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Quem cuida de quem ensina foi o tema central do debate público sobre o trabalho docente e o adoecimento dos profissionais da educação. O debate realizado no plenário da Câmara Municipal foi uma iniciativa da vereadora Fernanda Solto. Nós trouxemos esse debate para ser feito dentro da Câmara Municipal de Campinas porque a questão do adoecimento dos professores da escola pública do estado de São Paulo e dos municípios de Campinas é um problema evidente que precisa ser enfrentado. Nós temos dados mostrando que nos últimos 10 anos quase 13.000 professores se afastaram da sua atividade de trabalho por adoecimento. E uma das principais causas desse afastamento é a condição de sofrimento mental. E não dá pra gente dissociar essa realidade das condições de trabalho. Professores e militantes da APESP, que é o sindicato dos professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, marcaram presença no evento. A socióloga, pesquisadora da Unicamp e também professora da Universidade Federal da Bahia chamou a atenção para o aumento dos indicadores de afastamentos por transtornos mentais. Eu acho que uma primeira coisa que a gente precisa demarcar é que ainda que os indicadores de transtorno mentais sejam muito altos, né, são bem absurdos, que a gente não deve desconsiderar a relação, não deve separar as coisas, não tem um corpo que adoece só fisicamente ou só eh mentalmente, né? Então, não são poucas as pesquisas que demonstram como o desenvolvimento, por exemplo, das lesões por esforços repetitivos tende a se articular quadros depressivos, por exemplo. O sentido inverso também é bastante observado com quadros de sofrimento psíquico e adoecimento mental, caminhando junto com manifestação de enfermidades cardíacas ou de outros tipos. Já o diretor estadual da APOSP pontuou sobre o excesso de cobrança vivido pelos professores, o que é uma característica do mundo moderno. O tempo todo a gente é obrigado a ampliar o nosso desempenho. Então a gente constrói uma luta conosco mesmo para atingir os objetivos. E ele mais ou menos o seguinte: você só vai atingir teu objetivo na morte porque é inalcançável a forma que importa os objetivos. Então você só vai conseguir atingir a plenitude quando você morrer, porque vivo não não é possível. E aí por isso tem ampliação da Burnout. Para Carolina, que é doutoranda em educação pela Unicamp e membra do coletivo 15 de Outubro, a maioria dos professores está invisível para a sociedade. Ela ainda levantou os fatores que são responsáveis por adoecer esses profissionais, como os contratos de trabalho precários, instabilidade da categoria, a ampla jornada de atividades que reflete diretamente na qualidade de vida do professor, além da falta de infraestrutura das salas de aula. A forma como tão organizadas a gestão do trabalho docente, as condições de trabalho na rede estadual, ela é uma máquina de moer, gente. Ela é adoecedora, é muito insalubre e é uma condição que daí para além da questão do adoecimento mental já tá mais do que comprovado pela ciência, né? como essa alimentação completamente desregrada, com ultraprocessados, enfim, tal, ela gera hipertensão, diabetes, problemas cardíacos, gastrointestinais e por aí vai. E quantos professores, todos nós aqui já não conhecemos, que passaram mal dentro da sala de aula. E a nossa CLT da década de 40, ela diz que os trabalhadores do Brasil eles têm que ter uma hora de almoço, né? Então assim, a gente não tem nem a CLT garantida da uma hora de almoço pros professores. A vulnerabilidade do profissional à violência, o processo de privatização da educação e as terceirizações do trabalho foram outros pontos colocados durante o debate. Este processo de privatização da educação de degradação afeta muitos professores que estão com condições de trabalho muito precárias. os fechamentos de sala de aula, especialmente dos eh dos períodos noturnos, além de ser um empecílio para que os as pessoas possam acessar o direito à educação, também traz muito sofrimento pelas salas superlotadas, pelas pior das qualidades da qualidade de trabalho. as terceirizações trazem piora da remuneração dos trabalhadores, piora das condições e a gente sabe que isso tem um impacto é muito forte sobre a saúde mental dos professores e professoras e impacta a qualidade de ensino. Então essa audiência foi para trazer visibilidade para esse problema, que é um problema real, que precisa ser debatido na sua totalidade e nós precisamos encontrar saídas reais. M.