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Você sabia que a Avenida Dr. Ângelo Simões leva este nome em homenagem ao médico Dr. Ângelo Jacinto Simões, que atuou na epidemia de febre amarela e que na ocasião perdeu quatro filhos para doença. Vamos entender tudo com o historiador. A rua Dr. Simões é uma rua que faz referência a um herói da nossa cidade. O cara realmente foi um herói porque ah houve aqui uma epidemia de febre amarela em Campinas no ano de 1889. Se arrastou pelos anos seguintes. O Dr. Ângelo Simões era médico e ele só chegou em Campinas em 1886. Ele abraçou a cidade com tal fervor que ficou aqui durante toda a a epidemia de febre amarela. Pra gente entender o que foi a febre amarela para Campinas, tem que pegar todo o estrago que a COVID-19 fez e multiplicar por 1000. Aí a gente tem uma noção do que foi a febre amarela para Campinas. E esse cara que não era campineiro, que tinha acabado de chegar, ficou aqui com toda a família, enterrou quatro filhos durante a pandemia e continuou aqui lutando por gente cujos nomes ele sequer sabia. Ele trabalhava muito com cloro, com sais de cloro. E ele escreveu um trabalho, eh, chegou a ser parece que até premiado com trabalho importante aí sobre os sais de cloro no combate à febre amarela. E viveu aqui em Campinas até 1907, ano em que ele ah atentou contra a própria vida, talvez motivado por toda a tristeza que viveu, né? Eu fico imaginando o que se passava na cabeça dele. Eu li um documento, uma carta que um pai enviou para ele agradecendo porque a filhinha do do senhor de 13 aninhos estava muito doente, urinando preto e já vomitando sangue, já não tinha mais como se salvar. E o pai agradecidíssimo ao Dr. Ângelo Simões que conseguiu com os medicamentos dele recuperar essa menina e a menina sarou, mas os filhos ele não conseguiu salvar. Então, a a o emocional dele deve ter ficado extremamente comprometido e o cara não arredou pé da cidade, ficou aqui, nos ajudou muito nessa ocasião, trabalhava com com saia de cloro, trabalhava com água clorada e era assim que ele tratava. Era um método questionável, questionado. Não era todo mundo que concordava com isso, mas era assim que ele tratava e ele conseguiu alcançar resultados bons com isso. Criaram-se pequenos hospitais para atender a demanda, principalmente na época da febre amarela. Os hospitais, o pessoal chamava de lazareto. Aqui do ladinho, bem na esquina da Ângelo Simões, aqui com a saudade tinha um lazareto que o pessoal chamava de lazareto do Fundão. Isso por toda essa região aqui era o Fundão. E não tinha, se você imaginar, não tinha as outras construções, não tinha a igreja, nada que tampasse a visão entre o hospital aqui, o Lazareto do Fundão e o cemitério da Saudade, que era o cemitério do Fundão. Ninguém queria ficar internado aqui, porque a pessoa ficava internada olhando direto pro cemitério. Então, ninguém queria ficar internado aqui. Aí aos poucos, né, isso foi mudando, foi criando-se outros estabelecimentos depois disso. É, tudo foi mudando muito por aqui, né? É dessa época também que tinha bem nessa esquina aqui uma senhora chamada dona Maria, que se vestia de fantasma à noite, assustava as pessoas, chamaram a polícia, polícia fez campana para prender o fantasma aqui. Não tinha nem iluminação aqui na região na época e tinha muitas histórias que se contava, né? Essa história está disponível no Memorial Câmara Campinas, na aba Essa Rua tem história. Campinas tem história por metro quadrado. Campinas, de fato, uma das cidades mais importantes do Brasil. Se você for parar para contar a história, a gente vai longe, porque tem muita história por aqui.