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A solenidade para a entrega do título de cidadão campineiro a Daniel de Almeida aconteceu na sala dos Toninhos na Estação Cultura. A vereadora Paula Miguel, autora da proposta que homenageou o educador, ator, cineasta e produtor cultural por todas as suas atividades na área de manutenção e valorização da cultura e do cinema nacional, falou da importância deste trabalho. Para mim é uma grande honra tá fazendo essa singela homenagem a Daniel de Almeida e nesse espaço que é tão simbólico que a 15ª mostra curta, que tem trazido a oportunidade, né, não só para mim, mas para diversas pessoas, de conhecermos atrizes, atores, principalmente negros, negras, que são referências na cidade de Campinas. E mais do que isso, nesse momento a gente tem a oportunidade de reconhecer e valorizar um ator que tá saindo, tá ficando, mas que tá fazendo com que a cidade de Campinas fique cada vez mais conhecida. O homenageado que nasceu em 1978 em Alagoas agradeceu a honraria e falou da importância de Campinas para sua família, sua história e sua vida profissional na educação por meio da cultura. Sei que papéis jamais terão o poder de uma árvore, de que letras e brasões nunca se compararão aos que constrói diariamente uma cidade. Adoto Campinas e acredito que ela me adota também na década de 90. Chegamos aqui, minha família, com desejos e sonhos. É nessa cidade que, pela primeira vez temos uma casa nossa, numa ocupação, hoje um bairro organizado devido ao poder do povo, o Jardim Caraí. Meu pai sempre foi um consultor. Trabalhou até seus últimos dias como pedreiro. Construiu até onde pôde seus sonhos com a dona dona Maria de Lourdes. Minha mãe costureira desde seus 9 anos de idade, como sempre repetia, ela, minha mãe, nossa mãe, costurou não somente os rasgos das roupas que ganhávamos, mas costurou a cada dia uma família sólida, digna e justa. É em Campinas que eu, o primeiro de uma geração, também consigo um diploma universitário. É nessa cidade que o menino sonhando com os palcos, telas, como sempre sonhei, se torna artista. E é aqui na cidade, na cidade de Barões, que a educação se torna minha segunda arma de combate às desigualdades, me aproximando de tantas crianças e adolescentes dos meus cursos de cinema e teatro. Quando estou com eles, estou em família, pois nossas realidades não se diferem. Muitos também migrantes nordestinos como eu. Toquem tambores para anunciar.