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A primeira parte da reunião ordinária de número 72 teve um debate sobre as ações contra a exposição ao benzeno e os impactos na saúde do trabalhador. O evento aconteceu por iniciativa da vereadora Fernanda Solto e contou com representantes de trabalhadores. O benzeno é uma substância derivada do petróleo, reconhecidamente tóxico, cancerígeno. E nós sabemos que a a Organização Mundial da Saúde determina que não há um limite de exposição seguro ao benzeno. E ao longo da história, o movimento de trabalhadores conquistou uma legislação aqui no nosso país que visa proteger os trabalhadores, especialmente e da indústria química, petroquímica, os frentistas que estão expostos a esse a esse agente tóxico diariamente e também garantir um sistema de proteção social para aqueles eh trabalhadores que adoecem decorrência dessa exposição. Infelizmente existe um movimento nacional de entidades patronais que vem se movimentando no sentido de tentar fragilizar esse essa legislação. A pesquisadora aposentada da Funda Centro, Instituição de Pesquisa em Segurança e Saúde no trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, Aline Arcuri, participou via plataforma digital e falou das implicações na mudança da legislação no que diz respeito à exposição dos trabalhadores ao produto. O VTR, que é o valor de referência tecnológico, é um valor de concentração de benzeno no ar, que estabelece um patamar tecnológico exequível para a indústria, com objetivo de ser uma ferramenta para a melhoria contínua e a redução da exposição. Se a concentração ambiental for 0,6 ppms, né, praticamente igual ao limite que tá sendo proposto hoje pro Brasil, vão vai a possibilidade de correr quatro casos de câncer para cada 1000 trabalhadores expostos. Esse é um número muito alto, né? Muito alto. Eu fui ver na na na internet quantos trabalhadores, por exemplo, tem a Petrobras. A Petrobras possui hoje, segundo os dados da internet, 41.700 funcionários. Suporde que uma parte seja operacional, seja da parte mais técnica, né? Não, não técnica, né? Mais escritórios, tal, eu surto, né? Suponho que pelo menos 30.000 trabalhadores estejam expostos em áreas operacionais com probabilidade de exposição a benzendo. Se estabelecer o Léo de meio, nós vamos estar autorizando a existência de 90 casos de de câncer só na Petrobras. No Brasil, estima-se que sejam 770.000 profissionais no grupo de risco, sendo uma grande responsabilidade do poder público garantir uma rede de proteção e a fiscalização para garantir a saúde dos trabalhadores. No decorrer dos anos, comissões que tratavam do tema no ambiente de trabalho foram extintas. Essas comissões elas tinham um papel importante porque elas conseguiam ir dentro das empresas, nos locais de trabalho, fazer a fiscalização. Quando é feito a destruição disso, desmonte, para você reorganizar é muito mais difícil. Quando você, para extinguir, é muito fácil. É de um dia pro outro você acaba com a com essa estrutura que já existia. E para reorganizar agora tá sendo uma luta. Eh, a gente já conseguiu reabrir a comissão estadual do Benzeno no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro já está eh bem adiantado. A gente agora tem que lutar para reabrir a comissão aqui em São Paulo, né, a comissão eh estadual do Benzeno. E aí vou citar aqui, né, as ações que têm acontecido no âmbito do dos petroleiros. recentemente teve um um debate, né, na no Senado com o senador Paulo Pain e organizou e a gente tá tentando levar esse debate também eh para uma para uma lei, um projeto de lei, né, que estabelece regras de aposentadoria, regras eh de cuidado com as pessoas que estão expostas a não só a benzeno, como a vários produtos químicos, né? Quando a gente fala benzeno, eh, fala até da categoria petroleira, que a gente que tá ali na cadeia produtiva, mas ele está também nos postos de gasolina. E a gente precisa até fazer uma campanha eh tanto pública como as entidades organizativas de às vezes até o nosso eh cotidiano dentro dos postos de gasolina, que às vezes a gente vai abastecer, a gente não fecha os vidros, fica lá sendo exposto eh a um agente químico. Se é uma baixa concentração, mas coloca isso na vida eh 30 anos tendo essa exposição. Assim como virou uma coisa cultural, os jovens às vezes ficar no posto de gasolina consumindo eh tanto alimento, bebidas e aí às vezes é falta de opção, né? Não não é porque não tem é legal tá lá, porque às vezes falta opção mesmo eh cultural e se juntam ali e existe uma exposição ali. Essa é uma questão que eu tenho muito cara para mim, não só como parlamentar, mas também como profissional da saúde, como médica do SUS. E eu acho que essa nossa principal função também como parlamentar, que é propor esses espaços para que as entidades, os coletivos, as organizações de trabalhadores tenham esse espaço para expor as suas questões, né, e também como um espaço de mobilização. E eu quero parabenizar o Cind Petro pelo trabalho importante social que estão fazendo em debater essa questão do benzeno, que é muito sério, é muito urgente. E aí eu gostaria de dizer também que nós eh protocolamos aqui na Câmara Municipal de Campinas uma moção contra a extinção do VRT, contra o estabelecimento de um limite de exposição mínimo, que no no final das contas vai, na verdade, legitimar o adoecimento dos trabalhadores expostos a esse agente tóxico. Foi uma moção aprovada por unanimidade, mostrando que é um assunto que tem relevância eh social, que precisa ser pautado nos espaços de debate e elaboração de políticas públicas. Yeah.