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Por iniciativa do vereador Luís Cirilo, a Câmara Municipal sediou a terceira edição do simpósio Um Olhar Além do Espectro, evento que tem objetivo de debater a inclusão de pessoas neurodivergentes e contou com a presença de especialistas, autoridades e mães atípicas. Quero começar dizendo algo importante. É falar sobre o autismo, é falar sobre dignidade humana, é sobre inclusão, é falar sobre acessibilidade. Porque nenhuma sociedade pode se considerar verdadeiramente desenvolvida enquanto uma mãe precisa implorar compreensão, enquanto uma criança foram excluída da convivência social ou enquanto uma pessoa autista for tratada como invisível. E, infelizmente durante muitos anos, foi exatamente isso que aconteceu. E se nós abrirmos o coração, hoje ainda existe inclusive preconceito, descaso. E é isso que nós precisamos combater. É por isso que a sociedade civil precisa realmente estar atrelada com o poder público para que nós possamos de alguma maneira construir uma sociedade mais justa. Vocês precisam entender hoje que todo esse trabalho pelo qual nós estamos trabalhando, ele é uma pequena semente. Cada um de vocês conseguem a partir deste momento e com o trabalho que já vem sendo realizado, seja pelo Cirilo, seja pela SUS, pela Denise, por todas as instituições, por todos os profissionais, levar isso adiante. A gente tem uma luta que muitas vezes é dolorida, não é fácil. A Denise há 4 anos atrás aqui no na primeira edição do Simpósio, ela falou: "Nossa, muitas vezes a criança em um supermercado cai no chão, faz uma manha, mas é uma mãe típica". Mas quando é uma mãe atípica, é um olhar diferente de julgamento e que isso acontece e que nem todos estão preparados. Então o nosso despertar hoje é para conscientização, para inclusão, pro acolhimento, para que todos possam vivenciar aqui as histórias que nós iremos tratar com vocês. >> A secretária municipal adjunta da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres também esteve presente. Ela enalteceu as mães atípicas e falou sobre as dificuldades no processo para o diagnóstico e o preconceito. Esse evento, Mariá, é um evento bastante importante, onde é um espaço onde é necessário e tão sensível. E hoje eu quero ressaltar eh exclusivamente as mães, as mulheres, né, que muit das vezes é uma jornada muito solitária, é uma jornada que a gente fica exausta. E agora eu deixo como poder eh representante do poder público de lado, mas eu falo como uma mãe que tá em diagnóstico. E eu falo aqui que é muito muito muito doloroso eh as pessoas as olharem pros nossos filhos. eu falo da minha filha e tem um preconceito muito grande. Então assim, e é também doloroso essa angústia, né, de de o que que será que o nosso filho, o que que a minha filha tem? Então, a gente tá nesse processo. Então, eu acho que nenhuma de nós, mães deveríamos estar sozinhas. A gente precisa de uma rede de apoio. Então, por isso que momentos assim, eventos como esses, espaços como esse que é construído com pessoas assim como grupos, né? Tanto a gente fala da secretaria também, a gente tá na secretaria, estamos com esse olhar para as mães atípicas, mas grupos como vocês que estão aqui, é através daqui que a gente vê que nós não estamos sozinhas. >> Mariá, uma das fundadoras do simpósio, contou como o projeto foi idealizado a partir de uma vivência pessoal. Esse simpósio ele foi pensado com muito carinho para todas as famílias da neurodividade. Eh, eu perdi um filho há 10 anos atrás para leucemia e eu tava muito mal. Eu já tinha o Pedro, ele tinha três a 4 anos e eu entrei numa depressão. E aí um dia o Pedro falou: "Mãe, olhe para mim, eu estou aqui". Ali eu entendi que o luto era meu, não era do Pedro e que a gente tinha que transformar a luta, o luto em luta pela causa autista. E é por isso o nome desse simpósio, um olhar além do espectro. O encontro contou com palestras sobre o direito dos autistas, sobre a instituição Paica, programa de atenção integral à criança e ao adolescente, a integração sensorial na vida real, o tratamento com cannabis medicinal e o autismo para além do diagnóstico. >> A jornada do aprendizado. Depois que a gente passa pelo diagnóstico e começa a acho que assimilar tudo aquilo que aconteceu, a gente entra nesse momento de aprender como lidar com o autismo, aprender como lidar com as questões de direitos e tudo mais que já foi dito aqui. E a gente começa a aprender sobre terapias, sobre estratégias de comunicação, sobre formas de conexão e é uma formação diária e muito intensa e cheia de descobertas. M.