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A série de debates será realizada com quase 2000 estudantes matriculados no oitavo ano do ensino fundamental da rede municipal de Campinas. Os encontros são conduzidos pelo projeto Bemquero, que já atendeu mais de 9.000 pessoas em ações de combate à violência contra a mulher e ao machismo. A programação segue até novembro e contempla todas as regiões de Campinas, principalmente as de maior vulnerabilidade social. A escola Dr. João Alves dos Santos, no Jardim Regina foi uma das atendidas na última semana. Primeiro lugar, a gente tira deles, né? A gente tenta numa roda dialógica, de debate, de discussão, como eles entendem, né, o momento atual e o que eles têm assistido nas mídias, não é, nos telejornais, na realidade do bairro, nas suas casas. E quando a gente dá oportunidade para eles falarem, eles trazem essa questão com muita seriedade, com muita propriedade e eles dizem: "Não é justo, não é possível a gente continuar desse jeito". E aí a ideia, né, é que esses encontros possibilitem a eles refletirem sobre o papel da internet no no aumento, né, significativo da violência. Então, as crianças, os adolescentes passam a refletir a seriedade do momento que estamos vivendo e pensando em situações, em possibilidades de eh frear esse movimento e criar uma cultura de humanidade, uma cultura de respeito e de valorização da mulher. As ações acontecem em parceria com as Secretarias Municipais de Políticas para Mulheres e de Desenvolvimento e Assistência Social. O tema ele está em alta, né, especialmente o enfrentamento à violência contra a mulher. E o prefeito, ele preocupado com essa questão, eh, mesmo com a criação da Secretaria da Mulher, que foi em agosto do ano passado, eh, ele criou essa proposta da secretaria trabalhar de forma transversal com as demais secretarias nas políticas públicas e ações para as mulheres. Então, houve um lançamento de uma proposta de metas para esse ano e uma delas é essa parceria com a Secretaria da Educação, que tá dando muito certo, né? Nós temos a equipe da Secretaria de Educação que tem nos ajudado nisso. Eh, esta é a segunda palestra que nós estamos fazendo, a segunda roda de conversas e ao longo do ano a gente deve eh visitar todas as demais escolas municipais aqui de Campinas. Os debates propõem uma reflexão direta sobre o dia a dia nas escolas, ouvindo as meninas e também os meninos sobre a situações enfrentadas no cotidiano. A ideia é repensar comportamentos, piadas e brincadeiras para tornar a convivência entre os alunos mais respeitosa. Que a gente não precisa ter medo de, tipo, andar, ter medo de ser agredida e que a gente tem sempre um apoio de alguém, tipo, de outra mulher que entende a gente. a gente vê que não é todo homem que a gente precisa ter medo, que a gente pode confiar em homens e ver eh qual que é a diferença, tipo se a gente tem um apoio e se a pessoa pensar algo a mais. Eu sinceramente acho que nosso país as raízes dele são muito violentas e desde antigamente assim a história vem plantando que as mulheres vem plantando, né? vem abaixando as mulheres. Então assim, você implementar, você dizer que uma pessoa não é aquilo que ela é por ela ser diferente de você é errado. É aí que entra a misoginia, que é a violência. A violência não, o ódio contra a mulher, que eu acho muito errado isso, porque você tratar uma pessoa diferente porque ela não é igual a você. Eu não concordo com isso. O coordenador pedagógico da escola, Dr. João Alves dos Santos, já sente os resultados da abordagem na convivência entre os alunos, mas afirma que esse trabalho deve ser constante. Esse debate, essa conversa, né, entre meninos e meninas já acontece algum tempo. Antes da pandemia a gente começou a fazer eh essas eh esses encontros, né, e depois da pandemia a gente retomou e esse ano a gente continua, né? Então assim, a gente vê na eh na reação das meninas em relação às situações que eh acontecem mesmo os meninos, né, assim, o posicionamento que eles têm em relação a determinadas brincadeiras, a determinadas falas, mas é lógico que eh a gente tem muito avançar ainda, né? Sinceramente, comigo sempre foi diferente porque eu sempre prezo por coisas mais humanas, vamos se dizer. Eh, com meus colegas eu vi que já mudou um pouco, porque eles começaram a ter costumes diferentes. A ideia, né, de trabalhar com as meninas e com os meninos em separado no nesse início de programa, eh, ela é significativa. Por quê? Porque as meninas têm a possibilidade de falar como ela, como elas estão vendo esse sofrimento e essa violência, né, que as atinge diretamente e com os meninos como autores de violência, né? E então eles, o bullying, né, a gente pode dizer na escola, é um um gatilho para a violência contra a mulher. Então, quando eles começam a discutir em separado, eles percebem, né, o quanto que eles precisam mudar, eh, o quanto que eles precisam aprender, não é, a conviver pacificamente, harmon e de uma maneira harmonizada, né, e, enfim, como que ambos, meninos e meninas podem construir um futuro melhor. Так.