizão, paizão". E foi ali que eu senti que eu era o pai dele. Quando eu chamei, foi algo tão natural, tipo, pai, paizão. E e para mim foi algo emocionante, sabe? Eu senti que ele ficou meio assim, tipo, será que é comigo? Não é, mas para mim foi algo maravilhoso. É a primeira vez que eu tive um pai, né? Ali você tinha escolhido quem era seu pai. Ali eu escolhi quem era meu pai. A família aumentou com a chegada da Stephanie, o que na época causou um pouco de ciúmes no até então caçula. A Isabela, ela me preparou como pai quando eu também não me via, né? E o Vittor me preparou para ser pai de homem. E o Vítor me fez refletir muito na situação de como eu era com o meu pai, porque eu não tive irmãs. Então, muitas vezes o Vítor me lembrava situações vividas com meu pai. E no preparo com a pequenininha, com a Stephanie, veio no sentido dos cuidados. Então eu vejo que o Víor foi um espelho, foi uma abertura para que eu me redescobrisse um pouco mais. Mas a Bela me deu ótimos motivos para eu me descobrir como pai. O Vittor trouxe outros e eu vejo que a Stephanie tá sacramentando. Em uma rotina de apoio, diversão e caminho, a cumplicidade de pai e filho é vista na rotina da família. Então, desafios mais difíceis para mim é entender que o Vittor já cresceu, não é mais aquele menininho que me mostrou o jacaré, é um homem e entender que eu tenho que só ser um suporte, deixar que a vida dele continue. Então eu tô me descobrindo a cada mudança do Víor como novo papel de pai. Eu já tinha o papel de pai na vida dele, mas eu vi que ele levaria para todos os lugares, pros filhos dele, que o pai dele seria eu, Cléber Oliveira. O meu pai para mim é um referencial para mim hoje, né? É importante na minha vida. Se tivesse que escolher de novo, você escolheria o Cléber? Com certeza. Não tenho dúvidas disso. Sim.